Cultura inútil | Brasil: reis e rainhas em qualquer mocó
Retrato do imperador D. Pedro II (imagens feitas por Joaquim Insley Pacheco, fotógrafo oficial da Casa Imperial). Acervo do IHGB. Fonte: Agência Brasil
Por Mouzar Benedito
O Brasil precisa proclamar a República! Falando sério: vivemos numa república? Ora, a monarquia está muito mais presente nas falas cotidianas do que a república. Aqui, tivemos o rei do futebol e ainda temos a rainha, Marta, uma craque. Rei e rainha… por que essa insistência em nomear assim não só as pessoas que se destacam como excelentes em alguma coisa como as que dominam a produção de certas coisas.
Praticamente todos os dias ouvimos falar de algum rei ou rainha. Na música caipira e depois numa novela da Globo, tivemos o Rei do Gado, que na moda de viola competia com o Rei do Café. Em termos nacionais, o Brasil falava do rei da soja, por exemplo, Olacyr de Moraes. Mas em termos municipais, cada município especializado em alguma produção (principalmente agrícola) tem sua nobreza local: Rainha e princesas do morango, do abacaxi, do café…
Às vezes nem é de algum produto agrícola, é de uma atividade qualquer, como a rainha do rodeio. Ah, tem também lugar em que a rainha não é uma pessoa, mas a própria cidade, como Caicó, no Rio Grande do Norte, proclamada como Rainha do Seridó; Uruana (Goiás), Rainha da Melancia… E tem cidade que é “rainha” de uma região ou uma coisa qualquer. Campina Grande (PB), por exemplo, é Rainha da Borborema. Podia se proclamar como “Capital da Borborema”, mas prefere ser rainha. Bagé (RS) é Rainha da Fronteira, Quixadá (CE) é Rainha do Sertão, e São Bento do Sapucaí (SP) se diz Rainha da Mantiqueira. Gozado que nessas coisas não existem reis, só rainhas. Enfim, temos um reinado feminista, hein? Lembra formigueiro ou colmeia, que só têm rainhas.
Nos esportes e na música, aí sim, já parecemos como um cupinzeiro, pois cada cupinzeiro tem um casal real, rei e rainha, que se reproduzem aos milhares ou milhões, sei lá. Bom, sem tantas reproduções, esportistas e músicos brasileiros podem ter seu reinado também. Basta lembrar o rei da juventude, Roberto Carlos, e a rainha Wanderléa. Luiz Gonzaga era o rei do baião e Chico Alves o rei da voz. Xuxa, a rainha dos baixinhos; Raul Seixas e Rita Lee não eram um casal, mas na mídia eram chamados como tal: rei e rainha do rock brasileiro. O pagode tem um rei que eu fiquei sabendo há pouco, nunca tinha ouvido falar, Péricles. A sofrência tinha a rainha Marília Mendonça e o samba está dividido: quem será a rainha, Elza Soares ou Alcione? Cada “súdito” da mídia prefere uma delas.
Tinha começado a falar do futebol, volto aos esportes, com Hortência, que na monarquia midiática imperava no basquete, enquanto Éder Jofre era rei do boxe, mas atualmente um tal de Todo Duro, pugilista do Nordeste, é chamado de rei do ringue. Gustavo Kuerten o do tênis.
Volto aos gêneros musicais, com Anitta e Daniela Mercury consideradas rainhas do pop, e se Daniela Mercury não vencer esta, pode se consolar sendo rainha do axé. Wilson Simonal, antes de cair em desgraça, acusado de ser informante da ditadura (que pode não ter sido, mas ele mesmo é que disse que tinha amigos no Dops) era o rei da pilantragem. Continuando nos gêneros musicais, Pinduca é chamado de rei do carimbo, Reginaldo Rossi era o rei do brega. Gretchen continua sendo chamada de rainha do bumbum ou rainha do rebolado. Uma irmã dela, Sula Miranda, pelo simples fato de ter cantado um música sobre caminhoneiros, se intitulou rainha deles.
