Guia de leitura | O inimigo do apocalipse | ADC#68

O inimigo do apocalipse: uma leitura das “Teses sobre a era atômica”, de Günther Anders
Felipe Catalani

Guia de leitura / Armas da crítica #68

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Quem é
Felipe Catalani?

Felipe Catalani é pesquisador, professor e tradutor. Doutor em filosofia pela USP, traduziu obras de Theodor Adorno e Günther Anders no Brasil. É autor do livro Cada um por si e o Brasil contra todos: ensaios e intervenções (2025, e-galáxia) e co-organizador de Marx a contrapelo: contribuições para uma releitura da crítica da economia política (Elefante, 2026). Atualmente é pesquisador de pós-doutorado na Unifesp.

Günther Anders ainda tem muito a nos dizer

Ainda pouco conhecida no Brasil, a obra de Günther Anders é examinada neste livro com uma precisão conceitual que não deixa de lado a poesia de sua prosa e a experiência radical que a constitui.

O arco argumentativo desenhado pelas três partes do livro merece destaque. Primeiro são analisadas as “Teses para a Era Atômica”, escritas em 1959. Nelas, oposição que remonta a Rousseau entre a evolução da técnica e a evolução moral da humanidade é reposta como oposição entre as forças produtivo-destrutivas do capitalismo e a força de imaginação que esse sistema gradativamente atrofia. Disso decorre a “discrepância prometeica”, que impede que as pessoas percebam – e inventem uma solução para – o tamanho da ameaça existencial na qual a proliferação nuclear as colocou.

O par de estudos que compõe a segunda parte desenvolve o tema da discrepância a partir de um retrospecto detalhado do ambiente intelectual alemão entre o fim do século XIX e o início do XX.

Por fim, as entrevistas traduzidas e comentadas na terceira parte do livro revelam que o desespero de Anders pela catástrofe nuclear nada tinha de paralisante.

Não por acaso, O inimigo do apocalipse vem à luz num momento histórico que torna essas ideias cruciais.

Jorge Grespan

Professor titular do Departamento de História da USP, autor de Marx: uma introdução e Marx e a crítica do modo de representação capitalista.

“Um livro realmente à altura do tempo. Perto dele, boa parte do que se publica empalidece.”

ROBERTO SCHWARZ

Entrevistado da Margem Esquerda #40

Mais que comentário, uma discussão

A pressa e a improvisação, unidas a um impulso didático, deram a Anders uma impressionante capacidade de síntese. Não seria exagerado dizer que nas “Teses para a Era Atômica” estão condensados temas e problemas que organizam boa parte de sua obra, abrangendo questões de ordem filosófica, histórica, política, moral, psicológica e de antropologia filosófica

O fato de essas teses terem sido rabiscadas às pressas para um grupo de estudantes, em vez de escritas, reescritas e revisadas ao longo de décadas a fim de constituir um magnum opus, não as torna menos rigorosas.

Gostaria de tomar como modelo para este trabalho o comentário às teses “Sobre o conceito de história” feito por Michael Löwy, em seu livro Walter Benjamin: aviso de incêndio. É claro que, comparativamente, Benjamin exige um trabalho muito mais duro, pois suas teses são compostas em uma linguagem altamente metafórica, alusiva, cifrada. As teses de Anders, pelo contrário, são bastante claras e diretas, e praticamente não exigem um “deciframento” propriamente dito. Exigem discussão.

[O INIMIGO DO APOCALIPSE, p. 16]

Estamos no
“tempo do fim”

No pós-guerra, o termo “Era Atômica” já encharcava jornais, livros e revistas, de modo que a ideia de que a humanidade efetivamente havia entrado em uma nova era, isto é, de que se tratava de uma ruptura temporal de grande escala, era amplamente partilhada.

