A novilíngua do colapso: linguagem da guerra, identidade e produção de corpos

Alemães aclamam Adolf Hitler no momento em que ele sai do Hotel Kaiserhof, logo após haver prestado juramento como chanceler. Berlim, Alemanha, janeiro 30, 1933. Fonte: Enciclopédia do Holocausto.

Por Thiago Canettieri1

A linguagem não é apenas um meio de comunicação organizado por signos. A linguagem também é uma forma de produzir corpos e identidades. Assim, toda linguagem cria corpos à sua imagem e semelhança. Estando a serviço do poder, a língua nunca é neutra, mas é instância que determina o regime de visibilidade por força da operação de nomeação, que acaba por moldar a vida em sua integralidade. Controlar essa gramática é, portanto, um dos objetivos do poder.

Em livro já clássico, LTI: A linguagem do Terceiro Reich, o filólogo e linguista alemão Victor Klemperer2 acompanha, documenta e analisa a transformação da linguagem empreendida pelo Nacional-Socialismo. A linguagem Nazi operou não apenas como veículo de propaganda do partido. Antes, diz Klemperer, a Lingua Tertii Imperii tornou-se uma ferramenta de engenharia psicológica que alterou profundamente a constituição emocional e espiritual dos sujeitos. Essa nova linguagem nazista era uma língua manipulada, adulterada, pobre e vazia de conteúdo, como o regime a impunha. A partir da repetição massiva e monótona de termos corrompidos, da aplicação de jargões técnicos e mecanicistas a seres humanos e do uso abusivo de superlativos, a LTI, de fato, produziu um novo corpo social.

“O nazismo se embrenhou na carne e no sangue das massas por meio de palavras, expressões e frases impostas pela repetição, milhares de vezes, e aceitas inconscientemente e mecanicamente” — escreve Klemperer. Primeiramente, derivada da linguagem do exército, em sua pobreza estrutural, que reduz tudo a comandos, a nova língua nazista passou por diversas modificações. Siglas e abreviações tornaram-se regras. Palavras muito consolidadas no idioma alemão foram paulatinamente substituídas por neologismos, como o adjetivo “kämpferish”, que passou a designar heroísmo e a carregar os sentidos de combativo, agressivo e beligerante. Verbos de ação que carregam um sentido mecânico e de preparação eram adotados em detrimento de outros verbos. Palavras que carregavam sentido pejorativo foram viradas do avesso, como os termos fanatisch [fanático] ou Fanatismus [fanatismo], que passaram a ser recorrentemente adotados nos discursos oficiais [fanatischen Glauben an dem Endsieg – fé fanática na vitória final] e muito reconhecidos e valorizados. Com o tempo, o Terceiro Reich passou a se expressar “de modo terrivelmente uniforme”, como a completa uniformização [Gleichschaltung] da sociedade alemã.

O objetivo central dessa nova linguagem era aniquilar o pensamento crítico e despojar as pessoas de sua individualidade, transformando os cidadãos em sujeitos subordinados ao fanatismo cego e unidos pela fabricação discursiva de um inimigo absoluto, o judeu. O regime de poder totalitário se consolida, primeiro, pela apropriação da gramática cotidiana. E, por meio da linguagem, produz-se um novo corpo.

O corpo sempre demonstrou plasticidade em relação à cultura. Nesse sentido, não há um corpo a priori da linguagem, mas, antes, é produzido ativamente pela linguagem. É a língua que cria as condições de possibilidade para determinadas afetações e não para outras. É nossa gramática que institui um regime de visibilidade, estabelecendo o que é visto e o que não o é. É a linguagem que, no limite, nos constitui como sujeitos sociais.

