Um alvo fácil: como Orbán transformou a destruição do Arquivo Lukács em modelo para a extrema direita

Um arquivo e centro de pesquisa dedicado a György Lukács está prestes a ser reaberto após passar anos fechado pelo governo de Viktor Orbán.

O filósofo László Szücs segura uma ilustração de Eszter Grósz retratando György Lukács (em pé) e intelectuais associados à Escola de Budapeste. Da esquerda para a direita: Ágnes Heller; seu marido, Ferenc Fehér; György Márkus e Mihály Vajda. Foto: Cain Burdeau – Courthouse News Service 

Por Cain Burdeau (tradução de Marco Aurélio Palu)

Tudo começou como um ataque editorial no Magyar Nemzet [Nação Húngara], o principal jornal de direita da Hungria, e terminou anos depois da maneira que Viktor Orbán desejava: com o fechamento de um arquivo dedicado ao filósofo de esquerda mais famoso da Hungria.

Na esteira da histórica derrota de Orbán após 16 anos no poder, a Hungria pode começar a reconstruir o que foi destruído durante o reinado autoritário do primeiro-ministro e iniciar a construção de um novo futuro.

À medida que esse processo se desenrola, estuda-se — em um tom ligeiramente dissonante, porém — como o autoritarismo de Orbán funcionava e como suas vítimas o combatiam: esse estudo relembra a saga de como o governo lentamente estrangulou um arquivo e centro de pesquisa localizado no antigo apartamento de György Lukács, um filósofo marxista mundialmente conhecido, em Budapeste.

“O episódio ficou conhecido como ‘a questão dos filósofos’: a primeira grande campanha anti-intelectual de Orbán e sua mídia”, disse László Szücs, filósofo e arquivista da Fundação Internacional Arquivo Lukács, um grupo que trabalha para reabrir o apartamento ao público.

“As políticas de Orbán fizeram muitas e diversas vítimas”, disse Szücs. “Os filósofos foram os primeiros alvos da ‘guerra cultural’ de Orbán.”

Ao longo de seus 16 anos no poder, Orbán travou uma campanha implacável contra seus oponentes “liberais de esquerda”: seu regime forçou a Universidade da Europa Central a se mudar para Viena porque era financiada pelo filantropo liberal George Soros; tirou do ar a Klubrádió, uma estação de rádio independente; excluiu jornalistas críticos das coletivas de imprensa; assumiu o controle da Universidade de Teatro e Artes Cinematográficas de Budapeste para domar um “bastião liberal”; retirou poderes e cortou financiamento dos governos locais de que não gostava; aprovou leis visando organizações não governamentais.

“Era muito popular nos círculos de direita reivindicar o fechamento do Arquivo Lukács como uma vitória, porque ele era um ‘terrível líder comunista’, entre outras coisas”, disse Szücs, falando logo após a derrota de Orbán em 12 de abril.

Enquanto balançava a cabeça, Szücs disse que fechar o Arquivo e a Biblioteca Lukács era tão simbólico quanto um governo alemão aplicar pressão ideológica para fechar instituições que preservam o legado acadêmico de Theodor Adorno ou Martin Heidegger, famosos filósofos alemães — um marxista, o outro simpatizante nazista.

“Moral e legalmente questionável”

O estrangulamento começou em 8 de janeiro de 2011, quando o Magyar Nemzet publicou um editorial calunioso acusando um grupo de eminentes filósofos húngaros — muitos deles associados a Lukács e críticos ferozes de Orbán — de receber financiamento “moral e legalmente questionável” no valor de cerca de 2 milhões de dólares quando a Hungria esteve sob o governo liberal-socialista anterior. Na verdade, os fundos não foram diretamente para os eminentes filósofos, mas cobriram o trabalho de grupos de pesquisa, de inúmeros filósofos e estudantes de doutorado, financiando também publicações de livros e conferências.

Na época, o Magyar Nemzet serviu como porta-voz do recém-eleito governo Orbán.

Assim começou a “questão dos filósofos” — um dos primeiros e mais importantes fios a seguir para entender como a “revolução iliberal” de Orbán transformou a Hungria em modelo para a extrema direita europeia.

Apenas oito meses antes desse editorial, Orbán e seu partido de direita Fidesz haviam derrotado o Partido Socialista Húngaro, de centro-esquerda, e conquistado uma poderosa supermaioria no Parlamento. Com poder praticamente irrestrito, Orbán começou a moldar a Hungria em um feudo onde os oponentes liberais de esquerda não eram tolerados.

