Juízes exibidos e outras futebolices

14.06.25_Mouzar Benedito_Cidinho[O árbitro Alcebíades Magalhães Dias, “Cidinho Bola Nossa”, entre Amaury de Castro, capitão do Cruzeiro, e o capitão do Siderúrgica. Moeda no ar para dar início à partida.]

Por Mouzar Benedito.

Aí vão mais umas historinhas com referências ao futebol. Se a gente for puxando pela memória, parece que a coisa não tem fim. Começo por histórias relacionadas aos juízes.

Juiz Bola Nossa

Alcebíades Magalhães Dias, o Cidinho, era juiz de futebol de Belo Horizonte e torcedor fanático do Atlético. Manipulou muitos jogos a favor do Galo. Uma vez, em 1949, apitando um jogo entre o Atlético e o Botafogo do Rio, o atleticano Afonso e o botafoguense Santo Cristo disputavam uma bola e ela saiu pela lateral. Ficaram discutindo e Afonso perguntou ao juiz de quem era a posse da bola. Cidinho tirou o apito da boca e respondeu ao atleticano:

― Afonso, a bola é nossa!

Ficou sendo conhecido como Juiz Bola Nossa

Pantera-Cor-de-Rosa

Quando estudei jornalismo na Faculdade Cásper Líbero, tinha entre meus colegas de classe o atacante Lance, do Corinthians, o defensor Polaco, do Palmeiras, e o juiz de futebol Roberto Nunes Morgado.

Uns anos depois, Morgado, cheio de trique-triques, fazia umas arbitragens meio malucas, como uma vez que apitou o tempo todo sem entrar no campo, só correndo na lateral. Parecia que tinha pirado.

Num jogo entre São Paulo e Palmeiras, expulsou quatro jogadores do Palmeiras, e começaram a achar que ele tinha mesmo problemas psiquiátricos e chegaram a pedir um laudo médico para que continuasse sendo árbitro.

Em um jogo entre o Vasco e o Ferroviário do Ceará, pelo Campeonato Brasileiro de 1983, expulsou a PM que fazia a segurança na área interna do campo, dando cartão vermelho a ela.

Por causa de seus trejeitos (pelo que contam, inspirados em Armando Marques) e seu porte físico, alto e bem magro, ganhou o apelido de Pantera-Cor-de-Rosa.

Frequentador da Boca do Lixo, contraiu o vírus HIV e morreu de Aids em 1989.

E apareceu o Margarida

O catarinense Clésio Moreira dos Santos se inspirou em Armando Marques, Morgado e outros juízes polêmicos de futebol para criar seu próprio estilo. Além do uniforme todo cor-de-rosa (incluindo as chuteiras) fazia uma coreografia toda especial, criada por ele mesmo, que recebeu o nome de “passo da gazela”, e tornou-se um espetáculo à parte nos jogos em que apitava, na década de 1990. Recebeu o apelido de Margarida, que assimilou bem.

Popularizando a palavra “bicha”

Armando Marques foi um árbitro famoso nas décadas de 1960 e 70. Tinha atitudes polêmicas, como a expulsão de Pelé, quase sem motivo, aparentemente só para ter a glória de ter sido o primeiro (ou será único?) a expulsar o “rei” dos gramados.

Mas o que chamava mais a atenção eram seus trejeitos. Na época, a palavra bicha era sinônimo de gay apenas em São Paulo, e nos jogos do Corinthians no Pacaembu, quando ele entrava no gramado, toda a torcida corintiana gritava: “Bicha! Bicha!”. Assim essa gíria chegava pelas transmissões de TV aos lares de todo o Brasil e se tornou nacional.

Chuteiras inconvenientes

Agora, deixemos os juízes de lado.

Político dar jogo de camisas de futebol para times de várzea em véspera de eleição é coisa antiga. Aliás, dava-se até uniforme completo.

No início da década de 1960, um time de roça do interior de Santa Catarina jogava bem, mas era formado por gente bem pobre, e jogava-se descalço. Não tinha chuteiras. Pois um político deu um jogo completo de uniformes para o time, incluindo as chuteiras. Marcou-se um jogo com um adversário forte, para a estreia desse uniforme.

