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Cultura inútil: Romanos comiam rabudos

14.12.17_Mouzar Benedito_Romanos comiam rabudosPor Mouzar Benedito.

Muita gente se horroriza com hábitos alimentares de certos povos. E quase todo mundo tem nojo ou medo de rato. Mas há exceções. No Sertão nordestino, nas grandes crises de fome, há muitas histórias de gente caçando rato para comer. Lá, chamam rato de “rabudo”. Na viagem de volta ao mundo, de Fernão de Magalhães, houve uma calmaria no Oceano Pacífico, não havia ventos e as caravelas não andavam, não chegavam a lugar nenhum, e a comida acabou. Não sobrou um rato nas caravelas, comeram todos, depois passaram a comer as botinas deixadas de molho um tempão na água pra amaciar. Em Roma, ratos silvestres eram comido não por necessidade, era uma comida muito apreciada. Um acepipe. Muitos romanos criavam ratos silvestres em casa, colocando-os em gaiola e alimentando com sementes, até chegar o ponto em que eram abatidos e traçados com muito prazer.

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Comer lesma? Que nojo! Ora, a falta do que comer pode mudar esse conceito: numa crise no século XIX, na França, com a falta de comida, o povo apelou para os caracóis, e assim o escargô – nome do dito cujo em francês – passou a ser um prato requintado. Comeram tantos, e gostaram, que quase acabaram com eles. E começaram a criar para comer.

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Quando o Padre Cícero morreu, em julho de 1934, houve luto por todo o Nordeste. Mas uma mulher moradora de Palmeira dos Índios, em Alagoas, disse que ia usar luto sim, mas não pelo padre e sim pela sua cachorra que morreu na mesma época. Daí, diz a lenda, virou cachorra e passou a latir e a assombrar a região, ficando conhecida como “A cachorra de Palmeira”.

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O hábito de mastigar chiclete, quem diria, ajudou muito nas pesquisas sobre o povo maia. O chicle, matéria prima do chiclete, era obtido a partir da seiva do sapotizeiro. Trabalhadores que entravam nas selvas atrás de sapotizeiros para tirar a seiva acabavam encontrando ruínas maias cobertas pelo mato e passavam a informação aos arqueólogos.

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As primeiras escolas de farmácia no Brasil foram criadas em 1832, na Bahia e no Rio de Janeiro. Depois, vieram a de Ouro Preto, em 1837; a de Porto Alegre, em 1896; e a de São Paulo, em 1898.

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Até o fim do século XVII, as porcelanas legítimas só eram fabricadas pelos chineses. Havia imitações feitas na Itália, mas foi um saxão que conseguiu descobrir o “mistério” das porcelanas chinesas e fabricar peças verdadeiras pela primeira vez no Ocidente. É a porcelana de Dresden.

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Se você perguntar a um legítimo caipira o nome dos três reis magos, ele responderá: “Bartazá, Gaspá e Brechó”. Belchior vira Brechó na pronúncia caipira. Mas no Rio de Janeiro também havia um Belchior que ficou conhecido como Brechó, no século XIX. Ele abriu a primeira loja de objetos usados (inclusive roupas) da cidade, e por isso essas lojas passaram a ser chamadas de brechó. Dois sinônimos de brechó são hoje praticamente desconhecidos: adelo (ou adeleiro), de origem árabe, e brique-a-braque (do francês bric-à-brac).

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As tropas que depuseram Dom Pedro II e proclamaram a República levavam uma bandeira que era uma espécie de cópia da estadunidense, só que com as cores do Brasil, porque os republicanos não tinham ideia de uma bandeira republicana. Em seguida, Décio Villares desenhou uma bandeira de acordo com o que queriam os positivistas, incluindo o dístico “Ordem e Progresso”.

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O silenciador de arma de fogo foi inventado em 1909, pelo estadunidense Hiran Percy Maxim. Outro gringo, Jaime Ritty, inventou a caixa registradora em 1879.

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As sandálias havaianas foram lançadas em São Paulo, em 14 de junho de 1962. A empresa que a produzia deu esse nome porque, segundo informou, Havaí lembra sol, praia, calor e charme.

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Muitos cangaceiros tinham como apelidos nomes de aves brasileiras. Aí vão alguns deles: Xexéu, Andorinha, Coruja, Asa Branca, Beija-flor, Azulão, Azulão Segundo, Pássaro Preto, Sabiá, Mergulhão, Paturi, Passarinho, Gavião, Bem-te-vi, Juriti, Bicudo e Marreca. Outros tinham apelidos que dão ideia de terem sido brabos pra chuchu: Cobra Preta, Jararaca, Fato de Cobra, Moita Braba, Tempestade, Trovão, Casca Grossa e Lasca-Bomba. Em compensação havia uns que deviam ser bem bonzinhos: Criança, Cuscuz, Pensamento, Pirulito, Paizinho, Pai Véio e Bom Devéra.

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Basílio II de Constantinopla usava o cognome Bulgaroktonos, que significa “matador de búlgaros”. Em 1014, querendo acabar de vez com uma guerra iniciada havia quarenta anos, ele tinha quinze mil prisioneiros búlgaros e resolveu devolvê-los à Bulgária e avisou Samuel, o líder búlgaro, que seus soldados estavam sendo devolvidos. Mandou então cegar quase todos eles, deixando só 150 cegos de um olho só. Cada um desses tinha, então, que conduzir cem búlgaros cegos de volta à sua pátria. Samuel foi receber seus soldados de volta e teve um choque tão grande ao ver aquela cena que teve um derrame e dois dias depois morreu.

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Assim falou Mark Twain: “Cada um de nós é uma lua e tem um lado escuro que não mostra a ninguém”.

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Em 1851, houve um surto de febre amarela na região de Belém, capital do Pará. Segundo alguns moradores, antes do surgimento desse surto, em várias tardes sucessivas baixou um nevoeiro escuro, com ar pesado, e mau cheiro. Esse nevoeiro ia de rua em rua, contavam. Como para os indígenas tudo na natureza tem uma mãe (Cy, em tupi), e a presença da cultura indígena era forte na região, acharam que esse nevoeiro é que trouxe o surto, diziam que ele era a “mãe da peste”. Daí, provavelmente, surgiu a expressão que foi muito utilizada. Quem não ouviu dizer que “Fulano é mais feio do que a mãe da peste”?

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Segundo o censo de 1970, dos Estados Unidos, naquele ano havia 2.983 homens viúvos aos 14 anos de idade. E 289 mulheres com essa idade já eram viúvas ou divorciadas.

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Para construir o Canal do Panamá, os Estados Unidos provocaram a divisão da Colômbia, que não concordava com os termos que os gringos queriam impor. Assim, surgiu o Panamá, uma secessão da Colômbia, que aceitou o acordo desproporcional favorecendo os Estados Unidos. Foi criada uma “Zona do Canal” dominada pelos gringos, e nela o governo panamenho não tinha nenhum poder. Mas pelo acordo, a bandeira dos Estados Unidos na Zona do Canal seria substituída pela do Panamá, no dia 1o de janeiro de 1964, cinquenta anos depois da conclusão das obras. Em janeiro daquele ano, estudantes panamenhos tentaram substituir a tal bandeira, mas os gringos não aceitaram. Reprimiram violentamente, matando um número de panamenhos que varia conforme a fonte, de 15 a 28, e ferindo centenas. Mas o comandante militar dos Estados Unidos minimizou a coisa: “Só foram usadas balas de caçar pombos”.

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Em 30 de abril de 1912, foi assentado o último dormente da ferrovia Madeira-Mamoré, no atual estado de Rondônia. Cerca de 30 mil pessoas morreram na construção. Ela foi oficialmente inaugurada no dia 1o de agosto daquele ano. Em 10 de julho de 1972, locomotivas da estrada de ferro Madeira-Mamoré, em Rondônia, apitaram durante cinco minutos, despedindo da população: a ferrovia encerrava suas atividades.

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A sirene foi inventada pelo francês Charles Caignard de la Tour, em 1822.

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Algumas invenções que usamos no nosso dia a dia sem pensar que foram feitas por brasileiros: o escorredor de arroz, criado pela dentista Therezinha Beatriz Alves de Andrade; o bina (identificador de chamadas telefônicas), pelo mineiro Nélio José Nicolai… e quando fazemos ligações telefônicas a cobrar, nem pensamos que seu inventor é Adenor Martins de Araújo. Ah, o cartão telefônico usado no Brasil (é diferente do usado em outros países) foi criado na Unicamp, por Nelson Guilherme Bardini.

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Um narcótico muito eficaz produzido na Alemanha tinha uma marca inspirada na palavra herói, por seu efeito extraordinário. A marca comercial, em alemão, era Heroin. O termo entrou na linguagem científica no final do século XIX, mas a heroína acabou sendo proibida no mundo todo.

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A primeira vez que a seleção brasileira de futebol jogou com a camisa amarela foi em 1954, na Copa realizada na Suíça.

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O maior goleador de uma Copa só foi o francês Fontaine, que em 1958, na Suécia, marcou 13 gols… Quer dizer, francês entre aspas: ele nasceu no Marrocos. Era filho de um funcionário francês.

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O Olodum, bloco-afro do carnaval de Salvador, na Bahia, foi fundado em 25/04/1979, como opção de lazer aos moradores do Maciel-Pelourinho, garantindo-lhes o direito de brincar o carnaval em um bloco e de forma organizada. Depois da estréia, no carnaval de 1980, a banda conquistou quase dois mil associados e passou a abordar temas históricos relativos às culturas africana e brasileira. O primeiro LP da banda, chamado Egito, Madagascar, foi gravado em 1987 e estourou na Bahia, com a música Faraó.

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Quem introduziu a marcação de gado na América foi Hernán Cortez, o conquistador do México. Vaca ou cavalo marcado com três cruzes, todos sabiam: era dele. O costume se estendeu pelas pradarias de onde viria a ser o oeste dos Estados Unidos, onde o gado era criado solto.

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A América tem seu nome em homenagem ao navegador italiano Américo Vespúcio, que esteve por aqui a serviço da Espanha e de Portugal. Colombo, o “descobridor” da América, também era italiano, a serviço da Espanha. Cabot (cujo nome verdadeiro era Giovanni Caboto), comandou os primeiros navios ingleses que chegaram à América. Mas nenhuma embarcação italiana esteve na América na época.

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Em Roma, quando alguém casava, espalhava-se gotas de mel na soleira da casa dos noivos. Daí, passaram a chamar de lua-de-mel a primeira fase do casamento.

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Cada um dos cinco anéis entrelaçados que simbolizam os jogos olímpicos representa um continente. O azul representa a Europa, o preto a África, o amarelo a Ásia, o verde a Oceania e o vermelho a América.

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De 1959 a 1964, a Guerra do Vietnã era mais ou menos restrita aos Vietnãs do Norte (comunista) e do Sul (capitalista), embora houvesse apoio indireto da União Soviética ao Norte e dos Estados Unidos ao Sul. Em 4 de agosto de 1964, os Estados Unidos alegaram que torpedeiros do Vietnã do Norte haviam atacado navios estadunidenses no Golfo de Tonquim e entrou com tudo na guerra. A informação era falsa, só uma desculpa para sua intromissão direta. A guerra acabou se alastrando para os países vizinhos.

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Sempre que ia presidir reuniões oficiais em sua corte, a bela rainha Cleópatra, do Egito, usava barbas postiças.

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Você conhece um esporte chamado mintonette? Esse é o nome que Willian G. Morgan deu ao esporte que inventou em 1895, quando era diretor de educação física da Associação Cristã de Moços da cidade de Holyoke, Massachusetts, Estados Unidos. Na época, era moda um esporte criado quatro anos antes, o basquete, muito bom para jovens, mas cansativo demais para pessoas um pouco mais velhas. Por sugestão de um pastor, Morgan criou um esporte mais adequado para essas pessoas. No ano seguinte, o mintonette mudou de nome, passou a se chamar volleybol, é o vôlei de hoje. Em 1910, o Peru foi o primeiro país sul-americano a praticar o vôlei. O primeiro campeonato sul-americano de vôlei aconteceu no Brasil, na quadra do Fluminense, Rio de Janeiro, em 1951. O Brasil foi campeão masculino e feminino.

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O recorde de público do Pacaembu foi batido em 23 de maio de 1945, quando Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, estreou no São Paulo, contra o Corinthians, com 74.078 pagantes de ingressos. Leônidas, famoso pelos gols de bicicleta, tinha vindo de três temporadas de sucesso no Flamengo.

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A primeira mulher a tornar-se senadora no Brasil não tinha nada de progressista. Eunice Michiles, da Arena do Amazonas, era suplente e assumiu o lugar do titular, em 11 de maio de 1979.

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O nome do alfabeto cirílico, usado nos idiomas russo, bielorrusso, búlgaro, sérvio, cazaque e outros de países da antiga União Soviética, deve-se a São Cirilo, que viveu de 827 a 869. Ele e seu irmão, São Metódio, eram missionários e criaram esse alfabeto no século IX, usando caracteres de outras línguas, como o hebraico e o grego, para transcrever a Bíblia para línguas eslavas.

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Artéria significa “condutor de ar”. Esse nome foi dado pelo médico grego Praxágoras, que pensou que as artérias transportassem ar. Nos cadáveres, geralmente elas estão vazias.

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Rosário, poeta popular de Nova Resende, chamava seus poemas caboclos de “décimas”. Aí vai o trecho inicial de uma de suas décimas:

Cachaceiro entrô na venda,

Sentiu mágoa e chorô,

Quando o vendeiro disse

Que a cachaça cabô.

 

Ó, que notícia cruel,

Ó, que notícia tirana!

Num sei pra que tanto engenho,

Num sei pra que tanta cana!

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Assim disse Leon Tolstoi, horrorizado ao ver uma execução pública em Paris: “Jamais, sob qualquer circunstância, servirei a nenhuma forma de governo, seja lá qual for”.

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Ou clique aqui, para ver todas as outras colunas da série “Cultura inútil”, de Mouzar Benedito, no Blog da Boitempo!

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Tambeíba enchia o saco dos índios de língua tupi

14.11.02_Mouzar Benedito_Indios[Pictogramas na Cachoeira Resplendor, Pará]

Por Mouzar Benedito.

comentei neste blog sobre aves que existiam aqui antes da chegada dos portugueses, mas cujos nomes em língua tupi foram abandonados. É o caso, por exemplo, de beija-flor, pica-pau e joão-de-barro.

Mas isso não acontece só com aves. Muitos e muitos animais permanecerem com seus nomes tupis (como jacaré, cutia, capivara, paca…), mas alguns passaram a ser chamados por nomes não tupis. É o caso da cascavel, que em tupi é boicininga (palavra que significa cobra que chocalha) e do macaco-inglês, que tem o rosto bem vermelho, e recebeu este nome porque os ingleses que andavam sob o sol da Amazônia ficavam muito vermelhos também. Em tupi o nome dele é uacari (indivíduo velhaco).

Mico não é de origem portuguesa, mas também não é tupi, é genérico de macacos pequenos, vem de uma língua karibe. Aqui nós o chamamos também pelo nom tupi, que é sagui (olhos vivos), ou sauim (de sôo-in, bicho pequeno).

Mico-leão é considerado uma espécie de sagui, seu nome em tupi é saguipiranga ou sauimpiranga (sagui vermelho, mico vermelho).

Outro bicho nosso com nome português é o ouriço-cacheiro. Em tupi, seu nome é cuandu que significa ligeiro e rumoroso; ou cua (cintura) ndu (cauda capaz de pegar, segurar). Outra versão sobre seu nome é que ele significa “o que faz pavor na roça”. Mas parece que o mais lógico é que seu nome signifique mesmo “muitos espinhos”. Pode ser também cuim (compridinho ou língua pequena, ou inquieto). Uma espécie de ouriço-cacheiro é chamado de queiroá ou queiroã, que significa “espinhos eriçados”.

Lagartixa em tupi é aimberê (que é também nome de homem), palavra que significa aquele que se contorce. Já o bicho-preguiça tem um nome onomatopéico em tupi, é aí ou aígue. Nunca ouvi o som que ele emite, mas dizem que é esse.

O nome genérico de morcego é bopi (o que fura a pele), mas tem o andirá, que significa morcego que tem chifre.

Queixada é taiaçu ou tajaçu (dente grande) e também tacuité.

Carrapatos, gafanhotos e outros bichos

Quanto aos insetos, parece que os portugueses renomearam quase todos. Vamos ver alguns deles.

Gafanhoto em tupi é tucura (bicho voraz), e seu nome aparece, por exemplo, no nome do bairro paulistano do Tucuruvi (gafanhoto verde) e na usina de Tucuruí (rio do gafanhoto).

Louva-a-deus é caajara (senhor do mato) ou emboici (mãe da cobra). Libélula (também conhecida como lavadeira ou lavandeira, talvez por “morar” em rios) é jacina (deitada na lua) ou jacatinga, palavra que significa árvore fétida, mas no caso da libélula deve ser “o que tem a cabeça branca” ou “o que tem o peito branco”.

Carrapato é jatevoca (o que racha com o ferrão), jatebuca, jateúca, jatevu, jatiúca (jati é pontudo, jatiúca é o que finca a tromba), e tem o carrapato-estrela, que é chamado de jatebuçu (carrapato grande). Bicho-de-pé é tunga (o que come). Pulga é tungaçu.

E vocês pensam que índios não pegavam aquele bichinho desgraçado chamado chato? Ora, pegavam, sim, e seu nome em tupi é tambeíba (o que se apega aos pelos do també – e també, é o nome da xoxota). Mas é chamado também de quibarana (semelhante ao piolho), já que o nome de piolho é quiba.

Grilo é jaqui ou iaqui (irrrequieto, agitado). Mas aqui entra uma dúvida minha: cigarra, que para os índios não passa de um piolho grandão, é jaquirana (o que é semelhante ao piolho, e a tradução literal seria “semelhante ao grilo”). Mas a cigarra é chamada também de guaruçu, o que é muito esquisito porque guaru é peixe comilão.

E já que o assunto é piolho, a centopeia, que popularmente é conhecida como piolho-de-cobra, em tupi tem o nome exatamente com esse significado: boiquiba (mboy é cobra e quiba é piolho), mas ela é chamada também de embuá, que pode significar pelos erguidos (viria de ambo-ã). Mas será que o “embu” de embuá não veio de mboy, que é cobra em tupi? A cidade de Embu, em São Paulo, deriva dessa palavra.

Percevejo é taminguá (pequeno comedor), tambejuá, pixuca ou pixunga (nome que davam ao fumo de corda de qualidade ruim).

Vagalume é uauá, mas pode ser também muá, uã ou cuici. Só consegui descobrir o significado de uã, que é uma derivação de anga, e significa alma.

Barata é arabé (o que é chato, rasteiro), mas besouro também é chamado por esse nome.

Lacraia aparece como japeguá (que tem “casca” redonda), mas japeguá no guarani falado até hoje no Paraguai é caranguejo e também escorpião.

Vespa é caba, caua ou cava (o que fere). Gusano é ibiraçoca (verme da madeira). Lesma e sanguessuga têm o mesmo nome, cumbe (língua achatada ou longo e achatado) – cum pode ser língua ou longo.

Aranha é nhandu (a que sente, sensitiva), e caranguejeira é nhanduaçu (aranha grande – mas esta palavra pode também significar ema grande, pois nhandu é também nome tupi da ema – neste caso, nhandu significa perna de correr, corredora).

Mosca é mberu, meru, e varejeira é merobi (mosca verde). Muriçoca (o nosso pernilongo) é “meru pequeno”, mosquito, e o borrachudo é pium (mosquitinho). “Beru”, às vezes, tem outra pronúncia, como no caso de Birigui (cidade paulista) e Barigui (parque de Curitiba), e também significam mosquitinho.

Já o barbeiro (chupão) é brocotó ou procotó – o que sacode a gente (quando pica).

Vermes que dão em frutas (e também caruncho) são chamados de açoca ou içoca (o que quebra fruta). Já a mosca do desgraçado do berne, que em vez de furar frutas bota ovos na pele da gente e dos animais, e seus “filhotes” entram pele a dentro crescem ali, provocando dor, chama-se ura (nasce dentro).

Borboleta é panamã (pa: bater; amã: levantar – o que se bate se levantando). Vale panamá também. Pode ser só panã (bater, malhar) ou paná. Borboleta que vive em bandos é panapanã. Em guarani é panambi, palavra usada para mariposa em tupi.

Peixes e outros que vivem nas águas

Entre os peixes, há o caso do dourado, que é simplesmente uma tradução de piraju, nome dele em tupi.

Alguns preservam mais ou menos o nome tupi, ao lado do português, como é o caso da enguia, que em tupi é muçum (significa o que desliza, escorregadio).

Mas muitos receberam nomes que nada têm com os originais do tupi. Arraia é jabebira (o que tem a pele estufada, encaroçada). Bagre é jundiá (cabeça com espinho – alusão à barbatana). Cascudo é chamado acari, cari e juruitaquara (o que fica deitado no buraco da pedra, na loca).

O peixe-boi, que não é boi e sim um mamífero, é conhecido aqui também pelo nome de manati, palavra da língua do povo Taino, do caribe, e significa peito de mulher. Os povos de língua tupi o chamavam de guaraguá, palavra que pode ter três significados, conforme a interpretação: peixe gordo, peixe redondo e morador das enseadas.

E continuamos com os bichos aquáticos. Uçá é o nome genérico de todos os caranguejos de unha pontuda, Significa “olhos na perna”, porque parece que ele tem mesmo olho na perna.Um caranguejo que permaneceu com o nome tupi no Nordeste é o guaiamum (o indivíduo do buraco, ou o encovado).

Camarão, todo mundo deve se lembrar que é poti, pois aparece no gentílico de quem nasce no Rio Grande do Norte, potiguar (comedor de camarão). E um líder indígena que participou da expulsão dos holandeses chamava-se Poti e depois foi batizado como Felipe Camarão. Mexilhão é sururu (o bicho tímido, ou encharcado);

E chegamos às rãs, cujo nome genérico em tupi é jia. Sapo em geral é cururu (não só o que nós chamamos por esse nome em português), palavra que significa rugoso. O sapo-boi e o sapo-de-chifre são chamados de intanha ou intão, uma adaptação de ji (rã) tã (forte).

Bom, termino por aqui. E já que terminei falando de sapo, lá vai um ditado caipira envolvendo o dito-cujo, mas em português mesmo: “Sapo não pula por boniteza, pula por precisão”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura inútil: O que eles disseram

14.11.25_Mouzar Benedito_O que eles disseram_Por Mouzar Benedito.

Albert Einstein: “Só os estúpidos precisam de organização. Os gênios controlam o caos”.

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Goethe: “O homem de bom senso jamais comete uma loucura de pouca importância”.

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Humberto de Campos: “A evolução da sociedade é feita, aliás, não pela democratização das elites, mas pela aristocratização da plebe”.

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Afonso Schimidt: “As prostitutas têm sido mais úteis aos homens do que Moisés ou Zoroastro”.

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Juca Chaves: “Água morro abaixo, fogo morro acima e mulher quando quer dar, ninguém segura”.

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Camilo Castelo Branco: “Se começarmos a ver o mundo tal qual é, a poesia acaba toda”.

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Afrânio Peixoto: “De todas as incapacidades humanas a mais certa é a de prever”.

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Mae West: “Entre dois males, escolho sempre aquele que ainda não experimentei”.

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Júlio Ribeiro: “Dos insubmissos tem emanado todo o progresso social”.

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Dom Francisco Manuel de Melo: “Nunca me arrependi do que não disse”.

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Millôr Fernandes: “Psicanalista é uma espécie de mágico que tira cartolas de dentro dos coelhos”.

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Medeiros e Albuquerque: “Estudando as origens de quase todas as cerimônias religiosas, vê-se que elas são, ora pueris, ora grosseiras”.

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Marilyn Monroe: “Os homens passam, os diamantes ficam”.

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Latino Coelho: “Dantes havia público e autores, homens que liam e poucos que escreviam; hoje é o contrário – todos escrevem, e ninguém lê”.

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Stanislaw Ponte Preta: “Macrobiótica é um regime alimentar para quem tem 77 anos e quer chegar aos 78”.

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Juracy Magalhães (governador da Bahia durante a ditadura): “O que é bom para os Estados Unidos, é bom para o Brasil”.

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General Figueiredo (quando o último presidente da ditadura iniciada em 1964, quando perguntado o que faria se fosse operário e ganhasse salário mínimo): “Dava um tiro no coco”.

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Jarbas Passarinho (quando era ministro da Educação e, como os outros ministros, assinou o AI-5): “Às favas com os escrúpulos”.

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Plínio Salgado: “O integralismo nega a eficácia do voto, nega a concepção democrática do cidadão, condena o sufrágio universal”.

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Assis Chateaubriand: “A clareza se revolta contra a religião, que é a obscuridade, o simbolismo e o mistérios”.

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Garrincha (enquanto os demais jogadores comemoravam a vitória sobre a Suécia e a conquista da Copa do Mundo, em 1958): “Que torneio mixo! Não tem nem segundo turno?”.

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Marquês de Maricá: “Os homens mais respeitados não são sempre os mais respeitáveis”.

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Capistrano de Abreu: “Constituição brasileira, artigo único: todo brasileiro é obrigado a ter vergonha”.

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Heitor Moniz: “De vez em quando sopra na humanidade o vento da loucura. Há um grande entusiasmo coletivo. Os povos sublevam-se, tomam as armas, fazem a revolução”.

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Machado de Assis: “Em verdade vos digo que toda a sabedoria humana não vale um par de botas curtas”.

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Guimarães Rosa: “Trabalho não é vergonha, é só uma maldição”.

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Mark Twain: “Uma mentira é capaz de dar a volta ao mundo enquanto a verdade ainda calça os sapatos”.

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Agripino Grieco: “A sarna é uma das poucas distrações que restam aos pobres”.

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Victor Hugo: “Quem poupa o lobo, sacrifica a ovelha”.

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Viana Moog: “Temos a capacidade de tornar sensacional o que em si mesmo não tem a menor importância”.

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Abraham Lincoln: “A melhor forma de destruir seu inimigo é converter-lhe em seu amigo”.

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Roquette Pinto: “Os escravos sempre serviram para carregar, entre outros fardos, a culpa dos senhores”.

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O povo (nome de um bloco de carnaval do Rio): “Simpatia é quase amor”.

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Charlie Chaplin: “A vida é uma tragédia quando vista de perto, mas uma comédia quando vista de longe”.

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Carmem Mayrink Veiga: “Há duas coisas que nunca pretendo fazer: esportes e trabalhar”.

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Vinícius de Moraes: “O uísque é o melhor amigo do homem. É o cachorro engarrafado”.

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Galeão Coutinho: “O charuto é a chaminé da prosperidade”.

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Voltaire: “É perigoso estar certo quando o governo está errado”.

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Luís Fernando Veríssimo: “Às vezes, a única verdade em um jornal é a data”.

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Gondin da Fonseca: “Judas era um cidadão respeitável comparado a certos entreguistas do Brasil”.

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Mário Quintana (sobre seus críticos): “Todos esses que aí estão atravancando meu caminho, eles passarão… eu passarinho”.

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Chico Xavier: “Ambiente limpo não é o que mais se limpa. É o que menos se suja”.

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Marquês de Maricá: “O roubo de milhões enobrece os ladrões”.

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Walther Waeny: “O homem é um animal racional. Racional, às vezes; animal, quase sempre”.

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Graciliano Ramos: “Tanto faz morrer assim como assado. Tudo é morrer. Crucificado ou de prisão de ventre, em combate glorioso ou forca, o resultado é o mesmo”.

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Roberto das Neves: “O mundo começou por um incesto e um fratricídio, e até hoje não melhorou”.

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Câmara Cascudo: “Nações e frutos têm sua hora natural de maturação”.

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O povo (ditado popular): “Casa de mulher feia não precisa de tramela”.

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Constâncio Alves: “Há anedotas que passam de celebridade em celebridade, como roupas de aluguel, que passam de corpo em corpo”.

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Érico Veríssimo: “A gente foge da solidão quando tem medo dos próprios pensamentos”.

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O povo (dito popular): “O tempo tudo cura, menos a velhice”.

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César Zama: “Suicidem-me os senhores, porque por minhas mãos eu não me suicido”.

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Paula Nei: “A maternidade é um fato, mas a paternidade é um problema”.

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Carlito Maia: “Quem tem mãe não sabe o que está perdendo”.

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Aristides Ávila: “A diferença é a seguinte: apetite é fome de quem tem o que comer; fome é apetite de quem não tem o que comer”.

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Antônio Carlos de Andrada (governador de Minas, pouco antes de estourar a revolução de 1930): “Façamos a revolução antes que o povo a faça”.

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Pedro Ferreira da Silva: “A família é uma comuna dentro de uma sociedade que condena o comunismo”.

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Groucho Marx: “Acho que televisão é muito educativa. Todas as vezes que alguém liga o aparelho, vou para a outra sala e leio um livro”.

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Ferreira de Almeida: “Atleta é um indivíduo que é forte demais para trabalhar”.

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Lula (num comício pelas eleições diretas, em 1987): “Se disputasse uma eleição, os votos do Sarney não dariam para encher um penico”.

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Jules Lévy: “O ventre é a primeira sala de espera”.

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Paulo Leminski: “A vida não imita a arte. Imita um programa ruim de televisão”.

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Clarice Lispector: “Até cortar os próprios defeitos pode ser perigoso. Nunca se sabe qual é o defeito que sustenta nosso edifício inteiro”.

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Menotti Del Picchia: “Todos têm medo da felicidade porque a felicidade se parece muito com a morte”.

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Cid Cercal: “A ignorância das ignorâncias é a ignorância da própria ignorância”.

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Darcy Ribeiro: “Mestrado é só para mostrar que o sujeito é alfabetizado, pois a metade dos que estão na Universidade não sabe ler”.

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Mário Pires (meu amigo, tomando uma cachaça): “Mens sana, in corpore cana”.

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Paulo Francis (há quem atribua essa frase a Jaguar): “Intelectual não vai à praia. Intelectual bebe!”.

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Jânio Quadros (esta sim, eu tenho quase certeza que foi dita por Jaguar, quando lhe perguntaram porque ele bebia, mas Jânio ficou com a fama): “Bebo porque é líquido. Se fosse sólido, eu comia”.

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Maxim Gorki: “Esse negócio de ‘busca de Deus’ deve ser proibido por algum tempo. Afinal, é uma ocupação totalmente inútil”.

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Geraldo Tartaruga (contador de causos de São Luiz do Paraitinga): “Antigamente, o diabo aparecia pros fazendeiros. Agora não aparece mais, porque tem medo”.

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Bocage: “A vida é filha da puta, / a puta é filha da vida… / Nunca vi tanto filho da puta / na puta da minha vida”.

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Emílio de Meneses: “Beber é uma necessidade, saber beber uma ciência, embriagar-se uma infância”.

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Jorge Luis Borges: “O casamento é um destino pobre para uma mulher”.

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Lima Barreto: “Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa”.

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Gino Meneghetti: “O comerciante é um ladrão que tem paciência”.

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Beppe, avô de Meneghetti, quando soube que o neto, ainda menino, havia praticado roubos, e o aconselhando a não ser um ladrãozinho: “Muitos dos homens bem colocados que você vê aqui em Pisa são ladrões refinados, mas roubam dentro da legalidade. São ladrões da pátria, ladrões de salão. Roubam e a lei ainda lhes presta honras, porque dependem deles para aumentos, nomeações e outras coisas. Durante sua vida você vai ver muitos destes, vá em que país for, porque o mundo está cheio deles. São vigaristas e ladrões, mas vigaristas e ladrões bem sucedidos. Roubam milhões e nada acontece”.

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Barão de Itararé: “O casamento é uma tragédia em dois atos. Um no civil e um no religioso”.

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Por que não terminar com algo de minha autoria? Lá vai: “Entrou por um ouvido e saiu pelo outro: foi tiro de fuzil”.

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Ou clique aqui, para ver todas as outras colunas da série “Cultura inútil”, de Mouzar Benedito, no Blog da Boitempo!

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

As aves que aqui gorjeiam tinham outros nomes

14.11,04_Mouzar Benedito_As aves que aquiPor Mouzar Benedito.

Já comentei aqui o lançamento do livro Paca, Tatu, Cutia… Glossário Ilustrado de Tupi (Editora Melhoramentos), uma espécie de pequeno “dicionário”, mas sem a estrutura formal dos dicionários, com palavras que falamos no dia a dia sem perceber que elas são de origem tupi.

Muitas aves mantiveram os nomes de origem tupi. É o caso do sabiá, sanhaço, tié, arara maritaca, araponga, bacurau, graúna, saíra, guará, jaburu , jacu, juriti, jaó, macuco, maguari, mutum, nhambu, saracura, seriema, socó, tangará, tucano, uirapuru, urubu e anu, por exemplo. No nosso “dicionário” tem o significado dos nomes delas.

Mas o Ohi, meu parceiro no livro (as ilustrações são dele) me lembrou de uma coisa: e as aves que receberam nomes dados pelos portugueses, quais eram os nomes delas na língua tupi? Bem-te-vi, nome onomatopaico – quer dizer, que imita o som que ele emite –, certamente não seria tupi, argumentou. E não é mesmo. Em tupi, seu nome é pitanguá, que significa comedor de pitanga.

Pensando nisso, listei algumas que não estão no livro, pois são aves que receberam nomes dados pelos portugueses. Como eram os nomes delas em tupi? Pesquisei e repasso pra vocês. Aí vão.

João-de-barro é ogaraiti (casa-ninho); canarinho, ou canário-da-terra, é guiranhengatu ou uiranhengatu (pássaro que canta bonito), mas é chamado também pelo onomatopaico chapim.

Pica-pau é ipecó (fura-árvore), gralha azul é uiraobi (ave azul) e azulão é guarundi (ave pretinha). Beija-flor é guainumbi (passa depressa). Muitos pensam que colibri, um dos nomes do beija-flor, é tupi, mas esse é seu nome na língua galibi.

Ati é nome genérico para gaivotas, e pode significar cabeça branca. Picu é nome genérico de pombas, significa comprido. Rolinha é picuí (pomba pequena). Pomba-do-ar é picaçu (pomba grande) e fogo-pagô é picuipinima (rolinha pintada).

Tico-tico pode ser tico-tico mesmo (onomatopoaico) ou jipiú, xibiú, xibiu (coisa pequena) e caga-sebo é cambacica (cabeça curta ou cabeça cortada).

Codorna é unambuí (pequeno nhambu). Bom, aqui cabe explicar “nhambu”: é o que levanta voo a prumo (y-nhá-bu), ou o que surge fazendo algazarra, fazendo barulho (y-nhã-bu). Perdiz é inhambuapé, que pode vir de inhambu-peba (nhambu baixo, achatado), mas há quem diga que inhambupé tem outra origem, significando mais ou menos “baixinho que come fazendo barulho”. Algumas variantes do seu nome são enapupê, inhapupé, nhapup~ee e napopé.

Cardeal é acapitã (cabeça-vermelha) ou as variantes acampitá e capitã, mas é chamado também de paroara (que mora no rio). Martim-pescador é ariramba (caído da margem: ele vive à margem dos barrancos e faz seus ninhos em buracos elevados), tendo as variantes urarirama e urarirana, mas é chamado também de jaguati (focinho de onça, nariz de onça). Mergulhão é atobá ou biguá (pé vermelho ou pé penugento). Andorinha é taperá, talvez porque faz ninho em taperas. Por falar em tapera, essa palavra significava originalmente aldeia extinta, o que foi aldeia, mas depois passou a ser usada também para falar de casa em ruína.

O nome genérico dos gaviões é tauató, ou as variantes toató e taguató (tem vários significados, um eles é “que é encorpado” e outro é “que tem a pena listrada”). A palavra aparece nos nomes de vários gaviões, como taguatojuba (gavião amarelo), taguatopiranga (gavião avermelhado) e taguatopinima (gavião pintado). Outros gaviões, como o pinhé e o carcará, mantiveram os nomes tupis.

As corujas são muitas, algumas mantiveram o nome tupi, como o caburé (morador do mato) e o jucurutu ou murucutu (triste e agressivo), mas outras mudaram, como é o caso da coruja-das-torres, que é suindá ou suindara (o que não se alimenta – os índios acreditavam que elas não comiam).

Bom, seja em tupi ou em português, é bom ver e ouvir essas aves todas, não? Mas não nas gaiolas. Lugar de guiranhengatu, por exemplo, é nas árvores, cantando bonito pra gente ouvir.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Um livro com o tupi nosso de cada dia

Mouzar ConvitePor Mouzar Benedito.

Por que você está na pindaíba?

Pode ser porque está desempregado, não? Ou porque tem emprego mas o salário é baixo. Ou porque estourou o cartão de crédito e paga juros muito altos, não sobra dinheiro pra nada. Ou porque o aluguel aumentou demais, o salário não acompanhou. Se é aposentado, então, pior ainda.

Mas os índios de língua tupi há séculos já podiam ficar na pindaíba, sem esses motivos.

É que pindá, em tupi, significa anzol. Iba, significa ruim. Então, pindaíba quer dizer anzol ruim. E nos povos que viviam em grande parte da pesca, anzol ruim é mesmo de deixar a pessoa sem ter o que comer.

Pindaíba é um dos mais de oitocentos e trinta verbetes do livro Paca, Tatu, Cutia! – Glossário ilustrado de Tupi, que escrevi em parceria com o Ohi (textos meus, ilustrações dele) e que acaba de ser publicado pela Editora Melhoramentos.

Não é um “dicionário”, pois não tem aquelas formalidades necessárias para isso, nem a estrutura de um dicionário. E em muitos dos verbetes conto alguma historinha relacionada a eles. Tem um pouco de informações históricas e humor.

Por exemplo: jabá. Não o jabá com sentido de propina que alguns artistas pagavam (ou pagam) para tocar suas músicas nos rádios. Esse tipo de jabá, índio não conhecia.

Mas também, originalmente, essa palavra não era sinônimo de carne seca. Jabá, em tupi, é fuga, fugir, fugitivo.

Antes de trazer escravos africanos para o Brasil (e depois também), os portugueses escravizaram índios. Mas quem é que gosta de ser escravo? Eles fugiam, e eram muito perseguidos para serem recapturados. Durante a fuga precisavam comer, mas não podiam parar para caçar, então levavam carne seca. Assim, a carne que se levava na fuga passou a ser chamada de jabá.

Deve ter alguém imaginando: então Jabaquara, nome de um bairro de São Paulo e outro de Santos, tem algo a ver com isso?

Tem. Quara é um sufixo tupi que significa refúgio, entre outras coisas. Então, Jabaquara significa “refúgio dos fugitivos”. É o mesmo que quilombo do idioma quimbundo. O Quilombo do Jabaquara (curioso, não? Falar quilombo do Jabaquara equivale a dizer “quilombo do quilombo”) de Santos era muito famoso, abrigou escravos fugitivos até à libertação dos escravos, em 1888.

Nomes que descrevem animais

Uma curiosidade da língua tupi é que os nomes que os seus falantes deram aos animais de certa forma falam de alguma característica deles. Por exemplo, jacaré significa “o que olha de lado”.

Você já viu uma cutia comendo uma espiga de milho? Ela pega a espiga com as patas dianteiras e fica de pé sobre as patas traseiras. Por isso, ganhou o nome cutia, que significa “o que come de pé”.

Paca significa esperta, ágil. Caçadores desse bichinho montavam armadilhas e tinham que ficar um tempão esperando escondidos, para pegar a danada. Daí surgiu o verbo paquerar, que hoje usamos para uma atividade mais agradável e mais ecológica, não é? Nada de matar animais silvestres.

Entre as aves, tem o jacu, que é desconfiado, cauteloso. Esse é o significado dessa palavra. E como roceiro, caipira, costuma ser também desconfiado e cauteloso, tem quem o chame de jacu, também.

Por falar em caipira, está aí outra palavra tupi. Tem quem a traduza por desconfiado ou tímido, mas seu significado literal é “morador do mato”. Mas que não se pense que caipira é imbecil. A palavra é usada de forma preconceituosa, mas o caipira tem uma cultura muito rica, e seu jeito de falar tem motivos históricos (ver embaixo: “Nheengatu e língua geral paulista”).

No Nordeste, em vez de caipira, falam – também preconceituosamente – tabaréu, que é “morador da taba”.

Cidades, rios, montanhas…

Em todos os estados brasileiros existem cidades com nomes de origem tupi, mesmo naqueles em que não se falava tupi. É que bandeirantes falavam tupi (ou melhor, a “língua geral paulista”) e jesuítas usavam esse idioma para se comunicar com os índios em geral e “criaram” uma língua a partir dos vários dialetos tupis. Então, tanto bandeirantes como os religiosos usavam o tupi para nomear rios, povoados etc.

No estado de São Paulo, base dos bandeirantes, há uma profusão de nomes tupis nas cidades. Alguns muito curiosos. Por exemplo: Pindamonhangaba e Itaquaquecetuba. Quem tem curiosidade por nomes deve saber que Pindamonhangaba é “lugar onde os homens fazem anzóis”, quer dizer, fábrica de anzol. Quicé é um tipo de taquara muito cortante, como faca. Tuba é coletivo, lugar que tem muito de alguma coisa. Taquaquicetuba, que depois virou Itaquaquecetuba, é lugar que tem muitas taquaras cortantes, do tipo quicé.

Bauru, ao contrário do que muita gente pensa, não tem nada a ver com sanduíche. É cesto de frutas. Poá é mão aberta. Itu é salto, cachoeira. Ituverava é cachoeira brilhante.

Alguns nomes de cidades podem até parecer “bíblicos”, mas são tupis. É o caso de Jacobina, na Bahia. Não parece algo relacionado a algum Jacó? Pois ele vem de já cuã apina, que quer dizer cascalho limpo, jazida de cascalho. O primeiro ouro que os portugueses garimparam no Brasil foi nessa jazida de cascalho, em 1718.

Os rios com nomes tupis são muitos. Paraguai, por exemplo, é rio dos papagaios, e Tocantins é nariz de tucano.

E as montanhas: quer nome mais bonito do que Mantiqueira (“chuva gotejante” ou “chuva contínua”)? No Nordeste tem a Chapada do Araripe, um lugar alto. Araripe é “sobre o mundo”.

Bom, há muita coisa que a gente fala pensando que está falando português, mas na verdade é tupi… ou português do Brasil. Pense em algumas palavras do nosso cotidiano: pereba, tapera, peteca, mingau, pamonha, guri, sapeca, carioca, maloca, pipoca…

Ah, quem é profissional do futebol sonha jogar no Morumbi, Itaquera, Pacaembu, Maracanã… tudo nome tupi.

E nome de gente? Moacir, Jaci, Moema… Vou contar o significado de apenas um: Araci é aurora, mãe do dia. Se uma mulher se chamar Aurora e outra Araci, elas são xarás. Epa! Por falar nisso, xará é uma palavra tupi, significa “o que tem o mesmo nome”.

Enfim, acho, modéstia à parte, que este é um livro que pode ser lido com prazer por adultos e por crianças. E está muito bem produzido, bonito. Convido a todos para o lançamento que será no dia 25 de outubro (sábado), das 16h às 19h, na Livraria da Vila – Rua Fradique Coutinho, 915 – Vila Madalena – São Paulo.

Quem preferir, pode acrescentar algo mais: vá à Festa do Saci, em São Luiz do Paraitinga. No sábado, dia 1o de novembro, haverá um seminário sobre cultura caipira a partir das 10h da manhã, e logo depois (a partir do meio-dia), no mesmo local faremos o lançamento. Vai ser no Centro Turístico e Cultural Nelsinho Rodrigues, na Rua Cel. Domingues de Castro, 33, no centro da cidade.

A vantagem de comprar no lançamento é que o Ohi vai além de dar um simples autógrafo: ele faz um desenho na hora.

Nheengatu e língua geral paulista

Os jesuítas queriam catequizar os povos indígenas e perceberam que quase todos os povos da faixa litorânea falavam dialetos de uma mesma língua, mas não tinham escrita, era uma língua exclusivamente oral. .

Resolveram então “unificar” esses dialetos e criar uma escrita para eles. Em São Paulo, chamaram de “língua geral paulista” e no norte “nheengatu”, que significa língua boa ou falar bem. Mas são línguas bem parecidas e costuma-se usar nheengatu também para o que se falava em São Paulo.

Em São Paulo e sua área de expansão só se falava a língua geral paulista. Depois da guerra em que os exércitos de Portugal e Espanha se uniram para combater os Guarani, apoiados pelos jesuítas, o Marquês de Pombal resolveu expulsar os jesuítas do Brasil e determinou que só se falasse português aqui. Isso foi em 1758. Mas não se muda de língua de um dia para o outro. As escolas passaram a usar só a língua portuguesa e todos os documentos tinham que ser escritos em português.

Demorou muito para assimilar o português, e muitos dos brasileiros do atual Sudeste preservaram o modo de falar nheengatu. No tupi não existe, por exemplo, a pronúncia L nem LH, que acabam virando R na pronúncia caipira (esse pessoal que resistiu ao “sotaque” português). Então, trabalho vira trabaio, por exemplo. Mulher é muié. E no tupi/nheengatu não existe R no final dos verbos, e isso foi mantido no “dialeto caipira”. Falamos fazê, trabaiá, coçá, brincá…

Mas não é só isso. Existem mais diferenças de pronúncia, presentes no nosso linguajar. Vale a pena estudar um pouco disso. Nosso livro é um começo, para os curiosos.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura inútil: Moderninho, mas nem tanto

14.10.08_Mouzar Benedito_Moderninho mas nem tantoPor Mouzar Benedito.

Pedro, o Grande, querendo modernizar os costumes na Rússia, fez coisas malucas como baixar um decreto proibindo a barba, em 1698, pois na Europa o costume de andar barbudo já tinha sido abolido. Quem insistisse em manter a barba tinha que pagar um imposto altíssimo, e muitos homens fugiram do país. Mas o czar não era tão moderno assim, em outras coisas. Quando descobriu que a mulher tinha um amante, mandou decapitar o dito-cujo e colocou sua cabeça numa jarra com álcool. A mulher foi obrigada a conservar essa jarra com a cabeça em seu quarto.

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Assim falou Graciliano Ramos: “O que eu acho é que deputados e senadores são inúteis e comem demais”.

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Paquete era um tipo de navio que transportava cargas, correio e passageiros. No século XIX, uma companhia inglesa de paquetes fez um contrato pelo qual uma vez por mês um navio trazia mercadorias da Inglaterra para o Rio de Janeiro. Os paquetes ingleses tinham mesmo pontualidade britânica. Todo mês chegava um paquete na data certa, no Rio. Se não chegasse, era sinal que houve alguma “encrenca” no caminho. Os cariocas logo o associaram à menstruação…

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Entre as datas comemorativas, 30 de setembro é Dia Mundial do Tradutor. O santo do dia, desta data, é São Jerônimo. Não é coincidência: São Jerônimo é patrono dos tradutores. Ele viveu de 340 a 420 d.C. e ficou conhecido como “Doutor Máximo das Escrituras”, porque era grande estudioso da Bíblia e a traduziu para o latim clássico,

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Angenor de Oliveira (1908-1980) nasceu no bairro do Catete, no Rio de Janeiro. Teve várias profissões, inclusive a de pedreiro. Nesta profissão, usava sempre um chapéu para que não caísse tinta na sua cabeça. Por isso ganhou o apelido Cartola. Sambista da maior qualidade, foi um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira. Ele propôs a adoção das cores verde e rosa para ela. Quando criticavam essas cores, dizendo que elas não combinavam, Cartola respondia: “Como não combinam as cores da esperança e do amor?”.

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A palavra fulano vem do árabe, fulan, que significa “um certo” ou “tal”, quando se refere a um indivíduo sem citar o nome dele. Beltrano é uma adaptação do francês, Beltrand, nome que aparecia muito nas novelas de cavaleiros. Cicrano tem origem desconhecida.

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Os portugueses tentaram implantar o cristianismo no Japão, mas foram expulsos. Das décadas que passaram lá, acabaram influenciando na criação de algumas palavras. Arigatô, por exemplo, deriva de “obrigado”. Os japoneses não tinham uma palavra para agradecimento. Mais recentemente, a língua que influencia mais os japoneses é, logicamente, o inglês. Não tinham, por exemplo, uma frase para declarar amor. Agora falam algo que soa como “aróviú”, derivado de I love you.

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As bactérias podem se reproduzir sexualmente.

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Tem sido muito comum usar a expressão “sopa no mel” para falar de algum acontecimento muito bom. Parece esquisito, não é? A expressão surgiu no século XVII, em Portugal. Sopa, no caso não era líquida. Era um pedaço de pão umedecido em água em que se cozinhou qualquer coisa. Um pouco de mel nessa fatia de pão melhorava muito o sabor e o valor nutritivo. Por falar nisso, sopa, no Paraguai também não é líquida, é uma espécie de torta de milho.

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Provérbio chinês: “A única porta bem fechada é a que se pode deixar aberta”.

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No interior, quando alguém engana alguém num negócio, diz que “passou manta” nele. Acredita-se que essa expressão vem da crença que o diabo usava uma manta para se passar por santo, enganando as pessoas.

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Em alguns lugares do Nordeste, acredita-se que dando água de chocalho para um bebê, ele aprende a falar mais rápido. Daí, quando alguém fala demais, é tagarela, dizem que “bebeu água de chocalho”.

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O primeiro manifesto feminista de que se tem notícia foi em 1792, na Inglaterra: foi o livro Uma defesa dos direitos das mulheres, publicado pela professora Mary Wolltonecraft. Ela exigia que as mulheres tivessem o direito de estudar e que participassem do governo.

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Para quem acredita em Adão e Eva, aí vai a divisão de “eras” segundo a Bíblia: a Primeira Idade, que vai de Adão até o dilúvio teve 1.656 anos; a Segunda Idade, do dilúvio até o reino do patriarca Abraão, durou 427 anos; a Terceira Idade, de Abraão até a entrega da Tábua de Mandamentos a Moisés, durou 430 anos; a Quarta Idade, da entrega dos mandamentos a Moisés até a construção do Templo de Salomão, durou 488 anos; a Quinta Idade, da construção do Templo até sua destruição, foi de 467 anos; a Sexta Idade, que vai da destruição do Templo de Salomão até o nascimento de Jesus, durou 536 anos. Somando tudo, de Adão ao nascimento de Jesus foram 4.004 anos. Então, com mais dois mil e poucos anos de lá pra cá, o mundo tem pouco mais de 6 mil anos.

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Assim falou Mário Quintana: “Despertador é bom para a gente se virar para o outro lado e dormir de novo”.

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Quando uma pessoa é cheia de regras, controlada, e segue tudo quanto é regulamento, a gente diz que ela é “cheia de nove horas”. A expressão vem do século XIX, quando nove horas da noite era o limite para um monte de coisas. As visitas tinham que ir embora às nove horas. Depois desse horário, quem andasse pelas ruas estava sujeito a ser revistado pela polícia, como suspeito de qualquer coisa. Até as casas de jogos de baralho encerravam suas atividades às nove horas da noite. Então, a vida de quem era certinho era mesmo cheia de nove horas.

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Na Tasmânia tem (ou tinha, estava em extinção) um animal feroz conhecido como “diabo da tasmânia”, pela sua brabeza. Pois no Acre muita gente acredita que na Floresta Amazônica existe um bicho parecido, a que chamam “gogó de sola”. Parece um cachorro do mato, mas tem no pescoço uma mancha amarela que parece sola (couro curtido) muito dura. Ele anda feito doido pela mata e ataca qualquer coisa que veja, é feroz mesmo. Lenda para alguns, há quem até tenha uma descrição precisa dele: tem até 65cm, mais um rabo de 15cm.

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Assim falou Roberto das Neves: “Os socialistas ingleses são assim: socialistas por fora, ingleses por dentro”.

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Sòzinho, cafèzinho, afàvelmente, sòmente, tôda, govêrno, apêrto… Estas palavras estão escritas erradas, com acentos que não existem? Sim, depois de 19/01/72, estão. Mas esses acentos existiam antes, deixaram de existir nesta data por um acordo assinado pelos governos de Brasil e Portugal, no ano anterior. Por esse acordo, caíram acentos diferenciais como em aperto (aperto sem acento era a conjugação do verbo apertar, primeira pessoa do presente: eu aperto, tu apertas… ― o ato ou efeito de apertar, era escrito apêrto, com acento). No caso de tôda, o acento era para diferenciar de uma ave portuguesa chamada toda (pronuncia-se tóda). Mas permaneceram algumas palavras com acento diferencial, como pólo, pêlo e pêra, que cairiam na reforma de 2009 (assim como o trema, utilíssimo). O acento grave (como o da crase) era usado em palavras derivadas de outras que levavam acento agudo: café, com o diminutivo zinho, virava cafezinho: só, e afável com o sufixo mente. Essas sílabas com acento grave eram chamadas de subtônicas;

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Lady, palavra que significa dama em inglês, quando escrita com L maiúsculo é um título de nobreza. Mas a origem da palavra não tem nada a ver com essa frescura toda: no inglês antigo significava amassador de pão.

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Uma festa muito famosa de Feira de Santana acabou se espalhando pelo Brasil todo, a partir dos anos 1990: o carnaval fora de época. Tem um nome curioso: micareta. De onde vem isso? De mi-carêne, que em francês significa “meio da quaresma”. Desde o século XVI existe na França essa espécie de carnaval no meio da quaresma, que também é conhecido como “festa das lavadeiras”. Ao que tudo indica foram elas que iniciaram essas festividades, com a participação de vendedores de carvão e de água. Em Feira de Santana, o nome micareta foi oficializado em 1937, depois de um “plebiscito” feito pelo jornal A Tarde. Mas moradores da também baiana Jacobina reivindicam prioridade nisso: segundo eles, desde 1912 há na cidade um carnaval no meio da quaresma, e o nome micareta foi oficializado lá em 1935. Hoje, o carnaval fora de época que acontece em muitas cidades não se restringe ao período da quaresma, podem ser em qualquer época do ano.

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Segundo Câmara Cascudo, a micareta surgiu mesmo em 1937, em Feira de Santana, porque houve uma chuvarada muito forte no Carnaval, que não permitiu o festejo. Então, transferiram a festa para depois da quaresma (na época era pecado pra lá de mortal fazer festas desse tipo na quaresma). Micareta não seria simplesmente uma adaptação de mi-carême, e sim uma “mistura” de mi-carême com careta, já que os foliões saíam fantasiados.

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O nome da cidade de Jacobina, na Bahia, parece ser bíblico, derivado de Jacob ou qualquer coisa que o valha, não? Mas não tem nada disso. É tupi. A grafia antiga era Jacuabina, corruptela de já-cuã-apina, que significa “o que tem cascalho limpo”. Lá ocorreu a primeira descoberta de ouro pelo invasor europeu na Bahia.

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A peruca é originária do Egito ou da Assíria, e era usada como símbolo de autoridade na era dos faraós. Foi difundida na França no século XIV e depois foi levada para a Inglaterra por um rei da França, Carlos II, que era careca.

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Tabu: algo proibido, que não se pode nem discutir. Essa é a ideia que a palavra passa. É uma influência, acreditem, da Polinésia na cultura universal. Os indígenas de lá consideravam algumas coisas proibidas ou intocáveis, por serem sagradas ou malditas. Em português, escrevemos tabu, em inglês é taboo e em francês tabou.

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No Rio de Janeiro havia muitas negras escravas ou libertas que vendiam quitandas e doces nas ruas, em tabuleiros. De vez em quando algum moleque sem dinheiro tentava roubar doce, e o preferido deles era um feito de rapadura derretida com amendoim moído. Quando a mulher flagrava o menino fazendo isso, dava-lhe uma bronca, dizia: “Pede, moleque”. Se pedisse ela dava. Essa é uma das histórias da origem do nome do doce chamado pé-de-moleque. Outros acreditam que a cor do doce se parece com a de um pé descalço sujo…

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A frase “tempo é dinheiro” (time is money, no original) foi criada por Benjamin Franklin, um dos fundadores dos Estados Unidos e inventor do para-raios. A frase faz parte de seus escritos sob o título Conselhos a um jovem negociante.

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Quando uma águia pega uma tartaruga com as garras, ela a leva para o alto e solta em cima de uma rocha, para quebrar seu casco duro. Aconteceu na Grécia Antiga: uma águia teria confundido a careca de Ésquilo com uma rocha e soltou uma tartaruga na cabeça dele. Matou o dramaturgo.

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Johnny Weissmuller, ator que ficou célebre como Tarzã, era um grande atleta da natação. Num só dia, em 5 de abril de 1927, ele bateu três recordes.

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Henry Ford, o badalado industrial dos Estados Unidos, era simpatizante do nazismo. Para escrever a “bíblia” do nazismo, Mein Kampf, Hitler usou ideias antissemitas de Ford. E o industrial gringo ainda dava uma boa grana para o movimento nazista. Hitler mantinha uma foto de Henry Ford sobre sua mesa… e Ford mantinha uma de Hitler na sua.

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O que diferencia a mandioca brava da mandioca mansa? A quantidade de ácido cianídrico (HCN) que ela contém. A mandioca mansa, também chamada de aipim e de macaxeira, tem no máximo 50 ppm de HCN, as bravas chegam a ter 300 ppm. A mandioca brava é usada para fazer farinha, não é consumida como a outra. Pode causar até a morte.

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Em 1964, um pé de brócolis colhido na Inglaterra pesou 13,1 kg. Também na Inglaterra, um repolho colhido em 1865 tinha 6,57 m de circunferência e pesava 55,8 kg. Na Austrália, uma cenoura colhida em 1967 pesou 4,9 kg. Um pepino colhido no Texas (EUA) em 1978, pesou 5,9 kg, mas em comprimento ele perdia para um de variedade vietnamita colhido na Hungria em 1976, com 1,82 m. Em 1980, foi colhida nos EUA uma melancia com 90,7 kg.

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Geronte, na Grécia Antiga, era como chamavam o membro de uma Gerúsia (conselho de anciãos). Nas comédias clássicas italianas, passou a ser um tipo de velho meio ridículo, moralista. Molière e outros autores de teatro dos séculos XVII e XVIII retomaram o nome, com o mesmo sentido. Só que sempre era enganado. Numa peça, um falso médico é usado para enganar o personagem Geronte. Gerontologia é hoje o ramo da medicina que estuda as causas da velhice, trata dos problemas relacionados à pessoa idosa. Bom… Hoje chamam a velhice de “melhor idade”. Só Geronte para acreditar, não é?

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Um ditado: “Nesta vida os prazeres são por quilos e os pesares por toneladas”.

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Assim falou Gino Meneghetti, ladrão assumido: “Sempre detestei homens que malbaratam o dinheiro público”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Bill Ferrer, o detetive heterodoxo, e a era FHC

14.09.22_Mouzar Benedito_FerrerFHCPor Mouzar Benedito.

Bill Ferrer é um detetive particular gringófilo. Tanto que adotou esse nome e fala com sotaque do sul dos Estados Unidos.

Sua agência fica na Baixada do Glicério, área decadente da região central de São Paulo. Lá, numa saleta pequena e maltratada, ele toma uísque nacional de marca bem barata, enquanto seu auxiliar, Vasconcellos, toma jurubeba. Os dois comem tremoços e cospem as cascas numa lata de lixo, errando quase sempre, o que deixa o chão em estado deplorável.

Os dois comentam a situação em que estão: há muito não entra dinheiro para Bill Ferrer. A criminalidade é grande e há muita corrupção, pouca coisa é apurada pela polícia, então supostamente deveriam sobrar clientes para o detetive. Mas há um desânimo geral, uma descrença em tudo, e poucas vítimas ou parentes de vítimas pensam em apurar esses crimes. Os que pensam nisso, não têm dinheiro. Com isso, o salário mixuruca de Vasconcellos está pra lá de atrasado e ele é ameaçado de ser posto pra fora do cortiço em que mora.

Bill Ferrer já pensa em fechar a agência e procurar algum emprego, o que dificilmente conseguiria, pois o comum é demitir gente, não contratar, e o desemprego ronda todo mundo.

Estamos falando de 2014?

Não, não, não! É 2002. O livro Pamonhas de Piracicaba e outras histórias está sendo lançado agora, mas foi escrito em 2002. Tem três contos e, para ser mais exato, a última delas foi escrita no início de novembro daquele ano. O fim da história se passa exatamente na noite de domingo em que aconteceu o segundo turno das eleições.

Vasconcellos é um crítico confuso do governo, mas vota sempre na esquerda, ao contrário de seu patrão, Bill Ferrer, reacionário e eleitor tucano. Só que a situação está tão grave que Ferrer chega à conclusão que tem que votar na oposição para ver se muda alguma coisa.

Isso aparece num “lado B” das histórias, nos diálogos entre eles. Ferrer só fala em dólares, o dinheiro que respeitava, e que chegava no final de 2002 a quase R$ 4,00, por causa do medo dos investidores sobre uma possível eleição de Lula para a presidência.

Relendo os originais, fiquei me lembrando do segundo mandato do governo FHC, pois esse volume foi escrito no último ano de governo dele.

O desemprego crescia, havia uma falta geral de perspectiva, um pessimismo danado, um medo do futuro. Lembro-me que entre as pessoas que eu conhecia as mais otimistas achavam que não piorariam de vida nos meses seguintes.

Parecido com hoje? Não acho que o Brasil esteja uma maravilha, mas gostaria que certos tucanos, devotos do “mercado” e muitos jornalistas lessem esse livro. Não vai acontecer, claro. E se algum ler é capaz de me chamar de “petralha”, embora eu nem seja petista. Deixei de ser em 1994, quando o PT abandonava propostas geradas em sua origem e se adaptava ao quadro político existente. Deixava de ser um partido diferente dos outros para ser cada vez mais igual a eles, com vernizes de esquerda.

Adotou um discurso moralista que, como previ e fui muito xingado por isso, daria com os burros n’água.

Bom, vamos ao enredo dos três contos, deixando um pouco de lado esse “lado B”, com histórias paralelas que servem mais ou menos para contextualizar as histórias.

No primeiro caso, À procura de um Zé, Ferrer é contratado para descobrir o assassino de um velho fazendeiro de Mato Grosso do Sul, encontrado agonizando num terreno baldio do bairro do Tucuruvi, em São Paulo. Uma historinha paralela envolve seu auxiliar Vasconcellos, que vive cantando a prima que topa transar com todo mundo, menos com ele, agora tem um começo de paquera com uma policial.

O segundo caso, que leva o título do livro, Pamonhas de Piracicaba, trata de roubo de cargas de carne e troca clandestina de carne de gado especial por outras comuns, para uma rede de churrascarias. O título que não tem nada a ver com isso se deve ao fato de naquele ano serem muito frequentes as kombis anunciando as famosas “pamonhas de Piracicabas” e incomodando Vasconcellos, azucrinando os ouvidos de muita gente. O clima de desânimo, corrupção como cultura e falta de grana já aparece aqui com certo destaque. Vasconcellos acredita que terá um trunfo que fará a prima cobiçada cair nos seus braços, mas isso é outra coisa. Será que conseguirá?

No terceiro, com tamanho dos dois primeiros somados, Onde está o Abreu? Você não sabe? Nem eu!, investiga-se o sumiço de um líder empresarial, o Abreu, sequestrado um ano antes no consultório de uma dentista. Estaria morto? A polícia e outros detetives tentaram em vão descobrir o que aconteceu com ele. Aí a família recorre a Bill Ferrer, que já estava quase fechando sua agência de detetives por falta de clientes.

Neste conto, fica evidente o clima político e econômico da época. Dólar subindo de preço exageradamente e uma falta de perspectivas tão grande que até o reacionário Bill Ferrer resolve votar na oposição para ver se as coisas melhoram.

Discussões políticas e safadezas entremeiam os textos.

Se descobrem o Abreu? Bom… Compre o livro e veja.

Lançamento de Pamonhas de Piracicaba e outras histórias (Editora Limiar)
dia 24 de setembro | quarta-feira | a partir das 18h30
Restaurante Canto Madalena
Rua Medeiros de Albuquerque, 471 | Vila Madalena | São Paulo

Eleições630p

Especial Eleições: Artigos, entrevistas, indicações de leitura e vídeos para aprofundar as questões levantadas em torno do debate eleitoral de 2014. Colaborações de Slavoj Žižek, Mauro Iasi, Emir Sader, Carlos Eduardo Martins, Renato Janine Ribeiro, Edson Teles, Urariano Mota e Edson Teles, entre outros. Confira aqui.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Sacis aprontam no Parque da Água Branca

14.09.09_Mouzar Benedito_Água BrancaPor Mouzar Benedito.

O Parque da Água Branca é um daqueles lugares maravilhosos da cidade de São Paulo que a grande maioria dos moradores nem se lembra que existe. Tem mais de 13 hectares de vegetação, lagos com peixes, uma típica casa de caboclo e até um espaço para aulas de equitação. É um oásis no meio do caos urbano. Vegetação bonita, muitas aves domésticas e silvestres, além de saguis acostumados à presença humana, é um descanso para o espírito, um recanto de paz na cidade.

O silêncio não é absoluto, porque há muitos e muitos galos garnisés que cantam por todo lado, e também é possível ouvir alguns cantos de pássaros que habitam por ali.

Mas algo estranho está acontecendo ali. Funcionários e frequentadores andam meio espantados e com muita curiosidade de uns tempos para cá;

E muitos acham que tem a ver com uns bambuzais de taquaruçu, aquele tipo de bambu de gomo grandão em que segundo a lenda nascem e vivem os sacis.

De uns tempos para cá, contam, começou a ter uns redemoinhos estranhos, que viram painéis de informação e espalham folhas pelas trilhas, galinhas d’angola chocam e em vez de pintinhos nascem patos, porque trocaram os ovos, os cavalos amanhecem com nós nas crinas e assim por diante.

A explicação – acredite quem quiser – é que há uma superpopulação de sacis naquele parque. E eles reivindicam mais áreas verdes em São Paulo, para que possam esvaziar um pouco ali, por isso aprontam.

Em função disso, está sendo feita uma grande programação de atividades ditas “sacizísticas” no parque, com o título O Saci tá aqui!.

No meio do parque há um lugar muito agradável, chamado Espaço de Leitura, com alguns quiosques/bibliotecas e mesas espalhadas debaixo das árvores. São muitos e muitos livros para crianças e para adultos em um lugar calmo e agradável.

Nesse espaço está a exposição Saci em Foco, com 12 painéis, falando sobre os sacis, que são muitos. Num desses painéis, fala-se por exemplo da variedade de sacis existentes. Por exemplo: você sabe que além do Pererê existem o Saçurá, o Mofera, o Açu, o Mirim e outros? O que diferencia uns dos outros? Há explicações sobre isso.

Outra exposição é O colecionador de Sacis, uma coleção de garrafas que – juram – têm sacis apreendidos. Eles serão todos libertados festivamente no dia 1o de novembro, sábado, depois do “Dia do Saci e seus amigos”, que é 31 de outubro.

Além dessa exposição, que é permanente, há atividades para as crianças todos os sábados e domingos de setembro e outubro, a partir das 11h da manhã.

Entre essas atividades, há gincanas, oficinas de desenho, apresentações musicais, contação de histórias e muitas brincadeiras.

Vale a pena levar as crianças lá. É de graça e, para melhorar, o Parque da Água Branca fica pertinho da estação Barra Funda de metrô, trem e ônibus. Então é muito fácil chegar lá, sem se preocupar com o trânsito, lugar para estacionar, essas chatices.

Os adultos que não embarcarem nas brincadeiras ditas “sacizísticas” também vão gostar de ir ao parque. Além de ser desestressante passear por num espaço de muito verde e vida animal, num lugar facílimo de chegar, perto do centro, pode-se aproveitar para desenvolver habilidades e conhecimentos – acontecem regularmente nele oficinas de artesanatos diversos, música, internet, pintura, yoga… E em alguns dias da semana, os saudáveis poderão ir à Feira do Produtor Orgânico e comprar alimentos diretamente de quem produz.

Quem quiser mais informações, aí vai o caminho das pedras:

Espaço de leitura | aberto de terça a domingo
Terça das 10 às 17 horas e de quarta a domingo das 9 às 18 horas
Parque da Água Branca | Rua Ministro Godói, 180 | Perdizes
Telefone: (11) 2588-5918 | contato@espacodeleitura.org.br
facebook.com/espacode.leitura | www.espacodeleitura.org.br

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura inútil: Nossa Senhora das Formigas

14.08.27_Mouzar Benedito_N ossa senhora das formigasPor Mouzar Benedito.

Há mais de cinco séculos perto de Bolonha, na Itália, venera-se Nossa Senhora das Formigas, que tem um santuário em cima de um monte chamado “Monte das Formigas”. Havia um quadro em que a Virgem aparecia com formigas pintadas nos pés, que foi destruído durante bombardeios, durante a II Guerra Mundial. Em 1956 o santuário foi reconstruído, e todos os anos, no dia 8 de setembro, o local se enche de peregrinos que vão lá ver as formigas que, segundo se afirma, sobem ao santuário.

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O Hino Nacional Brasileiro, com música de Francisco Manuel da Silva e letra de Osório Duque Estrada, foi oficializado em 18 de janeiro de 1890.

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O jogo de dominó tornou-se conhecido na Europa no século XVIII. Acredita-se que ele tenha sido criado na China séculos antes. A lenda é que o herói Hung Ming criou o jogo para distrair seus soldados. Outra versão é que foi um cortesão que criou o jogo, por volta do ano 1120, para presentear o imperador Hui-Tsung. O nome dominó é europeu. Em chinês o chamavam de kuat-pai (prancheta de ouro), embora lá ele pudesse ser feito também de marfim ou madeira. Os chineses o usavam também para fazer previsões (como o tarô em outras culturas). Já o jogo de damas teria sido criado por um sultão do Ceilão, atual Sri-Lanka, embora os gregos reivindiquem a invenção. O inventor, segundo os gregos, seria Palamedes.

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Não foi na Globo, e sim na TV Tupi, que houve uma “revolução” nas telenovelas: “Beto Rockfeller”, de Cassiano Gabus Mendes começou a ser exibida em novembro de 1968.

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Florianópolis chamava-se Desterro, forma resumida de seu nome original, Nossa Senhora do Desterro. Era uma cidade conservadora, e teve lá em 1893 e 94 um movimento monarquista, contra a República. Era uma coisa reacionária, claro. Floriano Peixoto, presidente da República, reprimiu pra valer. Os repressores lotaram as prisões da cidade, estupraram, queimaram, depredaram, e fuzilaram ou enforcaram um monte de gente. Os números sobre os executados variam, chegando, conforme a fonte, a 185. Em seguida, o então governador Hercílio Luz mudou o nome da cidade para Florianópolis. Desterro era realmente um nome pouco atrativo, mas homenagear um sujeito que promoveu um massacre, dando seu nome à cidade dos massacrados é uma piada de muito mau gosto, mesmo que os assassinados sejam bem reacionários. Então, viva o apelido Floripa, que parece mais homenagem a qualquer flor do que ao marechal!

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Considerado por muitos o maior dançarino de todos os tempos, o “russo” Nijinsky (Vaslav Formich Nijinsky), que viveu de 1890 a 1950, era na verdade ucraniano, nasceu em Kiev, filho de dançarinos de balé poloneses. Ele teve uma carreira de apenas dez anos, encerrada em 1917, depois de uma excursão pela América do Sul, quando passou a ter paranoia aguda e, temendo supostos inimigos, contratou guarda-costas. Foi morar na Suíça, com a esposa Romola. Em 1918, por sua doença irreversível, foi internado num asilo, onde viveu 32 anos.

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Rainer Maria Rilke (1875-1926), considerado o maior poeta lírico da Alemanha nos tempos modernos, era tratado como menina, pela mãe, até os 6 anos de idade. Ele usava vestidos e era chamado de Sofia. Uma irmã que nasceu antes dele teve morte prematura e sua mãe o imaginava como um substituto dela. Para que não ficasse afeminado, seu pai o colocou numa academia militar quando ele tinha onze anos.

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Você acredita no ditado “cão que ladra não morde”? Se acredita, quando um cachorro vier latindo pro seu lado, você nem liga, não é? Esse ditado se parece com um outro, de Minas Gerais: “Peido que estrala não fede”. Mas não, hein?

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A primeira estação telefônica do Brasil foi instalada no Rio de Janeiro em 29 de novembro de 1877.

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Luiz de Camões estava na Índia e em 1557 ou 58 foi para Macau, onde prestou serviço ao reino português e se apaixonou por um chinesa que se tornou sua companheira. Foi obrigado a retornar a Goa e o navio em que viajava naufragou em frente ao golfo de Tonquim. Ele alcançou a nado o rio Mekong, conseguindo salvar os manuscritos de “Os Lusíadas”. Há relatos não confirmados de que Camões viu a mulher amada sendo arrastada pelas águas para um lado e a arca com o manuscrito do livro para outro. Tinha que optar por salvar só a mulher ou só o livro. Optou pelo livro, para azar dela e sorte da literatura portuguesa.

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Você acha o amigo meio biruta, quer dizer, meio maluco? A palavra biruta é relativamente recente, e tem relação com a aviação. Nos chamados campos de aviação, ou seja, locais onde pousam e decolam pequenos aviões, por determinação da Aeronáutica, desde 1941, tem que ter uma espécie de sacola feita de tela, colocada no alto de uma casa ou de um poste. Se não há vento, ela fica murcha, parada. Mas com o vento ela se enche e sobe, e vira para os lados conforme a direção que ele vem. Como quase sempre tem pelo menos um ventinho, essa sacola, chamada biruta, fica se mexendo praticamente o tempo todo, não para, virando pra todos os lados. Igual ao pessoal que a gente chama de biruta. Uma curiosidade: em russo, alemão e francês, a biruta é chamada por nomes que, traduzindo para o português, significam “saco de vento”.

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Dom Pedro II era astrônomo amador e, em sua homenagem, a data em que nasceu, 2 de dezembro, foi oficializada como Dia da Astronomia, pela Sociedade Brasileira de Astronomia, fundada em 1947.

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Alguns sobrenomes de origem francesa têm significados curiosos: Laborde significa “a granja”; Lacaz é “a casa”; Lacombe é “o vale”; Lafayette é “a falazinha”; Lafitte é “a pedra fincada” e Lemoine é “o monge”. Já o sobrenome Lacerda, originalmente escrito separado, La Cerda, é português, de origem espanhola. Dom Fernando, primogênito de Afonso, o Sábio, tinha uma mecha de cabelo no peito e por isso recebeu o apelido de “la cerda”.

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Os brasileiros são pródigos em inventar nomes e a copiar nomes estrangeiros, não é? Se vivêssemos na França, até 1970, não poderíamos fazer isso. Lá, o Ministério do Interior tinha uma lista de nomes dos dois sexos e só se podia dar aos filhos nomes que estivessem nessa lista. Só depois que De Gaulle morreu é que a lista de nomes deixou de vigorar.

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Por que quando a gente quer dizer que cada um deve ficar com seu igual ou semelhante dizemos “lé com lé, cré com cré”? Isso vem de Portugal, onde se separava os leigos dos clérigos. Diziam “leigo com leigo, clérigo com clérigo”, que foi resumido para “lé com lé, cré com cré”.

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O Canal do Panamá foi aberto para navegação em 1o de janeiro de 1914.

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Segundo o livro Lembranças e Curiosidades do Vale do Amazonas, do Cônego Francisco Bernardino de Souza, publicado no Pará em 1873, “em virtude de um decreto datado de 12 de junho de 1748, começou em maio de 1749 a correr na cidade de Belém dinheiro de prata, ouro e cobre, com as mesmas inscrições, peso e valor que se haviam estabelecido para a moedagem no Brasil. Até então o dinheiro que havia em circulação era novelos de algodão e outros gêneros, que tinham valores determinados e com ele se pagava aos funcionários de todas as classes e também aos particulares”.

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Em São Paulo, existia na “República Velha” uma cadeia em que se prendia e mantinha com muita crueldade os desafetos do governo. Era chamada de “Bastilha do Cambuci”. Depois da Revolução de 1930, no dia 25 de novembro daquele ano, uma multidão invadiu e detonou essa cadeia. Foi a “Queda da Bastilha do Cambuci.

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Sabe quem é Chalchihitlicue? É a deusa asteca das águas correntes. É também deusa da vegetação, que garante a produtividade das plantações de milho.

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Muita gente conhece o ditado “A cavalo dado não se olha os dentes”, mas não sabe o seu significado. Um caipira legítimo, quando vai comprar um cavalo olha os dentes dele e sabe que idade tem. Até os dez meses, o potro tem todos os dentes de leite, e aí eles começam a cair e vão sendo substituídos por dentes permanentes. Aos 5 anos de idade, a segunda dentição está completa e ele já é um animal adulto. Aos 8 anos, os dentes ainda têm esmalte e forma ovalada, e aos 9 anos começam a aparecer manchas. Quando atinge os 12 anos, todos os dentes dele já têm manchas. Aos 13 anos, todos os dentes já perderam o esmalte e começa a velhice dele, e a partir daí os dentes vão se deteriorando. Detalhe: as éguas têm 20 dentes e os cavalos 24.

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A fauna pantaneira é talvez a mais rica do planeta, com 658 espécies de aves, 124 de mamíferos, 325 de peixes, mais de mil espécies de borboletas, 77 de répteis e 41 de anfíbios.

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Thomas Morus, autor do livro Utopia, era chanceler do reino na Inglaterra e desaprovou o divórcio do rei Henrique VIII, que pretendia se casar com Ana Bolena, e por isso foi afastado do cargo e preso. Condenado à morte, o rei – vejam que bonzinho – lhe deu o privilégio de escolher a forma como queria ser morto: enforcado, afogado, eviscerado (eviscerar é retirar as vísceras) ou esquartejado. Ele preferiu ser decapitado. Canonizado em 1935, com o nome Thomas More, é santo da igreja católica.

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O purê, comida típica francesa… epa! Purê é uma palavra de origem tupi. Tem a mesma origem que pirão, vem de pirõ, que significa “papa grossa”. O purê foi inspirado no pirão e é uma influência indígena na culinária francesa.

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A descoberta da tumba do faraó Tutancâmon foi anunciada em 26 de novembro de 1922.

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Alguém já imaginou a cidade do Rio de Janeiro sem a Floresta da Tijuca? Já foi assim: a vegetação da Mata Atlântica naquela área foi derrubada para dar lugar a plantações de café. Em 1861, Dom Pedro II determinou seu reflorestamento e o replantio foi iniciado pelo major Manoel Gomes Archer que, em treze anos, plantou 80 mil mudas de ipês, jequitibás, quaresmeiras e centenas de outras espécies vegetais. São 3200 hectares de mata.

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Mark Twain disse certa vez que a invenção da imprensa foi o maior acontecimento da história do mundo.

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A data do ataque da polícia ao bando de Lampião que matou o próprio Lampião, Maria Bonita e mais nove cangaceiros, em Sergipe, foi 8 de julho de 1938. Apesar de terem cortado a cabeça de todos eles, muita gente acreditava que eram sósias de Lampião e Maria Bonita. Os “legítimos” Lampião e Maria Bontia teriam fugido para o norte de Minas e vivido até morrer de velhice na região de Montes Claros.

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Duas “comparações” na linguagem dos cearenses: “Mais importante do que balconista de cartório” e “Mais alegre do que coroa tirada pra dançar”.

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Alguns ditados
Careca não gasta pente
Cada um com sua certeza
Só se sente a falta d’água quando o pote está vazio
Cavalo alugado não cansa

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Assim falou Érico Veríssimo: “O mundo está muito melancólico. Cheio de gente desagradável”.

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Leia todas as outras versões da Cultura Inútil clicando aqui, para ver todos de uma só vez!

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura inútil: Um exemplar defensor do capitalismo

14.08.12_Mouzar Benedito_Um exemplar defensor do capitalismoPor Mouzar Benedito.

Al Capone era anticomunista radical e certa vez discursou contra o comunismo dizendo: “Devemos conservar a América íntegra, segura e intacta”.

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A primeira Bienal de Artes Plásticas de São Paulo foi inaugurada em 20 de outubro de 1950.

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Estalo que se dá com a língua e os lábios, como sinal de desdém, o “muxoxo” teve origem na África e foi trazido para o Brasil pelos angolanos. Era um gesto quase que exclusivamente feminino.

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A primeira cooperativa do mundo surgiu na Inglaterra, em 1844, formada por 28 tecelões que se uniram para enfrentar a crise. Cada um entrava com uma libra para comprar coisas que precisavam para produzir. Ainda não se chamou cooperativa, era “rochdale”. No Brasil, a primeira cooperativa foi em Ouro Preto, em 1889, formada por funcionários públicos. Chamava-se Sociedade Econômica Cooperativa.

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O basquete foi criado em dezembro de 1891 pelo canadense James Naismith, instrutor da Associação Cristã de Moços em Springfield, Massachusetts, Estados Unidos.

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A Babilônia tinha um costume interessante: todos os anos fazia-se lá um leilão de moças em idade de casar, e logicamente os lances mais altos iam para as mais bonitas. Detalhe: a renda do leilão ia para as mais feias, e com a grana que ganhavam elas acabavam encontrando marido.

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No fim do século XVI havia cerca de 11.600 cortesãs em Veneza. O número de esposas patrícias não chegava a mil.

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A expedição de Fernão de Magalhães, que deu a volta no planeta pela primeira vez, saiu da Espanha com três caravelas e 180 homens. Só uma chegou de volta, com 18 sobreviventes – até o próprio Fernão de Magalhães morreu. Mas assim mesmo a expedição deu um baita lucro.

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Em janeiro de 1907 entrou em vigor uma lei que levou o nome de seu propositor, o senador paulista Adolpho Gordo, que regulamentava a criação de sindicato e permitia a expulsão de estrangeiros que participassem de greves, por exemplo. Leis que não prestam são aplicadas pra valer no Brasil: só em 1907 foram expulsos 132 estrangeiros, e de 1908 a 1921 mais 556.

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Isadora Duncan, nascida em 1878 em São Francisco (EUA) dançarina linda, teve uma vida amorosa bem agitada. Fez viagens pelo mundo inteiro e sempre tinha ligações amorosas nos lugares em que se apresentava. Em São Paulo, acredita-se que teve um caso com Oswald de Andrade, que a teria levado a um hotel em Osasco. Na época, Osasco era um pequeno bairro da capital e muito provavelmente não havia lá hotel que prestasse… Namorou muitos homens mais jovens que ela. Em 1927, aos 49 anos, em Nice, na França, ela estava interessada em comprar um carro conversível, mas mais interessada ainda pelo jovem italiano que demonstraria o carro a ela. Saiu com ele para um passeio de demonstração, toda charmosa, usando uma echarpe bem comprida enrolada no pescoço. A ponta da echarpe se prendeu nos aros da roda dianteira, ela teve o pescoço quebrado e morreu na hora.

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Alfred Nobel, inventor da dinamite, inventou também a madeira compensada.

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Um dos grupos musicais de maior sucesso no Brasil no início dos anos 1960 foi o Trio Esperança, trio vocal formado por três crianças: os irmãos Mário, Regina e Evinha. A música Filme Triste, uma versão cantada por eles, fez grande sucesso em 1962. Outra versão, O Passo do Elefantinho, fez sucesso em 1963, e em 1966 foi a vez da música A Festa do Bolinha. Três irmãos jovens desse grupo, mais um primo formavam os Golden Boys, quarteto vocal que também fazia muito sucesso desde 1959, mas uma música deles que foi marcante, em 1970. Era Fumacê. Alguns ainda devem se lembrar da letra dela: “Ê ê ê fumacê / Ê ê ê fumaçá / Tem alguém queimando coisa / tá botando pra quebrar”.

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Uma musiquinha ingênua muito cantada até há alguns anos em saraus de gente comportada era a modinha “Quem dirá”, que começa assim: “Tão longe, de mim distante / onde irá, onde irá meu pensamento…”. Seu autor? Carlos Gomes, em 1859.

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Depois que a revolta dos escravos liderada por Spartacus foi dominada, em 71 a.C., seis mil escravos foram recapturados e crucificados ao longo da Via Apia.

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Lavoisier era desafeto de Jean-Paul Marat. Quando este revolucionário francês tornou-se um dos líderes radicais da Revolução, conseguiu que o químico fosse guilhotinado, em 1794. Foram feitos vários apelos para poupar a vida de Lavoisier, mas o juiz que o condenou manteve a pena, argumentando que “a Revolução não precisa de homens de ciência”.

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Há coisas que no meio rural dizem que “fazem mal”. Não explicam o resultado de quem fizer isso, mas não fazem. Exemplos: casar numa segunda-feira; entrar pela porta da frente e sair pela de trás e cortar unha numa sexta-feira.

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O almanaque “Eu sei tudo”, de 1922, publica uma afirmação do dr. Kellog, de Chicago, que “depois de pacientes estudos” chegou à conclusão que é vantajoso ter pés grandes, principalmente as mulheres. Segundo ele, pessoas de grande inteligência não têm pés pequenos, e “o pé grande é igualmente indício de um caráter vigoroso e são, e de uma grande natureza amável”.

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Enrico Caruso, o grande cantor de ópera, estava em São Francisco, nos Estados Unidos, no dia 18 de abril de 1906, quando se deu o famoso e terrível terremoto. E jurou nunca mais voltar lá. “Prefiro o Vesúvio”, disse ele.

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Olha o que faz uma aliança em tempo de guerra: Viatcheslav Mikhilovitch Molotov (isso mesmo, o famoso Molotov, ministro das Relações Exteriores da União Soviética) foi hóspede da Casa Branca, sede do governo dos EUA, durante a Segunda Guerra. A visita não foi divulgada e ele foi registrado como Mister Brown.

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O primeiro posto de álcool combustível foi inaugurado em 20 de abril de 1979, em Curitiba.

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Assim falou Millôr Fernandes: “Tato político é a faculdade de entender as entrelinhas de uma folha em branco”.

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São Paulo tinha muitas linhas de bondes até os anos 1960. O prefeito Faria Lima acabou com eles. O último bonde da cidade foi o que ia do Instituto Biológico (região do Ibirapuera) até Santo Amaro. Circulou pela última vez no dia 27 de março de 1968.

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Segundo alguns supersticiosos, cada dia da semana tem uma cor que dá sorte. Então, deve-se usar pelo menos uma peça de roupa da cor do dia. Domingo é dia de usar roupa cor de abóbora; segunda é branco, lilás, cinza ou azul claro; terça é vermelho; quarta é amarelo; quinta é azul marinho; sexta é rosa e sábado é verde.

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Uma assombração interessante é o Barba-Ruiva (ou Barba-Branca), que só aparece na lagoa de Parnaguá, no sul do Piauí. Segundo a lenda, a lagoa não existia, havia só uma cacimba. Ali perto morava uma viúva com três filhas. Uma delas engravidou solteira e, quando o filho nasceu, jogou o menino na cacimba. Anos depois surgiu esse sujeito que tem a barba suja de lodo e limo, que a deixam avermelhada, assombração que assusta as pessoas e se atira sobre as mulheres, mas não para lhes fazer mal e sim para beijá-las e abraçá-las.

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Charles Drew, trabalhando pela Cruz Vermelha dos Estados Unidos, foi um pesquisador sobre conservação e transfusão de plasma sanguíneo. Suas pesquisas ajudavam a salvar muitas vidas. Os Estados Unidos estavam sob o badalado governo Roosevelt (que foi Prêmio Nobel da Paz) em 1942, em plena II Guerra Mundial. O trabalho de Drew era importantíssimo, mas ele pediu demissão porque a Cruz Vermelha do país governado por Roosevelt proibiu que se fizesse transfusão de sangue de negros em brancos.

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A primeira viagem de carro de São Paulo a Santos foi feita em abril de 1909.

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Assim falou Capistrano de Abreu: “Assassinar chefe político é operar canceroso; extraído aqui o cancro, reaparece além, em parte mais nobre, e mais virulento”.

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A Companhia do Metrô de São Paulo foi fundada em abril de 1968. Em princípio a prefeitura seria sócia do governo estadual, mas Paulo Maluf foi nomeado prefeito pelo governo militar e tirou a prefeitura da empreitada.

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O pé, medida ainda usada na Inglaterra e nos Estados Unidos, tem 30,5cm.

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A ilha de Santa Helena, no Atlântico Sul, distante de tudo, é conhecida por ter sido o local onde exilaram Napoleão Bonaparte, mas antes dele, em 1676, ela teve outro morador famoso, Edmund Halley (quem não ouviu falar do cometa com o nome dele?), que fazia o mapa celeste do hemisfério sul.

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A manga, que parece uma fruta bem brasileira, foi trazida do sul da Índia para cá pelos portugueses, no século XVI. Segundo a lenda, o primeiro europeu a ver uma manga foi Alexandre, o Grande.

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Drible é uma palavra inglesa. To dribble significa enganar, fintar, e aportuguesamos o verbo inglês para driblar. Houve uma época que alguns locutores esportivos não usavam a palavra drible, era comum ouvir dizer que o fulano aplicou uma finta no adversário.

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O governo Juscelino Kubitschek fez em 28 de junho de 1959 uma coisa que governos mais “de esquerda” recentes não tiveram coragem: rompeu com o FMI. Conta-se que um foca (jornalista novato) estava editando uma matéria sobre o assunto para um jornal e o diagramador, por gozação, disse que a matéria teria uma chamada de capa de uma só coluna e o título devia ser em três linhas de três caracteres apenas. O diagramador e colegas veteranos esperavam que o novato ficasse embatucado e não desse conta do recado, mas rapidamente ele apareceu com o título:

JK:
FMI
NÃO

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Há algumas décadas, um grupo de “especialistas” (não sei quem eram, nem como se identificaram como especialistas nisso) se reuniram para escolher as três frutas mais saborosas do mundo. As escolhidas foram o abacaxi, a lichia e a atemoia. A lichia é de origem chinesa e a atemoia é chilena. O abacaxi, originário do Brasil e do Paraguai, teve muito tempo a fama de ser a “rainha das frutas”. Dizem dele: “Já nasce com coroa”. Seu nome é tupi e significa fruta cheirosa.

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Diz o dito popular: “A cada minuto morre um imbecil. E nascem dois”.

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Assim falou Pittigrilli: “Prefácio é aquela coisa que se escreve depois, imprime-se antes e não se lê nem antes nem depois”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.