Antonio Cândido indica 10 livros para conhecer o Brasil

13.05.17_Antonio Candido_10 livros para conhecer o BrasilPor Antonio Candido.*

Quando nos pedem para indicar um número muito limitado de livros importantes para conhecer o Brasil, oscilamos entre dois extremos possíveis: de um lado, tentar uma lista dos melhores, os que no consenso geral se situam acima dos demais; de outro lado, indicar os que nos agradam e, por isso, dependem sobretudo do nosso arbítrio e das nossas limitações. Ficarei mais perto da segunda hipótese.

Como sabemos, o efeito de um livro sobre nós, mesmo no que se refere à simples informação, depende de muita coisa além do valor que ele possa ter. Depende do momento da vida em que o lemos, do grau do nosso conhecimento, da finalidade que temos pela frente. Para quem pouco leu e pouco sabe, um compêndio de ginásio pode ser a fonte reveladora. Para quem sabe muito, um livro importante não passa de chuva no molhado. Além disso, há as afinidades profundas, que nos fazem afinar com certo autor (e portanto aproveitá-lo ao máximo) e não com outro, independente da valia de ambos.

Por isso, é sempre complicado propor listas reduzidas de leituras fundamentais. Na elaboração da que vou sugerir (a pedido) adotei um critério simples: já que é impossível enumerar todos os livros importantes no caso, e já que as avaliações variam muito, indicarei alguns que abordam pontos a meu ver fundamentais, segundo o meu limitado ângulo de visão. Imagino que esses pontos fundamentais correspondem à curiosidade de um jovem que pretende adquirir boa informação a fim de poder fazer reflexões pertinentes, mas sabendo que se trata de amostra e que, portanto, muita coisa boa fica de fora. 

São fundamentais tópicos como os seguintes: os europeus que fundaram o Brasil; os povos que encontraram aqui; os escravos importados sobre os quais recaiu o peso maior do trabalho; o tipo de sociedade que se organizou nos séculos de formação; a natureza da independência que nos separou da metrópole; o funcionamento do regime estabelecido pela independência; o isolamento de muitas populações, geralmente mestiças; o funcionamento da oligarquia republicana; a natureza da burguesia que domina o país. É claro que estes tópicos não esgotam a matéria, e basta enunciar um deles para ver surgirem ao seu lado muitos outros. Mas penso que, tomados no conjunto, servem para dar uma ideia básica.

Entre parênteses: desobedeço o limite de dez obras que me foi proposto para incluir de contrabando mais uma, porque acho indispensável uma introdução geral, que não se concentre em nenhum dos tópicos enumerados acima, mas abranja em síntese todos eles, ou quase. E como introdução geral não vejo nenhum melhor do que O povo brasileiro (1995), de Darcy Ribeiro, livro trepidante, cheio de ideias originais, que esclarece num estilo movimentado e atraente o objetivo expresso no subtítulo: “A formação e o sentido do Brasil”.

Quanto à caracterização do português, parece-me adequado o clássico Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda, análise inspirada e profunda do que se poderia chamar a natureza do brasileiro e da sociedade brasileira a partir da herança portuguesa, indo desde o traçado das cidades e a atitude em face do trabalho até a organização política e o modo de ser. Nele, temos um estudo de transfusão social e cultural, mostrando como o colonizador esteve presente em nosso destino e não esquecendo a transformação que fez do Brasil contemporâneo uma realidade não mais luso-brasileira, mas, como diz ele, “americana”. 

Em relação às populações autóctones, ponho de lado qualquer clássico para indicar uma obra recente que me parece exemplar como concepção e execução: História dos índios do Brasil (1992), organizada por Manuela Carneiro da Cunha e redigida por numerosos especialistas, que nos iniciam no passado remoto por meio da arqueologia, discriminam os grupos linguísticos, mostram o índio ao longo da sua história e em nossos dias, resultando uma introdução sólida e abrangente.

Seria bom se houvesse obra semelhante sobre o negro, e espero que ela apareça quanto antes. Os estudos específicos sobre ele começaram pela etnografia e o folclore, o que é importante, mas limitado. Surgiram depois estudos de valor sobre a escravidão e seus vários aspectos, e só mais recentemente se vem destacando algo essencial: o estudo do negro como agente ativo do processo histórico, inclusive do ângulo da resistência e da rebeldia, ignorado quase sempre pela historiografia tradicional. Nesse tópico resisto à tentação de indicar o clássico O abolicionismo (1883), de Joaquim Nabuco, e deixo de lado alguns estudos contemporâneos, para ficar com a síntese penetrante e clara de Kátia de Queirós Mattoso, Ser escravo no Brasil (1982), publicado originariamente em francês. Feito para público estrangeiro, é uma excelente visão geral desprovida de aparato erudito, que começa pela raiz africana, passa à escravização e ao tráfico para terminar pelas reações do escravo, desde as tentativas de alforria até a fuga e a rebelião. Naturalmente valeria a pena acrescentar estudos mais especializados, como A escravidão africana no Brasil (1949), de Maurício Goulart ou A integração do negro na sociedade de classes (1964), de Florestan Fernandes, que estuda em profundidade a exclusão social e econômica do antigo escravo depois da Abolição, o que constitui um dos maiores dramas da história brasileira e um fator permanente de desequilíbrio em nossa sociedade.

Esses três elementos formadores (português, índio, negro) aparecem inter-relacionados em obras que abordam o tópico seguinte, isto é, quais foram as características da sociedade que eles constituíram no Brasil, sob a liderança absoluta do português. A primeira que indicarei é Casa grande e senzala (1933), de Gilberto Freyre. O tempo passou (quase setenta anos), as críticas se acumularam, as pesquisas se renovaram e este livro continua vivíssimo, com os seus golpes de gênio e a sua escrita admirável – livre, sem vínculos acadêmicos, inspirada como a de um romance de alto voo. Verdadeiro acontecimento na história da cultura brasileira, ele veio revolucionar a visão predominante, completando a noção de raça (que vinha norteando até então os estudos sobre a nossa sociedade) pela de cultura; mostrando o papel do negro no tecido mais íntimo da vida familiar e do caráter do brasileiro; dissecando o relacionamento das três raças e dando ao fato da mestiçagem uma significação inédita. Cheio de pontos de vista originais, sugeriu entre outras coisas que o Brasil é uma espécie de prefiguração do mundo futuro, que será marcado pela fusão inevitável de raças e culturas.

Sobre o mesmo tópico (a sociedade colonial fundadora) é preciso ler também Formação do Brasil contemporâneo, Colônia (1942), de Caio Prado Júnior, que focaliza a realidade de um ângulo mais econômico do que cultural. É admirável, neste outro clássico, o estudo da expansão demográfica que foi configurando o perfil do território – estudo feito com percepção de geógrafo, que serve de base física para a análise das atividades econômicas (regidas pelo fornecimento de gêneros requeridos pela Europa), sobre as quais Caio Prado Júnior engasta a organização política e social, com articulação muito coerente, que privilegia a dimensão material. 

