“Capitalismo superindustrial”, liberalismo latente e o enigma da Medusa
Crítica da tese de Fernando Haddad e sua relação com sua prática política

Foto: Paulo Pinto/Agência Brasil
Por Daniel Cunha
O novo livro de Fernando Haddad merece atenção de todos os interessados na emancipação social, não apenas porque ele o coloca dentro desse campo, mas porque se trata de alguém que até recentemente foi ministro da fazenda, dentre outros cargos políticos importantes.1 Aqui não farei exatamente uma resenha do livro, mas um comentário crítico de suas teses principais, que se concentram em dois capítulos. O que seria o “capitalismo superindustrial”? Haddad baseia-se no célebre Fragmento sobre máquinas dos Grundrisse, seção na qual Marx extrapola o processo de valorização do valor, em sua objetivação em maquinário e dispensa de trabalho vivo. Marx aponta que o valor, tendencialmente, converte-se em uma “base mesquinha” diante das forças produtivas para as quais a ciência e a técnica avançada tornam-se mais cruciais para a produção de riqueza material do que o trabalho vivo imediato. Em tal situação, “desmorona” o fundamento mesmo da socialização do capital, o valor ou tempo de trabalho socialmente necessário à produção de mercadorias, enquanto simultaneamente se acumulam as populações excedentes em meio à abundância material.2
Para Haddad, no entanto, não há aqui crise alguma, mas tão somente uma nova fase do capitalismo caracterizada por uma nova configuração de classes que, na verdade, o estabilizaria. Isto incluiria a constituição de uma nova classe, a classe do conhecimento, composta por cientistas e técnicos contratados por capitalistas especificamente para produzir “inovação” para as suas empresas. A peculiaridade da teoria de Haddad é que, segundo ele, essa classe apenas na aparência recebe salários; na verdade, ela seria remunerada com uma “renda de inovação”, já que o que ela produz é um novo “fator de produção”, o conhecimento.3 Aqui o leitor de Marx já deve estranhar: “fator de produção” é um construto da economia liberal pré-marxista, ricardiana, explicitamente criticada por Marx como fetichista no volume III d’O capital. O fetichismo estaria em atribuir aos próprios “fatores de produção” a propriedade mágica de produzir rendimentos. É o que ele chamou ironicamente de “fórmula trinitária”: o capitalista teria seus meios de produção remunerado por juros, o proprietário de terras por renda da terra, e o trabalhador por salário. Para Marx, esta é uma formulação fetichista porque apenas o trabalho produz valor; a “renda” do capitalista provém da exploração (mais-valia); a renda da terra absorveria parte da mais-valia social devido à sua privatização, ou seja, a renda da terra deriva das relações sociais, e não de um poder advindo da própria terra como “fator de produção”; e a “renda” do trabalho corresponde a apenas parte do valor por ele gerado, já que é espoliada por trabalho não-pago.4
Em Haddad, há uma nuance: ele explicitamente afirma que a classe do conhecimento “não produz valor”, tentando com isso, ao que parece, manter-se consistente com a teoria marxiana. A renda da classe do conhecimento viria da “fronteira do conhecimento”, ou mais propriamente do fato de que a fronteira do conhecimento avançaria mais rapidamente do que a sua velocidade de socialização.5 Mais uma vez, o leitor marxiano deve ser cético: além do conhecimento como “fator de produção” lembrar o fetichismo ricardiano, agora temos algo muito próximo da teoria marginalista liberal, onde o diferencial de velocidade de difusão do conhecimento seria o equivalente do diferencial de fertilidade da terra. Mais uma vez, Haddad parece tentar manter a sua teoria nos limites marxianos apontando para a centralidade da patente: ela seria essencial à acumulação no capitalismo superindustrial, já que sem ela o valor da “inovação”, dadas as atuais condições de sua fácil reprodução em massa, cairia a zero. A patente seria o equivalente à cerca que privatiza a terra, ou seja, o instrumento de poder social que garante uma parte da mais-valia social (trabalho não-pago) ao seu proprietário. É graças às patentes que as “inovações” produzidas pela classe do conhecimento gerariam lucros extraordinários para os capitalistas (enquanto as inovações correspondentes não forem socializadas) e a renda do conhecimento para aquela nova classe.
