Guia de leitura | A descolonização que está por vir | ADC#72

A descolonização que está por vir: ensaio de teoria política
Muryatan S. Barbosa
Guia de leitura / Armas da crítica #72
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Neste ensaio conciso, que combina profundidade filosófica, pesquisa acadêmica e intervenção crítica, Muryatan Barbosa apresenta aos leitores uma teoria política da descolonização — o que ele chama de “descolonização autodeterminada” — como alternativa às abordagens pós-coloniais, decoloniais e contracoloniais que atualmente dominam os debates contemporâneos. Para o autor, a autodeterminação dos países do Sul global só é possível com a construção de macronações autônomas no médio e longo prazo.
Abordando a descolonização como um fenômeno global e de longa duração, o livro examina as experiências americanas e afro-asiáticas. Dividido em duas partes — uma teórica e outra histórica e empírica —, a obra investiga os desafios políticos e conceituais impostos por esse processo, ao mesmo tempo em que busca atualizar e renovar o pensamento anticolonial e anti-imperialista.
Com uma forte trajetória intelectual que trafega entre a pesquisa acadêmica e o debate político, Muryatan oferece em A descolonização que está por vir: ensaio de teoria política, uma contribuição original às discussões contemporâneas sobre colonialismo, emancipação e teoria política.
direção-geral Ivana Jinkings
edição Pedro Davoglio
coordenação editorial Thais Rimkus
coordenação de produção Juliana Brandt
assistência editorial Maria Eduarda Xavier
assistência de produção e diagramação Livia Viganó
preparação Mariana Echalar
revisão Karina Okamoto
capa LeTrastevere, sobre imagem de Steve A. Johnson
Além de marcador e adesivo, os assinantes recebem em primeira mão o livreto O futebol como arte, de Raí.


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Quem é
Muryatan Barbosa?
Muryatan Santana Barbosa é historiador e sociólogo, professor adjunto do bacharelado em ciências e humanidades, do bacharelado em relações internacionais e do Programa de Pós-Graduação em Economia Política Mundial da Universidade Federal do ABC (UFABC). Bacharel em história (2001), mestre em sociologia (2004) e doutor em história da África (2008-2012) pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (USP), foi pesquisador visitante na Universidade de Harvard, em 2010, e consultor da UNESCO-Brasil no Programa Brasil- -África: histórias cruzadas, entre 2011 e 2012. Integra o Núcleo de Estudos Africanos e Afro -Brasileiros da UFABC, do qual foi coordenador. É autor de Guerreiro Ramos e o personalismo negro (2015) e A razão africana: breve história do pensamento africano contemporâneo (2020), obra vencedora do Prêmio Jabuti na categoria ciências sociais em 2021. Pela Boitempo, publicou Desde Fanon (2025), em coautoria com Deivison Faustino. Sua produção mais recente volta-se às questões da descolonização, da autodeterminação e da construção de alternativas políticas para o Sul global.
O que significa descolonização hoje?
Muryatan S. Barbosa retoma uma questão que perpassa toda a história moderna: a luta dos povos submetidos ao colonialismo pela conquista de sua própria autonomia. Contra a ideia de que a descolonização se encerra com a independência política e a formação dos Estados Nacionais, o autor sustenta que a autodeterminação exige enfrentar as estruturas materiais que continuam limitando a soberania dos países periféricos.
Muryatan S. Barbosa escreveu um livro ousado e necessário. Ao recolocar a descolonização sobre seus fundamentos políticos, ele defende que a autodeterminação não pode se limitar a bandeiras, fronteiras e soberania formal, mas tem de insistir no poder material. Avante! Vamos construir as macronações!
Vijay Prashad
Vijay Prashad é um historiador marxista indiano, jornalista, comentarista político e editor.


Nossa hipótese é que a descolonização pode ser mais do que isso [as independências dos anos 1950 a 1970], tanto como movimento de ideias quanto como movimento político, desde que se potencialize sua fundamentação original: a autodeterminação.
[A descolonização que está por vir, p.9]
Trata-se de um projeto ambicioso, sabemos. Talvez até desmedido para ser solucionado individualmente. Mas na qualidade de professor proletário, trabalhador da educação, e tendo em conta a produção intensa do mercado editorial, não vejo por que gastar meu tempo escrevendo livros que fiquem apenas esmiuçando fatos e ideias já conhecidos, pelo menos do público acadêmico. Tentei inovar, mantendo o rigor. E, ao mesmo tempo, sair do provincialismo e do presentismo em que a esquerda está presa, sem conseguir pensar o futuro. Preferi ser sintético, didático e direto. Isso ajuda a explicar a brevidade do texto. Por fim, é um livro mais de construção do que de desconstrução.
[A descolonização que está por vir, p.10]
Uma rápida observação histórica mostra que, para além de seu objetivo primeiro, ou seja, independência nacional, só alguns Estados saídos do colonialismo europeu conseguiram manter-se autônomos posteriormente, aumentando sua capacidade de autodeterminar-se de forma mais ampla e profunda. Em outras palavras, houve descolonização política, mas pouquíssimos casos bem-sucedidos de descolonização econômica, tecnológica, social e cultural. Sendo assim, cabe a pergunta: será que se autodeterminar não depende da criação de condições estruturais para que isso se efetive? E quais seriam essas condições?
[A descolonização que está por vir, p.15]


