O Brasil foi para a rua: e agora?

13.08.23_Osvaldo Coggiola_O Brasil foi para as ruasPor Osvaldo Coggiola.

O movimento que explodiu nacionalmente em junho passado tinha tido um forte anúncio em abril, em Porto Alegre, quando milhares de estudantes tomaram as ruas, enfrentando a repressão policial, contra o aumento das passagens de ônibus; o movimento da juventude alastrou-se, a partir do final de maio, para as ruas de diversas cidades e capitais brasileiras, com destaque para Rio de Janeiro e São Paulo, onde as mobilizações entraram em choque com a polícia militar e transformaram o centro destas cidades em uma verdadeira praça de guerra. A reivindicação imediata do movimento foi a revogação do aumento das tarifas de ônibus em todas as cidades. O movimento se espalhou rapidamente pelo país, o principal organizador dos protestos foi o Movimento Passe Livre (MPL), que luta pela adoção da tarifa zero (transporte público e gratuito para todos) como objetivo final. Já eram inúmeras as cidades com mobilizações: Curitiba, Florianópolis, Campinas, Feira de Santana, Piracicaba, Goiânia, Natal, etc. As cidades de São Paulo e do Rio de Janeiro foram as que tiveram a maior quantidade de protestos, assim como as que tiveram mais intensidade e combatividade da juventude para enfrentar a polícia e a tropa de choque que reprimiu os manifestantes com cassetetes, bombas de gás lacrimogênio, balas de borracha e a detenções; o único efeito conseguido foi a radicalização e intensificação dos protestos.

O protesto de São Paulo começou no dia 6 de junho com cerca de dois mil manifestantes, contra o aumento das passagens de ónibus para R$ 3,20 (US$ 1,50, 50% mais caro do que nos EUA ou na Europa, sem falar no serviço). Além da tarifa exorbitante, as patronais do transporte recebem subsídios dos governos estaduais e municipais. No confronto com a polícia militar na Avenida Paulista, além da repressão, houve a prisão de vários manifestantes, entre eles o presidente do Sindicato dos Metroviários (Conlutas) Altino Prazeres. No dia 7 houve novas mobilizações e no dia 11 houve uma grande manifestação de 15 mil pessoas que sob chuva enfrentaram a dura repressão policial, que prendeu não só manifestantes, mas também jornalistas e transeuntes que estavam nas proximidades na hora do enfrentamento. Mais de vinte pessoas foram detidas e treze foram acusadas de formação de quadrilha (sem direito a fiança) numa clara tentativa de calar e esmagar o movimento. No dia 13 houve novas mobilizações com confrontos e prisões, mas o MPL prometeu que só haveria o fim do movimento com a redução das tarifas. O MPL reúne estudantes e cada vez mais jovens trabalhadores ou desempregados das periferias das capitais brasileiras, e algumas organizações de esquerda. Durante as primeiras manifestações, Dilma Rousseff ofereceu o apoio da “Força Nacional” (uma invenção repressiva “contrainsurgente” montada pelo governo do PT) a governadores e prefeitos em apuros.

No início da manifestação de quinta-feira 13 de junho, frente ao Teatro Municipal, tudo estava pacífico, exceto pelas revistas feitas pelos policiais prendendo qualquer um que estivesse com algo que considerassem suspeito, inclusive vinagre. Muitos manifestantes distribuíam flores à própria polícia. Mas havia muitos “P2”, policiais disfarçados, entre os manifestantes. A marcha seguiu organizada, sem qualquer violência; quando os manifestantes já caminhavam havia cerca de 30 minutos, a palavra de ordem era: “sem violência”, ou seja, sem provocações. Quando a manifestação chegou à Praça Roosevelt, a Tropa de Choque irrompeu pela parte da frente do ato e outra parte por trás, encurralando os manifestantes. A Polícia Militar (PM) começou a reprimir de forma violenta e generalizada. A tropa de choque deu tiros e atirou contra a multidão: novamente bala de borracha, gás de pimenta e bombas de gás lacrimogêneo. A repressão generalizada durou cinco horas, aterrorizando também os populares que passavam pela região. Nem os jornalistas identificados se salvaram: sete repórteres da Folha de S.Paulo ficaram feridos, incluindo uma jornalista que feriu um olho com uma bala de borracha. Os estudantes que saíam de uma faculdade eram revistados um a um. Alguns poucos tentaram improvisar, como defesa, barricadas de sacos de lixo, as quais se ateava fogo. A “violência” dos manifestantes não passou disso. No mesmo dia 13, Rio de Janeiro também parou e teve manifestações contra o aumento da tarifa do transporte carioca.

