Žižek: Precisamos entender a esquerda que apoiou o Brexit

Não vamos competir com os populistas de direita. Não vamos permitir que eles definam os termos da luta.

Zizek BrexitPor Slavoj Žižek.

Quando perguntaram ao camarada Stalin no final dos anos 1920 o que ele achava pior, a direita ou a esquerda, ele imediatamente rebateu: “Os dois são piores!” E essa é minha primeira reação ao Brexit. A Europa está presa agora em um círculo vicioso, oscilando entre dois falsos opostos: de um lado, a rendição ao capitalismo global, e de outro, a sujeição a um populismo anti-imigração. É preciso colocar a pergunta: qual é o tipo de política capaz de nos tirar desse impasse?

O capitalismo global tem se caracterizado cada vez mais por acordos comerciais negociados a portas fechadas como o TISA ou o TTIP (Parceria Transatlântica de Comércio e Investimento). Discuti a dimensão e o significado do TISA aqui, e também não há dúvida sobre o impacto social do TTIP: ele representa nada menos do que um ataque brutal à democracia. Talvez o exemplo mais explícito seja o caso dos ISDSs (Mecanismos de Resolução de Litígios entre Investidores e o Estado), que basicamente permitem que empresas processem governos se suas políticas ferirem sua margem de lucro. Para resumir, isso significa que corporações transnacionais (que não foram eleitas) podem simplesmente ditar as políticas de governos democraticamente eleitos.

Então como avaliar o Brexit nesse contexto? É preciso entender em primeiro lugar que de uma certa perspectiva de esquerda há até justificativas para ter apoiado o referendo: afinal, um forte Estado-nação, livre do controle dos tecnocratas de Bruxelas pode estar numa situação melhor para proteger o Estado de bem-estar social e reverter políticas de austeridade. No entanto, o que é perturbador é o pano de fundo ideológico e político dessa posição. Da Grécia à França, uma nova tendência está surgindo a partir do que sobrou da “esquerda radical”: a redescoberta do nacionalismo. De uma hora para outra, deixou-se de falar em universalismo – ideia que passou a ser descartada como uma simples contraparte política e cultural (“superestrutural”, se quiser) do capital global “desenraizado”.

A razão que explica esse movimento dessa esquerda parece evidente: o fenômeno da ascensão do populismo nacionalista de direita na Europa Ocidental. Por incrível que pareça, é o populismo nacionalista de direita que aparece agora como a mais expressiva força política a reivindicar a proteção dos interesses da classe trabalhadora, e ao mesmo tempo, a mais forte força política capaz de mobilizar verdadeiras paixões políticas. Então, a lógica é a seguinte: por que a esquerda deve deixar esse campo de paixões nacionalistas à direita radical? Por que ela não poderia disputar com o Front National de Le Pen a reivindicação da “pátria amada” [la patrie]?

Nessa vertente de populismo de esquerda, a lógica do “Nós” contra “Eles” permanece, mas aqui o “Eles” não aparece na forma de pobres refugiados ou imigrantes, mas na figura do capital financeiro e da burocracia tecnocrática do estado. Esse populismo também vai além do velho anticapitalismo da classe trabalhadora; ele visa reunir uma multiplicidade de lutas, da ecologia ao feminismo, do direito ao emprego à saúde e à educação gratuitas.

A tragédia recorrente da esquerda contemporânea é a velha história do líder ou partido que é eleito com entusiasmo universal junto à promessa de um “novo mundo” (o caso de Mandela e de Lula são emblemáticos aqui), mas que uma hora ou outra (geralmente depois de alguns dois anos), se vê diante do dilema fundamental: será que me atrevo a mexer com os mecanismos capitalistas, ou opto por “jogar de acordo com as regras do jogo”? E, claro, quando ousa-se perturbar os mecanismos do capital, logo vem o rebote das perturbações do mercado, o caos econômico e por aí vai… Então como pensar uma verdadeira radicalização passado o primeiro estágio de promessa e entusiasmo?

