“Pluribus” e o poder da divisão

Imagem: divulgação.
Por Slavoj Žižek
⚠️ ATENÇÃO, SPOILERS NA PISTA! ⚠️
Na virada de 2025 para 2026, um aplicativo morbidamente chamado “Are You Dead” [Você está morto?] tomou conta da China ao explorar a insatisfação e solidão generalizadas que assolam a juventude. Trata-se de um aplicativo voltado para pessoas que moram sozinhas, e se baseia em uma premissa simples: os usuários devem se conectar diariamente — se não o fizerem por vários dias seguidos, seu contato de emergência será notificado. O aplicativo rapidamente se tornou viral, chegando ao topo do ranking da loja de aplicativos da Apple, e o crescimento no número de downloads foi tão alto que o aplicativo reposicionou sua marca e passou a cobrar uma taxa de assinatura. Tamanha repercussão reflete uma tendência maior e que não se restringe à China, mas pode ser identificada de formas diferentes em todo o mundo: o crescente número de pessoas que moram sozinhas e muitas vezes sentem-se isoladas ou enfrentam dificuldades para manterem seu bem-estar. Penso que é essa mesma tendência que está no plano de fundo do grande sucesso da série de TV Pluribus.
Pluribus acompanha a vida de Carol Sturka, uma escritora de Albuquerque e uma das únicas 13 pessoas no mundo imunes aos efeitos da “União”, evento de disseminação do vírus extraterrestre que transformou todo o resto da humanidade em uma mente coletiva pacífica e satisfeita, conhecida como “os Outros”. Essa mente coletiva passa a atender alegremente aos desejos daqueles poucos que permanecem imunes, admitindo no entanto que buscará integrá-los assim aprender como fazê-lo. Carol se opõe veementemente aos seus esforços enquanto busca uma maneira de reverter a União. Ela foge para sua casa, onde se depara com uma transmissão televisiva que mostra um homem na sala de imprensa da Casa Branca e exibe, no terço inferior da tela, seu nome e um número de telefone. Ao ligar para ele, o homem explica que o vírus transformou a humanidade em uma mente coletiva permanentemente feliz e pacífica.
Carol reage como um sujeito histérico desagradável, que resiste aos Outros e tenta perscrutar seu modo de funcionamento fazendo exigências ridículas, envolvendo-se em explosões violentas que possam feri-los etc. A questão que ela se coloca não é a pergunta histérica habitual — “Sou mulher ou homem?” —, mas algo ainda mais simples: “Será que morri ou estou viva?” Ela tem razão em perguntar-se: na falta de outros indivíduos, sendo confrontada apenas por um “Eles” impessoal, uma pessoa se encontra existencialmente morta. Em termos lacanianos, ela está presa entre duas mortes: embora viva do ponto de vista biológico, no nível sociossimbólico, ela morreu. Uma vez que precisa terrivelmente de contato, mas não consegue convencer completamente nenhum dos demais não infectados a se juntar a ela, Carol sucumbe à tentação de se envolver em um relacionamento pessoal de confiança e sexo lésbico com Zosia — a pessoa que, em nome dos Outros, mantém contato com Carol e acaba por substituir Helen, sua parceira que havia morrido. Após uma longa lua de mel, Zosia admite que fingiu estar apaixonada apenas para facilitar que Carol se juntasse a Eles. Seu único aliado, portanto, permanece sendo Manousos, um colombiano que vive no Paraguai, também imune, e que recusa todo contato com os Outros. Ele consegue se juntar a Carol, formando o casal da resistência ideal: a histérica Carol e Manousos, um perfeito obsessivo. Decepcionada com Zosia, Carol encomenda aos Outros uma arma nuclear, que é entregue em sua casa por um drone — assim se encerra a primeira temporada.

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A primeira questão que se coloca aqui, evidentemente, diz respeito à natureza exata dos “Outros” (ou “Nós”, como os humanos integrados se referem à sua própria singularidade). Pluribus obviamente evoca com isso (ao menos) quatro planos parcialmente sobrepostos: o de uma Inteligência Artificial que domina os humanos e os transforma em partes de uma Singularidade (todos partilham afinal de uma mesma mente); o de uma inteligência alienígena que assume o controle sobre a humanidade através da inoculação de um vírus; uma versão radicalmente igualitária do comunismo totalitário, na qual os últimos vestígios de individualidade são apagados; e a verdade sobre nossa sociedade consumista e individualista, que nos torna efetivamente escravos de um Sistema regulado digitalmente… A série, contudo, mantém uma indefinição entre esses planos interpretativos, sem ousar dar um passo adiante — o mesmo que ocorre em Moi qui n’ai pas connu les hommes [Eu que nunca conheci os homens], de Jacqueline Harpman, originalmente publicado em 1995.