Caracterizada a sociedade colonial, o tema imediato é a independência política, que leva a pensar em dois livros de Oliveira Lima: D. João VI no Brasil (1909) e O movimento da Independência (1922), sendo que o primeiro é das maiores obras da nossa historiografia. No entanto, prefiro indicar um outro, aparentemente fora do assunto: A América Latina, Males de origem (1905), de Manuel Bonfim. Nele a independência é de fato o eixo, porque, depois de analisar a brutalidade das classes dominantes, parasitas do trabalho escravo, mostra como elas promoveram a separação política para conservar as coisas como eram e prolongar o seu domínio. Daí (é a maior contribuição do livro) decorre o conservadorismo, marca da política e do pensamento brasileiro, que se multiplica insidiosamente de várias formas e impede a marcha da justiça social. Manuel Bonfim não tinha a envergadura de Oliveira Lima, monarquista e conservador, mas tinha pendores socialistas que lhe permitiram desmascarar o panorama da desigualdade e da opressão no Brasil (e em toda a América Latina).

Instalada a monarquia pelos conservadores, desdobra-se o período imperial, que faz pensar no grande clássico de Joaquim Nabuco: Um estadista do Império (1897). No entanto, este livro gira demais em torno de um só personagem, o pai do autor, de maneira que prefiro indicar outro que tem inclusive a vantagem de traçar o caminho que levou à mudança de regime: Do Império à República (1972), de Sérgio Buarque de Holanda, volume que faz parte da História geral da civilização brasileira, dirigida por ele. Abrangendo a fase 1868-1889, expõe o funcionamento da administração e da vida política, com os dilemas do poder e a natureza peculiar do parlamentarismo brasileiro, regido pela figura-chave de Pedro II. 

A seguir, abre-se ante o leitor o período republicano, que tem sido estudado sob diversos aspectos, tornando mais difícil a escolha restrita. Mas penso que três livros são importantes no caso, inclusive como ponto de partida para alargar as leituras. 

Um tópico de grande relevo é o isolamento geográfico e cultural que segregava boa parte das populações sertanejas, separando-as da civilização urbana ao ponto de se poder falar em “dois Brasis”, quase alheios um ao outro. As consequências podiam ser dramáticas, traduzindo-se em exclusão econômico-social, com agravamento da miséria, podendo gerar a violência e o conflito. O estudo dessa situação lamentável foi feito a propósito do extermínio do arraial de Canudos por Euclides da Cunha n’Os sertões (1902), livro que se impôs desde a publicação e revelou ao homem das cidades um Brasil desconhecido, que Euclides tornou presente à consciência do leitor graças à ênfase do seu estilo e à imaginação ardente com que acentuou os traços da realidade, lendo-a, por assim dizer, na craveira da tragédia. Misturando observação e indignação social, ele deu um exemplo duradouro de estudo que não evita as avaliações morais e abre caminho para as reivindicações políticas. 

Da Proclamação da República até 1930 nas zonas adiantadas, e praticamente até hoje em algumas mais distantes, reinou a oligarquia dos proprietários rurais, assentada sobre a manipulação da política municipal de acordo com as diretrizes de um governo feito para atender aos seus interesses. A velha hipertrofia da ordem privada, de origem colonial, pesava sobre a esfera do interesse coletivo, definindo uma sociedade de privilégio e favor que tinha expressão nítida na atuação dos chefes políticos locais, os “coronéis”. Um livro que se recomenda por estudar esse estado de coisas (inclusive analisando o lado positivo da atuação dos líderes municipais, à luz do que era possível no estado do país) é Coronelismo, enxada e voto (1949), de Vitor Nunes Leal, análise e interpretação muito segura dos mecanismos políticos da chamada República Velha (1889-1930). 

O último tópico é decisivo para nós, hoje em dia, porque se refere à modernização do Brasil, mediante a transferência de liderança da oligarquia de base rural para a burguesia de base industrial, o que corresponde à industrialização e tem como eixo a Revolução de 1930. A partir desta viu-se o operariado assumir a iniciativa política em ritmo cada vez mais intenso (embora tutelado em grande parte pelo governo) e o empresário vir a primeiro plano, mas de modo especial, porque a sua ação se misturou à mentalidade e às práticas da oligarquia. A bibliografia a respeito é vasta e engloba o problema do populismo como mecanismo de ajustamento entre arcaísmo e modernidade. Mas já que é preciso fazer uma escolha, opto pelo livro fundamental de Florestan Fernandes, A revolução burguesa no Brasil (1974). É uma obra de escrita densa e raciocínio cerrado, construída sobre o cruzamento da dimensão histórica com os tipos sociais, para caracterizar uma nova modalidade de liderança econômica e política. 

Chegando aqui, verifico que essas sugestões sofrem a limitação das minhas limitações. E verifico, sobretudo, a ausência grave de um tópico: o imigrante. De fato, dei atenção aos três elementos formadores (português, índio, negro), mas não mencionei esse grande elemento transformador, responsável em grande parte pela inflexão que Sérgio Buarque de Holanda denominou “americana” da nossa história contemporânea. Mas não conheço obra geral sobre o assunto, se é que existe, e não as há sobre todos os contingentes. Seria possível mencionar, quanto a dois deles, A aculturação dos alemães no Brasil (1946), de Emílio Willems; Italianos no Brasil (1959), de Franco Cenni, ou Do outro lado do Atlântico (1989), de Ângelo Trento – mas isso ultrapassaria o limite que me foi dado.

No fim de tudo, fica o remorso, não apenas por ter excluído entre os autores do passado Oliveira Viana, Alcântara Machado, Fernando de Azevedo, Nestor Duarte e outros, mas também por não ter podido mencionar gente mais nova, como Raimundo Faoro, Celso Furtado, Fernando Novais, José Murilo de Carvalho, Evaldo Cabral de Melo etc. etc. etc. etc. 

* Artigo publicado na edição 41 da revista Teoria e Debate – em 30/09/2000

Antonio Candido é sociólogo, crítico literário e ensaísta.

Se o Brasil for, eu vou.

13.05.16_Flávio Aguiar_Se o Brasil for, eu vouPor Flávio Aguiar.

A eleição de um diplomata brasileiro, Roberto Azevêdo, para a direção da OMC, levantou uma nova onde de poeira lançada pelas vozes da direita à livre circulação dos ventiladores.

Baseia-se esta nova tempestade poeril (ou será pueril?) na rebatida ideia de que “o Brasil está isolado” (?) ou na recauchutada mania de que tudo no país é um “fracasso”.

Não sei muito bem onde se sustenta a tese deste “isolamento” brasileiro, se recentemente candidatos nossos venceram eleições importantes, a da direção da FAO e agora a da OMC. A não ser pelo vezo de que o Brasil anda em “más companhias”, quais sejam, as do pobrerio do mundo. Parodiando e invertendo o dito de Lúcifer no Paraíso Perdido, de Milton, para este tipo de mentalidade é melhor ser servo(a) na Casa Grande do que senhor(a) em sua própria casa.

