A psicologia de massas do bolsonarismo e sua natureza de classe

Fonte: Agência Brasil

Por Thales Fonseca

1.

Ao chegarmos às vésperas das eleições de 2026 com as pesquisas de intenções de voto indicando um páreo duro (para dizer o mínimo) entre Lula e Flávio Bolsonaro, um fato já reconhecível aos olhos mais atentos se confirma: a despeito dos reveses sofrido por Jair, o bolsonarismo segue vivo e passa bem. Mas o que realmente intriga é o enigma quanto ao que dá sustentação a tal sobrevida política, mesmo diante da prisão do pai, dos escândalos de corrupção envolvendo o nome do filho, do programa antipopular e entreguista apregoado por toda a família.

2.

Vale a pena começar com uma rápida recapitulação histórica. É sabido que, passado o sangrento século XX, que efetivamente terminou em 1989 com o início do fim da Guerra Fria, mantiveram-se precariamente de pé, para o espanto geral, as ruínas. E para compreender a sua permanência tão peculiar ao século XXI, é preciso ter em mente a época em que nos encontramos, no qual o horizonte é o de uma espécie de manutenção constante dos estragos a que foi submetida a civilização em seus momentos de paixão destrutiva pelo real1. É o que, em linhas muito gerais e sintéticas, condiciona o chamado realismo capitalista2, no qual para o futuro não se vê alternativa, mas apenas medidas sustentáveis de prolongamento distópico de um presente infernal.

No caso brasileiro, Jair Bolsonaro ocupou um papel central. Como ficou bastante evidente durante o seu governo (2019-2022), o ex-presidente conhecia bem o valor da ruína3: essa espécie de conceito estético aberrante, desenvolvido pelos arquitetos nazistas, que previa que monumentos fossem projetados de modo a produzir forte poder de atração ao se desgastarem com o passar dos anos, isto é, ao se tornarem ruínas – veiculando, assim, numa espécie de inveja nostálgica e ressentida de Adolf Hitler pela civilização greco-romana, a suposta grandeza do Terceiro Reich. O governo do militar reformado não teria sido animado por esse tipo de estética da destruição que prevê que uma estrutura se mantenha de pé ao preço da degradação? Estado mínimo não é, afinal, a alcunha ideológica que os neoliberais deram para ruína? Uma estrutura que é desmontada, desintegrada, mas nunca efetivamente revolucionada? No caso brasileiro, como sabemos, tal arquitetura política teratológica envolveu manter o país em estado de morte lenta, evitando que suas fraturas desembocassem em convulsão social. Um país sobrevivendo por aparelhos, por assim dizer. Para o nosso azar, como manda o figurino althusseriano4, aparelhos de dois tipos: repressivos (forças armadas) e ideológicos (bolsonarismo).

Neste ponto, aliás, uma novidade na história recente, se lembrarmos que na ocasião do golpe de 1964, a intervenção das forças armadas, outorgando a si mesmas a função de classe dirigente, garantiu uma efetiva vitória política da direita, mas não encerrou, pelo menos nos primeiros anos, o campo da cultura, que se mantivera relativamente hegemonizado pela esquerda5. Se nos efeitos secundários, sobretudo a partir de fins de 1968, a ditadura fechou ainda mais o cerco contra toda e qualquer forma de revolta, o experimento brasileiro bolsonarista, com seus aparelhos bem concatenados, foi um considerável refinamento desse processo de contrarrevolução cultural. Isso porque o regime militar, dispondo da força, dispensou, num primeiro momento, a sustentação popular. Foi somente quando uma cultura crítica de esquerda, frutífera nos primeiros anos da ditadura, passou a alimentar a luta armada, que os militares atinaram que precisariam forjar uma ideologia nacional própria para se opor ao espírito de rebelião que se alastrava.

Ora, é justamente isso que parece ter se completado recentemente. Durante a ditadura, qualquer compromisso ideológico precisava ser muito bem dosado, pois poderia tornar-se um entrave a um governo associado ao imperialismo estadunidense, cuja tarefa era garantir desmobilização social e soluções técnicas6. Com Bolsonaro, porém, em que o que importava era mais do que nunca a manutenção da incivilidade, um pouco de cultura fascistizante ressentida contra o “marxismo cultural” supostamente reinante e em defesa dos bons costumes, pareceu cair muito bem. Por isso, eu gostaria de propor que no bolsonarismo foi a difusão de uma ideologia de tipo fascista que estava em questão, não mais como mero meio de sustentação do regime, como foi no rescaldo do AI-5, mas como um de seus objetivos primordiais.

