José Paulo Netto

Recordando Garaudy, um homem de fé

14/11/2016 // 1 Comment

Por José Paulo Netto / "A trajetória de Roger Garaudy não me parece a de um “renegado”. Ao longo dos seus quase cem anos de vida, jamais traiu os valores fundamentais com que se comprometeu na juventude. Examinada com atenção e sem preconceitos, a sua trajetória revela-se como o itinerário de um teólogo frustrado que nunca perdeu a fé." [...]

Eneida, a voz poderosa

31/10/2016 // 2 Comments

Por José Paulo Netto / "É possível arriscar a hipótese de que as novas gerações brasileiras, mesmo nos seus segmentos letrados e que passam pela academia, não conheceram/conhecem Eneida. Se a hipótese tem pertinência, agora o que há a fazer é contribuir para que este público se interesse por conhecê-la. Estas gerações só têm a ganhar – sob todos os aspectos – se também ouvirem a voz poderosa de Eneida." [...]

Caudwell, pioneiro da crítica marxista inglesa

19/09/2016 // 1 Comment

Por José Paulo Netto / "Parece haver um consenso mínimo entre os estudiosos do marxismo inglês: na crítica da literatura (e, mais amplamente, da cultura), há um autor seminal – Christopher Caudwell. Ele é o ponto fundacional de um complexo desenvolvimento balizado sintética e diferencialmente pelas obras de George Thomson, Raymond Williams e, enfim, Terry Eagleton. Caudwell, estranho ao meio acadêmico, inaugura a reflexão marxista sobre a literatura e a cultura na Inglaterra." [...]

A. Lifschitz, editor e crítico

11/07/2016 // 0 Comments

Por José Paulo Netto / "Já vinha de 1930 a amizade que vinculou Lifshitz a Lukács, quando este passou meses em Moscou e teve conhecimento de textos do “jovem” Marx, ainda inéditos, no Instituto Marx-Engels-Lenin. Foi então que iniciaram a colaboração intelectual que os uniu ao longo dos anos 1930: ambos sustentavam a tese, à época original, de que a partir dos materiais marxianos seria possível construir uma estética especificamente marxista. Em vários passos de seus textos autobiográficos, Lukács – que dedicou a Lifschitz um de seus livros fundamentais, 'O jovem Hegel', concluído em 1938, mas só publicado dez anos depois – refere-se à sua relação com ele." [...]

Ainda vale a pena ler J. D. Bernal, o sábio

10/06/2016 // 4 Comments

Por José Paulo Netto / "Nada justifica o relativo esquecimento, ou desconhecimento, da obra de J. D. Bernal pelas gerações atuais. Ao contrário: a sua leitura, com as lentes críticas que o tempo presente disponibiliza, qualifica os jovens pesquisadores para uma enriquecida compreensão do desenvolvimento científico e para a urgente necessidade de superar o fosso entre os especialistas das ciências duras e os que se dedicam à teoria social. Um fosso que tem propiciado, no campo das ciências sociais e humanas, a proliferação das imposturas intelectuais (a expressão é de Sokal e Bricmont) que fazem as delícias pós-modernas." [...]

Magalhães-Vilhena: um marxista erudito – e não só

19/01/2016 // 4 Comments

José Paulo Netto / "Saiba o meu eventual leitor, desde já, que dois motivos me levam a trazer à baila o nome de Vasco de Magalhães-Vilhena (1916-1993), no instante mesmo em que localizo, entre meus velhos livros, a sua obra – seminal e clássica – sobre Sócrates (e Platão). O primeiro motivo é lembrar que, neste ano, decorrerá o centenário de nascimento do filósofo, quando certamente os círculos mais lúcidos da cultura portuguesa (e não apenas dela) haverão de homenageá-lo devidamente; o segundo é registrar a recente publicação de um conjunto de apontamentos seus acerca de uma questão central do pensamento marxista, a questão da ideologia." [...]