Quanto à tese do “fracasso”, ela se apóia em duas vertentes. A primeira vem de longa data, e vitupera, ainda que à socapa, que o país não jeito, no fundo, por causa do povo que abriga. A segunda é a de que não adianta “dar dinheiro para pobre”. Eles (os pobres) não sabem gastar, preferindo porcarias a refinagens. Assim, tudo o que se faz nesta direção vira mesmo “assistência eleitoreira”.

O mundo em que vivem os arautos destas teses é de um anacronismo ímpar. Desconhece até as teses de seus colegas conservadores de outras plagas, um pouco mais ilustrados e solertes quanto ao que vai pelo planeta.

Estive pass(e)ando os olhos por um documento muito interessante, elaborado pelo National Intelligence Council dos Estados Unidos inicialmente para leitura do presidente e agora divulgado (desconheço se há diferenças entre a versão entregue à Casa Branca e esta que agora vai em pdf para as telas dos comuns mortais). O documento se chama “Global Trends 2030: Alternative Worlds”.

Grosso modo, trata-se de uma previsão de como poderá ser o nosso mundo em 2030. O documento faz poucas afirmações cabais, preferindo ficar na definição de molduras possíveis. O que vai acontecer se o Irã desistir do seu programa nuclear? O que acontecerá se ele não desistir? E assim por diante.

Mas há nele algumas afirmações bastante, digamos, afirmativas.

Uma delas é a de que diminuirá muito o alcance, o poder e a influência das potências ocidentais. Elas hoje manejam 56% da atividade econômica mundial. Em 2030 deverão manejar 25%. Este declínio aponta para uma reversão de tendência multissecular, que data do Renascimento. Em compensação, o peso asiático vai aumentar.

Mas não só o asiático, seja chinês ou indiano (pois o japonês também estará em declínio). Haverá outros polos que, de regionais, passarão a ter um alcance mundial – entre eles (vejam só!), o nosso “isolado” Brasil. Além, possivelmente, da África do Sul.

Mas há mais. Neste mundo de pesos que se valorizam e se desvalorizam, o da Europa vai decrescer sensivelmente. Talvez até o ponto, alerta o documento, de pôr em perigo a própria coesão da União Europeia, quem sabe a da Zona do Euro em primeiro lugar.

Na contramão do que acontece hoje na Europa, a tendência predominante deste mundo velho sem porteira será a do fortalecimento da classe média, que, apesar da sua perda de poder aquisitivo no Velho Continente, deverá estar em torno de 35% da população mundial. Serão 3 bi em 8,4 bilhões de pessoas. Pela primeira vez na história, pode ser que a maioria da população mundial não viverá na miséria – com uma substantiva contribuição do “fracasso Brasil” para tanto, como mostram sucessivos documentos de múltiplos organismos internacionais, entre eles a OIT e a Unesco, dentre outros.

Esta ascensão social provocaria um aumento da demanda por saúde, educação, alimentação, água e – veja só – energia. Neste itens todos, apesar da persistência de problemas seculares, o “fracasso Brasil” vai bem, embora isto seja difícil de ver através da cortina de fumaça – ou poeira – que os nossos doutores em isolamento ou fracasso continuamente teimam em levantar.

Ah, um outro item interessante é o da internet. Levantamentos recentes indicam que no “isolado” e “fracassado” Brasil, a maioria da informação buscada pela população está nas redes virtuais. Pois bem, o documento do Council afirma que uma das características do mundo em 2030 será a da formação de “comunidades congregadas” virtuais, supra-nacionais, em territórios novos como a “googlelândia”, ou a “twitterlândia”, ou ainda a “facebooklândia”. Não é a minha praia, partidário que ainda sou de uma boa caneta-tinteiro, mas devo reconhecer que há uma tendência mundial naquele sentido, e que nela, o “fracasso Brasil”, ou o “isolado Brasil” navega muito bem.

É claro que um documento desta natureza deve ser lido com várias mãos e pés atrás, não só por vir de onde vem, mas igualmente por ser, no fundo e ao final, um conjunto de previsões para melhorar ou tirar o sono do ocupante da Casa Branca.

Mas ele mostra, de modo muito inequívoco, a bobajada que os adeptos do “fracasso Brasil” ou do “isolado Brasil” são infatigáveis em apregoar.

A estes, o passado. Ao Brasil, de novo, o futuro – mas desta vez carregado de presente. E se o Brasil for, eu vou. Com minha caneta-tinteiro e tudo.

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A Bíblia segundo Beliel. da criação ao fim do mundo: como tudo de fato aconteceu e vai acontecer, de Flávio Aguiar, já está disponível em versão eletrônica (ebook), por metade do preço do livro impresso na Travessa e na Gato Sabido.

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Confira o Booktrailer do livro abaixo:

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Flávio Aguiar nasceu em Porto Alegre (RS), em 1947, e reside atualmente na Alemanha, onde atua como correspondente para publicações brasileiras. Pesquisador e professor de Literatura Brasileira da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, tem mais de trinta livros de crítica literária, ficção e poesia publicados. Ganhou por três vezes o prêmio Jabuti da Câmara Brasileira do Livro, sendo um deles com o romance Anita (1999), publicado pela Boitempo Editorial. Também pela Boitempo, publicou a coletânea de textos que tematizam a escola e o aprendizado, A escola e a letra (2009), finalista do Prêmio Jabuti, Crônicas do mundo ao revés (2011) e o recente lançamento A Bíblia segundo Beliel. Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às quintas-feiras.

Entrevista com Alysson Leandro Mascaro sobre “Estado e forma política” (Folha de S.Paulo)

Alysson Leandro Mascaro apresenta aula no IV Curso Livre Marx Engels, lançamento de "Estado e forma política"

Alysson Leandro Mascaro apresenta aula no IV Curso Livre Marx Engels, lançamento de “Estado e forma política”

A Boitempo Editorial lançou este mês (na abertura do IV Curso Livre Marx Engels) o livro Estado e forma política, escrito pelo jurista e filósofo do direito Alysson Leandro MascaroO livro chega às livrarias a partir da próxima semana e será lançado em breve em versão eletrônica (ebook).

Leia abaixo entrevista concedida por Alysson Leandro Mascaro à jornalista Eleonora de Lucena, publicada na Folha de S.Paulo do dia 11/05/2013:

As políticas são capturadas pelos interesses financeiros e especulativos. Eventuais abalos contra o paraíso das finanças são superficiais. No Brasil, defensores do rentismo prática de viver de rendimentos e de uma política em favor da produção se digladiam no governo.

As avaliações são do filósofo do direito Alysson Leandro Mascaro, 37, professor da USP e do Mackenzie que está lançando o livro Estado e Forma Política.
Elogiado pelo filósofo Slavoj iek, Mascaro analisa a relação entre política e economia. Leia entrevista.

