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Cultura inútil: Sobre Deus, religião, fé e outras coisas que se dizem afins

15 05 13 Mouzar Benedito Cultura Inútil Deus Religiões e afinsPor Mouzar Benedito.

Jesuis aprometeu que havéra de sarvá
A todos fiéis que o pé da cruiz bejá.
Bejemo, rebejemo, tornemo a rebejá,
Que é pra Jesuis querê nos sarvá.
(Música cantada por beatas na periferia paulistana no final dos anos 1960)

A igreja do Senhor qual será pararapapá.
A igreja do Senhor qual será pararapapá.
Será a que cura os enfermo
E que espanta o capetá.
(Música cantada por um pregador evangélico e seus seguidores no Largo da Concórdia, no final dos anos 1960)

Antes de entrar nuns ditados populares e frases de famosos (ou nem tanto) sobre o assunto, umas considerações. A palavra fé vem do latim, fides, e do grego, pistia. É a confiança absoluta em algo. É uma opinião firme de que algo é verdade, sem qualquer prova.

Para muita gente, todos têm que ter uma “fé”, no caso confundida com religião. Quem não tem é mau.

Segundo dizem, Deus é bom (ou justo?)… Todas as religiões pregam o bem… Será?

Mata-se muito em nome de Deus e das religiões. E isso não é de hoje: basta lembrar alguns episódios históricos. Por exemplo:

1. Sócrates foi condenado à morte em Atenas, e um motivo que pesou muito para essa condenação foi que ele cultuava deuses que não eram atenienses.

2. Leiam o Velho Testamento da Bíblia, na parte que trata das pragas contra o povo egípcio: o faraó queria deixar o povo hebreu se mandar do Egito, para se livrar de pragas mandadas pelo Deus desse povo. Mas, para mostrar poder, Deus “endurecia o coração do faraó” para que ele não permitisse a saída dos hebreus, e depois castigava o povo todo, de forma cruel, inclusive matando os filhos primogênitos de cada família.

3. Roma perseguia e matava os cristãos, colocavam nos circos para serem comidos por leões, sob o aplauso daqueles que professavam a religião dominante naquele império. Também decapitava, queimava, martirizava… Estudem um pouco a vida dos santos católicos e verão. Depois a coisa se inverteu: Roma se tornou cristã e passou a perseguir os não cristãos.

4. A “Santa” Inquisição matava na fogueira quem ela julgava que não era católico e/ou cometia heresias contra o cristianismo.

5. A colonização da América tinha como base de apoio a conversão dos povos dominados à fé cristã, e para isso era permitido matar, estuprar, roubar, fazer o que fosse preciso. E isso valeu para a colonização de outras partes do mundo.

A crueldade dos colonizadores espanhóis era tanta que vale sempre lembrar a história do cacique Hatuey, nascido no Haiti, que foi a Cuba de canoa, no início do século XVI, prevenir os povos indígenas de lá sobre a maldade dos espanhóis. Ele foi pego lá e condenado à morte na fogueira. Um padre disse que se ele se convertesse ao cristianismo iria para o céu. Hatuey perguntou ao padre se espanhóis também iam para o céu, e ele disse que sim. Então o cacique disse algo mais ou menos assim: “Então quero ir para o inferno. Não quero ir para um lugar com gente tão ruim”.

6. Os colonizadores (inclusive os portugueses aqui) demonizavam os deuses dos colonizados, diziam que eram demônios. Impuseram o cristianismo na marra. Hoje em dia ainda há “cristãos” com a mesma mentalidade. Certas seitas evangélicas consideram demônios, por exemplo, todos os deuses das religiões africanas e indígenas.

7. As guerras do Oriente Médio atualmente têm justificativas religiosas, embora por trás esteja também a riqueza do petróleo. De qualquer forma, a intolerância é uma marca das religiões dali, a fé alheia é considerada sempre maligna. Estão aí os exemplos exacerbados do Estado Islâmico e do Boko Haram. Mas mesmo dentro da mesma religião mata-se gente por discordâncias internas, com atos terroristas horrorosos.

Li em algum lugar que as religiões monoteístas são as piores, têm deuses mais, digamos, “vaidosos” e impiedosos, que não aceitam a existência de outros deuses, seus seguidores têm que ser exclusivamente deles. As politeístas pelo menos têm deuses que não são exclusivos. Achei interessante.

Eu mesmo andei escrevendo algumas abobrinhas sobre religião, fé etc. Aí vão elas:

Sou materialista desde a outra encarnação.

* * *

Quando alguém abre a alma, o que encontra dentro dela?

* * *

De que religião são as pessoas de boa-fé?

* * *

Há pessoas que passam a vida cantando “Hosanas ao Senhor”, para poder ir para o céu, onde passarão a eternidade cantando “Hosanas ao Senhor”.

* * *

É fundamental
A quem não tem fundamento
Ser fundamentalista

* * *

Deus é fiel!
Mas tem uns arautos…
Deus do céu!

* * *

Para os fundamentalistas, a vida não é fundamental.

* * *

Nas forças do inferno
O capitão
É um capetão

* * *

Cometeu pecados,
O motivo eu sei:
A necessidade não tem lei

* * *

Que caráter bélico
Tem o pastor
Que se diz evangélico

* * *

Deus é amor.
O diabo
É o atravessador.

* * *

Mulher que “dá” aos pobres empresta o quê a Deus?

* * *

Quem sobe no Dedo de Deus vê os anéis de Saturno?

* * *

Deus é contraditório nos ditados populares: não dá asas a cobra, mas dá nozes a quem não tem dentes.

* * *

No uso da mitologia romana com produtos de limpeza, a arte ganhou mais status que a ciência: o deus das artes, Phebo, virou um sabonete perfumado enquanto o das ciências, Minerva, virou sabão em pó.

* * *

Se a voz do povo é a voz de Deus, Deus anda muito reclamão.

* * *

Contradição de protestante é aceitar sem protestar tudo que o pastor lhe diz.

* * *

A fé remove montanhas. Mas para fazer isso, precisa contar com a ajuda de grandes máquinas de terraplenagem e, às vezes, até dinamite.

DITADOS POPULARES:

Muitos ditados relacionados a Deus são “edificantes”, conformistas. Há o clássico “Deus dá o frio conforme o cobertor”, usado na bela música Saudosa Maloca, de Adoniran Barbosa. Dizem que “o homem põe e Deus dispõe”, ou “se Deus é por nós, quem será contra nós?”, ou “o futuro a Deus pertence”. Ou ainda que “o pouco com Deus é muito e o muito sem Deus é nada”. E tem aquela: “Quem não morre, não vê Deus”.

Mas há outros não tão piegas assim. Aí vão alguns:

Deus é bom, e o diabo não é mau.

* * *

O diabo não é tão feio como o pintam.

* * *

Se o diabo morresse, poucos se importavam com Deus.

* * *

De dinheiro e santidade, a metade da metade.

* * *

O diabo é o outro.

* * *

Deus é grande, mas o mato é maior.

* * *

O homem põe, e Deus dispõe.

* * *

Oração curta depressa chega ao céu.

* * *

O diabo ajuda os seus.

* * *

O diabo reza também.

* * *

O diabo sabe muito, porque é velho.

* * *

Quem é besta pede a Deus que o mate e ao diabo que o carregue.

* * *

Sacristão novo cospe fora da igreja; sacristão velho mija no altar.

O QUE DISSERAM ALGUNS INTELECTUAIS, ARTISTAS ETC.

Isaac Asimov: “Todas as religiões são a verdade sagrada para quem tem a fé, mas não passam de fantasia para os fiéis das outras religiões”.

* * *

Anatole France: “A religião prestou ao amor um grande serviço, fazendo dele um pecado”.

* * *

Simone Weil: “A religião como fonte de consolação é um obstáculo à verdadeira fé; nesse sentido, o ateísmo é uma purificação”.

* * *

Afonso Schmidt: “O catolicismo é uma revolução comunista que fracassou”.

* * *

Menotti Del Picchia: “Deus está dentro da imaginação que cria e que crê”.

* * *

Simone de Beauvoir: “Eu passava muito bem sem Deus. E, se utilizava seu nome, era para designar o vazio que tinha, a meus olhos, o clarão da plenitude”.

* * *

William Shakespeare: “O diabo pode citar as Escrituras quando isso lhe convém”.

* * *

Voltaire: “A religião mal entendida é uma febre que pode terminar em delírio”

* * *

Clóvis Ernesto Correia: “Foi Deus quem fez o Céu alto para lá não ir ninguém”.

* * *

Nietzsche: “Não posso acreditar num Deus que quer ser louvado o tempo todo”

* * *

Schopenhauer: “Não nos deixar cair em tentação é o mesmo que dizer: não nos deixar ver quem realmente somos”.

* * *

Medeiros de Albuquerque: “Os crentes chamam ‘Deus’ à causa ignorada de tudo que se conhece.

* * *

Medeiros de Albuquerque, de novo: “O ateísmo sereno, a certeza de que só conosco devemos contar, dá mais tranquilidade ao espírito do que qualquer religião”.

* * *

Rubem Alves: “Deus nos deu asas do pensamento para voar, os homens nos deram as gaiolas da religião”.

* * *

Vincent van Gogh: “Quando sinto uma terrível necessidade de religião, saio à noite para pintar as estrelas”.

* * *

Marquês de Maricá: “A religião é como a pátria, sempre nos parece melhor a nossa própria”.

* * *

Bakunin: “Religião é demência coletiva”.

* * *

Karl Marx: “O primeiro requisito da felicidade dos povos é a abolição da religião”.

* * *

Sophie Arnaud: “As mulheres se dão para Deus quando o diabo já não quer mais nada com elas”.

* * *

Padre Manuel Bernardes: “Que é o inferno? Reino da morte viva”.

* * *

Aldous Huxley: “O céu que vá para o diabo”.

* * *

Aldous Huxley de novo: “E se este mundo for o inferno de outro planeta?”.

* * *

Renato Kehl: “Místico é aquele que não consegue manter-se no domínio das realidades, perdendo-se em devaneios sem fim”.

* * *

Dante Alighieri: “No inferno os lugares mais quentes são reservados àqueles que escolheram a neutralidade em tempo de crise”.

* * *

Gregor Samsa: “O inferno só existe onde existe religião”.

* * *

Clarice Lispector: “Quando de noite ele me chamar para a tração do inferno, irei. Desço como um gato pelos telhados. Ninguém sabe, ninguém vê. Só os cães ladram pressentindo o sobrenatural”.

* * *

Francisco de Bastos Cordeiro: “A oração contemplativa é o monólogo em êxtase. A oração imperativa, uma forma de suborno”.

* * *

Gustave Le Bon: “Se o ateísmo se propagasse, tornar-se-ia uma religião tão intolerável como as antigas”.

* * *

Eduardo Galeano: “O corpo não é uma máquina como nos diz a ciência. Nem uma culpa como nos fez crer a religião. O corpo é uma festa”.

* * *

Luís Freitas Rodrigues: “O papel da igreja no plano espiritual dever ser o de dar e não o de pedir, e muito menos o de exigir”.

* * *

Bob Marley: “Não tenho religião, eu sou o que sou. Eu sou um Rastafári… E isso não é religião, isso é vida”.

* * *

Camilo Castello Branco: “As religiões, prometendo infernos além deste mundo foram mais inventivas que Deus”.

* * *

José Saramago: “O problema não é um Deus que não existe, mas a religião que o proclama”.

* * *

Eurípides: “O dinheiro é a religião do homem de bom senso”.