A PM “despreparada” (na verdade, preparada demais para sua função precípua) desceu o sarrafo até em um jornalista que carregava vinagre, declarado material para preparação de explosivos por um comandante da corporação, numa linha de pensamento inaugurada há dez anos, quando comandantes militares do superpreparado exército dos EUA no Iraque exibiram tambores de inseticida como “armas de destruição em massa”, aderindo, talvez de modo involuntário, à campanha ecológica mundial contra o uso de agrotóxicos. Ninguém foi poupado, em São Paulo. Pessoas desmaiando, gritaria, centenas de homens e mulheres presos e feridos gravemente, inclusive idosos e crianças. “Segurança”.  O governo justificava os gastos faraônicos nos megaeventos com o argumento de que o principal saldo da Copa das Confederações, da Copa 2014 e da Olimpíada 2016, além das vitórias brasileiras, claro, seria a institucionalização dos “novos esquemas de segurança”…

Depois da quarta jornada de protestos, em que uma manifestação de 20 mil pessoas em São Paulo foi atacada de modo selvagem pela PM (com um saldo de 150 detidos e 55 feridos), fomos informados que “o comando do PT está insatisfeito com a atuação do prefeito Fernando Haddad em relação aos protestos contra a tarifa. E, temendo a nacionalização do problema, decidiu intervir para evitar que contamine a imagem do partido em todo o país”. Tarde demais. A presidente Dilma Rousseff foi vaiada (três vezes) na abertura da Copa das Confederações. A “contaminação” chegara a Brasília. Mais significativo talvez, Joseph Blatter (presidente da FIFA e mafioso internacional, segundo Diego Maradona, que alguma coisa aprendeu a respeito em Nápoles) pediu respeito e foi vaiado mais ainda. O problema já estava “nacionalizado” (Rio de Janeiro, Goiânia, Natal e Porto Alegre tiveram manifestações, além de São Paulo) e até “internacionalizado” (Blatter que o diga), com piquetes solidários com os manifestantes brasileiros em várias capitais do mundo (França, Alemanha, Portugal e Canadá). Os torcedores do Estádio Mané Garrincha foram só os (circunstancialmente) últimos da lista. Até a juventude do PT declarou seu apoio aos protestos. E a viúva do Mané (Elza Soares) cantou um novo samba: “R$0,20 eu não pago não”. O Brasil se pôs em pé de luta, os jornais do mundo inteiro se fizeram eco.

O governador paulista Geraldo Alckmin havia negado qualquer possibilidade de revogação dos aumentos, e o prefeito Fernando Haddad, do PT, se solidarizou com a repressão, assim como também o fez a bancada do seu partido na ALESP. Para a grande imprensa, até 13 de junho tínhamos só “vândalos” nas ruas; a partir de 17 de junho, a grande data da virada, tivemos “manifestantes”. Milhões de pessoas ocuparam as ruas em mais de 600 cidades, sem coordenação prévia. Quando, em meados de junho e diante do recuo das autoridades em relação ao “tarifaço” urbano, o MPL, que fizera a convocação inicial, chamou a sair das ruas, as mobilizações só aumentaram. Os comentaristas de plantão se manifestaram “surpresos” e até “atordoados” com o crescimento, geométrico e nacional, da mobilização. Para o editorial da Folha de S.Paulo (18/6): “Parecia tudo tão maravilhoso no oásis Brasil e, de repente, estamos revivendo as manifestações da Praça Tahrir, no Cairo, assim de repente, sem aviso, sem um crescendo. Fomos todos pegos de surpresa. Do paraíso, deslizamos no mínimo para o limbo. O que está ocorrendo no Brasil?”. Ocorre simplesmente que o oásis da Folha pouco tem a ver com o deserto dos explorados brasileiros. A luta da juventude iniciou uma nova fase política. No mês de junho, o povo e a juventude brasileiros iniciaram uma mobilização histórica. Começada pela rejeição ao aumento das tarifas do transporte urbano, ela se transformou rapidamente numa mobilização de massas contra todo o regime político.

O MP pediu 45 dias de trégua para se chegar a um acordo. Fernando Haddad, exemplo perfeito do tecnocrata petista que cresceu à sombra de cargos administrativos, obtidos a cavalo do esforço de milhares de militantes populares na década de 1980 (e dos resistentes contra a ditadura nas décadas de 60 e 70), declarou, desde a inspiradora Paris, que aceitaria sentar para discutir e negociar, mas sem abrir mão dos R$ 3,20. Doutor (e docente) em Ciência Política pela USP, onde será que aprendeu o sentido das palavras “discussão” e “negociação“? A longa licença para cargos comissionados parecia tê-lo feito esquecer noções básicas de vestibular. Sentado ao seu lado estava o governador do Estado, que meteu o bedelho nos assuntos metropolitanos e deu carta branca para a PM estadual atuar, como se seu partido não tivesse perdido as eleições municipais, e que demonstrou que leva bem a sério sua filiação à católica-romana Opus Dei, ao declarar os manifestantes “vândalos”, para honra retroativa do nobre e pagão povo guerreiro das estepes europeias. Já o governador de Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), qualificou as manifestações de “políticas”, e invocou sua condição de ex-militante do Partido Comunista para justificar a repressão. No Rio, todos os usuários do metrô foram submetidos a revistas policiais ex-comunistas.