O que parece explicar a inversão na ordem dos fatores, quando comparados o regime militar e o governo Bolsonaro. Naquele, houve primazia da força bruta em relação à guerra cultural. Neste, foi justamente a guerra cultural que levou os detentores da força bruta ao poder. Uma tal inversão não é insignificante. Sobretudo em um país como o nosso, no qual o conservadorismo historicamente apresentou uma maleabilidade única, na qual as oligarquias, de instintos pragmáticos, nunca se mostraram doutrinariamente inflexíveis7. A novidade da extrema-direita bolsonarista, portanto, é que, ainda que bem ambientada às negociatas e jogos de interesses escusos das oligarquias, ela se tornou “ideológica”, apesar de sua origem “fisiológica”. Lembremos que desde o pacto conciliatório que marcou a transição democrática no Brasil, havia uma baixa adesão social à implantação definitiva do neoliberalismo, para a qual a ditadura havia preparado o terreno. A façanha de Jair Bolsonaro (que o distingue de um Michel Temer, por exemplo) foi a de modificar esse quadro histórico, garantindo a cristalização da ordem neoliberal contando com o povo como um de seus principais fiadores.

Pois bem, esta estranha reprodução social via “Aparelhos do Estado Mínimo” se traduziu, no Brasil, num sistema que se retroalimenta de maneira azeitada, sobretudo porque o governo Lula III (2023-2026) deixou intocada as suas vigas-mestras. Em poucas palavras, os militares (aparelho repressivo) asseguram, enquanto um verdadeiro poder regulador com a sua capacidade de intimidação constante e, cada vez mais, contando com o apoio explícito e garantido do imperialismo estadunidense, a manutenção e reprodução de uma política econômica que produz, enfim, a insatisfação popular da qual o bolsonarismo (aparelho ideológico) se nutre. O que só se tornou possível porque Bolsonaro conseguiu transcender a natureza material de seu “físico de atleta” ao se oferecer como uma espécie de “significante vazio” por excelência, facilmente encarnável por seu filho. Daí a sua tendência de atuar no nível da pura forma8, que é justamente onde a ideologia opera. Um bom exemplo disso se mostrou na maneira como ele recusava a apresentar qualquer conteúdo programático positivo durante a campanha para a presidência de 2018: ele próprio assumia “não saber de nada”, ser uma espécie de tábula rasa a ser preenchida pela suposta qualidade técnica de seus futuros ministros, com destaque para Paulo Guedes, representante brasileiro por excelência da sociabilidade fetichista em sua faceta neoliberal. Assim, ele garantiu que o seu famigerado “tem que mudar isso daí” fosse sempre socialmente pertinente, mas nunca politicamente consequente, o que combina com a sua impressionante capacidade de mobilizar sem politizar. Para completar a catástrofe, não se tratava mais de fascismo clássico, nem de ditadura militar nos moldes tradicionais, ainda que fosse possível identificar características de ambos.

3.

É provável que não haja fórmula mais sintética para o que eu poderia, assumindo de imprecisão teórica em nome do efeito retórico, chamar de uma psicologia marxista das massas, senão essa proveniente do célebre O 18 Brumário de Luís Bonaparte: “Se vós que estais no topo do Estado tocais o violino, por acaso não esperais que os que estão lá embaixo dancem?”9. A afirmação por si só pode surpreender, haja vista a velha oposição entre massa e classe, já há muito presente no debate político. De fato, ainda que Karl Marx não pretendesse de modo algum, em seu ensaio clássico, propor uma explicação dos mecanismos psicológicos envolvidos na ascensão de Luís Bonaparte (sobrinho de Napoleão, posteriormente conhecido como Napoleão III) ao poder no rescaldo da Primavera dos Povos de 1848, sua análise da incrível conversão de uma potência popular de contestação em uma marcha regressiva e conservadora de cooptação da insurgência de massa possui a virtude de mobilizar, com maestria, as condições objetivas e disposições subjetivas envolvidas no fato em questão. Constituindo-se como um verdadeiro estudo materialista sobre a base socioeconômica de certa consciência de massa, ele cumpre, nesse sentido, o requisito básico enunciado por Freud no primeiro parágrafo de Psicologia das massas e análise do eu10, qual seja: a percepção de que toda psicologia individual é, desde o princípio, psicologia social e de que, portanto, não há sujeito pensável fora de uma complexa trama envolvendo o tensionamento entre determinação e indeterminação social.

