Marx e o quarto “golpe no narcisismo humano”
Imagem: Wikimedia Commons
Por Maurício Vieira Martins
Em texto bem conhecido pelos psicanalistas, Sigmund Freud escreveu que “o narcisismo universal da humanidade, seu amor-próprio, sofreu até o presente três duros golpes por parte das pesquisas científicas”1. O ano de publicação do escrito era 1917. O primeiro golpe a que se referia havia sido desferido pela derrubada da teoria geocêntrica, evidenciando que nosso planeta, longe de ser o centro proeminente do sistema solar, na verdade é apenas um dentre vários que orbitam uma estrela maior. O segundo golpe foi dado por Charles Darwin, ao demonstrar que nossa espécie humana, ao invés de ter uma procedência divina, tem suas raízes profundamente cravadas no mundo animal e natural, dele não podendo ser separado. Já a terceira afronta ao narcisismo humano Freud atribui à disciplina que ele próprio fundou, a psicanálise, que evidencia que a consciência humana, atributo tão celebrado por filósofos e cientistas, é apenas uma parte de uma esfera maior, o inconsciente, que tem sua lógica própria e insiste em se manifestar mesmo quando não desejamos que isso ocorra.
Diríamos que Freud bem poderia ter incluído Marx em sua relação daqueles pensadores que imprimiram uma modificação duradoura na autoimagem que possuímos de nós mesmos. Com efeito, ao longo da leitura dos textos marxianos, ao invés do sujeito autônomo celebrado pelos liberais de sua época (por sua emancipação em face da opressão feudal), o que Marx nos apresenta é a radiografia de um sistema econômico impessoal, que funciona subordinando e oprimindo os diferentes agentes humanos. No Prefácio à primeira edição de O capital, podemos ler uma declaração transparente a esse respeito:
De modo algum retrato com cores róseas as figuras do capitalista e do proprietário fundiário. Mas aqui só se trata de pessoas na medida em que elas constituem a personificação de categorias econômicas, portadoras de determinadas relações e interesses de classes. Meu ponto de vista, que apreende o desenvolvimento da formação econômica da sociedade como um processo histórico-natural, pode menos do que qualquer outro responsabilizar o indivíduo por relações das quais ele continua a ser socialmente uma criatura […] (Marx, 2013, p. 80).
De fato, vire-se e revire-se uma obra como O capital, nela não encontraremos vestígios do sujeito autônomo nem da vontade livre, tão celebrada por um filósofo da magnitude de Immanuel Kant. Pois ao invés do livre arbítrio incausado, Marx nos apresenta o enraizamento da ação humana numa complexa rede de relações objetivas, que antecede nossa entrada individual no convívio intersubjetivo.
Contudo, o entendimento preciso das engrenagens da economia capitalista não foi obtido logo ao início da obra marxiana. Num momento inicial de seu trajeto (localizável na primeira metade da década de 1840), nosso autor parte de uma crítica da especulação filosófica, que abre caminho para dissipar vários equívocos então vigentes. Isso é visível em textos como a Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, nos Manuscritos econômico-filosóficos de 1844, ou em A sagrada família (este último escrito em parceria com Engels). Chama a atenção nesses textos o fato de Marx invocar o “ser humano individual e verdadeiro”2 como o motivo que orienta sua divergência, por exemplo, com o hegelianismo. Numa passagem célebre da Crítica da Filosofia do Direito de Hegel, de modo consistente com esse procedimento, podemos ler que “Hegel parte do Estado e faz do homem o Estado subjetivado; a democracia parte do homem e faz do estado o homem objetivado”3.
A formulação desse texto de 1843 apresenta sua produtividade: ela retira do Estado hegeliano sua olímpica pretensão de ser “a efetividade da ideia ética”i4. Mas forçoso é também reconhecer que o entendimento marxiano do Estado como homem objetivado se revelará insuficiente para uma melhor visualização das relações econômicas e sociais do modo de produção capitalista. O encontro de Marx com a economia política foi precisamente um esforço de imergir nessa disciplina que busca decifrar a lógica objetiva (ainda que alienada) da sociedade civil.
Os biógrafos de Marx enfatizam que seus estudos de economia política começaram já em meados da década de 1840, atingindo maior intensidade com sua mudança para Londres – então o principal centro do capitalismo internacional – e prosseguem de modo particularmente intenso a partir da década de 1850. Momento importante da autoconsciência de Marx nesse seu processo de investigação é uma carta endereçada a Ferdinand Lassalle de 1858, onde ele enuncia, de modo muito explícito, um dos objetivos de sua pesquisa:
O trabalho que me ocupa atualmente é a crítica das categorias econômicas ou, if you like, uma exposição crítica do sistema da economia burguesa. É ao mesmo tempo uma exposição e, pela mesma razão, uma crítica do sistema (Marx, 2010b, p. 270).
