Entre massacres e eleições: a voz indígena do sul andino com Milagros Samillán

 Inauguração do local de campanha de Milagros Samillan em Juliaca (24/03). Imagem: Breno Mendoza 

Por Breno Mendoza 

No departamento de Puno, ao sul do Peru – onde a memória recente ainda se inscreve nos corpos e nas ruas de cidades como Puno e Juliaca –, o nome da jovem psicóloga Milagros Samillán circula entre o luto e a política. Sua trajetória pública não seguiu os caminhos habituais da política institucional: nasceu de uma experiência extrema, que a impeliu a ocupar um lugar no debate nacional peruano.

Os protestos que sucederam a destituição do presidente Pedro Castillo, entre 2022 e 2023, deixaram dezenas de mortos em todo o país, concentrados sobretudo nas regiões andinas, como Puno, Cusco, Ayacucho e Apurímac. Em Juliaca, um dos episódios mais violentos ocorreu em 9 de janeiro de 2023, quando ao menos 19 pessoas foram assassinadas pelas forças de repressão do governo interino de Dina Boluarte. Entre os mortos estava Marcos Samillán, irmão de Milagros, médico que atuava como voluntário no atendimento aos feridos e foi alvejado pelas costas enquanto socorria uma vítima.

“Como seguir depois de um evento dessa magnitude?” – é a pergunta que atravessa essa história. Ao acompanhar Milagros em Puno, às vésperas das eleições nacionais, torna-se evidente que sua experiência não a aprisiona ao passado: ao contrário, converte-se em fonte de força para agir no presente e disputar os rumos do país.

Esse percurso individual se inscreve, no entanto, em uma crise mais ampla. Após a destituição de Castillo, o Peru mergulhou em uma profunda crise política e social, marcada por mais de mil protestos entre dezembro de 2022 e fevereiro de 2023 e por um saldo de ao menos 50 civis mortos, em sua maioria vítimas de disparos das forças de segurança. Em uma década, o país chegou a oito presidentes, evidenciando um padrão persistente de instabilidade institucional.

É nesse contexto que se realizam as eleições gerais de 2026. Mais do que a escolha de novos representantes – agora em um sistema que retoma o bicameralismo após 30 anos –, o pleito aparece como uma tentativa de recompor a legitimidade de um sistema político profundamente desgastado por escândalos de corrupção, disputas entre Executivo e Congresso e mecanismos de destituição mobilizados de forma recorrente. Ainda assim, predomina um cenário de desconfiança generalizada, alimentado por expectativas de fraude eleitoral, rejeição às elites políticas e uma fragmentação expressa no número de 35 candidaturas presidenciais.

Ao mesmo tempo, as eleições recolocam em disputa diferentes projetos de país, sobretudo no que diz respeito à relação entre o Estado e as regiões historicamente marginalizadas. No sul andino, regiões como Puno, Cusco, Ayacucho e Apurímac seguem reivindicando maior participação política e o fim do centralismo limeño, articulando demandas por reconhecimento, memória, justiça e inclusão. Os protestos recentes tornaram visível uma recusa ao lugar de subordinação historicamente atribuído a essas populações, frequentemente marcadas por estigmas raciais e regionais.

Nesse cenário, marcado pelo desencantamento com o chamado “pacto mafioso” – associado a setores do Congresso envolvidos em corrupção e práticas clientelistas – e pela possibilidade de retorno de forças políticas tradicionais, como o fujimorismo, a experiência de figuras como Milagros Samillán ganha um sentido mais amplo. Sua entrada na política não apenas traduz o impacto direto da violência estatal sobre vidas concretas, mas também expressa a tentativa de rearticular, a partir do território e da memória, novas formas de representação e de disputa democrática no Peru contemporâneo.

Às vésperas das eleições de 12 de abril, segue uma conversa exclusiva com Milagros Samillán sobre sua experiência pessoal e política, atravessando temas como luto, território, memória e a luta por democracia no Peru. 

BM – Como você se apresentaria hoje, levando em conta sua trajetória de vida pessoal e política? 

MS – Sou Milagros Samillán, irmã de Marco António Samillán, o médico que foi assassinado em 9 de janeiro de 2023, durante o governo de Dina Boluarte. Sou também filha de pais quéchuas e sou a segunda mais nova de nove irmãos. Sou psicóloga de formação. Também trabalhei como comerciante e, com essa renda e o apoio da minha mãe, consegui concluir meus estudos universitários. 