O Arquivo Lukács era um alvo fácil.

Antes de falecer aos 86 anos, em 1971, Lukács legou seus documentos, manuscritos, cartas e biblioteca à Academia Húngara de Ciências. Isso não foi pouca coisa: Lukács era uma figura importante na Europa tanto por suas atividades políticas quanto pelas intelectuais.

Ele desempenhou papéis nos breves governos revolucionários da Hungria de 1919 e 1956; manteve correspondência com intelectuais de todo o mundo, inclusive o romancista alemão Thomas Mann, de quem foi amigo; e suas obras filosóficas lançaram as bases para o marxismo ocidental e a teoria crítica.

Após sua morte, foi homenageado pelo Estado húngaro, então comunista, que transformou seu apartamento em um arquivo para esses documentos e contratou uma pequena equipe de bibliotecários e pesquisadores para cuidar do acervo e continuar o trabalho de Lukács.

Durante sua vida, Lukács, crítico do comunismo de estilo soviético e defensor de um “socialismo humanista”, recebeu muitos colegas intelectuais em seu apartamento às margens do Danúbio para discutir ideias e escritos. O círculo de pensadores que o orbitava ficou conhecido como a “Escola de Budapeste” da filosofia marxista, uma versão da “Escola de Frankfurt” de Adorno, na Alemanha.

O arquivo perdurou mesmo quando muitos dos alunos e colegas de Lukács — que compunham a Escola de Budapeste — foram perseguidos pelo governo húngaro pró soviético, que forçou muitos ao exílio.

Com o passar dos anos, o arquivo funcionou como um farol intelectual para os dissidentes em Budapeste e, após o fim do comunismo, para a intelectualidade de esquerda da Hungria. Seu espaço aumentou com a incorporação de outro apartamento, no andar de cima, tornando-se local de seminários regulares, leituras de livros e reuniões. Além do arquivo de Lukács, o centro também começou a publicar trabalhos de intelectuais associados à Escola de Budapeste.

Eis que, em 2010, Orbán assume o poder.

Um ataque coordenado aos “liberais

O editorial do Magyar Nemzet foi mordaz em seu ataque aos filósofos liberais de esquerda. Seu principal alvo foi Ágnes Heller, de 82 anos, discípula de Lukács e eminente filósofa que ocupou a cátedra Hannah Arendt na New School, em Nova York.

De acordo com o Magyar Nemzet, seu pecado era serem “liberais” que “não se contentaram em ficar na Torre de Marfim” e almejavam “compartilhar seus pontos de vista e pensamentos com um público mais amplo além da arena acadêmica”.

Em outras palavras, esses filósofos — Heller, Mihály Vajda, Sándor Radnóti e outros — ultrapassaram suas posições tornando-se críticos declarados de Orbán e sua política.

Pouco depois do editorial aparecer, Gyula Budai, comissário anticorrupção do governo Orbán, iniciou uma investigação sobre as bolsas de filosofia “suspeitas”. A investigação foi, então, entregue à polícia.

O jornal Magyar Nemzet intensificou seu trabalho sujo e chamou o ocorrido de um “escândalo” que demonstrava como a filosofia havia atingido um “baixo nível moral”. Outros meios de comunicação de direita se juntaram à investida.

Para muitos, a campanha de difamação invocava a repulsiva história de antissemitismo da Hungria — Lukács, Heller e Vajda vieram de famílias judias — com seus ataques a “liberais” e “cosmopolitas” usados como senha para atacar judeus.

Houve fortes comparações com o ocorrido após a fracassada revolução comunista de Béla Kun em 1919, durante a qual Lukács foi nomeado Comissário do Povo para Educação e Cultura.

O então governo húngaro ultraconservador de Miklós Horthy tinha como alvo os judeus, chamando-os de perigosos radicais comunistas, e o país viu uma onda de pogroms.

Em 1920, Horthy aprovou a primeira lei antissemita que limitava o número de judeus nas universidades. As leis subsequentes barraram os judeus do serviço público, do judiciário e dos governos locais e, quando a Hungria entrou em guerra ao lado da Alemanha nazista, a propriedade judaica foi expropriada. Durante a guerra, judeus húngaros foram executados nas margens do Danúbio e enviados em massa para campos de concentração.

