Theotônio dos Santos (1936-2018)

Orlando Caputo Leiva escreve sobre a vida e obra do economista Theotônio dos Santos.

No último dia 27 de fevereiro de 2018, nos deixou o economista e professor Theotônio dos Santos, um dos formuladores da teoria da dependência e um dos principais expoentes da teoria do sistema-mundo. Coordenador da obra A América Latina e os desafios da globalização, Theotônio colaborou com diversas outras publicações da Boitempo, e influenciou grandemente muitos de nossos autores aqui da casa. Na esteira das homenagens a essa figura excepcional, publicamos aqui o texto que Orlando Caputo Leiva escreveu para servir de prólogo ao livro Economía Mundial, Integración Regional Y Desarrollo Sustentable, de Theotônio dos Santos. A tradução e a introdução são de Fábio Oliveira Maldonaldo. Boa leitura!

* * *

Possuidor de uma trajetória admirável, participante fundamental da aventura daqueles intelectuais-militantes – no Chile da segunda década dos anos 1960 até o golpe militar de 1973 -, representada na Teoria Marxista da Dependência por um lado, e na experiência da Unidade Popular e do MIR por outro, Orlando Caputo talvez seja hoje uma das principais vozes que poderia narrar aqueles anos, em que o sonho parecia estar logo ali, ao alcance das mãos. Filho do povo, de extração popular e passado simples, escutou pela primeira vez Salvador Allende em 1952, quando ainda era um menino, na cidade de Cetina, mais precisamente na rua 21 de maio. Allende estava em cima de um caminhão localizado em frente a uma célula do Partido Comunista, a uma quadra de sua casa, e ao seu lado se encontrava outra personalidade de projeção nacional e mundial: o poeta Pablo Neruda. Uma década depois, já na universidade, sem nunca esquecer daquele dia e muito impactado pela efervescência política da classe trabalhadora, da luta pela solidariedade internacional e pela luta dos pobladores (trabalhadores sem teto), Caputo se tornou militante da Juventude do Partido Comunista – sendo logo encarregado de participar de uma das maiores ocupações de então, a ocupação 26 de julho. Em 1964, na campanha presidencial de Allende, foi eleito junto a alguns jovens da juventude comunista e de outras organizações para acompanhá-lo em sua comitiva no famoso trem da vitória, que percorria cerca de 1.200 km na semana de encerramento da campanha eleitoral. Durante essa viagem, Orlando Caputo foi um dos encarregados por fazer a segurança pessoal do candidato presidencial, oportunidade em que pôde conhecê-lo de forma mais íntima.

Em 1966, Como estudante da Escola de Economia se aproxima do sociólogo chileno Eduardo Hamuy para realizar pesquisas eleitorais em troca de alguns pesos. Foi nessa oportunidade que se vinculou efetivamente ao Centro de Estudos Sócio Econômicos (CESO), um dos mais importantes centros de estudo do Chile e da América Latina de todos os tempos, e onde conhece Theotônio dos Santos. No ano seguinte, ao mesmo tempo que estava desenvolvendo sua tese de graduação sobre o imperialismo e o papel do cobre no Chile, foi convidado pelo intelectual brasileiro para se integrar ao primeiro grupo de pesquisa do CESO sobre a dependência da América Latina, que teria como pesquisadores responsáveis o próprio Theotônio e, a convite dele, o próprio Caputo. O grupo seria composto por Theotônio dos Santos, Vânia Bambirra, Orlando Caputo, Sérgio Ramos (liderança estudantil do Partido Comunista) e Roberto Pizarro. A partir da riqueza pulsante do grupo de estudos, com um intenso ritmo de estudo e um ou dois seminários semanais; da orientação informal de Theotônio e certa influência de André Gunder Frank, defendeu sua tese de graduação, escrita em parceria com Roberto Pizarro. O trabalho acabou se revelando uma das maiores contribuições para a Teoria da Dependência, se desdobrando no livro Imperialismo, Dependencia y Relaciones Económicas Internacionales, publicado nos números 12 e 13 dos Cuadernos de Estudios Socio Económicos do CESO, em 1970, com prólogo do Theotônio dos Santos, que reconhece imediatamente o valor do trabalho:

“O documento que os autores apresentaram como simples tese de graduação poderia ser perfeitamente, com um pouco mais de elaboração, constituir uma tese de doutorado de alto nível em qualquer universidade do mundo. Trabalhando no Chile, em uma equipe de pesquisa de latino-americanos, os autores realizaram seminários, discussões, leituras orientadas e pesquisas empíricas, que os deram preparação de alto nível. Isto revela que a política de exportação de bolsistas a universidades que deixam muito a desejar e a ambientes que não correspondem a nossa problemática, não pode substituir de nenhum modo o trabalho no país e a criação de um ambiente intelectual nacional”.

