Flávio Aguiar

Marighella: o filme e a resistência de ontem e de hoje

18/02/2019 // 1 comentário

De Berlim, Flávio Aguiar escreve sobre a estreia de "Marighella", de Wagner Moura: "Retratando os guerrilheiros como participantes de uma luta desesperada para se contrapor ao regime ditatorial, num momento em que todas as liberdades e garantias democráticas eram anuladas pela ditadura de então, o filme não deixa de mostrar todas as contradições e limites da luta armada que abraçaram. O filme está longe de ser uma apologia da violência, embora também não queira fazer o julgamento post-mortem dos que escolheram o caminho da guerrilha urbana, nem daqueles que sobreviveram até hoje." [...]

Berlim em tempo de cinema

15/02/2019 // 3 comentários

Por Flávio Aguiar / "Nos 404 filmes exibidos nesta Berlinale, segundo as sinopses disponíveis, não há um único que se dedique à campanha de salvacionismo da civilização-cristã-ocidental, apanágio de Trump, Orban, Salvini, além de Bolsonaro e famiglia, Araújo, o chanceler aloprado, Vélez, Delamares, Salles, Moro e o ministro da Casa Civil que anda perigosamente armado com liquidificadores. Nem mesmo entre os brasileiros: provavelmente por este motivo, a Embaixada do Brasil neste ano cancelou a tradicional recepção que oferecia aos cineastas, atores, atrizes, jornalistas, produtores do Brasil todo ano durante a Berlinale. Sinal dos tempos." [...]

Karl Marx romancista e dramaturgo?

12/11/2018 // 1 comentário

O mais recente lançamento da coleção Marx-Engels da Boitempo traz à luz um Karl Marx muito pouco conhecido, e jamais traduzido para a língua portuguesa. Carlos Eduardo Ornelas Berriel, Tercio Redondo e Flávio Aguiar escrevem sobre "Escritos ficcionais", de Marx, no Blog da Boitempo. [...]

As eleições e as comparações perigosas

09/08/2018 // 10 comentários

Por Flávio Aguiar / Afinal, quem é o Trump brasileiro? Bolsonaro poderia ser equiparado a uma Marine Le Pen? Debaixo desse tipo de “comparação perigosa”, a que mesmo as esquerdas são convidadas, fica o ímpeto do desfoque de herança colonial. É como se para nos apoderarmos de nossa própria história precisássemos da comparações europeias ou, pelo menos, advindas do hemisfério norte. [...]

Os juízes sem juízo

26/01/2018 // 22 comentários

Por Flávio Aguiar / "Disse o excelente jornalista Mark Weisbrot no NY Times que as argumentações apresentadas contra o réu não seriam aceitas num tribunal norte-americano. Porque falavam apenas de indícios e de denúncias de gente favorecida por os e as apresentarem, não de provas. Mas é bom devolver a Washington o que é de Washington. Ao contrário do que diz o senso comum, inclusive o de esquerda, o modelo em voga de “soft coup” ou de “golpe branco” não nasceu em Honduras." [...]

O Brasil e os sete pecados capitais

11/01/2018 // 5 comentários

Por Flávio Aguiar / "Se há uma disposição de ânimo que vem movendo esta inclinação conservadora que hoje impera mundo afora, é a do ressentimento. Este encontra o seu correlato na hipocrisia que domina o estilo dos políticos que tentam se afinar com ele. Mas além desta dupla quase musical, Ressentimento & Hipocrisia, há outros sentimentos movendo os moinhos de hoje. E são ligados, descobri, aos antigos Sete Pecados Capitais da tradição cristã." [...]

O Dia D

07/09/2017 // 3 comentários

Por Flávio Aguiar / "Quando criança eu adorava soldadinhos de chumbo. Os que eu tinha eram herança de meu avô e de meu pai. Resistiram ao tempo, resistiriam a mim." [...]

As minhas revoluções soviéticas

17/08/2017 // 1 comentário

Por Flávio Aguiar / "A evocação mais pungente e pessoal dos tempos soviéticos se deu em conversa com um velho professor de História e militante comunista. Perguntado se ele tinha saudade do regime comunista, ele disse que não (isto em 1996, cinco anos depois da queda do Muro). Disse que o regime virara algo policialesco, mais ocupado em controlar seus cidadãos do que em combater 'o outro lado'. Mas acrescentou: 'eu tenho saudades dos sonhos que tive, e hoje não tenho mais'. Esta crônica é dedicada, como homenagem, a este velho militante, o Comunista Desconhecido, cujo nome não sei, e a seus sonhos. Que eles possam renascer das cinzas em que hoje estamos mergulhados." [...]