Ocorre que nem assim se resolvem os problemas da teoria haddadiana: a patente da inovação na imensa maioria das vezes não pertence aos seus criadores (cientistas, técnicos, etc.), mas ao capitalista da empresa para quem trabalham. Assim, qualquer renda dela advinda pertence ao capitalista, e não à suposta “classe do conhecimento”. De outra parte, os lucros extraordinários recebidos pelo capitalista devido à inovação são perfeitamente explicáveis pela teoria marxiana: se se trata de inovação no processo de produção, trata-se de lucro extraordinário advindo da mais-valia relativa (eficiência superior, enquanto ela persistir); inovações de produto que contribuem para a valorização tendem a ser trabalho produtivo e criar valor, e seus executores estão sujeitos à exploração (mais-valia); inovações em esferas do “design”, “estética” e posicionamento de mercado, etc. tendem a ser não-produtivas e receberiam salário advindo da redistribuição da mais-valia social. Não há nenhuma necessidade de ressuscitar o fetichismo do “fator de produção” para explicar a “inovação” baseada na mobilização da ciência. Mesmo uma hipertrofia das “rendas” (advindas de patentes ou outros mecanismos) em relação à valorização pode ser explicada como capital fictício, ou seja, mecanismo de crise após o valor tornar-se uma base mesquinha para a riqueza social, ou seja, sua alta composição orgânica que inibir o investimento em capital fixo.
Exposto o liberalismo latente da teoria do capitalismo superindustrial – seus elementos ricardianos e marginalistas – passemos à sua expressão política, que é apenas vislumbrada nas últimas páginas do livro. Após arguir que existe uma nova estrutura de classe na sociedade e que as classes subalternas (a classe trabalhadora tradicional, a nova classe do conhecimento, e o lumpemproletariado) se encontram dispersas, Haddad conclui seu livro arguindo que a contradição – o “terceiro excluído” da lógica formal, que se contenta com identidade e diferença apenas – se ancora na “interação intersubjetiva”, na “linguagem simbólica” que torna os humanos capazes de “projetar-se no tempo”, e não na reflexão, como apresentado de forma mistificada por Hegel ou na realidade socialmente situada, como em Marx.6 O “terceiro excluído” seria o grupo humano que não é nem idêntico e nem diferente, mas subjugado. Essa formulação de Haddad derivou de sua crítica de Habermas em obras anteriores: para Haddad o “trabalho” não pode ser reduzido a atividade instrumental, pois ele próprio tem a linguagem simbólica como pressuposto. Com isto, Haddad busca dissolver a cisão entre “sistema” e “mundo da vida” de Habermas e ao mesmo tempo restaurar o estatuto da dialética.7 Entretanto, pode-se dizer que a crítica de Haddad a Habermas paradoxalmente conduz a um habermasiano extremista: a interação intersubjetiva – não nos cafés europeus da modernidade inicial, mas nos primeiros contatos entre grupos humanos no Paleolítico – é posta como origem do pensamento dialético. A dinâmica do “terceiro excluído”, assim, passa a funcionar como verdadeira filosofia da história que explica todo o seu desenvolvimento através das diferentes formações sociais desde o Paleolítico até os dias de hoje: o bolsonarismo, por exemplo, é visto como uma “reação” contra a inclusão dos ex-escravizados na cidadania da sociedade brasileira.8 Quando o Fragmento é compreendido em sua devida especificidade histórica, porém, o bolsonarismo é vislumbrado como sintoma de crise e prefiguração do futuro na ausência de alternativa emancipatória.
