Nota em solidariedade a Amanda Palha

Por que, afinal, ter o fim da família como horizonte emancipatório evoca tanto mais incômodo e hesitação do que afirmar o fim do direito como perspectiva revolucionária? Quanto mais ataques vis e desumanizadores, mais cabe escutar com atenção e seriedade o que Amanda Palha tem a dizer.

Amanda Palha no Seminário Internacional “Democracia em colapso?”. Foto: Taba Benedicto.

Hoje, no dia nacional da visibilidade trans, a Boitempo se solidariza com Amanda Palha, que tem sido alvo de ataques por parte da direita mais conservadora deste país. Faz-se necessário repudiar os insultos transfóbicos (reproduzidos inclusive em veículos pretensamente jornalísticos, como a Gazeta do Povo, e por figuras públicas de grande repercussão, dentre políticos, pastores, colunistas e influenciadores digitais) e as ameaças, públicas e privadas, feitas à militante e educadora popular.

A Boitempo se orgulha de contar com Amanda como autora e colaboradora desde 2018 e reitera seu apoio em especial nesta situação, criada a partir da disseminação oportunista de um fragmento do debate de lançamento do dossiê da mais recente edição da revista semestral Margem Esquerda, no qual ela colabora.

Para quem quiser conhecer as posições políticas e a produção intelectual de Amanda, sugerimos assistir ao vídeo inteiro da mesa “Família, religião e política”, realizada no Seminário Internacional “Democracia em colapso?”, disponível na TV Boitempo. Com Flávia Biroli, Henrique Vieira e Andrea Dipp (mediação), a discussão foi considerada uma das mais férteis, qualificadas e calorosas de toda a programação. Por que, afinal, ter o fim da família como horizonte emancipatório evoca tanto mais incômodo e hesitação do que afirmar o fim do direito como perspectiva revolucionária? Quanto mais ataques vis e desumanizadores, mais cabe escutar com atenção e seriedade o que Amanda Palha tem a dizer.

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Margem Esquerda #33: Marxismo e lutas LGBT

Em pleno governo Bolsonaro, a revista da Boitempo lança um número especial dedicado a enfrentar as articulações e tensões produtivas entre marxismo e lutas LGBT, para além da querela da “cortina de fumaça”. O dossiê de capa, coordenado por Lucas Bulgarelli, traz textos de Amanda PalhaIsadora Lins França, Rafael Dias Toitio e Renan Quinalha que abordam a questão de diversas perspectivas. A entrevista exclusiva que abre a edição é com a filósofa e ativista estadunidense Judith Butler, um dos nomes mais proeminentes do feminismo, dos estudos queer e da teoria crítica na atualidade.

Em diálogo com o dossiê, se somam à edição conteúdos inéditos como um artigo de Angela Davis sobre justiça para a comunidade LGBT e um documento do militante e intelectual italiano Mario Mieli, um dos pioneiros a trabalhar a intersecção entre luta de classes e movimento gay, traduzido e comentado por Luiz Ismael Pereira.

1 comentário em Nota em solidariedade a Amanda Palha

  1. Aída Paiva // 06/02/2020 às 3:37 pm // Responder

    Amanda Palha, essa discussão sobre o fim da família é de antes dos meus tempos de faculdade é dos anos de 1970. Eu não quero o fim da família quero uma família legal. Mas eu acho que todo mundo pode pensar o que quiser e deve ter o direito de falar seus pensamentos. Eu acho que se a gente fala o que pensa é mais difícil cometermos crimes. Se a gente falar do desejo de matar a nossa mãe para alguém a gente está querendo compreender a nossa mãe. Se a gente quer que não exista mais família a gente está procurando um mundo mais bom de se viver e está sendo radical e isso é excelente. Tem gente que só tem coragem de falar no Tweeter. Porque essa pessoa que defende a tortura não reúne a imprensa e fala em tortura, morte de homossexuais e negros, e outras monstruosidades na frente das câmeras e dos jornalistas?
    Sabe porque essa discussão sobre a família voltou? Porque os tempos voltaram.

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