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Será que Marx era estiloso? Entrevista com Vincent Berthelier

27/03/2026 // 1 comentário

Vincent Berthelier: "O estilo, em Marx, adquire diferentes formas de expressão e essas formas remetem tanto a tarefas políticas distintas, quanto a problemas políticos difíceis de resolver. Eu não sou obviamente o primeiro a formular estas questões: elas já foram abordadas por outros críticos. Meu objetivo era também o de propor uma síntese. Mas, sobretudo, tratava-se de entrar não somente no pensamento de Marx – sobre o qual há bibliotecas inteiras – mas naquilo que seu estilo desenha como trajetória de engajamento." [...]

Misoginia digital: o ataque às mulheres como tática política

27/03/2026 // 1 comentário

Thais Klein: "Vale lembrar que as mulheres são maioria do eleitorado. Isso significa que o ataque às mulheres não é apenas expressão de ódio, mas também tentativa de incidir sobre um campo político concreto, de desestabilizar, intimidar, silenciar. A violência de gênero, nesse contexto, não é exterior à democracia – ela a atravessa e a ameaça." [...]

Sopravento: crise política e conflito social no Brasil pós-2013

27/03/2026 // 1 comentário

Daniela Mussi: "O problema estratégico da forma petista de governar – e que a esquerda, em larga medida, aprendeu não apenas a reconhecer, mas também a naturalizar – reside no fato de que ela se orienta por uma dupla soberania. Trata-se de uma forma de exercício do poder que busca simultaneamente responder às expectativas de sua base social e às exigências de reprodução da ordem institucional e econômica vigente." [...]

Um manual para conhecer Walter Benjamin

26/03/2026 // 1 comentário

Jeanne Marie Gagnebien: "Querido diferencia com razão a diversidade e a amplitude do pensamento de Benjamin, que o tornam ao mesmo tempo inclassificável e sedutor, da pecha de incoerência ou mesmo de contradição. Nesse percurso, procura seguir um “fio vermelho” na obra labiríntica de Benjamin, “um pensamento destrutivamente produtivo”. [...]

O feminismo não é wokismo 

24/03/2026 // 1 comentário

Marcela Magalhães: "Nas últimas semanas, o caso Epstein voltou ao centro da cena mundial como uma radiografia da economia política da impunidade. Uma rede de exploração sexual incrustada nas elites, sustentada por dinheiro, prestígio, intermediários e pela cumplicidade ativa de aparelhos institucionais que deveriam proteger a vida, mas que operaram e seguem operando, na prática, para proteger patrimônios, reputações e alianças. O que se escancara ali é um mecanismo de impunidade de classe: tem gente que consegue violentar por décadas e seguir intacta." [...]

Socialismo após a IA 

23/03/2026 // 1 comentário

Evgeny Morozov: "A IA surge como uma tecnologia cujos usos são descobertos após a implantação, cujos limites são porosos e cujos efeitos colaterais aparecem em lugares para os quais ninguém os projetou. ‘Generativa’ não é apenas uma palavra de marketing; ela nomeia uma instabilidade genuína. Para os socialistas, essa instabilidade coloca um desafio específico, exigindo mais do que redistribuição." [...]

O cinema inerente de Paul Thomas Anderson

21/03/2026 // 1 comentário

Alysson Oliveira: "Os prêmios são bem-vindos, mas não que ele precisasse deles para provar que é um dos maiores cineastas da atualidade. Sua carreira em longas começou há exatos 30 anos, com Jogada de Risco, um drama independente que já ensaiava suas marcas-registradas como diretor – seja no seu interesse por personagens à margem ou o uso da música, por exemplo. Mas, mas do que isso, em sua filmografia, Anderson é um cronista da história do seu país sob a estrutura de sentimento da pós-modernidade." [...]

Só há um mundo: cinco hipóteses contra a falência da crítica e por um novo horizonte comunista 

20/03/2026 // 1 comentário

Douglas Barros: "Existe uma multiplicidade de formas de habitar o mundo. Mas o mundo mesmo é apenas um: não como uma unidade homogênea que apaga as diferenças, mas como o campo comum de realidade histórico-material dentro do qual diferentes coletivos humanos estabelecem relações, conflitos e trocas simbólicas. Capturar essa tensão também implica compreender que multiplicidade e unidade não são dicotomias fechadas, mas antagonismos recíprocos que se retroalimentam" [...]

Os três figurinos e a política de Fernando Haddad

19/03/2026 // 1 comentário

Pedro Micussi e Thiago Aguiar: "Haddad responde às questões propostas apresentando-se em três figurinos: por vezes, surge o primeiro, o analista, a indicar os constrangimentos estruturais que justificam as escolhas ortodoxas e fiscalistas do segundo, o ministro; noutras, aparece o terceiro, o dirigente político, que indica o pragmatismo necessário para “empurrar o vagão” na direção certa. Fica a impressão, porém, de que os três não podem vestir o mesmo personagem: um deles sempre termina excluído. Para avaliar as posições do entrevistado, no entanto, é fundamental analisar concretamente o governo Lula e a política econômica adotada pelo ministro: trata-se realmente de uma alternativa ao neoliberalismo?" [...]