Desde as páginas da Folha de S.Paulo (e de outros jornais brasileiros que compram sua coluna), jornal que, como de hábito, tomou seu tempo para mudar o qualificativo de “vândalos” pelo de “manifestantes”, Elio Gáspari também incursionou pelo campo histórico/antropológico, qualificando os enfrentamentos nas ruas paulistanas de “luta entre canibais e antropófagos”, ignorando que os primeiros são só uma variante dos segundos. A luta entre a tribo caribenha que usava esse nome e os colonizadores europeus concluiu na aniquilação total desse povo, em razão declarada de 100 x 1 pelos evangelizadores espanhóis (100 canibais mortos para cada espanhol idem), os quais, depois de realizado o massacre, cristã e civilizadamente, não os comeram.

Na segunda quinzena de junho, a revolta das ruas já era por uma agenda muito mais ampla do que a reivindicação inicial das tarifas de transporte: pela dignidade, pela defesa da juventude combativa, pelo direito democrático a manifestar na rua (existe outro lugar?). Mas era também por R$ 0,20. Ou por mais. R$ 0,20 multiplicado por milhões, diariamente, numa cidade de 19,2 milhões de habitantes, no caso da capital paulista. Nos últimos 15 anos, o custo da passagem de ônibus triplicou. Quem recebe um salário mínimo em São Paulo e utiliza um ônibus e um metrô para ir e retornar do trabalho tem um gasto que equivale a quase 27% de sua renda, e passa mais de três horas por dia em meios superlotados, isto é, um mês por ano. R$0,20 foi a gota d’água (pesada).

A grande imprensa, por sua vez, achou um arcano para destrinchar: a identidade do Movimento Passe Livre (MPL), no qual era contabilizada a presença de alguns partidos (de esquerda) conhecidos, e de outras siglas menos conhecidas (ou simplesmente desconhecidas). Plinio de Arruda Sampaio foi único político midiático que teve a honra de estar presente na manifestação do dia 13 de junho. Um jornalista do Metro, jornal que, como outros, é subversivamente distribuído de modo gratuito (se há jornais gratuitos, porque não ónibus gratuitos também?), chegou a elencar a presença no MPL da LER, “Liga da Estratificação (sic) Revolucionária”. Na verdade, o Movimento Passe Livre, principal articulador dos protestos, teve sua origem em uma revolta popular espontânea na cidade de Salvador, em 2003, a “Revolta do Buzu”. Estendeu-se depois nacionalmente, protagonizou a “revolta da catraca” em Florianópolis, conheceu fortes debates políticos internos. A força da mobilização juvenil já assustara uma parte dos governos das prefeituras, a ponto de várias cidades abaixarem as tarifas (Campinas), ou serem obrigadas por decisão judicial nesse sentido (Goiânia). O movimento contra as tarifas abusivas já tem dez anos de história, em junho deste ano colheu seus frutos.

No Fórum Social Mundial de Porto Alegre, em 2005, o MPL “institucionalizou” sua organização em torno de ir e vir na cidade como direito básico que deve ser assegurado pelo poder público, assim como a educação e a saúde, reivindicando a mudança do modelo de transporte, sob a forma de concessões a empresários privados, para um modelo público. O que exigiria, como outras transformações igualmente necessárias (a remodelação da cidade e do espaço), atacar o regime social capitalista. Logo de cara, exigiria discutir a espantosa dívida de municípios e estados (R$ 177,5 bilhões, só a do estado de São Paulo, ou mais de 150% de sua receita fiscal) e seus beneficiários (os tubarões financeiros), o controle público dos lucros espantosos das empresas adjudicatárias do transporte urbano, sem falar no orçamento das forças de repressão, em primeiro lugar a PM. Mas não é nada disso que discutem as siglas que todo mundo conhece. Os jovens que lutam pelo passe livre iniciaram, assim, uma virada política no país.

O governo (PT e “aliados”) ficou em estado catatônico por duas semanas. Diante do mutismo, uma penca de “movimentos sociais”, também mudos até então, incluindo os pelegos habituais da última década, lhe propôs “a realização com urgência de uma reunião nacional, que envolvesse os governos estaduais, os prefeitos das principais capitais, e os representantes de todos os movimentos sociais”, além do próprio governo federal, ou seja, uma pizza do tamanho do Brasil, incluindo os representantes da direita mais podre e corrupta do país. Da trajetória do MST, assinante entre outros do documento, esperava-se algo mais que a proposta de uma conciliação apaziguadora com os calheiros, cabrais e outros sarneys. Uma proposta de organização independente do movimento popular, através de uma plenária nacional de lutadores, não uma proposta de organização do regime político para conter o movimento popular.

O aumento das tarifas de transporte foi o estopim de uma situação social degradada (e, em muitos aspectos, piorada) nos últimos anos, mas não qualquer coisa nem qualquer reivindicação podem ser um estopim. Os transportes e suas tarifas eram (e são) o resumo cotidiano da miséria brasileira. O MPL seria o feiticeiro que invocou demônios, incluída uma direita fascista que passou a disputar a hegemonia do movimento nas ruas, que o próprio MPL não conseguiria mais esconjurar? Não. O MPL fez exatamente o que devia e o que anunciou iria fazer, há muito tempo. Para que aquilo não acontecesse (a direita, os P2 e os criminosos, não “vândalos”, irem para as ruas) era preciso não fazer nada. Os manifestantes supostamente despolitizados, os milhões que não são de direita, nem pitboys de academia, nem do PCC, estavam fazendo na rua o melhor curso acelerado de formação política que se pudesse imaginar.

