O Brasil já ganhou a Copa

14.06.23_Emir Sader_O Brasil já ganhou a CopaPor Emir Sader.

Foi difícil, jogo duro, mas o Brasil já ganhou a Copa de 2014.

Na fase classificatória foi preciso derrotar a manipulação, a ma fé das informações. Se publicava aqui e se reproduzia fora todo tipo de informações falsas e/ou versões falsas sobre o que acontecia aqui. A ponto que o Ministerio de Relações Exteriores da Alemanha chegou a definir o Brasil como “um pais de alto risco”.

Nas oitavas de final foi necessário derrotar o analfabetismo político, sob a forma da versão demagógica de que os recursos que financiaram as obras da Copa teriam sido subtraídos da educação e da saúde.

Nas quartas de final foi preciso eliminar os que alegavam que o país se encontrava sob “estado de sitio” (pobre do Agamben), os que previam que os BBs deitariam e rolariam. As manifestações foram pífias, o povo passou a apoiar a Copa em mais de 80% assim que começaram os jogos.

Nas semifinais, a derrota foi a dos que consideravam – como o Ministério de Relacoes Exteriores da Alemanha – que o Brasil seria “um pais de alto risco”. Risco zero para os que vieram. Ninguém, alemão ou de outro pais, deixou de vir. E os que vieram estão deslumbrados com o país.

A final foi a prova de que os aeroportos funcionam super bem, os estádios ficaram todos prontinhos, os transportes dão conta perfeitamente do que se precisa para a Copa.

Não bastasse tudo isso, o nível técnico da Copa é altíssimo.

O Brasil já ganhou a Copa fora do campo. Quem apostou contra a Copa, perdeu, foi eliminado. Esta já é a Copa das Copas.

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Acompanhe também o debate entre Emir Sader, Mauro Iasi e Valter Pomar, no Blog da Boitempo nos textos Não é a Copa, imbecil, são as eleições! (Sader), O escravo da Casa Grande e o desprezo pela esquerda (Iasi) e Nem todo ‘escravo’ tem a mentalidade da ‘Casa Grande’ (Pomar).

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As armas da crítica: antologia do pensamento de esquerda (os clássicos: Marx, Engels, Lenin, Trotski, Rosa Luxemburgo e Gramsci), organizado por Emir Sader e Ivana Jinkings, já está disponível por apenas R$18 na Gato Sabido, Livraria da Travessa, iba e muitas outras!

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Confira o dossiê especial sobre a Copa e legado dos megaeventos, no Blog da Boitempo, com artigos de Christian Dunker, Bernardo Buarque de Hollanda, Mike Davis, Mauro Iasi, Flávio Aguiar, Edson Teles, Jorge Luiz Souto Maior, entre outros!

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Emir Sader nasceu em São Paulo, em 1943. Formado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é cientista político e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). É secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) e coordenador-geral do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Coordena a coleção Pauliceia, publicada pela Boitempo, e organizou ao lado de Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile a Latinoamericana – enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe (São Paulo, Boitempo, 2006), vencedora do 49º Prêmio Jabuti, na categoria Livro de não-ficção do ano. Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às quartas.

12 comentários em O Brasil já ganhou a Copa

  1. Vilson Gil // 23/06/2014 às 13:32 // Responder

    verdade, aqui no RS é tão positiva a Copa que temos até o “Caveirão do Tarso”, um veículo blindado com canhão de água recém adquiro pelo governador em questão!
    realmente, um grande legado, já que não só ele com tb futuros outros governadores saberão fazer “bom uso” do monstrengo!!

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  2. Mauro Iasi // 23/06/2014 às 14:44 // Responder

    O primeiro eliminado foram as casas dos mais de duzentos mil removidos, o segundo eliminado foram os dez operários mortos na construção… mas, isso são detalhes, o que importa é a “imagem do Brasil”… não o Brasil.
    Ai… ai…

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  3. Ufanismo a lá URSS… somente isso. Quero ver quando as contas vierem… A mas é claro… é só arrocharmos a classe média que está tudo certo! e de quebra, ajudamos a afundar de vez essa classe fascista, retrograda e burra! (Dona Chauí que nos diga)!
    E viva a hipocrisia humana!

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    • marcosomag // 24/06/2014 às 2:25 // Responder

      Só um dado econômico para destroçar a falácia do “quando as contas vierem”: a insuspeita FIPE calculou em R$ 9,6 bilhões o acréscimo na economia que trouxa a Copa das Confederações! Resultado este muitíssimo inferior ao que proporciona a Copa do Mundo, com centenas de milhare de turistas estrangeiros melhorando nossas divisas. Hasta la vista, baby!