O livro conta a história de trinta e nove mulheres e uma menina que estão presas em uma cela subterrânea. Todos os guardas são homens e nunca lhes dirigem a palavra. A menina é a única das prisioneiras que não tem memória do mundo exterior; nenhuma delas sabe por que estão presas nem por que há uma criança entre trinta e nove mulheres adultas. Um belo dia, um alarme soa, os guardas fogem e as prisioneiras conseguem então escapar. Elas se veem em meio a uma imensa planície árida, sem ninguém por perto e sem nenhuma pista sobre o que aconteceu ao mundo. A narradora, a garota que nunca conheceu a vida antes da catástrofe — tudo o que sabe precisou aprender com as demais —, torna-se também a que por mais tempo sobrevive: sozinha, fatalmente doente, ela escreve sua autobiografia e se suicida para morrer com dignidade… O livro pode ser lido como uma variação de O conto da aia, de Margaret Atwood (um caso de violência patriarcal extrema), mas que oferece uma descrição antifeminista de como as mulheres precisam dos homens para sobreviver. Pode ser lido também como a história de um grupo de sobreviventes em um cenário pós-apocalíptico, como a afirmação da necessidade de contar a própria história, mesmo que não tenhamos certeza de que alguém estará lá para lê-la, ou como um eco da experiência da autora em Auschwitz… Mas embora brinque com todos esses possíveis contextos, a genialidade do livro reside em estar repleto de detalhes que destroem cada uma dessas leituras. Não há explicação do que realmente aconteceu, apenas uma descrição do desespero e da solidão crescentes… Voltando, então, a Pluribus, que tal adicionarmos uma quinta camada na qual simplesmente concebemos Eles como uma versão um tanto reificada/externalizada do que Lacan chama de grande Outro, a substância sociossimbólica de nossas vidas, a ordem simbólica que, como Lacan aponta, parasita o sujeito?
Aqui, porém, começam os problemas: o grande Outro lacaniano não é um conjunto de regras rígidas, mas um espaço para ambiguidades, insinuações, provocações histéricas. É o próprio espaço em que as idiossincrasias individuais podem prosperar, além de ser uma ordem de aparências, uma ordem virtual que existe apenas na medida em que os sujeitos presos a ela agem como se nela acreditassem. Na série, “Nós” obviamente não funciona assim: está fundamentado no Real, uma vez que é resultado de um vírus que infecta células-tronco. Outra diferença fundamental é que, como disse Lacan, não há Outro do Outro, nenhum Outro externo, portanto, que garanta a consistência da ordem simbólica, ao passo que os “Outros” têm um Outro: a mente que enviou o vírus à Terra e os pré-programou como “Nós” (eles deveriam ajudar os humanos sem os coagir, matar ou mentir para eles). Esse Outro dos Outros não é transparente para os próprios Outros — em resumo, eles parecem endereçar ao seu Outro a pergunta: O que você quer de nós? Isso significa que eles também podem se histericizar? O fato de que essas inconsistências no status dos Outros não são uma fraqueza desempenha aqui um papel crucial. É nelas que reside a verdade [revelada pela série], pois registram a profunda mudança na natureza do grande Outro que assola a nossa realidade social: é essa própria realidade que está no estado que a mecânica quântica chama de superposições, ou seja, só pode ser explicada se levarmos em conta todos os quatro planos existentes.

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É por isso que não devemos nos surpreender com o volume de interpretações diferentes sobre quem são os Outros que circulam na internet, dentre as quais a primeira se concentra no caráter artificial do Nós, incapaz de se comunicar adequada e diplomaticamente conosco, humanos não integrados:
“Uma das coisas mais impressionantes sobre a mente coletiva é sua inaptidão social ao conversar com Carol, uma humana não integrada. Isso fica evidente para qualquer pessoa que assista à série, criando um cenário frustrante à medida que imaginamos o que faríamos — o que perguntaríamos — se fôssemos como Carol, navegando sozinhos por esse vale misterioso. A falta de traquejo social não é muito diferente da experiência de conversar com um bot de IA. Exceto que nossas expectativas são menores, já que sabemos que é uma máquina.”
