O socialismo, o idiota e a ideologia (resposta de Mauro Iasi a Arnaldo Jabor)

14.01.22_Mauro Iasi_O socialismo o idiota e a ideologia_JaborPor Mauro Iasi.

Este artigo é uma resposta a O “perigo vermelho”, de Arnaldo Jabor.

“Quando a gente mente, ou seja, coloca com astúcia alguma coisa que acontece com excessiva raridade ou nunca acontece, aí a mentira se torna muito mais verossímil
O Idiota, Dostoiévski

O Príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin [personagem do romance O Idiota], exímio calígrafo, um pouco santo, profético e epilético, gosta tanto de suas idéias que por vezes, segundo um personagem seu amigo, “lhe dava vontade de ir para algum lugar, sumir inteiramente dali. (…) gostaria até de um lugar sombrio, deserto, contanto que ficasse só com os seus pensamentos”. Sempre foi um humanista, nutria uma profundo amor pela humanidade, apesar de sua hipossexualidade, mas a humanidade lhe parecia errada, grotesca, como uma projeção de sua baixa auto-estima.

Em uma carta, Hippolite [Hippolite Terentyev, personagem do romance O Idiota]  declara que “no amor abstrato para com a humanidade, não se ama a ninguém, e sim a si próprio”. Assim era ele. Zeloso e heroico defensor da humanidade abstrata e inimigo declarado dos seres humanos. Disposto a morrer pela humanidade no ato heroico contra moinhos, ou preso à cruz para salvar os pecados dos homens, como um Quixote/Cristo crucificado entre dois ladrões diante de um mar de moinhos vitoriosos.

O príncipe Míchkin hoje se preocupa com o “perigo vermelho”, como um dia já se preocuparam os Czares, o Pentágono, os militares latino-americanos e os reacionários de toda ordem. Ele sofre, como o único que vê a verdade em uma terra de cegos e estúpidos. Suas prédicas morais não têm valor algum em si mesmas, nem originalidade. São expressão de sua (para usar uma categoria cara ao autor) burrice, tagarelices de um idiota.

Suas ideias nos servem, no entanto, para outro propósito, como um rico material para discutir os eficazes mecanismos da ideologia. Seguindo as pistas de Marx (o príncipe Míchkin propõe, como veremos, uma bibliografia alternativa e mais gabaritada) sabemos que a ideologia opera como um poderoso instrumento de dominação de classe por meio de mecanismos como a inversão, o ocultamento, a naturalização, a justificativa e a apresentação do particular como fosse universal.

*

Vejamos, então, seus principais “argumentos” para que possamos refletir sobre a profundidade abismal das alternativas que nos propõe.

Segundo Míchkin o grande problema do Brasil é que o ciclo dos governos petistas prende nosso país em uma anacronia. Isto é, ao invés de se ocuparem com as “reformas no Estado paralítico e patrimonialista”, só pensam no passado com “nostalgia masoquista de torturas, heranças malditas, ossadas do Araguaia” que, segundo o príncipe amargurado, os legitimaria.

Trata-se, segundo o juízo do nobre decadente, da insanidade de insistir em uma luta perdida de tempos ilusórios. Ele pode afirmar com segurança essa constatação porque “estava lá” e viu “o absurdo que foi aquela tentativa de revolução sem a mais escassa condição objetiva”. Entretanto, na opinião do talentoso calígrafo, a raiz desse equívoco é mais profunda: já nos primeiros anos do governo petista, Míchkin alertava para o perigo de “sovietização” do governo brasileiro e agora insiste no caráter “neobolchevique” do governo Dilma. E profetiza:

“É um perigo grave que pode criar situações irreversíveis a médio prazo, levando o País a uma recessão barra-pesada em 14/15. É necessário alertar à população pensante para esse “perigo vermelho” anacrônico e fácil para cooptar jovens sem cultura política. Pode jogar o Brasil numa inextrincável catástrofe econômica sem volta.”