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  4. Hehehe! O Emir Sader se inscreveu para ser voluntário na copa e então a FIFA designou o mesmo para escrever um panfletinho demonstrando como a FIFA conseguiu utilizar do Estado brasileiro para fazer a “Copa das Copas” (claro, sem tocar no assunto de que manifestantes foram duramente reprimidos)? Só pode ser isso! Somos todos um só, Emir! Olha o nível do panfletinho que o cara se prestou a publicar! O Mauro Iasi tem que respirar fundo 10 vezes para tentar pontuar algumas coisas do texto do Emir, mas há textos que isso é impossível, pelo baixo nível do panfletinho…

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  5. Pedro Henrique // 23/06/2014 às 17:20 // Responder

    A restrita e cômoda posição do Emir Sader parece ser a de se manter do outro lado da mesma moeda em relação àqueles que publicaram e gritaram “aqui” no país maravilha do ludopédio, e reproduziram “fora”, “todo tipo de informações falsas e/ou versões falsas sobre o que acontecia aqui”. De fato, uns amam e respondem afirmativamente à “Copa das Copas” como “vitoriosa”, como tendo cumprido o prometido, outros a difamam, mas por vezes “utilizando-a” como meio publicitário-ideológico – alguns desses últimos são os poucos que puderam e podem pagar e vaiar de perto os políticos e empresários que lhes proporcionou ao menos indiretamente ver um jogo “desse naipe” em terras tupiniquins; outros muitos, que não simplesmente elogiam ou difamam a copa, mas fazem críticas também e sobretudo ao grande negócio que ela é, aos interesses envolvidos e às violências reiteradas para sua realização, estão com dificuldades para demonstrar abertamente suas posições nas ruas – graças principalmente à criminalização e ao uso indiscriminado da violência policial – inclusive perseguição pessoal e tortura – em relação aos movimentos sociais, manifestantes e ativistas. Os dois primeiros grupos se completam na medida em que o horizonte de possibilidades que vislumbram é mais do mesmo: reproduzir um mundo cujo princípio e fim é o capital e suas relações fundamentais, para o que contribui a fé no progresso, no moralismo da verdade e do erro, do certo e do errado, nos elogios ou acusações mais ou menos evidentes e equivocados quanto aos governantes e outros poderosos de plantão… Quanto ao questionamento das contradições do moderno e da modernização da sociedade brasileira, a única resposta que ambos esbravejam (junto com os militares) é: “desenvolvendo”, com mais ou menos caridade para com os pobres, é que tudo vai bem! Para muitos do terceiro grupo, todavia, afirmar que o “Brasil já ganhou a Copa fora do campo” é o mesmo que dizer, com o Pelé: “O povo precisa entender que os eventos são muito importantes para o nosso País. Não quero que haja manifestação”! Afinal, em primeiro lugar, por que defender politicamente a copa, Emir Sader? Importante para o “nosso País”? Em segundo lugar, é para evitar complicações e conflitos que “os novos personagens” devem sair de cena?

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  6. O texto do Emir Sader é ridiculo. O primeiro eliminado foi o povo, que perdeu o direito à cidade; teve a liberdade de manifestação restringida. O teto do Sader mostra algo bastante lamentável:o discurso vitorioso da Copa só é possível “esquecendo” as atrocidades realizadas para a sua realização.

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    • Sérgio Luiz de Souza // 28/06/2014 às 19:33 // Responder

      Ridícula é a visão enviesada de sujeitos que insistem na perspectiva rancorosa reacionária do derrotismo. Uma visão tão tacanha que somente enxerga miséria e perda onde existem muitos avanços a realizar, porém em uma realidade social e em um evento maravilhoso, em todos os aspectos, para o povo brasileiro! Vai conversar com o movimento sem teto e com a FGV, vai conversar com as populações que agora vão usar o BRT, mas abra seus ouvidos para as coisas boas ou ficará neste contexto de amargura e raiva cidadão.

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      • Vá conversar você com o MST promovendo manifestações toda semana em São Paulo. Vá conversar você com os milhares de desabrigados em todas as cidade-sede. Com as familias das vitimas fatais das obras (as que estão em curso, ainda, depois do inicio da copa, e as que foram feitas na coxa e ruiram, como o viaduto em BH). Vá conversar vc com os pais e amigos dos presos políticos detidos, que permanecem em presídios pelo país, para tem suas vozes de denuncia contra o que acreditam ser uma copa injusta e desumana caladas. OU venha conversar comigo, que levei porrada da policia por estar na rua pedindo o mesmo engajamento dos gritos de gol do governo e da população nos gritos por melhorias nos serviços publicos e nos seus direitos basicos.

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  7. Paulo schwarzkopf // 24/06/2014 às 5:06 // Responder

    Brincadeira esse Emir Sader! Não pode ser sério. Um cara inteligente não comete burrices, somente estupidez. É uma tendência natural, vendido.

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  8. Emir Sader está se transformando no Rodrigo Constantino do Petismo!
    Ou seria o Reinado Azevedo do Lulo-Dilmismo?

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