O problema era que aqueles craques que jogavam descalços não se deram bem com as chuteiras. Resultado: no fim do primeiro tempo, o time estava perdendo por 9 x 0. O diretor do time perguntou ao juiz se os jogadores podiam tirar as chuteiras e jogar descalço, como era seu hábito, o juiz permitiu e deu-se a redenção: empate de 9 x 9.

Receita para o artilheiro

Em Porto Feliz, interior do estado de São Paulo, havia um técnico de futebol muito interessante, cheio de fórmulas para marcar gols. Um dia, chamou o centro-avante e disse:

― Olha… Quando a bola bate no travessão e volta, o goleiro fica completamente perdido. Então se você ficar cara a cara com o goleiro, chute a bola no travessão de um jeito que ela volte direto pra você, aí, com o goleiro sem saber o que fazer, você manda pra dentro do gol.

Dias de Pelé

“Todo grosso tem seu dia de Pelé.”

Não sei de quem é essa frase, mas imagino que seja de Neném Prancha, que nos bons tempos do Botafogo do Rio torcia por ele e era considerado “filósofo da bola”, por suas frases de efeito. Por exemplo: “O pênalti é uma coisa tão importante que devia ser batido pelo presidente do clube”.

Mas o que me interessa mesmo é a frase inicial. Sempre, em qualquer time, tem um perna-de-pau que um dia desencanta, faz jogadas dignas de Pelé. Falo isso preferindo o futebol de Garrincha, mais divertido, gozador, como acho que deveria ser sempre o futebol, mas ele vai ficando uma coisa séria demais, não comporta gozações e brincadeiras como as de Garrincha, que chamava os marcadores de “João” e dava um baile neles, coisa que hoje seria considerada humilhação e justificaria pros adversários, e até para os comentaristas esportivos, que lhe metessem o sarrafo.

Bom, vou me lembrar de alguns grossos que tiveram seu dia de Pelé (ou de Garrincha), começando pelo Zé Cocão, goleiro do segundo time da Esportiva Nova Resende, que pegou o apelido por causa da cabeça grande. Frangueiro que só ele, um dia fechou o gol. Com suas defesas e o ataque funcionando, logo o time ganhava de 3 x 0. Zé Cocão pegou uma cadeira (não sei quem levou, mas o campo não tinha alambrado e era fácil chegar até o goleiro), óculos e jornal, pôs a cadeira no meio do gol, colocou os óculos e ficou fingindo ler o jornal. Imagine hoje… Seria agredido com certeza.

Outro é o Siriaco, lateral direito do mesmo segundo time da Esportiva Nova Resende. Talvez muitos leitores não saibam o que é isso de segundo time. É que no interior, antes do jogo pra valer, sempre havia uma preliminar entre esses times formados pelos que aspiravam ser titulares do primeiro time e uns jogadores que nunca seriam titulares, mas gostavam de jogar futebol e o pessoal da equipe gostava deles. O jogo dos segundos times era para a torcida ir se distraindo até começar o jogo do primeiro, o que valia.

Pois é, o Siriaco era grosso. Muito grosso. Nunca seria titular do primeiro time. Um dia, o goleiro lhe passou a bola na lateral direita, ele foi indo de cabeça baixa, driblando todo mundo, chegou ao gol adversário, driblou o goleiro e podia entrar com bola e tudo no gol, o que tentou fazer, mas, sem levantar a cabeça, deu de cara com a trave e a driblou também, só que pelo lado errado. Saiu pela linha de fundo. Se tivesse marcado o gol, Siriaco teria superado Pelé no seu famoso “Gol de Placa”, marcado no Maracanã, contra o Fluminense em 1961, em que ele pegou a bola passada pelo goleiro Gilmar perto da área, driblou quase todo o time do Fluminense e marcou um gol belíssimo, que mereceu uma placa feita pelo jornal “O Esporte”, considerando que aquele foi o gol mais bonito da história do Maracanã.