A necessidade incontornável do Estado-nação:
A verdade é que o Estado-nação se tornou, desde então (e cada vez mais), necessário para o estabelecimento de uma organização societal densamente povoada (refiro-me a milhões de pessoas) que pretenda se manter minimamente autônoma e estável na média (décadas) ou longa duração (séculos). E, nesse particular, concordo com Horace B. Davis, sociólogo e politólogo estadunidense, quando este diz: ‘Embora a economia tenha exercido grande influência na formação das nações, a razão para a formação destes organismos têm sido principalmente política. O Estado-nação é a expressão preferida, nas condições modernas, para a organização da vida política, a resistência à agressão e o aumento do poder do grupo (territorial), sob vários aspectos […] o Estado-nação é inevitável – não podemos passar sem.’ O que (Horace B.) Davis está dizendo é que o Estado-nação, hoje, é a única forma garantidora da autodeterminação. Essa é uma premissa deste ensaio.
[A descolonização que está por vir, p.46-47]
A fundamentação na dialética hegeliana
Interessa-nos especialmente a passagem proposta por ele do nível da essência para o do conceito, no qual aparece a categoria da efetividade. Cito o próprio (Hegel): “Quando todas as condições de uma Coisa estão completamente presentes, então ela entra na efetividade; – a completude das condições é a totalidade a respeito do conteúdo, e a própria Coisa é esse conteúdo determinado a ser tanto um efetivo quanto um possível’. Ou seja, algo (Coisa) se torna efetivo quando estão presentes as condições para que se torne esse algo. E, nesse momento, seu conteúdo seria sua própria efetividade e possibilidade“.
[Hegel, citado por Muryatan, em A descolonização que está por vir, p.46-47]


A redefinição conceitual de Autodeterminação:
Tal argumento nos dá a oportunidade de redefinir o que se entende por autodeterminação neste ensaio. Diria apenas que, modernamente, autodeterminação é a capacidade de um país saído do colonialismo europeu tornar-se uma nação. Ou, de forma mais pormenorizada, da atividade de uma ex-colônia para sair do plano formal (tanto como possibilidade quanto como efetividade) e colocar-se no plano do real (seja como possibilidade, seja como efetividade), na medida em que realiza as condições – objetivas e subjetivas – da necessidade. Essa definição permite retomar e reposicionar o debate anterior das definições tradicionais (sobre a autodeterminação) e das categorias irmãs (de soberania, autonomia, autarquia, autossuficiência, nacionalismo).
[A descolonização que está por vir, p.63-64]
A distinção entre “País” e “Nação”
Mas para que ele se torne mais claro, peço ao leitor e à leitora que, por hipótese, assinta que a experiência pós-colonial permite dizer que poucos países tiveram efetivamente capacidade de se descolonizar em plenitude após sua independência nacional. Em nossa terminologia, aqueles que não o conseguiram são países, não são nações. Assim sendo, estamos falando não de contrapoderes reais, antagônicos ao poder dominante (das nações centrais), mas de falsos contrapoderes. Ou contrapoderes aparentes, que não possuem as condições que lhes permitiriam ser efetivos. E são centenas deles.
[A descolonização que está por vir, p.67]


O “Mal-estar da autodeterminação”
Essa dupla constatação é o que eu chamaria de o mal-estar da autodeterminação. Admitindo-se a logicidade da argumentação ora construída – e, por consequência, da plausibilidade da nova definição e suas decorrências –, inicia-se uma perturbação, um mal-estar, que decorre da nova posição adquirida. Mas peço que se faça aqui certa sublimação, necessária para que o argumento possa seguir adiante. Em troca, prometo probidade intelectual, como aquela que Max Weber pedia no fim da vida em ‘Ciência como vocação’ (1917).
[A descolonização que está por vir, p.70]