Estou convicto de que nossa única esperança é agir em nível transnacional – só assim teremos a chance de fazer frente ao capitalismo global. O Estado-nação não é o verdadeiro instrumento para confrontar a crise dos refugiados, o aquecimento global e outras questões urgentes que se colocam. Então ao invés de se opor aos eurocratas em nome de interesses nacionais, por que não começar tentando formar uma esquerda europeia? Não vamos competir com os populistas de direita. Não vamos permitir que eles definam os termos da luta. O nacionalismo socialista não é a forma certa de combater o nacional socialismo.

* A tradução é de Artur Renzo, para o Blog da Boitempo.

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Chegou novo livro do Žižek!

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Acabamos de desempacotar a primeira edição brasileira do aguardado O sujeito incômodo: o centro ausente da ontologia política, um dos livros mais importantes de Slavoj Žižek!

Nele, o filósofo esloveno apresenta um verdadeiro manifesto político da subjetividade cartesiana, defendendo sua reavaliação crítica como ponto de apoio indispensável para a reformulação de um autêntico projeto político de esquerda. Por meio da análise e contraposição das ideias de Hegel, Lacan, Heidegger, Kant, Butler e Freud, entre outros, o autor revela, por trás do cogito ergo sum [penso, logo existo], o grau zero radical da política emancipatória como o ponto da intersecção negativa entre ser e pensar.

Para aprofundar a reflexão…

A nova edição da revista da Boitempo, a Margem Esquerda, tem um um dossiê temático dedicado a introduzir e aprofundar o contemporâneo sobre xenofobia, imigração e terrorismo, com ensaios de fôlego assinados por Osvaldo Coggiola, Ana Luisa Zago e Roberto Massari. A edição conta ainda com uma entrevista exclusiva de Paul Singer conduzida por Paulo Barsotti e Luiz Bernardo Pericás; artigos de Celso FredericoMichael Löwy e Carlos Eduardo Martins, além de um texto clássico de Leon Trotski sobre terrorismo. O artista convidado deste número é o paraense radicado na Alemanha, Francisco Klinger. Confira o sumário completo da edição aqui.

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Slavoj Žižek nasceu na cidade de Liubliana, Eslovênia, em 1949. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek preside a Society for Theoretical Psychoanalysis, de Liubliana, e é um dos diretores do centro de humanidades da University of London. Dele, a Boitempo publicou Bem-vindo ao deserto do Real! (2003), Às portas da revolução (escritos de Lenin de 1917) (2005), A visão em paralaxe (2008), Lacrimae rerum (2009), Em defesa das causas perdidasPrimeiro como tragédia, depois como farsa (ambos de 2011), Vivendo no fim dos tempos (2012), O ano em que sonhamos perigosamente (2012), Menos que nada (2013), Violência (2014) e o mais recente O absoluto frágil (2015). Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.

25 comentários em Žižek: Precisamos entender a esquerda que apoiou o Brexit

  1. Onde foi publicado originalmente?

    (Front National ≠ Nationale)

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  2. andersonkaueplebani // 24/06/2016 às 17:32 // Resposta

    Onde foi publicado originalmente?

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  3. Aída Paiva // 24/06/2016 às 17:36 // Resposta

    Sempre que alguém fala em nacionalismo europeu a gente lembra do Nazismo. Há algo de nazismo no nacionalismo europeu. Essa ideia do nazismo associado ao nacionalismo foi criada pra destruir o nacionalismo socialista. Essa ideia do nazismo associado ao socialismo foi criada com o objetivo de facilitar a dominação sobre outros povos. Eu acho que pro Brasil o nacionalismo é vida, é uma forma de manter a identidade do Brasil (se é que existe). Penso que o povo europeu deve ter calma, deve parar de querer resolver rapidamente o problema, deve parar de por em prática qualquer coisa que vem à cabeça (sair da União Européia). O povo europeu deve resolver os problemas ouvindo sempre todas as classes sociais, porque corre o risco de não-engajamento nas soluções propostas, alienação política, ninguém é bom de serviço sozinho. Esse nacionalismo europeu não surgiu do nada, ele foi plantado e cultivado e tem objetivos definidos. A Europa se viu obrigada a utilizar uma ideia que sempre destruiu pra facilitar a dominação européia. A Europa já pensou sobre se essa ideia pega nos países dominados? Pra mim (colonizada), gosto do nacionalismo brasileiro, o nacionalismo que me ensinaram no ensino fundamental e ensino médio, o nacionalismo dos militares.