Uma das maneiras mais didáticas de se pensar esse tensionamento é por meio da análise reichiana da “irracionalidade social” presente numa situação de clivagem entre situação econômica e consciência social (ideologia), tal como pode ser observada, guardadas as devidas particularidades históricas, em diferentes períodos de escalada conservadora: não só no contexto francês analisado por Marx, como também no período nazifascista estudado por Wilhelm Reich. As palavras do psiquiatra alemão são, aqui, esclarecedoras:

[…] quando os trabalhadores, passando fome devido aos baixos salários, decidem fazer greve, a sua ação resulta diretamente na situação econômica. O mesmo se pode dizer de um esfomeado que rouba para comer. Não há necessidade de mais explicações psicológicas para o roubo, consequência da fome, ou para a greve, consequência da exploração. Ideologias e ação correspondem, nos dois casos, à pressão econômica. A situação econômica coincide com a ideologia. Nestes casos, a psicologia reacionária costuma explicar o roubo e a greve em termos de motivos supostamente irracionais, explicações essas que, em última análise, são racionalizações reacionárias. Para a psicologia social, a questão é colocada em termos opostos: o que se pretende explicar não é por que motivo o esfomeado rouba ou o explorado faz greve, mas por que motivo a maioria dos esfomeados não rouba e a maioria dos explorados não faz greve. Assim, a economia social é capaz de explicar completamente um fato social que serve a um fim racional, isto é, quando ele satisfaz uma necessidade imediata e reflete e amplifica a situação econômica. A explicação socioeconômica não se sustenta, por outro lado, quando o pensamento e a ação do homem são incoerentes com a situação econômica, ou seja, são irracionais.11

Ora, uma das principais virtudes do manuscrito de Marx está na demonstração rigorosa da influência da luta de classes em um fenômeno aparentemente “irracional”, cujos destinos pareciam justamente contrariar o que eu chamaria de “tendência sociológica de classe”, em suma, em uma conjuntura social em que o terreno propício ao aprofundamento revolucionário desembocara numa escalada reacionária. Assim, a irredutibilidade da luta de classes ocupou para Marx a função de mediador privilegiado da tensão entre determinação e indeterminação social, o que lhe permitiu escapar dos desvios subjetivistas e objetivistas das análises precedentes:

Dentre os escritos que trataram mais ou menos simultaneamente do mesmo assunto que o meu livro, somente dois são dignos de nota: Napoléon le petit, de Victor Hugo, e Coup d’état, de Proudhon. Victor Hugo se limita a invectivas amargas e espirituosas contra o responsável pela deflagração do golpe de Estado. O acontecimento propriamente dito parece ser, para ele, como um raio vindo do céu sem nuvens. Ele vê no golpe apenas um ato de poder de um indivíduo isolado. Não se dá conta de que engrandece esse indivíduo, em vez de diminuí-lo, atribuindo-lhe uma capacidade de iniciativa pessoal que seria ímpar na história mundial. Proudhon, por sua vez, procura apresentar o golpe de Estado como resultado de uma evolução histórica precedente. Sorrateiramente, no entanto, a sua construção histórica do golpe de Estado se transforma numa apologia do herói do golpe de Estado. Desse modo, ele incorre no erro dos nossos assim chamados historiadores objetivos. Em contrapartida, eu demonstro como a luta de classes na França criou circunstâncias e condições que permitiram a um personagem medíocre e grotesco desempenhar o papel do herói.12

E de fato, a análise de Marx é perpassada do início ao fim pela fina percepção de que a conjuntura francesa de meados do século XIX só se tornava inteligível por meio da devida leitura das posições de classe envolvidas no imbróglio, em que se via: uma burguesia, no desespero por resguardar a ordem, cavando a sua própria cova; os democratas, representantes da pequeno burguesia enquanto “classe de transição”, repetindo o erro típico de se considerarem acima dos antagonismos; um proletariado isolado e cercado por todos os lados; e uma espécie de crápula profissional (um herói Crapulinski, como disse Marx se referindo a um poema de Heine) apresentando-se como o grande salvador da pátria. Em suma, uma conjuntura confusa o bastante em termos da já mencionada tendência sociológica de classe para parir um movimento encabeçado por uma estranha “classe de desclassificados”, a saber: o lumpemproletariado. Nos termos do próprio Marx, uma “massa indefinida e desintegrada”, uma “escória”, um “refugo”, “rebotalho de todas as classes”. Menos que isso, tratava-se na verdade dos interesses do indivíduo Luís Bonaparte reconhecidos numa massa.