Desmistificação da autodeterminação:
Tais críticas são corretas e justas. Trata-se de uma constatação que lembra algo importante neste debate: sendo entendida como liberdade de determinar seu próprio destino (ou como capacidade de um país de tornar-se uma nação), a autodeterminação não é um fenômeno necessariamente bom, positivo e belo! Sobretudo para suas vítimas, internas e externas. Pelo menos não em tese ou em princípio.
[A descolonização que está por vir, p.81]
A acomodação da burguesia subdesenvolvida:
A incapacidade política de produzir o desenvolvimento implica que muitos países desistam de tal objetivo. Não porque escolhem caminhos melhores, mais ecológicos ou ‘decoloniais’, mas simplesmente porque a maior parte de suas elites e classes dominantes acabam se acomodando a uma posição intermediária nessa hierarquia global, capitalista. Foi assim no passado e continua sendo assim hoje. Depois que isso ocorre, a dominação externa passa a ser complementada por uma interna, reacionária, cujo objetivo é lucrar o máximo possível com o mínimo de esforço, superexplorando os recursos naturais e a força de trabalho local. Nesses casos, o Estado deixa de ser o resultado de uma aliança de classes, para se tornar (tão somente) um aparelho repressivo de tal burguesia subdesenvolvida.
[A descolonização que está por vir, p.86]

Por outro lado, na medida em que aqui se aceita a necessidade de se ter o desenvolvimento e o Estado-nação como premissas de uma descolonização autodeterminada, nossa teoria não pode corroborar os argumentos costumeiramente trazidos por autores e autoras das teorias citadas (sistema mundial, pós-colonialismo, estudos subalternos, feminismo negro, decrescimento, decolonialismo, pluriverso) contra tal forma (Estado-nação) ou objetivo (desenvolvimento). […] Dizendo de outro modo, uma coisa é questionar quanto existe de eurocentrismo e autoritarismo intrínseco às ideias de Estado-nação e de desenvolvimento (no que estamos de acordo) e pensar outras formas de efetivá-las; outra é, a partir desse questionamento, negar a validade e a legitimidade de tais ideias, o que me parece uma estratégia suicida para uma sociedade periférica ou semiperiférica.
[A descolonização que está por vir, p.95-96]


Então para onde aponta a nossa teoria? Para a construção de novas nações que possam se estabelecer efetivamente, na medida em que possuam as condições estruturais para isso. Todavia, para que isso ocorra, na maior parte do mundo seria necessário revolucionar e substituir por outra a ordem nacional herdada das descolonizações: uma ordem pós-colonial. Não se trataria mais de uma ordem comprometida com a luta e a correlação de forças herdada dos movimentos de descolonização diante do colonialismo, mas de uma ordem condicionada e dinamizada pelo mundo pós-colonial. Sendo assim, recoloca-se a pergunta clássica: que fazer?
[A descolonização que está por vir, p.96]
O “Povo”
A partir do historiador Nelson Werneck Sodré, utilizo o termo ‘povo’ para me referir à população que poderá se envolver na construção desse novo projeto nacional, entendendo por ‘povo’ o ‘conjunto das classes, camadas e grupos sociais empenhados na solução objetiva das tarefas do desenvolvimento progressista e revolucionário na área em que vive’. Como se vê, é uma definição que busca fugir das conceituações comuns do termo, geralmente a-históricas, demagógicas e generalistas. Diz o autor: ‘Todo país tem sua estrutura social peculiar, em dada fase histórica: as classes dominantes não são as mesmas em todos os países; as classes que constituem o povo também não são as mesmas. Para se definir o conteúdo do conceito de povo é preciso encará-lo segundo uma situação histórica determinada e segundo as condições concretas de cada caso, tomando como base a divisão da sociedade em classes.
[A descolonização que está por vir, p.97-98]


Micropolítica e Macropolítica
Para tornar nosso argumento mais claro, estabeleceremos uma distinção entre os dois tipos de política dos quais se está falando. Chamaremos de ‘micropolítica’ a política derivada da ordem nacional saída das descolonizações; e de ‘macropolítica’ a política que pretende construir uma nova ordem nacional, pós-colonial, de macronações. Por consequência, aqui, a macropolítica deveria guiar a estratégia e a micropolítica, a tática. A meu ver, a forma ‘partido’ é a única que poderia levar adiante tal estratégia e suas táticas.
[A descolonização que está por vir, p.101]
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Pós-Brasil
Tendo em conta todos esses elementos, é difícil ver outra possibilidade para o país que não seja uma alternativa socialista. É uma posição coerente. No entanto, nossa posição teórica permite ir além disso. Afinal, por ela, faz sentido também pensar um ‘pós-Brasil’, ou seja, pensar uma nação de um ponto de vista maior, que envolva a integração sul-americana ou, quiçá, latino-americana. Tal macropolítica poderá, inclusive, rejuvenescer a micropolítica, agora entendida como elemento tático.
[A descolonização que está por vir, p.125]