BM – De que maneira sua vida pessoal e familiar mudou após os acontecimentos de 9 de janeiro em Juliaca? 

MS – Três anos atrás, quando nós, em Juliaca, sofremos a repressão e o massacre daquele 9 de janeiro, bem, como família – e também eu, Milagros Samillán, como indivíduo – tínhamos uma vida simples e normal.

Eu me dedicava aos estudos, à administração do meu negócio e a tentar construir uma vida no meu país, onde as oportunidades são muito difíceis de encontrar. Como cidadã, como jovem universitária, é difícil conseguir um emprego com um salário decente – ainda assim, havia a esperança de alcançar um trabalho que permitisse viver com dignidade. Mas, então, veio o 9 de janeiro: tiraram o nosso irmão, e a vida da minha família – toda a minha vida pessoal – mudou completamente. Abandonei meu negócio, deixei meus estudos em suspenso, perdi amigos – minha vida mudou completamente. A vida privada que tínhamos, como família Samillán Sanga, tornou-se pública, porque iniciamos uma luta por justiça – não apenas por nós, mas também pelas vítimas assassinadas em 9 de janeiro e pelos sobreviventes que permaneceram em nossa região. Foi uma longa jornada, na qual também tivemos que nos encontrar com as famílias de outras regiões igualmente massacradas. Um processo muito difícil – já são três anos de luta. Como familiares, viajamos diversas vezes à capital do Peru, Lima, para fazer ouvir nossas vozes, exigir justiça, pressionar pela celeridade dos casos e pela devolução dos processos às nossas regiões.

Desde então, como cidadãos e como familiares, vimos a justiça se afastar cada vez mais. Percebemos que nosso país passou a ser governado pela impunidade – com o acobertamento da Sra. Dina Boluarte, a remoção de promotores comprometidos e sua substituição por outros que encobriram o que o atual Congresso vem fazendo, protegendo-se mutuamente.

Diante dessa realidade, os familiares e representantes das regiões decidiram ingressar na política. É por isso que me enviaram como sua representante e candidata à Câmara dos Deputados do nosso país. É um processo muito difícil pelo qual tivemos que passar, primeiro como indivíduos, porque envolve quatro lutas: dor, impotência, indignação, lágrimas, mesmo vendo como em um país onde as leis deveriam estar do lado da verdade, isso parece cada vez mais distante, e só vemos uma justiça privilegiada para aqueles que têm dinheiro, que têm poder. 

Estou em processo de mudança de vida, de estar nas ruas confrontando a polícia, confrontando este governo que atualmente nos governa, de chegar ao terreno político para que haja justiça, justiça em todos os sentidos: justiça para os assassinados, justiça na educação, na saúde, nas oportunidades de emprego que sempre nos foram negadas como cidadãos. 

Hoje, como candidata, carrego a voz das famílias e também de todos aqueles que, até hoje, continuam a exigir justiça e que sejam ouvidos e não ignorados como o nosso atual Congresso e o nosso atual governo estão fazendo. 

 Inauguração do local de campanha de Milagros Samillan em Juliaca (24/03). Imagem: Breno Mendoza 

BM – O que significa, para você e sua família, viver esse processo de luto, exposição pública e luta por justiça? 

MS – É uma experiência dolorosa, porque nenhum peruano merece viver o que estamos vivendo; nenhum cidadão deveria se tornar “público” em decorrência de uma tragédia como a que nos atingiu. É doloroso ver sua família conhecida por uma violência causada por um governo – e perceber que, ainda hoje, os familiares das vítimas são empurrados para o terreno político justamente porque a justiça foi negada, porque a reparação aos órfãos deixados por esse governo segue sendo negada.

Mas esse mesmo processo também nos fortalece e não nos faz perder a esperança de que a justiça possa mudar, de que ela chegue o mais rápido possível, sem que tenhamos de esperar tantos anos para ver os responsáveis por esse massacre morrerem impunes. O que buscamos, como familiares, é que nenhum dos culpados fique impune, como ocorreu com Alberto Fujimori – que não sejamos obrigados a ver nossos entes queridos partirem sem que a justiça seja feita. Essa é a luta que travamos: garantir que nunca mais se repitam assassinatos como os que vêm ocorrendo ano após ano.