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    • “nacionalismo dos militares”. Não se importava de explicar um pouco mais esse bordão? Agradeceria.

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      • Aída Paiva // 12/07/2016 às 14:10 // Resposta

        Teixeira, proponho que você busque lembrar de seu tempo de escola de 1967 até 1983 (você deve ser do mesmo tempo que eu). Lembre o que sua professora falava, de quais problemas brasileiros ela falava, o quê ela falava que era bom ou não, de que jeito ela se vestia, era organizada ou não, pro que ela dava valor. Ela não falava a respeito do Nordeste Brasileiro? Ela não falava a respeito da mortalidade infantil? Ela não falava da necessidade do Brasil se desenvolver?
        Ás vezes a resposta das nossas questões está na memória.

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      • Aída Paiva // 12/07/2016 às 14:12 // Resposta

        Teixeira, o que foi bom permanece e o que foi ruim a gente joga no lixo.

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        • Cara Aida. Não existiu de fato um “nacionalismo dos militares” quando falamos de ditadura militar. Tal período (exceto em seu final, com Geisel e Figueiredo) foi o de maior submissão ao império, o de maior entrega da nação aos espoliadores internacionais. O “patriotismo” que o comando da burocracia militar insuflava, era um patriotismo de aparência (cantar o hino, alçar a bandeira) mas sem substância real alguma. Completamente diferente do real patriotismo dos que lutaram e lutam para fazerem seus países independentes de fato.

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          • Aída Paiva // 17/08/2016 às 19:09 // Resposta

            Amigo de viagem, aprendi na vida que não devemos ficar rígidos numa posição ou pensamento, a cristalização do pensamento leva ao sofrimento de si mesmo e dos outros. Tenho certeza que os militares foram nacionalistas em tudo o que foi possível. Da mesma forma que você se considera com razão ao criticar os militares, esses achavam que estavam certos, como é que fica?
            Você já se perguntou porque os militares foram submissos ao imperialismo? Será que existia outra opção pros militares?
            Lembrete: Você não mencionou a “classe” que colocou os militares em Brasília. Por acaso você é burguês?
            Penso que você não estudou em escola pública, eu só estudei em escola pública.
            Eu me submeti à psicoterapia de linha psicanalítica durante muito tempo e aprendi que as aparências enganam mais do que você imagina.
            Beijo.

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            • 1) foram nacionalistas em tudo o que foi possível? Ora, Jango seria nacionalista em tudo que fosse possível (e não só no hino), e foi retirado de lá por eles, a serviço do imperialismo (não da burguesia, de qualquer burguesia, mas da grande burguesia internacional). Então eles são responsáveis por terem sido entreguistas e anti-nacionais. O que o fato de terem tocado o hino nacional nas escolas não muda nada.
              Sobre a escola pública, é bom lembrar que naquele tempo ela “era boa”, mas não era para todos. Havia um número enorme de pessoas fora da escola. Em geral era uma escola para as classes médias, como são as escolas particulares de hoje.

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              • Aída Paiva // 18/08/2016 às 17:04 // Resposta

                Guilherme dos Reis, percebo que você não quer conversar porque se inseriu na conversa?
                Estou cansada dessas pessoas que nunca falam nada que se aproveite parece que ficam girando em torno delas mesmas à procura de alguma coisa que nunca encontram. Procure ajuda psiquiátrica devido ao transtorno que você causa à sua volta.

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  4. Não é só no Brasil que tem confusão política! Entendi melhor isso tudo nesse artigo: http://www.tororadar.com.br/blog/brexit-como-afeta-o-mercado-24-06-2016

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  5. Antonio Tadeu Meneses // 24/06/2016 às 22:06 // Resposta

    A escolha do mal menor vai levar ao povo europeu a um beco sem saída.

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  6. Republicou isso em afalairee comentado:
    Quando perguntaram ao camarada Stalin no final dos anos 1920 o que ele achava pior, a direita ou a esquerda, ele imediatamente rebateu: “Os dois são piores!”

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  7. Aída Paiva // 25/06/2016 às 12:54 // Resposta

    O novo livro do Zizek deve ser impressionantemente bom. Eu gostaria de saber quando eu vou poder comprar o livro e quando eu vou poder ler o novo livro do Zizek, O sujeito incômodo.

