Maringoni: Menos Mises, mais Marx!

A Boitempo e a Fundação Rosa Luxemburgo acabam de publicar um dos mais completos e materiais de apoio ao estudo do livro 1 de O capital, de Marx: Mais Marx é uma obra ilustrada elaborada por uma equipe de 5 pesquisadores e que apresenta os principais argumentos e conceitos marxianos, além de textos introdutórios, instruções detalhadas e notas concisas para contribuir com a apropriação e difusão de conhecimento da crítica da economia política. Nas palavras de Ruy Braga na apresentação à edição brasileira do livro: “Na condição de quem acumulou experiência no ensino em sala de aula da obra de Karl Marx, posso dizer que sempre senti falta de um um apoio didático de qualidade, capaz de apresentá-la de forma clara, destacando o apuro expositivo do objeto tão duramente alcançado por seu autor. Conheço pouquíssimos textos dedicados especificamente ao apoio de grupos de estudos d’O capital.” Confira, abaixo, a orelha do livro assinada por Gilberto Maringoni.

Por Gilberto Maringoni.

Muitas vezes anunciaram a morte do marxismo, outras tantas alegaram que Marx estava superado. Mas quantos pensadores apontados como demolidores de seu legado intelectual são lembrados hoje?

Marx não foi ultrapassado porque ao mergulhar profundamente no exame de seu tempo percebeu movimentos e conflitos que compõem a organização de um tipo muito particular de economia, aquela pautada pela mercadoria. Descobriu forças e métodos que não apenas se mostram atuais como se renovam a cada interpretação.

O capital como acumulação mudou de forma, mas o capital como relação social segue nas mesmas bases de 150 anos atrás. E foi com a leitura de O capital – livro – que milhões de homens e mulheres se colocaram desde então na tarefa de mudar o mundo. Tarefa embalada menos pela fé do que pela razão e por um Iluminismo de novo tipo, capaz de detectar graves dramas humanos potencializados pela engrenagem do capitalismo como ele é.

Há um Marx-obra e um Marx-sede de conhecimento, um Marx-febre de mudanças, um Marx-pulsar, um Marx-devir, um Marx-vir-a-ser. Marx se faz e se refaz dialeticamente na visão e na ação de cada um que o lê.

O material publicado neste Mais Marx é uma interpretação de seus estudos. Forma um conjunto comentado de quadros explicativos que ilustram linhas de argumentação centrais do Livro I de O capital. Há ainda textos introdutórios e sugestões claras e objetivas acerca do método e da didática.

Mas não leia Marx. Não dê atenção a este livro se deseja ficar alheio não apenas ao funcionamento da sociedade mas dos pontos de apoio para transformá-la. Do contrário, é preciso reafirmar em alto e bom som: Mais Marx!

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5 comentários em Maringoni: Menos Mises, mais Marx!

  1. Antonio Tadeu Meneses // 16/01/2017 às 13:42 // Resposta

    A prova de que Marx tinha razão está no relatório da ONG Oxfan para o Fórum Econômico Mundial que ocorrerá de 17 à 20/01/2017 em Davos. Relatou-se que oito pessoas tem a mesma riqueza que 3,6 bilhões de pessoas do planeta e essa desigualdade continua aumentando. Entre 1988 e 2011 a renda dos mais pobres aumentou em USD$ 3 / ano enquanto a dos 1% mais ricos aumentou em 18.200%.
    No Brasil, enquanto se congela salários, orçamento da previdência, verba da educação, etc., as grande multinacionais obtém privilégios de privatizações baratas e de pagar cada vez menos impostos, etc.

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  2. Parabéns pelo texto. A Editora Nova Harmonia lançará em março o livro de Hugo Biagini e de Diego Fernández Peychaux, título: O Neuroliberismo e a ética do mais forte. O livro. está no site CECIES.ORG
    Att
    Prof. Dr. Antonio Sidekum. http://www.editoranovaharmonia.com

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  3. Quero comprar este livro. MORO EM JF-MG! COMO FAÇO? BRIGADA!

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  4. Andressa // 18/01/2017 às 2:06 // Resposta

    Material maravilhoso! Como bem disse Sartre: Enquanto não superarmos o capitalismo, o marxismo é insuperável. Parabéns a toda equipe.

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  5. Antonio Elias Sobrinho // 18/01/2017 às 17:36 // Resposta

    A sociedade hoje, é muito diferente da época do tempo de Marx. Nesse sentido, seu pensamento não pode ser transportado para os dias de hoje de forma automática e assim, pode-se dizer que grande parte de seus escritos precisam ser revisados e atualizados. Alias, o próprio Marx, juntamente com Engels, começaram essa revisão, a partir do prefácio de 1872 do Manifesto. Quase todos aqueles que tentaram cristalizar suas obras, formaram manuais e catecismos mais como armas de combate contra outros marxistas do que acrescentar algo para o desenvolvimento da teoria. Assim, como Marx virou um clássico, nossa melhor contribuição deve ser ler ou relê-lo como um teórico do seu tempo, tentando reinterpretar suas obras nos seus fundamentos.

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