Prometeu envelhecido: proletariedade e velhice no século XXI

Giovanni Alves_gerontariado

Por Giovanni Alves.

É preciso dotar o pensamento social crítico de uma perspectiva estratégica de médio e longo prazo capaz de indicar novas tendências do desenvolvimento social. É importante ficarmos atentos para os novos fenômenos sociometabólicos que estão ocorrendo e devem ocorrer, por exemplo, por conta de mudanças demográficas que devem ocorrer no século XXI – pelo menos a partir de 2030. Nesse sentido, urge ficarmos atentos à reconfiguração da classe social do proletariado que deve ocorrer não apenas por conta da reestruturação produtiva propriamente dita que ocorre no seio do capitalismo global, mas às importantes alterações demográficas que ocorrerão nas sociedades capitalistas centrais e países em desenvolvimento como o Brasil. As mudanças cruciais no sociometabolismo do trabalho por conta da reestruturação demográfica colocarão novos patamares de desenvolvimento das individualidades humanas no seio de candentes contradições sociais abertas pelo movimento do capital como modo estranhado de controle da vida social.

Nosso interesse nesse pequeno artigo é apenas indicar alguns sinais de mudanças sociometabólicas no seio das camadas sociais da classe do proletariado tardio no Brasil com impactos na estrutura (e luta) de classes no século XXI. Por exemplo, em artigos anteriores, ao discutirmos o conceito de precariado (“A revolta do precariado” e “O que é o precariado?”), conceito ressignificado para caracterizar a camada social de jovens proletários assalariados altamente escolarizados inseridos em relações de vida e trabalho precário, buscamos salientar um traço candente (e crescente) do proletariado tardio no Brasil. Deste modo, no Brasil-Pátria Educadora – lema do novo governo Dilma Rouseff – deve crescer, pelo menos na próxima década, em termos relativos, o contingente de jovens trabalhadores assalariados altamente escolarizados mas inseridos em relações de trabalho e vida precários (uma tendência dominante hoje, por exemplo, nos EUA, Japão e União Européia). A afirmação da precariedade nas relações de trabalho”, caso a terceirização se amplie efetivamente no mercado de trabalho, deve contribuir para o aumento paulatino do precariado no Brasil. O contingente do precariado no século XXI encontra imensa dificuldades de representação sindical e politica por conta da própria crise de sindicatos e partidos trabalhistas de esquerda.

Neste artigo, iremos provocar outra discussão sobre uma camada social do proletariado tardio no Brasil que também deve crescer em termos relativos no decorrer do século XXI: o gerontariado, isto é, a camada social de proletários idosos – pessoas com 60 anos ou mais de idade – inseridos em relações de trabalho e vida precária. Um detalhe: uma parte significativa do gerontariado deve ser constituída por pessoas com 60 anos ou mais de idade aposentadas ou pensionistas. A presença crescente da velhice proletária ativa no mundo do capital é expressão de um novo modo de precariedade do trabalho que deve surgir na era do envelhecimento no século XXI (o termo “a era do envelhecimento” foi utilizado pelo economista George Magnus, no seu livro homônimo publicado em 2009 e que trata como a demografia está transformando a economia global e nosso mundo). Na verdade, precariado e gerontariado compõem os dois pólos extremos das contradições candentes – e radicais – do capital na era da sua crise estrutural, expressando enquanto categorias sociais, formas de estranhamento e irrealização humana no estágio altamente avançado do processo civilizatório.

Podemos dizer que presenciamos na era do capitalismo global mudanças cruciais na delimitação das etapas de desenvolvimento geracional das pessoas humanas que trabalham. Por exemplo, por um lado, tivemos o alongamento da trajetória daquilo que se convencionou chamar “juventude” – não “juventude” no sentido de fato biológico, mas sim, como identidade cultural (ela não se restringe apenas à faixa etária dos 18-29 anos, mas pode-se considerá-la próximo dos 40 anos, no caso dos “jovens-adultos”). Mas, além do alongamento da juventude, ocorre, de certo modo, a precariedade de uma importante transição nas etapas da vida pessoal: a passagem da juventude para a vida adulta por conta daquilo que discutimos no artigo intitulado “A derrelição de Ícaro”: a crise da sociedade salarial.