Isso significa que a exposição do sistema da economia burguesa deve ser internamente estruturada de tal forma que ela consiga também tornar evidente uma crítica a esse sistema que aliena e objetifica os seres humanos. Neste sentido, a crítica imanente se diferencia de uma outra, que procede de um modo mais externo ao seu objeto de análise, como por exemplo aquela realizada pelos socialistas utópicos. Estes últimos se esmeravam em contrastar a sociedade capitalista sob exame a um parâmetro ideal de análise: uma sociedade de indivíduos livres. No contraste, atestava-se a distância existente entre o modelo ideal proposto e a sociedade efetivamente existente. Contudo, é preciso admitir que, por essa via, não são preenchidos os requisitos lógicos e científicos de se elaborar uma crítica da economia política que opere no interior das categorias que presidem a organização da própria sociedade capitalista.
Curioso é notar que, quando Marx finalmente atinge sua almejada exposição crítica, aquele ser humano individual e verdadeiro anteriormente invocado deixa de ser a pedra angular de sua análise5. Concordamos neste aspecto com o filósofo Hans-Georg Flickinger: é também nesse momento que se desvanece o sujeito humano como o motivo organizador da teoria marxiana. Desvanece não por uma deficiência de Marx, e sim como o espelhamento – duro, mas necessário – da realidade cotidiana de uma sociedade burguesa: “O reprimido pelas razões sistemáticas da análise é o excluído da nossa sociedade através da constituição histórica do poder do capitalismo”6. Em seu lugar, o que emerge é a lógica objetificadora do capital, que progressivamente subordina homens e mulheres em seu devir e em sua reprodução7.
Recordemos: o primeiro capítulo de O capital dedica longas páginas à análise da forma de valor: x mercadorias A = y mercadorias B8. Marx persegue os desdobramentos simultaneamente lógicos e históricos da equação de valor, investigando as determinações não aparentes que subjazem a essa relação. E os resultados de sua investigação são surpreendentes. Apenas como exemplo: no extraordinário capítulo 22 (“Transformação de mais-valor em capital”), Marx enuncia com todas as letras que a relação de troca entre capitalista e trabalhador, que se iniciara como uma troca de equivalentes, perde esse caráter ao longo de seus sucessivos desdobramentos: “A relação de troca entre o capitalista e o trabalhador se converte, assim, em mera aparência pertencente ao processo de circulação, numa mera forma, estranha ao próprio conteúdo e que apenas o mistifica” (Marx, 2013, p. 659). Dito de outro modo: na produção capitalista avançada, há uma exploração em curso que beneficia o capitalista na mesma medida em que expropria o trabalhador.
Tais considerações não significam, por óbvio, que o projeto político socialista de Marx – uma humanidade emancipada – foi abandonado: ele prossegue firme durante toda sua vida. Sua atividade política, que remonta à década de 1840, prossegue muitos anos depois, basta pensarmos em seu papel crucial na fundação, juntamente com Engels, da Associação Internacional dos Trabalhadores em 1864. Mas o que se deseja colocar aqui em evidência é que o modo teórico de apresentar a justeza de tal projeto político sofreu modificações ao longo do trajeto marxiano. Ele passa a ser o resultado de um extenso percurso argumentativo, que se põe como tarefa imergir em profundidade na lógica própria da sociedade capitalista. É só depois de um minudente trajeto interno ao objeto sob exame, só depois da exposição das contradições insuperáveis que uma economia capitalista desenvolve, que o texto enunciará de modo mais explícito seu projeto político (tal como ocorre no capítulo 24 de O capital, “A assim chamada acumulação primitiva”). Foi a construção desse argumento que consumiu os esforços de Marx por décadas: se hoje, no nosso século XXI, sua obra continua nos interpelando, isso se deve a seu mergulho em profundidade na lógica contraditória da economia capitalista.
