Gregório Bezerra, presente!

ACDSee print jobPor Duda Quadros.

Uma das maiores emoções de minha vida foi ter tido a oportunidade de compartilhar alguns momentos com Gregório Bezerra. Lembro-me bem de sua figura ao entrar em nossa casa na praia de Pau Amarelo (1979-1980). Lembro-me da festa que foi feita naquela casa em Apipucos, quando repentistas cantavam sua história. E depois, aos 14 anos de idade, a possibilidade que tive de andar em vários momentos com Gregório e Tio Mano durante a Campanha de 1982, além das atividades em Recife, com Roberto [Arrais] candidato a vereador, quantas situações, inclusive o incêndio no comitê. Vi em cidades da Zona da Mata, cenas que até hoje me emocionam e que, ao ler sua mensagem, faz minhas lágrimas molharem o teclado do lap top.

Pude ver a firmeza e a doçura de Gregório. Pude sentir o amor entre ele e o Povo simples, os camponeses… E pude presenciar o ódio dos “donos” do poder…

Mas, permitam-me compartilhar uma das lembranças que é mais forte em minha história com Gregório, que ocorreu exatamente quando o conheci, aos meus dez anos de idade:

Quando Gregório retornou em 1979 foi marcado um almoço na casa de meus avós, na praia de Pau Amarelo (Paulista-PE), onde eu passava férias. Naquele dia fiquei muito chateado pois ninguém me dava atenção – e eu era acostumado a ser o centro das atenções. Meus avós Naide e Bianor, estavam diferentes e a casa parecia um caos de gente às voltas com preparação de comidas, de bebidas, arrumação de mesa, enfim, ninguém me dava a mínima. Eu, claro, comecei a aprontar das minhas peraltices de criança. Mais tarde, começam a aparecer algumas figuras que me eram conhecidas, dentre elas uma inesquecível amiga da família (com quem tive outros vários importantes momentos em minha vida futura), Odete Vasconcelos (Detinha).

Ao me ver naquela chateação, Detinha, me chama carinhosamente e, sentando-se na velha cadeira de balanço de vóinha, me põe em seu colo e começa a conversar me explicando:

– Dudinha, você sabe quem está vindo hoje aqui?… Veja, hoje vovó Naide e vovô Bianor estão recebendo um grande amigo, uma pessoa muito importante para todos nós… Veja, você não gosta tanto dos heróis da TV? Você não adora brincar de Tarzan? Pois bem, Dudinha, esses heróis são feitos para nossa imaginação, para a gente sonhar e brincar. Mas hoje você vai conhecer um herói de verdade, uma pessoa que é um herói para o nosso povo… E é por isso que está todo mundo nesse alvoroço, por que vamos receber esse amigo que passou muito tempo longe daqui.

E então ela completa, comigo ao seu colo na velha cadeira de balanço:

– Dudinha, um dia você vai ter a honra de fazer o que eu estou fazendo agora com você. Um dia você vai pôr seus filhos, seus netos em seu colo e vai poder dizer a eles:

– Eu conheci um herói de verdade! Um herói do nosso povo, eu conheci Gregório Bezerra!

Então, hoje, 34 anos depois eu digo:

EU CONHECI UM HERÓI DE VERDADE! UM HERÓI DO NOSSO POVO, EU CONHECI GREGÓRIO BEZERRA!!!

GREGÓRIO BEZERRA, PRESENTE!!!

Fortaleza, 13/03/2013

***

Em 2011, a Boiempo publicou Memórias, a autobiografia completa de Gregório Bezerra. No livro, acrescido de fotografias e textos inéditos, o líder comunista repassa sua impressionante trajetória de vida documentando um rico período história política brasileira. De seu nascimento, em 1900, passando pela libertação da prisão em troca do embaixador americano sequestrado, em 1969, até sua chegada à União Soviética, onde permaneceria até a Anistia, em 1979. No exílio começou a escrever as Memórias. A versão eletrônica (ebook) está à venda por metade do preço do livro impresso aqui


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