Outro grosso das minhas amizades que teve seu dia de Pelé foi o Cabeça de Vaca ― mais um do segundão da Esportiva Nova Resende.

Ele chutava mal, sem pontaria nenhuma. Nunca tinha marcado um gol. Mas num dia em que tinha chovido muito e o campo estava que era puro barro (não era gramado), pegou uma bola na entrada da área e a meteu no ângulo, sem chance de defesa para o goleiro. Todo mundo se surpreendeu. Dali a pouco, pegou outra bola ainda mais longe do gol e marcou outro gol belíssimo, com um chute certeiro.

Depois do final do jogo fui falar com ele. Perguntei se ele tinha treinado chutes de longe e ele me contou em segredo:

― Eu não chutei no gol. O Elias estava assistindo ao jogo em pé, atrás da linha de fundo, a uns cinco ou seis metros do gol. Estava de terno branco. Quando peguei a primeira bola, chutei pra sujar aquela roupa branquinha. Errei e marquei o gol. Veio a segunda bola, chutei nele de novo e errei de novo.

Pensou um pouco e falou:

― Ah, se o Elias ficasse sempre naquele lugar…

(Publicado originalmente na Revista do Brasil)

Quero o Paissandu no campeonato brasileiro!

Diante do tropeço do Santos frente ao invencível Barcelona, uma espécie de seleção mundial, lembro dos bons tempos do futebol brasileiro em que o campeonato nacional era chamado de “o melhor do mundo”, quando, em vez de brasileiros acompanhando campeonatos europeus, eram os europeus que acompanhavam com inveja, pela TV, os jogos dos nossos times.

O futebol brasileiro já teve momentos absurdos também, como no tempo da ditadura “Onde a Arena vai mal, um time no nacional. Onde a Arena vai bem, um time também”, era a brincadeira que se fazia. O futebol quase sempre foi e é utilizado politicamente, e a ditadura brasileira fez isso com muito sucesso.

Além de faturar em cima da conquista da Copa de 1970, aproveitou a euforia futebolística para agradar o eleitorado, colocando timecos regionais para disputar o campeonato nacional. Em 1979, chegou a 94 o número de times na disputa.

Houve uma reação muito justa contra essa inflação de times colocados politicamente na “elite do futebol brasileiro”, sem nenhum merecimento. Mas acho que acabaram exagerando na dose.

O Brasil imita a Europa, sem necessidade. Nos países europeus, como Itália, Espanha, Alemanha e França são vinte times que disputam o campeonato? Então tem que ser vinte no Brasil também.

Pergunto aos leitores quantos times espanhóis disputaram a final do campeonato mundial de clubes. Real Madrid, Barcelona… Mais algum? E os italianos? E os ingleses? E os alemães?

Pois vejam que no Brasil nove times chegaram a isso. Sete times – Santos, São Paulo, Corinthians, Palmeiras, Flamengo, Grêmio e Internacional – já foram campeões mundiais. Cruzeiro e Vasco disputaram e perderam, foram vices. Que país tem tantos times no topo do futebol assim? Nove disputaram a final do mundial de clubes!

Então, por que temos que ter campeonato com vinte times, como os europeus? Proporcionalmente, o campeonato paulista já equivale ao de um país europeu. Tem quatro times de primeira linha – Corinthians, São Paulo, Santos e Palmeiras – e vários equivalentes aos de segunda linha dos campeonatos europeus. Portuguesa, Ponte Preta, Guarani… de vez em quando mais algum ascendente, como Bragantino, Santo André, São Caetano…

Então é isso: campeonato de vinte times é o paulista. O brasileiro tem que ir além.

Não temos um Barcelona aqui, mas vejam que o campeonato espanhol tem Barcelona e Real Madrid disputando com dezoito coadjuvantes – de vez em quando algum deles desponta, como o Atlético Madrid, o Valência e o Sevilha –, aqui temos muito mais times disputando o campeonato de verdade.

