Nota de esclarecimento II

No dia 30 de julho de 2012 a Boitempo Editorial iniciou um processo interno de conferência da tradução e edição dos livros citados no blog Não Gosto de Plágio, após este levantar questões relativas a dois de seus títulos. A editora está empenhada em averiguar cada ponto indicado pela tradutora Denise Bottmann e se manifestará ao fim desse processo. Vale ressaltar que as traduções postas em dúvida representam um número inexpressivo no catálogo da editora, o qual soma cerca de 350 títulos.

Mesmo não tendo concluído essa conferência, a editora verificou problemas na tradução dos livros mencionados no blog – Considerações sobre o marxismo ocidental/ Nas trilhas do Materialismo Histórico, de Perry Anderson, e Lacrimae rerum: ensaios de cinema moderno, de Slavoj Žižek – e está revisando outros trabalhos da mesma tradutora.

Com o intuito de tranquilizar seus leitores e colaboradores e fortalecer a relação de confiança que continua a nos ser dispensada, a Boitempo decidiu interromper a distribuição dos títulos mencionados, conforme informado na primeira nota de esclarecimento. Em demonstração de respeito a nossos leitores aceitaremos a devolução dos títulos citados, por correio (com frete por conta da Boitempo), e nos comprometemos a depositar o valor de capa do livro na conta do leitor. Aqueles que quiserem devolver seu exemplar devem enviar e-mail para vendasboitempo@gmail.com informando o(s) título(s) que deseja(m) retornar para receber instruções.

Hoje, dia 1º de agosto, o jornal Folha de S.Paulo publicou matéria dando destaque apenas a esse caso, que é um entre centenas envolvendo várias outras editoras – inclusive o próprio Grupo Folha –, divulgados ao longo de anos no blog da tradutora. Isso deixa ver a parcialidade e as motivações da matéria com relação à Boitempo, que – como o jornal aponta – “tem como eixo o pensamento de esquerda”.

Aproveitamos a ocasião para reiterar que a informação referente ao parentesco familiar entre a tradutora das obras e nossa editora não procede e tampouco foi fornecida por fontes internas da Boitempo. Temos por princípio não expor nossos colaboradores e assumimos a total responsabilidade sobre as edições.

Vamos agir da maneira mais correta possível para corrigir os problemas e continuar a merecer a confiança integral de nossos autores, leitores, colaboradores e amigos. Gostaríamos de agradecer às pessoas que se posicionaram a favor da Boitempo, reiterando apoio à nossa linha editorial e destacando que até hoje a postura da editora sempre foi impecável tanto com relação aos colaboradores e leitores quanto na escolha e no cuidado com os livros. 

Na certeza de que tudo será resolvido da melhor maneira possível, contamos uma vez mais com a compreensão e o apoio de todos. Confiamos que o prestígio da editora, conquistado com anos de trabalho criterioso, não será manchado por esse infeliz episódio.

Boitempo Editorial

11 Respostas para “Nota de esclarecimento II

  1. Acho digníssima a posição da Boitempo em relação a esses acontecimentos. Sem dúvidas, uma situação desagradável, mas que só me levou a admirar ainda mais o trabalho da Editora.

  2. Salientando que na introdução existe a promessa de análise sobre o cinema e ela simplesmente não existe……,

    Abç

  3. Geraldo Pontes

    Essa dementalha que não se conforma com a derrocada do PSDB é intolerável. E já que não têm o que fazer, eles podiam até reivindicar a retirarada do “S” da sigla do partido deles pq suas posturas não são condizentes com o termo de Social – sugiro um “R”, de “p. da relativa democracia brasileira”.