O procedimento argumentativo de Marx foi mal compreendido, para dizer o mínimo, pelos seus críticos liberais, que afirmaram não existir um espaço para a subjetividade humana na obra marxiana. Autores como Isaiah Berlin e Karl Popper – atingidos em seu narcisismo? – protestaram com veemência, sustentando que nosso autor teria realizado uma espécie de recalcamento das potencialidades criativas dos diferentes agentes sociais. Mas, na verdade, tal crítica deve ser dirigida, sem hesitação, ao funcionamento da economia capitalista, que cotidianamente monta equivalências monetárias entre os sujeitos e os produtos dos seus trabalhos, e não ao pensador que fez o registro conceitual da subordinação humana aos imperativos do valor em expansão. A análise de Marx pode ser lida a contrapelo como uma reivindicação emancipatória para todas aquelas capacidades humanas, qualitativamente diversas, que foram reprimidas e subordinadas à lógica quantitativa do valor de troca.
Neste 14 de março de 2026, completam-se 143 anos do falecimento de Marx. Sabemos que a situação do marxismo e de seu projeto político nos dias de hoje é muito adversa – alguém duvida disso? Quem ocupa o primeiro plano da cena política é a extrema direita internacional, com seu ideário racista e xenofóbico, com sua exploração impiedosa da força de trabalho e ímpeto de devastação ambiental que ameaça a vida humana no planeta. De modo muito sintomático, entretanto, a referência ao “comunismo” persiste como uma das categorias acusatórias mais difundidas nos ambientes povoados por essa mesma direita. Vários artigos já foram escritos, inclusive por autores distantes do marxismo, apontando para a recorrência sistemática nos discursos de Donald Trump da acusação de comunistas dirigida a seus adversários. Em 2024, perguntado pelos jornalistas em seu luxuoso clube de golfe sobre qual era sua estratégia para derrotar a então candidata Kamala Harris – a quem ele chamava pejorativamente de “Camarada Kamala” –, Trump respondeu com crueza: “Tudo que precisamos fazer é definir nosso oponente como sendo um comunista ou um socialista.”i9
Não deixa de ser irônico que a obsessão em se opor ao comunismo – Kamala Harris comunista, que piada – nos diga alguma coisa não só sobre as dificuldades que o marxismo enfrenta, mas também sobre sua permanência como o adversário mais consistente, não epidérmico, da barbárie contemporânea que o trumpismo representa de modo emblemático.
Referências
Flickinger, Hans-Georg. “O sujeito desaparecido na teoria marxiana”. Filosofia Política 1, p. 9-24, Porto Alegre: L&PM Editores, 1984.
Freud, Sigmund. ‘A Difficulty in the Path of Psycho-Analysis’, in The Standard Edition of the Complete Psychological Works of Sigmund Freud, vol. XVII. London: The Hogarth Press, 1981.
Hegel, G. W. F. Linhas fundamentais da Filosofia do Direito. São Leopoldo: Ed. UNISINOS, 2010.
Kellman, Laurie. “Trump brands his opponents as ‘communists,’ stirring up an American history of fear”. Los Angeles Times, May 4, 2025. Disponível em: https://www.latimes.com/politics/story/2025-05-04/trump-brands-his-opponents-as-communists-a-label-loaded-with-the-baggage-of-american-history
Martins, Maurício Vieira. Marx, Spinoza and Darwin: Materialism, Subjectivity and Critique of Religion. Palgrave Macmillan, 2022.
Marx, K. Crítica da Filosofia do Direito de Hegel. São Paulo: Boitempo, 2010a.
________. “Glosas marginais ao Manual de economia política de Adolph Wagner”. Verinotio – Revista on-line de Filosofia e Ciências Humanas, Rio das Ostras, v. 23, n. 2, pp. 252-279, ano XII, nov./2017.
_______. ‘Letter to Ferdinand Lassalle, February 22, 1858’. In: Marx & Engels Collected Works, vol. 40. London: Lawrence & Wishart, 2010b.
________. Manuscritos econômico-filosóficos. São Paulo: Boitempo, 2010c
_______ . O capital, vol 1. São Paulo: Boitempo, 2013.
Marx, K e Engels, F. A sagrada família. São Paulo: Boitempo, 2011.