Além dos quatro grandes paulistas, temos os dois grandes gaúchos, os quatro grandes do Rio, os dois grandes de Minas (só aí são doze equipes) e entre os “coadjuvantes” que de vez em quando despontam, três times do Paraná, dois da Bahia, três de Pernambuco e às vezes algum de Goiás do Ceará ou de Santa Catarina, como foi o caso do Figueirense, no campeonato de 2011.

Por causa dessa imitação que se faz do campeonato europeu ficam de fora do campeonato brasileiro times de outros estados, como o Pará (o Payssandu tem uma torcida enorme), que nada ficam a dever a alguns que disputam o campeonato espanhol: Getafe, Mallorca, Granada, Rayo…

Por isso, defendo: o campeonato brasileiro de futebol deveria ter 28 times. Tá falado.

Ah… Me lembrei de uma situação que era o contrário dessa.

Em Nova Resende, minha terra, o lateral Elias foi afastado à revelia da Esportiva, o “grande” time local, quando completou 49 anos. Não queria abandonar o futebol. Fundou então com alguns companheiros “aposentados” do esporte o Sem Futuro Futebol Clube. O problema era arranjar adversário equivalente. Procuraram na região e encontram em Juruaia o Reumatismo Futebol Clube. E só. Jogavam apenas entre eles. Não inventaram um campeonato, mas se inventassem seria interessante. Um deles seria fatalmente campeão e o outro vice. Sem rebaixamentos.

(Publicado originalmente na revista Fórum)

Apóstolo atleta

A impressão que tenho quando converso com homens da minha geração que moravam em pequenas cidades mineiras é que quase todos foram coroinhas.

Eu mesmo não escapei disso.

Quer dizer, “não escapei” entre aspas, fui ser porque quis, ninguém me forçou. É que via outros moleques indo ajudar nas missas e rezas e, como a gente quase não tinha o que fazer, deu vontade de entrar nessa também.

Num tempo em que não existiam bibliotecas públicas nem escolares na cidade, não havia quadra de esportes nem piscinas, o que fazíamos eram brincadeiras impensáveis hoje.

Víamos os filmes do Tarzã e imitávamos. Numa capoeira que chamávamos “selvinha”, havia cipós para ir de árvore em árvore e alguns meninos eram craques nisso. Eu não. Mas até que com o arco e flecha eu não era tão ruim, embora não fosse um craque como uns outros.

Treinávamos esse “esporte” na beira da selvinha, onde tinha um pasto e ali perto um monte de bananeiras. Cortávamos um tronco de bananeira do nosso tamanho e púnhamos de pé, amarrado com cipó a uma árvore e ele se tornava nosso alvo. Montávamos em pelo numa égua chamada Realina que ficava no pasto e, galopando, passávamos a uns quinze ou vinte metros do tronco disparando flechas para acertar o tronco de bananeira, inimigo imaginário.

Outras brincadeiras eram roubar frutas, brincar em córregos, pescar lambaris… Alguns caçavam passarinhos para colocar em gaiolas, mas eu não gostava disso. E trabalhava, seja como engraxate, vendedor de frutas ou balconista de boteco.

Então, ser coroinha era uma novidade, algo diferente, e o padre Caio me aceitou para o bando, quando eu tinha uns oito anos. Mas logo ele viu que eu seria um problema: nas rezas, gostava de ficar encarregado do turíbulo, um vaso de queimar incenso, de metal, pendurado em três correntes. Então, o turíbulo era cheio de brasas e a gente tinha que segurá-lo por um pegador no alto das correntes que o prendiam, e ficar chacoalhando de leve, de um lado para o outro, para manter as brasas vivas.

E o que eu gostava era de rodear, na vertical, o turíbulo cheio de brasas, o que era proibido. Mas era só o padre virar para o altar que eu cometia isso. Algumas pessoas riam e ele se virava para mim fazendo cara feia. Tinha que rezar com um olho no altar e outro em mim.

