Livros da coleção Estado de Sítio discutem consequências do 11 de setembro de 2001

Confira abaixo informações sobre os livros Bem vindo ao deserto do real e Evidências do real, obras que abordam em profundidade consequências políticas, econômicas e culturais dos atentados de 11 de setembro de 2001, que agora completam nove anos.

Título: Bem-vindo ao deserto do Real!
Título Original: Welcome to the desert of the real!: five essays on September 11 and related dates
Subtítulo: cinco ensaios sobre o 11 de Setembro e datas relacionadas
Autor(a): Slavoj Zizek
Posfácio: Vladimir Safatle
Tradutor(a): Paulo Cezar Castanheira
Páginas: 192
Ano de publicação: 2003
ISBN: 85-7559-035-9
Preço: R$ 39,00
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Bem-vindo ao deserto do real! é uma coletânea de cinco ensaios de Slavoj Žižek, onde o autor aborda os acontecimentos de 11 de Setembro e suas conseqüências.

O filósofo esloveno firmou-se como um importante interlocutor nos debates sobre o destino do pensamento político de esquerda, ao mesmo tempo em que se transformou em figura de destaque dos cultural studies norte-americanos, ao fornecer uma outra via de abordagem da cultura contemporânea.

Em Bem- vindo ao deserto do real!, Slavoj Žižek usa a provocativa frase “Com essa esquerda, quem precisa de direita?” para comentar a atuação da esquerda no período posterior aos atentados de 2001. Atuação essa que permitiu que a ideologia hegemônica se apropriasse da tragédia e impusesse sua mensagem de que é preciso escolher um lado na “guerra contra o terrorismo”.

Para o autor, a tentação de escolher um dos lados deve ser evitada. Segundo Žižek, quando as escolhas parecem muito claras, a ideologia se encontra em seu estado mais puro, obscurecendo as verdadeiras opções. A “democracia liberal” não é a alternativa ao “fundamentalismo” muçulmano, coloca.

Publicado pela Boitempo dentro da coleção Estado de Sítio, Bem-vindo ao deserto do Real! não é apenas mais um livro sobre os desafios políticos impostos pelo 11 de Setembro. Movendo-se no interior de um terreno para onde convergem a crítica da cultura, a psicanálise, a teoria social, a análise cinematográfica e a política, Žižek sabe diagnosticar os sintomas da sociabilidade contemporânea e desvendar articulações onde menos se espera.

Suas conclusões ultrapassam a análise circunstancial de um fato e levam o leitor ao cerne dos impasses do nosso tempo. Um tempo em que a busca pela realidade objetiva que há por trás das aparências é falsa, funcionando como “o estratagema definitivo para evitar o confronto com o Real”.

Sobre o autor
Slavoj Žižek é filósofo esloveno, professor e pesquisador do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana. É autor de vários livros, entre os quais se destacam O mais sublime dos histéricos, Eles não sabem o que fazem, Um mapa da ideologia (org.), Everything you Always Wanted to Know about Lacan (but Were Afraid to Ask Hitchcock), The Plague of Fantasies e Revolution at the Gates, uma seleção de textos de Lênin com apresentação e posfácio de Žižek que ganhou uma edição em português pela Boitempo, com o título Às portas da revolução.

Sobre a Coleção Estado de Sítio
Coordenação de Paulo Arantes
Sob a inspiração de Walter Benjamin – “A tradição dos oprimidos nos ensina que o `estado de exceção` em que vivemos é na verdade a regra geral. Precisamos construir um conceito de história que corresponda a essa verdade” -, a coleção trata de temas centrais do nosso tempo: crescente autoritarismo do Estado, terrorismo, fundamentalismo e império, relações da televisão e do cinema com o poder e a guerra e conflitos globais.

Título: Evidências do real
Título Original: Portents of the real: a primer for post-9/11 America
Subtítulo: os Estados Unidos pós-11 de Setembro
Autor(a): Susan Willis
Tradutor(a): Marcos Fabris e Marcos Soares
Páginas: 128
Ano de publicação: 2008
ISBN: 978-85-7559-110-9
Preço: R$ 32,00

Evidências do real não é apenas mais um livro sobre os Estados Unidos pós-11 de Setembro. Trata-se de um estudo das relações entre a história, a realidade norte-americana atual e a produção cultural que eclodiu tendo como objetivo conter a crise deflagrada pelos atentados terroristas.

A obra fura o bloqueio da censura imposta pelo governo Bush a todos que pretenderam emitir críticas ou opiniões contrárias ao conjunto de medidas tomadas após os atentados, medidas essas já amplamente analisadas por intelectuais de outros países. Evidências do real traz o olhar de Susan Willis, estudiosa norte-americana de cultura popular, diretamente do olho do furacão.

O cotidiano da população dos Estados Unidos, segundo a autora, está relacionado a uma série de ficções culturais populares, veiculadas pelos meios de comunicação de massa e engolidas sem maiores reflexões. Exemplos como a produção do baralho “Ases do mal”, com as figuras dos “terroristas mais procurados”, e programas governamentais que pretendem transformar cidadãos comuns em espiões de vizinhos dizem muito sobre a conjuntura do país. Mais ainda quando a análise aproveita os mesmos elementos utilizados nessas construções. O livro, segundo Willis, “desmonta a cultura com as armas da cultura”.

Os ensaios que compõem esta obra preservam uma linguagem que procura capturar a forma de expressão norte-americana. Tomam como ponto de partida, eventos ou fenômenos que tenham sido tratados de modo trivial ou reducionista. Abordam temas como patriotismo de massa, o fenômeno do antraz no contexto do consumo de massa, canção popular, governo paralelo, estatuto do risco e violência.

Willis demonstra que, por mais banais e aleatórios que pareçam, esses elementos são evidências da realidade histórica norte americana. Nas palavras da autora, “o livro é uma cartilha sobre os modos de ler tais evidências como indicadores da nossa realidade”. Orelha de Slavoj Žižek.

Trecho do artigo “A velha glória”
“Como significante vazio, essa bandeira concentra o poder, inerente à mercadoria, de se tornar um fetiche. Assim como o Santo Sudário de Turim, ela exprime uma forma de patriotismo elevada ao nível da religião. Como objeto físico, se oferece em forma de relíquia – um substituto para um sentido mais propriamente materialista de história. Enquanto relíquia, ela personifica o fundamentalismo da Casa Branca de Bush, em que a distinção entre conservadorismo político febril e valores evangélico-cristãos é diminuta.”

Sobre a autora
Susan Willis é professora associada do programa de literatura americana da Duke University, na Carolina do Norte. Seus cursos abordam temas como cultura popular e expressão literária de minorias. Além de Evidências do real, a Boitempo Editorial lança também Cartas a Legba, obra organizada por Susan Willis.


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2 comentários em Livros da coleção Estado de Sítio discutem consequências do 11 de setembro de 2001

  1. nao era bem o que eu estava procrando mais me ajudou bastante muito obrigado !!!!!!!!!!!!!!!

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  2. Quando aconteceu o 11 de setembro eu adorei os árabes. Eu estava numa situação de mundo interior deprimente, num contexto de escravidão e sofrimento terrível. Queria muito ter certeza que eu estava certa em relação às minhas percepções, sofria muito por não ter forma de confirmar o que eu percebia da realidade. 11 de setembro foi pra mim uma sinalização, uma confirmação do céu de que eu devia continuar com minhas ideias e minha luta.

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