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  8. Alberto Olivieri // 25/06/2016 às 14:11 // Resposta

    Precisamos de novas reflexões e outras maneiras de pensar o mundo depois que o capitalismo financeiro retirou da propridade a hegemonia sobre o capital, da comunicação ter retirado as fronteiras nacionais, e os pixels terem substituído o papel o que permite uma consulta popular na simultaneidade tornando obsoletas as formas usuais de representação politica.

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  9. Pedro Augusto Pinho // 25/06/2016 às 14:42 // Resposta

    UMA NOVA EUROPA?
    “A luta pelo reconhecimento tornou-se rapidamente a forma
    paradigmática de conflito político no fim do século XX”
    (Nancy Fraser, Justice Interruptus, 1997)

    O plebiscito de 23 de junho, no Reino Unido (UK), que aprovou a saída daquele país da União Europeia não pode ser visto apenas como uma vitória política da direita, como noticia intimidadoramente grande parte da mídia. Nem mesmo se atribua, embora possa ter sido uma motivação, a onde migratória que atinge todo o continente ou à insularidade britânica.
    Há um enorme hiato entre o discurso ideológico e político, prevalecente desde as últimas décadas do século anterior e a dura realidade cotidiana dos trabalhadores e dos assalariados em geral.
    Os mais recentes estudos sociais, políticos e sobre as instituições vigentes ressaltam não apenas a incapacidade de resposta quer do Estado quer do mercado às demandas das populações do século XXI, como as falhas dos diagnósticos com as visões, métodos e princípios que prevaleceram em quase todo pensamento do século XX.
    No editorial de Le Monde, seu diretor Jérôme Ferroglio afirma que “o pior será continuar como antes”.
    Sem intuito dogmático, apenas reproduzindo as reflexões da Teoria Crítica e da sociologia mais atual, o processo de globalização, restrito a algumas áreas comerciais e adotado amplamente pelo capital financeiro, pode ser identificado como a verdadeira causa do que “não pode continuar”. O Brexit e as numerosíssimas manifestações de protesto que assolam a Europa são o testemunho do descontentamento.
    Mas o interesse da poderosa “banca”, o sistema financeiro internacional, se espalha pelos veículos de comunicação de massa, pelas manifestações de políticos, analistas e mesmo pelas academias. Recentemente, na mesma Inglaterra do plebiscito, professores do Imperial College e de outros notáveis centros de estudo econômico do UK promoveram um manifesto em favor do ensino da economia, que, segundo eles, havia sido substituído naquelas escolas pela “engenharia financeira”.
    De início, como observa com clareza o professor do IUPERJ, José Maurício Domingues (Cidadania, direitos e modernidade), “não se vislumbram quaisquer políticas sociais que efetivamente ultrapassem as fronteiras nacionais”. Talvez esteja aí o sucesso político da “direita” que melhor soube galvanizar o descontentamento com acenos nacionalistas.
    Mas não está apenas aí a sensação invasiva da globalização. Ela traz o denominado modelo neoliberal, um verdadeiro zumbi do imperialismo inglês do século XIX. Recordemos os direitos das pessoas. Há quase um consenso que seriam de três ordens: os direitos civis, de apodítico reconhecimento, que trata da liberdade individual; os direitos políticos, onde já se travam controvérsias entre filosofias e escolas; e os direitos sociais, ainda mais confusos, que o conhecido e recém falecido filósofo Norberto Bobbio apontava serem o direito ao trabalho, à saúde e à instrução. Mas há quem identifique num único e abrangente direito: o da cidadania.
    O pensamento único, da globalização, do neoliberalismo, apenas considera o direito à liberdade individual, sem mesmo as amarras do liberal John Rawls (Uma Teoria da Justiça), pois a banca, que acolhe e opera com todo capital ilícito do mundo, não tem como é óbvio a preocupação ética.
    O total domínio sobre as políticas “nacionais” europeias do capital financeiro, na época que se discutem os direitos intersubjetivos – ecológicos, de gênero, de raça, de religião, constitui verdadeira agressão e um enorme retrocesso social.
    Creio que o diretor editorialista de Le Monde referia-se a esta condição de subordinação à banca que não mais deveria prevalecer.
    Quanto a nosso País, onde um enorme retrocesso de toda ordem está em marcha, a “crise”, que acredito ocorrerá com o euro, poderá ser antecipada e este provisório governo ver-se-á, com mesóclises e tudo, em ainda maiores dificuldades.
    Pedro Augusto Pinho, administrador aposentado
    Em 24/06/2016