Dez dias depois do início das manifestações, os jornais avaliavam uma média de 230 mil manifestantes em doze capitais. Em 20 de junho, os manifestantes já se contavam na casa do “mais de milhão”, com um milhão só no Rio de Janeiro. As cifras, na verdade, estavam subestimadas: os manifestantes eram, já, dois milhões, pelo menos. Em um momento econômico de ameaças inflacionárias, o movimento cresceu, aproximadamente, 100.000% em 15 dias, um índice capaz de fazer corar os maiores índices hiperinflacionários da história (se 2.000 = 100; 2.000.000 = 100.000), como se cada um dos 2.000 manifestantes paulistanos iniciais tivesse recrutado mil manifestantes novos em quinze dias. Uma representação gráfica deste fenômeno só poderia ser realizada usando uma escala logarítmica (lembremos que a hiperinflação alemã de 1923, situada na casa dos % trilhões anuais, foi o primeiro fenômeno que obrigou ao uso de escalas dessa natureza na análise econômica). A Folha, tarada por gráficos, não conseguiu fazer nenhum a respeito. O uso massivo das redes sociais foi à explicação dada ao fenômeno, entre outras.

Certamente, elas são um meio espetacular para acelerar a velocidade e ampliar o escopo de difusão de ideias e propostas, sob a condição de que elas (as ideias e propostas) existam previamente. Ele é também usado pelo conformismo intelectual que caracteriza a intelectualidade orgânica (“crítica” incluída) do poder nas últimas duas décadas, que despejou sua previsível cascata de clichés pseudoexplicativos nas redes sociais (as “dificuldades de relação entre os governos populares e os movimentos sociais” e vulgaridades semelhantes). O MPL, criado há dez anos, teve estrutura (horizontal, vertical, vertihorizotransversal, o que seja), propostas e ideias. Que serviram até agora. Até agora. Fazer a apologia tardia do MPL, da “juventude brasileira nas ruas”, ou da demagogia que seja que a imaginação permita, é situar-se à rabeira da situação, ou pretender explorá-la para se manter (desesperadamente) no poder (no governo, melhor dizendo) ou até para aceder a ele exatamente pelos mesmos meios (eleitorais) que ora se afirma serem ultrapassados. Até 13 de junho tínhamos “vândalos” nas ruas, segundo o poder e a grande imprensa; a partir de 17 de junho, tivemos “manifestantes”, segundo eles mesmos. Esse foi o primeiro recuo dos mandantes (velhos e novos), de um valor bem superior a vinte centavos.

Tirar R$ 0,20 da tarifa foi uma vitória, mas foi só a primeira. Os transportes e suas tarifas se padecem todo dia, no bolso, na pele e no corpo. E nos nervos. As redes sociais não têm nada a ver com isso. Não é possível usar um laptop viajando em pé em um ónibus superlotado das cidades brasileiras. O(a) sociólogo(a) que afirmou estarmos diante de um movimento de jovens de classe média pelo uso maciço de computadores e de redes sociais estava, no mínimo, muitíssimo errado. Para proteger a situação de espoliação da população trabalhadora e os lucros privados que ela gera, foi acionado, na primeira semana de junho, um aparelho policial/militar herdado da ditadura militar, preservado pelos “neoliberais” e aperfeiçoado pelo governo do “Brasil de Todos”, a custa de verbas e mais verbas (que faltam na saúde e na educação), contra dois mil, primeiro, cinco mil, depois, manifestantes. Tratados com extrema brutalidade. Os milhões que foram para as ruas não foram convencidos a fazer isso via facebook: foram convencidos pelo uso do transporte público, pelas filas dos hospitais públicos, pelas escolas públicas sem professores e, finalmente, pelas balas de borracha, as bombas de efeito moral e os gases lacrimogêneos lançados contra os manifestantes. O facebook limitou-se a lhes repassar (para alguns) o ponto de encontro.

“Manifestações como as atuais ficam sujeitas à classificação de ato de terrorismo, na definição desse crime proposta pelo relator Romero Jucá na comissão especial do Congresso que prioriza a legislação da segurança em vista dos eventos esperados no Brasil” – constatou corretamente Jânio de Freitas, colunista em diversos jornais. A Casa Civil da Presidência se adiantou na escalada antiterrorista, anunciando a apuração da participação de servidores federais nas manifestações. Revolução e contrarrevolução (de face múltipla) ficaram à espreita. O tardio deslize antiterrorista oficial é a continuidade da política pela qual os governos (tucanos e petistas) fizeram do país uma plataforma privilegiada de valorização fictícia do capital financeiro e industrial, com juros (remuneração do capital financeiro) e isenções fiscais elevados, com privatizações em sequência sem fim; para isso se atacou em regra o patrimônio e o serviço público (transporte, saúde, educação, e um longo etc.), em nome da “flexibilidade”, da “eficiência” e de outros fetiches que a maioria da esquerda passou a adorar. O resultado foi uma dívida (interna e externa) monstruosa, aumento de tarifas, e até tarifas onde antes não existiam. Encobriu-se tudo com incentivos ao consumo e bolsas focalizadas, com o resultado de um endividamento médio recorde de 44% da renda anual da população, que duplica quando consideradas só as capitais, e a perspectiva de um calote geral.