* * *

Afrânio Peixoto: “A religião é um tropismo humano”.

* * *

Raquel de Queiroz: “Quanto ao ateu, a diferença que faz do deísta, é que ele próprio é o seu Deus”.

* * *

Robert M. Pirsig: “Quando uma pessoa sofre um delírio, isso se chama insanidade. Quando muitas pessoas sofrem um delírio, isso se chama religião”.

* * *

Miguel Couto: “Vinte séculos de cristianismo não fixaram o homem na humanidade”.

* * *

Joracy Camargo: “Deus é o único que perdoa os ateus”.

* * *

Joracy Camargo, de novo: “O homem crê porque tem medo de não crer”.

* * *

Ivan Lins: “A crença em Deus, até mesmo quando se trata de sacerdotes e Papas, nem sempre concorre para melhorar os homens”.

* * *

Olavo Bilac: “O medo é o pai da crença”.

* * *

Guerra Junqueiro: “A razão é um verme, mas a crença é asa”.

* * *

Jean-Paul Sartre: “Não há necessidade de grelhas, o inferno são os outros”.

* * *

Fernando Pessoa: “Haja ou não deuses, deles somos servos”.

* * *

Gorki: “A mentira é a religião dos escravos e dos senhores”.

* * *

Rui Barbosa: “Um povo cuja fé se petrificou, é um povo cuja liberdade se perdeu”.

* * *

Augusto de Lima: “A crença é pretensão de ver em plena treva”.

* * *

Jô Soares: “No Brasil, quando o feriado é religioso, até ateu comemora”.

* * *

Winston Churchill: “Se estiver passando pelo inferno, continue caminhando”.

* * *

Ieda Graci: “No coração dos maus há sempre um pouco de boa fé”.

* * *

John Lennon: “Eu acredito em Deus, mas não como uma coisa, não como um velho no céu. Creio que o que as pessoas chamam de Deus é algo que está em todos nós. Acredito que o que Jesus, Maomé, Buda e outros disseram está certo. São as traduções que foram erradas”.

* * *

Charles Darwin: “Não consigo acreditar que alguém deseje que o cristianismo seja verdadeiro: porque se for, o texto da Bíblia deixa claro que os que não acreditam nela, e isso incluiria meu pai, meu irmão e quase todos os meus melhores amigos serão eternamente punidos. E essa é uma doutrina abominável”.

* * *

Leoni Kaseff: “O fanatismo é um estado d’alma, em que a paixão do crente se converte em alucinações”.

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Antero de Figueiredo: “As superstições são o vício mísero dos espíritos mesquinhos”

* * *

Josué de Castro: “O beato fanático traduz a vitória da exaltação moral, apelando para as forças metafísicas a fim de conjurar o instinto solto e desacordado”.

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Sigmund Freud: “Um homem que está livre da religião tem uma oportunidade melhor de viver uma vida mais normal e completa”.

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Humberto de Campos: “Se a religião pode fazer o santo, a descrença pode fazer o justo”.

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Walther Waeny: “As grandes religiões nascem, muitas vezes, de uma heresia”.

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Charles Baudelaire: “Quem docemente nosso espírito consola (…) é o Diabo que nos move e até nos manuseia”.

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Stanislaw Ponte Preta: “Se o diabo entendesse de mulher, não tinha rabo nem chifre”.

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Napoleão Bonaparte: “A religião é aquilo que impede os pobres de matarem os ricos”

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Autor desconhecido: “Jesus é o caminho. Edir Macedo é o pedágio”.

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Stendhal: “Todas as religiões são fundadas sobre o temor de muitos e a esperteza de poucos”.

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Júlio Dantas: “Deus, se tivesse de ouvir os pecados de uma mulher, ouvia-os sorrindo”.

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Albert Einstein: “A religião do futuro será cósmica e transcenderá um Deus pessoal, evitando os dogmas e a teologia”.

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Machado de Assis: “O maior pecado, depois do pecado, é a publicação do pecado”.

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Jonathan Swift: “Nós temos a religião suficiente para nos odiarmos, mas não a que baste para nos amarmos uns aos outros”.

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Roberto das Neves: “O pior pecado é nunca ter pecado”.

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Autor desconhecido: “O fanatismo é para a religião o que a hipocrisia é para a virtude”.

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Christopher Marlowe: “Considero a religião um brinquedo infantil, e acho que o único pecado é a ignorância”.

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Mahtama Gahdhi: “Eu seria cristão sem dúvida, se os cristãos o fossem 24 horas por dia”.

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Guimarães Rosa: “Deus come escondido, e o Diabo sai por toda parte lambendo o prato”.

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Guimarães Rosa, de novo: “E, outra coisa, o Diabo é às brutas; mas Deus é traiçoeiro.! Ah, uma beleza de traiçoeiro – dá gosto! A força dele, quando quer me dá o medo pavor! Deus vem vindo: ninguém não vê. Ele faz é na lei do mansinho, assim é o milagre”.

* * *

Bernardo Guimarães: “Dos grandes pecadores fazem-se os grandes santos, como da imundície e da podridão brotam por vezes as mais lindas e viciosas plantas”.

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Mário Quintana: “O milagre não é dar vida ao corpo extinto, ou luz ao cego, ou eloquência ao mudo… Nem mudar água pura em vinho tinto. Milagre é acreditarem nisso tudo”.

PARA TERMINAR…
Um causo que publiquei no livro Santa Rita Velha Safada

Sá Donana ficou muito irritada no domingo de manhã, quando saía para a missa e deu de cara com o Micuim dormindo bêbado bem em frente a sua porta. Mas, como estava indo para a igreja, em vez de fazer um esporro, resolveu demonstrar seu espírito cristão, tentando recuperar o Micuim com conselhos — que era o máximo que se dispunha a dar a quem quer que fosse.

Cutucou o bêbado com o pé, até ele acordar mal-humorado.

— Seu Micuim, o senhor não tem vergonha de viver bêbado todos os dias? O senhor parece que não gosta da vida, que não acredita em nada, que não tem fé…

— Péra aí… fé eu tenho. Gosto muito de dois Santos!

Animada, pensando que afinal ele tinha salvação e que sua boa ação ficaria um pouco mais fácil, ela prosseguiu:

— É!? E quais são os dois santos que o senhor gosta?

— São Risal quando tô de fogo e São Duíche quando tô com fome.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura inútil: Pensamentos profundos, e rasos também

15 04 27 Mouzar Benedito Cultura InútilPor Mouzar Benedito.

Jorge Luís Borges: “Todos os caminhos levam à morte. Perca-se”.

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Paulo Leminski: “Salve-se quem quiser. Perca-se quem puder!”.

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Tom Jobim: “Viver no exterior é bom, mas é uma merda. Viver no Brasil é uma merda, mas é bom”.

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Graciliano Ramos: “Fiz coisas boas que me trouxeram prejuízo; fiz coisas ruins que me deram lucro”.

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Clarice Lispector: “Liberdade é pouco. O que eu desejo ainda não tem nome”.

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Eça de Queiroz: “Políticos e fraldas devem ser trocados de tempos em tempos pelo mesmo motivo”.

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Isadora Duncan: “Você já foi selvagem aqui uma vez. Não deixe que eles lhe domem”,

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Carlito Maia: “Evite o tráfico. Plante em casa”.

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Carlito Maia, de novo: “Liberdade sexual é foda!”.

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Padre Antônio Vieira: “Mais afronta a mesura de um adulador que a bofetada de um inimigo”.

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L. Menchen: “É pecado pensar mal dos outros, mas raramente é engano”.

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Santos Dumont: “É para Paris que emigra a alma dos bons americanos quando morrem”.

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Xiquote (pseudônimo de Bastos Tigre): “Somente num caso é possível a amizade de dois homens, havendo uma mulher no meio: se ela é sogra de ambos”.

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Rui Barbosa: “Amigos e inimigos estão, amiúde, em posições trocadas. Uns nos querem mal e fazem-nos bem. Outros nos almejam o bem e fazem-nos mal”.

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Karl Marx: “O caminho do inferno está pavimentado de boas intenções”.

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Henny Young: “Sabe o que significa voltar para casa à noite e encontrar uma mulher que lhe dá amor, afeto e ternura? Significa que você entrou na casa errada, só isso”.

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Machado de Assis: “O melhor jeito de apreciar o chicote é ter-lhe o cabo nas mãos”.

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Berilo Neves: “Dá-se o nome de trovoada a um barulho que chega atrasado, já passou. É como conselho dado depois que nos casamos: já não adianta…”.

* * *

Camilo Castelo Branco: “Não há amor que resista a 24 horas de filosofia”.

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Luís Carlos Prestes (poucos dias antes do golpe de 1964): “Não há condições para o golpe reacionário. Se os golpistas tentarem, terão as cabeças cortadas”.

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Mark Twain: “Prefiro o paraíso pelo clima, o inferno pelas companhias”.

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Carlos Drummond de Andrade: “A minha vontade é forte, mas a minha disposição de obedecer-lhe é fraca”.

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Barão de Itararé: “Mais valem dois galos cantando no poleiro do que um na testa”.

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Érico Veríssimo: “De que serve construir arranha-céus, se não há mais almas humanas para morar neles?”.

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Darcy Ribeiro: “Mais vale errar se arrebentando do que poupar-se para o nada”.

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Johann Goethe: “Só sabemos com exatidão quando sabemos pouco. À medida que vamos adquirindo conhecimentos, instala-se a dúvida”.

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Getúlio Vargas: “Nos períodos de exaltação e de luta não é raro vermos a democracia matando em nome da liberdade e a fé religiosa trucidando em nome de Deus”.

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Fialho de Almeida: “Um cínico disse: só os imbecis se portam bem. E eis aí uma verdade universal”.

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Ellen Goldman: “Mostre-me uma mulher que quer ser magra apenas por razões de saúde e e eu lhe mostro um homem que lê Playboy apenas pelas entrevistas”.

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Mário Quintana: “Tudo que acontece é natural. Inclusive o sobrenatural”.

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Kurt Vonnegut: “Humanista é uma pessoa com grande interesse pelos humanos. Meu cachorro é humanista”.

* * *

Trilussa: “Quem gasta tudo o que possui economiza o choro dos herdeiros”.

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Vítor Caruso: “Chamar cara-metade à própria esposa é perigoso: pode dar a ideia de que há um sócio”.

* * *

Mário de Andrade: “Popular é o ruim gostoso”.

* * *

Marilyn Monroe: “Hollywood é um lugar onde te pagam mil dólares por um beijo e cinquenta centavos por sua alma”.

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Chico Buarque (respondendo à acusação de “passadista” que lhe fez o movimento tropicalista, em 1968): “Nem toda loucura é genial, assim como nem toda lucidez é velha”.

* * *

Millôr Fernandes: “Democracia é quando eu mando em você, ditadura é quando você manda em mim”.

* * *

Afrânio Peixoto: “É cético o caramujo: desconfia de tudo, até da própria casa. Por isso anda com ela às costas”.

* * *

Confúcio: “Para conhecermos os amigos é necessário passar pelo sucesso e pelo fracasso. No sucesso, verificamos a quantidade e, na desgraça, a qualidade”.

* * *

Viana Moog: “Tragédia sem incesto é drama”.

* * *

Ambroise Pierce: “Bem-estar é o estado da alma produzido pela observação do mal-estar do nosso vizinho”.

* * *

Dercy Gonçalves: “Nunca tive amor pelos homens. Com eles sempre fiz negócios”.

* * *

Mae West: “Nunca cometa o mesmo erro duas vezes. A não ser que tenha sido bom”.

* * *

Mae West, de novo: “A virtude tem suas vantagens, mas não dá bilheteria”.

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Capistrano de Abreu: “É bom que os críticos estreiem por obras próprias”.

* * *

Harry Benjamin: “Não acrescente dias à sua vida, mas vida aos seus dias”.

* * *

Graça Aranha: “A civilização é uma violência do homem à natureza”.

* * *

Charles Chaplin: “Se matamos uma pessoa somos assassinos. Se matamos milhões de homens, celebram-nos como heróis”.

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João Grosso (de Nova Resende): “Homem que não come cinco pratos de comida, pra mim não é homem”.

* * *

Fernando Pessoa: “As figuras imaginárias têm mais relevo e verdade que as reais”.

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Fernando Sabino: “Não confio em produto local. Sempre que viajo, levo meu uísque e minha mulher”.

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Einstein: “Tristes tempos os nossos, em que é mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito”.

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Autor desconhecido: “Para evitar filhos, transe com a cunhada… Se nascerem, serão sobrinhos”.

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Paula Nei: “A democracia seria ideal se não tivesse sovaco. Tudo!, tudo!, menos tal cheiro de suor honrado”.

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Stanislaw Ponte Preta: “No Brasil, as coisas acontecem, mas depois, com um simples desmentido, deixam de acontecer”.

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Tim Maia: “Comecei uma dieta, cortei bebidas e comidas pesadas, e em um mês perdi trinta dias”.

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Sócrates: “O ideal no casamento é que a mulher seja cega e o homem surdo”.

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Luís Fernando Veríssimo: “Brasil: esse país de corruptos sem corruptores”.

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Al Capone: “Não entendo como alguns escolhem o crime, quando há tantas maneiras legais de ser desonesto”.

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Che Guevara: “Quando o extraordinário se torna cotidiano, é a revolução”.

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Victor Hugo: “Em tempo de revolução, cuidado com a primeira cabeça que rola. Ela abre o apetite do povo”.

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Glauber Rocha: “A História é feita pelo povo e escrita pelo poder”.

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Baiaco (craque do time do Bahia, que não entrou num jogo porque estava contundido): “Comigo ou sem migo, o Bahia ganha”.

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Walther Waeny: “O homem é tão egoísta que foi preciso falar-lhe de recompensa em outra vida para que ele praticasse o bem nesta”.

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Woody Allen: “Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer”.

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Marquês de Maricá: “Folgamos com os erros alheios como se eles justificassem os nossos”.

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Mouzar Benedito, quer dizer, eu mesmo: “Há uns tempos, velho começou a ser chamado de idoso, depois passou a ser da ’terceira idade’ e por fim da ‘melhor idade’. Assim capenga a humanidade.”

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura inútil: Algumas considerações sobre a cachaça

cachaça mouzarPor Mouzar Benedito.

Uma história que já contei por aí começa com uma pergunta: numa guerra, como é que um soldado que pode ser gente boa e pacífica sai dando tiro em “inimigos”, matando gente que nunca viu?

A resposta, li em algum lugar, sobre a Guerra do Paraguai: antes dos combates, os oficiais davam a cada soldado uma caneca de cachaça, eles pegavam a pólvora de um cartucho, misturavam na dita cuja e bebiam. Imagine! Dariam tiro até na mãe, se ela lhe aparecesse na frente.

Mas isso não é coisa só daqui. Um militar me disse certa vez que na Batalha de Stalingrado a principal carga de abastecimento permanente dos russos era de vodka, que chegava lá regularmente, considerada mais importante do que comida e qualquer outra coisa. E do outro lado, o que não podia faltar para o exército de Hitler era conhaque.

Bom… Mas cachaça – e seus equivalentes – não é coisa usada só para maldades. No frio, ela serve para esquentar (não é à toa que a chamam de cobertor de pobre); no calor, para refrescar. Para quem quer entrar numa briga, serve para dar coragem; para os machões do coração duro, serve para soltar o choro. Ela dá eloquência aos tímidos. Um que queira se declarar a uma mulher e não tem coragem (diferente da coragem para brigar), cria essa coragem com uma dose da danada.

A cachaça tem mais de mil sinônimos no Brasil. Seria até um tanto chato tentar listar todos. Mas vou listar alguns, em tópicos intercalados com historinhas, de acordo com o “ângulo” que se usa para vê-la e designá-la. Começo por aqueles positivos, afetuosos. Aí vão alguns:

Adorada / cem-virtudes / afamada / apetitosa / carinhosa / distinta / bicho-bom / lindinha / salve-ela / purinha / danadinha / quero-mais / faz-xodó / santinha / virgem afamada / cheirosinha / vexadinha / abençoada / preciosa / sinhazinha / dengosa / imaculada / lágrima de virgem / xixi-de-anjo

Pode inventar que ele entende

Uma vez, numa pequena cidade de Minas Gerais, comentei com um amigo paulista que, além dos mais de mil sinônimos, podíamos inventar outros na hora que o vendeiro entendia só pelo tom de voz que a gente usasse. Ele não acreditou. Eu disse que ia provar. Entramos numa venda, ele, eu e dois primos meus. Bati no balcão e pedi: “Quatro bostas”. O vendeiro não vacilou: pegou quatro copos e serviu uma dose caprichada em cada um deles.

Meu amigo continuou não acreditando, disse que eu sabia que bosta era sinônimo de cachaça ali. Propus que na venda seguinte ele pedisse, inventando o nome que quisesse. Topou. Bateu no balcão e pediu: “Quatro martelos”. Sem falar nada, o vendeiro serviu quatro doses.

Muito bem, fiz primeiro uma lista com sinônimos “positivos”. Agora, lá vai uma com nomes que estão mais para encrenca ou outras coisas “negativas”:

Marvada / nó-cego / engasga gato / acaba-festa / sururu / arranja-briga / a que matou o guarda / água de briga / braba / tira-prosa / tira-teima / trombada / desmancha-samba / espanta-moleque / precipício / sopapo / arranca-bofe / tira-teima / turbulenta / valentona / mijo de cão / venenosa / corta-bainha / já-começa / cascavel / tenebrosa

Dar um gole pro santo

Caipira que é caipira mesmo não bebe sem despejar no chão umas gotas “para o santo”. Será que santo bebe? Bom, pelo menos alguns acreditam que há protetores divinos para quem está bêbado. Uns dizem que Deus protege as crianças e os bêbados. Mas com tanta criança e tanto bêbado, seria serviço demais pra um Deus só. Aí entram seus auxiliares.

Você sabe quais são os santos protetores dos cachaceiros?

Santo Onofre, que era um eremita, tem na imagem uma cuia pendurada no ventre. Oficialmente é uma cuia com água, mas para os apreciadores da “marvada” aquilo tem é pinga mesmo. Santo Onofre é considerado por muitos como o “padroeiro dos cachaceiros”, e também das prostitutas e dos jogadores de baralho. Um santo da pá virada! Mas nas piadas há outros padroeiros dos pinguços: São Sebastião, que morreu num pau só; Santa Joana D’Arc, que morreu no fogo; São João, que morreu na brasa, e São Jorge, que matava o bicho.

Um intervalo agora, para alguns sinônimos dela que certamente foram criados por homens que a comparavam à mulher amada:

Chica-boa / Maria-teimosa / mulata / moça-branca / maria-branca / sedutora / filha de senhor de engenho

Tomar uma, para alguns, é matar o bicho, expressão usada inicialmente para se referir à primeira dose, tomada de manhã, e depois passou a ser usada também para as primeiras doses tomadas a qualquer hora do dia a branquinha, amarelinha ou azulzinha (nomes que ela recebe conforme o recipiente em que é descansada). Em alguns lugares, usa-se a expressão “salgar o gato” com o mesmo significado.

Voltemos aos sinônimos da pinga. Muitos dos nomes usados para falar dela a tratam como remédio. Alguns deles:

Mata-bicho / cura-tudo / penicilina / homeopatia / canforada / depurativo / tira-frio / antibiótico / curandeira / sossega-leão

Eta água boa!

Alguns falam dela como “agüinha” (com trema mesmo, para que ninguém leia errado se escrever aguinha – que horror, o fim do trema), pensando que é uma gíria exclusivamente brasileira. Nada disso. Vodka, em russo, também é agüinha – simplificando, adaptando ao o palavreado russo ao nosso linguajar, vod é água, e ka o diminutivo. E “água” aparece em vários sinônimos de cachaça, como é o caso de água benta e água que passarinho não bebe. Mas vamos a algumas palavras que não se enquadram nas categorias anteriores, mas que acho interessantes, como sinônimos de cachaça:

Cajibrina ou canjibrina / lamparina / abrideira / zuninga / gasolina / querosene / petróleo / péla goela / não-sei-quê / suor de alambique / sumo de cana / purona / quebra-jejum / teimosa / tome-juízo / girgolina / friinha / jinjibirra / otim-fim-fim / retrós / ximbica / delas frias

E os caras que não querem que saibam o que estão bebendo? Na minha terra, um rapaz que bebia todas, sempre que queria tomar uma dizia que ia comprar fósforo, só que a nossa pronúncia caipira ali era “fósqui”. Ele entrava na venda ao lado e pedia um “fósqui”, e era servido meio escondido.

Parati, birita, caninha…

Isso faz lembrar a história de alguns nomes que lhe deram. No Rio de Janeiro, até as primeiras décadas do século XX, a cidade era abastecida com cachaça produzida em Parati, e a palavra parati virou sinônimo da distinta. Basta lembrar o samba de Assis Valente: “Em vez de tomar chá com torradas, ele tomou parati”. Hoje em dia, Parati produz muita cachaça de novo, e há alambiques que, dizem, funcionam desde o século XIX. Pode ser, mas com certeza eles pararam um tempo de produzir, ou pelo menos de produzir para vender, pois na primeira vez que fui a Parati, quando ainda não existia a rodovia Rio-Santos e o único jeito de chegar lá por terra era uma estrada precária que parecia mais uma trilha perigosa, que descia a Serra do Mar a partir de Cunha, só encontrei nos botecos de lá duas marcas de pinga: a Labareda e a Quero Essa. Isso foi lá por 1969 ou 1970. Claro que com a estrada asfaltada, veio o turismo mais forte, bares e restaurantes chiques, e os alambiques devem ter voltado à ativa, ou voltado a produzir comercialmente.

Em Santo Amaro da Purificação, no Recôncavo Baiano, havia uma das pingas mais famosas da Bahia, a Birita, e birita virou também sinônimo de cachaça. Desse sinônimo, surgiu a variante birinaite.

Napoleão Bonaparte teve algo a ver com a produção de cachaça aqui também. Não acredita? Quando a família imperial portuguesa veio para cá, fugindo de Napoleão, a vingança de Dom João VI foi ocupar a Guiana Francesa. Mais tarde, teve que desocupar, mas trouxeram de lá uma variedade de cana muito boa para a produção de cachaça, e ela tinha o nome da capital daquela Guiana, Caiena. Aqui, o nome mudou para caiana, variedade que se tornou uma das preferidas dos alambiqueiros.

Outra variedade muito apreciada pelos produtores era a caninha, uma cana fininha e pequena, mas com alto teor de açúcar, o que dava uma ótima cachaça. Mas ela era hospedeira de uma doença que nela não fazia mal, mas passava para outras variedades e nessas era muito prejudicial. Getúlio Vargas era o ditador na época e mandou exterminar a caninha para evitar a doença nos canaviais, só sobraram algumas plantações clandestinas dela. Mas sobrou o nome caninha… Em Monte Alegre do Sul, estado de São Paulo, há muitos anos, descobri um alambique que produzia cachaça com caninha, mas ela custava bem mais caro que as demais.

Bêbado como?

“Cachaceiro é quem produz a cachaça, eu sou consumidor”, ouvi quando criança um dos maiores consumidores dela.

Há muitas expressões divertidas para falar de quem bebeu demais. Uma delas é dizer que o cara está cercando frango. Quem já pegou frango na horta sabe aquele andar cambaleante, fazendo que vai pra um lado e indo pro outro, justifica a expressão.

Outra é que o fulano está bêbado que nem gambá. Na roça, os gambás costumavam atacar os galinheiros para comer ovos, e um jeito que os roceiros usavam para pegar o bicho era colocar ao lado de um ninho de galinha um prato com pinga. Dizem que o gambá gosta muito da marvada, e bebe até cair. Então, de manhã, o sujeito vai lá e encontra o animal ainda bêbado, dormindo. Aí… pau nele! Não eram nada ecológicos esses roceiros!

Outras expressões sobre bêbados: está com a cachorra cheia; bebaço, avinhado, encarraspanado (ou, dizem, “tomou uma carraspana”), envernizado, borracho (este herdamos dos países de língua espanhola).

Para quem costuma beber rotineiramente, todos os dias, a palavra mais comum é boêmio, mas conforme o caso usa-se as expressões, pé-de-cana, bebum, funil, biriteiro, beberrão, caixa-d’água, irmão da opa, mamarrote, pinguço, borrachão, troviscado, ébrio…

Barão de Itararé e a cachaça

O glorioso Barão tem muitas histórias boas sobre bebidas. Aí vai apenas uma amostra:

Teatro sintético

1º ato
(No balcão da confeitaria)

– Vira uma pinga com limão!

2º ato
(Entra um amigo e fala)

– Você não deve beber pinga com limão. É veneno!

3º ato
(O primeiro personagem responde)

– Suspenda o limão!

(Pano de boca, depressa)

Ditos sobre cachaça e afins

Listo primeiro, uns poucos ditados populares entre os muitos que existem. Em seguida frases de alguns pensadores:

Ditados

Cachaça pode mais do que Deus: ele dá juízo, ela tira.

* * *

Quem não bebe, cheira o copo.

* * *

Bebe só duas qualidades de bebidas: nacionais e estrangeiras.

* * *

Deixou de beber: está comendo com farinha.

* * *

Cachaceiro não tem segredo.

* * *

Mulher, cachaça e bolacha em toda parte se acha.

* * *

In vino, veritas.

Assim falaram dela

Dorintho Morato (de Nova Resende): “Pergunte a qualquer roceiro aí sobre esses matinhos. Eles sabem que um serve pro coração, outro pro pulmão, outro pro estômago, outro pra dor de não sei do quê… Italiano não sabe nada disso, e não é porque seja mais bobo, e sim mais esperto: toma vinho, que serve pra tudo, não precisa de tomar chá de matinho”.

* * *

Tiago (morador do Jardim Nordeste, em São Paulo, quando tinha 5 anos de idade): “Lá em casa a gente só bebe pinga, mas tem que ser da ruim mesmo. Se for pinga boa, a gente põe limão pra ficar ruim”.

* * *

Monteiro Lobato: “Literatura é cachaça. Vicia. A gente começa com um cálice e acaba pau d’água na cadeia”.

* * *

Raymond Chandler: “O álcool é como o amor. O primeiro beijo é mágico, o segundo é íntimo e o terceiro é rotina. Depois dele, você tira as roupas da moça”.

* * *

Sabino de Campos: “A cachaça, quando não dá certo por dentro, dá por fora”.

* * *

Ernest Hemingway: “Um homem inteligente às vezes é forçado a ficar bêbado para gastar um tempo com suas bobagens”.

* * *

Nabuco de Araújo: “O bêbado é o voluntário da loucura”.

* * *

Josué de Castro: “Todo mundo faz hinos ao vinho, mas ninguém se lembra de fazer um hino ao leite”.

* * *

Omar Khayam: “Ouço dizer que os amantes do vinho serão castigados no inferno. Se os que amam o vinho e o amor vão para o inferno, o paraíso deve estar vazio”.

* * *

Groucho Marx: “Eu bebo para fazer as outras pessoas interessantes”.

* * *

Eu: “Tem baixinho que bebe só pra ficar alto”.

* * *

Eu, de novo: “Há quem pense que círculo vicioso é cu de bêbado”.

* * *

Eu, mais uma vez: “Músico clássico bêbado só toca Bach, Chopin e Brahms”.

E para terminar…

Um causo que publiquei no livro Santa Rita Velha Safada.

ROSÁRIO

Rosário, poeta analfabeto de pai e mãe, mas de memória de deixar elefante morrendo de inveja, era o cronista do povoado. Tudo o que acontecia ali, era relatado com riqueza de detalhes, em rimas cheias de insinuações.

Ficava o dia inteiro sentado à sombra de uma casa ou de uma árvores, encostado, com ar de bêbado. Poesia para ele se chamava “décima”.

— Ô, Rosário, fala uma décima pra mim.

— Então paga uma pinga.

— Pagavam, ele bebia, fazia um ar feliz e perguntava:

— Qualé o assunto que ocê qué?

Se ele tinha uma décima pronta sobre o assunto escolhido, declamava com voz pastosa; se não tinha, inventava na hora e falava — também com voz pastosa.

Um dia ele amanheceu particularmente irritado. Ficou sentado na porta de uma loja e não queria falar nada.

— Rosário, fala uma décima aí.

— Não, hoje não.

— Eu pago uma pinga.

— Não.

Para um fazendeiro que insistiu muito, ele acabou fazendo uma concessão. Rimando, começou a descreve Santa Rita Velha, com ironia, vendo o lado defeituoso de cada coisa, depois olhou para o fazendeiro e continuou:

Lá vem o caboclo da roça,
calçado de sapatão,
de relógio no pulso
e num sabe quantas horas são.

Foi daí pra pior, humilhando o fazendeiro até que ele foi-se embora. Mas, já que tinha começado a falar, continuou — rimando — a dirigir versos a todos os que passavam. Zé Passarinho, por exemplo mereceu esses versos:

Eu queria encontra
com esse tal de Zé Passarinho,
pra metê o pé nos ovos
e botá fogo no ninho.

Joaquim Bento, um negro que tinha a mão branca devido à doença chamada vitiligo, entrou alegre na loja, para fazer compras pro seu casório, esbarrou no Rosário e, em vez de pedir desculpa, resmungou alguma coisa qualquer. Rosário não deixou barato:

Fui chamado pruma festa,
casamento dum papudo.
Ele chama Joaquim Besta,
mão pelada e pé cascudo.

Ele é cambaio das perna,
é caolho e beiçudo,
tem o nariz esparramado
pro meio da cara tudo.

Ele gosta da prumaça,
lenço branco no pescoço,
cacunda de boi zebu,
barriga de sete almoço.

Levou uns tapas, antes que a turma do deixa disso segurasse o Joaquim Bento, mas mesmo assim continuou no mesmo estilo o dia todo. De tardezinha, num bar, um cigano começou a tentar fazer um desafio com ele. Falou um monte de versos provocativos e o Rosário nem ligava. Tanto encheu que o Rosário resolveu responder, falando da “nação” cigana:

Ô nação disgramada,
ô nação dissoluta,
os homens são breganhista
e as muié são tudo puta.

Não deu pra continuar. Levou mais uns tapas, antes que a turma do deixa disso interviesse novamente, segurando o cigano.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura Inútil: Profeta do caos

15 03 24 Mouzar Benedito Cultura Inutil Profeta do caosPor Mouzar Benedito.

Jeron Criswell Konig (1907-1982), um “vidente” dos Estados Unidos que se autotintitulou “The Amazing Criswell” (O Incrível Criswell), previu que John Kennedy não se candidataria à reeleição para presidente em 1964 porque seria assassinado antes disso. Acertou. Kennedy foi assassinado em 22 de novembro de 1963. Mas foi um dos poucos acertos dele. Fez um monte de “profecias” totalmente fajutas. Por exemplo: entre 11 de fevereiro e 11 de maio de 1983 as mulheres da cidade de St. Louis iriam ficar carecas. Seus cabelos só voltariam a crescer depois de um período em que aconteceriam muitos assassinatos, divórcios, suicídios e massacres, principalmente de cabeleireiros. Ele tinha previsto também que na década de 1970 os EUA e a URSS fariam 200 estações espaciais que seriam a salvação da humanidade, pois o mundo acabaria em 18 de agosto de 1999 (um “arco-íris preto” roubaria todo o oxigênio da atmosfera terrestre e a Terra sairia de órbita, indo em direção ao sol) e só os colonos dessas 200 estações espaciais sobreviveriam.

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O remo, como esporte, teve início na Inglaterra, em 1829.

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Marco Polo, o primeiro europeu a viajar até a China, quando chegou de volta e começou a contar certas “maravilhas” que viu por lá, ganhou o apelido de Marco Mentira.

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A data 7 de janeiro deve ficar para sempre marcada pelo atentado que matou várias pessoas na redação do Charlie Hebdo, em Paris, cometido por dois fanáticos religiosos. Mas aqui no Brasil, ela pode ser lembrada num sentido contrário: em 7 de janeiro de 1890, Ruy Barbosa apresentou ao Marechal Deodoro o texto do projeto de separação da Igreja do Estado.

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Rachel de Queiroz foi uma apoiadora entusiasmada do golpe de 1964. Quando moça, ela chegou a ser presa sob a acusação de ser comunista.

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A atriz Sarah Bernhard esteve algumas vezes no Brasil e não teve sorte aqui. Em 1886, apresentou Fedra e A Dama das Camélias, sem grande sucesso, e ainda teve briga na plateia. Seu filho foi espancado. Para completar, havia um surto de febre amarela. Ela se mandou. Em 1893, ladrões levaram suas joias e seu dinheiro, e quando ia voltar para a Europa o navio em que estava foi bombardeado na Baia de Guanabara, durante a Revolta da Armada contra o governo de Floriano Peixoto. Em 1906, apresentava a Tosca, em que numa cena teria que “cometer” suicido, se atirando num abismo. Fora do palco, pilhas de colchões deveriam amortecer sua queda, mas um funcionário do teatro, mal informado, tirou os colchões do lugar. Resultado: aos 61 anos, ela se esborrachou no chão fraturou feio um joelho e acabou tendo que amputar a perna.

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Assim falou Getúlio Vargas, quando lhe perguntaram sobre a qualidade dos ministros de seu governo: “Uns não são capazes de nada. Outros são capazes de tudo”.

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Santa Genoveva é Padroeira de Paris. No ano 451, ela organizou o povo da cidade para enfrentar os hunos liderados por Átila. Seu dia é 3 de janeiro.

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Potiguar, denominação para quem nasce no Rio Grande do Norte, significa em tupi “comedor de camarão”. Um dos povos indígenas que moravam lá era o Potiguara, que ainda sobrevive na Baía da Traição, na Paraíba, divisa com o Rio Grande do Norte. Mas os norte-rio-grandenses já foram chamados também de papa-jerimum, porque um presidente da então província do Rio Grande do Norte, sem dinheiro, certa vez pagou funcionários públicos com abóboras.

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Kublai Khan, que liderou o Império Mongol entre 1260 e 1294 foi quem transferiu a capital chinesa de Karakorum para a atual Pequim (ou Beijing, como escrevem hoje em dia – que feiúra de nome ficou!), que na época se chamava Khanbalik. Ele era um político muito habilidoso. Podia não agradar gregos e troianos, mas procurava agradar os seguidores das três maiores religiões do Ocidente: além dos feriados mongóis guardava também o Natal e a Páscoa (dos cristãos), o Pessah e o Dia do Perdão (judeus) e o Ramadã (muçulmano).

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Carmo de Minas, Carmo da Mata, Carmo do Rio Claro, Carmópolis… Mas o que significa esse Carmo que dá nome a várias cidades mineiras? É Nossa Senhora do Carmo, que ganhou esse nome por causa da invocação a Virgem por eremitas que viviam no Monte Carmelo, na Palestina, e pediam  que ela protegesse sua tentativa de viver em contemplação, no século XII. Daí surgiu a Ordem dos Carmelitas.

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A Bolívia tornou-se independente em 1825. Nos cem anos que se seguiram, até 1925, teve 40 presidentes (6 deles assassinados enquanto ocupavam o cargo) e 187 revoltas armadas.

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Em São Paulo, há anos, quando se fala em pasteleiro já se sabe que é “japonês”, quer dizer, descendente de japoneses. Principalmente os que vendem pastéis em barracas de feiras-livres. Mas nem sempre pasteleiro foi “sinônimo” de japonês. Pelo menos até os anos 1970, pastelarias pertenciam invariavelmente a chineses. E não eram em feiras-livres. E também havia na cidade, na época, muitas tinturarias. Provavelmente muitos jovens nem sabem o que é isso, e se for procurar nos dicionários vai achar um outro sentido: nos dicionários atuais, é estabelecimento em que se tinge tecidos. Antes era sinônimo de lavanderia, mas só de roupas, principalmente masculinas. E, ao contrário das lavanderias atuais, não era lugar de se lavar roupa de cama e peças íntimas. Essas tinturarias eram quase que invariavelmente de japoneses. Havia até uma brincadeira dos paulistanos sobre como diferenciar chinês de japonês: chinês é pasteleiro, japonês é tintureiro.

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Aristóteles considerou que os golfinhos eram mamíferos, e não peixes, no ano 340 a.C., ao observar que os filhotes nasciam ligados à mãe por um cordão umbilical. Mas os biólogos só concordaram com ele no século XX.

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Depois da Guerra dos Seis Dias, ocorrida em 1973, quase 700 mil minas terrestres foram desenterradas das margens do Canal de Suez, por egípcios e israelenses.

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Em 1968 o aborto foi legalizado na Inglaterra.

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André Maginot, que foi ministro da Defesa da França depois da Primeira Guerra, planejou com seus generais a construção de uma muralha fortificada de 314 quilômetros ao longa da fronteira nordeste do país, da Suíça até a Bélgica, para evitar ataques de surpresa da Alemanha. A chamada Linha Maginot era uma linha contínua de casamatas de concreto e tinha fortes auto-suficientes feitos no subsolo, com profundidade equivalente à altura de um prédio de sete andares. Mas não adiantou. Na Segunda Guerra, a tal linha não serviu para conter os alemães, que invadiram o país. Mas Maginot não viu o trágico fracasso de sua obra: ele havia morrido em 1932. O irônico é que esse herói que sobreviveu a ferimentos graves durante a Primeira Guerra morreu por ter comido ostras estragadas, que lhe causaram tifo.

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O passarinho chamado bicudo pode viver até os 26 anos, na gaiola. Mas no Rio de Janeiro um deles viveu 41 anos.

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A “Revolução Cultural” na China começou em 1966. Mao Tse-tung tentava se fortalecer, radicalizando principalmente a juventude chinesa, contra valores ocidentais. E pregava-se um igualitarismo radical. Em alguns momentos, as fardas dos generais passou a ser igual à de soldados rasos e professores se transformavam em faxineiros da escola um dia por semana. Houve muitos excessos, como a destruição de discos de rock e de objetos de arte. Líderes políticos, de repente, passavam a ser vistos como traidores e eram humilhados publicamente. Mao morreu em 1976 e a viúva dele, Jiang Qing, liderou um grupo apelidado “Camarilha dos Quatro”, para tentar tomar o poder. Os quatro foram presos e condenados à morte, pena reduzida depois a prisão perpétua. Jiang Quing se suicidou em 1991.

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O início da Previdência Social no Brasil se deu com a criação da Caixa de Aposentadoria e Pensões dos Ferroviários, em 24 de janeiro de 1923.

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Quando o Marechal Deodoro era presidente da República, um amigo dele queria a concessão de uma estrada de ferro e praticamente todos os dias ia ao palácio reforçar seu pedido. Um dia, Deodoro perdeu a paciência e, antes que ele pedisse mais uma vez, disse a um auxiliar, para o amigo ouvir, como se estivesse continuando uma conversa: “Estou resolvido a não conceder mais honras de coronel do Exército a ninguém. E quanto a estradas de ferro, só darei uma única concessão: será a que partir do inferno e for terminar na casa da mãe de quem pedir!”.

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Os santos e as datas comemorativas: 28 de agosto é Dia do Filósofo, e também dia de Santo Agostinho, que era filósofo; 22 de novembro é Dia da Música e Dia do Músico, e também dia de Santa Cecília, padroeira dos músicos (ela tocava lira e morreu cantando, condenada à morte por ser cristã); 24 de maio é, entre outras coisas, Dia do Detento e de Nossa Senhora Auxiliadora: trata-se de uma festa para venerar Nossa Senhora como intercessora do povo junto a Jesus, seu filho – o Papa Pio VII foi feito prisioneiro pelo imperador Napoleão I em Savona e Paris e atribuiu sua libertação ao auxílio de Nossa Senhora; e 27 de abril é Dia da Empregada Doméstica e também dia de Santa Zita, que viveu de 1218 a 1278 e foi empregada doméstica em Lucca, na Itália.

* * *

A coca é nativa da região andina, na América do Sul. Há na região um costume antigo de mascar as folhas e um mais recente de fazer um chá com elas. Isso ajuda a combater os efeitos da altitudes extremas e também entorpece um pouco o estômago, diminuindo a necessidade de comida. A cocaína, extraída da coca, não era conhecida aqui. Foi isolada pela primeira vez em 1859 ou 1860, na Alemanha, por Albert Niemann, que aplicou a droga na veia e sentiu seus efeitos. Em seguida, Freud experimentou a droga nele mesmo e no tratamento de pacientes, mas como ela causou dependência em muitos deles, abandonou seu uso. Ele apresentou a cocaína ao oftalmologista Carl Köller, que em 1884 a usou pela primeira vez como anestésico em cirurgias. A planta era utilizada também para fazer vinhos, e um deles, de marca Mariani, produzido a partir de 1863, era o preferido do Papa Leão XIII, que até deu uma medalha de honra ao produtor da bebida.

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A primeira transmissão pública da TV em cores no Brasil foi feita em 19/02/1972, A Festa da Uva, evento popular no Rio Grande do Sul. O então Presidente Médici inaugurou o evento, cuja transmissão foi comandada pela TV Difusora de Porto Alegre, e difundida pela Embratel para todo o país. A visita do presidente Médici à Festa da Uva durou uma hora, o tempo de exibição do evento a cores.

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A mosca fêmea vive, em média, 20 dias. A mosca macho, 12 dias.

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Ah, as tradicionais famílias quatrocentonas… Em 1555, o jesuíta Manuel da Nóbrega escreveu uma carta para a Corte, reclamando do tipo de gente que mandavam para cá: “A mais vil e perversa gente do reino”.

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Nabucodonosor, imperador da Babilônia, bebia muita cerveja. Mas usava essa bebida também para fins menos nobres: quando se enjoava de alguma amante, ele mandava colocá-la com todas as joias numa tina de cerveja, para morrer afogada.

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No Rio de Janeiro, no bairro de Copacabana, existe uma rua que os gozadores chamam de “Rua Quase-Quase”… E têm motivo: o nome oficial da rua é Bulhões de Carvalho.

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Uma amiga de Stalin foi indicada para o Prêmio Nobel da Paz, em 1946… mas não ganhou. Alexandra Kilontoy, de 77 anos, primeira mulher que atuou como embaixadora no mundo, era russa e foi indicada para o prêmio pela Finlândia. Autora de “Amor Livre”, ela atuou como mediadora para o fim da guerra entre a URSS e a Finlândia. Os russos ficaram furiosos quando souberam que em vez dela foram premiadas dias pessoas religiosas dos Estados Unidos: John R. Mott (metodista) e Emily Balch (quaker).

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A Bienal do Livro de São Paulo, uma das maiores do mundo, é resultado de uma série de experiências. A primeira foi a Feira Popular do Livro, montada pela CBL (Câmara Brasileira do Livro), em 1951, na da praça da República, inspirada em feiras do livro europeias. Em 1961 foi promovida, em parceria com o Museu de Arte de São Paulo, a 1a Bienal Internacional do Livro e das Artes Gráficas, que se repetiu em 1963 e 65. A 1a Bienal Internacional do Livro, bancada exclusivamente pela CBL, foi realizada entre 15 e 30 de agosto de 1970 reunindo algumas centenas de editoras nacionais e estrangeiras e atraiu milhares de pessoas.

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Beethoven começou a ficar surdo aos 32 anos de idade. Aos 46 já não ouvia mais nada, mas continuou compondo até morrer, aos 56 anos.

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Assim falou Mário Quintana: “O mais feroz dos animais domésticos é o relógio de parede: conheço um que já devorou três gerações da minha família”.

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Assim falei eu: “Nem só o peido é prenúncio de uma cagada. Eleição também pode ser”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura inútil: Sobre dinheiro, trabalho e coisas que se dizem afins

15 03 10 Mouzar Benedito Dinheiro Trabalho[Adoniran Barbosa: “Chega de homenagens. Eu quero é dinheiro!”]

Por Mouzar Benedito.

“O trabalho dignifica e enobrece o homem”, diz um velho ditado que logicamente foi criado por quem não trabalhava, mas certamente por um explorador do trabalho alheio que queria convencer esse alheio que ele estava fazendo o melhor.

Mas alguns que trabalham à revelia (como eu), só por necessidade, não porque gostam ou porque acreditam em frases edificantes sobre o trabalho, logo adaptaram o ditado: “O trabalho empobrece e danifica o homem”.

Os que ganham enquanto os outros trabalham procuram nos convencer também que estamos todos juntos, “na mesma canoa”. Para esses, fiz uma imitação de haicai:

Na mesma canoa
Uns remam
Outros ficam à toa

O certo é que sempre se fala do trabalho como algo realizador, divino até. Todas as riquezas são criadas pelo trabalho. Concordo. Pena que essas riquezas não fiquem com quem as criou, os que fizeram o trabalho.

Fiz uma seleção de ditados e de frases ditas por celebridades (ou não), sobre riqueza, ricos, bancos, dinheiro… e muito pouco sobre trabalho e trabalhador, porque, se há muito cinismo em ditos sobre o dinheiro e seus donos, há um cinismo que acho mais perverso nas frases pronunciadas em tom elogioso sobre o trabalho. É um cinismo diferente, que acho inútil reproduzir aqui.

Mas antes desses ditados e dessas frases, começo por coisas da minha própria lavra, ditos meus, em forma de frases ou de haicais meio tronchos sobre dinheiro, trabalho e coisas afins (mas não semelhantes). Vamos lá.

O QUE EU DISSE:

O inferno é aqui na terra mesmo, mas só para os pobres. Para os ricos, aqui é um céu.

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Em terra de endividados, quem tem um banco é rei.

* * *

Banqueiro dos bons
Não morre de amores
Por ladrões amadores

* * *

Há situações em que rico é que não vai pra frente. Na guerra, por exemplo.

* * *

Nas mãos de maconheiro, dinheiro vira fumaça; nas mãos de viciado em cocaína, vira pó.

* * *

Quem tem capital
Tem seguidores
Adeptos do capetal

* * *

Tá certo que o dinheiro não traz felicidade. Mas e a miséria, traz?

* * *

Dizem que o trabalho enobrece o homem, mas quem já viu alguém que virou nobre por ter trabalhado?

* * *

Criminoso rico não vai preso: foge de carro, enquanto o castigo anda a cavalo.

* * *

Ficou rico,
Subiu na vida!
Mas que ridico!

* * *

Algumas profissões no Brasil precisam ser redefinidas: metalúrgico é quem leva ferro; carpinteiro é o que leva pau; fumageiro é o que leva fumo; barbeiro é o que leva na cabeça e banqueiro é quem banca tudo isso.

* * *

Banqueiros alegres, povo triste!

* * *

Os capitalistas querem sim preservar a natureza… desde que isso lhes dê lucro, claro!

* * *

Num sistema com péssima distribuição de renda, todo pecado é capital.

* * *

Capitalista xucro!
Não vive a vida,
Só pensa no lucro

* * *

Os comentaristas econômicos de rádio, TV, jornais e revistas, em sua grande maioria, não são nada econômicos em elogios ao capital.

* * *

A União Soviética podia ser uma merda para quem morava lá, mas seu fim foi uma merda para os trabalhadores do resto do mundo: temos agora o capitalismo de rédea solta, sem medo de revoluções.

* * *

Há assaltos que são feitos dentro da lei: o imposto de renda descontado nos salários, por exemplo.

* * *

Economista de mão cheia!
Economiza muito
A renda alheia

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Jornais e revistas jornalísticas são muito importantes para denunciar as mutretas que são feitas fora das suas respectivas empresas.

* * *

No Brasil, os velhos ditados devem ser adaptados: aqui, todos os caminhos levam ao brejo.

O QUE DISSERAM:

Truman Capote: “O dinheiro não tem a mínima importância, desde que a gente tenha muito”.

* * *

Vão Gogo (pseudônimo de Millôr Fernandes): “Quando chegar a hora dos humildes herdarem o Reino do Céu, o imposto de renda vai ficar com mais da metade”.

* * *

Millôr Fernandes: “Ser pobre não é crime, mas ajuda muito a chegar lá”.

* * *

Anita Garibaldi: “Bendita pobreza que me liberta”.

* * *

José Américo: “Hoje em dia não se guarda mais na cabeça, só se deve guardar nas algibeiras”.

* * *

Um tio meu, Joãozinho, há muitos e muitos anos, quando foi criticado por andar mal vestido: “O que vale é algibeira empanturrada”.

* * *

Eça de Queiroz: “Onde aparece o ouro, o terrível ouro, imediatamente os homens ao redor se olham com rancor e levam as mãos às facas”.

* * *

Raquel de Queiroz: “O dinheiro é um instrumento de felicidade e grandeza, e tem aquela inimitável capacidade de comprar poder.”

* * *

Steven Spielberg: “Para que pagar um dólar por um marcador de livro? Por que não usar o dólar como marcador de livro?”.

* * *

Friedrich Nietzsche: “Todos vós que amais o trabalho desenfreado, o vosso labor é maldição e desejo de esquecerdes quem sois”.

* * *

Aristóteles Onassis: “A partir de um certo ponto, o dinheiro deixa de ser o objeto. O interessante é o jogo”.

* * *

Dito caipira: “Alegria de roceiro é dinheiro, mulher e bicho de pé, porque, o que adianta dinheiro e mulher se o ‘bicho’ não ficar de pé?”

* * *

Camilo Castello Branco: “O melhor amigo é o dinheiro. Conselhos, os melhores, é o dinheiro que os dá”.

* * *

Marilyn Monroe: “Eu não estou interessada em dinheiro. Só quero ser maravilhosa”.

* * *

De novo, Marilyn Monroe: “Uma atriz não é uma máquina, mas lhe tratam como se fosse uma. Uma máquina de dinheiro”.

* * *

Padre Antônio Vieira: “Muitos são parentes da fortuna, não da pessoa”.

* * *

Voltaire: “Quando se trata de dinheiro, todos têm a mesma religião”.

* * *

Lampião: “Dinheiro eu tenho que só bosta de cabra em chiqueiro velho”.

* * *

Oswaldo Aranha: “O capital, exercendo atuação marginal, é nocivo ao bem estar coletivo e irradia germes inflacionários”.

* * *

Machado de Assis: “Se achares três mil-réis, leva-os à polícia; se achares três contos, leva-os a um banco”.

* * *

Guerra Junqueiro: “No cofre do banqueiro dormem pobrezas metalizadas”.

* * *

Adão Myszak: “O dinheiro é o veículo da vaidade e autor de todas as servidões e desigualdades”.

* * *

William Jennings Bryan: “Ninguém consegue ganhar um milhão de dólares honestamente”.

* * *

Sophia Loren: “Minha vida foi um conto de fadas maravilhoso, uma história de guerra, fome e pobreza”.

* * *

Edwared Estling Cummings: “Eu vivo tão além do meu salário que podemos dizer que vivemos separados”.

* * *

Honoré de Balzac: “Atrás de toda grande fortuna existe algum crime”.

* * *

Carlos Drummond de Andrade: “O cofre do banco contém apenas dinheiro. Frustrar-se-á quem pensar que nele encontrará riqueza”.

* * *

Abraham Lincoln: “Nosso Senhor ama os pobres, por isso fez tantos”.

* * *

Joãosinho Trinta: “O povo gosta de luxo. Quem gosta de miséria é intelectual”.

* * *

Fausto Silva: “Hemorróidas e dinheiro, quem tem não diz”.

* * *

Xiquote: “Quem é maior: Deus ou o dinheiro? Respondem os ingleses que Gold (ouro) tem uma letra a mais do que God (Deus)”.

* * *

Clarice Lispector: “Quem não tem pobreza de dinheiro tem pobreza de espírito ou saudade por lhe faltar coisa mais preciosa do que ouro – existe a quem falte o delicado essencial…”.

* * *

Tom Jobim: “O dinheiro não é tudo. Não se esqueça também do ouro, dos diamantes, da platina e das propriedades”.

* * *

Elias Beadle: “Metade do trabalho realizado neste mundo é para fazer as coisas parecerem o que não são”.

* * *

Gino Meneghetti: “Jamais roubei um pobre. Só me interessava tirar dos ricos, e tirar joias, que são bens supérfluos que só servem para alimentar a sua vaidade”.

* * *

Carlos Imperial: “Prefiro ser vaiado no meu Mercury Cougar do que aplaudido num ônibus”.

* * *

Deng Xiaoping: “Pobreza não é socialismo. Ser rico é glorioso”.

* * *

Carlito Maia: “Quando a esquerda começa a contar dinheiro, converte-se em direita”.

* * *

Jean Paul Getty: “Quando não se tem dinheiro, pensa-se sempre nele. Quando se tem, se pensa somente nele”.

* * *

Afrânio Peixoto: “Um idiota pobre é um idiota; um idiota rico é um rico”.

* * *

Herbert de Souza: “A tecnologia moderna é capaz de realizar a produção sem emprego. O diabo é que a economia moderna não consegue inventar o consumo sem salário”.

* * *

Adoniran Barbosa: “Chega de homenagens. Eu quero dinheiro”.

* * *

Marlon Brando: “Tudo o que fazemos está ligado ao dinheiro. Eu sou uma mercadoria e tenho plena consciência disso”.

* * *

Anônimo: “Se o dinheiro fala, o meu sempre diz adeus”

* * *

Delfim Netto: “Ponho meu dinheiro em caderneta de poupança. Para quem não entende de economia, é a melhor coisa. Agora, quem entende tem outros lugares para perder”.

* * *

Bob Hope: “Um banco é um lugar que te empresta dinheiro se conseguires provar que não necessitas dele”.

* * *

Karl Marx: “O aumento dos salários não é nada mais do que o pagamento de salários melhores a escravos, e não conquista pra o operário seu destino e sua dignidade humana”.

* * *

Malcolm Forbes: “Se você tem um emprego sem chateações, você não tem um emprego”.

* * *

Grouxo Marx: “Há tantas coisas na vida mais importantes que o dinheiro! Mas custam tanto!”.

* * *

Schopenhauer: “Dinheiro é como água do mar: quanto mais você toma, maior é sua sede. O mesmo se aplica à fama”.

* * *

Don Herold: “O trabalho é a coisa mais importante do mundo. Por isso, devemos sempre deixar um pouco para o dia seguinte”.

* * *

William Shakespeare: “É estranho que, sem ser forçado, saia alguém em busca de trabalho”.

* * *

George Best: “Gastei muito dinheiro com bebidas, mulheres e carros. O resto eu desperdicei”.

ASSIM DISSE O BARÃO DE ITARARÉ

O dinheiro é a causa de todas as desgraças, quando não se lh’o tem.

* * *

O dinheiro é representado na mitologia pelo Minotauro, o monstro que habitava um labirinto da ilha de Creta e, portanto, era um cretino.

* * *

Banqueiro é um cavalheiro que nos empresta o guarda-chuva quando brilha o sol e no-lo pede de volta quando começa a chover.

* * *

Devo tanto que se chamar alguém de meu bem o banco toma.

* * *

A natureza, que, com a idade, nos põe tanta prata nos cabelos, bem que podia ter a gentileza de nos meter algumas no bolso.

* * *

O avarento não é dono do dinheiro. O dinheiro é dono do avarento.

* * *

O herdeiro universal é um sujeito que come de colher, sozinho, a galinha morta que foi criada, engordada e assada pelos outros.

* * *

Tempo é dinheiro. Paguemos, portanto, as nossas dívidas com o tempo.

 

DIZ O DITO POPULAR

Sobre dinheiro não há companheiro,

* * *

Trabalha o feio, pro bonito comer.

* * *

Não há amigo nem irmão, não havendo dinheiro na mão.

* * *

Dinheiro é chave que destranca toda porta.

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Dinheiro muito, fartura de poucos.

* * *

Com dinheiro na mão, em toda parte há função.

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Dinheiro emprestaste, inimigo criaste.

* * *

Com dinheiro, língua e latim, vai-se do mundo até o fim.

* * *

Boa conta, má conta, tudo é conta.

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Dinheiro emprestado parte rindo, e volta chorando.

* * *

Defunto rico, defunto chorado.

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De dinheiro e santidade, metade da metade.

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Esperdício de rico é economia de pobre.

* * *

Pobre com rica casado, mais que marido é criado.

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Dinheiro não tem cheiro.

* * *

Administrar dinheiro é fácil. Difícil é administrar a falta dele.

* * *

Rico em casa de pobre é perdição de galinha.

* * *

Viúva rica, com um olho chora e com outro repinica.

* * *

Viúva rica casada fica.

* * *

O que o dinheiro não fizer neste mundo, nada mais faz.

* * *

Bolsa vazia afugenta amigos.

* * *

Ladrão endinheirado não morre enforcado.

* * *

Lágrimas de herdeiro são sorrisos disfarçados.

* * *

Dinheiro e estrume só presta espalhado.