Hebe Camargo era chamada de rainha da TV brasileira, enquanto Sílvio Santos era o rei das manhãs (não se porquê – o programa dele era mais à tarde e à noite). E até gente admirável, certamente não monarquista, às vezes é alçada à nobreza, como Sônia Braga, chamada de rainha do cinema nacional, Cacilda Becker e Bibi Ferreira que foram chamadas de rainhas do teatro brasileiro. Na sociologia, não tivemos um rei, mas FHC era chamado de príncipe da sociologia brasileira.
Baixando um pouco mais na nobiliarquia, tivemos os barões do café, o autointitulado conde Chiquinho Scarpa… e falando em autointitulado, taí um “nobre” que gosto: Barão de Itararé.
Um rei que causou rebuliço foi o do cangaço, o Lampião. E lembro de um rei municipal da minha terra: um ferreiro se dizia rei do martelo.
Nem o carnaval, que deveria ser uma baderna anarquista, escapa: temos o Rei Momo e, nas escolas de samba, a rainha da bateria. Enfim, dá para listar uma porrada de reis e rainhas nesta república mambembe.
E lembro ainda uma coisa interessante: os bairros de ricos também têm pretensões monárquicas, chamados de bairros nobres. Por sinal, ficam em “áreas nobres” das cidades. Mas tem também umas rainhas mequetrefes, metidas a besta, pretensiosas, que por isso são chamadas de rainhas da cocada.
Eu achava que hotéis eram exceção: neles há “suítes presidenciais” em que nunca entrei, mas fiquei sabendo que existem também hotéis com “suítes imperiais”. Por sinal, no Oriente Médio tem hotel com suíte presidencial e suíte imperial. A presidencial é grande e cheia de coisas, como aqui. E a imperial é maior ainda, com vista mais privilegiada.
Saudosismo monarquista
Desde criancinha o brasileiro é treinado para achar que a monarquia é boa. Nas fábulas, as princesas são bonitas e boazinhas, e as maldades atribuídas aos reis são na verdade cometidas por auxiliares dele (vizires, ministros). Quando descobre um malvado na corte, o rei logo o castiga. O rei nunca sabe de nada de ruim que acontece no seu reino.
De vez em quando vejo até intelectuais defendendo a monarquia. Dizem que sai mais barato e tem mais estabilidade, não há brigas causadas por disputas eleitorais. Parece que não leram nada sobre as monarquias. Basta procurar saber o que acontece ou aconteceu em monarquias hoje badaladas por saudosistas para ver que nelas filho matava pai, irmão matava irmão, prendiam irmãs… valia/vale tudo para conquistar o trono e se manter nele. Há séries na TV paga que mostram muito disso nas monarquias inglesa e espanhola, por exemplo. Uma bandidagem inigualável, pior do que qualquer eleição.
E custam caro. Famílias inteiras vivem à custa do erário público, uma vida à larga, milhões e milhões para sustentar cada membro, e não só da família real: tem a nobreza toda mamando na grana do Estado.
Aqui no Brasil, tem a história do golpe que foi a Proclamação da República. Sim, um golpe que tirou do trono Dom Pedro II, culto e “bonzinho”, e sua substituta Princesa Isabel. Acreditando que eles eram mesmo bons e cultos, precisamos relembrar que o Conde D’Eu, marido da princesa até podia ser culto, mas que caráter! Mandado para comandar os brasileiros na Guerra do Paraguai, foi odiado pelos próprios militares, que o mandaram de volta pro Rio, por causa de atrocidades causadas. E era um pão-duro! Tinha um cortiço no Rio de Janeiro, famoso por suas más condições. Calcula-se que duas mil pessoas moravam lá, pagando aluguel ao conde. No portal de entrada do cortiço havia uma cabeça de porco de bronze, e as pessoas que moravam lá diziam que moravam na cabeça de porco. E cabeça de porco virou sinônimo de cortiço, no Rio.