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Folha – O sr. escreve que o poder do capital cresce e se renova com as crises. Isso está ocorrendo agora? Como esse fenômeno pode ser identificado no mundo?
Alysson Leandro Mascaro - Há quem tenha esperança na crise. Não é meu caso. A visão tradicionalmente estabelecida sobre as crises no capitalismo costuma presumir que, a esses momentos extremos, corresponda uma alteração substancial nos padrões de ação econômica, política e social.

Minha insistência, em “Estado e Forma Política”, é justamente a de alcançar as formas sociais, que são o núcleo da sociabilidade na reprodução capitalista, para, a partir daí, entender que as crises, no molde pelo qual se apresentam na atualidade, têm servido apenas para um rearranjo das mesmas formas, sem superá-las.

Um mundo da mercadoria e da valorização do valor é ainda o horizonte político que resulta da crise. De algum modo, o capital se revigora quando abalado neste contexto presente.

Em que direção ocorrem as mudanças no capitalismo de hoje? Há uma concentração maior?

O capitalismo neoliberal marcha para tentar abolir suas eventuais contratendências. É impossível que essa marcha seja plena, embora seja sempre almejada.

A tendência à concentração do capital é abalada, historicamente, com grandes intervenções de luta social e política em sentido contrário e com eventuais demandas surgidas das crises. Mas no caso da economia capitalista atual, neoliberal, são difíceis os casos de oposição sistemática. Os Estados se associam de modo deliberado e declarado à dinâmica da concentração do capital.

É verdade que tal tendência tem matizes: uma grande variabilidade de conflitos e arranjos específicos internos e, ainda, uma geografia econômica mundial relativamente dinâmica.

Mesmo assim, em que pese o fato de que novos países e grupos passem a ganhar poder relativo, pelo plano geral das sociedades capitalistas contemporâneas está em causa um processo de unificação de práticas e interesses, em favor da concentração econômica: são as mesmas maneiras de administrar, de pensar, de valorar, de agir politicamente, que se esparramam mundialmente sobre velhas e novas relações, todas capitalistas.

O sr. analisa as relações entre capitalismo e democracia. Como a atual crise afeta as democracias no globo? Quais são os exemplos?

A crise está no centro do capitalismo e, justamente aí, é onde se costuma identificar a residência da democracia. São círculos concêntricos. Mas, se for o caso, um círculo suprime o outro: a crise mata a democracia. Do modo pelo qual se estabeleceram em toda a Idade Contemporânea, as formas da democracia são, íntima e conexamente, formas da reprodução capitalista.

Ocorre que é preciso investigar mais a fundo o que estrutura a democracia no capitalismo: ela está associada menos a procedimentos eleitorais e, mais, à garantia da propriedade privada, de sua circulação e, ainda, a uma subjetividade jurídica generalizada. Quando as crises do capitalismo, como a atual, fragilizam a democracia, isto pode revelar até o abandono da democracia eleitoral, mas não da sustentação política e jurídica ao capital.

A dinâmica do capitalismo faz com que a garantia seja à propriedade privada e à exploração do trabalho assalariado, não necessariamente a mandatos e a governos representativos ou à voz do povo. A atual crise do capital, mais uma vez e como todas as demais, incomoda a democracia. Basta o exemplo europeu: aos gregos e aos países mediterrâneos endividados, está impedida, na prática, a deliberação popular sobre o pagamento ou não das dívidas, em razão de um terrorismo econômico.

Claro que, no decorrer da história e no presente, os graus dessa variação do capitalismo contra a democracia são amplos. Mas as modalidades ditatoriais ou fascistas são sempre os limites extremos da sociabilidade capitalista, já testados de sobra no século 20.

Como o sr. avalia o modelo chinês e seu futuro?

Em qualquer tipo de sociedade capitalista, Estado e política têm formas e estruturas necessárias. Inserida em tal dinâmica, a atual China se estabelece a partir das mesmas formas gerais capitalistas mundiais. A busca da valorização e a garantia ao capital são seus corolários.

Assim, não se pode pensar que o modelo chinês seja o outro ou o oposto de um modelo capitalista ocidental. Suas diferenças são, justamente, suas complementaridades em face do mundo. O interesse chinês é, ao seu modo, o de manutenção da reprodução capitalista geral, e dos EUA, de quem é credor, em específico.

O modelo chinês só poderia representar novidade num plano menor: se, nos engastes da política, excepcionalmente, a China viesse a influir para uma política menos neoliberal no mundo. Mas, mergulhada no processo de valorização do valor em plano mundial, ela não pode ser distinta estruturalmente do que é, a não ser com uma alta reconfiguração de suas próprias bases.

O sr. descreve a ascensão do neoliberalismo e afirma que nesse modelo a política dos capitais passa pelos Estados. Como isso pode ser identificado no Brasil de hoje?

Como se costuma traçar a identificação política dos tempos neoliberais? O discurso corrente a esse respeito opõe binariamente mais Estado no passado a menos Estado hoje.

Proponho que seja entendida de outro modo a articulação entre neoliberalismo e Estado. Desde a década de 1970, mais do que se afastarem da economia, os Estados na verdade se reconfiguram, mantendo papel ativo, ainda que de outro tipo, pós-fordista neoliberal. Ao lado do papel preponderante nas privatizações e na diminuição de direitos sociais, novos problemas e demandas estatais se apresentam.

As cruentas políticas de segurança pública contra os pobres e miseráveis e a guerra contra o terrorismo são os exemplos notáveis de que o Estado se reconfigura e continua exercendo papel fundamental na política exploratória do capital. Não é possível que haja ilusão: o intervencionismo estatal no bem-estar social do pós-Segunda Guerra e o neoliberalismo são variações –ainda que extremas e altamente conflituosas entre si– dentro das mesmas formas sociais, do capitalismo.

Não quero dizer, com isso, que sejam equivalentes –pelo contrário, são opostos– mas, de todo o modo, não há neoliberalismo, por mais extremado que seja, que prescinda do Estado. Na boca dos defensores do capitalismo, o discurso de menos Estado ou do seu fim é uma contradição em termos.

O Brasil atualmente tem uma política neoliberal?

Tanto o neoliberalismo quanto o pós-fordismo não são modelos totalmente afirmativos, que se apresentem de modo puro dentro do capitalismo. Eles se estabelecem a partir de novos e velhos elementos econômicos, políticos, sociais e culturais, sempre em rearranjo.

Daí que não há nenhuma fase neoliberal que supere totalmente o bem-estar e o intervencionismo anteriores quanto, por via reversa, também não há, nas tentativas políticas de esquerda do mundo na atualidade, superação plena do neoliberalismo. É verdade que, no plano mundial, o meio do pêndulo tem sido arraigadamente neoliberal e, estruturado num sistema internacional, virtualmente nenhum país escapa ou se imuniza em relação a ele.