O livro 1984, de Orwell3, é, nesse sentido, incontornável. Em sua distopia autoritária, Orwell demonstra que a primeira ação do poder é controlar a linguagem. “Se você controla o significado das palavras, você controla como as pessoas pensam”4. Por isso, o regime imaginado por Orwell criou uma novilíngua, isto é, uma nova linguagem para um novo poder, capaz de criar um novo corpo. Esse é, pois, o objetivo do poder: transformar um corpo em sua submissão.

Em O circuito dos afetos, Vladimir Safatle5 destaca uma espécie de continuidade entre o corpo social e o corpo subjetivo, produzida pela natureza disciplinar do poder. Aqui, entretanto, engana-se quem pensa que a disciplina é exercida apenas pelos dispositivos tradicionais: escola, fábrica, estado. O ponto de Safatle é que o disciplinamento é construído narrativamente. Por isso, deve-se ver toda a profusão do individualismo e da flexibilização propostos pelo neoliberalismo como mais uma estrutura disciplinar do capitalismo, capaz, como estou tentando argumentar, de produzir corpos.

Aqui, quero argumentar que essa nova linguagem é produzida num ponto determinado da história, em que o colapso das formas sociais do capital começa a ganhar espaço. Para o capital se colocar sobre os dois pés enquanto modo hegemônico de organização do metabolismo entre a humanidade e a natureza, foi preciso um longo processo de despossessão e, a partir dele, constituir formas sociais pelas quais se reificam as relações, ordenadas pelo imperativo da acumulação. Desta maneira, podemos compreender a crítica da economia política de Marx como uma crítica imanente às formas sociais. Marx6 sabidamente reconhece a existência de uma “língua das mercadorias” por onde essas formas sociais se constituem.

Marx também percebeu que essas mesmas formas sociais, contraditórias em seu núcleo mais fundamental, não podem existir sem produzir sua própria ruína. No desenvolvimento mesmo dessas formas sociais, as contradições se manifestam e as erodem. As formas sociais colapsam.

Contudo, “chegar ao fim não significa terminar por completo”7. Como notou Gabriel Teles8, o colapso pode ser descrito como a “forma histórica, na qual funcionamento e decomposição deixam de aparecer como processos claramente separáveis”.Em suma, o conceito de colapso designa o estado em que a crise se converte na própria estrutura da reprodução social, deixando de ser um evento fortuito ou passageiro. O sistema perpetua seu funcionamento justamente por meio de sua dinâmica colapsada. É essa constante decomposição operacional que engendra inéditas gramáticas de subjetivação, forja novas figuras do inimigo e dissemina modalidades renovadas de insensibilidade em relação ao outro.

Chama a atenção o fato de que a novilíngua do colapso é, antes de tudo, uma linguagem da guerra. Trata-se, antes, de uma subjetivação da lógica da eliminação.

É impossível não ter em mente as recentes declarações genocidárias9 do Estado de Israel ou de Trump em relação ao Irã. Ainda que sejam discursos extremos em relação à normalidade, de maneira nenhuma são estranhos a esse tempo — afinal, trata-se de uma era de extremos.

Valeria lembrar, de partida, que a própria linguagem neoliberal10, que elevou o ideal empresarial de si a modelo de subjetivação hegemônico, pressupõe, para seu funcionamento, uma lógica concorrencial que não é outra coisa senão uma guerra de todos contra todos. O filme O Corte, de Costa-Gravas, é um atestado dessa dimensão: um engenheiro desempregado elimina (literalmente) a concorrência para recuperar sua posição. Agnes de Oliveira11 identifica, no atual momento de decomposição avançada do capitalismo, a disseminação de um masculinismo de crise, que ajuda a explicar como a dinâmica sacrificial e seu regime libidinal pressuposto implicam na explosão da violência. Especialmente, a violência contra a mulher, escreve Roswitha Scholz12, está ancorada na crise do patriarcado produtor de mercadoria — a autora lembra que a crise do patriarcado produtor de mercadoria não implica o seu derradeiro fim. Até mesmo o crescimento da religião evangélica e sua afinidade eletiva com a extrema direita têm raízes profundas na percepção de uma linguagem de guerra, como bem demonstrou André Castro13.

