Depoimento de Ricardo Antunes em comemoração aos 90 anos de fundação do PCB

Fundado em 25 de março de 1922, o Partido Comunista Brasileiro comemora 90 anos em 2012. Confira abaixo mensagem enviada pelo sociólogo Ricardo Antunes em celebração ao aniversário do PCB:

A história do PCB é parte viva das lutas da classe trabalhadora brasileira. Juventude e vivacidade nos anos 1920, sofreu os influxos na década seguinte, com as injunções do stalinismo junto ao movimento comunista internacional. Mas sempre procurou oferecer alternativas ao povo brasileiro, como no movimento de massas em 1935.

Vivenciou as oscilações nos anos 40, caminhando entre a subordinação ao getulismo e a busca da autonomia das bases operárias. Foram memoráveis as greves das décadas de 50 e 60, sendo que o PCB foi sempre parte viva das lutas populares nos campos e nas cidades, naqueles anos férteis e emblemáticos.

Errou no diagnóstico da burguesia brasileira, não percebendo sua tara golpista. Sofreu as perseguições e atrocidades da ditadura no pós-64, procurando resistir à autocracia e à barbárie, até que um grupo majoritário, encastelado em sua direção, atordoado com o fim da União Soviética, levou o PCB ao fundo do poço na viragem dos anos 80/90.

Mas o Partido soube (re)iniciar uma nova resistência e sua geração mais jovem, mais vacinada ante aos reformismos, vem se mostrando capaz de exercitar uma corajosa autocrítica de sua ação passada e presente, buscando compreender seus erros e avançar em seus acertos.

E assim o PCB chegou aos seus 90 anos. Astrojildo Pereira, Octávio Brandão, Leôncio Basbaum, Luís Carlos Prestes, Pedro Pomar, Carlos Marighella, Gregório Bezerra, Ana Montenegro, Nelson Werneck Sodré, Caio Prado Jr., são muitos e muitas que participaram dessa história que se confunde, por certo, com a história recente do povo brasileiro.

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Ricardo Antunes é professor titular de sociologia do trabalho na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e coordenador da coleção Mundo do Trabalho, da Boitempo Editorial. Organizou os livros Riqueza e miséria do trabalho no Brasil (2007) e Infoproletários: a degradação real do trabalho virtual (2009), ambos publicados pela Boitempo. É autor, entre outros, de Adeus ao trabalho? (Cortez), Os sentidos do trabalho (1999) e O caracol e sua concha (2005), além de O continente do labor, lançado no ano passado, esses três últimos também pela Boitempo Editorial

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Dos livros de Ricardo Antunes, a Boitempo publicou dois em versão eletrônica (ebook): Infoproletários: a degradação real do trabalho virtual e O continente do labor, além de diversos títulos da Coleção Mundo do Trabalho. Ambos custam menos da metade dos livros impressos e podem ser adquiridos nas livrarias Cultura, Saraiva e Gato Sabido, dentre outras.

1 comentário em Depoimento de Ricardo Antunes em comemoração aos 90 anos de fundação do PCB

  1. Daniele de Jesus Oliveira // 08/04/2012 às 5:24 pm // Responder

    Comemorar a História do PCB é muito válido, afinal fez parte da vida política nacional, porém o que os marxistas ortodoxos anacrônicos que tanto mal falam do capitalismo com seu sociometabolismo e amarras são os mesmos que nada fazem na práxis literalmente falando ficam encasatelados nas Universidades em seus gabinetes, viajando o mundo em congressos e seminários para discutir o óbvio, e mais que isso atacam o capitalismo como se este fosse o algoz da História, mas se esquecem de suas próprias responsabilidades, sobretudo, enquanto Sociólogos. Criticam o PC do B, PSB, e demonizam o PT porque este conseguiu ver a dialtética não marxista, mas do tempo das transformações e com isso chegou ao poder sem precisar recorrer a História da União Soviética e hoje fazem o que o trabalhador realmente precisa ampliando a economia nacional, buscando implementar tecnologias, criação de programas sociais que antes de levarem discurso levam comida e esperança enquanto as reencarnações de Lênin, Trotsky e Cia ficam falando a meia dúzia de estudantes riquinhos que resolvem se aventurar pelo mundo da bixo-grilagem, honerando o estado com seus sete ou mais anos nas universidades, fazendo piquetes impedindo aqueles que realmente querem estudar e reconhecer o valor pago pelo trabalhador para que este possa estudar, mas e os docentes militantes e seus seguidores o que fazem? Ficam nos botecos discutindo política, mérito há nisso apenas como acúmulo de conhecimento, mas e a práxis?

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