Acabei expulso com alguns outros, porque achamos algumas garrafas de vinho de igreja na sacristia, bebemos, ficamos bêbados e aprontamos um monte de coisas. Um dos coroinhas era implicado com um sino que batia sozinho, dando as horas; subiu à torre ao meio-dia, a fim de impedir que funcionasse uma espécie de martelo que batia no sino de meia em meia hora. Ao meio-dia, daria doze badaladas. Quando o martelo se levantou para bater, ele segurou e só soltou uns minutos depois. Quebrou.

Um ou dois anos depois fui aceito para ser um dos doze apóstolos na missa do lava-pés, na Semana Santa. Ensaiamos uma vez e o padre recomendou:

— Antes de vir para cá, lavem bem os pés e passem talco, porque eu só dou uma lavadinha de leve e depois tenho que ir beijando os pés de um a um…

Na quinta-feira, dia da missa em que haveria a cerimônia do lava-pés, fui jogar futebol no início da tarde. Lá pelas três e meia, saí do campo para ir embora e uns moleques do time adversário começaram a gritar:

— Tá com medo… tá com medo…

Voltei com muita vontade de meter uns gols neles. E cada vez que alguém ameaçava sair era a mesma coisa. Quando vi, estava escurecendo. Foi o tempo de correr, vestir a túnica de apóstolo e entrar na igreja, sem tempo para nada. Acho que fui o primeiro apóstolo de Cristo a entrar na igreja de chuteiras.

Na hora da cerimônia mais esperada, quando o padre Caio chegou em mim, vi sua cara de pavor ao olhar meus pés dentro das chuteiras em estado precário. Desamarrou as chuteiras, tirou-as, deu uma lavadinha nos meus pés e teve que quase encostar os lábios neles sujos e fedorentos, com um olhar que parecia dar fuziladas em minha direção.

(Publicado originalmente na revista Fórum)

A salvação era o rádio

Marinho tinha a fama de ser um dos melhores centro-avantes das redondezas. Jogando num time de roça, marcava gols à vontade nas equipes das cidades próximas. Acabou sendo convidado para jogar num time profissional, da segunda divisão do estado do Rio. Estava indo tão bem que contrataram um armador argentino, um craque mesmo, para mandar a bola na entrada da área, do jeitinho do Marinho meter para dentro do gol. A coisa ia dando certo, mas de repente o Marinho começou a piorar. Errava tantos gols que até parecia que era por querer. Chegaram a pensar que ele não se dava bem era com o jogo do armador argentino, mas ele mesmo defendeu o colega, impedindo que fosse vendido para outro time. Atribuía a ele mesmo a chamada “fase ruim”.

Um dia, tudo foi esclarecido e, em vez do argentino, foi ele quem teve que se mandar da cidade. Descobriram seu problema, a tal “fase ruim”: era a mulher do armador argentino. Ela se engraçou com ele, mas o marido só desgrudava dela nos treinos e nos jogos. Como o Marinho participava dos treinos, tinha que dar um jeito de ficar livre durante os jogos. Então, enquanto a bola corria no gramado, a safadeza corria solta na cama do craque portenho, com a mulher dele e o sem-vergonha do Marinho.

Antes de se mandar, fugindo do marido traído, Marinho ainda teve tempo de comentar com um colega:

― A única coisa ruim era que quando o nosso time jogava em casa a gente tinha que ir pra cama ouvindo o jogo pelo rádio, porque a casa era ali bem ao lado do campo e, quando o marido se machucava ou era substituído, nem ia para o vestiário, ia direto pra casa. Duas vezes eu tive que sair correndo, mal dando tempo de vestir a roupa, porque o cara tava chegando machucado. A salvação era o rádio!

(Publicado originalmente no livro “Memória Vagabunda”)

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Confira o dossiê especial sobre a Copa e legado dos megaeventos, no Blog da Boitempo, com artigos de Christian Dunker, Bernardo Buarque de Hollanda, Flávio Aguiar, Antonio Lassance, Mouzar Benedito, Mike Davis, Mauro Iasi, Edson Teles, Jorge Luiz Souto Maior, entre outros!

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

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