Lançamento Boitempo: “Paris, capital da modernidade”, de David Harvey

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Capa de Paris, capital da modernidade, um dos livros mais originais de David Harvey, ganha agora edição brasileira.

A Boitempo acaba de lançar o aguardado Paris, capital da modernidade, do geógrafo britânico David Harvey. Um dos trabalhos mais originais do autor, o livro volta-se para uma reflexão sobre a cidade mais estudada, comentada, cantada e amada em toda a história; e emerge desse mergulho, delimitado entre 1848 e 1871, com uma análise avessa ao lugar-comum. Fruto de mais de 30 anos de estudos sobre as dinâmicas geográficas, econômicas, sociais, políticas e culturais da Paris do Segundo Império, Paris, capital da modernidade é, nas palavras de Harvey “um exercício do que chamo de materialismo histórico-geográfico. Ele preenche o arco entre a análise marxiana de como Luís Bonaparte subiu ao poder no alvorecer do fracasso da Revolução de 1848 (O 18 de brumário) e o que aconteceu na Comuna de Paris de 1871 (A guerra civil na França). Não foi algo consciente, apenas depois me dei conta de que estava preenchendo a lacuna entre duas obras seminais de Marx!”

Harvey está no Brasil, para debater o livro no contexto do Seminário Internacional Cidades Rebeldes, promovido pela Boitempo e pelo Sesc. Ao longo da semana, a Boitempo e o Sesc também promovem o Curso de introdução à obra de David Harvey, no Sesc Pinheiros. Ainda há tempo de acompanhar o curso! Para participar, basta aparecer no Sesc Pinheiros e fazer sua inscrição! Confira, ao final deste post, mais informações sobre o evento, que terá transmissão ao vivo.

Leia a orelha do livro, assinada por João Sette Whitaker Ferreira

Um dos maiores intérpretes do marxismo e da sua complexa tradução para o contexto capitalista atual, David Harvey tem especial afeição pelo estudo das transições desse sistema, por meio das quais essa fantástica estrutura de acumulação se ajusta às crises e renova sua força, sempre pelo caminho da dominação e da espoliação.

A passagem da modernidade à pós-modernidade e da acumulação rígida para a flexível, as interações entre os diferentes circuitos do capital para superar as crises de superacumulação e a atual intensificação do imperialismo opressivo são transições já abordadas pelo autor. Processos com rupturas mais ou menos drásticas, porque “nenhuma ordem social pode conseguir mudanças que já não estejam latentes dentro de sua condição existente”, mas que na sua fragilidade podem tanto desembocar em uma alternativa revolucionária quanto em rearranjos que reforçam o capitalismo e sua perversa capacidade de destruir para renascer.

Na sequência da Revolução de 1848 e no contexto do bonapartismo, “capital e modernidade se uniram” na Paris do Segundo Império para enterrar de vez o utopismo, o romantismo, a manufatura artesanal e outros resquícios do feudalismo. Em 1848, o capitalismo já em marcha havia gerado “profunda e disseminada” crise de superacumulação, tendo como efeito uma “tragédia humana” de tal gravidade que, para Harvey, “a reforma do capitalismo ou sua derrubada revolucionária encaravam todas as pessoas”.

Foi assim que os esforços para a construção da modernidade, apoiados no mito de uma ruptura radical com o passado, garantiram uma transição que redesenhou a cidade, sob a batuta de Haussmann, pela lógica da especulação imobiliária e da subordinação aos mercados financeiros. “Liberado de sua camisa de força feudal, o capital reorganizou o espaço interno de Paris segundo princípios que eram exclusivamente seus.” Ou seja, segundo os interesses dos políticos, banqueiros e proprietários fundiários.

Em Paris, capital da modernidade, Harvey mostra um dos mais expressivos momentos de “compressão do espaço-tempo”, em que se acelera drasticamente o ciclo de acumulação capitalista. A reconstrução urbana, as novas tecnologias, o florescer do sistema de crédito e do consumismo ostentatório são vistos não só pelos seus efeitos materiais, mas também pelo seu impacto nos costumes, nas “relações sociais e imaginações políticas”, analisadas pelas suas representações nas artes e na literatura. Tudo isso com o pano de fundo da consequente intensificação da luta de classes que, no fim, levaria à queda de Napoleão III, à experiência da Comuna e ao seu sangrento fim, abrindo caminho para a consolidação definitiva do capitalismo industrial.

João Sette Whitaker Ferreira

David Harvey é o homenageado especial do Seminário Internacional Cidades Rebeldes, realizado pela Boitempo e Pelo Sesc. A iniciativa faz parte de uma série de eventos promovidos pela Revista Margem Esquerda desde 2004. De 09 a 12 de junho, estarão reunidos mais de 40 conferencistas para discutir o presente e o futuro das cidades como palco de disputas políticas, ideológicas e sociais. Confira a programação completa do seminário aqui.

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