Ao mesmo tempo, em que ocorre o alongamento (e envelhecimento) da juventude, percebemos o aumentou a expectativa de vida nas sociedades capitalistas centrais e em desenvolvimento, alongando, deste modo, a etapa da velhice, constituída pelas pessoas com 60 ou mais anos de idade (o termo “envelhecimento da juventude” foi utilizado pelo sociólogo espanhol Enrique Gil Calvo).

Portanto, por um lado, temos o alongamento e envelhecimento da juventude (com a dificuldade de transição para a vida adulta), e por outro lado, a extensão da velhice como fase produtiva no tempo do capital. Enfim, trata-se de tendências de mudanças demográficas de longo curso que não podem ser desprezadas e que constituem novos fenômenos sociometabólicos na dinâmica das camadas sociais da classe do proletariado tardio.

Como temos discutido, a discussão do fenômeno do “precariado”, tal como concebemos hoje – a camada social de jovens-adultos precários altamente escolarizados em situação de trabalho e vida danificadas – implica levarmos em consideração as metamorfoses da própria categoria social de juventude e a precariedade da transição da juventude para a vida adulta. Primeiro, devido as mudanças estruturais ocorridas no mercado de trabalho, onde um dos rituais de passagem da juventude propriamente dita para a vida adulta era efetivamente a inserção numa condição de “cidadania salarial estável”. Na medida em que aumentou a precariedade do emprego, suprimindo-se o ritual da obtenção do emprego estável, capaz de garantir outras dimensões do sonho da vida adulta (família e consumo), bloqueou-se a transição e alongou-se a fase de transição da adolescência para a vida adulta. Entretanto, muitas vezes, um contingente de jovem-adultos tveram uma serie de experiências de transições ocupacionais caracterizadas pela frustração das expectativas. Por exemplo, verificamos o fenômeno da inadequação entre a profissão adquirida e a atividade ocupacional exercida. Na verdade, a frustração das expectativas – traço indelével da juventude de hoje – implica numa falsa transição da juventude para a vida adulta. Mesmo com emprego estável e insatisfatório profissionalmente, tendo em vista as novas condições da precariedade salarial (gestão toyotista e novas tecnologias informacionais que contribuem para a intensificação do trabalho estranhado), os jovem-adultos continuam a cultivar sonhos juvenis de realização profissional. Por isso, verifica-se outro fenômeno importante – por exemplo, a permanência, para além das expectativas, da ocupação insatisfatória considerada como provisória. Nesse caso, na circunstancia de instabilidade e incerteza do mercado de trabalho, a inserção num emprego estável mesmo que insatisfatório, torna-se um valor social.

Num primeiro momento, o jovem alimenta a expectativa de que logo abandonara aquele emprego estável e insatisfatório. Depois, com o passar do tempo, o provisório tornou-se definitivo. Premido pelas circunstâncias da transição para a vida adulta – família e consumo – submete seus sonhos juvenis de realização profissional (e pessoal) às contingências do mercado. Apesar disso, enquanto jovem-adulto inserido num emprego estável mas insatisfatório, preserva sonhos, expectativas e anseios juvenis.

Portanto, de certo modo, a categoria social de precariado – tal como nós a concebemos – originou-se da interdição no ritual de passagem da juventude para a vida adulta por conta da crise da “sociedade salarial”. É claro que ocorreram importantes mudanças culturais na última metade do século XX como, por exemplo, a valorização do consumo e ethos teenagers que fez com que o apego à auto-identidade da juventude dominada pelas imagens de dinamismo, energia e sexo se fortalecesse. Disseminou-se a síndrome de Peter Pan (utilizando o termo de Dan Kiley). Portanto, tornar-se “adulto” no sentido cultural, com tudo aquilo que isto significa (familia e capacidade aquisitiva sustentável), tornou-se, não apenas uma impossibilidade objetiva, em virtude da precariedade salarial de amplos contingentes de assalariados flexíveis, mas passou a ter um alto custo psicossocial. Por exemplo, no caso do Brasil, surgiu a denominada “geração canguru”, que trata-se de um fenômeno mundial – em Portugal ela se chama “geração casinha-dos-pais” (a “geração canguru”, aquela formada por jovens entre 25 e 34 anos que ainda moram com os pais, e que no Brasil cresceu nos últimos dez anos, segundo os últimos dados do IBGE). A denominação jovem-adulto fez alongar a trajetória da juventude – dos 18-29 anos (jovem) para jovem-adulto (29-40 anos). De certo modo, o alongamento da trajetória da juventude na sociedade do capital que vincula a imagem da juventude à energia, dinamismo e sexo (“amor liquido”, diria Zygmunt Bauman) significou congelar a seta do tempo, como nos indica o sociólogo espanhol Enrique Gil Calvo, fazendo surgir um contingente de jovens “envelhecidos” (e moralmente imaturos) que adiam a passagem para a fase adulta. Trata-se de um fenômeno cultural que se impõe sobre as disposições biológicas do organismo humano. O que significa que, embora tenhamos pessoas humanas que não tenham mais feições (e disposições) da juventude propriamente dita, têm estilo de vida e psicologia de cariz juvenil.

