O 11 de Setembro, Gaza e a Política do Tempo
A desconstrução do mito fundador do 11 de Setembro revela, por fim, como a imposição de uma periodização universal permite ao centro imperial transformar sua própria vulnerabilidade em calendário obrigatório da humanidade. É nesse mecanismo que se manifesta o privilégio da ruptura, essa capacidade desigual de fazer com que determinados sofrimentos suspendam a continuidade do tempo, redefinam categorias políticas e reorganizem a memória coletiva, enquanto outros são absorvidos como parte ordinária da violência mundial. Reconhecer essa dinâmica significa retirar o Sul Global da posição de espectador passivo da história alheia e devolver centralidade às temporalidades produzidas pelas lutas, derrotas e resistências de nossas próprias populações. [...]