O marxismo e as Ciências Humanas
Imagem: Wikimedia Commons
Por Michel Goulart da Silva
O desenvolvimento teórico e metodológico dos últimos três séculos nas diversas Ciências Humanas tem sido fundamental para a compreensão dos aspectos econômicos, políticos e sociais da realidade. Embora essa relação fique mais evidente em áreas como a Economia e a Sociologia, cujas pesquisas eventualmente têm uma utilidade prática mais imediata, áreas como a Geografia e a História também mostraram ao longo dos séculos enorme relevância. Esses diversos campos, contudo, ao estabelecerem uma relação direta com o desenvolvimento da sociedade capitalista, mostraram contrariamente um predomínio conservador em suas formulações mais difundidas.
Com o advento do marxismo e de outras formulações teóricas críticas, e sua introdução em diversos campos do conhecimento, abriu-se a possibilidade de apontar para formas de superação tanto do conservadorismo teórico e metodológico dessas áreas como da própria sociedade. O marxismo, ainda que tenha se mostrado uma ferramenta importante para explicar as contradições da sociedade e apontar formas de superar essa situação, permanece marginalizado nos meios acadêmicos. Pesquisadores marxistas são combatidos, inclusive, por certos “progressistas”. Os centros de pesquisa e as universidades expressam, ainda que de forma distorcida, a luta de classes e a dominação burguesa. Nesse sentido, é fundamental considerar, como Álvaro Vieira Pinto, que
“[…] quando o cientista toma determinado objeto para exame está motivado por forças coletivas que o envolvem e o impulsionam, sobre as quais não exerce senão limitado poder, sendo ao contrário dominado por elas. Entre essas forças convém não esquecer as representadas por ideias falsas, superstições, crenças não analisadas, conceitos recebidos e transmitidos sem críticas, por todo um arsenal de representações que povoam a consciência do trabalhador científico e influem decididamente, ainda que nem sequer chegue a suspeitar deste condicionamento, no rumo das suas reflexões, no uso dos procedimentos de raciocínio, na posição das metas que deseja alcançar.”1
O conhecimento científico, ainda que faça recortes em diferentes campos de pesquisa, tem como objeto a realidade material da qual o ser humano faz parte. O processo de produção do conhecimento mostra-se intrinsecamente relacionado, sendo os recortes metodológicos uma forma para melhor estudar os diferentes fenômenos e objetos. Os campos do conhecimento possuem, em maior ou menor grau, relações uns com os outros, afinal todos se ocupam de analisar a realidade concreta. Como lembra Trótski, “[…] a separação das ciências uma da outra é determinada, precisamente, pelo fato de que cada ciência abarca um campo particular de fenômenos, ou seja, um campo de combinações complexas de fenômenos elementares de tal natureza que cubram uma abordagem especial, uma técnica especial de investigação, hipóteses e métodos especiais”.2
O processo de desenvolvimento da ciência moderna se deu a partir dos séculos XVI e XVII, na Europa, no contexto do Renascimento. O período está marcado pela decomposição do modo de produção feudal, pela transição ao capitalismo e pelo surgimento de uma burguesia mercantil que, século após século, enriquece e ascende a postos de poder do Estado. No que se refere às ciências, esse momento caracterizou-se pelo desenvolvimento de métodos experimentais e empíricos nas investigações, afastados das especulações metafísicas que tomavam como pressuposto a onipresença de um Deus Todo-Poderoso. Nesse processo, segundo Engels,
“A ditadura espiritual da Igreja foi vencida; em sua maior parte, os povos germânicos dispersaram-se de vez e acolheram o protestantismo, enquanto entre os romanos um livre pensamento bem-humorado, emprestado dos árabes e nutrido pela filosofia grega recém-descoberta, criava raízes e preparava o materialismo do século XVIII” (Dialética da natureza, p. 38).
Procurava-se constituir, assim, um campo científico que partisse da análise dos fenômenos da realidade. Comentando esse processo em Do socialismo utópico ao socialismo científico, Engels aponta como
“[…] paralelamente ao despontar da burguesia, ocorreu o grande reavivamento da ciência: astronomia, mecânica, física, anatomia, fisiologia voltaram a ser cultivadas. E ela demandou para o desenvolvimento de sua produção industrial uma ciência que investigasse as propriedades físicas dos objetos naturais e os modos de ação das forças da natureza. Ora, até então a ciência tinha sido a humilde criada da Igreja, não tinha permissão para transpor os limites estabelecidos pela fé e, por essa razão, não tinha sido ciência nenhuma. A ciência se rebelou contra a Igreja; a burguesia não podia fazer nada sem a ciência e, por isso, aliou-se à rebelião” (p. 33).