Para que? Para “crescer exportando”, como dizia o discurso oficial (governo e “oposição”)? Ano passado, crescimento zero e queda da renda per capita. A “recuperação” deste ano já foi deflacionada para 2% no PIB, renda per capita negativa, com inflação de mais de 6%, com um saldo comercial de pífios US$ 6,5 bilhões, depois de alterar a estrutura produtiva do país para transformá-lo em uma plataforma exportadora. Para tapar o buraco: mais privatizações (leilões do petróleo, gestão privada dos hospitais públicos) e eventos, minieventos e megaeventos, com sua sequela de desapropriações e leis antiterroristas. Essa é a verdadeira “direita”. O discurso de Dilma de sexta feira 21 de junho confirmou seu rumo, proteger os supereventos e alguns tostões do petróleo pré-sal para a educação pública (92% da renda do petróleo fica com as multinacionais que se adjudicaram os leilões), para tirar os jovens da rua (mas nada de tocar os interesses das Krotons e dos subsídios a elas, via PROUNI e FIES). Um programa feito por um marqueteiro da burguesia.

Ao mesmo tempo em que o Brasil ganhava a Copa das Confederações, fora do Maracanã, uma multidão – equivalente àquela que se encontrava no estádio – protagonizou uma batalha campal contra a polícia – que novamente usou bombas, gás e balas de borracha. Como saldo houve dezenas de feridos e detidos. Que o futebol, verdadeira religião nacional, não tenha desviado uma mobilização antigovernamental foi um fato inédito na história nacional. Tão insólito como o fato de que a presidente nem sequer pisou no estádio, por temor a uma vaia pior que a sofrida na inauguração da Copa. Até Neymar se pronunciou (em que pese ao cerco de segurança que o rodeia permanentemente) em favor das manifestações. No mesmo domingo, a Câmara Municipal de Belo Horizonte foi ocupada por jovens que reivindicaram a abertura dos contratos com as empresas privadas de transporte urbano, para por em evidência os superlucros patronais e a corrupção descarada dos “representantes populares”.

Os movimentos das favelas paulistas (MTST, os “sem teto”, e “Periferia Ativa”) começaram a organizar manifestações e bloqueios de avenidas contra as péssimas condições de moradia, saúde e transporte nos bairros pobres. Ao mesmo tempo, se desenvolveu uma formidável ofensiva repressiva não somente nas ruas, mas nas mesmas favelas, mediante um gigantesco operativo de militarização para evitar que os setores mais explorados se incorporem massivamente à luta. Na Favela da Maré, a operação deixou uma dezena de jovens mortos, que foram qualificados (depois de assassinados sumariamente) como “criminosos”. Logo ficou em evidência que nenhum deles havia tido sequer uma acusação formal em toda a sua vida. O historicamente monstruoso aparato repressivo brasileiro incrementou-se e se sofisticou como nunca, em função dos “grandes eventos” (campeonato mundial de futebol e Olimpíadas) pela ação do “governo dos trabalhadores”.

A rebelião popular originou uma crise institucional, que se manifestou no parlamento. A PEC 37, que foi enviada pelo governo ao Congresso, foi rechaçada por 430 votos contra 9; ela propunha transferir as atribuições de investigação do Ministério Público à Polícia Judiciária. Uma manobra para que o Poder Judiciário (que se desprendeu do PT) freasse a investigação dos casos de corrupção governamental. Os nove votos a favor foram de nove direitistas hipercorruptos, que até o presente haviam sido adversários do governo. Toda a bancada do PT votou contra o governo, que ficou sem “base aliada” parlamentar. Frente à catástrofe política, Dilma tirou da cartola uma proposta de assembleia constituinte para tratar de uma reforma política (financiamento público exclusivo das campanhas eleitorais); o Poder Judiciário e a maioria dos parlamentares se declararam hostis à proposta. O governo recuou e passou a defender um plebiscito sobre uma proposta de reforma. Em poucas semanas, o índice de aprovação de Dilma Rousseff caiu de quase 70% para 30%. Em uma reunião de Dilma com as centrais sindicais, o representante do Conlutas denunciou a proposta de plebiscito como uma manobra de distração. As propostas das centrais sindicais ao governo foram simplesmente ignoradas. Finalmente, foi convocada uma greve geral para o dia 11 de julho, por parte das sete centrais sindicais.