No Brasil e no mundo, quando raras políticas tateiam a superação dos períodos plenamente neoliberais das décadas de 1990 e 2000, isto se faz contra uma base que impele ao contrário.

Se é verdade que nos últimos anos algumas bússolas políticas já mudaram no Brasil e em alguns países do mundo, a margem que resta para que se possa declarar superada a política neoliberal ainda é muito grande.

Quais interesses capturam o atual Estado brasileiro? Por quê?

Para a compreensão da política, em “Estado e Forma Política” estabeleço uma junção necessária entre as formas gerais do capitalismo –como a estatal e a jurídica– e as lutas de classes e os conflitos de grupos. Daí resulta uma estruturação política dos interesses que é variada e contraditória.

O Estado quase sempre se polariza a partir das classes e grupos dominantes e hegemônicos, exercendo alguma espécie de coesão geral, o que leva a concessões. No caso do Brasil, tem-se continuamente, nas últimas décadas, um deslocamento do eixo da decisão política para os capitais internacionais, preponderantemente financeiros.

Tal movimento encontra algumas poucas oposições e contratendências -vistas em especial apenas nos últimos anos- de fortalecimento do poder do Estado e do capital nacional. E no contexto da reprodução capitalista, até os interesses devem ser problematizados.

Pavimentando as contradições e os múltiplos conflitos sociais, os interesses do núcleo econômico e da dominação política estão solidamente assentados em bases culturais e ideológicas que lhes anunciam como única possibilidade de ação na sociedade, dando-lhes conforto nos embates contra os críticos e os explorados do mundo.

Quais são as contradições desse modelo no Brasil de hoje?

Toda e qualquer reprodução capitalista é crise: estabelece-se a partir da exploração, da apropriação desigual do capital e dos conflitos variados que são inexoráveis a uma sociedade de agentes múltiplos e concorrentes entre si, nacional e internacionalmente.

Não há possibilidade de estabilidade geral dentro do capitalismo, o que não quer dizer que suas fases e arranjos sejam todos iguais. Tanto no Brasil quanto no exterior, as mesmas dinâmicas gerais de conflito e contradição se mantêm vivas e atuantes. Persevera a disputa entre as frações do capital próximas das finanças e da especulação e aquelas outras dadas à produção e ao consumo de massas, com vantagem clara, nas últimas décadas, para os interesses financeiros.

Como resultado, o Brasil e os demais Estados variam entre aqueles mais reféns dos capitais especulativos ou aqueles mais próximos da indução da produção e da circulação econômica. Além de tais contradições gerais, no Brasil e no mundo há ainda uma miríade de outras contradições específicas: lutas sociais, políticas, ideológicas, culturais e morais que, ao seu modo, se aglutinam, de modo muito variado, às dinâmicas gerais do capital.

Alguns setores têm criticado o que consideram a excessiva presença do Estado na economia no Brasil atualmente. O sr. concorda com essa análise? Quais interesses ela expressa?
O capitalismo é sempre crise, mas o neoliberalismo é a crise do capital exposta a partir de uma de suas mais aberrantes faces. Desde 2008, no mundo todo, não há mais possibilidade de negar tal constatação.

De lá para cá, a eventual insistência de alguns setores econômicos, políticos e intelectuais em pautas neoliberais só se deve, então, a um jogo de poder do capital especulativo mundial, cuja resiliência resta patente e escancarada, ainda que, peculiarmente, não fique clara aos seus próprios arautos, que persistem em se iludir, chamando à sua perspectiva ideológica de ciência econômica.

De outro lado, outros setores reivindicam justamente uma presença maior do Estado, criticando a política de concessões, privatização da saúde e do ensino. Como o sr. avalia esse processo?

É uma tendência natural que, em face das políticas de regressão neoliberais, a política progressista se assuma como resistência. O combate à exploração costuma ser estabelecido a partir dos horizontes intelectivos da própria reprodução social já dada.

Nesse plano, as lutas sociais, em tempos de aprofundamento da exploração no plano mundial, agarram-se ao intervencionismo estatal e ao bem-estar social como suas armas primeiras. No que tange ao jogo imediato, então, trata-se da escolha entre capitalismo desenfreado e capitalismo regulado.

É verdade que essa diferença política separa e dá clareza às posições da hora presente. É preciso tomar partido nessa diferença. Mas, acima de tudo, é preciso abrir brechas nos tempos históricos para conseguir a proeza de vislumbrar e ensejar a própria transformação do capitalismo, com novas formas de sociabilidade.

Há quem diga que o governo brasileiro continua atuando em favor dos rentistas. O sr. concorda?

Todas as políticas, sob as formas capitalistas, são a favor do capital. Claro está que o capitalismo tem lutas internas, frações em disputa, contradições entre classes, nações, grupos e indivíduos. Assim, as políticas são capturadas pelos interesses mais fortes e pronunciados, que contemporaneamente são os financeiros e especulativos.

No Brasil e no mundo, os eventuais abalos contra o paraíso das finanças são perfunctórios, com altos custos políticos aos governos que os tentam. Mas é preciso sempre reafirmar que, no plano da disputa imediata, uma política em prol da produção e em desfavor do rentismo é altamente preferível e desejável. Este é um dos termômetros mais importantes da política nos nossos tempos, e tal jogo está sendo jogado atualmente pelo governo Dilma e pelo capital financeiro. A história projetará suas possibilidades, seu resultado e sua verdade.

Quem está ganhando essa disputa entre rentismo e produção no governo Dilma?

No Brasil, o padrão econômico sobrepujadamente rentista não é recente: tem uma história já de décadas. Pode-se afirmar, no entanto, que, no governo Dilma, o seu poder relativo certamente teve alguma diminuição, em especial pela diminuição das taxas de juros oficiais.

Ocorre que só se poderá asseverar a constância de um novo padrão de regulação a partir de uma estabilização mais duradoura. Os próximos anos é que confirmarão tal estabilidade. Mas, mesmo que essa nova fase de regulação produtiva venha a se firmar, ela não se dará como uma vitória majoritária contra o mundo das finanças.

Em toda a história recente das economias capitalistas, um maior poder regulador da produção revela-se, no máximo, como um predomínio relativo: é o mundo rentista que tem estruturado as grandes estratégias do capitalismo. Mas é aí que se verificam os atritos econômicos mais nevrálgicos do momento. As grandes lutas entre os interesses das variadas frações do capital estão em operação, ainda que quase ocultamente, nas disputas internas do governo Dilma.

Há luta de classes dentro do governo Dilma?

Como há em todos os governos do mundo. Os Estados capitalistas têm por característica o seu assentamento tanto em formas necessárias quanto em ações sociais contraditórias.

Frações do capital e grupos sociais orbitam pelo Estado, disputando poder. As dinâmicas do capital são sempre variadas, porque assentadas em muitas classes, grupos e múltiplas lutas, em geral realizando amálgamas e tentando operar alguma neutralização dessas mesmas contradições.

