Lênin e a crítica demolidora ao revisionismo

Edmilson Costa escreve sobre "Imperialismo, estágio superior do capitalismo", de Vladímir Ilitch Lênin, obra fundamental para a compreensão das transformações do capitalismo.

Por Edmilson Costa.

Imperialismo, estágio superior do capitalismo é uma obra extraordinária. Escrita há mais de cem anos, continua mantendo grande atualidade. Publicada em 1917 – antes da revolução socialista – como uma síntese teórica dos novos fenômenos do capitalismo, foi estruturada no exílio de Lênin em Zurique entre janeiro e junho de 1916, após intenso trabalho de pesquisa bibliográfica que envolveu o estudo de dezenas de livros e artigos sobre o tema, cujos rascunhos foram organizados posteriormente nos “Cadernos sobre o imperialismo”.

Lênin buscou compreender a natureza do processo de transição do capitalismo e, ao mesmo tempo, combater o revisionismo da Segunda Internacional e seus principais dirigentes, que dissimulavam e pactuavam com o imperialismo. Para derrotar essas tendências oportunistas no movimento operário, Lênin delineou os elementos da estrutura econômica e política que levaram à capitulação dos dirigentes da Segunda Internacional e formulou uma crítica demolidora a essas posições revisionistas.

Com base em suas pesquisas, ele elencou cinco traços fundamentais que caracterizavam o imperialismo: a) concentração da produção e do capital e domínio dos monopólios; b) fusão do capital industrial com o capital bancário e emergência da oligarquia financeira; c) exportação de capital e ampliação das zonas de influência do imperialismo; d) partilha do mundo entre as associações monopolistas e grandes potências; e) parasitismo e decomposição do capitalismo. Com esse diagnóstico, Lênin definiu o imperialismo como o domínio dos monopólios, enfatizando suas contradições e sua necessidade da guerra, além da formação de Estados rentistas capazes de subjugar povos e nações.

O capitalismo sofreu profundas transformações ao longo dos últimos cem anos: internacionalização da produção e das finanças; interiorização de novos ramos tecnológicos, como as tecnologias da informação, a biotecnologia e a robótica; a burguesia dos países centrais passando a se apropriar diretamente do mais-valor fora das fronteiras nacionais; e o sistema financeiro conseguindo se autoacrescentar ao longo de um dia. Mesmo que o imperialismo seja hoje um sistema mundial completo, os elementos teóricos centrais deste livro seguem constituindo um instrumento efetivo para compreendê-lo e para realizar novos avanços teóricos sobre o capitalismo atual.

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Escrito um ano antes da Revolução de Outubro e publicado no calor das jornadas revolucionárias de 1917, o panfleto Imperialismo, estágio superior do capitalismo é considerado uma das mais importantes obras do líder bolchevique. Neste ensaio, Lênin deixa claro que o imperialismo, em evidência com a eclosão da Primeira Guerra Mundial, não era apenas uma prática política de alguns países capitalistas, mas a evolução do próprio sistema do capital, que atingia no início do século XX, com o capital financeiro e os monopólios, o seu estágio mais avançado.

Com uma linguagem e um recorte econômico empregados para driblar a censura tsarista da época, Lênin descreve, em crítica a obras sobre o imperialismo escritas por economistas burgueses (como Hobson, Hilferding e Riesser), as características do capitalismo nesse patamar de desenvolvimento, como a concentração da produção e o crescimento dos monopólios, as oligarquias financeiras, a exportação de capital e a divisão ou redistribuição de territórios entre potências capitalistas. Ao confrontar-se com os novos desafios do capital no século XX, Lênin acrescenta um capítulo às análises de Marx e Engels, oferecendo um dos mais importantes armamentos teóricos para o proletariado diante do capital monopolista.

“A concepção leniniana do imperialismo é, por um lado, uma importante realização teórica e contém, por outro, muito pouco de verdadeiramente novo, se observada como pura teoria econômica. A superioridade de Lênin consiste – e esta é uma proeza teórica sem igual – em sua articulação concreta da teoria econômica do imperialismo com todas as questões políticas do presente, transformando a economia da nova fase num fio condutor para todas as ações concretas na conjuntura que se configurava então.”
– György Lukács


“Lênin, o seguidor mais radical de Marx, definiu o Imperialismo como o ‘estágio superior do capitalismo’, trazendo para o centro da análise a problemática da implacável expansão global do capital e suas múltiplas contradições, tal como graficamente exemplificado pela inerente fraqueza estrutural – a ponto de provocar uma ruptura estrutural – em determinados elos de sua cadeia global.”
– István Mészáros


“Sem Imperialismo, estágio superior do capitalismo, a história mundial do século XX e do começo do XXI não seria compreensível. Os conceitos fundamentais introduzidos por Lênin nesta obra fundamental, a começar pelo de ‘imperialismo’, não figuram nos textos dos fundadores. É indispensável analisar o significado desta virada que ele imprimiu na teoria marxista.”
– João Quartim de Moraes

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O livro de Vladímir Ilitch Lênin tem tradução de Edições Avante! e Paula Vaz de Almeida, prefácio de Marcelo Fernandes, texto de orelha de Edmilson Costa e capa de  Maikon Nery.

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E-book à venda nas principais lojas do ramo:


Confira a live de lançamento de Imperialismo, estágio superior do capitalismo com Edmilson Costa, Fábio Palácio, Marcelo Bamonte e mediação de Marina Machado Gouvêa.

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Edmilson Costa é doutor em Economia pela Unicamp e secretário-geral do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

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