Era um movimento convocado para quase um mês e meio depois das primeiras manifestações contra o aumento dos transportes. A tentativa da esquerda de participar com colunas próprias (“vermelhas”) nas manifestações tinha sido repelida na base da pancadaria. Muitos manifestantes, ao grito de “oportunistas”, não apreciaram o intento de diferenciação da esquerda chegada tarde, como tampouco o propósito de fazer próprio, como se fosse seu, o movimento. A esquerda replicou reclamando o direito a participar com bandeiras próprias nas manifestações. Mas a esquerda, em geral, não manifestara previamente nenhuma proposta própria – não acrescentara nada ao movimento, que não era o produto de sua agitação política. Não disse nada sobre a Constituinte, quando a burguesia a rechaçou argumentando que essas assembleias só se convocam quando se rompe um regime político e se propõe a criação de outro. Alguns membros da “esquerda progressista” (intelectuais sem partido, aliados do PT de todo tipo) chegaram a denunciar todas as manifestações como montagens da CIA contra o governo do PT, no momento em que Lula saiu de seu mutismo para dizer que se devia estar nas ruas para “empurrar o governo para a esquerda”. No quadro da uma mobilização das ruas, a greve geral nacional de 11 de julho aparecia como uma tentativa de recuperar as ruas para as agências populares do governo (CUT e outras).

Ainda assim, em julho, os movimentos de rua continuaram ditando cada passo da política do país, apesar do seu retrocesso. O Rio de Janeiro assistiu diariamente a manifestações contra o governador Sergio Cabral (PMDB), eleito em 2010 (com apoio do PT) e que agora conta com um (superestimado) apoio de 12% do eleitorado. Cabral foi cercado pela população em Campo Grande, onde ocorreu um acidente trágico, e teve que fugir: sua própria casa sofreu um cerco diário. O governo de São Paulo, histórica e atualmente nas mãos do PSDB, sofreu a explosão de uma bomba no seu próprio terreno, quando a empresa Siemens autodenunciou sua participação em um esquema de superfaturamento nas obras de construção do metrô (280 milhões de dólares), com a cumplicidade do governo do estado. As manifestações em São Paulo, ainda que muito minoritárias em relação às realizadas contra o aumento da tarifa dos transportes, também continuaram diariamente.

A greve geral de 11 de julho, porém, não foi a continuação das massivas mobilizações populares de junho. Muito parcial na maioria das grandes cidades, quase inexistente fora delas, não conseguiu parar, com exceção de Porto Alegre, o sistema de transportes. Os bloqueios de estradas e avenidas, onde ocorreram, foram realizados por um baixo número de pessoas. As manifestações de rua foram muito pequenas em relação às grandes marchas de junho: 10 mil pessoas, no máximo, na Avenida Paulista. Boa parte dos manifestantes recebeu dinheiro das centrais sindicais, algumas (CUT, Força Sindical) dotadas de enormes recursos financeiros. Nos poucos lugares onde houve atividades combativas (Fortaleza, Porto Alegre, São José dos Campos, Belém, Natal) foi notório o trabalho da CSP-Conlutas, apesar desta representar somente 2% do movimento sindical. Um partido de esquerda, ainda assim, concluiu que o “11 de julho foi a continuação das manifestações de junho” (Opinião Socialista, 17 de julho). Os movimentos responsáveis pelas jornadas de junho, o MPL em primeiro lugar, ignoraram a greve. A CUT, por sua vez, pagou seus “manifestantes” para que carregassem bandeiras (industrialmente confeccionadas) de apoio ao governo, que dominaram os atos públicos (em junho, não se viu nenhuma sequer parecida).

A resposta de Dilma Rousseff à “voz das ruas” ficou reduzida a nada. A promessa de consagrar 100% dos royalties do petróleo em alto mar (na verdade, menos de 8% da renda petroleira, com 92% dela nas mãos do capital privado internacional, sem falar nos descontos impositivos) foi mutilada e postergada pelo Congresso. A “reforma política”, anunciada como Assembleia Constituinte e depois reduzida a uma modificação de um par de mecanismos eleitorais, foi simplesmente enterrada no Congresso Nacional. Dilma, que não teve tempo de ir à reunião da Direção Nacional do PT, o teve para receber publicamente um representante parlamentar do PSOL, que lhe manifestou seu apoio. Frente ao óbvio vendaval de críticas, o PSOL emitiu um comunicado distanciando-se de seu senador, mas apoiando a (enterrada) reforma política, que não toca a extinção do Senado ou a redução do mandato de senador (oito anos), não promove a eleição popular de juízes e procuradores, nem anula a vergonhosa Lei de Anistia, que declarou impunes para sempre a assassinos, torturadores y corruptos comprovados do regime militar. Para não falar da militarização das policias, que matam impunemente e possuem foro judicial e tribunais próprios.

Nesse momento, Lula saiu de sua mudez (pelas páginas do New York Times…) para caracterizar as mobilizações como produto do progresso da última década: os carros particulares teriam invadido as ruas, entorpecendo o transporte público. Nenhuma palavra sobre os lucros e monopólios do transporte privatizado. Convocou também, porque era necessário, a uma “renovação do PT”. A reunião da direção deste partido, em meados de julho, foi um episódio de uma crise: manifestou sua insatisfação pela ausência de Dilma e oficializou nove listas para as eleições internas de 10 de novembro, com seis candidatos à presidência do partido. A esquerda do PT apostou todas suas fichas nesse processo.