Tal interpretação reduz o Nós a uma máquina mental universal e impessoal, mas, se esse fosse mesmo o caso, deveria haver um “Nós” sem sujeito e com uma voz impessoal, como uma mensagem gerada por IA, que nunca falasse diretamente e por meio de corpos individuais. Isso não significa que, para além de suas vozes humanas, os integrados devam eventualmente falar como se outra agência superior, o próprio Nós, falasse por meio deles. Não existe essa lacuna, uma vez que nos unimos a Nós: Nós tem acesso a todas as nossas mentes simultaneamente, conhece todas as nossas posturas, práticas, sentimentos — conhece todos nós melhor do que nós mesmos, pois abrange as mentes de todos aqueles com quem interagimos em nossas vidas. Por que então ele seria um integrado não teria traquejo? Lembremo-nos da cena memorável em que Carol questiona um integrado através do qual Nós fala em detalhes sobre os romances que ela escreveu: podemos ver sua oscilação momentânea e como recorre rapidamente à memória coletiva para verificar as mentes daqueles que efetivamente leram seus romances — ele se mostra de fato bastante atrapalhado. Mas quando Zosia conversa com Carol, não há nenhuma falta de traquejo, ela parece falar com emoção, expressando medo e felicidade, para não falar dos momentos de manipulação, já que os Outros “não podem exatamente mentir, mas podem omitir a verdade usando palavras precisas e não têm problemas em manipular as pessoas para que aceitem a União”. Essa manipulação não implica um mínimo de subjetividade? Na verdade não, porque, como temos visto, as máquinas de IA já são capazes de mentir e até chantagear seres humanos.

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Outros dirão:
“Pluribus fala sobre a fé extrema. ELES parecem sempre extremamente felizes. ELES são simpáticos com os demais. Sua comunidade é acolhedora e convidativa… e, francamente, sedutora. Fazer parte de uma comunidade é uma sensação maravilhosa. Fazer parte de algo maior do que você mesmo permite que seu coração sinta euforia, beleza, felicidade e até mesmo plenitude… Mas a questão é que ELES não se importam realmente com Carol. ELES não se importam com as diferenças entre nós. Eles acham que o caminho deles é o único caminho. Que o que eles têm é tão bonito que deve ser impossível haver outro caminho. Tudo o que ELES querem é transformar Carol em um deles. Eles começam por isolá-la, fragilizando-a até que se sinta solitária a ponto de recuar e ir atrás deles. Aí eles fingem que a amam. Não é amor de verdade, só esperam obter suas células-tronco para que possam trazê-la para o rebanho, porque o que eles têm é maravilhoso e, pouco importa o que ela pensa, é melhor para Carol que ela seja infectada.”
Deve-se argumentar contra essa visão de uma forma bastante ingênua e direta: será que eles são mesmo felizes? A cena mais deprimente de toda a série, para mim, é quando Zosia mostra a Carol o grande dormitório onde os Outros dormem, um imenso ginásio com centenas de almofadas achatadas sobre as quais eles se deitam lado a lado, e permite que ela passe a noite lá: como compartilham a mesma mente, eles não se comunicam e simplesmente ignoram uns aos outros. Além disso, como é eles se multiplicam (se é que fazem isso)? Eles fazem sexo? Insistindo nesse ponto, se eles compartilham a mesma mente, que lugar sobre para a paquera e para o prazer de estar próximo ao parceiro? Aqui, o papel principal é desempenhado por um dos não integrados, o hedonista Koumba Diabaté. Ele é um africano que, sem se juntar aos Outros, desfruta plenamente de seus favores — uma vida luxuosa, que inclui múltiplos parceiros sexuais —, mas ao mesmo tempo consegue se envolver com Eles em algo como uma comunicação autêntica. Eles confidenciam a Koumba que estão morrendo de fome, pois não têm permissão para matar nenhum ser vivo, de modo que, para obter alimentos orgânicos, precisam processar partes de humanos que morreram por causas naturais em uma bebida especial. Também dizem que dedicam todos os seus esforços à construção de uma máquina gigantesca que enviará raios com o vírus para outros planetas, a fim de contaminá-los da mesma forma que ocorreu na Terra. Eles contam essas coisas a a Koumba esperando ajuda e conselhos, e Koumba, por sua vez, conta tudo a Carol, que assim descobre que os Outros descobriram como converter os imunes extraindo suas células-tronco e personalizando o vírus para cada indivíduo… longe de levar uma vida feliz de solidariedade, amor e paz, eles estão terrivelmente sozinhos, conscientes de que antes eram uma comunidade, mas agora são apenas um megaindivíduo, um grande escravo que serve a um propósito imposto a eles por seu próprio Outro. Que tal, então, invertermos a perspectiva: e se, quando os Outros cumprimentam Carol alegremente, sorrindo e gritando em uníssono “Oi, Carol!”, levarmos isso ao pé da letra, pensando que eles não estão felizes em si mesmos, mas sentem-se felizes por encontrar uma humana não integrada, uma mente fora do seu Um? Daniel Bibby com razão escreveu que “os Unidos provavelmente ficariam entediados se conseguissem trazer os personagens não integrados para a mente coletiva” — e eu iria ainda mais longe: não ficariam apenas entediados, mas desesperados. Eles, afinal, são escravos programados para dedicar todos os seus esforços a arruinar qualquer chance de alguma felicidade.