O impacto do livro foi enorme no Chile e em outros países da América Latina.

No mesmo ano, com a vitória da Unidade Popular, Orlando Caputo foi indicado como representante de Salvador Allende no Comitê Executivo da CODELCO (Corporação Nacional do Cobre) – responsável pela nacionalização do cobre no Chile. Posteriormente pediu transferência para a assessoria do vice-presidente do Banco Central, responsável por uma atividade intensa orientada a indicar os diretores das empresas de minério – ainda antes de passar pela nacionalização – e de enfrentar o boicote dos Estados Unidos à indústria do cobre. A importância desse minério era angular para a economia chilena, bem como para o imperialismo, como revelava o livro do autor. Cabe lembrar que após o golpe militar foi organizada a Caravana de la muerte, responsável pelo assassinato de inúmeros militantes, dirigentes das empresas de minério, dirigentes sindicais, presidente das minas etc. Muitos desses militantes e diretores foram indicados pelo próprio Orlando para as empresas de minério e cobre.

Em partes, Orlando deve sua vida ao Coronel Gustavo Cantuarias, um legalista com quem tinha ótima relação e que se recusou a cumprir ordens superiores. Ao caminho da Companhia Minera Andina (a 120 km de Santiago), ouve no rádio que o golpe havia sido dado e ao chegar na Minera Andina encontra a companhia tomada pelo sindicato, em clima de resistência. Conversando ao telefone com o Coronel Cantuarias, este revela que não gostaria de ser obrigado a cumprir com as ordens da junta militar, ou seja, invadir e tomar a Minera Andina. Caputo responde que os trabalhadores iriam defender os meios de produção, tranquilizando o coronel sobre a destruição das máquinas e das instalações. O Coronel Cantuarias se nega a cumprir as ordens, o que certamente significaria a prisão e o fuzilamento de Caputo, sendo, por isso, preso e posteriormente fuzilado.

Dois anos mais tarde, em 1975, após chegar ao exílio no México – depois de um ano de exílio na Bulgária, país que ficaram sua companheira e filho -, Caputo se hospedou na casa do casal Theotônio dos Santos e Vânia Bambirra, que amargavam, por sua vez, um segundo exílio. Theotônio levou Orlando Caputo para uma reunião com o diretor da Faculdade de Economia da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM) que lhe oferece diretamente uma vaga de professor de graduação e pós-graduação, em função da projeção do livro publicado cinco anos antes.

Calcado na relação familiar constituída entre Theotônio, Vânia, o intelectual chileno e sua companheira Graciela, relações que duraram mais de 40 anos, Orlando Caputo envia ao público brasileiro e latino-americano o prólogo escrito que seria publicado na edição venezuelana do livro de Dos Santos, Economía Mundial, Integración Regional y Desarrollo Sustentable, como uma singela homenagem ao mestre e amigo, que foi descansar no último dia 27 de fevereiro.

Mais do que nunca, pela formação de diversas gerações de intelectuais e militantes revolucionários e pela contribuição libertadora de sua obra, Theotônio está presente, agora e sempre! – Fabio de Oliveira Maldonado

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Orlando Caputo Leiva

Prólogo ao livro de Theotônio dos Santos, Economía Mundial, Integración Regional Y Desarrollo Sustentable: Las Nuevas Tendencias de La Integración Regional.

Orlando Caputo Leiva
Santiago do Chile, julho de 2013

Para mim é muito importante escrever o Prólogo à nova edição venezuelana deste livro. Desde que Theotônio dos Santos foi nosso professor, em 1966, até agora [2013], desenvolvemos estreitas atividades acadêmicas, traduzidas, por sua vez, em fraternais relações de amizade.