No debate contemporâneo sobre o Antropoceno, uma das datas possíveis apresentadas por cientistas do clima para o momento em que um agente biológico se transforma em força geofísica é, justamente, o início dos testes nucleares em 16 de julho de 1945. A lista dos efeitos dos testes nucleares é longa e chega ao ponto da morte direta, como foi o caso do pescador japonês Kuboyama Aikichi, morto em 1954, considerado a primeira vítima de uma bomba de hidrogênio. Günther Anders data o início da nova era poucas semanas após o primeiro teste, que já visava sua aplicação: “6 de agosto de 1945, o dia de Hiroshima“.

Enquanto resultado do desenvolvimento das forças destrutivas, a bomba atômica torna possível a destruição do mundo humano como resultado da ação humana, e não como uma catástrofe que lhe seja externa, resultado de um poder que lhe é estranho (vinculada a poderes divinos ou naturais). Esse poder humano máximo se torna, ao mesmo tempo, uma impotência máxima.

[O INIMIGO DO APOCALIPSE, p. 23-25]

“Uma vez que acreditamos na possibilidade do ‘fim dos tempos’, somos apocalípticos; mas uma vez que lutamos contra o apocalipse produzido por nós mesmos, somos – esse tipo nunca existiu antes – inimigos do apocalipse.”

GÜNTHER ANDERS

É preciso “imaginar
o mundo como não sendo

De maneira geral, a noção de imaginação está atrelada à de imagem – ela possui, portanto, um aspecto “positivo”, no sentido de produção de um conteúdo mental, sensivelmente preenchido. Entretanto, a noção andersiana de imaginação privilegia seu aspecto negativo. Tal aspecto se concretiza, por um lado, na intenção de “representação da catástrofe“, que por sua vez ganha o sentido de “imaginação do nada”, isto é, imaginação do não ser.

A imaginação do não ser se refere não ao não ser de um ente específico, mas do mundo
como tal
– isto é, de forma correspondente à aniquilação total que se é capaz de produzir materialmente, é preciso que sejamos capazes de imaginar o nada total.

[O INIMIGO DO APOCALIPSE, p. 61-62]

O potencial de catástrofe possui, para Anders, uma importante contraparte subjetiva, um efeito na “alma” por assim dizer que é, ele mesmo, catastrófico. A noção de “utopista invertido” – aquele incapaz de imaginar a destruição que pode produzir – vincula o conceito central de “discrepância prometeica” ao que Anders entende sob “utopia”.

Anders possui um conceito pouco utópico, quase técnico, de utopia: ele a desvincula tanto da noção de “ideal” quanto de qualquer filosofia da história, isto é, utopia não é a descrição de um estado de coisas reconciliado, futuro, mas é a condição para a existência histórica e “artificial” do ser humano.

Há algo de trivial no “utopista”, pois imaginar mais do que se consegue produzir seria basicamente algo da “condição humana”, e é nesse vão aberto entre imaginação e produção onde se constitui todo o âmbito da cultura. O problema está na passagem para os “utopistas invertidos”.

[O INIMIGO DO APOCALIPSE, p. 67, 69 e 71]

“Esse fato não é um entre outros; pelo contrário, ele define a situação moral do ser humano hoje: a fissura que divide o ser humano e a humanidade não é aquela entre espírito e carne, ou entre dever e inclinação, mas aquela entre o desempenho de nossa produção e o desempenho de nossa imaginação: a ‘discrepância prometeica‘.”

GÜNTHER ANDERS

Uma filosofia das discrepâncias

Na introdução ao primeiro volume de seu livro A obsolescência do homem, Anders define a “discrepância prometeica” como o “fato da crescente
assincronia do homem com seu mundo dos produtos”,
como “o fato da distância que a cada dia se torna mais larga“. A análise de discrepâncias e assincronias passa a constituir o cerne do método de Anders, a ponto de ele se referir à própria obra como uma Diskrepanzphilosophie.