Ah, e os herdeiros? Depois da Princesa Isabel, seus descendentes herdariam o trono. Seriam bons, humanistas? Bem, tá aí o deputado federal Luiz Philippe de Orleans e Bragança, bolsonarista extremado, para a gente pensar.
Se o Brasil fosse uma monarquia estaria melhor? Citam como exemplo de ruindade da República o Congresso Nacional, que é mesmo uma trolha atualmente, ocupado por uma grande maioria de pessoas desqualificadas, mas ele existiria também numa monarquia constitucional. Ou será que pretendem uma monarquia absoluta, sem deputados e senadores?
Juntei frases sobre a monarquia, que fui acumulando em leituras diversas, e é de surpreender que até entre filósofos existem monarquistas. Mas eu não levo a maioria deles a sério. Admiro muito uma minoria deles, e mesmo estes que não levo tão a sério têm frases interessantes sobre outros assuntos. Mas na questão monarquia… vade retro!
Listo a seguir um monte dessas frases, mantendo algumas que acho meio bestas, mas dando preferência às que gosto.
Edgar Quint: “O terror não triunfa na democracia, porque a democracia precisa de justiça, e a aristocracia e a monarquia podem prescindir dela”.
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Albert Camus: “Não há grandeza onde não há liberdade, e não há liberdade onde o privilégio hereditário governa”.
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Stendhal: “O melhor sistema político é a monarquia, temperada pelo assassinato”.
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François-Renê de Chateaubriand: “Qualquer nova monarquia será forçada, mais cedo ou mais tarde, a sufocar essa liberdade”.
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Montesquieu: “Em uma monarquias bem ordenada, os súditos são como peixes em uma grande rede: acreditam-se livres, no entanto, estão presos”.
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Montesquieu, de novo: “A monarquia degenera ordinariamente no despotismo de um só”.
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Mark Twain: “A monarquia tem a palavra, e por meio dela conseguiu persuadir o homem de que difere de alguma forma de cascavel”.
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Lima Barreto: “A proverbial pobreza do engenho humano só pôde até hoje inventar duas formas de governo – república e monarquia. Quando se inventarem outros teremos mais remédios para os mesmos déspotas humanos”.
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Jennifer Donnelly: “A maior parte da confusão que chamamos de história acontece porque reis e presidentes não conseguem se contentar com um bom frango e um bom pão”.
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Uns atribuem a Denis Diderot, outros a Jean Meslier: “Os homens jamais serão livres até que o último rei seja estrangulado com as tripas do último padre”.
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Denis Diderot: “A natureza não criou reis nem súditos”.
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Ian Banner: “Você aprendeu a odiar, enfim está preparado para ser rei”.
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Saint-Just: “Um rei é uma monstruosidade contra a natureza”.
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Aurelien Scholl: “Não pode haver monarquia nos planetas, porque todos eles passam por uma revolução”.
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Thomas Paine: “Um corpo de homens que se sucedem a si mesmos não pode agir de maneira justa”.
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Thomas Paine, de novo: “Um honesto lavrador é de mais valor para a sociedade do que todos os rufiões coroados que já viveram”.
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James Fenimore Cooper: “A monarquia é a forma de governo mais cara de todas, pois o Estado real exige um desfile dispendioso”.
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Philippe Bouvard: “Viva a monarquia: como as famílias reinantes enriqueceram desde a primeira geração, os herdeiros são menos tentados a procrastinar”.
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George Bernard Shaw: “Uma monarquia constitucional é uma forma de combinar a inércia de um ídolo de madeira com a credibilidade de um ídolo de carne e osso”.
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Will McCarthy: “A monarquia eletiva é fundamentalmente uma tática para encontrar um bode expiatório”.
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Lênin: “Decidir, uma vez a cada número de anos, quais membros da classe dominante devem oprimir e esmagar o povo no parlamentarismo: eis a verdadeira essência do parlamentarismo burguês, não apenas das monarquias constitucionais parlamentares, mas também nas repúblicas democráticas”.