Nessa busca de média, típica dos nossos tempos, o que define os governos, então, é a eventual polarização dentro do próprio amálgama: a favor de qual parcela do capital, se nacionalista ou não, se a favor dos movimentos sociais e de quais deles.

Mas é preciso separar a análise das lutas de nosso tempo em dois planos. É verdade que o presente se mede a partir de um falso apaziguamento das contradições e, dentro desse contexto, pelas eventuais torções e inclinações internas. Mas, no longo prazo, a política do mundo capitalista em crise será julgada pela sua capacidade ou não de superar as próprias formas do capitalismo.

Por que o sr. escreveu esse livro?

Nas últimas décadas, o capitalismo deleitou-se com os louros de um mundo acuado e desesperançado, no qual os aplausos vieram tanto dos exploradores glorificados quanto dos explorados fragilizados.

Pensar a crítica e a superação tem sido tarefa inglória. Até a universidade e a intelectualidade se estabeleceram sobre novos patamares, de horizonte curto e conservador, limitado à ambiência do bom-tom acadêmico que reproduz o mundo exatamente como ele está.

Era preciso captar a teoria política crítica no patamar mais alto no qual foi abandonada mundialmente nas últimas décadas, para, a partir dela, avançar. É necessário falar o inesperado e o angustiante num mundo no qual a angústia existe e é cada vez maior, mas não sabe o que falar nem tem voz.

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Leia resenha crítica do sociólogo João Alexandre Peschanski (editor-adjunto da Boitempo), clicando aqui

Leia texto entusiasmado do filósofo Slavoj Žižek, clicando aqui.

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Sobre o autor

Alysson Leandro Mascaro, jurista e filósofo do direito brasileiro, nasceu na cidade de Catanduva (SP), em 1976. É doutor e livre-docente em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo (Largo São Francisco/USP), professor da tradicional Faculdade de Direito da USP e da Pós-Graduação em Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de fundador e professor emérito de muitas instituições de ensino superior. Publicou, dentre outros livros, Filosofia do direitoIntrodução ao estudo do direito, pela editora Atlas, e Utopia e direito: Ernst Bloch e a ontologia jurídica da utopia, pela editora Quartier Latin. É o prefaciador da edição brasileira de Em defesa das causas perdidas, de Slavoj Žižek, e da nova edição de Crítica da filosofia do direito de Hegel, de Karl Marx, ambos lançados pela Boitempo.

Filósofo do direito especialista na obra marxiana, Alysson Leandro Mascaro apresentou aulas em todas as edições do Curso Livre Marx Engels, organizados pela Boitempo. Confira abaixo as aulas da primeira (2008, PUC-SP) e terceira (2012, Sindicato dos Bancários de São Paulo) edição do curso.

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Debate de lançamento de Estado e forma política no Sindicato dos Bancários

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Será realizado no sábado 18 de maio, às 10h30, debate de lançamento de Estado e forma política no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (Rua São Bento, 413 – próximo à estação de metrô São Bento). Confirme sua presença na página do evento no Facebook!

Treze de maio de 2013

13.05.14_Treze de maio de 2013_Urariano MotaPor Urariano Mota.

No café da manhã, minha mulher lembrou que ontem foi treze de maio. Não fosse a sua lembrança, eu não escreveria esta crônica.

Os primeiros trezes de maio que lembro, em mistura aos goles do café, me vêm do Ginásio Ipiranga na infância. Olho para o lado agora como se nada visse, assim como os colegas negros em 1961 olhavam de lado, ou baixavam os olhos, ao ouvirem a lição lida em voz alta no livro didático:

“ABOLIÇÃO DA ESCRAVIDÃO – A escravidão negra foi introduzida no Brasil em 1550. Não tendo os portugueses conseguido escravizar os índios para obrigá-los a trabalhar na lavoura, resolveram utilizar negros africanos nessa tarefa…”

E mais adiante, todos haviam que decorar a resposta certa da pergunta no questionário: “Por que foi introduzida a escravidão negra no Brasil?”. Ora, respondíamos todos (negros, brancos e mulatos), “porque os portugueses não conseguiram escravizar os índios para obrigá-los a trabalhar nas lavouras”.

O espaço daquele aprendizado era um círculo fechado, redundante: os índios não quiseram trabalhar como escravos, daí que a solução foi importar negros da África. E, naturalmente, os negros foram escravizados porque os índios eram rebeldes. Então, para dar substância ao círculo, era ensinado que os negros vinham mansos, passivos, cordatos, porque assim era a sua natureza, ser negro e escravo em uma só pessoa. Então os meus antigos colegas olhavam de lado.

É interessante notar que no Brasil de 1961, negros eram os meninos de pele mais escura que a nossa. Negros eram os meninos de cabelo mais duro que o nosso. Negro não era uma raça, era uma cor do lápis de cor, ou a cor do grafite em toda a pele. E por isso líamos todos as lições que confirmavam a exclusão geral, como se fosse uma exclusão particular de outros, dos outros negros:

“A PRINCESA ISABEL ASSINA A LEI ÁUREA – … A Regente vai lançar o nome no pergaminho, quando, em nome do povo, recebe uma caneta de ouro, cravejada de pedras preciosas. E é com a bela caneta de ouro que assina a lei que a Nação enternecida cognominou de ‘áurea’. Da rua, a multidão, em altos brados, exige a presença de Isabel. E a Princesa aparece à janela, tendo ainda na mão a pena com que acabou de dar liberdade à raça negra do Brasil. Na praça inteira, o povo agita os braços festivamente, bradando em coro, em pleno delírio: – Redentora! Redentora! Redentora!…”

Um dia ainda vou escrever sobre o grande mal que esse tipo de educação fez a todos nós. Uma educação mitificadora, preconceituosa, de omissões e mentiras. Todos nós aprendíamos um Brasil sem conflitos e sem história. Aprendíamos um Brasil ideal para as sinhazinhas prendadas. Lá na sala de aula, em todos os trezes de maio nos virávamos para os negros, para os de pele mais escura que a nossa. Os meus colegas, os meus amigos, incapazes de uma resposta plena da rebeldia dos quilombos, baixavam os olhos. Os meus irmãos de pele e coração às vezes sorriam, sorriam com o seu riso mais branco que os detergentes da televisão, sorriam só com os dentes brancos, quando ouviam: “hoje é teu dia, negão”.

E com isso passávamos adiante a formação da escola burra, uma escola que passava o apagador até mesmo em nossa história familiar de negros, com a pregação da redentora Princesa Isabel, Santa Isabel, que libertara os negros do Brasil. Somente muitos anos depois, em São Paulo, vi um treze de maio diferente. Em 1978, vi um treze de maio de negros de todas as cores, de todas as raças, que repunham em lugar da salvadora dos pobres negrinhos um orgulho e uma disposição de puxar o véu da história.