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  10. 1) “A razão que explica esse movimento dessa esquerda parece evidente: o fenômeno da ascensão do populismo nacionalista de direita na Europa Ocidental. Por incrível que pareça, é o populismo nacionalista de direita que aparece agora como a mais expressiva força política a reivindicar a proteção dos interesses da classe trabalhadora, e ao mesmo tempo, a mais forte força política capaz de mobilizar verdadeiras paixões políticas. Então, a lógica é a seguinte: por que a esquerda deve deixar esse campo de paixões nacionalistas à direita radical? Por que ela não poderia disputar com o Front National de Le Pen a reivindicação da “pátria amada” [la patrie]?”. Aqui ele apresenta de forma mais ou menos correta a questão. Mas, não se trata simplesmente de disputar o povo por que o povo está (neste momento) pensando desta ou daquela maneira. Não é um “oportunismo” de esquerda (comunista) ser patriótica e nacionalista. É a própria história da esquerda (comunista) em suas melhores e mais avançadas experiências;
    2) Mao já dizia que o comunista é um grande patriota. E que isto não nega e não entra em contradição com o internacionalismo. O comunista é um grande patriota pois quer fazer a revolução, elevar a classe trabalhadora e as classes populares a direção de sua nação, engrandecer e fortalecer esta nação, e assim melhorar dar poder e melhorar as condições de vida de todo povo (identificado aqui com suas classes populares). É um internacionalista pois apóia as lutas populares ao redor de todo mundo. Fidel também diz que os comunistas demoraram tempo a perceber o papel (nem sempre negativo) que o nacionalismo e a religião podem exercer junto ao povo, junto as pessoas. Que bom que hoje, cada vez mais, ao menos um setor dos comunistas, perceba isto;
    3) É claro que, ser nacionalista e defender pautas nacionais nos países coloniais e semi-coloniais, na periferia (por exemplo, na Venezuela, na Coréia Popular, na Grécia) é diferente de fazê-lo, tanto em países “intermediários” (como Espanha e Portugal) quanto nos países do centro (França, Alemanha, Inglaterra) quase sempre associados ao chauvinismo da “grande nação”, mas, tal questão não anula o fato de que, em qualquer destes casos, há um programa nacional, patriótico, a ser defendido pelos comunistas. No caso das potências buscasse utilizar os elementos positivos do nacionalismo, inclusive para combater o chauvinismo. Desta forma, não há nem que se falar em um socialismo patriótico (ou nacionalista), posto que todo socialismo (em sua história) foi patriótico e nacionalista;
    4) por último, os últimos dois parágrafos são significativos (e trágicos). A eterna espera do trotskismo e das correntes do marxismo ocidental pela “corrente, partido, etc internacional (ou europeu)” e pela “revolução mundial”… somado ao sonho anarquista de “esperemos que as pessoas sejam completamente diferentes, novas e perfeitas para fazermos a revolução”… enquanto isto não acontece, fiquemos escrevendo e debatendo, não façamos nada na prática, e deixemos o caminho aberto para os populista de direita (os quais criticamos só nos textos ou jogando Glitter, pois na prática nada).

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  11. Aída Paiva // 25/06/2016 às 19:34 // Resposta