Aqui emerge um problema mais profundo da teoria da Haddad, que subjaz à sua interpretação do Fragmento sobre as máquinas como sinalizando uma mera evolução que se resolve com uma reconfiguração da estrutura de classes, ao invés de crise: assim como Habermas, Haddad não conceitua o duplo caráter do trabalho, em especial não opera com a categoria de trabalho abstrato que cria valor, implicitamente tratando-o como “fator de produção”.9 Na teoria marxiana o trabalho assume uma função historicamente específica de mediação social na formação social capitalista. O valor não é apenas uma categoria econômica que opera a distribuição do produto social, mas o laço social mediador que une os indivíduos na sociedade capitalista, mesmo que seja através de uma socialização associal, onde não há acordos conscientes entre os indivíduos, mas apenas o “sujeito automático” do capital. Por isso diz Marx que em sociedades pré-capitalistas só se pode falar em “trabalho” com cum grano salis, já que então ele não tinha essa função mediadora.10 Se em Habermas essa não conceituação do trabalho abstrato resulta em atribuir ao “trabalho” em todas as épocas uma conotação puramente instrumental que ele só possui no capitalismo, Haddad faz a operação inversa, hipostasiando os elementos de comunicação intersubjetiva do trabalho abstrato capitalista que na verdade é em última instância conformado pelo “sujeito automático”.11 Em ambos os casos, o resultado é a não-conceituação de elementos essenciais da dinâmica capitalista. A teorização de Haddad, assim, apesar de apresentada em um pacote de mais de trezentas páginas de conceitos e temas marxistas, em seu núcleo conceitual revela-se um híbrido de ricardismo pré-marxista e habermasianismo extremado. Assim, a colocação do locus da contradição (ou seja, a condição de possibilidade de crítica) na linguagem simbólica que torna o ser humano capaz de “projetar-se no tempo” é extremamente indeterminada historicamente. É evidente que a linguagem simbólica é pressuposto da emancipação, mas está longe de ser suficiente. A teoria marxiana, se bem interpretada, situa a contradição da sociedade capitalista na forma-mercadoria e sua dinâmica temporal que produz tanto o potencial de suas forças produtivas superdesenvolvidas quanto a sua forma alienada que resulta em miséria social e destruição ecológica (situação vislumbrada no Fragmento), apontando assim para a possível separação daquele potencial em relação ao capital e sua reconfiguração para fins emancipatórios.12
O mais surpreendente disto tudo, porém, situa-se na relação da teoria de Haddad com a sua recente gestão como ministro da fazenda. A princípio, uma simples mirada no do sumário do livro levaria o leitor a crer a que a imensa distância entre os conceitos e temas tratados – acumulação primitiva, marxismo soviético, modo de produção asiático, até o capitalismo superindustrial – e a prática política do autor, centrada em ajuste fiscal e corte de gastos, com pequenas pitadas de redistribuição, se deve à inevitável não-identidade entre teoria e política. De fato, seria um erro grosseiro exigir uma aplicação não-mediada da teoria na prática política. Simpatizantes do governo petista provavelmente recorreriam à fetichizada “conjuntura” que impediria qualquer política diferente daquela que existe. Mas levemos a sério o que diz Haddad: se a chave para o “desenvolvimento” está na “fronteira do conhecimento”, se a inovação se concentra não apenas no tempo, mas também no espaço (noção que ele toma de Arrighi em seu aspecto descritivo, retirando a dimensão crítica) e se a contradição se situa na linguagem simbólica, então a ação política correspondente é aquela de criar um ambiente nacional “amigável” para investimentos de “indústrias de ponta” (“estabilidade macroeconômica”) e o diálogo habermasiano com amplíssimos setores da sociedade.13 Em outras palavras, políticas como a austeridade fiscal, a tentativa de atração de “data centers” (ainda por cima com justificação neoliberal das “vantagens competitivas” da água e energia baratas, às favas a crise ecológica) e o frenteamplismo com figuras como Geraldo Alckmin e Kátia Abreu se correlacionam fortemente com as teorizações de Haddad. Não há nenhum impedimento de “correlação de forças” que atravancam o que ele “realmente gostaria de fazer”: a sua prática política aparece, ao menos em suas grandes linhas, como correspondendo àquilo que para o que sua teorização aponta.