Vejam: nós, que não fazemos parte da população pensante, doentes mentais de marxismo crônico e jovens sem a cultura política do príncipe Míchkin, estamos sendo manipulados pelo “neobolchevismo” que nos leva, sem que saibamos, para o abismo da crise “barra-pesada”. Essa sua espessa cultura lhe permite remeter aos ensinamentos históricos. Por exemplo, à situação alemã na qual o stalinismo satanizou a social democracia e abriu caminho para o nazismo, nos esclarecendo que o “PSDB da Alemanha”, para eles, era mais perigoso que Hitler. Nós que não somos parte da população pensante ficamos confusos diante do brilho desta sabedoria. O PSDB representa aqui no Brasil uma força reformista, com raízes no movimento sindical e operário(?), o PT uma reencarnação grotesca do bolchevismo stalinista(?)… então, quem são os nazistas? Bom… não perdemos tempo com coisas que nossa cabecinha não pode compreender. Deixemos o príncipe epilético continuar pregando, pois ele tem a solução:

“Temos que parar de pensar do Geral para o Particular, de Universais para Singularidades. As grandes soluções impossíveis amarram as possíveis. Temos que encerrar reflexos dedutivas e apostar no indutivo. O discurso épico tem de ser substituído por um discurso realista, possível e até pessimista.”

Eu sei, leitores jovens sem cultura, é difícil acompanhar o Míchkin em seus chiliques, mas ele começou a doutrinar metodologicamente agora. Vejam, ele estava falando de política, de economia, de história (ele estava lá e viu), todas áreas nas quais ele acumula uma sólida ignorância, e agora saltou para as bases teóricas e filosóficas daquilo que ele não entende. Um pouco atrás no artigo ele já havia se referido a Hegel e sua teleologia da história (que ele confundiu com “teologia”) segundo a qual na sua genial síntese “as derrotas não passam de ‘contradições negativas’ que levam à novas teses”. É certo que não há uma mera continuidade entre a visão de história de Hegel e Marx. É evidente que nem Hegel nem Marx fundamentam seu pensamento procedendo o caminho metodológico do Geral para o Particular, nem de Universais para as Singularidades. Mas o que sabem Hegel e Marx sobre seus pensamentos?

Desavisados acreditariam que o caminho do método para compreender o real e seu movimento, para Hegel e para Marx, seria do singular ao universal, por meio das particularidades. Mas deixemos de lado estas questões secundárias que só podem interessar àqueles que ainda se apegam ao trabalho doentio de estudar os autores por aquilo que eles de fato afirmaram. Voltemos aos ensinamentos do sábio.

Procedendo metodologicamente da maneira adequada que é sugerida (para facilitar o entendimento aos jovens incultos: abandone Marx e Hegel e volte a Kant, só para destruí-lo e refugiar-se em Nietzsche… agora é só passar para Lyotard) estaríamos aptos a abandonar certos preconceitos, como por exemplo a qualidade de “esquerda” que segundo o príncipe epilético é só uma “substância” que ninguém mais sabe o que é, servindo para enobrecer discursos. Segundo nosso profeta da amargura, devemos substituir “esquerda e direita” por “progressistas e conservadores”. Feito isso, teríamos que trocar de referencias, eis a sugestão de Míchkin:

“O pensamento da velha ‘esquerda’ tem que dar lugar a uma reflexão mais testada, mais sociológica, mais cotidiana [???]. Weber em vez de Marx, Sergio Buarque de Holanda em vez de Caio Prado, Tocqueville em vez de Gramsci.”

Lógico que por modéstia, o príncipe não seguiu suas sugestões para o campo da cultura, no qual teríamos que seguir as substituições, por exemplo, Julio Iglesias em vez de Atahualpa Yupanqui, Paulo Coelho em vez de Graciliano Ramos, ou mesmo, quem sabe, Jabor em vez de Fellini. Não, ele está preocupado com o Brasil. Para enfrentar as tarefas urgentes que evitem que caminhemos para abismo é necessário partir de cara assumindo o fracasso do socialismo real. E ele se pergunta: quem (além dele) tem peito para isso? O Socialismo é uma palavra, um dogma, que nos amarra a um fim obrigatório, esbraveja e lamenta, “como se tivéssemos que pegar um ônibus [de graça… perdão, não interrompo mais]… até o final da linha, ignorando atalhos e caminhos novos”. E conclui:

“A verdade tem que ser enfrentada: infelizmente ou não, inexiste no mundo atual uma alternativa ao capitalismo. Isso é óbvio. Digo e repito: uma ‘nova esquerda’ tem que acabar com a fé e a esperança – trabalhar no mundo do não sentido, procurar caminhos, sem saber para onde vai.”