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José Ortega y Gasset: “Começando pela monarquia e passando pela Igreja, nenhum poder nacional pensou em outras coisa senão em si mesmo”.
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Maquiavel: “Quero ir para o inferno, não para o céu. No inferno, gozarei da companhia de papas, reis e príncipes, No céu, só terei por companhia mendigos, monges, eremitas e apóstolos”.
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Henry Martet: “Toda instrução conduz à república, assim como toda ignorância leva à monarquia”.
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Vittorio Alfieri: “A ignorância, a bajulação e o medo deram, e ainda dão, aos governos tirânicos o doce nome de monarquia”.
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Joaquin Sabina: “A monarquia é um déficit democrático que sofremos por herança”.
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Victor Hugo: “A monarquia é um insulto ao bom senso e à dignidade humana”.
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Victor Hugo, de novo: “A monarquia é uma doença da qual a Europa vai se curar”.
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Victor Hugo, mais uma vez: “Ao redor desta cidade, a monarquia passou o tempo construindo muralhas, e a filosofia destruindo-as”.
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Voltaire: “Os reis são para os seus ministros como o cornudo para as esposas: nunca sabem o que se passa”.
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James Connolly: “Monarquia é uma sobrevivência da tirania imposta pelas mãos da ganância e da traição à raça humana nos dias mais sombrios e ignorantes da nossa história”.
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Francisco Morazán: “Para extirpar o mal das nações é preciso destruir as monarquias”.
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Robespierre: “O rei deve morrer para que o país possa viver”.
Frases dos tempos do Iluminismo:
“Coroas servem apenas para esconder a calvície da tirania”.
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“Nenhum homem nasceu com uma sela nas costas para ser cavalgado por um rei”.
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“O sangue azul é um mito. A guilhotina provou que todos sangram igual”.
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“Se vocês querem que a liberdade reine, destruam a coroa”.
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“Os reis são na ordem moral o que os monstros são na ordem física”.
E eles, o que disseram?
Luiz XIV, da França: “O Estado sou eu”.
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Luís XV, da França: “Depois de mim, o dilúvio”.
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Atribuída a Maria Antonieta, da França: “Se não têm pão, que comam brioches”.
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Carlos III, da Espanha: “Dedico toda a minha atenção a melhorar o bem-estar dos meus súditos, pois desejo salvar a minha alma e ir para o céu”.
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Jaime I, da Inglaterra: “Se Deus quisesse que as mulheres governassem, teria criado Eva primeiro”.
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Elizabeth II, da Inglaterra: “Para o bem ou para o mal, a coroa caiu sobre minha cabeça”.
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Elizabeth II, de novo: “Ser rei e usar uma coroa é mais glorioso para quem a vê do que prazeroso para quem a ostenta”.
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Rei Balduíno IV, de Jerusalém: “Eu me recuso a usar uma coroa de ouro, pois meu Salvador usou uma de espinhos”.
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Juan Carlos I, da Espanha: “A monarquia é um negócio. E como qualquer negócio, deve ser bem administrado para não falir”.
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Leopoldo I, da Bélgica (hoje acusado de genocídio no Congo): “Os belgas querem ver no seu líder as qualidades que eles próprios nunca quereriam para si mesmos”.
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Frederico, o Grande, da Prússia: “A coroa é apenas um chapéu que deixa a chuva entrar”.
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Frederico, o Grande, de novo: “Cheguei a um acordo com meus súditos: eles dizem o que querem e eu faço o que me der gana”.
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Catarina, a Grande, da Rússia: “Eu serei uma autocrata: esse é o meu ofício. E o bom Deus me perdoará: esse é o Dele”.
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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em coautoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996), Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia) e Chegou a tua vez, moleque! (2021, Editora Limiar). Colabora com o Blog da Boitempo mensalmente.
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