Cultura inútil: Tragédias, tragédias, catástrofes…

De Platão ao Barão de Itararé, passando por Simone de Beauvoir, Theodore Roosevelt, Nelson Rodrigues e Clarice Lispector, Mouzar Benedito reúne as melhores frases em busca da compreensão de nossas tragédias.

“A tragédia” (1903), de Pablo Picasso

Por Mouzar Benedito.

Uma tragédia nunca vem só, diz um velho ditado. Eu me lembrei dele há mais de um ano, quando apareceu a covid-19. “Não bastava o governo Bolsonaro?”, perguntei.

Pois é, antes das eleições para presidente da gringolândia, fiquei ruminando se a tragédia de lá persistiria e continuaria alimentando a daqui. Ufa! Alívio. Não aconteceu! Não que Joe Biden seja uma maravilha, mas a tragédia Trump, inspiradora de várias tragédias mundo afora, inclusive no Brasil, não foi reeleita. Estamos num tempo em que não comemoramos a vitória em uma eleição, comemoramos a derrota do pior.

Mas e aqui? Os protagonistas da tragédia brasileira seriam mantidos nas urnas, nas eleições municipais? O tema tragédia ficou rodeando a minha mente.

Não sei se o resultado das eleições aqui merecem comemoração. Muita gente acha que pelo menos catástrofes municipais maiores foram evitadas em muitos lugares. Continuo achando que poderia ter sido bem melhor, mas desde 2018 penso muito mal de uma boa parcela dos brasileiros.

E depois das eleições municipais, a coisa piorou. O número de mortos pela covid-19, passou a ser contado em centenas de milhares, sendo que esse número de vidas perdidas poderia ser muito menor, não fossem os votos dessa parcela de brasileiros em 2018 e 2020.

De qualquer maneira, fiquei ruminando sobre as palavras “tragédia” e “catástrofe”. E para não me limitar a questões eleitorais, coletei umas frases sobre elas, com ampla variedade. Aí vão elas:

Platão: “Podemos facilmente perdoar uma criança que tem medo do escuro; a real tragédia da vida é quando os homens têm medo da luz”.

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Atribuído a Stálin (alguns autores dizem que ele nunca falou isso): “A morte de uma pessoa é uma tragédia; a de milhões, uma estatística”.

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Dorothy Parker: “Não são as tragédias que nos matam, são as confusões”.

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Henry Becque: “O dilúvio foi um fracasso: ficou um homem”.

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Aldous Huxley: “Uma tragédia é algo de que se participa; a uma comédia apenas assistimos”.

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Mário Quintana: “Não, a pior tragédia não é a que tomba inesperada, rápida, definitiva e única como um raio e que pode ser atribuída a castigo divino… Mas a que se arrasta quotidianamente, surdamente, monótona como a chuva miudinha”.

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Clarice Lispector: “A tragédia – que é a aventura maior – nunca se realiza em mim. Só o meu destino pessoal era o que eu conhecia. E o que eu queria”.

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Christa Schyboll: “Heróis sem tragédia são como livros sem palavras”.

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Viana Moog: “Tragédia sem incesto é drama”.

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Scott Fitzgerald: “Mostre-me um herói e eu escreverei uma tragédia”.

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Mark Twain: “Eu sofri muitas catástrofes na minha vida, a maioria nunca aconteceu”.

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Barão de Itararé: “O casamento é uma tragédia em dois atos: um civil e um religioso”.

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Oscar Wilde: “As nossas tragédias são sempre uma profunda banalidade para os outros”.

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Oscar Wilde, de novo: “A verdadeira tragédia do pobre é que só pode aspirar a renúncia. Os belos pecados, como as coisas belas, são privilégios de ricos”.

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Oscar Wilde, mais uma vez: “Toda mulher acaba por ficar igual à sua própria mãe. Essa é sua tragédia. Nenhum homem fica igual à sua própria mãe. Essa é sua tragédia”.

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José Saramago: “Nossa maior tragédia é não saber o que fazer com a vida”.

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Horace Walpole: “A vida é uma comédia para os que pensam e uma tragédia para os que sentem”.

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Charles Chaplin: “A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe”.

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Harry Emerson Fosdick: “Um homem sábio pode considerar a vida uma comédia, uma tragédia ou uma farsa, e ainda assim gozá-la”.

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Karl Marx: “A história se repete, a primeira vez como tragédia e a segunda como farsa”.

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Pablo Picasso: “A tragédia quando somos famosos é que se tem de dedicar tanto tempo a ser famoso”.

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Jean Cocteau: “Para um poeta a maior tragédia é se o admiram porque não o entendem”.

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Walter Benjamim: “Que as coisas continuem como antes, eis a catástrofe”.

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Simone de Beauvoir: “É horrível assistir a agonia de uma esperança”.

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Simone de Beauvoir, de novo: “A morte parece menos terrível quando se está cansado”.

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Theodore Roosevelt: “A morte é sempre e em todas as circunstâncias uma tragédia, pois, se não o é, quer dizer que a própria vida passou a ser tragédia”.

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Mário Sérgio Cortella: “A tragédia não é quando um homem morre. A tragédia é o que morre dentro de um homem quando ele está vivo”.

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Nelson Rodrigues: “A morte de um velho amigo é uma catástrofe na memória. Todas as nossas relações com o passado ficam alteradas”.

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Christian Morgenstern: “O que é um ser humano? A tragédia de Deus”.

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Nietzsche: “A invenção da moral cristã foi um acontecimento sem precedente, uma verdadeira catástrofe”.

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Dostoievski: “A tragédia e a sátira são irmãs e estão sempre de acordo; consideradas ao mesmo tempo recebem o nome de verdade”

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Francisco de Bastos Cordeiro: “Morrer é um ato tão natural quanto nascer – a grande tragédia é viver”.

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Benjamin Franklin: “A tragédia da vida é que ficamos velhos cedo demais. E sábios, tarde demais”.

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Rubem Alves: “A beleza não elimina a tragédia, mas a torna suportável”.

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Guimarães Rosa: “Sempre vem imprevisível o abominoso? Ou: os tempos se seguem e parafraseiam-se. Deu-se a entrada dos demônios”.

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Albert Camus: “O bacilo da peste não morre nem desaparece nunca, pode ficar dezenas de anos adormecido (…). Espera pacientemente (…). E chega talvez o dia em que, para desgraça e ensinamento dos homens, a peste acorda os ratos e os manda morrer numa cidade feliz”.

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Nelson Mandela: “Estou convencido de que dilúvios de desastre pessoal nunca podem afogar um revolucionário determinado, nem o cúmulo da miséria que acompanha a tragédia o sufocará”.

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Tragédia contada pelo Barão de Itararé: “Um cavalheiro, em Niterói, desgostoso com a esposa, deu três tiros no chapéu dela. O diabo é que, no momento, a esposa estava com o chapéu na cabeça”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em coautoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996), Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia) e Chegou a tua vez, moleque! (2017, e-book). Colabora com o Blog da Boitempo mensalmente, às terças. 

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