Em janeiro de 2011, Heller prontamente revidou, chamando a investigação de “uma inquisição” contra subsídios concedidos legalmente. Ela disse que o dinheiro foi gasto com jovens pesquisadores e que ela e outros filósofos eminentes não receberam nenhum financiamento.

“[Os filósofos] foram todos acusados de liberalismo e esquerdismo”, disse ela em entrevista à época, “e essa era a questão principal, porque toda a questão financeira era apenas um disfarce para o assédio político”.

Ela alegou que era Orbán quem estava “por trás do assédio” midiático a filósofos, compositores, artistas e escritores húngaros conhecidos por falar contra seu governo de direita. O primeiro-ministro estava incomodado porque ela denunciava suas “inclinações ditatoriais”, disse a filósofa.

Ao mesmo tempo, Jürgen Habermas, um dos filósofos mais venerados da Europa e amigo de Heller, condenou os líderes europeus por seu notável silêncio, mesmo quando a Hungria, membro da União Europeia desde 2004, violou os “princípios fundamentais de uma ordem constitucional liberal”.

“Na China, a observância dos direitos humanos é justamente exigida”, escreveram Habermas e um colega. “Mas em casa, eles não olham com tanta atenção para suas próprias ações. Esse é o escândalo dentro do escândalo.”

Habermas advertiu: “A imprensa pró-governo está travando uma campanha contra um ‘círculo de filósofos liberais’ indefinido… o termo ‘liberal’ mais uma vez carrega a conotação de visões antipatrióticas e cosmopolitas de intelectuais judeus.”

Ele disse que foi um ataque flagrante a “filósofos politicamente indesejáveis” e a “uma disciplina que, desde seus primórdios na Atenas clássica, tem se preocupado em particular com a constituição da comunidade política”.

O estreitamento da mente

A princípio, parecia que a “questão dos filósofos” passaria em branco depois que a polícia não encontrou nenhuma irregularidade nas concessões de financiamento.

Enquanto isso, os filósofos entraram com ações contra o Magyar Nemzet por difamação, e a campanha difamatória foi interrompida. Em uma grande vitória, um tribunal de apelação da cidade de Budapeste em 2016 acabou determinando que o jornal era culpado.

Mas o assunto estava longe de se encerrar.

Depois de assumir o cargo, Orbán também começou a reestruturar a Academia Húngara de Ciências para adequar a instituição aos seus propósitos e colocar a cultura e a pesquisa sob o controle do governo.

Ao ameaçar cortar fundos, ele forçou vários institutos independentes a romper vínculos com da Academia e, assim, a submeteu aos seus caprichos. Aliados foram colocados em posições de destaque e o financiamento de programas apoiados por governos liberais de esquerda anteriores foi cortado. O governo também começou a cortar fundos para programas de arte pública, acusados de “desperdiçar” os impostos dos contribuintes.

Em 2016, a Academia Húngara de Ciências anunciou que transferiria os documentos de Lukács para sua biblioteca e fecharia o apartamento, citando os altos custos operacionais do arquivo.

Enquanto isso, o governo da cidade de Budapeste, nas mãos dos aliados de Orbán, juntou-se ao ataque a Lukács e removeu uma escultura do filósofo de um parque central da cidade. Atualmente, a obra está abrigada no Museu de História de Budapeste e não há planos de devolvê-lo ao Parque Santo Estevão, disseram autoridades municipais.

Esses ataques novamente provocaram um clamor entre os intelectuais europeus.

Cerca de 2.000 estudiosos, incluindo Habermas e os filósofos de esquerda norte-americanos Nancy Fraser e Fredric Jameson, assinaram uma carta de protesto. Outra petição semelhante recebeu 8.000 assinaturas1.

Intelectuais foram a Budapeste para se manifestar contra o fechamento do arquivo e pesquisadores húngaros estabeleceram uma fundação para defendê-lo. Orhan Pamuk, romancista turco vencedor do Prêmio Nobel de Literatura, visitou Budapeste para saudar Lukács por inspirá-lo a escrever.

Mas nada disso dissuadiu o governo.

Em 2018, todos os funcionários do arquivo haviam se aposentado ou sido transferidos. A Academia Húngara de Ciências substituiu as fechaduras e encerrou as atividades do arquivo em 24 de maio de 2018. Promessas vagas de reforma do apartamento e reabertura do arquivo foram feitas, mas não se cumpriram. Em vez disso, parecia mais provável que o apartamento, com sua localização privilegiada, fosse vendido.

