Um livro imperdível?

(Tomara que acreditem! Pode não ser tão imperdível assim, mas eu acho que está gostoso de ler. Não é um livro “para crianças”, mas pode ser lido por crianças também)

Por Mouzar Benedito.

Acabo de publicar (ou melhor, ainda não saiu da gráfica) mais um romance, chamado O mistério do obelisco e sei que uma pergunta de leitores vai se repetir: “Os seus livros são relacionados a você mesmo e ao lugar onde nasceu?”.

Esta pergunta é comum e feita não só a mim, mas a outros autores também. No meu caso, há quem acredite que alguns livros são partes de uma autobiografia. E esses mesmos livros ou outros têm como cenário Nova Resende, cidade onde nasci e vivi até completar 16 anos de idade.

Tem um pouco a ver, mas não é totalmente assim. Acho que as experiências pessoais acabam entrando de uma forma ou de outra nas coisas que a gente escreve. E Nova Resende foi muito marcante para mim, apesar de ter vivido pouco tempo lá. Mas foram anos intensos, apesar da modorra que era a vida naquele ermo. Personagens para livros é que não faltavam lá.

Em alguns dos meus livros a cidade e alguns personagens dela estão presentes. Às vezes tão presentes que me causaram problemas, como aconteceu com meu primeiro livro, Santa Rita Velha safada, de causos. Teve gente que ficou braba e eu soube que até a Câmara de Vereadores fez uma reunião especial para me amaldiçoar. Já o romance com fundo histórico O tropeiro que não era aranha nem caranguejo foi ambientado lá mesmo, explicitamente.

Agora minha memória anda me puxando para um passado remoto, que remete às minhas origens. Coisa de velho, né? Publiquei, em 2017, no formato e-book o romance Chegou a tua vez, moleque, que tem tudo a ver com Nova Resende, mas é ficção, só que com fundo de verdade e, como procuro fazer sempre, com humor.

Não dei ao local em que é ambientado o nome da minha cidade. Na época em que ele se desenrola, final dos anos 1950 e início dos 60, tanto a cidade quanto a região estavam numa decadência profunda, e os jovens não viam nenhum futuro ali. Tinham que se mandar para e trabalhar e estudar. Claro que baseei um pouco do que escrevi em minha própria adolescência ali, mas não é uma autobiografia.

Agora resolvi publicar em formato de livro mesmo, de papel, o romance O mistério do obelisco, que se passa em meados dos anos 1950, num lugar chamado Vila. Aliás, Nova Resende é chamada até hoje de Vila por muitos dos seus moradores. Alguns leitores vão, com certeza, procurar identificar personagens e “lembrar” de alguns fatos acontecidos na época ou questionar histórias como se eu tivesse escrito uma espécie de documentário.

Então lembro: é ficção. Alguns personagens são inspirados em amigos, mas nem todos. Há personagens totalmente fictícios. E mesmo quando os personagens podem ser identificados com alguém, é preciso lembrar que as situações em que aparecem podem ser fictícias.

Tem tudo a ver com o que acontecia na época, com o nosso cotidiano, com o nosso modo de ver o mundo, mas não é um documentário. Se alguém for querer confrontar os fatos citados nele, vai ver que há fatos históricos fidedignos, sim, mas também há fatos romanceados ou colocados fora de sua época. É um romance em que procurei “falar” com humor de um Brasil e de certo tempo que parecem pura imaginação.

Em vez de falar mais sobre o livro, prefiro publicar aqui o que a Célia e eu escrevemos nas orelhas dele. Aí vai:

Passar a infância em uma cidadezinha do interior pode ser muito divertido para um menino curioso, na década de 1950.

Os meios de comunicação restritos – não havia televisão e poucos moradores tinham rádio – e o acesso à informação precário deram um trabalho danado ao menino que queria respostas. Descrevendo o cotidiano ingênuo daquele tempo, o autor nos remete a um cenário terno e afetuoso, fazendo-nos sentir saudade de uma época que só podemos imaginar.

Narrado de forma leve e bem-humorada, essa história nos revela muito da personalidade do hoje homem que foi aquele menino.

Célia Regina Talavera

“Pueril”. Com uma só palavra, a Célia, minha mulher, disse o que achou quando acabou de ler os originais deste romance. A história é contada por um menino de 7 anos de idade, que vivia nos confins de Minas Gerais, numa cidade tão pequena que os próprios moradores chamavam de Vila, em meados dos anos 1950. Sim, há muita ingenuidade nele. Perguntei a ela: “Vale a pena publicar?”. E sua resposta foi a lembrança de uma placa numa pequena casa comercial da avenida São João, em São Paulo, há uns trinta anos: “Vende-se lingüiça de porco para quem gosta de lingüiça de porco”. Quer dizer: tem quem goste. E não é pouca gente. Alguns livros do angolano Ondjaki têm uma ingenuidade e um estilo que emocionam e são extremamente bons de se ler. Aliás, foi depois de ler Ondjaki que me senti compelido a escrever este livro.

Assimilei algo dele: juntar os nomes e sobrenomes ou apelidos das pessoas, transformando-os em uma só palavra.

Enfim, viajei no tempo e me tornei um menino contando esta história. Gostei muito de ter feito isso. E se a Célia o considerou “pueril”, pensando bem, era o que eu esperava. E espero que os leitores entendam isso e gostem.

Mouzar Benedito

Agora “nossos comerciais”: o livro vai ser lançado no dia 5 de fevereiro, segunda-feira (uma semana antes do Carnaval), a partir das 19 horas, no Bar das Empanadas (rua Wisard, quase esquina com a Fradique Coutinho, Vila Madalena, São Paulo). Ele não deve ter distribuição em livrarias. Quem não mora em São Paulo, ou quem mora mas não puder/quiser ir ao lançamento, pode encomendado a mim mesmo ou à Editora Limiar. São 240 páginas e só vou cobrar R$ 30,00 mais a despesa do correio. Quem preferir receber o(s) livro(s) em mãos, proponho encontro em algum boteco barato da Vila Madalena (nos bares careiros eu não vou). Além do preço dos livros, só vai gastar o que consumir. O que eu consumir, eu mesmo pago. Quem quiser encomendar desde já, pode entrar em contato comigo pelo e-mail mouzarbenedito@yahoo.com.br ou mouzarbenedito1@gmail.com.

Convite

***

Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

3 comentários em Um livro imperdível?

  1. Flávio Aguiar // 30/01/2018 às 15:57 // Responder

    Oi Mouzar. Eu quero o meu exemplar. Estarei em S. Paulo em março. Reserve: o exemplar e a cachaça…

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  2. Mouzar Benedito // 30/01/2018 às 17:53 // Responder

    Oi, Flávio. Eeeebbbaaa! Vou guardar. E aproveitar pra ter notícias alemoas… Abraços. Mouzar

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  3. Flávio Aguiar // 30/01/2018 às 18:55 // Responder

    Abraço… Pode ir autografando… Flavio & Zinka.

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