Dilma, o mal menor

14.10.06_Miguel Urbano Rodrigues_DilmaPor Miguel Urbano Rodrigues
e editores de ODiário.info

A vitória de Dilma Roussef na primeira volta das eleições presidenciais brasileiras era esperada. Mas a vantagem de 8 pontos obtida sobre Aécio Neves não é suficientemente ampla para garantir a sua reeleição a 26 deste mês.

A campanha eleitoral, inspirada no modelo norte-americano, foi deprimente.

Três semanas foram suficientes para destruir a imagem de Marina Silva que, após a morte do socialista Eduardo Campos, surgira como favorita.

De candidata da “esperança” que anunciava mudanças drásticas, a pastora da Assembleia de Deus, próspera igreja evangelista, passou rapidamente a demagoga oportunista comprometida com o grande capital.

O eleitorado acabou por lhe infligir uma derrota esmagadora.

A surpresa foi a grande votação obtida por Aécio, um político de direita, ex-governador de Minas Gerais, o candidato do Partido da Social Democracia Brasileira-PSDB (na realidade um partido neoliberal, fundado e liderado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso).

Dilma venceu em 15 estados; Aécio superou-a em 9, nomeadamente em São Paulo.

Qualquer previsão sobre o choque entre Dilma e Aécio seria no momento especulativa. Marina Silva, a grande derrotada, declarou-se disposta a apoiar Aécio na segunda volta. A soma dos votos da oposição, 57 milhões, é muito superior à dos atribuídos a Dilma, 43 milhões. Mas influentes observadores políticos admitem que a maioria dos 19 milhões de votos obtidos pela pastora evangélica não é transferível para Aécio.

Seria uma ilusão romântica esperar que Dilma altere, se for reeleita, a estratégia do seu primeiro mandato de clara tendência neoliberal que ela tentou disfarçar com um ténue verniz progressista. A sua política econômica favoreceu as transnacionais, a banca e as grandes empresas brasileiras. Significativamente, contou com o apoio de Barack Obama e da finança internacional. Mas na segunda volta Aécio é o candidato preferido por Washington e pela grande burguesia brasileira. Esse apoio não será provavelmente suficiente para lhe abrir as portas da Presidência.

Nas eleições para a Câmara dos Deputados, para o Senado e para governadores dos 26 Estados da Federação, os resultados não foram favoráveis ao PT, partido de Dilma Roussef.

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Eleições630p

Especial Eleições: Artigos, entrevistas, indicações de leitura e vídeos para aprofundar as questões levantadas em torno do debate eleitoral de 2014, no Blog da Boitempo.

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Miguel Urbano Rodrigues é um jornalista e historiador português. Nascido em Moura, em 1925, passou 20 anos exilado no Brasil entre as décadas de 50 e 70. Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.

6 comentários em Dilma, o mal menor

  1. Alexandre H. // 06/10/2014 às 17:04 // Responder

    O otimismo e a ingenuidade da esquerda nessas eleições me espanta. Começou com a certeza de que Aécio não chegaria ao segundo turno, descambou para o alívio em não se preocupar com uma suposta reeleição de Alckmin no primeiro turno e vai terminar na segunda certeza de que não há espaço para o PSDB levar esse ano no segundo turno por “falta de apoio”? Quem é a piada? Por favor, vamos abrir os olhos e nos perguntar o que realmente importa: para onde vão os votos de Marina nesse segundo turno e quem garante que os votos de Luciana Genro e Eduardo Jorge não são também meros reflexos do mesmo anti-petismo que não favorecerá o PT na reta final? Ademais, até onde vai a análise das relações internacionais aqui? Num processo de transformação rápida, a geopolítica atual tende a ser determinada pelos novos conflitos (Ucrânia, por exemplo) e nossas eleições irão definir para que lado vamos. Fora a Dilma e os laços com os BRICS, só resta a ruína proposta por Marina e Aécio traduzida em laços com os EUA. Boa sorte pra nós.