Há mais de 100 anos, somos massacrados na região de Puno, em Huancho Lima (povoado a 60 km de Juliaca), com milhares de nossos irmãos e irmãs Aymaras assassinados. Isso não começou em 2022 ou 2023; esses massacres atravessam mais de um século – e continuam a atingir os povos do Sul, como se não tivéssemos o mesmo valor que nossos compatriotas de Lima, como se nosso sangue, nossa própria vida, valessem menos.

BM – Com quais apoios vocês contam atualmente em sua luta e em sua campanha política? 

MS – Atualmente, não contamos com o apoio de nenhuma organização social, mas seguimos amparados por familiares, amigos e pessoas próximas que nos apoiam emocionalmente e presencialmente, dedicando seu tempo para levar adiante esta campanha – uma campanha que não se constrói de forma isolada, mas coletivamente. Isso me motiva, como pessoa, a continuar lutando, a seguir me esforçando, a me levantar a cada dia com mais força para alcançar o que tanto desejamos: chegar ao governo e poder criar, propor leis em favor do povo que hoje exige justiça.

Comove-me profundamente não estar sozinha, contar com familiares presentes, com essa esperança e com palavras de encorajamento e força, dizendo: “Vamos lá, vamos conseguir, temos que seguir até que a justiça seja feita”. Ou ainda quando viajamos por diferentes províncias da região de Puno e encontramos mãos estendidas, pessoas que nos dizem: “Vamos, senhora, por todas as vítimas, precisamos continuar até alcançar justiça”. Isso é muito fortalecedor, muito emocionante – uma emoção difícil de traduzir em palavras, mas que se manifesta nesses gestos, nesses abraços, nesses apertos de mão que me sustentam dia após dia.

Mesmo quando a campanha se torna difícil – especialmente pelos desafios logísticos, que sabemos serem centrais em qualquer disputa política – seguimos fazendo o nosso melhor como família. E contamos também com o apoio valioso de pessoas que contribuem na fotografia, na imprensa, sem cobrar um único sol, movidas pela consciência de que estamos lutando por algo justo, por algo que precisa mudar. Não queremos mais repetir a mesma história: você é assassinado e, então, deve apenas aceitar, como se tudo estivesse perdido, esperando que um dia o governo ofereça alguma compensação. Não. Se há luta, há possibilidade de mudança.

É algo muito bonito, muito comovente. Sinto uma profunda gratidão por cada pessoa que o destino coloca em nosso caminho. Mesmo sem nos conhecer, essas pessoas se aproximam, nos abraçam, nos oferecem palavras de força – porque reconhecem que essa é uma luta justa. São emoções que, muitas vezes, não cabem nas palavras. Ainda assim, seguimos aqui.

 Inauguração do local de campanha de Milagros Samillan em Juliaca (24/03). Imagem: Breno Mendoza 

BM – Quais são suas principais propostas ou demandas neste momento? 

MS– A primeira questão a considerar é o tipo de justiça que temos e as reparações que devem ser garantidas aos órfãos. Aos órfãos, aos sobreviventes que ainda permanecem acamados e sem acesso a cuidados de saúde. Também é fundamental a revogação das leis que favorecem o crime, bem como a pressão para que essas leis sejam efetivamente revogadas.

BM – Que tensões existem hoje entre a esperança de mudança e o medo dentro do cenário político atual? 

MS – Estamos em um momento muito crucial para os cidadãos, porque enfrentamos um governo, um sistema que historicamente se encarregou de criar leis contra o povo, de negligenciá-lo e de impedir que se reaja. Passamos por sucessivos processos eleitorais e, recentemente, atravessamos uma pandemia que custou muitas vidas – um período que evidenciou a ausência do Estado e de seu governo. Ainda assim, hoje vivemos uma fase decisiva: há esperança de mudança, mas também há temor diante de uma cédula eleitoral que, infelizmente, apresenta uma extensa lista de candidatos, muitas vezes com o efeito de confundir a população.

Há muitos candidatos; essa forma de votar, de eleger, não se via antes, e sabemos que ela faz parte do pacto mafioso que hoje nos governa, sustentado por partidos que blindaram Dina Boluarte. Ainda assim, persiste a esperança de mudança. As pessoas sabem que este é o momento de iniciá-la e estão, também, aprendendo como votar, como escolher diante dessa nova configuração da cédula eleitoral.

Ao mesmo tempo, há uma preocupação entre os cidadãos de que esses partidos – responsáveis por leis contrárias ao povo, por proteger Dina Boluarte e Alberto Otárola (ministro da Defesa durante os massacres de 2022 e 2023), e por agravar a criminalidade – finalmente sejam derrotados. Há uma consciência crescente de que está nas mãos da população a responsabilidade de fazer com que esses partidos deixem de existir.

BM – O que mudou, após o 9 de janeiro, na forma como vocês se reconhecem e se posicionam hoje? 

MS – Sempre nos disseram que somos mestiços, sempre tentaram nos roubar a identidade. Mas, nesses últimos anos, quando viajamos à capital para fazer ouvir nossas vozes, fomos tratados como provincianos, como serranos. Foi então que tivemos de nos lembrar de quem somos, de nossas raízes. Porque, em cada censo, nunca nos deram a opção de dizer se somos quechuas ou aimarás; fomos sempre classificados como mestiços ou crioulos.

Este ano, porém, retomamos com ainda mais força a consciência de nossas origens, da importância de lembrar de onde viemos. Por isso, hoje podemos dizer com orgulho que somos filhos de povos quechuas e aimarás. Eu sou filha de pais quechuas – minha mãe é quechua – e, embora tenham nos tirado a nossa língua originária, o quechua, seguimos nos reconhecendo como quechuas e aimarás.

Nossos pais, para nos proteger da discriminação e do racismo existentes em nosso país, evitaram nos ensinar a língua nativa, temendo que fôssemos ridicularizados. Mas hoje essa identidade está sendo recuperada. Nossas línguas originárias – quéchua, aimará e uros – voltam a ser ensinadas às novas gerações. As escolas já incorporam essas línguas, e acredito que as autoridades comunitárias têm desempenhado um papel importante nesse processo de retomada.

BM – Então vocês consideram que o 9 de janeiro foi um massacre contra os povos indígenas do Peru? 

MS – Sim, consideramos, e não é a primeira vez. Historicamente, os povos do Sul têm sido alvo de assassinatos e massacres; somos, entre os peruanos, aqueles que mais tiveram seu sangue derramado.

BM – Que mensagem você gostaria de transmitir a um país onde muitas decisões são tomadas a partir de Lima e onde, muitas vezes, as vozes do sul não são ouvidas? 

MS – Aos nossos irmãos e irmãs – não apenas aos que estão em nosso país, mas também àqueles que estão fora, que tiveram de partir em tempos difíceis para proteger suas vidas, buscar trabalho ou uma melhor qualidade de vida – quero dizer: este é o momento de caminharmos juntos, de lutarmos pelo bem comum, pelas nossas gerações atuais e pelas futuras, nossas crianças e jovens. Precisamos nos unir para transformar um sistema que nos empobrece, nos priva de oportunidades e, muitas vezes, nos obriga a deixar o nosso país em busca de um futuro melhor. Irmãos e irmãs, a justiça não pode ser um privilégio.

Não podemos continuar massacrando o Sul. Não podemos seguir derramando o sangue do nosso povo, o sangue dos filhos do nosso povo. É hora de enterrar os partidos políticos que tanto nos prejudicaram, que, ano após ano, empobreceram nossas regiões e nossos irmãos e irmãs peruanos, alimentando-os com promessas vazias.

E que, neste 12 de abril, dia das eleições em nosso país, possamos votar com memória e dignidade, em favor da justiça social para todos. Que nunca neguemos, como peruanos, o direito à educação, à saúde, ao trabalho e ao empreendedorismo – especialmente para nossas mulheres pecuaristas e agricultoras –, contribuindo para reduzir a violência contra a mulher, combater a anemia que atinge a região de Puno e o país como um todo, e garantir alimentação, educação e saúde de qualidade para as futuras gerações.

 Inauguração do local de campanha de Milagros Samillan em Juliaca (24/03). Imagem: Breno Mendoza 

BM – Você teria alguma mensagem que gostaria de dizer hoje ao povo brasileiro a partir do que vocês viveram em Puno? 