Não é qualquer um que sugere caminhos sem saber onde vão dar, é preciso uma dose de coragem ou outra qualidade de caráter para isso. Para a marinha mercante seria uma catástrofe, mas para conduzir a humanidade, quem sabe, não é. O nosso idiota sai das gélidas paisagens da Rússia, passa pelas ensolaradas terras brasileiras ameaçadas pelo perigo vermelho e chega à Alemanha para fazer a troca. Deixa Marx e abraça ternamente a Max Weber, que lhe responde:

“Por muito diferente que fossem nossas opiniões sobre a configuração da ordem social futura, aceitamos para o momento presente, a forma capitalista. Não porque nos parece melhor diante das antigas formas, mas por considerarmos praticamente inevitável e acreditamos que as tentativas de luta radical contra ela nunca seriam um progresso, mas antes um obstáculo no acesso da classe operária à luz da cultura.”
(Max, Weber, Sobre a teoria das Ciências Sociais, Lisboa: Presença, 1979, p. 29).

Míchkin e Weber se abraçam em silêncio. Míchkin está emocionado, Weber não tem a menor ideia de quem é aquela figura. Aproveitando que estava por ali, o príncipe epilético vai até Viena tentando encontrar Freud – isso porque ele está convencido que precisamos alistar o pai da psicanálise na análise das militâncias –, mas não o encontra. Os conceitos da velha esquerda como “luta de classes”, “democracia burguesa”, “sectarismo”, “fins justificam os meios” e outros, deveriam ser substituídos por conceitos como “narcisismo”, “voluntarismo”, “onipotência”, “paranoia” e “burrice”. Vejam que o fato de que os conceitos da esquerda e da psicanálise sejam, digamos, um pouco mais sofisticados do que a síntese apresentada não incomoda nosso quixote da nova moralidade necessária.

“Somos vitimas de um desequilíbrio psíquico”, brada, quase derrubando o samovar e o bule de chá. Concordamos, parece-nos até evidente. Há estudos que tentaram diagnosticar clinicamente a epilepsia de Liev Nikoláievitch Míchkin, assim como a de seu criador (Fiódor Dostoiévski) como síndrome de personalidade interictal na epilepsia do lobo temporal – há dúvidas se no lado esquerdo ou direito (eu não tenho nenhuma: é no da direita). Algumas características de comportamento costumam ser associados à doença, tais como a hipossexualidade, a hipergrafia, o caráter antissocial, associados ou não à sintomas como paranóia, humor deprimido e hipermoralismo. Segundo um interessante artigo de Leonardo Cruz de Souza e Mirian Fabíola Studart Gurgel Mendes nos Arquivos de Neuropsquiatria, o príncipe Míchkim expressaria de forma brilhante no espectro literário os sintomas da doença de seu criador.

Freud, entretanto, tem outra opinião, para ele o trauma de odiar seu pai opressor e vê-lo sendo morto pelos camponeses desencadeou um processo psíquico de autopunição que levou à doença do escritor russo – patologia, portanto, de natureza histérica e não epilética. Mas nada disso nos interessa, porque da mesma forma que a história não nos serve como teoria (nem a economia, nem a filosofia), não será a psicanálise que terá algo a dizer. O que Freud queria mesmo dizer, mas não disse, talvez porque estava ocupado desenvolvendo a psicanálise, é que o “desequilíbrio psíquico” que aflige os nossos governantes (perigosos bolcheviques vermelhos) pode ser enquadrado nas categorias de “psicopatas e paranóicos simplórios”.

Freud, pelo que me lembro, não tratou disso, falou de enfermidades narcisísticas, as psicoses, dentre as quais a paranóia. Formas mais ou menos graves de cisão com a realidade. Mas isso não deve ser pertinente. Mais precisas são as categorias clínicas e políticas de “psicopatas e paranóicos simplórios”.

Falando em cisão com a realidade, nosso príncipe, já um tanto cansado de sua labuta para alertar as elites pensantes e velhos cultos, evoca Baudrillard que teria profetizado que “o comunismo hoje desintegrado se tornou viral”, isto é, seria capaz de contaminar o mundo, não por suas idéias e alternativas societárias (que teriam fracassado), mas “através de seu modelo de desfuncionamento e desestruturação brutal”.