Por outro lado, além do alongamento da juventude e a precariedade da passagem para a vida adulta podemos constar como tendência de desenvolvimento social, a extensão da velhice em termos demográficos, tendo em vista a melhoria da expectativa de vida no capitalismo global. Trata-se de um dado civilizatório de dimensões mundiais. No caso do Brasil, desde o começo da década de 2000 observa-se, ao lado do aumento da expectativa de vida do brasileiro, a tendência de envelhecimento da população. Devido à queda de nascimentos nas populações dos países capitalistas mais desenvolvidos e países em desenvolvimento (incluindo o Brasil), aumentou o percentual de idosos na população. Segundo a última Síntese de Informações Sociais do IBGE, verificou-se que a participação do grupo com até 29 anos de idade diminuiu de 54,4% em 2004, para 46,6% em 2013. Ao mesmo tempo, aumentou o percentual de pessoas para o grupo com 45 anos ou mais de idade, passando de 24% para 30,7%. O IBGE observa que de 2004 para 2013 houve uma grande diminuição na razão de dependência dos jovens, passando de 43,0 para 34,4; enquanto para o grupo dos idosos, no mesmo período, o indicador apresentou aumento de 15,3 para 20,2; ou seja, em 2013 havia um idoso de 60 anos ou mais de idade para 5 pessoas com idade entre 15 e 59 anos. As mudanças neste indicador, diz o documento, estão relacionadas ao processo de diminuição de fecundidade e de maior longevidade da população – o que é um fenômeno histórico do capitalismo global (a taxa de fecundidade total para o Brasil passou de 2,39 filhos por mulher, em 2000, para 1,77 em 2013). Ao mesmo tempo, verificamos nos países capitalistas desenvolvidos e em desenvolvimento pressões estruturais do capital financeiro hegemônico para a precarização das aposentadorias e pensões de homens e mulheres idosos, obrigando-os, deste modo, a manterem-se ocupados, inseridos em situações de trabalho e vida precários. Portanto, o surgimento do gerontariado decorre não apenas da inflexão da curva demográfica no desenvolvimento social da humanidade, mas da vigência do capitalismo neoliberal, forma do capitalismo histórico na etapa de crise estrutural do capital, que possui como traço candente a precarização estrutural do trabalho – incluindo nesse caso, a precarização das pensões e aposentadorias de idosos que dedicaram a vida ativa à trabalhar para outrem.

Deste modo, tal como verificamos no caso do precariado, o gerontariado expõe uma contradição radical da civilização do capital: na etapa de desenvolvimento civilizatório mais avançado, quando se verifica o alto grau de produtividade do trabalho, o tempo de vida reduz-se efetivamente a tempo de trabalho – não apenas tempo de trabalho no sentido de jornada laboral, mas tempo de trabalho no sentido de tempo de existência humana reduzida à atividade alienada/estranhada – isto é, o trabalho como meio de vida. Muitas vezes, proletários idosos subsumidos à laboralidade alienada, não conseguem após a aposentadoria dedicar-se efetivamente à uma vida plena de sentida, tendo em vista que não foram educados – ou formados – para tal. Buscam no trabalho estranhado não apenas um meio de vida, mas um modo perverso de dar sentido à vida alienada.