Theotônio dos Santos chegou no Chile vindo do Brasil, em 1966, como asilado político e acadêmico, no contexto de um país com grande efervescência política e de solidariedade internacional. Salvador Allende, como Presidente do Senado da República, junto a outros dirigentes políticos exerceram uma grande influência nas decisões internas e internacionais do Chile. Entre estas, a de dar asilo a políticos e intelectuais brasileiros, argentinos e de outros países, como o caso de Dos Santos, cuja produção acadêmica já tinha repercussões políticas no Brasil por conta das grandes transformações que seus estudos propunham para este país e para a América Latina e o Caribe, em geral.

Theotônio, junto a sua companheira Vânia Bambirra – também acadêmica – são incorporados rapidamente ao quadro docente da Universidade do Chile. Se reproduzia, desta maneira, a experiência de mais de cem anos de outro intelectual, fundador e primeiro Reitor desta casa de estudos: o destacado intelectual e político venezuelano, Andrés Bello.

Cabe lembrar que Andrés Bello (Caracas, 1781 – Santiago do Chile, 1865) também chegou ao Chile com uma grande experiência de solidariedade internacional por sua participação nos sucessos revolucionários de 19 de abril de 1810, que deram início a independência da Venezuela e que permitiram desenvolver relações muito estreitas com Simón Bolívar e Francisco de Miranda. A Universidade do Chile é criada sob a inspiração deste grande intelectual em 1842, quem se converte em seu primeiro reitor, mantendo-se por mais de duas até sua morte.

“Se quereis que vosso nome não fique encarcerado entre a Cordilheira dos Andes e o mar do sul, recinto demasiado estreito para as aspirações generosas do talento; se quereis que vos leiam a posteridade, fazeis bons estudos…”, exortou Andrés Bello aos jovens chilenos em seu discurso inaugural como primeiro reitor da Universidade do Chile. Dos Santos é um dos intelectuais desta casa de estudos que cumpriu destacadamente com a tarefa deixada por Andrés Bello.

É um dever reconhecer a contribuição deste notório venezuelano, assim como o de outros estrangeiros ao desenvolvimento das instituições acadêmicas chilenas. O Chile os acolheu e, por sua vez, se beneficiou; uma tradição plasmada inclusive no Hino Nacional chileno que reza com força “… ou o asilo contra a opressão…”.

Theotônio dos Santos, Vânia Bambirra – a partir de 1966 – e outros acadêmicos brasileiros e argentinos incorporaram-se ao quadro acadêmico do Centro de Estudios Socio Económicos (CESO), da Faculdade de Economia e Administração da Universidade do Chile, organização muito pequena nesses anos quando compara com o Instituto de Economia ou com o Instituto de Organização e Administração desta Faculdade.

Dentro do CESO, Theotônio dos Santos formou e dirigiu o Grupo de Pesquisa sobre a Dependência, organizou seminários gerais sobre questões teóricas e análises críticas da realidade latino-americana. O CESO se converteu rapidamente em um centro que atraia a presença de reconhecidos estudiosos da América Latina, Estados Unidos e da Europa. Entre outros, Ruy Mauro Marini, André Gunder Frank, Tomás Vasconi, Inés Recca e Marta Harnecker. A liderança intelectual de Theôtonio foi tal que entre 1968 e 1973 assumiu a direção de pesquisadores e docência do CESO e entre 1972 e 1973 sua direção geral.

O aprofundamento no Chile em torno de suas reflexões teóricas sobre a dependência, conferiram ao CESO um prestígio nacional e internacional tal que, de uma pequena instituição, este se transformou na mais significativa instituição acadêmica de sua época na Faculdade de Economia da Universidade do Chile e de outras instituições de Ciências Sociais no Chile e na América Latina.

Nos primeiros dias da ditadura de Pinochet, o Centro de Estudios Socio Económicos, CESO foi fechado por um Decreto Ditatorial que justificava seu fechamento definitivo declarando-o subversivo e todo seu quadro tem que entrar em situações de clandestinidade para evitar a repressão da ditadura. A transcendência do trabalho acadêmico e os alcances políticos da produção de Theotônio dos Santos levaram a ditadura a incluir seu nome na primeira lista de perseguidos políticos.

