Lançamento: “Mulher, Estado e revolução”, de Wendy Goldman

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A Boitempo acaba de lançar Mulher, Estado e revolução: política familiar e vida social soviéticas, 1917-1936, da historiadora norte-americana Wendy Goldman (que estará no brasil durante os dias 19, 20 e 21 de maio para debater o livro). Ganhador do prêmio Berkshire Conference, o livro examina as mudanças sociais pelas quais passou a sociedade da União Soviética nas duas décadas após a revolução de 1917, com foco nas mulheres e a relação que estabeleceram com o Estado revolucionário. Analisando a estrutura familiar, a sexualidade, o casamento e o divórcio na URSS, a obra explora como as mulheres responderam às tentativas bolcheviques de redefinição da instituição familiar. A edição brasileira vem ainda acrescida de um prólogo de Diana Assunção e orelha de Liliana Segnini. Confira aqui a página especial do livro no Facebook.

Leia, abaixo, a orelha do livro assinada por Liliana Segnini

“A difícil relação entre vida cotidiana e belos ideais” é o tema deste livro, conforme enuncia a autora, Wendy Goldman. A história política e social da Rússia e da União Soviética constitui seu campo de pesquisa e publicações e neste livro ela analisa o período que vai do triunfo da Revolução em 1917 até 1936, quando os controles da burocracia stalinista se evidenciaram com maior força.

Cuidadosa e longa pesquisa em arquivos, nas leis ratificadas, nas atas de reuniões entre bolcheviques lhe informaram as respostas, plenas de contradições, às perguntas que a orientaram na elaboração das hipóteses. Em síntese Goldman indagou, com base nas condições materiais da União Soviética depois da Revolução, “quais são as condições necessárias para se realizar ideais revolucionários? É possível que se crie total liberdade sexual para homens e mulheres sob condições de desemprego, discriminação e persistência de atitudes patriarcais? O que podemos aprender da experiência de nossos camaradas, especialmente a classe trabalhadora e as mulheres camponesas, depois da Revolução Russa?”

A superação da opressão das mulheres na sociedade, especialmente na família e no trabalho, era ponto fundamental dos bolcheviques para construir uma sociedade igualitária. A Revolução reclamava por novas relações políticas e de produção; as desigualdades de classe e de gênero seriam superadas, inclusive com apoio legal.

O “Código do Casamento,da Família e da Tutela” (1918) elaborado pelo Comitê Executivo Central do Soviete expressou a perspectiva revolucionária das relações sociais de um novo tipo, baseadas na igualdade das mulheres, e estabeleceu a organização familiar, os direitos das crianças e dos jovens, o amor livre. Foi criado para se tornar rapidamente obsoleto, desnecessário frente ao amadurecimento social dos princípios revolucionários.

A autora salienta que os bolcheviques compreendiam que a resolução da contradição entre trabalho e família era uma tarefa socialista. Sob o socialismo, o trabalho doméstico seria transferido para a esfera pública: as tarefas realizadas individualmente por milhões de mulheres em suas casas seriam assumidas por trabalhadores assalariados em refeitórios,lavanderias e creches comunitários. Mulheres se veriam livres para ingressar na esfera pública em condições de igualdade com os homens,desvencilhadas das tarefas domésticas. As mulheres seriam educadase pagas igualitariamente e seriam capazes de buscar seu própriodesenvolvimento e seus objetivos pessoais. Sob tais circunstâncias,o casamento se tornaria supérfluo. Homens e mulheres se uniriame se separariam como quisessem, desassociados das pressões deformadorasda dependência econômica. A família, arrancada de suas funções sociais prévias, definharia gradualmente,deixando em seu lugar indivíduos autônomos e iguais, livres para escolher seus parceiros com base no amore no respeito mútuo.

Casamentos, divórcios, abortos informam às estatísticas números que expressam as contradições vividas numa sociedade em construção, na qual a pobreza desafiou muitos ideais e o compromisso libertário bolchevique foi, política e socialmente, substituído pelo fortalecimento repressivo da unidade familiar.


Debates de lançamento, com Wendy Goldman no Brasil

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Em maio de 2014, a historiadora Wendy Goldman estará no Brasil para um ciclo de conferências de Mulher, Estado e revolução. Durante os dias 19, 20 e 21 de maio ela passará pelas cidades de Campinas, São Paulo e Rio de Janeiro. Os debates de São Paulo e Rio de Janeiro contarão com a participação da pesquisadora e ativista argentina Andrea D’Atri.

Serviço

Campinas
19/05 | 17h30 | Debate “A emancipação das mulheres: o debate e os desafios da luta contra o machismo como parte da experiência da revolução russa”
com Wendy Goldman, Diana Assunção e Renata Gonçalves
Unicamp | Auditório I do Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH)
Realização: Boitempo, Edições Iskra e Grupo de Pesquisa “Para Onde vai o Mundo do Trabalho?”
Apoio: Programa de Pós-Graduação de Sociologia da Unicamp, Programa de Pós-Graduação de Ciências Sociais da Unicamp e Centro Acadêmico de Ciências Humanas (CACH)
Após o debate haverá sessão de autógrafos.

São Paulo
20/05 | 19h30 | Debate com Wendy Goldman, Andrea D’Atri (Argentina), Sofia Manzano e Diana Assunção
USP | Anfiteatro de História | FFLCH [veja qual o endereço] 
Realização: Boitempo, Edições Iskra e FFLCH/USP
Apoio: Sintusp
Após o debate haverá sessão de autógrafos.

Rio de Janeiro
21/05 | 16h | Debate com Wendy Goldman, Andrea D’Atri (Argentina) e Carlos Eduardo Martins
UFRJ | Sala 109, Evaristo de Moraes Filho | Térreo | IFCS [veja qual o endereço] 
Realização: Boitempo, Edições Iskra e Programa de Pós-Graduação em Sociologia e Antropologia (PPGSA) Apoio: Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
Após o debate haverá sessão de autógrafos. 

1 comentário em Lançamento: “Mulher, Estado e revolução”, de Wendy Goldman

  1. carlinhadacruz // 24/07/2014 às 0:07 // Responder

    Estou começando a ler o livro, e parece realmente muito bom, parabéns. Alguma previsão de espaço sobre este livro no Rio Grande do Sul?
    Poderiam me passar o link do cartaz usado como ilustração da capa do livro?

    Curtir

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