A volumosa coleção de documentos de Lukács — cartas, manuscritos, notas, fotografias — foi transferida para a biblioteca da Academia Húngara de Ciências.

O apartamento de Lukács, localizado no quinto andar do nº 2 do Belgrád Rakpart (Cais de Belgrado), fechou suas portas ao público e a poeira passou a se acumular no escritório e na biblioteca do filósofo, onde seu acervo de livros, cheios de marginálias, permaneceu.

“Depois disso, pesquisar a obra de Lukács tornou-se muito difícil, ou muito complicado”, disse Szücs.

Uma segunda chance para Lukács

Em 2019, Budapeste elegeu um novo prefeito — e depois de anos de governo conservador, um liberal de esquerda estava de volta ao poder na capital.

O novo gabinete do prefeito assumiu a causa de Lukács e decidiu fazer algo a respeito do apartamento abandonado do filósofo.

Este ano, a cidade irá financiar uma reforma e depois reabrir o apartamento como um espaço para “conferências, seminários, discussões, exposições e oficinas de educação arquivística sobre filosofia, arte e história”, afirmou o gabinete do prefeito. A biblioteca de Lukács também será disponibilizada para uso novamente.

O apartamento foi arrendado aos Arquivos da Cidade de Budapeste, que administrarão o arquivo reaberto em colaboração com a Fundação Lukács.

Os preciosos documentos de Lukács não serão trazidos de volta ao apartamento, pois a Academia Húngara de Ciências rejeitou os pedidos de devolução. Questionada pela reportagem, a instituição não respondeu.

Enquanto isso, sob um governo liberal de esquerda, a cidade de Budapeste apoiou um projeto para preservar o legado da Escola de Budapeste, uma vez que o patrimônio de Heller foi transferido para os Arquivos da Cidade de Budapeste após sua morte, em 2019. Szücs supervisiona esse projeto.

Dentro de seu escritório nos Arquivos da Cidade de Budapeste, Szücs abre uma caixa contendo cartas que Heller escreveu para Habermas e outros.

“Sinto que é minha missão — não que eu seja o único”, disse ele. “Há muitas pessoas que estão tentando preservar várias coisas relacionadas ao legado de Lukács ou ao legado de seus alunos, seus discípulos.”

Por enquanto, Szücs disse que se daria por satisfeito se o novo governo da Hungria, comandado pelo primeiro-ministro Péter Magyar, deixasse os estudiosos continuarem seu trabalho.

“Espero que o novo governo não pressione os pesquisadores, como fez o regime de Orbán”, disse ele. “Hoje em dia, isso já basta — ter mais espaço para fazer nossa pesquisa.”

* Este artigo foi originalmente publicado no portal Courthouse News Service, com o título “Lukács and the philosophers’ affair: A case study in Orbán’s authoritarianism“, em 10 de junho de 2026. A tradução foi autorizada pelo autor.

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Cain Burdeau é jornalista e escritor premiado. Nascido na Nova Zelândia, ele cobre política europeia e atualidades.

Notas

  1. O Blog da Boitempo veiculou o manifesto na ocasião. O texto pode ser lido aqui. (Nota da Editora) ↩︎

O romance histórico, de György Lukács
Escrito em 1936-37, O romance histórico de György Lukács é considerado o trabalho mais significativo do filósofo nos anos de exílio na União Soviética. Inédito em português, o livro traz textos preparatórios para uma “estética marxista”. Nele, o filósofo húngaro amadurece os fundamentos da sua teoria dos gêneros literários com uma abordagem materialista da história da literatura moderna e investiga a natureza da interação entre o espírito histórico e a grande literatura: correntes, ramificações e pontos de confluência que, do ponto de vista da teoria, são característicos e imprescindíveis. “E isso apenas em relação à literatura burguesa; a mudança provocada pelo realismo socialista ultrapassa os limites de meu estudo”, delimita o autor.

O jovem Hegel, de György Lukács
Concluído no final de 1938 e publicado uma década depois, este é um dos trabalhos filosóficos mais importantes de György Lukács. O livro, até então inédito em português, foi um marco na recepção de Hegel no Brasil. Analisa as primeiras obras de Hegel, resgatando momentos cruciais da formação do pensamento hegeliano. Essencial para entender a filosofia de Hegel e sua influência no marxismo.

Essenciais são os livros não escritos: últimas entrevistas (1966-1971), de György Lukács
Compilado de entrevistas que revela as reflexões e análises do filósofo húngaro sobre questões ontológicas, políticas e culturais. Pensador que, até seus últimos dias, discute o socialismo, as lutas dos anos 1960 e a necessidade de retornar ao pensamento marxiano, uma valiosa perspectiva para o presente.