Toda a sujeira acumulada pelo Estado (regime) brasileiro em décadas começou a aparecer. Os pouco mais de 5500 municípios do país usam nada menos que 508 mil “cargos de confiança”, muitos com salários mensais superiores a 10 mil dólares. Professores e médicos municipais padecem, ao mesmo tempo, salários de fome, para não falar da infraestrutura com a qual lidam. A corrupção e a crise econômica se cruzam no BNDES, o banco estatal cuja carteira de créditos ao setor privado aumentou de R$ 25,7 bilhões (12 bilhões de dólares) em 2001, para R$ 168,4 bilhões (84 bilhões de dólares) em 2010, com uma taxa decrescente do investimento privado. A maioria das empresas beneficiadas pelos créditos oficiais registra prejuízos ou se encontra em falência. A mais importante é a EBX, de Eike Baptista, o “capitalista do Lula”, beneficiária de R$ 10,5 bilhões em créditos do dinheiro público. A crise capitalista está iluminando o buraco negro da corrupção brasileira. O “grupo (holding) X” do “empresário nacional” de Lula/Dilma (ex 8º fortuna del mundo, atualmente fora da lista das primeiras 200), cujas empresas perderam 90% de seu em Bolsa em dois últimos meses, joga luz sobre a crise do capitalismo brasileiro. Vinicius Torres Freire, na Folha de S.Paulo, afirmou haver uma “greve de investimentos” do setor privado desde 2012. Cos as massas votando com os pés nas ruas, a burguesia está votando com o bolso.

E o novo papa Francisco veio ao “maior país católico do mundo”, no qual a proporção de católicos caiu de 92% em 1970 para 65% em 2010%; diminuição que beneficiou as seitas mafiosas evangélicas, que governaram o país na última década ao lado do PT. O papa veio também para conter o movimento juvenil, desviando-o, chamando o governo petista a “escutar a voz das ruas” – abrindo mais espaço para a igreja católica e reduzindo o dos evangélicos. Os “teólogos da libertação” se somaram calorosamente a essa operação político-religiosa. O Vaticano não trabalha gratuitamente: pôs os imensos gastos papais no Brasil na conta do Estado, os evangélicos pressionaram o governo para que os reduzissem. Diante do imobilismo político, o PMDB buscou se transformar no eixo do regime, reafirmando sua aliança com o PT e o apoio a Dilma, ao mesmo tempo em que bombardeia o Congresso com todas as suas iniciativas políticas. Nas atuais condições, é quase um jogo de roleta russa. As centrais sindicais marcaram uma nova greve geral para 30 de agosto. A juventude em luta anda por outros caminhos. Depois de Belo Horizonte, os jovens de Porto Alegre, organizados no “Bloco de Lutas”, ocuparam a Câmara dos Vereadores, da qual só se retiraram mediante um compromisso escrito dos representantes pelo passe livre nos ônibus e trens para estudantes e desempregados, sem isenção de impostos para as empresas concessionárias. O caldo fermenta.

Sob essas condições, o governo federal, depois de um novo corte orçamentário (10 bilhões de reais), que se somaram aos 28 bilhões já cortados no primeiro semestre, para alcançar as metas de superávit primário impostas pelo FMI (garantindo o pagamento em dia da dívida pública), liberou seis bilhões de reais em “emendas parlamentares” (corrupção disfarçada), com o objetivo de manter o apoio da “base aliada”, que poderia devastar a governabilidade petista. O superávit primário de 2013, ainda assim, é o pior desde 2001. À fuga de capitais (que invocam os perigos de um país no qual as ruas são ocupadas cotidianamente) se soma agora o déficit comercial, o primeiro em toda a década petista: cinco bilhões de dólares nos primeiros sete meses do ano (contra um superávit de mais de 25 bilhões de dólares no mesmo período em 2006). O boom exportador brasileiro – “emergente” foi assim reduzido em 30 bilhões de dólares em seis anos. Somente o capital financeiro continua ganhando, beneficiado pela elevação das taxas de juros: Itaú Unibanco (maior banco privado) lucrou 3,6 bilhões de reais no segundo semestre, recorde histórico. O país afunda ao compasso do parasitismo capitalista-financeiro. O parasitismo estatal está ao seu serviço. Frente às mobilizações, a presidente Dilma Rousseff anunciou estudar a fusão de alguns dos 39 ministérios (13 em 1990), que empregam 984.330 funcionários, ou seja, demissões de funcionários federais à vista. Mas nada de tocar os 22.417 “cargos de confiança” dos ministros, um verdadeiro exército de parasitas sociais.

A única notícia “positiva” foi a desaceleração do ritmo inflacionário (0,26% em julho) em parte devido à queda… do preço dos transportes (a grande vitória dos manifestantes). Como a população sabe que isto não se deve em nada ao governo, o índice de popularidade de Dilma Rousseff não aumentou: o único consolo dos petistas oficiais e oficiosos foi que o índice dos opositores eleitorais (declarados) se manteve estável. Isto levaria à conclusão de que, com as devidas correções, o PT poderia “navegar” na atual crise. A grande contribuição da Direção Nacional (DN) do PT (olimpicamente ignorada por Dilma, como vimos) foi a produção de um parco documento (depois de dez dias de negociações entre todas as suas correntes) onde afirmou que “a condução de uma nova etapa do projeto exige ratificações na linha política do PT e o governo que reflita sobre a atualização do programa e consolidação da estratégia que expressa a radicalização da democracia”. Ou seja, nada. Sobre a fuga de capitais, a dívida pública (interna e externa), os salários, as demissões (o desemprego cresceu 0,6% este ano, e as empresas anunciam novos cortes) e, sobretudo, a repressão (assassinatos nas favelas e um desaparecido no Rio, Amarildo de Souza), nem uma palavra.