Interessante ele lembrar de Baudrillard nesta sopa confusa de senso comum refinado com ácaros de cultura de bibliotecas estéreis. Não foi Baudrillard que disse “livre do real, você pode fazer algo mais real que o real: o hiper-real”? Nosso Míchkin navega nas pradarias do “hiper-real”. Agora entendi, tudo fica mais claro.

O príncipe epilético ainda tentou estabelecer uma conexão com o “eixo do mal” na America Latina, mas não desenvolveu. Estava exausto, e eu de saco cheio com tanta bobagem junta. Então, vamos aos finalmentes.

Como é possível ver, não há nada de novo nos argumentos e destemperos discursivos do autor. Entretanto, ele cumpre uma função precisa naquilo que de fato opera. Como dissemos, a ideologia opera através de mecanismos como a inversão, o ocultamento, a naturalização, a justificativa e a apresentação do particular como fosse universal. Vejamos.

Em primeiro lugar há uma clara inversão neste confuso discurso raivoso. O problema do Brasil é um governo de linha bolchevique, arraigado a dogmas do marxismo e da meta socialista que, por isso, não executa as “reformas necessárias” no Estado brasileiro (!!!).

Neste âmbito da “hiper-realidade” fica difícil seguir a análise. Os governos petistas aceitaram e assumiram a reforma do Estado nos mesmos moldes de seu antecessor e rejeitaram explicitamente qualquer nexo com a meta socialista que um dia defenderam, rendendo-se à forma capitalista como inevitável. Na inversão ideológica apresentada, o PSDB quer reformas e o PT é conservador e as impede.

O que fica oculto nesta artimanha é que, nos alerta o crítico, caso sigamos o caminho do “socialismo” iremos dar em uma “recessão barra-pesada”. Veja, tentando manter a sanidade, a crise que estamos enfrentando não resulta da opção por medidas ou formas socialistas de qualquer espécie, mas exatamente pela manutenção das formas capitalistas, do mercado e da perpetuação das relações burguesas de produção e propriedade.

A crise que estamos enfrentando não é culpa do socialismo, real ou imaginário. Se o socialismo fracassou e desapareceu como alternativa e a única alternativa possível é continuarmos no capitalismo, como professou Weber e não se cansa de repetir o Míchkin, como o socialismo pode nos levar para o buraco? Ah… é que ele, como uma ameaça viral, se impõe pelo seu “desfuncionamento” ou sua “desestruturação brutal”… Onde? Através de que políticas e ações governamentais?

Assim é fácil porque não precisamos encontrar a reposta no real – baudrillardamente, nos livramos do real. O autor é um militante imaginário, numa batalha imaginária contra um inimigo imaginário, e pior… está perdendo. Deve ser desesperador.

Toda essa engenharia imaginária acaba servindo para naturalizar uma determinada ordem, justificá-la. Filtrando toda a baboseira pretensiosa, destaco a única frase pertinente do artigo (pertinente pois expressa um juízo preciso do autor): “infelizmente ou não, inexiste no mundo atual uma alternativa ao capitalismo. Isso é óbvio”. Precisamente, nisso não há nada de óbvio. Dito de outra maneira, o argumento é o seguinte: se o capitalismo é inevitável o que atrapalha a humanidade são aqueles que ainda não perceberam isso e tentam insistir nas alternativas radicais para superá-lo. Com efeito, essa construção ideológica acaba por justificar o capitalismo e eximi-lo da catástrofe que a humanidade se meteu seguindo o caminho proposto por seus defensores. A ideologia aqui apresentada quer botar a culpa na gente!

Ao atacar o petismo como “neobolchevismo”, a critica capenga oculta as verdadeiras e necessárias alternativas, tenta desqualificá-las, antes mesmo que elas se apresentem. O PT é a expressão do pragmatismo que abandonou da meta socialista e revolucionária para construir uma estratégia de permanência no governo. Entender como bolchevismo a ocupação dos dez mil cargos de confiança por membros do PT é não entender o que é burocracia (que não foi inventada nem se restringe à experiência socialista). Já que o próprio autor propôs, eu tenho uma dica: vá ler Weber.