MS – Sim, aos nossos irmãos e irmãs do Brasil, que hoje nos escutam ou que venham a ler a minha história – ou a história da minha região, Puno – quero dizer que nunca mais nenhum cidadão, em qualquer lugar do mundo, deve ser assassinado por levantar sua voz em protesto. Porque uma independência justa, uma democracia verdadeira, significa que todos os cidadãos têm o direito de participar politicamente – e esse é o único caminho para nos libertarmos de um sistema que, tantas vezes, tira vidas inocentes.

Precisamos voltar a sonhar com países verdadeiramente democráticos, onde seres humanos – onde crianças – não sejam mortos, e onde a única “guerra mundial” a ser travada seja contra a fome e contra todas as injustiças que enfrentamos hoje. Que essas histórias nunca mais se repitam, em nenhum país, e que sempre existam cidadãos nas ruas, exigindo justiça por seus entes queridos.

BM – Muito bem, Milagros, obrigado. Essas seriam minhas perguntas. Se você quiser acrescentar algo mais, fique à vontade. Há algo mais que você considera importante e que eu não perguntei? 

MS – Nós, familiares das vítimas dos massacres de 2022 e 2023 em nosso país, o Peru, seguimos lutando e erguendo nossas vozes por tudo aquilo que nos foi negado. Não nos cansaremos de exigir justiça, nem de ocupar as ruas em defesa de um país mais justo, democrático e seguro. Convidamos as nações irmãs a se unirem a nós nesta luta, em defesa dos direitos humanos daqueles que perdem suas vidas ao defender suas terras, o meio ambiente, a água – ou, como no nosso caso, ao exigir justiça por vidas injustamente interrompidas por esses governos.

Os responsáveis devem, enfim, responder com prisão – não com punições morais, mas com as mesmas penas aplicadas às pessoas comuns, àqueles considerados de fato delinquentes. Devem pagar o mesmo preço. É a única forma de fazer com que esses governantes compreendam.

É graças aos povos indígenas, às comunidades nativas, aos estudantes universitários, aos trabalhadores que se levantam, aos comerciantes, aos pecuaristas, aos agricultores, que eles hoje vivem com os salários milionários que recebem. Por isso, devemos lembrar ao povo – e a todos os povos – que temos o poder de mudar a nossa história, de escrever uma nova história, mais justa e democrática, na qual possamos viver em paz e onde nenhuma vida inocente seja mais ceifada.

Campanha de Milagros em LLave – Puno (18/03). Imagem: Breno Mendoza 

 ***
Breno Mendoza é internacionalista e antropólogo brasileiro, atualmente doutorando em Antropologia Social pela Universidade Federal do Amazonas (UFAM). Seus temas de pesquisa envolvem povos indígenas, violência estatal e as dinâmicas políticas da América Latina, com especial atenção às relações entre Estado e sociedade em contextos de conflito.

Nota editorial
Durante março-abril de 2026, o blog esteve sob responsabilidade de Camila Góes (edição interina).


Margem Esquerda #29 | Lutas Indígenas
A expansão das cadeias extrativistas e as lutas e movimentos indígenas que se organizam por toda a América Latina são temas pulsantes nessa edição, assim como a ascensão global da direita, a precarização e perda de direitos da classe trabalhadora, o desmatamento e a degradação do meio ambiente. Acompanhando o tema do dossiê, o número conta ainda com uma tradução do texto “Aspectos do problema indígena”, escrito em 1926 pelo marxista peruano José Carlos Mariátegui. O entrevistado é o filósofo e cientista político paquistanês Tariq Ali. 

Terra viva, de Vandana Shiva
Autora de importantes obras que discutem os ataques ao meio ambiente por grandes empresas e o efeito desastroso de um mau uso do solo, a doutora em física quântica e ativista ambiental Vandana Shiva faz nesse livro uma volta a suas raízes, revendo uma trajetória que acabaria por definir os movimentos em que se engajou. Assim, ela aborda fases como a infância rural vivida na Índia, sua criação na fazenda dos pais em meio às florestas, a educação libertária que recebeu deles, passando pela mudança de vida e de perspectiva que teve ao entrar na faculdade e viver em grandes centros urbanos na Índia e no exterior. Tudo isso culminando na descoberta dos movimentos de luta em defesa da natureza e dos povos nativos e de sua influência na política ambiental mundial.


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