A rebelião a que Engels se refere não ficou restrita às ciências naturais. O mesmo processo também impulsionou o desenvolvimento das humanidades, particularmente a partir do século XVIII. Com a paulatina superação do pensamento religioso na produção do conhecimento, era preciso também compreender as dinâmicas sociais, tanto em seu desenvolvimento material quanto nos aspectos da cultura.
Entre as Ciências Humanas, possivelmente a primeira área do conhecimento a se consolidar foi a Economia Política, destacando-se nomes como Adam Smith e David Ricardo. Trótski destaca que “a investigação social dedicou primeiramente seus esforços para a justificação da sociedade surgida historicamente”3, uma vez que a burguesia – que gradativamente ampliava seu espaço na sociedade e via as grandes fábricas superarem a organização artesanal da produção –, entendia a necessidade de compreender cientificamente o processo em curso. Engels já havia avaliado o fenômeno criticamente em Anti-Dühring: a revolução científica segundo o senhor Eugen Dühring, e assim o descreve:
“O que possuímos até agora de ciência econômica limita-se, quase exclusivamente, à gênese e ao desenvolvimento do modo de produção capitalista: ela começa com a crítica a resquícios das formas feudais de produção e troca, demonstra a necessidade de sua substituição por formas capitalistas, explicando, em seguida, as leis do modo de produção capitalista e suas correspondentes formas de troca quanto ao seu aspecto positivo – isto é, quanto ao aspecto segundo o qual elas promove os fins universais da sociedade –, e conclui com a crítica socialista ao modo de produção capitalista, a saber, com a exposição de suas leis quanto ao seu aspecto negativo, comprovando que, por seu próprio desenvolvimento, esse modo de produção é impelido para o ponto em que se viabiliza” (p. 180).
Em suas obras centrais, Smith e Ricardo, bem como outros pensadores, possibilitaram a compreensão da organização do trabalho e da produção da riqueza. Contudo, as análises desses pensadores eram limitadas pelo interesse burguês, afinal, não faria sentido aprofundar esse conhecimento em todas as suas contradições. Decifrar a complexidade do processo de exploração significava também explicar aos trabalhadores a possibilidade de uma revolução dos explorados. Nesse processo, portanto, “os interesses de classe, que nas ciências sociais se expressaram muito mais direta e imperiosamente do que nas ciências naturais, bem cedo frearam o desenvolvimento do pensamento econômico da sociedade burguesa”4.
O processo de consolidação do poder da burguesia contribuiu para a constituição de uma série de outras áreas das chamadas Ciências Humanas. Um exemplo do impacto do desenvolvimento da sociedade pode ser visto na História, cujas raízes se encontram nas narrativas da Antiguidade ou em memorialistas do Antigo Regime. A disciplina ganhou corpo como ciência ao longo do século XIX e contribuiu, dessa forma, no processo de consolidação da burguesia, inclusive em processo de unificação nacional, como ocorreu na Alemanha, em 1871. Colocando o “esforço coletivo” a serviço da pátria, percebe-se que “a finalidade nacional é explícita e o trabalho histórico visa ao rearmamento moral da nação”5.
Outro campo que cumpriu papel decisivo para os interesses da burguesia foi a Sociologia, que procurava analisar as consequências do desenvolvimento capitalista na Europa, se ocupando de temas como a organização do trabalho, o papel do Estado sobre a sociedade e, até mesmo, as causas do suicídio. O diagnóstico sobre os fenômenos e as dinâmicas sociais era fundamental para o capitalismo em expansão no século XIX, ainda que fosse preciso, em paralelo, construir ideologias de naturalização das contradições da sociedade, prometendo sua melhoria por dentro da ordem vigente. Um papel semelhante teve a Teoria Política, que desde os primórdios do capitalismo se consolidou no contexto das Revoluções Burguesas. Quanto à Antropologia, permitiu o conhecimento sobre as culturas e tradições de diferentes povos, que, porém, contribuiu para que a burguesia levasse a cabo sua política imperialista no final do século XIX.