Neste sentido, o livro de Haddad pode ser tratado como um fato histórico-social que expressa a visão de mundo da Medusa – essa classe que faz a tradução entre a classe trabalhadora e classe capitalista, na teorização de Francisco de Oliveira, esta sim uma nova classe determinada com bastante rigor dialético em sua relação com as outras classes mediada pelo valor, mas completamente omitida nas longas discussões bibliográficas do livro de Haddad.14 Em particular, essa classe, no Brasil lulista em grande parte constituída por ex-sindicalistas, controla fundos públicos relevantes (como fundos de pensão, bancos públicos e estatais que ainda restam) que poderiam tensionar a forma capitalista de produção e alocação da riqueza material, caso houvesse uma subjetividade socialista e sua correspondente articulação política, por exemplo, alocando recursos para uma transição energética justa, ou para cooperativas agrícolas ou industriais que operassem total ou parcialmente por fora do mercado capitalista. Mas como tal subjetividade não existe, aqueles fundos públicos alocam seus recursos como qualquer empresa capitalista, de acordo com taxas de retorno de capital, e o governo “dos trabalhadores” aplica as mesmas diretrizes político-econômicas de um governo pró-capital, o que inclui a alocação de vultosos recursos para o latifúndio exportador, para financiar privatizações e para a extração de petróleo em plena crise climática. É a configuração que Oliveira chamou de “hegemonia às avessas” – uma fração burocratizada da (ex-)classe trabalhadora administra o capitalismo em aparência em nome dela, mas de fato de acordo com os interesses dos capitalistas.O livro de Haddad, neste sentido, é uma ideologia legitimadora desta situação real, direcionada à classe profissional-gerencial (Medusa) progressista. Se mediarmos o Fragmento com a nova classe como teorizada por Oliveira, pode-se inclusive propor que a Medusa media não apenas entre o capital e o trabalho, mas entre o capitalismo e o que vem depois: ela poderia ser a classe que faz a ponte para a emancipação. Entretanto, nos governos da “hegemonia às avessas” ela revela que não está à altura da tarefa histórica, operando, ao contrário, o bloqueio da consciência crítica. É digno de nota que, segundo a teorização de Capitalismo superindustrial, seu autor não pertenceria a classe nenhuma, já que ele não é capitalista, não pertence à classe trabalhadora tradicional, tampouco é cientista/técnico criador de “inovações”, e muito menos um lúmpen. Mais uma vez, o leitor crítico deve estar atento quando um autor se apresenta como sem classe e sem interesse, mas tem se dedicado a defender a constituição de uma “classe dirigente” “independente” no país.15 Ora, o que é o ex-ministro senão um dos principais agentes de uma já existente “classe dirigente”, a Medusa que executa a “hegemonia às avessas”? É como se a Medusa não pudesse se olhar no espelho. Parte da retomada de um projeto emancipatório no Brasil e no mundo passa pela crítica de concepções como as expressas no livro de Haddad, pela rejeição do seu liberalismo econômico e político que se apresenta como se fosse “marxismo renovado”. É preciso, enfim, ser crítico da noção haddadiana de emancipação como “expansão da diferença” – que não é nada mais do que um novo nome com pretensões dialéticas para a velha “inclusão” no capitalismo que os governos petistas praticam há duas décadas, desde sempre com claros limites e sinais de exaustão cada vez mais evidentes – como substituta da reconciliação (abolição da alienação). É preciso, enfim, reafirmar a relação incontornável entre emancipação humana e consciência de classe que aponta para a superação do valor e das classes, entre contradição e forma-mercadoria. Talvez passe por isso a transformação de uma realidade em que quem está “projetando-se no tempo” é a extrema-direita – e não por habilidade linguística.
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Daniel Cunha é do-editor da revista Sinal de Menos. Doutor em sociologia, mestre em ciência ambiental e engenheiro químico.
Nota editorial
Durante março-abril de 2026, o blog esteve sob responsabilidade de Camila Góes (edição interina).
Notas
- Fernando Haddad, Capitalismo superindustrial: caminhos diveros, distino comum. Rio de Janeiro, Zahar, 2026. ↩︎
- Ver Karl Marx, Grundrisse. São Paulo, Boitempo, 2011, p. 583-589 e Haddad, Capitalismo superindustrial, 363-365. Haddad baseia o seu argumento na discussão de Ruy Fausto sobre o Fragmento. ↩︎
- Haddad, Capitalismo superindustrial, esp. 370-371 e 416. ↩︎