Retornando para a Europa após o exílio, Anders reflete em seu diário sobre a defasagem entre percepção e imaginação (igualmente um correlato da “discrepância prometeica”), a fim de analisar a ausência de memória sobre a guerra: “Eles de fato perceberam, com seus próprios olhos, a preparação sistemática da guerra nas fábricas, nas associações e nos desfiles; mas eles não entenderam o que foi percebido. Isto é […] – já que entender é também um desempenho moral –, eles não possuíam a coragem de angariar a fantasia para imaginar a consequência daquilo que percebiam.”

A situação de apatia e inércia mental diante da catástrofe tecnológica e militar será vinculada por Adorno à teoria freudiana do choque e do trauma. A formulação adorniana não deixa de possuir uma analogia com o que Anders afirma, com outra psicologia, sobre o conceito de “supraliminar”: a ultrapassagem de certo limiar psicológico bloqueia não só a produção de experiência (igualmente vinculada à imaginação), mas o próprio mecanismo de inibição.

[O INIMIGO DO APOCALIPSE, p.73, 75-77]

A realidade é surreal

A questão da “imaginação realista” é um problema filosófico de vida inteira na obra de Anders e possui um aspecto ao mesmo tempo epistemológico, ético-político e estético. O que o autor elabora aqui sobre a bomba atômica já estava de algum modo presente em textos seus dos anos 1930, notadamente em um pequeno texto de juventude intitulado “O que é o surrealismo?”. Esse texto inicia com uma epígrafe/constatação:Surrealismo = a realidade”.

“O surrealismo revela a desordem do mundo.” Uma revelação que tem o espanto como seu meio: “A intenção da imagem, em geral, é fazer com que o espectador se
aproxime dela e se identifique com ela. A intenção da imagem surrealista é fazer com que o espectador se afaste, se assuste e se choque. Com o que ele se assusta: com o caráter fantástico da verdade.”

Se a “normalidade” do mundo foi suspensa, as normas da arte (e da representação em geral) perdem sua validade. A verdade exige uma transformação da própria forma de apresentação, de tal modo que, quando se fala da verdade de uma obra de arte, não estamos falando simplesmente da verdade como um conteúdo, mas sim de uma verdade da própria forma. Sobre George Grosz, por exemplo, Anders escreve que “ele não era, portanto, somente um realista agressivo; antes, ele era realista porque era agressivo”.

[O INIMIGO DO APOCALIPSE, p. 87-88 e 90]

Origens da discrepância prometeica

Tentemos retraçar, a partir do impacto da Primeira Guerra Mundial no pensamento alemão e em suas formulações sobre a técnica, as origens do que Anders chamou de “discrepância prometeica”.

Ao descrever o aparato militar europeu herdado pela Grande Guerra, Walter Benjamin escreve por exemplo que “o aspecto problemático dessas exposições é que a fantasia humana se recusa a acompanhá-las, e justamente a monstruosidade
do destino ameaçador se torna um pretexto para a inércia mental”. O diagnóstico de tal “inércia mental”, resultado de um defeito de imaginação provocado pela própria realidade tornada “monstruosa” (inimaginável), antecipa o que se torna tema central da obra andersiana.

Como apontado nas “Teses para a Era Atômica”, de 1959, a humanidade torna-se “antiquada” diante daquilo que ela mesma produziu em uma espécie de “desenvolvimento desigual e combinado” às avessas.

A obra de Anders não deixa de ser uma descrição por extenso das consequências dessa “discrepância” ou “desnível”.

[O INIMIGO DO APOCALIPSE, p.163-164]

Mate o que está te matando

Quando em 26 de abril de 1986 um dos reatores da usina nuclear de Chernobyl explodiu, colocando a Europa sob a ameaça de uma nuvem radioativa, uma série de acontecimentos já havia esquentado o clima político alemão em torno dos assuntos nucleares.

Embora esse contexto com frequência seja ignorado quando se julgam as posições de Anders em defesa da violência (como “contraviolência”), é preciso ter um olho nos eventos da década de 1980 para ler os dois textos traduzidos por Felipe Catalani, publicados em O inimigo do apocalipse.