Com as ditaduras e o neoliberalismo, a teoria da dependência foi difamada pelo pensamento único, projetado com força na América Latina pelos acadêmicos formados em parte nos países desenvolvidos, particularmente nos Estados Unidos. Na América Latina, a maioria das universidades mudaram as grades de estudo nos cursos de ciências sociais e com eles se suprimiram os cursos sobre a economia política e sobre a dependência.

Há alguns anos a teoria da dependência e a crítica ao capitalismo começaram a retomar sua importância à medida que se comprova a inoperância do neoliberalismo. Aumentou o interesse na América Latina e no Caribe e em outros países pela produção acadêmica do Centro de Estudios Socios Económicos (CESO), em seu breve período de existência.

Theotônio dos Santos joga um papel fundamental nesta recuperação crítica. Na sua “Introdução” desta edição, o autor aponta que nos últimos 10 anos se dedicou a sistematizar em três livros o que o pensamento crítico pôde organizar sobre o que ele denomina “A trilogia sobre o capitalismo contemporâneo, a crise e a Teoria Social”.

No primeiro livro, Teoria da Dependência: Balanço e Perspectivas (2000), reivindica o esforço do pensamento latino-americano, no qual conseguiu retirar os problemas do desenvolvimento e do subdesenvolvimento do estreito campo das histórias locais e nacionais, para situá-los no plano da história universal e como um resultado da acumulação primitiva de capitais que originam a moderna economia e sociedade capitalista. “É profundamente perverso que as chamadas ciências sociais acabaram se dedicando explicar aos povos colonizados, submetidos a estas condições deploráveis, como alcanças as condições de vida obtidas pelos povos colonizadores sem as vantagens obtidas por seu passado colonizador e seu presente neocolonial e imperialista”, indica o autor.

“Desmascaramos este truque intelectual maldoso ao ligar o fenômeno do subdesenvolvimento à dependência estrutural de nossa economia, sociedade e cultura à economia mundial capitalista”.

Dos Santos destaca a repercussão internacional desta produção teórica latino-americana, inclusive nos países centrais, repercussão que levou a retomar a teoria sobre a economia mundial como resultado do surgimento e desenvolvimento do capitalismo. O autor critica ao mesmo tempo a adesão de amplos setores da esquerda ao projeto neoliberal.

No segundo livro, Economía Mundial e Integración Regional Latinoamericana (2004), base desta nova edição, Dos Santos apresenta a economia mundial, que teve sua origem nas primeiras etapas do capitalismo, e faz um balanço das mudanças fundamentais que a economia mundial experimentou nas últimas décadas e as oportunidades surgidas para a integração latino-americana, como resposta regional à desintegração que promove a globalização neoliberal.

No terceiro livro, Del Terror a la Esperanza: Auge y Decadencia del Neoliberalismo (2008), critica o livre mercado e as bases filosóficas do neoliberalismo que foram desenvolvidas no século XVIII. Mostra como o livre mercado é derrubado pelo predomínio do monopólio no capitalismo e o grande poder do Estado no capitalismo contemporâneo. Opõe à teoria do equilíbrio os grandes desequilíbrios, nas economias dos Estados Unidos em particular, e os grandes desequilíbrios mundiais, em geral.

Outra reflexão central deste terceiro livro refere-se à relação entre os regimes de força, fascistas e parafascistas, com o domínio ideológico e político do neoliberalismo.

“Não foi uma coincidência que o desmoralizado grupo da Universidade de Chicago encontrou o primeiro governo que os inseriu no mundo econômico real através do regime fascista de Augusto Pinochet, no Chile, nem é menos verdade que os governos de Thatcher e Reagan, que os propagou em todo o mundo, fundaram-se em violentas confrontações com o movimento sindical de seus países numa tentativa desesperada de destruir o “Estado de bem-estar” e os regimes socialistas”, aponta o autor.

Dos Santos estabelece uma correção direta entre o terror do Estado e as políticas neoliberais, as quais destruíram direitos históricos dos trabalhadores através da repressão política estatal, e a repressão econômica, através das recessões, geradora de desemprego e desesperança.

Neste terceiro livro da trilogia, analisa o período recessivo da economia mundial, entre 1967 a 1994, através das ondas largas de Kondratiev. A partir de 1994 e sob a perspectiva da economia mundial, Theotônio indica o início da fase expansiva do ciclo das ondas largas de Kondratiev, fase apoiada na revolução científico-técnica, que aprofunda a transformação da ciência de auxiliar em elemento fundamental da reprodução econômica. Nesta fase expansiva se produziram grandes transferências de recursos do setor produtivo ao setor financeiro. Esta transferência de recursos tem sua origem nos grandes desequilíbrios do setor produtivo. O sistema financeiro cresce de forma espetacular, sustentado também pelo crescimento da dívida pública gerada pelo déficit fiscal permanente.

O mesmo autor apontou na “Introdução” a esta edição que as soluções provisórias impostas no auge do período neoliberal entraram em crise definitiva. Esta análise sobre a crise iniciada em 2008 e designada por ele como a “Nova fase da economia capitalista mundial”, mostra o fracasso da tendência ao equilíbrio do livre mercado. No entanto, com o manejo dos meios de comunicação, confunde-se a sociedade para que esta aceite que o peso da crise recaia sobre os trabalhadores e, por sua vez, a aceitar os resgates estatais para salvar as instituições financeiras, resgates que aprofundam os déficits fiscais.

Combate-se a crise com os mecanismos que a geraram. Os apoios do Estado ao setor financeiro poderiam gerar uma recuperação da economia dos Estados Unidos, mas, baseada nos mecanismos apontados, esta recuperação será restritiva, “aprofundando a médio prazo a crise dos Estados Unidos e de sua moeda”. Nos Estados Unidos, na Europa e no Japão a recuperação será “rasante” e as economias emergentes estarão em ascensão, apoiadas na expansão dos seus mercados internos. Os movimentos sociais poderiam seguir crescendo com certos êxitos políticos por alguns anos. Theotonio aponta que a Trilogia e esta nova edição venezuelana poderiam ajudar os movimentos sociais e acrescenta, a partir da tradução ao mandarim de vários de seus livros: “Eu gosto de pensar que a vanguarda política da China possa dialogar com meu esforço teórico”.

Depois deste período de transição, se iniciará uma nova fase negativa dos ciclos longos, que levará o capitalismo mundial a uma crise de longa duração e de gravidade colossal. Dos Santos retoma sua perspectiva histórica mais ampla ao reafirmar que a sociedade transita para uma sociedade planetária.

A esse respeito, espera que as mudanças que conduzam às experiências post-capitalistas ou abertamente socialistas sejam suficientemente fortes para inaugurar um novo sistema mundial, assentado em uma civilização planetária, plural, igualitária e democrática, que detenha os efeitos brutais de longo prazo que unificará a crise estrutural do capitalismo a uma nova conjuntura depressiva de 25 anos aproximadamente, a qual mostrará claramente as limitações do capitalismo para dirigir a humanidade. No entanto, as soluções progressistas e democráticas não estão garantidas. No passado, a crise do liberalismo do entre guerras levou ao nazismo e ao fascismo, que alcançaram um êxito sem precedentes até sua derrota em 1945.

Theotônio nos indica nesta nova edição os recentes estudos coletivos que está desenvolvendo, entre estes a relação entre civilização e desenvolvimento, criticando as propostas do capitalismo sobre a modernidade e pós-modernidade, estudos vinculados às alternativas que se abrem a partir dos avanços dos movimentos sociais. Dos Santos adianta também a preparação de um documento mais teórico, mas muito necessário, como uma nova crítica da economia política do mundo contemporâneo, que ajude na implementação da nova sociedade planetária.

Theotônio dos Santos promoveu em sua vida acadêmica a formação de grupos de pesquisa, no Chile, no México, no Brasil e em outros países. Nesses trabalhos coletivos, privilegiou a incorporação de jovens acadêmicos, de modo que sob sua liderança muitos se transformaram em estudos críticos do capitalismo. Tive o privilégio de ser um de seus discípulos, optando logo cedo pelo trabalho acadêmico. Agradeço a meu professor e amigo que me tenha solicitado escrever este Prólogo.

1 comentário em Theotônio dos Santos (1936-2018)

  1. Muito interessante o autor e seus livros, Boitempo publique-os, é de relevância entendermos a Teoria da Dependênci pois estamos diante de uma contrarevolução no Brasil, estão querendo mudar a natureza do Estado brasileiro tornando-o ultra-neoliberal em uma semi-democracia. É urgente nos conscientizarmos e autores como Theotônio são fundamentais.

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