Uma síntese original sobre a China

Carlos Eduardo Martins comenta "China: o socialismo do século XXI", de Elias Jabbour e Alberto Gabriele, destacando a síntese original entre marxismo, estruturalismo e keynesianismo empreendida pelos autores na análise do fenômeno chinês.

Por Carlos Eduardo Martins

A ascensão acelerada da China no sistema mundial capitalista desde os anos 1980 – que, principalmente a partir da Guerra do Ópio, inverteu o longo declínio iniciado no século XIX – constitui o principal acontecimento geopolítico para a análise das ciências sociais e da economia política contemporâneas. O reencontro da China com a economia mundial capitalista, após a desconexão imposta pela revolução maoísta, não ensejou uma nova ocupação e vitória do imperialismo ocidental como Nixon e, posteriormente, os apologistas da globalização neoliberal imaginaram. Tampouco uma submissão ao dólar e ao poder ­financeiro estadunidense, que tanto impressionou parte da esquerda brasileira e mundial.

Ao contrário, por meio de um processo de hibridização, a China conserva sua soberania interna e mostra que o domínio cientí­fico e tecnológico é uma das fontes estratégicas de poder mundial. Impulsionando uma nova onda de crescimento econômico, arranha a ilusão de totalidade do capital fictício, atravessando o seu espelho com a força dos valores de uso, aos quais o mundo da mercadoria está indissoluvelmente ligado.

Elemento chave nesse processo é a reinvenção do Estado, que em vez de se orientar para um processo de acumulação independente do mundo do trabalho – caminho aventureiro trilhado pelo eixo de poder anglo-saxão –, lidera a mais vasta erradicação da pobreza da história da humanidade. Além disso, uma imensa reorganização empresarial e um vasto desenvolvimento de capacidades de amplas massas lançam os pilares de uma potência territorial de escala muito superior à das potências marítimas ocidentais que lideraram por séculos a civilização capitalista.

Elias Jabbour e Alberto Gabriele estão entre os mais destacados estudiosos da China contemporânea e dos processos de transformação em curso, que ultrapassam suas fronteiras e abrem as perspectivas de novas formas de existência. Os autores entregam em China: o socialismo do século XXI um rico material analítico e empírico e propõem uma síntese original entre o marxismo, o estruturalismo e o keynesianismo que não pode ser ignorada pelos cientistas sociais.

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Escrito para o público geral, o livro China: o socialismo do século XXI é um meticuloso trabalho teórico e estatístico de Elias Jabbour e Alberto Gabriele. A obra analisa a República Popular da China, gigante que se tornou, nas últimas duas décadas, a locomotiva do sistema econômico mundial. Afinal, o que é o socialismo chinês? É possível afirmar que difere do capitalismo tal qual o conhecemos até aqui, embora ainda seja prematuro defini-lo como alternativa consolidada.

Com uma postura crítica, os autores não desconsideram a complexidade da China e fogem de preconceitos ideológicos como enquadrar o país como mais um fracasso socialista ou, na via oposta, como um paraíso do comunismo realizado. Oferecem ao leitor uma abordagem materialista, que analisa a peculiaridade das relações de propriedade e das ferramentas de planejamento/projetamento vigentes no país. Tudo isso para apontar seu papel crucial como alternativa realista à anarquia do capital.
 
A obra apresenta um país que conseguiu, durante décadas, alcançar uma das taxas de crescimentos mais estáveis da história, passando de um dos mais pobres do mundo a segunda economia do planeta e que possui vasta base industrial e científica, sem ignorar que o sistema socioeconômico chinês também carrega contradições sérias que precisam ser analisadas e criticadas.   

O livro de Elias Jabbour e Alberto Gabriele tem prefácio de Francesco Schettino, texto de orelha de Carlos Eduardo Martins, quarta-capa de Silvio Almeida e Luiz Gonzaga Belluzzo, capa de Rodrigo Corrêa e apoio da Fundação Maurício Grabois.

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“O livro de Elias Jabbour e Alberto Gabriele é um trabalho corajoso. E aqui não se trata de exaltar um aspecto moral, externo à obra. A coragem a  que me re­firo é um atributo essencial às grandes empreitadas intelectuais que objetivam iniciar um debate público e orientado pela ciência em torno de temas fundamentais. É com esse propósito que os autores enfrentam o desafio de analisar a formação econômico-social da China e os sentidos do socialismo. É um livro que tende a tornar-se ponto incontornável nas discussões sobre as singularidades da economia chinesa e, por consequência, das possibilidades de ressigni­ficação do socialismo”.
– SILVIO ALMEIDA

“Este livro, magni­ficamente organizado e escrito por Elias Jabbour e Alberto Gabriele, grati­ficará o leitor com os sabores incomparáveis da aventura intelectual. Na vida do conhecimento e da compreensão da sociedade e da economia devemos sempre almejar à desconstrução do estabelecido e buscar os desa­fios do novo que nasce do movimento dos homens e de suas relações. É isso o que nos oferecem Jabbour e Gabriele. A exploração dos autores empenha-se em descobrir no socialismo da China a construção de uma nova formação econômica e social que instiga a perplexidade dos conformistas que não se cansam de indagar: Capitalismo de Estado ou Socialismo de Mercado?”
– LUIZ GONZAGA BELLUZZO

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Não perca o debate de lançamento de China: o socialismo do século XXI com Elias Jabbour, Dilma Roussef, Silvio Almeida e Tings Chak (mediação). Dia 22 de novembro, às 11h, na TV Boitempo:

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Carlos Eduardo Martins é professor associado do Instituto de Relações Internacionais e Defesa da UFRJ e Coordenador do Laboratório de Estudos sobre Hegemonia e Contra-Hegemonia (LEHC/UFRJ). Membro do conselho editorial da revista semestral da Boitempo, a Margem Esquerda, é autor, entre outros, de Globalização, dependência e neoliberalismo na América Latina (2011) e um dos coordenadores da Latinoamericana: Enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe (Prêmio Jabuti de Livro do Ano de Não Ficção em 2007) e co-organizador de A América Latina e os desafios da globalização (2009), ambos publicados pela Boitempo.

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