* * *

Dinheiro não traz felicidade.

* * *

Adaptação: Dinheiro não traz felicidade, manda buscar.

* * *

O dinheiro será teu senhor, se não for teu escravo.

* * *

De janeiro a janeiro, o dinheiro é do banqueiro.

* * *

Neste mundo, só o que se deve dar desgraça é bom dia.

* * *

Pobre, quando mete a mão no bolso, só tira cinco dedos.

* * *

Em casa de pobre, ao meio-dia mosca faz samba debaixo da panela.

* * *

Pobre só vai pra frente quando tropeça.

* * *

Deus é bom trabalhador, mas gosta que o ajudem.

* * *

Quem sabe de luta, luta. Quem não sabe, labuta.

E PARA TERMINAR:

“Vintém poupado, vintém ganho”, dizem certos ricos que “não abrem a mão nem pra dar bom dia”, ou que “parece que têm escorpião no bolso”.

São geralmente avarentos, agiotas. Muitos sinônimos identificam as pessoas obcecadas por acumular dinheiro. Um cara desses diz que é “econômico” ou “seguro”, mas os outros usam outras palavras. Por exemplo: pão-duro, fominha, filárgiro, munheca, mão de vaca, ridico (corruptela de ridículo), vinagre, casca, socranca, somítico, gaveteiro, sovina, forra-gaitas, muquirana, mofino, usureiro, morrinha, avaro, cobiçoso, unha de fome, miserável, mão fechada, mesquinho, sórdido, munheca de samambaia, sovelão, resmelengo, fuinha, morto de fome, tacanho, sovina, unhaca, tranca, mão-de-vaca…

Lembro-me de um sujeito desses que morava numa pequena cidade do litoral paulista. Na época, existia o hábito de um dia por semana os mendigos irem de porta em porta pedindo esmola. Pulavam a casa dele, porque sabiam que dali não sairia nada.

Um dia, apareceu lá um mendigo de fora, que não sabia da fama do dito cujo. Bateu na porta da casa dele e o sujeito gritou lá de dentro:

― Quem é?

O mendigo falou com voz sofrida:

― Esmola…

A resposta que veio lá de dentro:

― Pode colocar por baixo da porta.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura inútil: Isso é que é anticoncepcional!

15 02 10 Mouzar Cultura InutilPor Mouzar Benedito.

Como evitar a gravidez? Colocando na vagina um preparado de mel, soda, excremento de crocodilo e uma substância gelatinosa não identificada. Isso consta num papiro egípcio datado de 1850 a.C. Dava certo: espantava os homens, que não encaravam uma vagina assim.

* * *

Em 1918, Mao Tse-tung tinha 25 anos e trabalhava na Universidade de Pequim, como assistente do bibliotecário chefe e abandonou o emprego porque foi esquecido na hora das promoções. Será que uma promoção o teria sossegado no emprego e ele não teria sido o revolucionário que foi?

* * *

O grego Anaximandro foi o primeiro a concluir que a Terra não era plana, em 560 a.C. Para ele, o nosso planeta tinha a forma de um cilindro. No século IV a.C. os gregos já consideravam como verdade absoluta que a Terra era esférica.

* * *

Não é de hoje que franceses dedicam um carinho extremado a cachorros. Quando foi exibido na França o filme Vidas Secas, de Nelson Pereira dos Santos, adaptado do romance de Graciliano Ramos que tem o mesmo nome. O filme foi muito aplaudido, mas a morte da cadela Baleia, pareceu tão real que houve protestos. Foi preciso que o diretor levasse a cadela à França na semana seguinte para provar que não haviam feito mal algum a ela.

* * *

O primeiro plano para fazer um túnel ligando a França à Inglaterra foi concebido durante o reinado de Napoleão, em 1802.

* * *

“Gay” originalmente significava alegre, em inglês. A palavra deriva do francês, gai, que significa também alegre, jovial. Em português, ela virou gaio, que depois “progrediu” para gaiato. Mas tem um detalhe: em francês, gai significa também invertido. No Brasil, há alguns anos, invertido era uma gíria preconceituosa para qualificar homossexuais. Coincidência?

* * *

Jimi Hendrix nascido em Seatle, Estados Unidos, principal atração do famoso Festival de Woodstock, em agosto de 1969, apresentou uma versão para o Hino Nacional dos Estados Unidos em que sua guitarra imitava a explosão de bombas. Era tempo de protestos por causa da Guerra do Vietnã.

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Muita gente pensa que o jingle de Jânio Quadros prometendo varrer a corrupção foi criado para a campanha presidencial de 1960. Para quem não se lembra, a letra é assim: “Varre, varre, vassourinha. / Varre, varre a roubalheira / que o povo já está cansado / de sofrer dessa maneira”. Mas esse jingle é anterior, foi usado inclusive nas eleições para governador de São Paulo. Em um “Almanhaque” de 1955, o Barão de Itararé ironizou, propondo mudança da letra: “Varre, varre, vassourinha. / Varre, varre a roubalheira. / Varre a dos outros / mas varre também a minha”.

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No sul do Marrocos existe uma região chamada Tanger, que deu nome à tangerina. Só que a tangerina não é originária de lá, e sim da China. A fruteira deu-se tão bem na região que recebeu seu nome. Mas em alguns lugares a fruta é chamada de mandarina, por sua origem chinesa.

* * *

Europeus chegaram à América cinco séculos antes de Colombo: os vikings noruegueses liderados por Erik, o Vermelho, chegaram à Groenlândia no ano 987, e no ano 1000, seu filho Leif Erikson chegou ao Canadá. Tentaram fundar uma colônia, Vinland, que não foi pra frente.

* * *

Albert Einstein esteve no Brasil em 1952. Quis conhecer o jardim botânico do Rio de Janeiro e lá se impressionou tanto com o tamanho de um jequitibá que abraçou e beijou a árvore.

* * *

Quando veio para o Brasil, fugindo das tropas de Napoleão Bonaparte, em 1808, Dom João VI declarou guerra à França, mas preferiu guerrear por aqui mesmo, tomando a Guiana Francesa, que era quase desguarnecida. Assim, 470 soldados portugueses apoiados por uma corveta inglesa entraram em Caiena em 12 de janeiro de 1809. Napoleão foi derrotado pelos ingleses em 1815, e o Brasil prometeu devolver a Guiana à França, o que fez só em novembro de 1817, mas anexando parte dela: o Congresso de Viena fixou o rio Oiapoque como a nova fronteira. Algumas plantas que não existiam aqui foram trazidas de lá – do Jardim Gabrielle – nesse período e se deram muito bem aqui. Entre elas, o abacateiro, o chá, a canela, a fruta-pão, a palmeira imperial e a variedade de cana chamada caiena ou caiana, ótima para produzir cachaça.

* * *

Cícero, orador e político romano que viveu de 106 a.C. a 43 a.C., foi quem criou a expressão “ócio com dignidade” (otium cum dignitate), no sentido de que todo homem tinha o direito a uma aposentadoria honrada, no fim da vida, depois de ter trabalhado muito.

* * *

Provérbio japonês: “Os cinzeiros e os ricos, quanto mais cheios, mais sujos”.

* * *

O primeiro transplante de coração realizado no Brasil foi feito pelo dr. Euríclides de Jesus Zerbini, em 26 de maio de 1968, no Hospital das Clínicas de São Paulo, seis meses depois do primeiro transplante de coração realizado no mundo, pelo sul-africano Christian Barnard. Um lavrador conhecido como João Boiadeiro recebeu o coração de um homem atropelado, e viveu apenas 28 dias. Só depois é que apareceram drogas contra a rejeição de órgãos. O dr. Zerbini tinha um irmão general, Euryale de Jesus Zerbini, que era contra a ditadura e teve seus direitos políticos cassados. A mulher dele, Therezinha Zerbini, foi uma militante ferrenha pela anistia. Fundou o jornal feminista e antiditatorial Brasil Mulher.

* * *

No testamento de Heinrich Heine, poeta alemão, havia uma cláusula para que a esposa pudesse usufruir sua herança: tudo ficaria para ela, desde que se casasse novamente. Explicou o motivo: “Assim, haverá pelo menos um homem para lamentar a minha morte”.

* * *

Atribui-se ao chinês Tien Txen, que nasceu em 2697 a.C. a invenção da tinta de escrever.

* * *

Machado de Assis foi eleito presidente da Academia Brasileira de Letras em 4 de janeiro de 1875. Nessa mesma data começou a circular o jornal A Província de São Paulo, que depois da Proclamação da República viraria O Estado de S. Paulo.

* * *

Sagarana, o primeiro livro de Guimarães Rosa, foi lançado em 21 de abril de 1946.

* * *

Uma das mais belas fases da campanha pela Anistia a presos políticos no Brasil, concluída em 1980, teve como protagonista uma brasileira presa não no Brasil, mas no Uruguai. Flávia Schilling, ligada ao Movimento Tupamaro, tornou-se um símbolo. Até membros do governo brasileiro pediram ao governo uruguaio a sua libertação, que finalmente aconteceu em 14 de abril daquele ano. Mas no Brasil mesmo restava um preso político que acabou sendo libertado só em 8 de outubro de 1980. Era José Sales de Oliveira, preso em Fortaleza.

* * *

A cidade de Quebec, no Canadá, foi fundada por franceses em 1609.

* * *

Pablo Neruda era candidato a presidente do Chile, pelo Partido Comunista, em 1970. Retirou a candidatura para apoiar o socialista Salvador Allende, que foi eleito.

* * *

Fazer greve é ir para a praia? Para alguns, é. Bom… Isso tem história. No francês antigo, grève era praia com areia e pedregulhos. Na beira do rio Sena, em Paris, havia uma delas, a Place de Grève, onde funcionava um órgão encarregado de cadastrar desempregados. Então, desempregados iam para lá. “Fazer greve” era se reunir na praça, por falta de trabalho. A primeira vez que se usou a expressão “fazer greve” no sentido que tem hoje foi em 1805. Em 1806 mudaram o nome da praça para Place de L’Hotel de Ville (nome do prédio da administração municipal de Paris). E muitos grevistas iam lá protestar. A Comuna de Paris foi proclamada nessa praça, em 1871.

* * *

O Prêmio Nobel de Literatura de 1964 foi concedido a Jean-Paul Sartre. Mas o autor de obra Náusea e Sem Saída recusou-se a aceitá-lo. Declarou: “Não é a mesma coisa assinar simplesmente Jean-Paul Sartre ou assinar Jean-Paul Sartre, ganhador do Prêmio Nobel. Um escritor não pode permitir que o transformem numa instituição, mesmo que seja sob a forma mais honrada possível”.

* * *

A queda da produção de ouro representou não só uma decadência econômica em Minas Gerais, a partir de 1750, mas também uma “desurbanização”. Vila Rica, a atual Ouro Preto, tinha 20 mil habitantes em 1740 e em 1804 sua população ficou reduzida a 7 mil.

* * *

Uma data histórica para a música brasileira: 21 de novembro de 1962. Nesse dia, foi apresentada a bossa nova aos gringos, no Carnegie Hall, Nova York. Cerca de três mil pessoas lotaram o local para ouvir João Gilberto, Agostinho dos Santos, Carlos Lyra, Sérgio Mendes, Tom Jobim e outros artistas. Jacqueline Kennedy, mulher do então presidente, chamou o espetáculo de “simplesmente maravilhoso”, completando que “nunca houve coisa igual aqui”. A multidão aplaudiu com muito entusiasmo.

* * *

Assim falou Millôr Fernandes: “Como são admiráveis as pessoas que não conhecemos bem!”.