Com a conquista do poder do Estado pela burguesia, a partir das Revoluções Burguesas, entre os séculos XVII e XIX, a própria produção do conhecimento sofreu impactos. O conhecimento produzido de forma dominante deixou de tentar explicar a realidade para, paulatinamente, se tornar ideologia de justificação do poder burguês. Um exemplo é a Economia Política, que se tornou uma espécie de apologia ideológica dos interesses da burguesia. Na Inglaterra, segundo Marx,
“[…] sua economia política clássica coincide com o período em que a luta de classes ainda não estava desenvolvida. Seu último grande representante, Ricardo, converte afinal, conscientemente, a antítese entre os interesses de classe, entre o salário e o lucro, entre o lucro e a renda da terra em ponto de partida de suas investigações, concebendo essa antítese, ingenuamente, como uma lei natural da sociedade. Com isso, porém, a ciência burguesa da economia chegara a seus limites intransponíveis” (O capital, Livro 1, p. 85).
Nesse processo, a defesa dos interesses do poder do Estado se sobrepõe à produção do conhecimento científico, como foi possível ver não apenas na Inglaterra, como na França, onde também
“[…] a burguesia conquistara o poder político. A partir de então, a luta de classes assumiu, teórica e praticamente, formas cada vez mais acentuadas e ameaçadoras. Ela fez soar o dobre fúnebre pela economia científica burguesa. Não se tratava mais de saber se este ou aquele teorema era verdadeiro, mas se, para o capital, ele era útil ou prejudicial, cômodo ou incômodo, se contrariava ou não as ordens policiais. O lugar da investigação desinteressada foi ocupado pelos espadachins a soldo, e a má consciência e as más intenções da apologética substituíram a investigação científica imparcial”(O capital, Livro 1, p. 86).
Em sua consolidação como campo científico, as Ciências Humanas expressaram a sociedade em que se desenvolveram. Essas áreas do conhecimento, em sua consolidação como campo científico, estão profundamente associadas ao desenvolvimento do capitalismo, contribuindo para a manutenção do poder da burguesia. Esse pode ter sido um limitante para o seu desenvolvimento, afinal “o valor social da ciência, seu valor histórico, é determinado pela sua capacidade de aumentar o poder do homem e para armá-lo com a capacidade de prever os acontecimentos e dominar a natureza. A ciência é um conhecimento que nos dá poder”6. Com os entraves impostos pelo capital, as diversas áreas se viram com limites muitas vezes difíceis de superar, na medida em que se tornam funcionais aos interesses da burguesia. Esse processo se explicitou ainda mais nas últimas décadas, afinal,
“[…] na esteira do neoliberalismo, a forma mercadoria se impõe não apenas no interior da comunidade científica, mas também em suas relações com a sociedade, medida pelo Estado. Nessa perspectiva, a relação de cada pesquisador com o Estado é vista como uma relação mercantil, isto é, da mesma maneira que em outros setores da economia capitalista, como uma relação de compra e venda de força de trabalho.”7
Esse tipo de entrave, que se materializa na difusão de ideologias e na pressão material sobre os pesquisadores, pode levar à compreensão limitada ou mesmo falsa das dinâmicas e tensões sociais. O marxismo, nesse sentido, procura responder não apenas com o diagnóstico de “anomias” ou descrição dos fenômenos culturais, mas apontando a necessidade de ação sobre a realidade como forma de transformar o mundo.
Notas
- Pinto, Álvaro Vieira. Ciência e existência: problemas de filosofia da pesquisa científica. 3ª ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985, p. 265. ↩︎
- TROTSKY, Leon. Escritos filosóficos. São Paulo: Iskra, 2015, p. 200. ↩︎
- Ibidem, p. 190. ↩︎
- Ibidem, p. 227. ↩︎
- DOSSE, François. A história. Bauru: EDUSC, 2003, p. 40. ↩︎
- TROTSKY, Leon. Escritos filosóficos. São Paulo: Iskra, 2015, p. 192. ↩︎
- Oliveira, Marcos Barbosa de. A mercantilização da ciência: funções, disfunções e alternativas. São Paulo: Scientiae Studia, 2023, p. 207. ↩︎
***
Michel Goulart da Silva é doutor em História pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) e servidor técnico-administrativo no Instituto Federal Catarinense (IFC).
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