Portanto, enquanto o precariado representa jovens-adultos assalariados altamente escolarizados inseridos em relações de trabalho e vida precários, o gerontariado representa o proletariado idoso inserido em trabalho e vida precários. Na verdade, as novas camadas sociais do proletariado tardio no século XXI expõem novas formas de ser do estranhamento social do capital. No capitalismo do século XXI tende-se a agudizar-se o que Lukács denominou de estranhamento social, isto é, a contradição entre o aumento das capacidades humanas por conta do desenvolvimento do processo civilizatório – por exemplo, o alto grau de desenvolvimento da produtividade do trabalho – e a degradação da personalidade de homens e mulheres que trabalham inseridos no mundo social do capital. O segmento social de jovens e velhos que trabalham – precariado e gerontariado – encontram-se hoje nos extremos da miséria humana na civilização do capital do século XXI.

Enquanto os primeiros – o precariado – são desvalorizados em sua capacidade produtiva acumulada por conta da alta escolaridade e vigor intelectual-mental imerso em sonhos e expectativas de realização profissional, os últimos – o gerontariado – são desvalorizados no carecimento radical de fruição da vida humana plena de sentido após uma longa trajetória de labor produtivo. A velhice proletária prolonga as mazelas do trabalho estranhado no ocaso das forças produtivas de homens e mulheres, levando a situações crônicas de adoecimento e perda da qualidade de vida. Como salientamos acima, a sociedade do trabalho alienado não prepara as pessoas que trabalham para a fruição da “vida ociosa”. Pelo contrário, o vazio existencial provocado, por exemplo, pela aposentadoria decorre da deformação da personalidade humana pela ideologia do trabalho alienado como elemento de identidade social. Não somos preparados para a vida ativa (no sentido dado por Hannah Arendt). As contradições da vida produtiva prolongam-se na velhice, com o gerontariado sendo obrigado a mobilizar-se, tal como o precariado, como sujeito de direitos e agentes radicais da utopia social.

O capitalismo do século XXI demonstra ser um sistema mundial clivado de densas (e profundas) contradições sociais. O gerontariado de 2050 é o precariado de 2013. Devem-se acumular inquietações existenciais e insatisfações humanas radicais no seio do gerontariado do século XXI. A idéia de uma velhice submissa expressa no poema “O peregrino apaixonado” de William Shakespeare pode pertencer ao passado na medida em que carecimentos radicais convertem-se em consciência de classe necessária (diz o poeta inglês em 1599: “A juventude está cheia de vigor, o alento da velhice dura pouco; a juventude é ágil, a velhice, pesada; a juventude é ardente e audaz; a velhice débil e fria; a juventude é rebelde; a velhice, submissa”).

No plano da existência pessoal, devem aflorar carecimentos radicais que põem a necessidade de sentido para a atividade humana. Como observou o psicólogo marxista soviético Lev Leontiev, a alienação ocorre quando existe uma clivagem entre significado e sentido da atividade humana. Na medida em que o significado da atividade laborativa se adensa por conta do processo de enriquecimento humano proporcionado pelas experiências expectantes (no caso do precariado, anseios e ambições de jovens altamente escolarizados tornam-se mais densos e no caso do gerontariado, o aumento da expectativa de vida e o acumulo de experiencia humana), o sentido da atividade laboral se amesquinha tendo em vista o caráter do trabalho estranhado que permeia a vida produtiva propriamente dita, com o predomínio da lógica do mais-desempenho e envolvimento pessoal exigido pela gestão toyotista. Estamos diante de uma contradição candente expressa nos carecimentos radicais que ardem mais a medida em que se aprofunda o processo civilizatório do capital. O conceito de carecimento radical utilizado por Heller no sentido de anseios de realização pessoal por meio da atividade profissional, o que não poderia se realizar nas condições do trabalho estranhado, caracterizado pela propriedade privada e divisão hierárquica do trabalho.