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  2. Obede Rocha Viana // 06/10/2014 às 17:48 // Responder

    este grande historiador, que depois de velho deu pra cheirar cola, vem com esta conversa que a Dilma apoiou as empresas; ela pagou três vezes o valor da transposição do rio São Francisco, tem quase Hum milhão e meio de casas do projeto “Minha casa, minha vida” licitadas com valores bem abaixo do mínimo que se pode construir, sem uma obra sua fecha o mandato gastando quase um terço a mais que o Lula gastou no seu ultimo mandato . . . para de cheirar velho e descanse em paz os seus últimos momentos de vida, sem negligenciar a sua história.

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    • Bah, mas que falta de respeito! isso aqui é uma página séria, com debates em nível elevado. Sugiro que vá comentar na páginas da imprensa-empresa: globo, veja, folha, etc.onde encontrará outros dispostos a este tipo de bate boca.

      Parabéns ao Miguel Urbano Rodrigues que novamente demonstrou a lucidez e coerência que sempre esperamos em seus textos… fica um abraço e a expectativa de aprender ainda muito com o senhor.

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      • Alexandre H. // 08/10/2014 às 17:14 // Responder

        https://blogdaboitempo.com.br/2014/10/06/dilma-o-mal-menor/

        O comentário de Obede foi realmente desnecessário e não tem muito o que discutir. No entanto, o elitismo que você expressou com “aqui é uma página séria, com debates em nível elevado” é discutível. Enfim, já foi. Estranho e preocupante mesmo é o comentário do tal “acredito no trabalho”. De onde saiu isso? Esse pessoal tá sendo pago até pra comentar aqui no blog da Boitempo? Todo mundo sabe que tem rolado salários pra quem comenta esse tipo de coisa. Em igrejas, muita gente tem recebido pra impedir qualquer aprofundamento em discussões sobre a escolha das mulheres e a homossexualidade. E não é difícil encontrar informação sobre isso. O que me parece e que precisaria ser investigado com mais calma é como a direita adotou a internet para panfletar e semear seus discursos – fica a sugestão. Muitas vezes, me pergunto se a direita não “ganha na internet o que perde na rua”, se é que me entendem. Já perceberam como parece algum tipo de batalha campal nas redes sociais? Isso poderia ser tema não somente para jornalismo investigativo do tipo Coleção História Agora, como também para sociologia do trabalho do tipo infoproletariado. São pessoas assalariadas, não? Posso estar indo longe, mas acho que longe mesmo é a “militância virtual” da direita aparecer aqui.

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      • Alexandre H. // 08/10/2014 às 17:15 // Responder

        O comentário de Obede foi realmente desnecessário e não tem muito o que discutir. No entanto, o elitismo que você expressou com “aqui é uma página séria, com debates em nível elevado” é discutível. Enfim, já foi. Estranho e preocupante mesmo é o comentário do tal “acredito no trabalho”. De onde saiu isso? Esse pessoal tá sendo pago até pra comentar aqui no blog da Boitempo? Todo mundo sabe que tem rolado salários pra quem comenta esse tipo de coisa. Em igrejas, muita gente tem recebido pra impedir qualquer aprofundamento em discussões sobre a escolha das mulheres e a homossexualidade. E não é difícil encontrar informação sobre isso. O que me parece e que precisaria ser investigado com mais calma é como a direita adotou a internet para panfletar e semear seus discursos – fica a sugestão. Muitas vezes, me pergunto se a direita não “ganha na internet o que perde na rua”, se é que me entendem. Já perceberam como parece algum tipo de batalha campal nas redes sociais? Isso poderia ser tema não somente para jornalismo investigativo do tipo Coleção História Agora, como também para sociologia do trabalho do tipo infoproletariado. São pessoas assalariadas, não? Posso estar indo longe, mas acho que longe mesmo é a “militância virtual” da direita aparecer aqui.

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  3. Acredito no poder do trabalho // 07/10/2014 às 20:41 // Responder

    Ta com medinho né??? Esta acabando a farra dos esquerdinhas.

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