  4. sou leitor dos livros publicados pela boitempo e também admirador e apoiador (faço divulgação entre as rodas de amigos e enquanto diretor de escola) de sua linha editorial.
    as respostas dadas, mais do que isso, a agilidade delas em situações como essas são cruciais. no entanto, ações da editora, não só no recolhimento dos livros, no ressarcimento daqueles que se sentiram ludibriados, mas também quanto ao esclarecimento de quem são os tais tradutores e as medidas que serão tomadas em relação a estes são de suma importância. anderson, zizek e até o próprio kieślowski (não matarás) se dariam por satisfeitos.

    cometer erros é parte do trabalho.
    fundamental é entender porque cometemos, como cometemos e o que nos levou a cometê-los. parafraseando beckett: se errar de novo, errar melhor!

    assumí-los publicamente foi um passo que assegurará a continuidade da construção identitária da Boitempo e de sua credibilidade junto aos leitores e o mercado editorial.

    sejam firmes sem perderem a capacidade de produzirem subjetividades rebeldes com altivez.

    abraços ternos!

    fernando cisco zappa
    belo horizonte

  5. O PT também deveria repensar o uso do “T” em seu nome, considerando a quantidade de greves infrutíferas que o PT não tem apoiado nos últimos tempos.

  6. Paulo Sergio Braga

    Caríssimos, muito correta a atitude que tomaram. Até um pouco exagerada, talvez. Não desanimem, cabeça para cima que a Boitempo é muito maior que isso tudo! Abraços a todos, Paulo Braga

  7. Geraldo Pontes

    O PT deve continuar, sim, com T, maiúsculo, sem dúvida. Haja vista a grande melhoria que fez na vida dos trabalhadores brasileiros em seus quase 10 anos na presidência. Quanto às greves do funcionalismo que administra, o PT não poderia “apoiá-las”, se feitas contra ele – seria o cúmulo da falta de lógica; teria que se esperar pelo PSDB para resolver se o PT, apoiando grevistas, tb cruzasse os braços? Porque se os grevistas continuam insatisfeitos com as propostas salariais que lhes são oferecidas pelo PT, não foi no PSDB que conseguiram rigorosamente nada, com greve, nem sem greve. Tiveram o maior achatamento salarial que o magistério conheceu, superando o da época da ditadura, e ainda foram chamados de vagabundos pelo presidente eleito pelo PSDB, por se aposentarem cedo demais. Parece que ele se esqueceu de devolver, então, sua aposentadoria forçada pela ditadura aos 38 anos. Não podia chamar professores que se aposentavam aos 50 de vagabundos, nesse caso. O PT usa essa linguagem com seus funcionários? O que faz sim, e com lógica, é negociar com os grevistas, dentro da realidade. No caso do magistério, negocia com proposta de salários que irão, no prazo proposto, de R$ 8.500 a pouco mais de R$ 17 mil; e ainda com uma contraproposta aos insatisfeitos, aumentando em mais 12,5% na base. Isso se chama tratar uma greve de trabalhadores com respeito. Mas a greve não acaba, porque os trabalhadores estão levando à frente uma greve política. Aliás, isso já foi dito pelo reitor da UnB que, inicialmente, apoiou a greve, mas entendeu que as reivindicações tinham sido atendidas – reivindicações que passam de salário.

    • Felipe Anselmo

      A proposta do governo foi derrotada nas bases das universidades do andes quanto do próprio sindicalismo de estado do proifes. Os docentes brigam pela estruturação da carreira docente. o governo não negociou de forma alguma com a maioria dos professores. O desejo é que a negociação tivesse como pressuposto epistemológico a carreira do andes no qual grande maioria dos docentes, em suas assembleias, apoiaram.
      A proposta do governo é vergonhosa, destrói a carreira docente, prejudica novos professores. Além de não tocar nas melhorias das condições de trabalho,

      PT negocie efetivamente com os grevistas e não com os sindicalistas de estado.

      ,

  8. Luiz Fernando Resende/diretor artístico

    …minha solidariedade e confiança nesse momento!…felizmente, a Folha de São Paulo da modernidade brasileira, só , eu disse: só , consagram o trabalho dessa editora …de esquerda…com a sua “Denuncia ideologica”, ou melhor dizendo: deduduragem, que é o que a imprensa da democracia e da liberdade brasileira, aprenderam e replicam sempre: se eu possuo os meios de informação, uma mentira minha, repetida várias vezes, se torna verdade…assinado: Joseph Goebles, secretário de propagando de Hitler…mais moderno que nunca!…e é merito de voces, a postura não alinhada com a mesmice decretada pelo mercado( senhor e juiz de tudo!!),rompendo com a inercia e replicancia atuais…e será ranhetice minha achar uma infantilidade( me desculpe as crianças!) o oportunismo de se reduzir e simplificar tudo ao jogo PTxPSDB…como se fossem muito diferentes e tivessem programas muito diferenciados “em beneficio do povo do Brasil”! Senhores! com êsse seminário proposto pela editora, se vê, claramente, que estão com preocupações de conteudo e não de formas de disputar o ´PODER BURGUES DE ADMINISTRAÇÃO!!!…existem prioridades que não são as eleições “democráticas e modernas” que acontecerão logo e …sempre…se continuarmos com ESSES ASSUNTOS IMPORTANTES PARA O POVO DO BRASIL!…em tempo: gostaria de já deixar a minha inscrição para o proximo seminario, pois este, cheguei atrasado e não consegui…
    luiz fernando resende