Finalmente, no plano da dinâmica da reprodução social e política do capitalismo global no século XXI, o crescimento do gerontariado deve exigir maior presença do Estado. Tal como no final do século XIX e começo do século XX atribuiu-se ao Estado uma função social importante na introdução e desenvolvimento de sistemas de seguridade social, para atender o crescimento da população trabalhadora mais jovem com a Segunda Revolução Industrial, no decorrer do século XXI, a necessidade de reprodução social da civilização do capital exige que se amplie novamente a função social do Estado a medida que as populações trabalhadoras envelhecem e se reduzem ao mesmo tempo. Na verdade, o aumento da longevidade das individualidades humanas exigem investimentos crescentes nos sistemas de saúde e pensão e deve-se aumentar a atenção médica tendo em vista que as doenças não transmissíveis se converterão em carga maior para os serviços de saúde. Deve-se colocar cada vez mais no horizonte da luta social e política, a problemática da qualidade (e sentido) da vida. Entretanto, as necessidades da reprodução social da civilização do capital são bloqueadas pela natureza estrutural do capitalismo global como capitalismo predominantemente financeirizado, com o capital financeiro pressionando pela redução da função social do Estado e pela corte dos investimentos públicos na saúde e seguridade social visando privilegiar o pagamento da dívida pública. Esta será uma das principais contradições radicais do capital no século XXI, a contradição entre as necessidades de reprodução humana e as necessidades da autovalorização do valor como capital fictício. A crise do Estado político do capital decorre da explicitação dos carecimentos radicais que, no caso do gerontariado, assume uma dimensão candente. Na medida em que se tornará mais claro a contradição entre carecimentos radicais das individualidades humanas e o capital social total – como diria Mészáros – o gerontariado – tal como o precariado – tornar-se-ão sujeito de ação social e luta de classe.

O aprofundamento da alienação tanto no plano da precarização do homem-que-trabalha, quanto na dinâmica da reprodução social do capital sob dominância do capital financeiro, contribuirá para a ampliação (e intensificação) da condição de proletariedade e a abertura inédita de possibilidades objetivas para a formação da consciência de classe necessária que – caso não sejam realizadas efetivamente no processo de contingencia da luta politica de classes – se interverterão em barbárie social aprofundada (como observou Slavoj Žižek, é o velho insight benjaminiano de que “toda ascensão do fascismo evidencia uma revolução fracassada”: a ascensão do fascismo no século XXI é a falência da esquerda, mas simultaneamente uma prova de que havia potencial revolucionário, descontentamento, que a esquerda não foi capaz de mobilizar).

É contra os fenômenos da vida reduzida e ensimesmamento que a esquerda radical deve lutar na prática de formação humana. Eles – a vida reduzida e o ensimesmamento, discutidos por mim no livro Trabalho e neodesenvolvimentismo – ao mesmo tempo que produzem inquietação pessoal, danificam a percepção do sentido e anulam tendencialmente ideais de autotranscedência obliterando os anseios de ir além do status quo, produzindo vias grotesca de escape. Na medida em que se coloca a consciência política e organização social da luta coletiva na perspectiva da classe, rompe-se o círculo perverso da aceitação do status quo, pois adensa-se o sonho alimentado pelo coletivo em movimento, rompendo-se com as cadeias do conformismo diante da alienação profunda, criando, deste modo, a possibilidade de mudança histórica.

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O livro mais recente de Giovanni Alves, Trabalho e subjetividade (Boitempo, 2011) já está à venda também em formato eletrônico (ebook) nas lojas da Gato Sabido e Livraria Cultura. O autor conta com um artigo na coletânea Occupy: movimentos de protesto que tomaram as ruas, à venda em ebook por apenas R$5 na Gato Sabido, Livraria da Travessa, dentre outras. Giovanni Alves conta também com o artigo “Trabalhadores precários: o exemplo emblemático de Portugal”, escrito com Dora Fonseca, publicado no Dossiê “Nova era da precarização do trabalho?” da revista Margem Esquerda 18, já à venda em ebook na Gato Sabido.

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Giovanni Alves é doutor em ciências sociais pela Unicamp, livre-docente em sociologia e professor da Unesp, campus de Marília. É pesquisador do CNPq com bolsa-produtividade em pesquisa e coordenador da Rede de Estudos do Trabalho (RET), do Projeto Tela Crítica e outros núcleos de pesquisa reunidos em seu site giovannialves.org. É autor de vários livros e artigos sobre o tema trabalho e sociabilidade, entre os quais O novo (e precário) mundo do trabalho: reestruturação produtiva e crise do sindicalismo (Boitempo Editorial, 2000) e Trabalho e subjetividade: O espírito do toyotismo na era do capitalismo manipulatório (Boitempo Editorial, 2011). Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às segundas.

1 comentário em Prometeu envelhecido: proletariedade e velhice no século XXI

  1. Que belo texto. Pareceu-me um Poema da vida real. Parabenizo o autor pela sensibilidade.

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