violência

Oniropolítica: alegorias da violência no Brasil contemporâneo

07/10/2019 // 2 comentários

Christian Dunker / Mais do que a regressão da biopolítica para a necropolítica e do círculo fechado e inversivo entre soberania e violência, o que “Bacurau”, lido junto com a peça “Casa Submersa”, propõe é uma oniropolítica: a restauração de nossa capacidade de sonhar, de olhar para o lado e de coabitar várias temporalidades contraditórias. [...]

Você não poderá dizer que não sabia

26/10/2018 // 8 comentários

Por Rodrigo Nunes / "Costuma-se dizer que, dois anos depois de sua eleição, era praticamente impossível encontrar quem houvesse votado em Collor; no mundo das redes sociais, em que nossas opiniões estão registradas para sempre diante de todos, é mais difícil desaparecer. Por tudo que sabemos, os riscos de arrependimento nesta eleição são potencialmente bem maiores que em 1989. Espero sinceramente que, ganhe quem ganhar, nada de ruim aconteça a você ou a seus entes queridos. Mas se acontecer, é bom estar preparado para viver com as consequências de sua escolha; você não poderá olhar a si mesmo no espelho e dizer que não sabia." [...]

Deformações perspectivas entre Índia e Brasil

06/06/2018 // 3 comentários

Por Christian Dunker / "Brasil e Índia têm pouco em comum do ponto de vista da suas formações históricas e culturais. Não temos castas, não fomos colonizados por ingleses, não temos um passado ancestral de invasões muçulmanas e mongóis, nem nos formamos em uma cultura da sabedoria politeísta com 33 milhões de divindades. Mas há uma espécie importante de homologia que podemos propor para esses dois países: lá e cá notamos a ausência seletiva do Estado, a tolerância seletiva do assassinato de minorias e da corrupção, compreendida como forma de gestão política." [...]

Lênin: Em memória da Comuna

07/09/2017 // 1 comentário

A Boitempo acaba de anunciar o lançamento do Arsenal Lênin, ambiciosa nova coleção editorial dedicada a publicar as obras de Vladímir Ilitch Uliánov em edições cuidadosas, acrescidas de [...]

Somos todos vândalos?

10/09/2014 // 1 comentário

Christian Dunker / "A operação de Žižek no livro 'Violência' não é pela pacificação nem pela “violentização” da sociedade, mas pela desativação da retórica da violência, e pelo seu uso mais advertido na análise de eventos sociais." [...]

Os vivos e os mortos

18/02/2014 // 1 comentário

Vladimir Safatle / "A melhor maneira de lutar contra a violência é com a escuta. Escutar significa, por exemplo, parar de usar a morte infeliz de alguém para tentar criminalizar a revolta da sociedade brasileira." [...]

Žižek: O que é um autêntico evento político?

17/02/2014 // 12 comentários

Slavoj Žižek / "Um evento se situa no interior de um campo narrativo. Nossa experiência histórica é formada como uma narrativa, isto é, sempre situamos ocorrências reais no interior de uma narrativa que as torna parte de um enredo que faça sentido. Surgem problemas quando uma reviravolta inesperada e abaladora nos acontecimentos – o estouro de uma guerra, uma profunda crise econômica – não pode mais ser incluída numa narrativa consistente. Nessa situação, tudo depende da forma pela qual essa reviravolta catastrófica será simbolizada, de que interpretação ideológica ou estória irá se impor e determinar a percepção geral da crise. Quando o decorrer normal das coisas é traumaticamente interrompido, o campo se abre para disputa ideológica – por exemplo, na Alemanha do final da década de 20, Hitler venceu a disputa pela narrativa que iria explicar aos alemães as razoes pela crise da república de Weimar e a forma de sair dela (sua trama era a trama dos judeus). E o mesmo vai para a situação atual: que narrativa irá prevalecer?" [...]