Para uma ontologia do ser social, volumes I e II, de György Lukács
Obra de síntese, Para uma ontologia do ser social é a mais complexa sistematização filosófica de seu tempo. Considerada o ápice intelectual do filósofo húngaro György Lukács, um dos maiores expoentes do pensamento humanista do século XX, a Ontologia (como se tornou conhecida), concebida no curso dos anos 1960, significa o salto da ontologia intuída à ontologia filosoficamente fundamentada nas categorias mais essenciais que regem a vida do ser social, bem como nas estruturas da vida cotidiana dos homens.

Prolegômenos para uma ontologia do ser social, de György Lukács
Nesta obra póstuma, além de introduzir e contextualizar a obra em dois volumes Para uma ontologia do ser social, os Prolegômenos acrescentam a ela novas reflexões e abordagens, complementando-a. Partindo da premissa marxiana de que a realidade deve ser não somente analisada e compreendida mas principalmente transformada, ao redigir este material Lukács tinha nos ombros o peso de uma série de desilusões e derrotas da esquerda no período posterior à Revolução de 1917. Buscava partir de Marx para reformular as perspectivas revolucionárias de então, apontando respostas aos impactos que o stalinismo causara no projeto comunista. Certamente aqueles que ainda se preocupam com uma atuação social transformadora não podem deixar de analisar esta importante contribuição para o pensamento revolucionário.

Marx e Engels como historiadores da literatura, de György Lukács
Marx e Engels se ocuparam a fundo dos problemas da arte e da literatura, mas não chegaram a publicar escritos abordando o tema de maneira sistemática. Nesta obra, o filósofo húngaro György Lukács realiza um trabalho magistral de destrinchar e examinar o tratamento que os fundadores do marxismo dedicaram ao tema da estética.

Goethe e seu tempo, de György Lukács
Cinco ensaios revelam uma análise única de Goethe, oferecendo uma visão iluminadora da importância progressista da obra do autor no contexto histórico e literário, contrapondo interpretações deturpadas. Um mergulho na compreensão do papel cosmopolita e humanista do jovem Goethe na Revolução Burguesa.

Estudos sobre Fausto, de György Lukács
A obra reúne o mais completo ensaio sobre Goethe e sua obra maior entre as diversas produções de Lukács sobre o tema, publicados em 1940. Segundo o professor Luiz Barros Montes, os textos encerram uma análise dos aspectos temáticos e formais da obra magna de Goethe “que reconhece sua característica ‘incomensurável’ não como um índice de incongruências formais e temáticas, mas como uma totalidade artística viva, na qual suas contradições e limites são analisados em perspectiva histórica como um todo orgânico”. Os Estudos sobre Fausto assinalam, segundo Lukács, a configuração dramática da dialética indivíduo e sociedade como um dos grandes êxitos de Goethe, uma conquista poética sobredeterminada pelo desenvolvimento histórico alemão.

Estética: a peculiaridade do estético – Volume 1, de György Lukács
O primeiro volume da Estética, monumental obra de György Lukács publicada em 1963, é leitura imprescindível para a compreensão do pensamento lukacsiano sobre o fenômeno artístico.

A edição brasileira será dividida em quatro volumes (a original foi publicada em dois) e será entregue anualmente ao leitor. Estética: a peculiaridade do estético – Volume 1 traz reflexões de Lukács sobre a experiência estética, o papel da arte, da ciência, da cultura e da política na sociedade: “Há características que singularizam o empreendimento lukacsiano realizado na Estética – e uma delas, de evidência inquestionável, consiste em que esse empreendimento constitui a formulação mais desenvolvida de uma estética sistemática produzida no interior da tradição marxista”, escreve José Paulo Netto na apresentação da obra.



Assista, na TV Boitempo, a íntegra dos debates e conferências realizados durante o Seminário Internacional “A atualidade de György Lukács”, realizado pela Boitempo, IREE e Programa de Pós-graduação em Sociologia (FFLCH/USP) com apoio do CENEDIC, em outubro de 2023.

Composto de 10 aulas, ministradas por alguns dos maiores estudiosos da obra lukácsiana no Brasil, o I Curso Livre Lukács foi realizado em 2015, celebrando os 20 anos da Boitempo, em parceria com a PUC-SP.


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