Por fim, não é a defesa da ordem capitalista, não é a sociedade burguesa… é a humanidade que precisa ser defendida, diz o príncipe angustiado. Não, não é. A ordem capitalista e os interesses burgueses foram devolvidos à sua particularidade, perderam a universalidade abstrata e restrita que um dia expressaram na fase revolucionária da burguesia. Capital e humanidade são hoje antagônicos, o que implica dizer que a sobrevivência de um ameaça a continuidade de outro.

Quando a solução era o capitalismo a história tinha sentido e objetividade, agora que chegamos ao capitalismo plenamente desenvolvido e o mundo, nas palavras de Adorno e Horkheimer, se assemelha a uma calamidade triunfal, devemos encarar que devemos “acabar com a fé e a esperança – trabalhar no mundo do não sentido, procurar caminhos, sem saber para onde vamos”! Bem vindo ao deserto da pós-modernidade.

Há uma alternativa para o Brasil e para o mundo e esta alternativa é anticapitalista e socialista. O que fracassou no Brasil foi o capitalismo real, aquele que estão nos impondo durante todo o século XX e início do século XXI sempre nos afirmando que agora vai. Não foi, e estamos escrevendo numa conta para o dia que este mundo vai virar. Se a ordem moribunda do mercado e do capital confunde sua existência com a da humanidade e quer arrastar-nos para a cova para a qual caminha, devemos nos desvencilhar de suas armadilhas ideológicas e recusar os conselhos dos profetas que nos empurram para o abismo para nos salvar da queda.

Não há esta passagem que vou citar no livro de Dostoiévski, mas depois que aprendi que posso me livrar do real, fiquei mais tranquilo em descrevê-la. O príncipe Liev Nikoláievitch Míchkin, em determinado momento, lamenta-se que as pessoas acham que ele é um idiota, mas não deixam de perceber sua grande inteligência. Neste momento, lá da realidade, sai um operário, entra na cena, atravessa a sala e colocando a mão no ombro de Míchkin, mais amistoso que violento, lhe diz com voz calma: Míchkin… você é um idiota!
14.01.22_Mauro Iasi_O socialismo o idiota e a ideologia_charge_blog da boitempo
***

Mauro Luis Iasi é um dos colaboradores do livro de intervenção Cidades Rebeldes: passe livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil, organizado pela Boitempo. Com textos de David Harvey, Slavoj Žižek, Mike Davis, Ruy Braga, Ermínia Maricato entre outros. Confira, abaixo, o debate de lançamento do livro no Rio de Janeiro, com os autores Carlos Vainer, Mauro Iasi, Felipe Brito e Pedro Rocha de Oliveira:

Cidades Rebeldes_JornadasConfira a cobertura das manifestações de junho no Blog da Boitempo, com vídeos e textos de Mauro Iasi, Ruy Braga, Roberto Schwarz, Paulo Arantes, Ricardo Musse, Giovanni Alves, Silvia Viana, Slavoj Žižek, Immanuel Wallerstein, João Alexandre Peschanski, Carlos Eduardo Martins, Jorge Luiz Souto Maior, Lincoln Secco, Dênis de Moraes, Marilena Chaui e Edson Teles, entre outros!

***

Mauro Iasié professor adjunto da Escola de Serviço Social da UFRJ, pesquisador do NEPEM (Núcleo de Estudos e Pesquisas Marxistas), do NEP 13 de Maio e membro do Comitê Central do PCB. É autor do livro O dilema de Hamlet: o ser e o não ser da consciência (Boitempo, 2002) e colabora com os livros Cidades rebeldes: Passe Livre e as manifestações que tomaram as ruas do Brasil e György Lukács e a emancipação humana (Boitempo, 2013), organizado por Marcos Del Roio. Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às quartas.

22 comentários em O socialismo, o idiota e a ideologia (resposta de Mauro Iasi a Arnaldo Jabor)

  1. Discordo apenas de uma leitura “neurologizante” extremamente simplicadora de Doistoiévski e sua obra que o Iasi faz.

    Curtir

  2. Sim, nós temos o nosso São Max (Jabor).
    Interessante como alguns mentecaptos são uma reprodução histórica.
    Se bem que Jabor não tem a mesma capacidade intelectual de Stiner, Bruno Bauer, Szeliga, entre outros, da qual Marx e Engels demoliram sem qualquer piedade em ‘A Ideologia Alemã’.
    Se Marx e Engels usaram Dom Quixote e Sancho Pança para ilustrar a “ilustração” dos distintos cavaleiros acima citados (Stiner, Bauer, Szeliga), Iasi usa mão de outro grande autor, Dostoevsky, ‘O Idiota’, comparando brilhantemente Jabor com a personagem central, mostrando sua pseudo “intelligentia”.

