Conheça a Biblioteca Lukács da Boitempo!

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Desde 2010, a Boitempo desenvolve sistematicamente o projeto de publicação das obras de György Lukács (1885-1971). O diferencial dessas edições, em face das anteriores de textos lukacsianos em português, não se reduz ao esmero da apresentação gráfica nem ao cuidado na escolha de especialistas para a redação dos subsídios (prefácio, posfácio, texto paras as orelhas e para a quarta capa dos volumes) oferecidos ao público. O diferencial consiste na tradução – com revisões técnicas – que se vale dos originais alemães, devidamente autorizada pelos detentores dos direitos autorais.

Boitempo no Instagram: José Paulo Netto veio a São Paulo para discutir a programação da Biblioteca Lukács com nossas editoras e com Ronaldo Vielmi Fortes.

A Boitempo não se propõe entregar ao leitor de língua portuguesa as obras completas de Lukács, como também não ambiciona elaborar – no sentido estrito – edições críticas. O projeto em curso ousa oferecer o essencial do pensamento lukacsiano em traduções confiáveis e dignas de crédito, posto que se conhecem a complexidade e a dificuldade da tarefa de verter textos tão densos, substanciais e polêmicos.

Agora, aos livros anteriormente publicados (Prolegômenos para uma ontologia do ser social, 2010; O romance histórico, 2011; Lenin e Para uma ontologia do ser social I, 2012; e Para uma ontologia do ser social II, 2013), junta-se este Reboquismo e dialética, que inaugura uma nova fase do projeto, batizado como Biblioteca Lukács.

Verifica-se como, ao cabo de meia década, com o trabalho de tradutores de competência comprovada, de revisores técnicos de alto nível e com subsídios de intelectuais destacados, vem avançando a missão de divulgação para o leitor brasileiro do pensamento daquele que foi o maior filósofo marxista do século XX. E a Boitempo, empenhada em alcançar seu objetivo, acaba de reforçar a equipe responsável pela Biblioteca Lukács, com a colaboração permanente dos professores José Paulo Netto (coordenador) e Ronaldo Vielmi Fortes (coordenador adjunto).

REBOQUISMO E DIALÉTICA

A coleção tem início com a publicação de Reboquismo e dialética: uma resposta aos críticos de História e consciência de classe, livro raro de György Lukács descoberto só recentemente nos arquivos de Moscou e até então inédito no Brasil. Traduzida diretamente do alemão por Nélio Schneider, a edição conta ainda com um prefácio de Michael Löwy e pósfácio de Nicolas Tertulian. Leia o texto de orelha do livro, assinado por Antonio Carlos Mazzeo, abaixo:

reboquismo

Este ensaio inédito de Gyӧrgy Lukács era, até pouco tempo, desconhecido – tanto que o próprio autor pensava que havia sido destruído. Em meados da década de 1990, ao abrir os arquivos do Comintern, em Moscou, pesquisadores descobriram este texto, escrito entre 1925 e 1926, com o título em alemão Chvostimus und Dialektik – uma paráfrase da expressão que Lenin, em seu livro Que fazer? (1902), usa para indicar as tendências espontaneístas do movimento operário russo que se recusavam a aceitar o papel da vanguarda e da necessidade da teoria e do partido revolucionários. Chvostimus – que deriva do termo russo chvost, “cauda” –, quer dizer, “a reboque” ou “reboquismo”.

Escrito logo após o surgimento das críticas a História e consciência de classe (1923), Reboquismo e dialética é uma resposta, sobretudo, às vozes sectárias de Abram Deborin e de seu camarada do Partido Comunista húngaro László Rudas, mas também a Grigori Zinoviev, que no V Congresso do Comintern (junho-julho de 1924) praticamente “excomunga” o hoje clássico texto de filosofia marxista quando vocifera contra o “revisionismo teórico dos professores”.

Lukács percorre criticamente os temas centrais de História e consciência de classe fazendo serrada defesa do significado do método dialético, contrapondo-o ao mecanicismo de viés positivista e ao determinismo de seus críticos, principalmente em relação à problemática da dialética da natureza e à questão da “consciência adquirida”. Mas se no ensaio não publicado à época, por um lado, escancaram-se as debilidades do jovem Lukács em relação à teoria social de Marx, por outro, verificam-se continuidades e rupturas com a obra de 1923, evidenciando o aprofundamento da transição intelectual do filósofo húngaro, principalmente a que está em processo na imediata pós-publicação de História e consciência de classe. Em sua defesa, o autor retoma aspectos fundamentais da teoria marxiana que foram desenvolvidos naquela obra, como a teoria do reflexo (Abbildtheorie) e a questão da totalidade como elemento analítico nodal para conhecer e transformar a realidade objetiva e a problemática da subjetividade revolucionária, temas que serão revisitados mais adiante, já sob a luz das leituras dos Manuscritos econômico-filosóficos (1844) de Marx. Assim, noventa anos após sua redação, esta pequena obra-prima que permaneceu inédita por sete décadas continua a oferecer aos estudiosos poderosas ferramentas para a reflexão – com uma profundidade que só o pensamento de György Lukács poderia legar-nos.

Antonio Carlos Mazzeo

I CURSO LIVRE GYÖRGY LUKÁCS

Aula inaugural do I Curso Livre György Lukács, com Celso Frederico. Todas as aulas foram gravadas e serão publicadas na TV Boitempo.

Em novembro de 2015, a Boitempo realizou, em parceria com o Programa de Estudos Pós-Graduados em História e com o Programa de Estudos Pós-Graduados em Serviço Social da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a primeira edição do Curso Livre György Lukács. O evento, que contou com 10 aulas gratuitas apresentadas por alguns dos maiores especialistas brasileiros na obra lukácsiana, foi gravado e será publicado posteriormente na TV Boitempo.

O evento contou com o apoio da APROPUC (Associação dos Professores da PUC-SP), CACS (Centro Acadêmico de Ciências Sociais); CEHAL – Centro de Estudos de História Latinoamericana), HIMEPE (História, Memória e Pensamento Econômico), NEAM (Núcleo de Estudos e Aprofundamento Marxista), NEHTIPO (Núcleo de Estudos de História: Trabalho, Ideologia e Poder), NETRAB (Núcleo de Estudos e Pesquisa Trabalho e Profissão) NEPEDH (Núcleo de Estudo e Pesquisa em Ética e Direitos Humanos), NEPI (Núcleo de Estudos e Pesquisa sobre Identidade), Colegiado de Ciências Sociais da Fundação Santo André (FSA) e do Grupo de Estudos “Filosofia Política Contemporânea”.

bibliotecalukacs

VEM AÍ…

Confira alguns dos próximos títulos que estão sendo preparados para a Biblioteca Lukács:

10 comentários em Conheça a Biblioteca Lukács da Boitempo!

  1. Excelente iniciativa, mas vejo que não está nos planos da Boitempo a tradução do Destruction of Reason, em que Lukács analisa criticamente as idéias de Nietzsche, entre outros pensadores “irracionalistas”. Acho que seria oportuno o lançamento dado que a suposta filosofia de Nietzsche tem encontrado eco no meio acadêmico, impusionada pela onda “pós-modernista” capitaneada por Foucault, Deleuze e até certo ponto, Althusser.
    Não seria uma boa iniciativa traduzir para o português?

    Grande abraço

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  2. Guilherme Franco de Andrade // 08/12/2015 às 18:26 // Responder

    Sim, e nada da boitempo pensar em traduzir para o Português o livro “Assalto a Razão”, tão importante para pensar o avanço do conservadorismo hoje!!

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  3. Maria Thereza C. G. de Menezes // 09/12/2015 às 12:00 // Responder

    Parabéns para a Boitempo, a obra de Lukács é indispensável para o aprimoramento do pensamento revolucionário no Brasil. As traduções para o português, chegaram tardiamente, no Brasil e precisam ser mais divulgadas.

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  4. Ailton Teodoro // 12/12/2015 às 17:51 // Responder

    Precisa traduzir História e Consciência de Classe. A edição da Martins Fontes não tem nenhum cuidado…

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  5. Manuel Soares // 13/12/2015 às 0:35 // Responder

    A Boitempo é editora que merece destaque pelas publicações progressistas e de autores marxistas. Publicar a obra de Lukács, na atualidade, é atitude por demais louvável. Entretanto, A destruição da Razão, obra que enfoca Schelling, Schopenhauer, Kierkegaard, Nietzsche, não pode faltar, sob pena de tremenda frustração. Esperemos a publicação do texto completo em um ou dois volumes. É essencial ao pretendido êxito do projeto. Manuel Soares

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    • Também acho, seria fundamental a publicação desse título. Há uma ofensiva pelo irracionalismo, principalmente nas universidade onde exegetas de Nietzsche, continuam a apresentar a filosofia de Nietzsche como se fosse uma grande coisa. Pelo que sei, no lado da crítica marxista há um pequeno texto de Trotsky e a monumental obra de Domenico Losurdo, publicado pela Revan, em uma edição um tanto ou quanto descuidada. Para citar um exemplo, há um problema com as fontes tipográficas, de modo que palavras em grego aparecem em uma grafia absurda…
      Seria muito bom se a Boitempo suprisse a falta publicando a obra de Lukács, que você sugeriu.

      Grande abraço

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  6. Reginaldo Vitalino de Lima Filho // 05/03/2017 às 14:43 // Responder

    Porque não conta na lista da Boitempo a publicação de “A destruição da razão” ?

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  7. LUKÁCS É O AUTOR SOCIALISTA-COMUNISTA QUE INTRODUZIU A DEMONÍACA IDEOLOGIA DO POLITICAMENTE CORRETO.

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    • Leia mais, estude mais e, sobretudo, PENSE! Se vc quiser uma “dica” estude mais o que é ideologia. Para não provocar em você, nenhum choque anafilático, não vou citar um autor “socialista-comunista’, mas o insuspeito Eustache Manderville Wetenhall Tillyard, presidente da International Association of University of Professors of English, estudioso da obra de Shakespeare e Milton. No seu livro, a The Elizabethan World Picture ele nos mostra como, a partir do Renascimento vão se deslocando as antigas concepções do mundo centradas nas categorias de Ordem, Pecado, o encadeamento e conexão dos seres, tidos como Anjos e Eter, as estrelas e a Sorte, os Elementos, o Homem, os Animais, as Plantas e os Metais e os planos correspondentes dos poderes celestiais e outras criações, o Macrocosmo e o Corpo Político, o Microcosmo e o Macrocosmo, a Dança Cósmica. Nessa obra ele nos mostra como uma visão geral do mundo, ou “a consciência prática dos indivíduos” fornece os elementos para que se possa explicá-lo.

      Para você ter uma ideia em Hamlet lemos o seguinte: “What a piece of work is a man: how noble in reason; how infinite in faculty; in form and moving how express and admirable; in acton how like an angel; in apprehension how like a god; the beauty of worls, the paragon of animals.” Tllyiard comenta que este trecho é tido como “uma das maiores versões do humanismo renascentista, na afirmação da dignidade do homem contra o ascetismo e a misantropia medievais”. Esse é um exemplo da contraposição de duas ideologias.

      Essa ideologia antiga, característica da Idade Média, foi em função do desenvolvimento da sociedade (do Capilalismo Mercantil e, posteriormente Industrial) cedendo espaço a uma visão mais científica (Galileu Galilei, Newton), ou mais racional.
      Trata-se aí de um caso típico en que duas visões do mundo se contrapõem. Uma boa ideia é estudar o assunto e não ficar repetindo chavões. Dica: Terry Eagleton, Ideology, an introduction. Está em inglês, mas creio que isto não será problema para você….

      Fica, então, a dica…aproveite!

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