Para não deixar dúvidas, o que está em debate é a legitimidade do ato de matar os que detêm o poder de ameaçar a humanidade. O célebre lema libertário “Macht kaputt was euch kaputt macht”, popularizado pela banda Ton Steine Scherben no meio das ocupações urbanas na Alemanha, é complementado por Anders (cuja idade já ultrapassava os oitenta anos): Quebrem aqueles que estão dispostos a quebrar vocês.

As considerações de Anders sobre a violência também deixam claro que sua concepção apocalíptica do mundo aponta para aspectos irreversíveis da história sem se tornar, no entanto, “fatalista”, no sentido de postular uma necessidade férrea do curso das coisas, ante a qual toda ação humana é anulada – por mais que grande parte de sua obra seja dedicada a descrever a situação na qual os sujeitos são reduzidos a uma impotência assustadora.

A ação (que, por ser ruptura com o nexo funcional e causal, já porta em si um elemento de violência) ocorre não tanto devido a uma grande fé do sujeito em si mesmo, mas por constatar que não existe uma instância superior que poderia substituir sua própria ação – daí que o “desespero” faça o sujeito agir em vez de paralisar.

Para Anders, a esperança é válida para a situação que independe da minha ação: eu posso esperar que amanhã faça bom tempo, mas isso não torna o tempo nem pior nem melhor. “Mas na situação em que vale somente o agir próprio, ‘esperança’ é somente a palavra para renúncia à própria ação.

O “antifatalismo” prático de Anders (combinado com seu “fatalismo” teórico) significa o reconhecimento de que o enorme automatismo social não é, de fato, automático. A alienação é resultado histórico, não destino.

[O INIMIGO DO APOCALIPSE, p.215-216, 225-227]

“Embora eu seja classificado como ‘filósofo’, me interesso pouco por filosofia. Meu interesse é pelo mundo. Assim como o interesse do astrônomo não é pela astronomia, mas pelas estrelas.”

GÜNTHER ANDERS

Leituras complementares

Baixe os conteúdos complementares do mês em PDF!

Este mês trazemos um capítulo de Extinção em que Paulo Arantes alude às linhas de continuidade entre a política contemporânea e a guerra; um ensaio da antologia O capitalismo como religião, de Walter Benjamin, comentado por Felipe Catalani no livro; além de um trecho de 17 contradições e o fim do capitalismo em que David Harvey aborda o problema da alienação a partir da obra de Marx.

Clique nos botões vermelhos abaixo para fazer o download!

Paulo Arantes

Diante da guerra


Walter Benjamin

As armas do futuro


David Harvey

A revolta da natureza humana

Vídeos

Este mês trazemos o lançamento antecipado do livro com Felipe Catalani, Jorge Grespan e Olgária Matos, além de uma conferência em que Paulo Arantes reflete sobre a ideia moderna de fronteira e discute suas implicações contemporâneas.

E tem mais! Compartilhamos abaixo os links para as aulas do curso “O inimigo do apocalipse: introdução a Günther Anders“, com Felipe Catalani. Confira as datas e o programa completo:

AULA 1 (14 de julho, terça-feira, 19h30): Utopistas invertidos: o conceito de alienação, de Marx a Anders

AULA 2 (15 de julho, quarta-feira, 19h30): Guerra e progresso: a inocência perdida das forças produtivas

AULA 3 (16 de julho, quinta-feira, 19h30): A política dos apocalípticos: esperança, medo e angústia


Para aprofundar…

Compilação de textos, podcasts e vídeos que dialogam com a obra do mês.