    Zizek, fiquei sabendo dessa decisão da Inglaterra um dia antes da votação. Eu me perguntei qual seria minha posição mas percebi que faltavam elementos, informação pra tomar uma decisão de que lado ficar. A televisão brasileira deu uma (01) informação a respeito de porque o governo inglês estava tomando essa decisão. Não foi possível se posicionar sim ou não frente a decisão inglesa. O governo inglês não deu explicações, não deu informações pra gente decidir se era bom ou ruim a saída da Inglaterra da UE. Zizek, não é preciso o governo inglês falar nada, qualquer coisa que esses políticos assassinos da Inglaterra façam é ruim pro pobre, pro trabalhador, é ruim pra maioria. Agora, nesse momento, percebo que a posição dos governantes ingleses é pela saída, eles não tinham dúvida quanto a isso. Mas eu não sei porque eles querem isso. Zizek, é mais um jeito de explorar a gente. Uma vez sonhei que estava vendo um aquário. Na parte de cima do aquário havia peixes pequenos e na parte de baixo peixes enormes iguais a tubarão. Os peixes enormes subiam de vez em quando e devoravam os peixes pequenos que se apavoravam quando os peixes grandes atacavam. O aquário era fechado não havia um espaço pros peixes pequenos fugirem, não havia saída, era um sistema fechado e limitado. A minha reação em vez o desespero dos peixes pequenos era igual a dos peixes pequenos entrava no pavor total. Os psiquiatras falam, Zizek, aquele velho ditado: Quando o estupro é inevitável, relaxa e goza. No Brasil estão construindo a reação contra a cultura do estupro. Vou ficar com Èmile Zola, vou ficar com os mais velhos. Uma parte boa e transformadora de mim vai com ele, o desejo que esse mundo transforme.

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  12. Aída Paiva // 27/06/2016 às 13:59 // Resposta

    Zizek, ontem à noite por volta das 22:00 horas (Brasil) eu estava pensando na decisão inglesa. Pensando em como essa decisão vai se concretizar na realidade do cotidiano. Pensava com a finalidade de me preparar com o que está pra chegar. Já faz um tempo que as pessoas estão esperando uma coisa ruim chegar, adolescentes correm olhando pra trás, é a realidade cotidiana dos países da periferia do sistema capitalista há 516 anos. Se você fizer tudo o que os dirigentes capitalistas querem eles sempre pedem alguma coisa a mais. No meu pensamento o dirigente capitalista inglês depois de eu não ter saída e concordar em trabalhar nesse novo esquema do capitalismo, o capitalista inglês pediu apoio total e servil à Inglaterra, eu respondi:
    _Quanto que a senhora vai me pagar para eu fazer meu apoio à decisão inglesa?

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  13. Theobaldo Tártari // 13/08/2016 às 20:50 // Resposta