Como lembra Vladimir Safatle14, “as dinâmicas fascistas farão da guerra o paradigma de toda relação”. Dessa forma, a metafísica militar15 se torna o padrão e oferece as balizas para a socialização cotidiana.

Em todas essas ocasiões de mobilização da linguagem da guerra, da violência e da eliminação, o que está em jogo não é a destrutividade, mas, segundo Safatle16, a preservação. Para ele, a violência fascista — ainda que envolva destruição, como bem sabemos — é, antes, motivada pela preservação. Busca-se preservar a identidade reproduzindo uma personalidade narcísica que, num contexto apocalíptico, seja pela destruição do mundo do trabalho (que desestrutura os lastros da reprodução social da economia mercantil, a mediação social, o reconhecimento intersubjetivo e até a formação da identidade) ou pela destruição do mundo (diante das mudanças climáticas), “é vivido no âmbito psíquico e moral de modo sobrevivencialista”, como lembrou Felipe Catalani17.

Um dos primeiros a dar relevo ao aspecto do narcisismo sobrevivencialista foi Christopher Lasch18, olhando especialmente para o contexto da sombra atômica e a tensão que pairava no ar na Guerra Fria. As pessoas passaram a se sentir impotentes diante da burocratização generalizada, da destruição dos empregos, atemorizadas pela exaustão dos recursos naturais e pelo risco iminente de uma hecatombe nuclear. Com isso, Lasch percebe que as pessoas se ensimesmaram: retiram-se do mundo social e se preocupam quase exclusivamente com o próprio bem-estar. Esse recuo emocional fez a patologia narcísica se generalizar: superficialidade emocional, hipocondria, pseudo-autopercepção, repúdio ao futuro de longa duração – tem a ver com uma incapacidade narcísica de se identificar com a posteridade, já que tudo o que importa é uma ética da autopreservação e da sobrevivência. Como ele próprio descreve, tratava-se de pensar “a vida americana numa era de expectativas decrescentes”, em que “as pessoas deixam de sonhar com a superação de dificuldades e simplesmente passam a sobreviver a elas”.

A dinâmica sobrevivencialista baseia-se, ao mesmo tempo, na eliminação do outro e de si próprio, instaurando um regime duplo: genocidário e suicidário19. Essa dualidade é expressa de modo direto na violência amoke do capitalismo de fim de linha20: matar os outros e cometer suicídio como forma de preservar a identidade falsa com o mundo já em frangalhos. É curioso perceber como nos fóruns onde tal violência é estimulada ocorre a circulação de um tipo particular de linguagem baseada nesse duplo regime21. Contudo, para além da situação extrema, o conjunto das violências fascistas seguem o mesmo destino

Não é de se estranhar, portanto, o fenômeno de uma militarização das subjetividades, como também descreve Safatle, “o termo ‘militarização’ faz sentido por se tratar de uma estratégia de defesa que se expressa na forma do Eu como armadura defensiva, agressiva, que se serve de figuras militares, que vão de cruzados a guerreiros e heróis de história em quadrinhos para constituir dimensões psíquicas do Eu ideal”. Vale lembrar que essa militarização das subjetividades é antes produzida por um modo particular de circulação da linguagem, cujo objetivo é a reconfiguração da sensibilidade, ou melhor, a dessensibilização frente ao outro.

Hoje uma nova linguagem está em curso que constantemente requalifica o lugar do outro: há os homens alfa, e os homens beta; há os crentes salvos e os descrentes pagãos; há os empreendedores que se arriscam e os CLT’s acomodados; os soldados de Cristo e os macumbeiros; os cidadãos de bem e os arruaceiros, etc. Toda essa distinção ontológica do outro não é a outra coisa senão uma tentativa de desenhar uma linha que separa amigo de inimigo, o núcleo básico da política de Schmitt22.

