O que é “ecofascismo”? – e como combatê-lo
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Protestos contra a extrema direita “verde” na Inglaterra, em 2009. Imagem: WikiCommons
Por Virginia Fontes
Este é um livro inquietante, instigante e fascinante. Pierre Madelin nos leva a um périplo sobre a aproximação entre os marrons (fascistas) e os verdes (ecologistas), alertando para uma enorme quantidade de falsificações intelectuais nesse percurso. Ora os ecologistas foram acusados de fascistas pelos desenvolvimentistas do capital, ora teorias naturalistas e biologizantes se apresentam como modelo normativo para a vida social, desconsiderando os processos sócio-históricos, territoriais e volitivos, ora os fascistas aderem a teorias ecologistas. Essa adesão pode ser verdadeira ou oportunista, mas envolve argumentos fortes e, eventualmente, sedutores.
O ecofascismo é definido como ideologia autoritária, organicista, naturalista, racializada e generificada, que prega que o excesso de população (localizada ou imigrante) destrói a natureza e rebaixa a qualidade de vida. Tais populações podem (devem) ser apartadas ou eliminadas. O autor, de posição anticapitalista, considera fundamental explicar os percursos intelectuais da aproximação entre marrons e verdes de modo a enfrentar o que considera os três eixos principais do ecofascimo na atualidade: a questão demográfica, a oposição entre localismo (ou identitarismo nacional) e universalismo e, finalmente, o tema da imigração.
O enfrentamento da questão ambiental é estratégico para a superação do capital e do capitalismo. Madelin enfatiza as características intelectuais francesas e norte-americanas do ecofascismo, fornecendo armas essenciais para o combate das ideias. O livro se situa nos âmbitos nacionais-estatais, onde se expandem a falsificação e a cooptação ecofascistas. É nossa tarefa associar a emergência de tais grupos ecofascistas aos diferentes setores (locais e/ou internacionais) das classes dominantes e de seus epígonos, decifrando as razões para sua forte divulgação e sua penetração midiática, assim como os interesses que revelam e as falsificações que promovem.
As indicações filosóficas deste livro, no entanto, vão além e nos impelem a aprofundar estudos e lutas sobre os conteúdos possíveis de um internacionalismo ecologista anticapitalista que supere na teoria e na prática as limitações históricas, avançando para a retomada de teorias revolucionárias capazes de associar o sociometabolismo à produção e à reprodução da vida social e da natureza, promovendo igualdade na diversidade. Teorias que precisam dar um salto de qualidade para integrar a enorme escala de questões fundamentais, simultaneamente enfrentando os escolhos ecofascistas.
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Virginia Fontes é historiadora, professora-pesquisadora da EPSJV e da Universidade Federal Fluminense.
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É possível relacionar a extrema direita à defesa do meio ambiente? Essa junção pode parecer estranha e nada óbvia, mas já é observável em diferentes países e grupos. Em A tentação ecofascista: ecologia e extrema direita, Pierre Madelin apresenta essa ligação e demonstra de que forma ela está presente em ações, teorias e falas ao redor do mundo.
Demografia, imigração, controle de natalidade e negação à globalização são alguns dos assuntos que permeiam o imaginário ecofascista: “Como há grandes chances de que a articulação entre temáticas ambientais e temáticas identitárias, ainda embrionária, se intensifique nos próximos anos, à medida que as crises ambientais e migratórias se agravarem, espero que este livro, situado na fronteira da história das ideias, da cartografia intelectual e da prospectiva política, possa preencher essa lacuna e constituir uma fonte útil para todas as pessoas que desejem compreender melhor os desafios relacionados a essa temática”, escreve o autor.
“Se o fascismo fóssil, representado por sinistros personagens como Donald Trump ou Jair Bolsonaro – um fascismo climatonegacionista e visceralmente hostil a qualquer forma de ecologia –, predomina no mundo hoje, não podemos subestimar o potencial de correntes fascistas “verdes”, que associam a “defesa da natureza” com o nacionalismo racista e o ódio aos imigrantes. É esse fenômeno que Pierre Madelin analisa e desmascara neste importante livro.”
— Michael Löwy, autor de Marx naródnik: os populistas russos, o comunismo e o futuro da revolução

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