Enquanto a esquerda em geral se limitava a reclamar seu direito à existência, a esquerda do PT busca aproveitar a crise para subir no aparelho, usando a política do avestruz. “A reação pública da DN do PT, da presidenta Dilma e de Lula foram na mesma direção: enfatizar a coincidência entre as reivindicações das ruas e os nossos objetivos estratégicos”, rezou um documento da Articulação de Esquerda. Para a AE, o problema seria que “as forças de direita, incluindo a que se abriga no governo e controla o Congresso Nacional, não querem nenhuma reforma política”; “os acontecimentos confirmaram”, continuou, “que se o PT não mudar de estratégia, será atropelado”, o que não impediu a AE de assinar o documento da DN (“consolidação e ratificação da estratégia” incluída).

A “força de direita governamental que o controla o Congresso” (o PMDB) instituiu uma comissão parlamentar de reforma política, com um projeto que flexibilizaria o financiamento partidário, eliminando praticamente as multas aos doadores privados (pessoas ou empresas), e suprimindo qualquer limite à propaganda eleitoral por qualquer meio, liberando os partidos e candidatos da comprovação dos gastos, além de incrementar os recursos públicos de campanha; ou seja, a farra completa, pra não usar outra palavra. O saboroso é que a comissão é presidida… pelo próprio PT (Cândido Vaccarezza). Assim, os gurus ideológicos e políticos da esquerda apontaram unanimemente o perigo do surgimento de uma direita fascistóide, como o sujeito que grita “pega ladrão!”, a fim de encobrir uma ação dos verdadeiros ladrões. A esquerda brasileira surgida no calor da fase final da luta contra a ditadura militar e da pseudodemocratização da década de 80 esgotou seu ciclo histórico e político. Em meio ao colapso comercial e financeiro do país, e à corrosão de seu regime político, uma nova esquerda classista poderia ver a luz sobre a base do balanço político da esquerda atual, certamente já “atropelada”.

As tendências para a crise financeira, que se manifestam na saída de capitais do mais importante de todos os “mercados emergentes” depois da China, passaram a ser o principal combustível de um segundo turno de mobilizações populares, provavelmente a margem das organizações sindicais tradicionais. As provas de fogo não ficaram atrás: são as que vêm pela frente.

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Osvaldo Coggiola ministrou a aula sobre os livros Crítica do programa de Gotha, de Karl Marx, e Manifesto Comunista, no III Curso Livre Marx-Engels. Na quarta edição do curso, este ano com curadoria de José Paulo Netto, ele ministrou a aula “Análises concretas da luta de classes”, que a Boitempo disponibilizará em breve em seu canal no YouTube:

Cidades Rebeldes_JornadasConfira a cobertura das manifestações de junho no Blog da Boitempo, com vídeos e textos de Mauro Iasi, Ruy Braga, Roberto Schwarz, Paulo Arantes, Ricardo Musse, Giovanni Alves, Silvia Viana, Slavoj Žižek, Immanuel Wallerstein, João Alexandre Peschanski, Carlos Eduardo Martins, Lincoln Secco, Jorge Luiz Souto Maior, Dênis de Moraes, Marilena Chaui e Edson Teles, entre outros!

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Osvaldo Coggiola é professor titular de história contemporânea da Universidade de São Paulo e professor nos cursos de jornalismo e economia da Universidade Presbiteriana Mackenzie. Nascido na Argentina, é autor, entre outros livros, de Introdução à teoria econômica marxista.

2 comentários em O Brasil foi para a rua: e agora?

  1. Voltar para as ruas…pelo Plebiscito e uma Constituite para Reforma Política. Saudações democráticas!

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  2. Finalmente a máscara desse Movimento Passe Livre caiu, esse movimento é uma verdadeira aberração! Durante as Eleições-2014, eles ficaram em silêncio, quando ali naquela ocasião era o momento exato para se fazer essas revindicações,. E sabe por que? A sociedade acordou e descobriu que eles não passam de agentes infiltrados e trabalham para os PTralhas, eles que surgem com pose de “bons samaritanos, defensores dos oprimidos, etc.” – balela! Afinal, é o mesmo que “pedir pra raposa tomar conta do galinheiro”, é por isso que eles ficaram calados nas Eleições-2014, essa é a explicação! Portanto, “não adianta agora querer chorar pelo o leite derramado”. Aliás, a verdadeira manifestação é diante das urnas ao invés de ficarem promovendo quebra-quebra ou empatando o trânsito!
    Hoje a sociedade até se mobiliza à vir pra ruas, só que não mais pelo Movimento Passe Livre, mas, pelo IMPEACHMENT da Dilma! E motivos é o que não nos falta pra isso!

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