Digo mais, se estou certo, ela é necessária e produzirá uma atividade. Ou seja, de uma forma ou de outra, cedo ou tarde, com suas múltiplas e variadas contradições, ela vingará, pois fará sentido para outras pessoas progressistas, hoje e no futuro, independentemente de terem lido este livro ou não. Essa é a descolonização que está por vir! O que se pode (e deve) fazer é antecipar sua chegada, antes que as condições se tornem cada vez mais difíceis e trágicas, tendo em conta a consolidação das novas tecnologias de controle populacional e das guerras não convencionais, geradas por IA, drones e robótica avançada. Seja como for, está claro que não serão os atuais países do Sul, desunidos, que conseguirão concorrer com a China e os Estados Unidos nesse campo.
[A descolonização que está por vir, p.130]
Sinteticamente, o que se defende neste ensaio é que, sem a construção de macronações no Sul, ou simplesmente nações (em nossa terminologia), não há como criar os meios necessários para que este mundo melhor seja construído. Entendo isso como um fato objetivo, que está além dos desejos ou do gosto pessoal e político do autor destas linhas. Se estamos de acordo com essa premissa teórica, trata-se agora de pensar as práticas políticas daí derivadas. E isso só pode ser feito coletivamente.
[A descolonização que está por vir, p.131-132]

Leituras complementares
Baixe os conteúdos complementares do mês em PDF!
Este mês trazemos “Apresentação”, de Angela Davis, publicada em Como a Europa subdesenvolveu a África, de Walter Rodney; “Prefácio”, de Theotonio dos Santos, incluído em Globalização, dependência e neoliberalismo na América Latina, de Carlos Eduardo Martins; e “Por que é urgente lutar contra a Otan e redescobrir o sentido da ação política”, de Domenico Losurdo, publicado em Colonialismo e luta anticolonial.
Clique nos botões vermelhos abaixo para fazer o download!
Theotonio dos Santos
“Prefácio” em Globalização, dependência e neoliberalismo na América Latina, de Carlos Eduardo Martins
Domenico Losurdo
“Por que é urgente lutar contra a Otan e redescobrir o sentido da ação política” em Colonialismo e luta anticolonial

Vídeos
Confira o Lançamento de A DESCOLONIZAÇÃO QUE ESTÁ POR VIR: ENSAIO DE TEORIA POLÍTICA, de Muryatan Santana Barbosa
Com Muryatan Santana Barbosa, Marcos del Roio e Priscilla Souza
Mediação de Henrique Tahan Novaes

Para aprofundar…
Compilação de textos, podcasts e vídeos que dialogam com a obra do mês.

Desde Fanon, de Deivison Mendes Faustino e Muryatan Santana Barbosa
Marxismo e descolonização: ensaios a partir da revolução pan-africana, de Walter Rodney
Como a Europa subdesenvolveu a África, de Walter Rodney
Colonialismo e luta anticolonial: desafios da revolução no século XXI, de Domenico Losurdo
Globalização, dependência e neoliberalismo na América Latina, de Carlos Eduardo Martins
Raça, nação, classe, de Étienne Balibar e Immanuel Wallerstein
Escritos políticos, de Frantz Fanon

Rádio Boitempo: Conversas camaradas #12: Luta anticolonial e democracia, com Juliana Borges e Walter Lippold, nov. 2023.
Rádio Boitempo: Megafone #6: Deivison Faustino lê O capital.

Como a Europa subdesenvolveu a África, Douglas Rodrigues Barros, Marjorie Chaves e Matheus Gato
O sentido da liberdade e a luta anticolonial, Cinthia Gomes, Matheus Gato e Márcio Farias
Quem foi Frantz Fanon?, Douglas Barros
Capitalismo e racismo: uma análise estrutural, Douglas Barros

Entrevista com Muryatan S. Barbosa sobre “A descolonização que está por vir: ensaio de teoria política”, por Maria Clara Cavalcanti, Blog da Boitempo, out. 2026.
Além do debate decolonial: colonialismo, capitalismo e a crítica materialista, por Lisandro Cañón, Blog da Boitempo, out. 2026.
O fascismo subimperial na América Latina, por Alberto Toscano, Blog da Boitempo, ago. 2026.
Walter Rodney e a descolonização do marxismo, por Marcio Farias, Blog da Boitempo, out. 2025.
Walter Rodney e a formulação de um conceito emancipatório de desenvolvimento, por Matheus Gato, Blog da Boitempo, nov. 2022.
O dia em que Frantz Fanon encontrou um “marxista puro” – ensaio contra o teoricismo, por Jones Manoel, Blog da Boitempo, ago. 2019.
Guia de leitura | Marxismo e descolonização | ADC#61, Blog da Boitempo, out. 2025.
A edição de conteúdo deste guia é de Maria Clara Cavalcanti e as artes são de Mateus Rodrigues e Victoria Lobo.


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