10 livros para entender o que está acontecendo no mundo do trabalho hoje

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No dia 1º de maio de 1886, milhares de trabalhadores estadunidenses paralisaram a cidade de Chicago, deflagrando uma greve geral. Eles reivindicavam, como principal pauta, a redução da jornada de trabalho para oito horas diárias. No Brasil, o dia 1º de maio também marca a criação da CLT durante o Estado Novo em 1943. Para ajudar a refletir sobre os sentidos e as discussões por trás do 1º de maio, preparamos uma lista de 10 leituras para entender o passado, o presente e o futuro do mundo do trabalho no Brasil. Confira! 

  1. Sem maquiagem: o trabalho de um milhão de revendedoras de cosméticos, de Ludmila Costhek Abílio, é certamente um dos mais originais reflexões sobre o mundo do trabalho hoje. Ancorada em um rico estudo de campo, a autora investiga o universo das revendedoras de cosméticos da Natura e propõe uma abordagem original sobre o trabalho informal feminino dentro de um segmento denominado Sistema de Vendas Diretas, que faz com que as revendedoras se tornem propaganda viva dos produtos, seu capital social pessoal se transforma em um meio para alavancar os lucros da companhia.
  2. A política do precariado: do populismo à hegemonia lulista, de Ruy Braga, passa a limpo a história social do Brasil – do populismo fordista ao atual lulismo hegemônico –, tendo como vetor analítico a “política do precariado”. O instrumental metodológico e conceitual novo empregado pelo autor fez deste livro publicado em 2012 um dos primeiros a identificarem como a hegemonia lulista se assentava em terreno historicamente movediço, prenunciando, de certa forma, a conturbada conjuntura que vêm caracterizando esses últimos 3 anos no Brasil.
  3. Nova classe média? O trabalho na base da pirâmide social brasileira, é um estudo de referência sobre a mobilidade na base da pirâmide social brasileira no século XXI, escrito pelo economista e Diretor da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann. Desafiando o falatório sobre o surgimento de uma “nova classe média, Pochmann demonstra como o resgate da condição de pobreza e o aumento do padrão de consumo não tiram a maioria da população emergente da classe trabalhadora. Para ele, é preciso a politização classista do fenômeno para aprofundar a transformação da estrutura social, sem a qual a massa popular em emergência ganha um caráter predominantemente mercadológico, individualista e conformista sobre a natureza e a dinâmica das mudanças socioeconômicas no Brasil. Essas reflexões se desdobraram dois anos depois no livro O mito da grande classe média: capitalismo e estrutura social, que apresenta uma perspectiva histórica e analítica de como e por que se propala mundo afora a ideia de “medianização” das sociedades e, no Brasil, a da existência de uma nova classe média.
  4. Infoproletários: degradação real do trabalho virtual, organizado pelos sociólogos do trabalho Ruy Braga e Ricardo Antunes, evidencia a associação oculta entre o uso de novas tecnologias e a imposição de condições de trabalho do século XIX em um dos setores considerados como mais dinâmicos da economia moderna, o informacional.
  5. Rituais de sofrimento é um ensaio impressionante sobre o trabalho no capitalismo contemporâneo construído a partir de uma análise original do fenômeno dos reality shows. Com uma escrita ágil e afiada, a socióloga Silvia Viana revela como, o que se pode apreender da análise contundente dos mecanismos invariáveis dos “espetáculos de realidade”, com todas as variações aparentes que podem comportar, é que o jogo, com suas situações totalmente arbitrárias e artificiais, é regido pela lógica real do mundo do trabalho no capitalismo de nosso tempo: empreendedorismo, pró-atividade, flexibilização, compromisso a qualquer preço para se manter no jogo, a despeito de todos saberem que, ao final, espreita a ameaça da aniquilação.
  6. A legalização da classe operária, de Bernard Edelman desenvolve uma tese avessa ao lugar comum nesta que é certamente sua obra mais polêmica sobre a captura do ímpeto revolucionário da classe trabalhadora pela armadilha jurídica da burguesia. Regulamentação da jornada de trabalho, férias remuneradas, reforma da dispensa, direito de greve, reconhecimento da organização sindical… E se todas essas históricas conquistas trabalhistas no âmbito jurídico representassem na verdade momentos fundamentais da captura política da classe trabalhadora? O livro pode muito bem ser lido ao lado de sua contraparte nacional O roubo da fala: origens da ideologia do trabalhismo no Brasil, de Adalberto Paranhos, que faz uma brilhante análise do nascimento e a consolidação do discurso trabalhista, seus desdobramentos e ambiguidades. Na tese avançada pelo autor, o trabalhismo, antes de ser a outorga de um Estado paternalista que se antecipou às reivindicações do movimento operário, é na verdade uma fala subtraída aos trabalhadores, redesenhada pelo projeto político-ideológico getulista e devolvida ao mundo do trabalho sob a forma de Getúlio Vargas.
  7. O que são classes sociais? é um dos primeiros livros da coleção de infantis que a Boitempo acaba de lançar! Partindo da premissa de que todas as pessoas são iguais, mas que existem coisas que as tornam desiguais, o livro expõe de um jeito simples a complexidade das dinâmicas sociais e do mundo do trabalho. Por que uns têm mais do que outros? Por que uns mandam mais do que outros? Por que uns vão para a universidade e outros param de estudar para trabalhar?
  8. Margem Esquerda #18: ensaios marxistas. Esta edição da revista semestral da Boitempo contém um dossiê especial organizado por Ricardo Antunes, que apresenta cenas da condição de precariedade da classe trabalhadora em escala global. Intitulado “Nova era de precarização estrutural do trabalho?”, a edição contém artigos de Pietro Basso, Giovanni Alves, Dora Fonseca, Graça Druck e do próprio Ricardo.
  9. O continente do labor é o livro mais recente de Ricardo Antunes. A obra oferece um olhar latino-americano diante dos dilemas do mundo do trabalho em três frentes principais: a primeira parte reúne textos escritos sobre a temática do trabalho, da dependência, das lutas populares e de outros desafios presentes em nosso continente; a segunda parte oferece um balanço sintético das lutas sociais e sindicais no Brasil do século XX e início do XXI. Já a terceira parte oferece um breve panorama descritivo do sindicalismo latino-americano por meio das suas principais centrais sindicais.
  10. Riqueza e miséria do trabalho no Brasil é um projeto monumental organizado por Ricardo Antunes, que reune contribuições de alguns dos principais pesquisadores do tema no Brasil e no mundo para mapear as atuais morfologias do mundo do trabalho no Brasil hoje. Com textos de figuras como István Mészáros, Marcio Pochmann, Alain Bihr, Danièle Linhart, Ruy Braga e Giovanni Alves, entre outros, o projeto se desdobre em três volumes: Volume IVolume II e Volume III.

Gostou da seleção? Que outros livros da Boitempo você acha que faltou incluir? Queremos saber!


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PROMOÇÃO DIA DO TRABALHADOR

Aproveite, até a meia-noite do dia 1° de maio de 2016, todos os livros da Coleção Mundo do Trabalho, coordenada por Ricardo Antunes, estão com 20% de desconto e frete grátis na loja virtual da Boitempo. São mais de 50 títulos de autores como István Mészáros, Ruy Braga, Marcio Pochmann, Ricardo Antunes, entre outros… Não perca, clique aqui!

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Confira também o dossiê especial sobre “Terceirização“, no Blog da Boitempo, com reflexões em torno do Projeto de Lei 4.330/04, que acaba de ser aprovado no Congresso e passa agora pelo crivo do Senado Federal.


Outros títulos relacionados:

  1. A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, de Friedrich Engels.
  2. Trabalhadores Uni-vos: antologia política da I internacional, organizada por Marcelo Musto.
  3. Tempo, trabalho e dominação social: uma reinterpretação da teoria crítica de Marx, de Moishe Postone.
  4. De que lado você está: reflexões sobre a conjuntura política e urbana do Brasil, de Guilherme Boulos
  5. A luta de classes: uma história política e filosófica, de Domenico Losurdo

3 comentários em 10 livros para entender o que está acontecendo no mundo do trabalho hoje

  1. Paulo Ayres // 01/05/2016 às 22:21 // Responder

    Faltou “Trabalho e proletariado no capitalismo contemporâneo”, do Sérgio Lessa. Uma análise fiel ao Marx do Livro I d’O Capital: nem todo assalariado é proletário. Proletariado é a classe operária.

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  2. Republicou isso em tyrsoreblog.

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  3. Frei Alamiro Silva // 02/05/2016 às 20:24 // Responder

    *Paz e Bem!* *Adolfo Perez Esquivel, arquiteto, pintor e escultor, cordenador do Serviço de Justicia y Paz en America Latina desde 1975, Nobel da Paz em 1980.* *Conheceu na pele o que foi a ditadura militar argentina e em 2013 veio a público perante todo o mundo testemunhando que o Papa Francisco (Jorge Bergoglio) não defendeu a Ditadura Argentina.* *Veio ao Brasil no final de abril último e visitou a CNBB, Presidenta Dilma, Senado, STF e o que falou tem o respaldo do Papa Francisco, com quem deve se encontrar no final de maio.* *Mesmo com todas as críticas que temos contra os governos de Lula e Dilma, vendo a questão da reconolização dos Estados Unidos e suas consequências para os povos, ainda tem dúvidas sobre de que lado devemos ficar?* *Laudato si, mi Signore.* *Frei Alamiro* *”Deus é o Amor entre as três pessoas distintas da Santíssima Trindade. Quem permanece no Amor permanece em Deus e Deus nele”! **(Primeira carta de São João capítulo 4 versículo 16)*

    http://www.brasil247.com/pt/247/rs247/229475/%E2%80%98Golpe-%C3%A9-parte-de-um-projeto-de-re

    *Frei Alamiro* *”Deus é o Amor entre as três pessoas distintas da Santíssima Trindade. Quem permanece no Amor permanece em Deus e Deus nele”! **(Primeira carta de São João capítulo 4 versículo 16)*

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