    Curtir

  3. O problema da esquerda acadêmica ‘burguesa’ [sim] é NÃO saber escrever com clareza, coerência, consistência, objetividade e CONCISÃO. Como é cansativo ler um texto LOOOOOGO como este em tela eletrônica.

    Curtir

    • é que simplificação, descaracterização teórica e falta de rigor é monopólio do Olavo de Carvalho e de seus leitores

      Curtir

    • Para academia ser “burguesa” ela precisa de muito ainda. Ou melhor, esses valores foram abandonados há tempos. Então, poupe-nos de sua fraseologia arcaica.

      Curtir

    • Concordo! Uma chatice sem fim, uma verborragia que se finda em si mesma. A esquerda nostálgica me irrita e é um imã para pessoas que são prolixas, gostam de usar palavras difíceis para parecerem mais inteligentes (ou somente inteligentes, sem o “mais”) e ainda por cima protestam por coisas mais periféricas, do tipo que faz barulho, coisa da especialidade da turba. É semelhante ao congresso nacional, que aprova projetos sem a menor relevância objetiva para a comunidade que deveriam servir. Primeira e única vez no blog. Adeus.

      Curtir

  4. O texto do Jabor é realmente um lixo, quando ele compara a socialdemocracia alemã com o PSDB, realmente, é de se gargalhar. Fico imaginando o impossível dia que o PSDB tiver intelectuais do calibre de Rosa Luxemburg e Anton Pannekoek…
    Surpreso fiquei quando Jabor cita o episódio de Kronstadt. Seria interessante que o membro do comite central, pré candidato a presidencia. tivesse refutado ou reconhecido o que significou Kronstadt. A impressão que tenho é que Stalin é o bode expiatório de tudo que é moralmente inaceitável dentro do bolchevismo. Um dia gostaria de ler – com grande interesse, qual é a opinião sobre os processos que levaram à revolta de Kronstadt. E que lição essa história dá aos atuais comunistas brasileiros. Tenho esperanças que o comunismo perca seus vicios centralistas e burocráticos, e sua fé no partido. Espero que exista um debate maduro à respeito dos conselhos e da autonomia das bases.
    No mais, o texto é incisivo e elegante, meus parabéns.

    Curtir

  5. Ruy Mauricio de Lima e Silva Neto // 23/01/2014 às 17:10 // Responder

    É melancólico constatar que a mesma pessoa que, na juventude, produziu um curta-metragem tão bonito e socialmente engajado,como é”O Circo”, é o mesmo que se converteu, décadas depois, em comensal da Grobo colocando todo o seu arsenal ideológico de esquerda devidamente distorcido, remodelado e redirecionado (como no passado fizeram Hitler, Mussolini, Carlos Lacerda, até os atualíssimos Serra,Freire e Gabeira) à serviço da racionalização das escolhas políticas de seus patrões, os Irmãos Marinho (não confundir com as Irmãs Marinho – não é,Haroldo Costa? – e principalmente com os Irmãos Metralha).Até nisso ele não foi original: vide José Guilherme Merquior, Paulo Francis, e por que não dizer, Nelson Rodrigues.

    Curtir

  6. Felipe Motta // 23/01/2014 às 21:55 // Responder

    Que besteirada…

    Curtir

  7. Vilson Gil // 23/01/2014 às 23:42 // Responder

    “Como é cansativo ler um texto LOOOOOGO como este em tela eletrônica.”
    Meu caro Raymundo, vá ler a Veja então!

