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O macho e o cu

23/04/2026 // 8 comentários

Douglas Barros: "O que a fala de Paulo Galo revela é justamente um imaginário do trabalhador cuja genealogia se liga à noção protestante do que é ser trabalhador. Numa sociedade como a brasileira – cujas raízes coloniais permanecem operando os modos de distribuição dos corpos – esse trabalhador imaginário será branco, e sua sexualidade, marcada pela normatividade. Quem dá o cu, supostamente, não trabalha." [...]

Só há um mundo: cinco hipóteses contra a falência da crítica e por um novo horizonte comunista 

20/03/2026 // 1 comentário

Douglas Barros: "Existe uma multiplicidade de formas de habitar o mundo. Mas o mundo mesmo é apenas um: não como uma unidade homogênea que apaga as diferenças, mas como o campo comum de realidade histórico-material dentro do qual diferentes coletivos humanos estabelecem relações, conflitos e trocas simbólicas. Capturar essa tensão também implica compreender que multiplicidade e unidade não são dicotomias fechadas, mas antagonismos recíprocos que se retroalimentam" [...]

Alguém disse materialidade? 

13/02/2026 // 1 comentário

Acompanhe um diálogo entre Douglas Barros e Natan Oliveira em torno desse tema tão controverso: "Na crítica da economia política, Marx amplia decisivamente a noção de materialidade ao mostrar que ela reside também nas formas sociais. Há toda uma estrutura social complexa e oculta que constitui a experiência mais imediata no capitalismo." [...]

Contra Nego Bispo

21/01/2026 // 41 comentários

Douglas Barros escreve sobre manifestações contemporâneas da filosofia irracionalista: "A novidade do século XXI é que grandes frações da esquerda – que, por motivos políticos e/ou ideológicos, abandonaram a reflexão crítica – reatualizaram, a seu modo 'progressista', uma gramática reacionária maldisfarçada de radical." [...]

“O que é identitarismo?”, um ano depois

19/12/2025 // 2 comentários

Douglas Barros: "Se antes o identitarismo era visto como um ato conscientemente escolhido, com os debates travados ao longo de um ano o termo passou a ser compreendido como o resultado de uma transformação radical da vida social no capitalismo hipertardio. Se antes era imediatamente lançado na conta dos movimentos sociais, passou a ser entendido como um sequestro de pautas legítimas e seu adestramento à lógica do mercado." [...]

Asad Haider oxigenou um debate dominado pelo identitarismo

09/12/2025 // 1 comentário

Douglas Barros escreve sobre falecimento precoce de Asad Haider e seu legado: "Baseada em uma narrativa fragmentada e em um subjetivismo atravessado pelo relato individual, a armadilha da identidade é a instauração de uma visão governada por fronteiras imaginadas que o próprio mundo objetivo, organizado pela exclusão, pela desigualdade e pela violência, produziu. Aí reside todo o perigo." [...]

A paz (que nunca houve) acabou  

06/11/2025 // 1 comentário

Douglas Barros: "Apesar da aparente mesmice, trata-se, afinal, de um novo regime de violência: uma redefinição do jogo traduzida na aceitação, por parte do progressismo, dos limites redefinidos pela extrema direita. Aceitou-se a gramática da guerra. Mal os corpos eram expostos pelos familiares, Lula sancionava o projeto de lei de autoria de Sergio Moro." [...]

Diário de um intelectual de Terceiro Mundo: a Revolta do Contestado

24/07/2025 // 2 comentários

Douglas Barros viaja ao interior do Paraná para uma conferência e descobre as marcas da maior guerra civil camponesa do Brasil: "Não podemos esquecer que as cidades modernas, construídas como suporte da mercadoria, foram projetadas também como lugares de esquecimento (...). À medida que a estrada era atravessada, mais se desnudava para mim uma realidade histórica invisibilizada pelas mesmas elites de sempre." [...]

Luis Felipe Miguel e a seletividade penal 

25/06/2025 // 2 comentários

Douglas Barros debate com artigo recente de Luis Felipe Miguel: "No seu discurso, as facções são quase objetos etéreos: o domínio de um território é quase uma contingência não delimitada pela história nem sequer pela forte relação simbiótica que as facções têm com o Estado. E, portanto, é como se a reprodução cultural pudesse escapar do seu lugar de produção." [...]

Nem afropessimismo, nem decolonialismo! 

07/05/2025 // 1 comentário

Douglas Barros: "Kevin Ochieng Okoth, em 'África vermelha', resolve torcer o parafuso da questão: o neoliberalismo não é apenas uma racionalidade que impõe a semântica dos movimentos sociais sequestrando a identidade racial, como também é uma prática política que organizou um novo mecanismo imperialista." [...]