O novo tempo do mundo: e outros estudos sobre a era da emergência, de Paulo Arantes

Extinção, de Paulo Arantes

Trabalho intelectual e manual, de Alfred Sohn-Rethel

O capitalismo como religião, de Walter Benjamin

Walter Benjamin: aviso de emergência, de Michael Löwy

O capital: crítica da economia política, de Karl Marx

Grundrisse, de Karl Marx

Manuscritos econômico-filosóficos, de Karl Marx

Anti-Dühring, de Friedrich Engels

Vivendo no fim dos tempos, de Slavoj Žižek

Tempo, trabalho e dominação social, de Moishe Postone

A tentação ecofascista, de Pierre Madelin

Margem esquerda #39 | Guerra

Margem esquerda #40 | Matéria Brasileira, com texto de Felipe Catalani

Ontocast: Günther Anders e a filosofia do tempo do fim, com Felipe Catalani, nov. 2023.

Futuros Imaginários: Imaginação apocalíptica, com Bruna Della Torre, mai. 2026.

Introdução à obra de Franz Kafka: Kafka: pró e contra, de Günther Anders, com Tomaz Amorim, mai. 2020.

Acid Horizon: A obsolescência humana: IA, armas nucleares e a filosofia de Günther Anders [em inglês], com Christopher John Müller, mar. 2026.

Rádio Boitempo: Léxico Marx #2: O que é alienação?, com Ricardo Antunes, jul. 2022.

Rádio Boitempo: Megafone #10: COLONIALISMO DIGITAL, com Walter Lippold, set. 2023.

Ontocast: Guerra e gestão da barbárie, com Marildo Menegat, jul. 2024.

Ontocast: Capitalismo digital e tecno-apocalipse, com Bruna Della Torre, nov. 2024.

Para ouvir enquanto lê | Keine Macht für Niemand (1972), segundo álbum da banda alemã Ton Steine Scherben.

Da ameaça atômica à educação antiapocalíptica em Günther Anders. Reflexões sobre a nova era nuclear, com Felipe Catalani, Instituto Humanitas Unisinos – IHU.

O novo tempo do mundo, com Paulo Arantes, Jorge Grespan e Silvia Viana, TV Boitempo.

Apocalipse e política: introduzindo Günther Anders, com Felipe Catalani, Conversações Filosóficas.

O inimigo do apocalipse: a atualidade de Günther Anders, com Felipe Catalani, Marildo Menegat e Douglas Barros, Centro de Formação.

Crise e esgotamento, com Paulo Arantes,TV Boitempo.

Visões de um país esgotado, com Tiago Ferro, Paulo Arantes e Nathalia Colli, TV Boitempo.

Playlist: 1° Seminário DE-BRücke – Filosofia Marxista, TV Boitempo.

Para se inspirar | “É preciso confiar em seus companheiros“: trecho de À procura de Eric (2009), de Ken Loach, em que o jogador fala sobre seu momento favorito da carreira.

O discurso filosófico da Era Atômica“, por Paulo Arantes, Sentimento da Dialética, 2025.

Günther Anders, o inimigo do apocalipse“, por Jorge Grespan, Blog da Boitempo, mai. 2026.

Lukács-Anders: uma correspondência“, cartas traduzidas por Carolina Peters e Murilo Leite, Verinotio, mar. 2022.

A imaginação apocalíptica“, por Bruna Della Torre, Blog da Boitempo, jul. 2025.

A decisão fascista e o mito da regressão: o Brasil à luz do mundo e vice-versa“, por Felipe Catalani, Blog da Boitempo, jul. 2019.

Tecno-Apocalipse: teses para a Era das Redes Sociais“, por Bruna Della Torre, Blog da Boitempo, ago. 2024.

Aspectos ideológicos do bolsonarismo“, por Felipe Catalani, Blog da Boitempo, out. 2018.

Paulo Arantes e o fim do mundo segundo Radu Jude“, por Alysson Oliveira, Blog da Boitempo, abr. 2026.

Teoria Crítica no ‘Fim de partida’“, por Bruna Della Torre, Blog da Boitempo, jun. 2026.

A edição de conteúdo deste guia é de Carolina Peters e as artes são de Victoria Lobo e Mateus Rodrigues.