Notas
- Freud, 1981, p. 139. ↩︎
- Marx e Engels, 2011, p. 15. ↩︎
- Marx, 2010a, p. 50. ↩︎
- Hegel, 2010, § 257, p. 229. ↩︎
- Reconhecer, como está sendo feito neste artigo, que existem diferenças relevantes no interior da obra de Marx (como ocorre, a rigor, com todo grande filósofo), não nos leva a endossar a hipótese althusseriana da existência de um corte epistemológico ao longo da referida obra. Problemático nesta hipótese é o descarte da inegável produtividade de vários temas presentes nos textos da juventude de Marx. Apenas a título de ilustração: autores espinosistas contemporâneos – como Franck Fischbach e Jason Read – vêm revalorizando os Manuscritos econômico-filosóficos de 1844 (anterior ao suposto corte epistemológico), apontando para a relevância da fundação da espécie humana na Natureza claramente demonstrada já neste texto de juventude. Também desenvolvi a importância destes Manuscritos – principalmente dos elementos que eles oferecem para uma teoria da subjetividade – no capítulo 6 do meu livro Marx, Spinoza and Darwin: Materialism, Subjectivity and Critique of Religion. ↩︎
- Flickinger, 1984, p. 17. ↩︎
- Confirmando esta hipótese, pode-se citar também as palavras tardias de Marx em 1879: “meu método analítico, […] não parte do homem, mas de períodos sociais economicamente dados” (Marx, 2017, p 267). ↩︎
- Marx, 2013, p. 125-146 ↩︎
- Kellman, 2025. ↩︎
***
Maurício Vieira Martins é doutor em Filosofia e professor da Universidade Federal Fluminense. Membro do Núcleo Interdisciplinar de Estudos e Pesquisas sobre Marx e o Marxismo (NIEP-Marx/UFF).
APROFUNDE-SE NO TEMA COM DESCONTOS IMPERDÍVEIS
CONHEÇA A COLEÇÃO MARX-ENGELS
Empenhada há três décadas em traduzir as obras de Marx e Engels, com rigor acadêmico e editorial, e sempre a partir dos manuscritos originais, a Boitempo conta hoje com mais de trinta volumes dos dois autores publicados, além de dezenas de livros dedicados ao estudo da teoria marxista. Em 2025, a Coleção Marx-Engels ganhará mais dois volumes: Do socialismo utópico ao socialismo científico, de Friedrich Engels, e o primeiro tomo das Teorias do mais-valor, obra inacabada de Karl Marx que foi por muitos considerada como o Livro IV de O capital.
Enquanto esses lançamentos históricos não chegam, conheça o catálogo de obras já publicadas pela coleção – algumas das nossas edições foram reconhecidas como as melhores do mundo por Gerald Hubmann, ex-diretor da MEGA (Marx-Engels-Gesamtausgabe, instituição detentora dos manuscritos dos autores).



O capital [livros I, II e III], de Karl Marx
Em 2011, a Boitempo deu início a uma de suas maiores empreitadas editoriais: a tradução completa de O capital, a principal obra de maturidade de Karl Marx. Em março de 2013, em meio ao projeto MARX: a criação destruidora, um conjunto de eventos que reuniu milhares de pessoas para debater a atualidade de seu pensamento, foi lançado o primeiro livro, O processo de produção do capital. A tradução de Rubens Enderle, vencedora do prêmio Jabuti 2014, foi a primeira realizada no Brasil a partir do texto preparado no âmbito da Marx-Engels Gesamtausgabe (MEGA2). Além dos prefácios elaborados por Marx e Engels para as diversas edições da obra e notas, a edição da Boitempo conta ainda com extenso aparato crítico.
Aproveite os combos promocionais.
Manuscritos econômico-filosóficos, de Karl Marx
Publicados apenas após sua morte, estes manuscritos foram escritos em 1844, quando Marx tinha apenas 26 anos. Neles, o filósofo alemão desenhou a crítica ética e política ao capitalismo, explorando a desvalorização humana em prol da mercadoria. Embora esboços, revelam a raiz da teoria do mais-valor.
Para a crítica da economia política, de Karl Marx
Publicada em 1859, esta é a primeira tentativa de Marx de publicar de maneira sistemática sua crítica da economia política. Trata-se do único volume que efetivamente veio à luz numa série prevista de seis livros. Oito anos depois, remodelado o projeto inicial, a concepção ganharia corpo na principal obra do autor, O capital, publicada em 1867. Para a crítica delineia os conceitos equivalentes ao que depois comporia a Seção I da obra-prima do filósofo alemão.
Grundrisse, de Karl Marx
Estes manuscritos, em tradução rigorosa feita diretamente dos originais em alemão, revelam a gênese da crítica do pai do socialismo científico à economia política. Escritos entre 1857 e 1858, são uma oportunidade ímpar para compreender, detalhadamente, o laboratório de estudos do renomado teórico.