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Em nossa cultura pop-científica, dizemos “singularidade” para nos referirmos à ideia de que, ao compartilharmos diretamente pensamentos e experiências com outras pessoas (uma máquina que lesse meus processos mentais também poderia transpô-los para outra mente), é possível que surja um domínio de experiência mental global compartilhada, que funcione como uma nova forma de divindade — os pensamentos individuais seriam diretamente imersos em um Pensamento global do próprio universo. Desse ponto de vista, a série Pluribus poderia ser definida como uma tentativa de retratar uma singularidade fracassada, uma singularidade que se apega desesperadamente às suas exceções, àqueles indivíduos que resistem ao seu domínio.
Nesse ponto, devemos nos arriscar a trazer o cristianismo para o debate: por que há exatamente 13 indivíduos não integrados? Sugere, obviamente, que eles sejam como Cristo e seus doze apóstolos, nossos redentores em potencial. Carol está no caminho certo quando destina todos os seus esforços para como fazer com que os indivíduos deixem de ser Eles (como em Matrix). Ela simplesmente segue o caminho cristão claramente formulado por G.K. Chesterton, que escreveu a propósito de uma afirmação em voga sobre a “suposta identidade espiritual entre budismo e cristianismo”:
“O amor deseja personalidade, portanto, o amor deseja divisão. É instinto do cristianismo alegrar-se por Deus ter dividido o universo em pequenos pedaços (…). Este é o abismo intelectual entre o budismo e o cristianismo: para o budista ou teosofista, a personalidade é a queda do homem; para o cristão, é o propósito de Deus, o sentido de sua ideia cósmica. A alma do mundo dos teosofistas pede ao homem que a ame apenas para que possa lançar-se nela, mas o centro divino do cristianismo realmente expulsou o homem para que ele pudesse amá-lo. (…) todas as filosofias modernas são correntes que conectam e aprisionam; o cristianismo é uma espada que separa e liberta. Nenhuma outra filosofia faz Deus realmente se regozijar com a separação do universo em almas vivas.”1
Pluribus encontra-se no antípoda da versão de 1978 de The Invasion of Body Snatchers [Vampiros de Almas], dono de um dos desfechos mais aterrorizantes da história do cinema. Nesse filme notável, como é que uma duplicata (um humano dominado pelos alienígenas) reage quando encontra um ser humano que ainda não foi integrado? Na cena final, Nancy encontra na rua Matthew, seu parceiro, e presume que ele ainda seja totalmente humano. No entanto, quando o chama, ele aponta para ela e emite um grito agudo aterrorizante… talvez esse grito ainda seja melhor do que o benevolente cumprimento “Oi, Carol!”.
* Tradução de Carolina Peters
Notas
- G.K.Chesterton, Orthodoxy, San Francisco: Ignatius Press 1995, p. 139. ↩︎
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Slavoj Žižek nasceu na cidade de Liubliana, Eslovênia, em 1949. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek preside a Society for Theoretical Psychoanalysis, de Liubliana, e é um dos diretores do centro de humanidades da University of London. Dele, a Boitempo publicou Bem-vindo ao deserto do Real! (2003), Lacrimae rerum (2009), Em defesa das causas perdidas, Primeiro como tragédia, depois como farsa (ambos de 2011), Vivendo no fim dos tempos (2012), O ano em que sonhamos perigosamente (2012), Menos que nada (2013), Violência (2014), O absoluto frágil (2015), O sujeito incômodo: o centro ausente da ontologia política (2016) e Pandemia: covid-19 e a reinvenção do comunismo (2020).
LEITURAS PARA SE APROFUNDAR NO ASSUNTO
Vivendo no fim dos tempos, de Slavoj Žižek
Não deveria haver mais nenhuma dúvida: o capitalismo global está se aproximando rapidamente da sua crise final. Slavoj Žižek identifica neste livro os quatro cavaleiros deste apocalipse: a crise ecológica, as consequências da revolução biogenética, os desequilíbrios do próprio sistema (problemas de propriedade intelectual, a luta vindoura por matérias-primas, comida e água) e o crescimento explosivo de divisões e exclusões sociais. E pergunta: se o fim do capitalismo parece para muitos o fim do mundo, como é possível para a sociedade ocidental enfrentar o fim dos tempos?