Mas então já não estavam ao meu lado os colegas do Ginásio Ipiranga. Aqueles, de pele mais escura que a minha, que baixavam os olhos. Eles haviam carregado para o resto de suas vidas as lições de perguntas fechadas e respostas prontas. Quem salvou os negros do Brasil? Os antigos colegas sabiam na ponta da língua. E por isso viraram médicos medíocres, funcionários servis, engenheiros mesquinhos, indivíduos sem humanidade que mantêm distância dos negros mais pobres.

Vocês não sabem o quanto é bom ter chegado a este 13 de maio em 2013, agora, quando as novas gerações sorriem e zombam da redentora, da princesa que salvou os negrinhos de alma branca. Viva este novo tempo. Do meu canto, saúdo com um cafezinho negríssimo todos os negros. Todos negros, claros, mulatos, brancos e homens livres do Brasil.

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Soledad no Recife, de Urariano Mota, já está à venda em versão eletrônica (ebook), por apenas R$10. Para comprar, clique aqui ou aqui.

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Urariano Mota é natural de Água Fria, subúrbio da zona norte do Recife. Escritor e jornalista, publicou contos em Movimento, Opinião, Escrita, Ficção e outros periódicos de oposição à ditadura. Atualmente, é colunista do Direto da Redação e colaborador do Vermelho. As revistas Carta Capital, Fórum e Continente também já veicularam seus textos. Autor de Soledad no Recife (Boitempo, 2009) sobre a passagem da militante paraguaia Soledad Barret pelo Recife, em 1973, e de O filho renegado de Deus (Bertrand Brasil, 2013), uma narração cruel e terna de certa Maria, vítima da opressão cultural e de classes no Brasil. Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.

Lançamento Boitempo: 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma, organizado por Emir Sader

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A Boitempo Editorial lança hoje, em coedição com a FLACSO Brasil, a coletânea de artigos 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma, organizado por Emir Sader. O livro será debatido hoje, às 19h, no Centro Cultural São Paulo, por Lula, Marilena Chaui, Marcio Pochmann e Emir Sader (mais informações abaixo).

Leia o texto de orelha escrito por  Maria Inês Nassif:

Na última década, o Brasil percorreu tão rapidamente caminhos desconhecidos em sua história que ainda não se deu conta de que uma nova geração já perdeu a referência do passado. Antes, a realidade desse país deprimido por um histórico complexo de vira-latas era caracterizada por desigualdade social crônica, inserção na política internacional nula e, sobretudo, desambição e um ceticismo em relação ao futuro.

O brasileiro jovem já incorporou à sua vida a educação superior, o direito ao emprego formal, a possibilidade de ascensão social e, sobretudo, uma vida sem fome. A maioria das crianças cujas famílias ascenderam das classes mais miseráveis nesses dez anos nunca passou por uma realidade de fome como a vivida por seus pais. E a maioria dos jovens que hoje ocupa os bancos das universidades superou uma situação de miséria na tenra infância e terá a oportunidade de dar aos seus filhos uma infância muito melhor que a que teve.

Dez anos após o início do governo de Luiz Inácio Lula da Silva, em 1o de janeiro de 2013, a inteligência brasileira de esquerda vive também um momento único: o de refletir sobre o que deu certo nesse período. O outro dado novo na vida desse segmento do pensamento brasileiro é o de que ele se debruça sobre os desafios do futuro com a perspectiva de uma segunda década de continuidade de gestões progressistas, conquistadas pelo voto direto e secreto. Neste momento histórico, também a via democrática, opção feita pelas esquerdas brasileiras na década de 1980, está em debate depois de uma década de grandes acertos viabilizados por uma trajetória de luta, é certo, mas fundamentalmente pela intuição e pragmatismo do presidente eleito por essas forças.

Este livro se inicia com uma entrevista com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e reúne reflexões de alguns dos melhores pensadores brasileiros. É uma proposta de aprofundamento das discussões sobre os governos Lula e Dilma Rousseff pela ótica progressista e pela perspectiva da continuidade. 

O debate é fundamental para o futuro. Como diz Lula no primeiro capítulo, “não se muda gerações de equívocos em apenas uma geração”. Isso requer ainda muita reflexão e muito trabalho.

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Não perca o debate de lançamento de 10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil, na próxima segunda feira, dia 13, às 19h. O evento contará com a presença de Marilena ChauiMarcio PochmannEmir Sader e o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva, todos colaboradores do livro. Aberto ao público, o evento é gratuito e não requer inscrição. Senhas para entrada serão distribuídas a partir das 18h, no local do evento.

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Serviço

Debate de lançamento de
10 anos de governos pós-neoliberais no Brasil: Lula e Dilma

com Lula, Marilena Chaui, Marcio Pochmann e Emir Sader
13/05 | Segunda-feira | 19h
CCSP | Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000 | Liberdade | São Paulo | SP
Retirada de senhas para entrada a partir das 18h, no local.

O livro estará a venda com preço especial no evento e, a partir da segunda quinzena de maio, disponibilizado gratuitamente em versão eletrônica (ebook). Saiba mais sobre o livro aqui.

Jardim dos sonhos

13.05.10_Jardim dos sonhos_Roniwalter JatobáPor Roniwalter Jatobá.

Já morei em muitos lugares de São Paulo. Na Rua Raquela Sinopoli, em São Miguel Paulista, vivi três anos duros, mas felizes. Conhecia os arredores como o quintal de minha antiga casa rural e nem tinha receio de caminhar no meio das ruelas nas madrugadas frias. Volto sempre ali, àquele pedaço do bairro que parece submerso pela sombra da fábrica de química. Anos se passaram e tudo permanece igual. A única grande diferença é apenas o calçamento da rua, que recebeu uma camada fina de asfalto, protegendo seus moradores da poeira ou da lama. A casa onde dormia também recebeu uma camada de tinta amarela, fizeram um galpão escondendo a pequena sala, eliminando de mim pequenas nostalgias.

Fui também um feliz habitante da Bela Vista, nas imediações da Santo Antônio, embora a cidade do lado de cá tivesse outro ritmo. Anos atrás, havia do outro lado da minha rua um grande terreno baldio, cheio de mato. Numa manhã, porém, chegaram caminhões, tratores e operários. Cercaram tudo. Por algum tempo, fiquei sem ver o que faziam, apenas ouvia o enervante barulho de uma possível construção.

Tudo despertava minha curiosidade. Aí, na imaginação de gente interiorana, pensei no melhor. Talvez estivessem querendo fazer um jardim e esse pensamento me deixava muito contente. Sim, um jardim ficaria bem naquele local, principalmente se fossem plantadas muitas árvores, flores e grama. Sim, uma praça que pudesse acomodar os habitantes de tantos prédios que se ergueram ao redor. Pensava ainda que era preciso construir vários bancos para os indispensáveis casais de namorados.

Toda noite, após cumprir as horas profissionais – naquela época na Editora Abril –, começava a sonhar com o jardim. Solitário na metrópole, trazia à mente a primeira namorada, Edna, uma professora de olhos claros. Mais velha e naturalmente carinhosa, em sua companhia descansava na grama verde e macia, mãos entrelaçadas, olhos nos olhos, como noites escuras da Rua do Cais, na longínqua cidade de Campo Formoso.

