Michael Löwy: A importância histórica do referendo grego 

Michael Löwy na Boitempo_goto Artur Renzo[Michael Löwy na sede da Boitempo Editorial em 2015. Foto: Artur Renzo]

Por Michael Löwy.

Antes da proclamação da República francesa em 1792, o Rei tinha o direito constitucional do Veto. Independentemente das resoluções da Assembléia Nacional, e dos desejos e aspirações do povo francês, a última palavra era sempre da Vossa Majestade. 

Na Europa de hoje, o Rei não é um Bourbon nem um Habsburgo. O Rei é o capital financeiro. Todos os atuais governos europeus – com a exceção do grego! – agem como funcionários deste monarca absolutista, intolerante e anti-democrático. Sejam eles de direita, “extremo-centro” ou pseudo-esquerdistas, sejam eles conservadores, democratas-cristãos ou social-democratas, eles todos fanaticamente servem ao direito de Veto de Vossa Majestade. Uma nova Aliança sagrada, sob a liderança profana da Troika – FMI, Banco Central Europeu, Comissão Europeia – tem sido estabelecida para esmagar a tentativa do povo grego de romper com os grilhões da servidão e tomar as rédeas do próprio destino. 

Este é um momento histórico. O referendo grego não diz respeito somente a questões econômicas e sociais fundamentais. Trata-se antes de mais nada de democracia.

A vitória do “não” representa um primeiro passo no desafio ao Veto monárquico das finanças; um primeiro passo em direção à transformação da Europa, da monarquia capitalista a uma república democrática. A luta do povo grego é uma luta europeia, e nosso futuro como cidadãos europeus depende desse confronto.

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Michael Löwy, sociólogo, é nascido no Brasil, formado em Ciências Sociais na Universidade de São Paulo, e vive em Paris desde 1969. Diretor emérito de pesquisas do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS). Homenageado, em 1994, com a medalha de prata do CNRS em Ciências Sociais, é autor de Revolta e melancolia: o romantismo na contracorrente da modernidade, Walter Benjamin: aviso de incêndio (2005), Lucien Goldmann ou a dialética da totalidade (2009), A teoria da revolução no jovem Marx (2012), A jaula de aço: Max Weber e o marxismo weberiano (2014) e organizador de Revoluções (2009) e Capitalismo como religião (2013), de Walter Benjamin, além de coordenar, junto com Leandro Konder, a coleção Marxismo e literatura da Boitempo. Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.

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