É difícil deixar de ver na relação simbiótica entre o lumpemproletariado e seu “chefe” (mais uma vez, termo usado por Marx), o esquema clássico de identificação entre a massa e seu líder rastreado por Freud, no qual um certo número de indivíduos coloca um único e mesmo objeto no lugar de seus “ideais do eu” e, por conseguinte, se identificam uns com os outros em seus “eus”. Com efeito, ambos se debruçaram sobre uma forma típica da política de massas, marcada por processos de mobilização social via personalismo e verticalização das relações de poder. Processos cuja estrutura incluem a soma de:

  1. indeterminação social profunda, em que a política aparentemente se autonomiza dos interesses de classe;
  2. mobilização afetivo-libidinal, na qual lógica de constituição de identidades populares se assemelha à descrita pela psicologia freudiana das massas;
  3. subjetivação política fragmentária, profundamente heterogênea, pois lumpenizada.

Guardadas as devidas particularidades, tais elementos não se fazem presente hoje no Brasil? Pelo menos desde as Jornadas de Junho, a Nova República apresenta sintomas de uma crise social profunda que, no período subsequente, se manifestou em uma situação na qual a luta de classes, em vez de pautar o debate público, foi deliberadamente empurrada para os seus bastidores; o antagonismo social foi assim despolitizado e moldado à polarização entre identificações de tipo lulista e bolsonarista; tudo isso atravessado por um cenário de crise do mundo do trabalho e consequente lumpenização progressiva das classes sociais.

Com efeito, 2013 parece ter sido o nosso 1848.

4.

Como tentei demonstrar recentemente13, há um vínculo profundo entre a implosão de todo anseio por construir uma sociedade salarial no Brasil – em bom português, a progressiva desindustrialização e reprimarização da economia do país, associada ao boom de flexibilização neoliberal das relações de trabalho cujas palavras de ordem são: terceirização, precarização, informalidade e desemprego – e a ascensão do bolsonarismo. Devido a tal vínculo, propus chamar de “desintegralismo” o fenômeno de convergência autonomizada entre superestrutura bolsonarista e infraestrutura do capitalismo brasileiro, de modo que a categoria, longe de remeter a um fenômeno particular de extrema-direita, designa a maneira como o solo social vem se estruturando em nossa época.

Sua expressão política se dá na forma de um misto de manutenção da estrutura republicana e aposta na crise como oportunidade. Uma espécie de sincretismo que tende a desembocar numa estranha combinação entre ordem e mudança que cria as condições propícias para o surgimento de um “palhaço sério, que deixa de tomar a história universal como comédia e passa a ver a sua comédia como história universal.”14. Não foi sem motivos que o primeiro movimento político da história moderna “encabeçado” por uma massa lumpenizada tenha envolvido a repetição da tragédia como farsa.

O fato de a crise recente do STF ter, como efeito imediato, um desgaste maior de Lula nas pesquisas de intenção de voto, a despeito de seu oponente principal, Flávio Bolsonaro, ter o nome diretamente envolvido com Daniel Vorcaro, parece indicar algo importante. Para a consciência pública, hoje, é a esquerda quem aparenta envergar o uniforme do sistema, enquanto a direita, inversamente, se mostra dotada de características antissistema. Afinal, ninguém acampa por meses em frente a quartéis, reza diante de um pneu, arrisca a própria vida mantendo-se atarracado no capô de um caminhão em movimento, ou invade a sede do poder político nacional somente por ter tido seus anseios eleitorais frustrados. Há uma energia revolucionária, que brota de uma percepção popular – rebaixada, porém legítima – de que nossa estrutura social se encontra em estado de desintegração generalizado. O mérito da extrema-direita bolsonarista, nesse sentido, foi ter sabido hegemonizar esse sentimento de revolta e dar-lhe uma direção política determinada (reacionária).