- Ver Karl Marx, O capital, volume 3, cap. XLVIII, “A fórmula trinitária”. ↩︎
- Haddad, Capitalismo superindustrial, p. 370. ↩︎
- Haddad, Capitalismo superiondustrial, p. 417-418. ↩︎
- Ver Fernando Haddad, “Habermas, herdeiro de Frankfurt?” Novos estudos CEBRAP no. 48, 1997, pp. 67-84; Fernando Haddad, “Toward the Redialectization of Historical Materialism: Labor and Language”, trad. R. K. Washborne e G. Horvath, Cultural Critique no. 49, 2001, pp. 111-138; Fernando Haddad, O terceiro excluído: contribuição para uma antropologia dialética. Rio de Janeiro, Zahar, 2022. ↩︎
- Haddad, O terceiro excluído, p. 14. ↩︎
- Minha interpretação de Marx é inspirada em Moishe Postone, Tempo, trabalho e dominação social:uma reinterpretação da teoria crítica de Marx, trad. A. Reis e P. C. Castanheira. São Paulo, Boitempo, 2014 [1993]; ver também Moishe Postone, “A crise atual e o anacronismo do valor: uma leitura marxiana”, Sinal de Menos no. 13 (2019), pp. 32-50. ↩︎
- Marx, Grundrisse, p. 59. ↩︎
- Para uma crítica uma extensa marxiana de Habermas em linha com o que desenvolve aqui, ver Postone, Tempo, trabalho e dominação social, p. cap. 6. ↩︎
- Me inspiro aqui em Postone, Tempo, trabalho e dominação social. ↩︎
- Sobre a apropriação de Arrighi por Haddad, ver Capitalismo superindustrial, p. 89-103. ↩︎
- Ver Francisco de Oliveira, “Medusa, ou as classes médias e a consolidação democrática”, in Fábio Wanderley Reis & Guillermo O’Donnel (org.), A democracia no Brasil: dilemas e perspectivas. São Paulo, Vértice, 1988; Francisco de Oliveira, Crítica à razão dualista / O ornitorrinco. São Paulo, Boitempo, 2003, pp. 146-150; Francisco de Oliveira, “Hegemonia às avessas”, Piauí, 2007, https://piaui.uol.com.br/materia/hegemonia-as-avessas/. ↩︎
- Ver Terra, “Haddad afirma que o Brasil precisa de uma classe dirigente que não pense apenas em dinheiro”, 29 de setembro de 2025, https://www.terra.com.br/noticias/brasil/politica/haddad-afirma-que-brasil-precisa-de-uma-classe-dirigente-que-nao-pense-apenas-em-dinheiro,9f27542806d4d078b1d0939c1575cf4akfpl6y5z.html; Fernando Haddad, O terceiro excluído, pp. 12-14. ↩︎
LEITURAS PARA SE APROFUNDAR NO TEMA
Por mais de um século, diferentes países e governos enfrentaram crises financeiras ao aplicar cortes em políticas públicas e precarizar as relações de trabalho. Embora tenham sido bem-sucedidos em acalmar os credores e o mercado, os efeitos no bem-estar social e econômico da classe trabalhadora foram devastadores. Em tempos de crises e incertezas, a austeridade continua sendo praticada em todo o globo. A ordem do capital, de Clara Mattei, é um estudo profundo e interdisciplinar sobre a relação entre austeridade e ascensão do fascismo.
Voltando ao início do século XX, a economista traça as origens da austeridade no entreguerras na Grã-Bretanha e na Itália, revelando como a autonomia da classe trabalhadora nos anos pós-Primeira Guerra Mundial incentivaram um conjunto de políticas econômicas de cima para baixo que sufocou os trabalhadores e impôs uma hierarquia ainda mais rígida em suas sociedades. Foi quando a austeridade revelou seu principal objetivo, a proteção do capital e a eliminação de todas as alternativas ao sistema capitalista, e foi nesse contexto que a política econômica funcionou como aliada ao fortalecimento do fascismo.
O livro de Clara Mattei tem tradução de Heci Regina Candiani, texto de orelha de Luís Nassif, capa de Maikon Nery e apoio da Fundação Perseu Abramo.
“Mattei nos lembra que a austeridade é uma luta de classes unilateral, conduzida em números
e defendida no jargão dos economistas.”
– The Guardian
“Um fascinante tratado histórico sobre a ascensão das políticas de austeridade e sua relação
com o fascismo. Leitura obrigatória, com lições fundamentais para o futuro. Economia política
histórica de primeira.”
– Thomas Piketty
“Um estudo muito impressionante. Mattei demonstra como a manutenção da dicotomia
entre as esferas política e econômica, tipicamente na forma de programas de austeridade, tem
sido há um século um instrumento-chave da guerra de classes, abrindo caminho para o
fascismo.”
– Noam Chomsky
“Em um momento de alta de inflação, em que os governos se sentem inclinados a voltar a
‘apertar o cinto’, este livro se torna mais relevante que nunca.”
– Mariana Mazzucato
“Uma obra notável para o momento que estamos vivendo.”
– James Galbraith
“A austeridade não é um erro político inocente, mas uma falácia funcional a interesses
obscuros. Este livro admirável expõe a agenda oculta da austeridade.”
– Yanis Varoufakis
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