O ponto decisivo é que essas classificações não apenas nomeiam diferenças já existentes. Elas produzem posições de desclassificação social. Ao chamar alguém de herege, selvagem, bruxa, degenerado, comunista, terrorista, vagabundo, inimigo da família ou inimigo de Deus, uma ordem social redefine o que pode ser feito com esse corpo. A linguagem prepara a violência ao deslocar o outro do campo da convivência para o campo da ameaça — e, portanto, o torna alvo de “ataques preventivos” no jargão militar. A novidade contemporânea está na velocidade e na capilaridade digital, que permitem combinações complexas entre moral religiosa, empreendedorismo neoliberal, masculinismo de crise e imaginário militarizado.

Entretanto, tal operação que frequentemente superdimensiona as diferenças exatamente para esconder aquilo que inevitavelmente as aproxima, numa espécie de narcisismo das pequenas diferenças23 (afinal, todos estão engolfados na mesma experiência do colapso) que busca preservar o Eu ideal e sua identidade com o mundo falso intocados. Por isso, a imagem do muro que separa parece ser tão importante para o fascismo contemporâneo – há toda uma tentativa da linguagem de separar os grupos sociais e se preparar para uma guerra. Contudo, também vale notar que essa mesma operação discursiva, baseada na linguagem do confronto, é frequentemente mobilizada pela chamada esquerda, que às vezes parece mais preocupada em alimentar o próprio narcisismo do que, de fato, em construir alternativas a ele. A experiência recente das eleições presidenciais de 2026 e a formação do Exército do Lula, com as “missões diárias” passadas pelo comandante Janones, entre outros, é mais um desses exemplos. Essa espécie de estrutura de sentimento que atravessa o espectro político é um dos sinais de que este colapso sem fim está avançando.

Trata-se de uma dinâmica de estetização da guerra que sustenta a dessensibilização, tão importante para a subjetividade militar. De um lado, os produtos da indústria cultural espetacularizam; de outro, a preparação para a guerra social cotidiana24, que envolve a concorrência pelo trabalho, a batalha para ganhar dinheiro e para se livrar do mal25. Tudo isso empacotado em uma linguagem que não faz outra coisa senão sustentar a divisão e o embate. Como discuti recentemente26, o papel que a lógica das redes sociais desempenha nisso é certamente decisivo.

Vladimir Safatle se pergunta: “O que há de autoritário na linguagem que constitui nosso tecido social hegemônico?” Nossas sociedades capitalistas estruturam-se para impor um regime hegemônico de linguagem. Para que nosso corpo social seja marcado pelo fascismo, é fundamental que essas condições estejam presentes nas estruturas hegemônicas da linguagem. E é dessa maneira que tende a se generalizar o “paradigma da guerra como forma paradoxal de estabilização social”27.

A experiência do colapso, articulada por essa novilíngua, certamente tenderá a reforçar as tendências fascistizantes já em curso. Afinal, essa imanência da crise sempre esteve inscrita no próprio cerne da socialização moderna. Corpos e identidades continuarão a ser produzidos por essa linguagem do colapso. A não ser que outra linguagem seja construída.


*** Thiago Canettieri é professor do departamento de urbanismo da Escola de Arquitetura da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).


Notas:

  1. Apresentei este texto em um grupo que se reune quinzenalmente às quartas-feiras, onde tive uma recepção muito interessante e permitiu aprofundar e rever várias formulações. Correndo o risco de me esquecer de alguém, agradeço nominalmente à Fabio Luis Barbosa dos Santos, Débora Cristina Goulart, Nayive Villamil, Bruno Carvalho, Daniel Cunha, Thais Pavez. Além deste grupo, Gabriel Teles leu e comentou em detalhes o texto, dando-lhe mais detalhamento. Eventuais falhas e imprecisões são de minha inteira responsabilidade. ↩︎
  2. Victor Klemperer, LTI: A linguagem do Terceiro Reich (Contraponto, 2009). ↩︎
  3. George Orwell, 1984 (Companhia das Letras, 2009 [1949]). ↩︎
  4. James McAdams, Far-right newspeak and the fragility of liberal democracy. in: James McAdams & Samuel Piccolo (Eds.). Far-right newspeak (Routledge, 2024). ↩︎
  5. Vladimir Safatle, O circuito dos afetos: corpos políticos, desamparo e o fim do indivíduo (Cosac Naif, 2015). ↩︎
  6. Karl Marx, O capital: crítica da economia política, livro I (Boitempo, 2013). ↩︎
  7. Thiago Canettieri, A condição periférica (Consequência, 2020, p.123). ↩︎
  8. Gabriel Teles, O capitalismo não vai colapsar porque já aprendeu a administrar o colapso (Blog da Boitempo, 09 de outubro de 2026). ↩︎
  9. Vladimir Safatle, A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos globais (Ubu, 2026). ↩︎
  10. Vladimir Safatle; Nelson da Silva Júnior; Christian Dunker, Neoliberalismo como gestão do sofrimento psíquico (Autêntica, 2021). ↩︎
  11. Agnes de Oliveira, Diante das guerras: militarismo e masculinismo na esquerda (Quilombo invisível, 2025).
    ↩︎
  12. Roswitha Scholz, O sexo do capitalismo: teorias feministas e a metamorfose pós-moderna do patriarcado (Elefante, 2026). ↩︎
  13. André Castro, A luta que há nos deuses: da teologia da libertação à extrema direita evangélica (Machado, 2024). ↩︎
  14. Vladimir Safatle, A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos globais (Ubu, 2026), p.12. ↩︎
  15. Paulo Arantes, O mundo como alvo: uma genealogia da militarização contemporânea (Sentimento da Dialética, 2019). ↩︎
  16. Vladimir Safatle, A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos globais (Ubu, 2026). ↩︎
  17. Felipe Catalani, A decisão fascista e o mito da regressão: o Brasil à luz do mundo e vice-versa (Blog da boitempo, 23 de julho de 2019). ↩︎
  18. Christopher Lasch, O mínimo eu: sobrevivência psíquica em tempos difíceis (Brasiliense, 1986 [1970]); Christopher Lasch, A cultura do narcisismo: a vida americana em uma era de expectativas decrescentes (Fósforo, 2023 [1979]). ↩︎
  19. Essa formulação é derivada daquela apresentada por Vladimir Safatle, A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos globais (Ubu, 2026). ↩︎
  20. Anselm Jappe, A sociedade autofágica: capitalismo, desmesura e autodestruição (Elefante, 2021 [2017]). ↩︎
  21. Laís Helena Fernandes Tavares de Faria, A radicalização de comunidades online a partir de ideologias de ultradireita: a manosfera e a cultura incel (RICRI, 11(21), p.1-14, 2023). ↩︎
  22. Carl Schmitt, O conceito de político (Edições 70, 2016 [1932]). ↩︎
  23. Christian Dunker, Mal-estar, sofrimento e sintoma: Uma psicopatologia do Brasil entre muros (Boitempo, 2015) ↩︎
  24. Thiago Canettieri & Frederico Lyra de Carvalho, Framing the On-Going Social War:
    Peripheral Convergences in Brazilian and French Cinema (Vibrant, v. 24, 2026). ↩︎
  25. André Castro, Eis aí, o povo brasileiro (e-galáxia, 2026). ↩︎
  26. Thiago Canettieri, A nova esfera pública particular: entrincheiramento de posições na terra de ninguém das plataformas digitais (Blog da Boitempo, 18 de maio de 2026). ↩︎
  27. Vladimir Safatle, A ameaça interna: psicanálise dos novos fascismos globais (Ubu, 2026), p.41. ↩︎

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