– Vou ensinar para você tudo o que aprendi na minha rica infância – eu dizia para ela no sublime silêncio noturno do jardim –  Mostrarei todas as coisas simples que aprendi quando era menino, quando tudo à minha volta era árvore e flor e grama. Já subiu numa mangueira agarrando os longos galhos quase pousados no chão? Você vai aprender, pois tudo se aprende.

Toda noite sonhava com o jardim. Acreditava até que, pelas grandes dimensões do terreno, ainda haveria lugar para pequenos lagos e, sobre eles, pontes ingênuas e românticas. Sobre elas, os visitantes urbanos poderiam ver cardumes com movimentos ágeis, gulosas e coloridas carpas espelhando na quietude da água cristalina.

Juro que, por muito tempo, já podia ver as crianças do bairro, dos prédios em frente, soltando nos lagos pequenos barcos de brinquedo ou de papel. Já podia até ver mães alegres e despreocupadas com filhos, que corriam nos campos de areia ou de futebol de salão. Imaginava outra a luz do sol, plantas fechadas em seus silêncios.

Numa noite fria, recebo uma querida amiga em meu apartamento. Bebemos vinho e alegria. No silêncio da noite, falamos de coisas agradáveis. Na cama, ela pergunta porque ando tão alegre. Digo que, nos últimos tempos, tenho visto a cidade com outros olhares. Falo de um jardim, que espero em breve nascer quase ao lado do prédio residencial.

– Não acredito que você está falando daquele terreno do outro lado da rua, aqui em frente? – ela pergunta.

– Sim, aquele mesmo.

– Você é tão inocente – ela acaricia meus cabelos.

– Por quê?

– Ali não vai ter jardim nenhum. Ali, tenho certeza, vão erguer oito prédios de apartamentos – e ri da minha tola esperança.

– Tem certeza? – ainda duvido.

– Sinto muito, meu querido, mas a vida é assim – ela afirma depois de beber um gole da bebida.

Bebo também mais um pouco de vinho. Cubro a amiga com o cobertor, enquanto acaricio seu corpo. Naquela noite, ao adormecer ao lado de Lúcia, o cronista havia prometido acreditar por mais algum tempo no jardim dos sonhos, embora me sentisse, naquela hora, bestamente sentimental. 

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Roniwalter Jatobá nasceu em Campanário, Minas Gerais, em 1949. Vive em São Paulo desde 1970. Entre outros livros, publicou Sabor de química (Prêmio Escrita de Literatura 1976); Crônicas da vida operária (finalista do Prêmio Casa das Américas 1978); O pavão misterioso (finalista do Prêmio Jabuti 2000); Paragens (edidado pela Boitempo, finalista do Prêmio Jabuti 2005); O jovem Che Guevara (2004), O jovem JK (2005), O jovem Fidel Castro (2008) e Contos Antológicos (2009). Colabora para o Blog da Boitempo mensalmente, às sextas-feiras.

“A obra mais importante do pensamento político marxista nas últimas décadas”: Slavoj Žižek escreve sobre “Estado e forma política”

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A Boitempo Editorial lançou esta semana (na abertura do IV Curso Livre Marx Engels) o livro Estado e forma política, escrito pelo jurista e filósofo do direito Alysson Leandro MascaroO livro chega às livrarias a partir da próxima semana e será lançado em breve em versão eletrônica (ebook).

Leia resenha crítica do sociólogo João Alexandre Peschanski (editor-adjunto da Boitempo), clicando aqui

Leia abaixo texto entusiasmado do filósofo Slavoj Žižek, escrito para a quarta capa do livro:

Marx disse que o segredo da mercadoria não reside em algum conteúdo escondido sob sua forma, mas em sua própria forma. Estado e forma política, de Alysson Leandro Mascaro, não aponta na mesma direção?

Muito se escreve hoje em dia sobre a mudança do papel do Estado: daqueles que o consideram como um instrumento de regulação dos excessos do neoliberalismo àqueles que o descartam, vendo-o como um instrumento de dominação e opressão a ser superado por alguma forma de democracia direta. No entanto, todas essas abordagens caem na armadilha fetichista de lidar com diferentes funções e usos do Estado, desconsiderando as suas implicações fundamentais como uma forma política, ou seja, como a forma-Estado em si, para além de seu conteúdo (os interesses que representa etc.), tem implicações políticas fundamentais.

O livro de Mascaro foca-se precisamente nessa dimensão crucial e, por isso, é simplesmente a obra mais importante do pensamento político marxista nas últimas décadas — um trabalho que fornece a estrutura conceitual básica para lidar com o tema do Estado. Um trabalho histórico que mudará todo o seu campo de estudo e estabelecerá seus próprios padrões!

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Sobre o autor

Alysson Leandro Mascaro, jurista e filósofo do direito brasileiro, nasceu na cidade de Catanduva (SP), em 1976. É doutor e livre-docente em Filosofia e Teoria Geral do Direito pela Universidade de São Paulo (Largo São Francisco/USP), professor da tradicional Faculdade de Direito da USP e da Pós-Graduação em Direito da Universidade Presbiteriana Mackenzie, além de fundador e professor emérito de muitas instituições de ensino superior. Publicou, dentre outros livros, Filosofia do direitoIntrodução ao estudo do direito, pela editora Atlas, e Utopia e direito: Ernst Bloch e a ontologia jurídica da utopia, pela editora Quartier Latin. É o prefaciador da edição brasileira de Em defesa das causas perdidas, de Slavoj Žižek, e da nova edição de Crítica da filosofia do direito de Hegel, de Karl Marx, ambos lançados pela Boitempo.

Filósofo do direito especialista na obra marxiana, Alysson Leandro Mascaro apresentou aulas em todas as edições do Curso Livre Marx Engels, organizados pela Boitempo. Confira abaixo as aulas da primeira (2008, PUC-SP) e terceira (2012, Sindicato dos Bancários de São Paulo) edição do curso.

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IV Curso Livre Marx Engels: ainda há vagas!

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Os interessados que não se inscreveram ainda podem acompanhar as últimas aulas do IV Curso Livre Marx Engels, que vai até a quarta-feira dia 15 de maio. Para se inscrever no Curso, basta comparecer ao Teatro Paulo Autran (R. Paes Leme, 195 – próximo à estação Pinheiros do metrô) a partir das 14h de terça-feira (14/05).

Conheça a programação completa e saiba mais no site do projeto Marx: a criação destruidora.

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Debate de lançamento de Estado e forma política no Sindicato dos Bancários

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Será realizado no sábado 18 de maio, às 10h30, debate de lançamento de Estado e forma política no Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região (Rua São Bento, 413 – próximo à estação de metrô São Bento). Confirme sua presença na página do evento no Facebook!