Destruir o capital com as armas da crítica feminista: chamada aberta para grupos de estudo

“A compreensão do conjunto do ciclo de produção capitalista só é possível se passarmos pela análise da reprodução. Mas com quais ferramentas? É ou não é possível conduzir essa análise fundamentando-a na obra de Marx? A nosso ver, é seguramente possível, se estivermos dispostos a usar as categorias marxianas de forma não servil e com as armas da crítica feminista.“
— Leopoldina Fortunati em O arcano da reprodução
Você pesquisa gênero e quer estudar a obra de Leopoldina Fortunati com o apoio da Boitempo?
Visando incentivar o fortalecimento de iniciativas coletivas já existentes e a formação de novos grupos de leitura e estudos em todo o Brasil, a editora Boitempo convida pesquisadoras e ativistas a coordenar ciclos de discussão dedicados a uma das obras mais instigantes do feminismo marxista: O arcano da reprodução: donas de casa, prostitutas, operários e capital, de Leopoldina Fortunati.
Por que estudar a obra?
Historicamente, a economia política clássica e até mesmo o marxismo compreenderam o trabalho doméstico e a reprodução social como processos que permaneciam à margem do modo de produção capitalista. Em sua obra, porém, Fortunati revela que o trabalho não pago das mulheres, a criação dos filhos e a sexualidade são engrenagens centrais na criação de valor para o capital.
Se você se interessa por gênero, economia política, marxismo, acumulação primitiva ou pela relação entre produção e reprodução, esse livro oferece as ferramentas teóricas para aprofundar sua pesquisa e ampliar sua formação feminista, desafiando as fronteiras entre a casa e a fábrica.
Como funcionará a parceria?
Em homenagem ao mês de luta das mulheres, queremos potencializar iniciativas de estudo voltadas especificamente à leitura de O arcano da reprodução. Podem participar do processo de seleção:
- Grupos de estudo, coletivos feministas e clubes de leitura que já existem e queiram dedicar um ciclo de encontros ao livro;
- Grupos temporários e espontâneos, organizados especificamente para esta finalidade a partir desta chamada;
- Pesquisadoras ou professoras dispostas a formar um grupo, desde que cumpram o compromisso previsto da chamada.
As selecionadas irão receber:
- 01 exemplar cortesia do livro para a coordenadora do grupo;
- Cupom de desconto exclusivo para que integrantes do grupo possam adquirir a obra no site da Boitempo;
- Brinde especial da Boitempo.
Compromissos:
- Realizar o ciclo de leitura em um período de até 6 meses após a divulgação do resultado;
- Enviar um breve relato final sobre a experiência, compartilhando as principais reflexões do grupo, além de registros visuais (fotos ou vídeos) que possam ser utilizados para divulgação posterior da iniciativa.
Cronograma e formulário de inscrição
- Inscrições devem ser enviadas impreterivelmente até 23 de março de 2026 (segunda-feira), através do formulário disponível abaixo:
- Resultado final será divulgado por e-mail até 6 de abril de 2026.
Participe e contribua para colocar os estudos de gênero, o feminismo e o marxismo no centro do debate político e acadêmico!
CONHEÇA A OBRA






O arcano da reprodução: donas de casa, prostitutas, operários e capital, de Leopoldina Fortunati
Publicado pela primeira vez em 1981, esse livro é um clássico do feminismo italiano, finalmente traduzido para o português. A partir das grandes revoltas sociais que contestaram as divisões sexuais e raciais do trabalho em todo o mundo na década de 1970, a obra de Leopoldina Fortunati expande e transforma o modo como analisamos o processo de reprodução – parte do ciclo capitalista que diz respeito à produção de indivíduos como mercadoria força de trabalho.
“O arcano da reprodução é um verdadeiro tour de force, único tanto no campo do marxismo quanto no do feminismo. Enquanto as marxistas feministas elaboraram a importância da obra de Marx para compreender a opressão e a exploração das mulheres, Fortunati revoluciona o senso comum sobre produção e reprodução ao testar as categorias marxianas por meio de sua aplicação heterodoxa.”
— Silvia Federici, autora de Mulheres e caça às bruxas e O patriarcado de salário
Partindo de categorias marxistas, Fortunati vai além, explorando inclusive a visão parcial de Karl Marx em relação à análise de reprodução, uma vez que o autor, que reconhecia o papel do trabalho doméstico no processo geral de produção como momento da reprodução da força de trabalho, não atribuía a essas atividades – centrais para a manutenção da vida tanto no âmbito material, da subsistência, quanto imaterial, no que diz respeito aos afetos e à sexualidade – a capacidade de produzir valor.
Fortunati procura demonstrar, não contra Marx, mas para além dele, como o trabalho de reprodução realizado pelas “operárias da casa” e pelas “operárias do sexo” integra o processo geral de reprodução do capital. Original, a obra nos apresenta valiosas ferramentas de análise do estado contemporâneo do desenvolvimento capitalista e das lutas das mulheres hoje. No momento em que o trabalho digital borra ainda mais as fronteiras entre as jornadas de trabalho doméstico e extradoméstico, o texto continua sendo precursor e essencial.
Descubra mais sobre Blog da Boitempo
Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.
Deixe um comentário