O fato é que a verdade dói, e para explicar por que tentamos desesperadamente evitá-la, mesmo que os sinais da “grande desordem sob o céu” sejam abundantes em todos os campos. Žižek recorre a um guia inesperado: o famoso esquema de cinco estágios da perda pessoal catastrófica (doença terminal, desemprego, morte de entes queridos, divórcio, vício em drogas) proposto pela psiquiatra suíça Elisabeth Kübler-Ross, cuja teoria enfatiza também que esses estágios não aparecem necessariamente nessa ordem nem são todos vividos pelos pacientes.
De acordo com Žižek, podemos distinguir os mesmos cinco padrões no modo como nossa consciência social trata o apocalipse vindouro. A primeira reação é a negação ideológica de qualquer “desordem sob o céu”; a segunda aparece nas explosões de raiva contra as injustiças da nova ordem mundial; seguem-se tentativas de barganhar (“Se mudarmos aqui e ali, a vida talvez possa continuar como antes…”); quando a barganha fracassa, instalam-se a depressão e o afastamento; finalmente, depois de passar pelo ponto zero, não vemos mais as coisas como ameaças, mas como uma oportunidade de recomeçar. Ou, como Mao Tsé-Tung coloca: “Há uma grande desordem sob o céu, a situação é excelente”.




Bem-vindo ao deserto do Real! , de Slavoj Žižek
Cinco ensaios provocativos do filósofo esloveno analisando os desdobramentos pós-11 de Setembro. Navegando pela interseção de cultura, psicanálise e política, o autor confronta a polarização ideológica que sucedeu à tragédia, ressaltando a complexidade das decisões.
O absoluto frágil, de Slavoj Žižek
Crítica ousada, que explora o papel do cristianismo e do marxismo na luta contra o fundamentalismo. Combina filosofia, psicanálise e exemplos da cultura moderna para discutir conflitos culturais e religiosos, destacando a importância da tolerância na busca pela liberdade.
Lacrimae Rerum, de Slavoj Žižek
Coletânea de ensaios que explora o cinema contemporâneo, revelando conexões entre cineastas renomados e a psicanálise. Seus comentários lúdicos e imersão no universo das telas oferecem uma perspectiva única e cativante sobre o cinema, destacando a influência das narrativas na percepção da realidade.
Em defesa das causas perdidas, de Slavoj Žižek
Incursão nas “causas perdidas” da história, desafiando análises convencionais sobre políticas totalitárias passadas. Com base em Marx e Lacan, propõe uma reinvenção do terror revolucionário e da ditadura do proletariado, refletindo sobre o idealismo subjacente a eventos historicamente controversos.
Primeiro como tragédia, depois como farsa, de Slavoj Žižek
Um olhar crítico sobre o colapso financeiro global após o 11 de Setembro. Notório contestador do liberalismo contemporâneo, o autor analisa a morte do capitalismo, sustentando que vivemos uma farsa após a tragédia. Desafia o liberalismo e convoca a reinvenção da esquerda no século XXI.
Violência, de Slavoj Žižek
As raízes ocultas da violência moderna e seu impacto na sociedade global. O autor desafia as percepções convencionais, oferecendo novas perspectivas sobre a complexidade da violência contemporânea e seu contexto histórico. Abrange desde o capitalismo até a linguagem e o terrorismo fundamentalista.



O ano em que sonhamos perigosamente, de Slavoj Žižek
Análise arrebatadora de eventos marcantes, como a Primavera Árabe e o Occupy Wall Street, sob a lente crítica do filósofo esloveno. Ele desafia a ideologia hegemônica, apontando para um futuro incerto, e oferece um arsenal crítico para aqueles que buscam a mudança.
Menos que nada: Hegel e a sombra do materialismo dialético, de Slavoj Žižek
Uma exploração abrangente da filosofia ocidental à sombra de Hegel. Em sua obra-prima, o autor desafia a tentativa de escapar da influência hegeliana. Com maestria, explora a transição à modernidade, dialoga com pensadores contemporâneos e propõe uma leitura anacrônica do idealismo alemão.
O sujeito incômodo: o centro ausente da ontologia política, de Slavoj Žižek
O filósofo desconstrói o sujeito cartesiano, revelando seu potencial político radical. Confronta correntes pós-althusserianas, teoria de gênero e desafia a hegemonia multicultural. Com humor e rigor filosófico, é uma intervenção política vital para repensar a esquerda na era do capitalismo global.
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