Resumo de O capital, de Friedrich Engels
Mais de 150 anos após sua publicação, a obra-prima de Karl Marx continua suscitando debates acalorados. Friedrich Engels, o principal parceiro intelectual de Marx, buscou durante muitos anos de sua vida divulgá-la e publicá-la em outras línguas, além de ter sido o principal editor e organizador dos livros 2 e 3. Este livro traz um conjunto de resenhas feitas por Engels logo após o lançamento do primeiro volume de O capital, além de um manuscrito que o resume, uma espécie de guia para entender a obra, publicado pela primeira vez em português.
Manifesto comunista, de Karl Marx e Friedrich Engels
No final de fevereiro de 1848, foi publicado em Londres um pequeno panfleto que acabaria por se tornar o documento político mais importante de todos os tempos. Passado mais de um século e meio, a atualidade e o vigor deste texto continuam reconhecidos por intelectuais das mais diversas correntes de pensamento.
O 18 de brumário de Luís Bonaparte, de Karl Marx
Nesta célebre análise sobre o processo que levou da Revolução de 1848 para o golpe de Estado de 1851 na França, o filósofo alemão desenvolve o estudo do papel da luta de classes como força motriz da história e aprofunda sua teoria do Estado, sobretudo demonstrando que todas as revoluções burguesas apenas aperfeiçoaram a máquina estatal para oprimir as classes. Embasado por essa observação, Marx propõe, pela primeira vez, a tese de que o proletariado não deve assumir o aparato existente, mas desmanchá-lo.
A sagrada família, de Karl Marx e Friedrich Engels
Edição esmerada de um trabalho seminal dos dois pensadores, introduzindo conceitos revolucionários como “consciência de classe” e “ideologia” e fazendo uma crítica mordaz aos intelectuais de sua época. Uma oportunidade para a compreensão das origens do pensamento materialista da história.

A origem da família, da propriedade privada e do Estado, de Friedrich Engels
Um clássico da teoria social, este escrito de 1884 apresenta uma análise crítica dos modos de organização da vida social. Levando em consideração as relações entre os sexos para além da biologia, Engels trata da opressão de gênero e do papel do casamento e da autoridade masculina na constituição da sociedade moderna.
A mais inovadora e abrangente antologia de textos de Marx e Engels já chegou!
Mais de cento e quarenta anos após a morte de Karl Marx e cento e vinte da morte de Friedrich Engels, qual a contribuição intelectual desses dois filósofos para o Brasil e para o mundo? Muito se fala hoje, da esquerda à direita, de Marx e Engels, mas o quanto estamos de fato lendo suas obras?
Concebida pela Boitempo, principal editora de Marx e Engels no Brasil, para atingir um público amplo, a antologia O essencial de Marx e Engels propõe um mergulho de fôlego e amplitude sem precedentes nos principais pontos do projeto teórico desses dois autores. A organização, as apresentações de cada volume e as notas explicativas são de Marcello Musto, professor italiano com contribuições decisivas no florescente campo de estudo marxiano contemporâneo. A obra conta também com prefácio de José Paulo Netto e textos de apoio de alguns dos maiores especialistas brasileiros: Marilena Chaui, Jorge Grespan, Leda Paulani, Virgínia Fontes, Lincoln Secco e Alfredo Saad Filho. A edição é de Pedro Davoglio.



O essencial de Marx e Engels reúne os textos mais importantes dos pensadores e revela cartas, manuscritos e rascunhos inéditos ou pouco conhecidos. Os três volumes, separados em escritos filosóficos, econômicos e políticos, contam com 16 partes temáticas e 66 extratos diferentes, incluindo obras publicadas, documentos e alguns escritos inacabados que foram anteriormente negligenciados. A obra revela, entre outras coisas, como estão equivocadas as interpretações que retratam Marx e Engels como pensadores eurocêntricos e economicistas, interessados apenas no conflito entre trabalhadores e capital.
Os volumes seguem uma linha cronológica que vai do início da década de 1840 até a morte de Engels, em 1895. Temas como a filosofia pós-hegeliana, a concepção materialista da história, método de pesquisa, trabalho e alienação, crise econômica, socialismo e muitos outros trazem ao público as ideias mais conhecidas e uma faceta pouco explorada da dupla. Em uma época em que as teorias de Marx e Engels voltam a ser investigadas em escala global, esta obra permite uma nova e mais completa interpretação geral de sua produção intelectual.
Além dos três volumes citados, a caixa contém o livreto Para ler Marx e Engels, com material complementar às obras publicadas no Brasil, como aulas, debates, palestras, itinerários de estudo e indicações de leituras de apoio.

Descubra mais sobre Blog da Boitempo
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.










Deixe um comentário