2025 em livros: uma retrospectiva do ano na Boitempo e Boitatá

Em 2025 a Boitempo fez 30 anos publicando livros para interpretar o mundo, celebrados em maio com uma grande festa que reuniu amigos, autores, colaboradores, livreiros e jornalistas. Este também foi o ano em que a Boitatá completou sua primeira década de existência, provando que política também é coisa de criança.

Como não poderia deixar de ser, foi um ano repleto de leituras: 36 novos títulos chegaram ao catálogo da Boitempo e lançamos 10 livros pela Boitatá, que além disso imprimiu 4 obras aprovadas no Programa Nacional do Livro e do Material Didático (PNLD) 2022. Tivemos ainda 145 reimpressões, totalizando mais de 400.000 exemplares impressos. Relembre conosco cada um dos lançamentos imperdíveis do período e alguns dos momentos mais marcantes, e ainda descubra o que vem por aí.


Realizamos 84 eventos próprios em 21 cidades de 11 estados diferentes. Entre essas atividades, é claro, a já tradicional Festa de Aniversário do Marx, que dessa vez contou com mais uma surpresa: além de São Paulo, o Rio de Janeiro recebeu pela primeira vez o evento que celebrou os 207 anos do fundador socialismo científico.

Além disso, em 2025 a coleção Marx-Engels cresceu, publicando clássicos como Do socialismo utópico ao socialismo científico, de Friedrich Engels, na primeira tradução direta do alemão para o português brasileiro, e o primeiro volume de Teorias do mais-valor, de Karl Marx. Também chegaram em primeira mão aos assinantes do Armas da Crítica as inéditas Entrevistas de Marx e Engels, organizadas por Murilo van der Laam especialmente para a Boitempo, que serão lançadas em janeiro de 2026!

Outro lançamento importante de 2025, dedicado à vida e obra dos autores alemães, foi Marx, Engels e a revolução de 1848, que analisa sua atuação durante a Primavera dos Povos, desvelando uma faceta militante ainda pouco conhecida dos dois (leia uma apresentação de José Paulo Netto ao livro de Fernando Claudín).


Comentando as três décadas da editora na coluna “Painel das Letras“, da Folha de S. Paulo, o jornalista Walter Porto publicou: “Quando a Boitempo abriu as portas, em 1995, o Brasil consolidava suas instituições democráticas. Agora, no aniversário de 30 anos da editora, a democracia vive um momento dramático, segundo a fundadora Ivana Jinkings, mas a casa está cimentada como referência no pensamento crítico brasileiro.”

Nesse espírito, a Boitempo republicou, em nova edição ampliada, a já clássica análise da filósofa Marilena Chaui sobre os fenômenos ideológicos. Lançado em primeira mão para os assinantes do Armas da Crítica — o clube do livro da Boitempo —, Ideologia: uma introdução foi o livro mais vendido durante a Feira do Livro do Pacaembu, e a autora, que apresentou a obra para uma plateia lotada, foi aplaudida de pé. Sem dúvidas, um momento antológico do nosso 2025.


A Feira do Livro do Pacaembu, onde estivemos junto a outras editoras independentes com a Tenda Vermelha, foi uma entre as mais de 15 feiras, congressos, colóquios, bienais e seminários de que a editora participou em 2025, no Brasil e no exterior.

Dos vários eventos dignos de nota, precisamos registrar nesta retrospectiva a fila gigantesca que se formou na Bienal do Livro do Rio de Janeiro para conseguir um autógrafo de Elias Jabbour, autor de China: o socialismo do século XXI — o livro mais vendido do ano da Boitempo! E vem livro novo do autor em 2026: Socialismo no poder: governança, classes, ciência e projetamento na China, escrito por  Elias Jabbour e Roland Boer, chega às livrarias no primeiro semestre. Confira a lista completa dos mais vendidos e sinta um gostinho do que mais está por vir:

  1. China: o socialismo do século XXI, de Elias Jabbour e Alberto Gabriele
  2. Ideologia: uma introdução, de Marilena Chaui
  3. O capital, Livro I, de Karl Marx
  4. Mulheres, raça e classe, de Angela Davis
  5. O que é identitarismo?, de Douglas Barros
  6. Esquerdismo, doença infantil do comunismo, de Vladímir I. Lênin
  7. África Vermelha: resgatando a política negra revolucionária, de Kevin Ochieng Okoth
  8. Marxismo e judaísmo, de Arlene Clemesha
  9. A educação ambiental anticapitalista: produção destrutiva, trabalho associado e agroecologia, de Henrique Tahan Novaes
  10. Marx: uma introdução, de Jorge Grespan

Reconhecida pelo rigor de suas edições, empenho na formação de leitores e divulgação da obra de Marx e Engels, não é de se estranhar que, por mais um ano consecutivo, O capital siga entre os livros mais vendidos da editora, acompanhado sempre por clássicos do marxismo e diversos títulos dedicados a aprofundar o debate sobre temas cruciais do mundo contemporâneo — exemplo disso pode ser lido no balanço de um ano de lançamento de O que é identitarismo?, publicado por Douglas Barros no Blog da Boitempo. Nesse sentido, destacamos apenas alguns dos vários livros aguardados em 2026.

Ampliando a coleção Biblioteca Lukács, chega às livrarias em 2026 o segundo volume da Estética, de György Lukács. Para quem deseja se aprofundar no estudo das interpretações marxistas do Brasil, a Boitempo publicará Diretrizes para uma política econômica brasileira, de Caio Prado Jr.. E para abrir o ano, vem aí O arcano da reprodução: donas de casa, prostitutas, operários e capital, da feminista italiana Leopoldina Fortunati, o livro do mês do Armas da Crítica — o clube do livro da Boitempo.

Outro lançamento imperdível é Reconstrução negra, obra de maturidade de W. E. B. Du Bois, na qual interpreta a Guerra Civil dos Estados Unidos como uma revolução social que derrubou o sistema escravista do Estado confederado, abrindo caminho para uma democracia efetiva a ser construída pelos de baixo. O livro — que já entrou em pré-venda! — tem coedição da Editora da Unicamp e orelha assinada por Ruth Wilson Gilmore, que esteve conosco este ano.


O curso Do que falamos quando falamos em abolição?, ministrado por Ruth Wilson Gilmore no Centro de Pesquisa e Formação do Sesc São Paulo foi uma das várias agendas da autora de Geografia da abolição: ensaios rumo à libertação no país. A primeira atividade de lançamento do livro no país, ocorrida na Unicamp, pode ser vista na TV Boitempo (ao longo do ano, a Boitempo esteve presente e apoiando 38 atividades como essas):

Relembre também as entrevistas da autora a Eduardo Sombini, publicada na Folha de S. Paulo; a Luiz Henrique Gomes, para o Estadão; a Humberto Maruchel, da revista Bravo!; e a concedida a Ivan Marsiglia, editor-chefe da Ponte.


Dentre os lançamentos mais aguardados do ano estava A cicatriz, de China Miélville. Para comemorar o fim da longa espera, a Boitempo reuniu fãs de peso da ficção científica do marxista inglês para discutir sua obra, a construção de mundos fantásticos, comunismo, arte, redes sociais e muito mais.

Ainda no campo literário, o romance Pssica, do premiado escritor paraense Edyr Augusto, virou minissérie de sucesso da Netflix, com direção de Quico e Fernando Meirelles.

Também foram relançadas pela Boitempo três obras ficcionais de Roniwalter Jatobá, referência da literatura proletária no país: Crônicas da vida operária, Sabor de química e Paragens, que juntas compõem uma verdadeira Trilogia da vida operária.


Para comemorar os 10 anos da Boitatá, a irmãzinha mais nova da Boitempo, ocupamos a Biblioteca Infantojuvenil Monteiro Lobato com intensa programação de debates, oficinas, música e muito bolo de chocolate! Mas a festa não parou por aí: a Ocupação Boitatá chegou a livrarias de todo o país com descontos, brindes exclusivos e muitas avidades com a presença de autores nacionais e internacionais, como Afonso Cruz, Catarina Sobral, Joan Negrescolor e Olga de Dios, além dos editores da icônica Media Vaca, Vicente e Begoña,. Para uma retrospectiva completa do ano da Boitatá, não deixe de assinar nossa newsletter:


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