Comunismo em Marte?

Aterrisa no Brasil uma ficção científica bolchevique que narra o envio de um revolucionário russo para um planeta Marte socialista.

Por Pedro Ramos de Toledo.

Entre os revolucionários russos da velha guarda bolchevique do começo do século XX, Aleksandr Bogdánov foi talvez o mais profícuo de seus teóricos, com uma obra que exerceu grande influência em vários campos do conhecimento. Seu romance Estrela vermelha, publicado em 1908, em meio a um debate filosófico com Lênin, abre uma janela para que se observem tanto os sonhos e as aspirações de um intelectual radical quanto seu exercício de demonstrar, na forma literária, a aplicação de suas teorias.

Na obra, o jovem revolucionário Leonid, em meio às barricadas e greves que sacudiam a Rússia dos tsares em 1905, é convidado por seu camarada Menny a conhecer uma sociedade secreta de cientistas. Menny então se revela como um marciano, cuja missão é escolher um emissário terráqueo para viver em Marte. Transportado ao planeta vermelho, Leonid vivencia o convívio em uma sociedade que passara, três séculos antes, por uma revolução socialista, decorrente da catástrofe ambiental que havia levado o planeta à desertificação. O que se seguiu à revolução foi a construção, pelos esforços da classe trabalhadora, de uma sociedade igualitária, regulada por complexos sistemas de equilíbrio. Ali, Leonid registra as maravilhas do comunismo realizado e descobre um terrível segredo que pode selar o destino dos povos da Terra e de Marte.

A Boitempo apresenta, em tradução inédita no Brasil, uma obra que inspirou toda uma geração de revolucionários. Estrela vermelha aponta para outro mundo possível, onde “até mesmo a natureza é socialista”.

Boa viagem, camarada!

“Na hora precisa apontada por Menny, a eteronave colocou-se de cabeça para baixo com rapidez e suavidade. A Terra, que já há muito tempo se transformara de uma grande e iluminada foice em uma pequena, e da foice pequena em uma estrela brilhante esverdeada próxima ao disco solar, passara agora da parte inferior da esfera negra do firmamento ao hemisfério superior, e a estrela vermelha de Marte, que brilhava clara sobre nossas cabeças, revelou-se abaixo.”

Estrela vermelha, de Aleksandr Bogdánov

Publicada em 1908, esta ficção científica de Aleksandr Bogdánov combina a experiência revolucionária do autor e seus conhecimentos em diversas áreas (como física, matemática, astronomia e geografia) para construir o retrato de uma sociedade técnico-científica em que triunfou a revolução socialista, servindo de espelho e de guia para as lutas terrenas, e nos fazendo imaginar, a cada página, outro mundo possível.

O romance, inédito no Brasil, foi traduzido diretamente do original em russo por Paula Vaz de Almeida e Ekaterina Vólkova Américo, que também assinam o prefácio, no qual situam a obra de Bodgdánov na confluência entre o momento histórico e o gênero da utopia no século XX. A edição é de Carolina Mercês, com capa de Rafael Nobre.

“Esta ficção científica bolchevique narra o envio do revolucionário Leonid para um planeta Marte socialista. Bogdánov retrata magistralmente bem os dilemas enfrentados por uma pessoa que tenta se adaptar a relações sociais novas que ela não ajudou a criar.” — China Miéville
“Alexandr Bogdánov viveu o período das primeiras sangrentas e heroicas batalhas, refletidas em sua representação artística nas últimas páginas de Estrela vermelha, páginas que nossa juventude lê com assombro e entusiasmo.” — Nikolai Bukharin

Live de lançamento

Hoje, quarta-feira, dia 7 de outubro, às 20h30 tem debate de lançamento de Estrela vermelha na TV Boitempo, com Ana Rüsche, Fábio Fernandes e Paula Vaz de Almeida. A mediação será de André Cáceres. Apareça lá!

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