    Embora muitas teses pós-modernistas tenham sido alvo de críticas e contestações, a recusa das grandes narrativas, como estratégia explicativa, não sofreu nenhum revés. Zizek, no entanto, para explicar o inesperado resultado do Brexit, se mantém ainda no espírito das grandes narrativas. Para um marxista, não parece que seja uma estratégia nitidamente marxista. O movimento da história se desenvolve por meio de homens situados num momento concreto, sob influência de muitos fatores,, tradição, orgulho, preconceito, situação.social e econômica, cujo acesso, parece-nos, terá mais exito se realizado por métodos de disciplinas mais preparadas para entrar na complexa estrutura de uma dada sociedade. Conceitos gerais, como populismo nacionalista, direita radical, esquerda democrática são, por excelência, universais abstratos, vazios de conteúdo. Funcionam como etiquetas. Resta saber se são aplicáveis aos fatos concretos.
    Quando usa essas categorias e as emprega na análise do Brexit, Zizek mais confunde que esclarece. A esquerda, segundo sua interpretação, aliou-se ao nacionalismo de direita, compartilhando com ela a esperança de conseguir ganhos sociais superiores sob um Estado-nação independente do que sob a política de austeridade do bloco europeu. O motivo dessa estranha aliança , na opinião de Zizek, deve-se ao fato de a esquerda voltar a reclamar um nacionalismo que tinha sido seu,, e depois o abandonou, ante a ascensão do populismo nacionalista que reivindica a missão de proteger os interesses das classes trabalhadoras e suscitar novas paixões políticas. Discordando dessa aliança, Zizek pergunta por que a esquerda democrática deve deixar esse campo à direita radical.
    Mas foi graças a essa aliança, reconhece Zizek,, que o referendo foi aprovado.
    Mas onde situar esse nacionalismo, que conquista a Europa, da Grécia a França, na Inglaterra? Londres não aprovou o referendo. Analisando o resultado, segundo a análise de Zizek, Londres, por sua decisão, não seria de esquerda nem de direita, tampouco nacionalista, pois decidiu manter a Inglaterra sob a tutela de Bruxelas, aceitando o protagonismo franco-alemão, sobretudo alemão. No entanto Londres é uma cidade cosmopolita, destino de uma massa de novos imigrantes ao lado de outros, oriundos das antigas colônias, agitada por movimentos sociais de diferentes matizes. Mas, pelo raciocínio de Zizek,descompromissada com programas políticos, de qualquer matiz. Londres, sob essa análise, votou no referendo sem nenhum viés ideológico.
    Mas tampouco a Escócia aprovou o referendo. Não o fez, porém, pelos mesmos motivos. . Certamente o fez para marcar o distanciamento da Inglaterra, da qual ensaia se separar, do que negar as regras do bloco europeu. Mas também não seria, pelo mesmo raciocínio, nem de esquerda, nem de direita, tampouco nacionalista.
    Como, então, interpretar a votação londrina e escocesa?
    Zizek, no entanto, reprova a aliança do nacionalismo de esquerda com o populismo nacionalista de direita, e tomando com sua a tirada de Stalin não hesita em dizer que ambos, direitistas e esquerdistas, são farinhas do mesmo saco. Provavelmente Stalin quis dizer que sob um regime de esquerda, a esquerda faz tantos estragos quanto a direita. Por isso, sem dúvida, matou mais amigos que inimigos. Mas o que se deve entender com a tirada de Stalin em relação ao Brexit? Que a esquerda, apoiando o referendo, fez tantos estragos quanto a direita, pois, com o seu apoio, o Brexit manterá a Inglaterra atrelada ao capitalismo global.
    Esta é a tragédia da esquerda. Sempre esperançosa com o carisma do líder, (Mandela e Lula, exemplos citados por Zizek) e sempre decepcionada com a constante e recorrente submissão ao capitalismo financeiro que,,apesar da cerrada contestação, continua firmemente a ditar leis aos governos democraticamente eleitos.
    Mas parece que Zizek está mais preocupado com o drama da esquerda que esclarecer as verdadeiras razões da inesperada aprovação do Brexit.

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  14. Aída Paiva // 17/08/2016 às 19:35 // Resposta

    Slavoj Zizek, penso que Stalin quis dizer que qualquer postura rígida, cristalizada, não pensante, não analisante, tanto de esquerda quanto de direita é muito ruim.
    Um dia fiz uma crítica a um dos meus psicanalistas lacaniano:
    _ O seu problema é que você se prende a condutas, regras, normas, regulamentos, e esse comportamento na maioria das vezes não resolve os problemas.
    A resposta à pergunta do Zizek sobre qual a política que vai nos tirar do impasse da postura radical não pensante é:
    _ Movimentar a sociedade não com choque de comportamentos, atitudes, imposições, mas fazendo essa sociedade pensar e viver suas decisões.
    A Inglaterra é conhecida por atitudes rígidas, inflexíveis, decisões de cima pra baixo. Veja as propagandas sobre a Constituição Inglesa imutável.
    Eu assumo a posição sou de esquerda por uma questão de apresentação. Mas minha atitude real é sempre buscando a justiça, o não sofrimento, a solidariedade, o companheirismo, não estou conseguindo ser tolerante cheguei no meu limite. Quero justiça!

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  15. Aída Paiva // 17/08/2016 às 19:45 // Resposta

    A política que vai nos tirar desse impasse é: resolver os problemas que surgem sem ficar presos a ideologias de esquerda ou direita. Se o problema é fome vamos resolver o problema que está produzindo essa fome. Se o problema é escravidão vamos resolver o problema que está produzindo a escravidão. Se o problema é drogas temos que resolver o problema que está produzindo essa coisa das drogas.
    Qualquer decisão que priorize uma ideologia de direita ou esquerda é péssima, porque a análise do problema não foi bem feita, essa análise se prendeu a uma forma de ver o mundo e não viu o problema.

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  16. Aída Paiva // 17/08/2016 às 19:49 // Resposta

    A Inglaterra não deixou claro porque quis sair da União Européia. A Inglaterra fez o plebiscito para dizer que é uma democracia porque já estava tudo decidido.
    Da mesma forma que já está deicida as eleições dos Estados Unidos.

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