    Curtir

  8. O autor do texto nem precisou fazer muita força pra refutar o “Jabô”. Parabéns!

    Curtir

  9. É mais que necessário sangue novo na TV brasileira.
    Pelo seu discurso esquizofrênico-sofista no auge das manifestações já deveriam ter aposentado o Jabour, mas como é comum que analistas em desuso estejam mais buscando própria análise do que fornecendo, acredito que Jabour já tornou-se alvo de seu próprio discurso.
    Coluna a coluna é visto um avanço em sua própria esquizofrenia, não me espantaria se ele começasse a se usar como referência, afinal, todos os pensadores que ele utiliza para manobrar seu discurso, parecem estar revirando-se no túmulo e assombrando seu intelecto.
    É um triste fim, mas ao menos fez-se justiça contra quem vendeu seu cérebro a interesses corporativistas.
    No onanismo de Jabour, não se demora os zumbis dos militantes imaginários levantarem-se para levá-lo a cova.
    Alguém sabe a quanto anda sua saúde física?
    A mental é notório que vai mal.

    Curtir

  10. Ótimo que alguém tenha respondido aos ataques ridículos do Jabor. Ainda não li o que escreveu, mas só de ter respondido ao ARROGANTE Jabor já me lava a alma.
    Em relação ao texto ser longo, é só imprimir. Eu sempre imprimo qualquer texto que tenha mais de 1 página e leio em alguma poltrona confortável e onde eu possa esticar minhas pernas.

    Curtir

  11. Heloisa barata de Moura Figueiredo // 27/01/2014 às 0:38 // Responder

    Não entendi o epilético. Antes de ser preconceito é uma falta de generosidade para com as pessoas que são epiléticas. Caso você não saiba essa doença não é opção . Ninguém está livre de ter filhos, netos de terem epilepsia . Eu por exemplo não fui poupada

    Curtir

    • Mauro Iasi // 27/01/2014 às 20:54 // Responder

      Oi Heloisa, o personagem de Dostoiévski, assim como ele, eram epiléticos. É uma citação irônica, mas desculpe de qualquer forma.
      Mauro Iasi

      Curtir

  12. Adriano Medeiros Costa // 27/01/2014 às 15:15 // Responder

    Será o real problema não é darmos muita atenção a idiotas como esses?!

    Curtir

  13. Aryosto Aragão // 29/01/2014 às 19:18 // Responder

    Faço minhas, as palavras do Fábio. “Ainda bem que alguém respondeu ao Jabor”. Faz comentários tão ridículos que chego a imaginar que é apenas para cumprir contrato, sem nenhum compromisso com a realidade. Penso que a saúde mental dele, não deve estar muito boa…

    Curtir

  14. Não vejo nenhum comentário fora o velho clichê de defender…Cuba, URSS e uma burguesia esquerdista . Quero ver é criticar as diárias de 20 mil da presidente em Portugal, quero ver é criticar a nomeação do nobre Ministro da Justiça Dias Tofile…reprovado duas vezes para Juiz…Ah esqueci ele é companheiro também. Realmente a America como distribuição de renda é um fracasso..e a forte Russia, com seu presidente autoritário um sucesso. Há sugiro a irem a Cuba..alguém ai já foi e ficou com vontade de morar lá…se teve porque não ficou? Melhor podem ir para Venezuela… lá está ótimo, com muitas politicas sociais…tem comida pra todo lado..

    Nasci pobre de família pobre…estudei…entrei no mercado de trabalho e venci…nunca o estado me deu nada, e jamais quero que o estado coordene a minha vida, quero liberdade para minhas escolhas. Respeito todas as opiniões.

    Com respeito saudações.

    Curtir

    • Hugo Pequeno Monteiro // 13/01/2016 às 20:01 // Responder

      Puxa vida Sam!
      Não consigo entender como alguém como você, um “selfmade man” “perdeu seu precioso tempo” para ler um blog da Boitempo. Não “perca seu tempo” com o blog nem tampouco nos brinde com tantas bobagens como estas que você escreveu acima. Por favor vá ler Veja e aproveite também para ir catar coquinho.

      Sem nenhum respeito.

      Hugo Pequeno Monteiro

      Curtir

  15. Sam,me desculpe,mas você é um babaca!

    Curtir

  16. Republicou isso em :: Unidade Pensadora ::.

    Curtir

3 Trackbacks / Pingbacks

  1. Mauro Iasi tira a máscara do idiota | Contra tanto silêncio
  2. O socialismo, o idiota e a ideologia (resposta de Mauro Iasi a Arnaldo Jabor) | EVS NOTÍCIAS.
  3. Ainda sobre a “onda conservadora” | [ContraCorrente]

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: