Sacis aprontam no Parque da Água Branca

14.09.09_Mouzar Benedito_Água BrancaPor Mouzar Benedito.

O Parque da Água Branca é um daqueles lugares maravilhosos da cidade de São Paulo que a grande maioria dos moradores nem se lembra que existe. Tem mais de 13 hectares de vegetação, lagos com peixes, uma típica casa de caboclo e até um espaço para aulas de equitação. É um oásis no meio do caos urbano. Vegetação bonita, muitas aves domésticas e silvestres, além de saguis acostumados à presença humana, é um descanso para o espírito, um recanto de paz na cidade.

O silêncio não é absoluto, porque há muitos e muitos galos garnisés que cantam por todo lado, e também é possível ouvir alguns cantos de pássaros que habitam por ali.

Mas algo estranho está acontecendo ali. Funcionários e frequentadores andam meio espantados e com muita curiosidade de uns tempos para cá;

E muitos acham que tem a ver com uns bambuzais de taquaruçu, aquele tipo de bambu de gomo grandão em que segundo a lenda nascem e vivem os sacis.

De uns tempos para cá, contam, começou a ter uns redemoinhos estranhos, que viram painéis de informação e espalham folhas pelas trilhas, galinhas d’angola chocam e em vez de pintinhos nascem patos, porque trocaram os ovos, os cavalos amanhecem com nós nas crinas e assim por diante.

A explicação – acredite quem quiser – é que há uma superpopulação de sacis naquele parque. E eles reivindicam mais áreas verdes em São Paulo, para que possam esvaziar um pouco ali, por isso aprontam.

Em função disso, está sendo feita uma grande programação de atividades ditas “sacizísticas” no parque, com o título O Saci tá aqui!.

No meio do parque há um lugar muito agradável, chamado Espaço de Leitura, com alguns quiosques/bibliotecas e mesas espalhadas debaixo das árvores. São muitos e muitos livros para crianças e para adultos em um lugar calmo e agradável.

Nesse espaço está a exposição Saci em Foco, com 12 painéis, falando sobre os sacis, que são muitos. Num desses painéis, fala-se por exemplo da variedade de sacis existentes. Por exemplo: você sabe que além do Pererê existem o Saçurá, o Mofera, o Açu, o Mirim e outros? O que diferencia uns dos outros? Há explicações sobre isso.

Outra exposição é O colecionador de Sacis, uma coleção de garrafas que – juram – têm sacis apreendidos. Eles serão todos libertados festivamente no dia 1o de novembro, sábado, depois do “Dia do Saci e seus amigos”, que é 31 de outubro.

Além dessa exposição, que é permanente, há atividades para as crianças todos os sábados e domingos de setembro e outubro, a partir das 11h da manhã.

Entre essas atividades, há gincanas, oficinas de desenho, apresentações musicais, contação de histórias e muitas brincadeiras.

Vale a pena levar as crianças lá. É de graça e, para melhorar, o Parque da Água Branca fica pertinho da estação Barra Funda de metrô, trem e ônibus. Então é muito fácil chegar lá, sem se preocupar com o trânsito, lugar para estacionar, essas chatices.

Os adultos que não embarcarem nas brincadeiras ditas “sacizísticas” também vão gostar de ir ao parque. Além de ser desestressante passear por num espaço de muito verde e vida animal, num lugar facílimo de chegar, perto do centro, pode-se aproveitar para desenvolver habilidades e conhecimentos – acontecem regularmente nele oficinas de artesanatos diversos, música, internet, pintura, yoga… E em alguns dias da semana, os saudáveis poderão ir à Feira do Produtor Orgânico e comprar alimentos diretamente de quem produz.

Quem quiser mais informações, aí vai o caminho das pedras:

Espaço de leitura | aberto de terça a domingo
Terça das 10 às 17 horas e de quarta a domingo das 9 às 18 horas
Parque da Água Branca | Rua Ministro Godói, 180 | Perdizes
Telefone: (11) 2588-5918 | contato@espacodeleitura.org.br
facebook.com/espacode.leitura | www.espacodeleitura.org.br

***

Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

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