Ruy Braga e a natureza estrutural da opressão racial no capitalismo

Silvio Almeida comenta "A angústia do precariado", novo livro de Ruy Braga, destacando como a valorização da experiência coletiva da classe trabalhadora nos Estados Unidos também fornece lições para a luta contra o autoritarismo no Brasil.

Capa interna de A angústia do precariado, por Maikon Nery,

Por Silvio Almeida

A ascensão do nacionalismo supremacista nos Estados Unidos pode ser interpretada apenas como produto do ódio, do ressentimento e do racismo da classe trabalhadora branca? Ou as razões que explicam o comportamento político dos trabalhadores brancos são mais variadas, desafiando uma narrativa politicamente conveniente tanto para democratas como para republicanos?

Fruto de catorze meses de pesquisa de campo realizada em pequenas cidades rurais na região dos Montes Apalaches, A angústia do precariado desvenda uma história muito diferente e praticamente desconhecida a respeito de como as condições de subsistência dos trabalhadores brancos se aproximaram daquelas frequentemente associadas às comunidades negras naquele país.

Em sua etnografia operária, Ruy Braga investigou como o sofrimento de cidades duramente golpeadas pela confluência entre crise econômica, desindustrialização, epidemia de abuso de substâncias ilícitas e pandemia ajudou a impulsionar, após o assassinato de George Floyd, protestos em favor das vidas negras numa região majoritariamente formada por brancos.

O livro empenhou-se em compreender como esse comportamento se enraíza no longo processo histórico de reconstrução das identidades coletivas dos trabalhadores precários estadunidenses, que vai do longo ciclo grevista dos anos 1960 até a atual onda de criação de novos sindicatos protagonizada pelos trabalhadores racializados.

Ao perseguir esse objetivo, Braga enfatizou em sua análise a natureza estrutural da opressão racial no capitalismo, argumentando que a atual crise que ameaça as instituições democráticas decorre em larga medida da incapacidade do movimento organizado dos trabalhadores de superar as fronteiras raciais que dividem as classes subalternas.

Daí a centralidade da reconfiguração das identidades coletivas dos trabalhadores impactados pela onda mundial de protestos antirracistas impulsionada pelo movimento Black Lives Matter. Ao valorizar a experiência coletiva da classe trabalhadora nos Estados Unidos, sublinhando seu potencial emancipador, o autor soube reunir algumas lições valiosas, capazes de favorecer a luta contra a ascensão do autoritarismo também no Brasil.

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A angústia do precariado é o último volume de uma trilogia consagrada à formação do precariado global, ou seja, aquele vasto contingente de trabalhadores em situação de insegurança e sub-remunerados. O primeiro trabalho da série foi publicado em 2012, com o título A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista, seguido por A rebeldia do precariado: trabalho e neoliberalismo no Sul global , em 2017. 

O livro de Ruy Braga tem texto de orelha de Silvio Almeida, quarta capa de Peter Evans, Rebecca Tarlau e Manuel Rosaldo e capa de Maikon Nery.

“Magistral análise da exploração e da emergência da resistência dos trabalhadores precários nos Estados Unidos, o livro pioneiro de Ruy Braga demonstra como o desafio da precariedade laboral superou as fronteiras que dividem o Norte do Sul globais. A angústia do precariado é um marco nos estudos do trabalho global, merecendo a atenção de pesquisadores e ativistas.”
Peter Evans, professor emérito de sociologia da Universidade
da Califórnia em Berkeley

A angústia do precariado representa um feito notável: Ruy Braga analisa as mudanças e as reviravoltas ideológicas do movimento dos trabalhadores nos Estados Unidos ao longo do século XX ao mesmo tempo que oferta um estudo etnográfico das esperanças, dos sonhos e dos medos de uma comunidade pós-industrial da Pensilvânia. Mais uma vez, Braga atesta seu compromisso com a luta global da classe trabalhadora.”
Rebecca Tarlau, professora de relações de trabalho
da Universidade Estadual da Pensilvânia

“Depois de estudos inovadores sobre a mobilização dos trabalhadores precários no Brasil, em Portugal e na África do Sul, Ruy Braga mirou um novo e ambicioso alvo: os Estados Unidos. Costurando interpretações interseccionais, análises históricas e uma vívida etnografia operária, A angústia do precariado oferece um relato definitivo do capitalismo racial na América numa época em que populistas de direita no mundo todo semeiam misoginia, racismo e xenofobia.”
Manuel Rosaldo, professor de relações de trabalho
da Universidade Estadual da Pensilvânia

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Silvio Almeida é advogado, filósofo e professor, atual ministro dos Direitos Humanos e da Cidadania do Brasil. Pela Boitempo publicou Sartre: direito e política.

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