  9. Geraldo Pontes

    Quando falava da reação dos burgueses paulistanos à eleição de Dilma, nao revi o trecho em que faltaram os termos “testemunhei” quando dizia: Aliás, a burguesada paulistana, e eu testemunhei, pis estava em SP no dia do resultado da eleição da Dilma, o mesmo do excrutínio, por sinal, que se corroía de ódio.
    De forma que peço ao mediadeor do blog para publicar o que vem abaixo e desconsiderar o outro trecho todo:
    Interessante seu comentário, Luiz Fernando, concordo com que as coisas não se podem reduzir, por um lado, ao FLA X FLU, e ao fato de ter havido equiparação de vários procedimentos do PT aos adotados pelo PSDB, que se distancia sempre dos ideais pré-petistas que alavancaram, no início dos anos 80, ou até pouco antes, a criação do PT entre sindicalistas, outros movimentos sociais como os que estavam ligados à Igreja progressista, acadêmicos de esquerda, etc: a eleição de Lula só se deu com muitas alianças ruins. Foi como ele conseguiu chegar ao poder. No RJ, o candidato à prefeitura do PSOL, que tem um histórico muito positivo e no seu currículo a luta contra as milícias, com que se notabilizou enquanto deputado – e que se deu também por uma causa muito bonita, que foi a de lutar contra a vitimação de pessoas como seu irmão, morto por uma milícia – tentou inicialmente uma aliança com o Sr. Garotinho, com que o PT tb se aliou no passado, por aqui. O PSOL não conseguiu reeditar essa façanha com que poderia levar votos, felizmente até para o partido – em que raramente voto em alguns candidatos -, ainda que possa não ser eleito com isso por falta do curral eleitoral do campista, que preferiu dar a mão de sua filha em aliança com o filho do ex-prefeito César Maia, filho que foi lider do DEM no Congresso ou na Câmara, já não me lembro. Bom pro candidato do PSOL, afinal, o histórico de Garotinho não é condizente com as lutas de Freixo, inclusive no assunto milícias. Mas discordo de que se possa igualar, com todas essas alianças ou tentativas, a figura política do Freixo, assim como as de vários políticos do PT à direita ou ao que você chama de poder burguês da administração. E a Folha é claramente psdeb sta. Aliás, a burguesada paulistana, e eu o testemunhei, pois estava em SP no dia do resultado da eleição da Dilma, o mesmo do escrutínio, por sinal, se corroía de ódio. Isso me parece um sinal positivo: ouvi pessoas dizerem que iam ter que aturar a “filha Dilma p…” por 4 anos. E em tudo, o que disse acima, ou de tudo, não escapa nem o sindicalismo “que não é de estado”, pois faz um jogo duplo: em ano não eleitoral, 2011, o ANDES fez aliança medíocre com o governo por 4% de aumento – com toda essa grita de que a inflação é muito superior a isso e ao acordo atual – entre 25 e 45%. Hoje, em pleno período eleitoral, chama o PROIFES e ANDIFES de sindicalistas de estado, com tom de ironia: ironia contra quem? E o PROIFES ainda consegue dar tiro no pé, fazendo consulta virtual aos professores para votar o plano e a permanência ou saída da greve. Consulta que um lider docente chama de “processo manipulatório” (sic), na compreensão talvez de um “pressuposto epistemológico” – precisamos de teorreia e neologismos acadêmicos numa hora dessa?
    Parabéns à editora pelo seminário, mas infelizmente, não sei se li errado, se restringe a SP – sou do RJ.
    Abraços

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