Mais dramático ainda é que, na conjuntura brasileira atual, a existência de uma massa social insatisfeita, emanando uma forte energia de revolta e que recusa remédios paliativos, parece se apresentar, aos partidos de esquerdas, como um problema – seja pela profunda desagregação que acomete o próprio campo revolucionário (UP, PSTU, PCB, PCBR), seja pelo excesso de adesismo a uma institucionalidade em ruínas (PT, PCdoB, PSOL, PDT). A disputa pelo executivo nacional segue sendo, aqui, um bom termômetro. Por um lado, a esquerda radical, sobretudo desde o último ciclo eleitoral, se entregou a uma guerra camaridicida que vem condenando-a a uma espécie de semi-legalidade e que a torna, hoje, incapaz de fazer frente à extrema-direita na luta pela hegemonia do voto indignado. Por outro, o campo liderado pelo PT vem apostando em uma campanha preguiçosa e destituída de qualquer projeto de futuro que, ao se reduzir à repetição dos frágeis feitos da gestão recente, ignora, se não desmente, a insatisfação popular como se fosse inautêntica, irracional. Sequer a luta contra a escala 6×1, pauta de forte apelo de classe e oportunidade para uma re-politização do conflito em uma direção emancipatória, aparece com vigor na campanha de Lula, que preferiu tratá-la como uma questão a ser articulada nos bastidores do Senado.

Há muito o que ser feito, se quisermos evitar um novo 2018. Mais ainda se pretendemos, um dia, incluir o Brasil na sequência histórica inaugurada por aqueles condenados que souberam aprender com os erros que desembocaram no refluxo bonapartista e, a partir da Comuna de Paris15, abriram na história moderna a possibilidade de um governo revolucionário dos trabalhadores.

Notas:

  1. Cf. BADIOU, A. O século. Aparecida: Idéias & Letras, 2007. ↩︎
  2. Cf. FISHER, M. Realismo capitalista: é mais fácil imaginar o fim o mundo que o fim do capitalismo?. São Paulo: Autonomia Literária, 2020. ↩︎
  3. Sobre isso, veja o documentário Arquitetura da destruição (1991), dirigido por Peter Cohen. ↩︎
  4. Cf. ALTHUSSER, L. Ideologia e Aparelhos Ideológicos de Estado (Notas para uma investigação). In: Žižek, S. (Org.). Um mapa da ideologia (pp. 105-142). Rio de Janeiro: Contraponto, 1996. ↩︎
  5. Cf. SCHWARZ, R. Cultura e política, 1964-1969. In: Schwarz, R. O pai de família e outros estudos (pp. 70-111, 2ª ed.). São Paulo: Companhia das Letras, 2008. ↩︎
  6. Cf. ANDERSON, P. Brasil à parte: 1964-2019. São Paulo: Boitempo, 2020. ↩︎
  7. Cf. ANDERSON, Brasil à parte: 1964-2019, op. cit. ↩︎
  8. O oposto proporcional disso é Ciro Gomes enquanto expressão muito curiosa de uma política sem forma, acometida de uma espécie de superávit conteudista. O que talvez explique a sua história partidária ziguezagueante, sua inconstância ideológica e seus escorregões eleitorais, que parecem dissonantes com o conteúdo político-econômico de corte trabalhista do projeto que vinha encabeçando nos últimos anos que, ainda que não fosse livre de contradições e ilusões sociais-democratas, era estranhamente mais radical que o de boa parte da esquerda mainstream. ↩︎
  9. MARX, K. O 18 Brumário de Luís Bonaparte. São Paulo: Boitempo, 2011, p. 81. ↩︎
  10. Cf. FREUD, S. Psicologia das massas e análise do eu. In: Freud, S. Obras Completas (v. 15, pp. 9-100). São Paulo: Companhia das Letras, 2011. ↩︎
  11. REICH, W. Psicologia de massas do fascismo (2ª ed.). São Paulo: Martins Fontes, 1988. ↩︎
  12. MARX, O 18 Brumário de Luís Bonaparte, op. cit., p. 18. ↩︎
  13. Cf. FONSECA, T. O momento desintegralista. Blog da Boitempo, 2025. ↩︎
  14. MARX, O 18 Brumário de Luís Bonaparte, op. cit., p. 92. ↩︎
  15. Cf. MARX, K. A guerra civil na França. São Paulo: Boitempo, 2011. ↩︎

**** Thales Fonseca é psicanalista, pós-doutorando em Filosofia pela UFMG e doutor em Psicologia pela UFSJ. É membro da Coletiva Psicanalista Trabalha (CPT).


O 18 de brumário de Luís Bonaparte, autoria de Karl Marx

A célebre análise do filósofo alemão sobre a história do golpe de Estado na França, que demonstra a força do marxismo como instrumento de análise social. Revela a natureza íntima dos fenômenos sociais e antevê a estrutura das lutas de classes no século seguinte.


Brasil à parte (1964-2019), autoria de Perry Anderson


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