* * *

Até 1960, só filmes falados em inglês tiveram atrizes premiadas com o Oscar. A primeira a ganhar esse prêmio falando outra língua foi Sophia Loren, em 1961, com o filme italiano La Ciociara (traduzido para o inglês como Two Women). Ela concorreu com Audrey Hepburn (Bonequinha de Luxo), Geraldine Page (O Anjo de Pedra) e Natalie Wood (Clamor do Sexo).

* * *

O francês Jean Pierre François Lanchard, que subia aos ares em balões perto do fim do século XVIII, inventou o paraquedas em 1785, mas não ousou a pular lá do alto para testar seu invento. Colocou um cachorro num cesto e o lançou lá de cima.

* * *

Um gênero cinematográfico típico do Brasil, iniciado lá pela década de 1940, era a chanchada, com humor ingênuo, popularesco, e muita música. A Atlântida era a grande produtora de chanchadas, geralmente ambientadas no Rio de Janeiro e em seus cassinos. Grande Otelo, Oscarito, Zé Trindade e Dercy Gonçalves se destacaram nesses filmes. Eliana (sem sobrenome mesmo) era uma atriz que sempre aparecia como a mocinha ingênua, bonita e desejada. Em 1971, surgiu a “pornochanchada”, que tinha uma forte carga erótica, da qual despontaram vários diretores talentosos, como Cláudio Cunha, Alfredo Sternheim, Ody Fraga e Fauzi Mansur, entre outros. A “Boca do Lixo”, em São Paulo, tinha várias produtoras dedicadas ao gênero. Houve filmes de grande sucesso, como A super fêmea (com Vera Fisher), Caçada erótica, com Matilde Mastrangi, Monique Lafond, Selma Egrei e Tânia Alves, e Ainda agarro essa vizinha, com Adriana Prieto, atrizes que depois se tornaram estrelas da TV. Aldine Muller foi uma atriz que também migrou das pornochanchadas para a TV.

* * *

Quem se veste de baiana talvez não saiba que está usando um traje criado com influência islâmica: surgiu na região do Sudão, na África.

* * *

A meia de tricô foi inventada pelo inglês Guilherme Rider, em 1560. Ela foi introduzida na França nove anos depois, pelo rei Henrique II.

* * *

O gesto de fazer figa – com a mão fechada, colocar o dedo polegar entre o indicador e o médio – foi trazido da África, pelos escravos, segundo alguns, com o sentido de espantar os maus espíritos. Para outros, veio do Oriente Médio e os portugueses já o conheciam esse gesto havia muito tempo. E usavam também para afastar forças negativas. Mas para os japoneses o significado é bem diferente: equivale ao nosso gesto de bater com a palma de uma mão em cima da outra mão fechada (top-top), em referência ao ato sexual. Há algumas décadas, vi muito na Bahia turistas japoneses risonhos e corados comprando no Mercado Modelo figas de tamanhos variados para levar e dar de presente a amigos, como objetos de alta safadeza.

* * *

O número 1 da revista Veja chegou às bancas em 11 de setembro de 1968. Editada por Mino Carta, trazia na capa vermelha mãos segurando uma foice e um martelo cruzados e a manchete “O grande duelo do mundo comunista”. Em maio de 1976, Mino Carta, Silvio Lancellotti, Hélio de Almeida, Tão Gomes Pinto e outros jornalistas lançam Isto É, pela editora Encontro Editorial.

* * *

O último pedido antes de morrer, de Pedro, o Grande, czar russo, foi aos seus ministros, para que mantivessem a Rússia sempre em guerra, para o bem da nação. Ele deixou um testamento com estratégia para conquistar toda a Europa.

* * *

Casanova, o famoso conquistador de mulheres, chegava a consumir 50 ostras como café da manhã, geralmente com uma companheira, dentro de uma banheira para duas pessoas.

* * *

Um provérbio brasileiro, de pouco depois da Proclamação da República, define as especialidades dos nossos estados. Lembro que na época ainda não havia os estados Acre, Rondônia, Roraima e o Amapá. Mas estranhamente esse provérbio “ignorou” Santa Catarina e Espírito Santo:

São Paulo para café,
Ceará pra valentão,
Piauí pra vaca brava,
Pernambuco pra baião;
Rio Grande pra cavalo,
Paraná pra chimarrão,
Em Minas carne de porco,
Rio de Janeiro eleição;
Alagoas povo macho,
Mato Grosso pra brigão,
Amazonas pra borracha,
Paraíba pra algodão;
Para castanha o Pará,
Para arroz o Maranhão.
Bahia para mulata,
Sergipe, cana e feijão;
No Rio Grande do Norte
Jerimum e violão,
Em Goiás moça bonita
E rapaz sem coração…

* * *

Assim disse o Barão de Itararé: “O júri, no Brasil, consta de um número limitado de pessoas escolhidas, para decidirem quem tem o melhor advogado”.

* * *

Assim disse eu mesmo: “Eleições são muito importantes: por meio delas escolhemos quem vai nos ferrar a vida nos próximos anos”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura inútil: Sobre amor e casamento

15.01.26_Mouzar Benedito_Cultura Inútil_Sobre amor e casamentoPor Mouzar Benedito.

Há muitas frases bonitas sobre amor e casamento. Mas as mais “divertidas” não são nada românticas. Mesmo pessoas bem sucedidas no amor e no casamento dizem coisas malucas sobre essas o assunto.

Selecionei alguns ditados populares e algumas frases de gente famosa (às vezes nem tanto) sobre amor e casamento, para repassar aos leitores:

DITADOS POPULARES

Amor é uma flor roxa, que nasce em coração de trouxa.

* * *

Homens honestos casam cedo, e os prudentes nunca.

* * *

O amor faz passar o tempo, e o tempo faz passar o amor.

* * *

Homem apaixonado não admite conselho.

* * *

Amor é vento: vai um, vem cento.

* * *

Amor e bexiga só dá na gente uma vez.

* * *

Amor de parente é mais quente.

* * *

Quem casa com mulher feia não tem medo de outro homem.

* * *

Amor de asno entra coice e dentadas.

* * *

Se o amor fosse cardeal, há muito tempo o demônio seria papa.

* * *

Amor de pica é que fica.

* * *

Quem casa, quer casa longe da casa em que casa.

* * *

Amigado com fé, casado é.

* * *

Casamento feito, noivo arrependido.

* * *

Casarás e amansarás.

* * *

Quem ama o feio, bonito lhe parece.

* * *

Casar, casar… soa bem e sabe mal.

* * *

Casar é bom, não casar é melhor.

* * *

Casar não é casaca que se pendura na estaca

* * *

O amor é uma cangalha
Que se bota em quem quer bem.
Quem não quer levar rabicho
Não tem amor a ninguém.

* * *

O QUE ELES DISSERAM

Alexandre Dumas: “O fardo do casamento é tão pesado que precisa de dois para carregá-lo – às vezes, três”.

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Martinho Lutero: “No casamento, cada pessoa deve realizar a função que lhe compete. O homem deve ganhar dinheiro, a mulher deve economizar”.

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Millôr Fernandes: “O pior casamento é o que dá certo”.

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Hilda Roxo: “Quanto mais o homem fala em amor, menos ele o tem para dar”.

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Machado de Assis: “O amor quando contrariado, quando não leva a um desdém sublime da parte do coração, leva à tragédia ou à asneira”.

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De novo Machado de Assis: “O amor é um problema que só a morte ou o casamento resolve”.

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São Pedro: “Semelhantemente vós, mulheres, sede sujeitas a vossos próprios maridos, para que também, se alguns não obedecem à palavra, pelo porte de suas mulheres sejam ganhos sem palavras”.

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Xiquote: “O amor pode conduzir o homem aos crimes mais revoltantes; até ao da procriação”.

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William Shaekespeare: “O casamento faz de duas pessoas uma só, difícil é determinar qual será”.

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Voltaire: “O casamento é a única aventura ao alcance dos covardes”.

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Nelson Rodrigues: “Só o cinismo redime um casamento. É preciso muito cinismo para que um casal chegue às bodas de prata”.

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Lupicínio Rodrigues (na música Esses Moços): “Se eles julgam que a um lindo futuro / só o amor nesta vida conduz / saibam que deixam o céu por ser escuro / e vão ao inferno, à procura de luz”.

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Galeão Coutinho: “O amor é como um piano. As mulheres são o teclado. Não é possível tocar uma grande sinfonia numa tecla só.

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Berilo Neves: “Em negócios de amor, só as pequenas coisas têm importância. Por exemplo: um piolho na cabeça da namorada”.

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Airton, meu amigo: “Casar é bom. Eu já casei quatro vezes”.

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Antônio Feijó: “Quando o amor empreende a mais simples jornada, vai a demência adiante a conduzir-lhe os passos”.

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Camilo Castello Branco: “Duas pessoas que se amam só começam a dizer coisas ajuizadas desde que se aborrecem”.

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Groucho Marx: “As noivas modernas preferem conservar os buquês e jogar seus maridos fora”.

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De novo Groucho Marx: “O matrimônio é a principal causa do divórcio”.

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Abraham Lincoln: “Casamento não é o paraíso nem o inferno – é apenas o purgatório”.

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Lenny Bruce: “Minha sogra destruiu meu casamento. Minha mulher voltou para casa mais cedo e me pegou na cama com ela”.

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Nietzsche: “O casamento transforma muitas loucuras curtas em uma longa estupidez”.

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Joaquim Manuel de Macedo: “O amor mais constante que geralmente se conhece é o amor ao dinheiro”.

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Padre Antônio Vieira: “Melhor é o tédio, que nos salva, do que o amor, que nos perde”.

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Malheiro Dias: “Os tiranos do amor sempre foram reverenciados”.

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Tonico e Tinoco (na música Cana Verde): O amor que vai e volta, a volta sempre é melhor”.

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Medeiros de Albuquerque: “Amor e calvície acomodam-se muito bem nos homens – repelem-se formalmente nas mulheres”.

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Correia Júnior: “O amor é a mais inútil das experiências”.

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Albino Forjas de Sampaio: “As mulheres precisam de pancadas para amar. A pancada é sempre mais sincera do que o beijo”.

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Mark Twain: “O amor é aquilo que depois do casamento se chama engano”.

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Benjamin Franklin: “Antes do casamento os olhos devem estar bem abertos; depois do casamento, semi-cerrados”.

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Sócrates: “Meu conselho é que se case. Se você arrumar uma boa esposa, será feliz; se arrumar uma esposa ruim, se tornará um filósofo”.

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José Américo: “A mulher que ama é a que diz menos, porque é a que mente mais”.

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Barão de Itararé: “O casamento é uma tragédia em dois atos: civil e religioso”.

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Lord Byron: “O casamento vem do amor, assim como o vinagre do vinho”.

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De novo Lord Byron: “Todas as tragédias terminam em morte e todas as comédias em casamento.

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Oscar Wilde: “Os solteiros ricos deviam pagar o dobro de impostos. Não é justo que alguns homens sejam mais felizes do que os outros”.

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Chico Anysio: “Quem é casado há quarenta anos com dona Maria não entende de casamento, entende de dona Maria. De casamento entendo eu, que tive seis”.

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Jô Soares: “Quando saber se o casamento está ruim? Quando, você está engolindo sapo ao invés de comer a perereca”.

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Eu também já falei umas besteiras sobre isso. Exemplos:

Amor com amor se paga. Não nos puteiros…

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Um bom matrimônio pode garantir um bom patrimônio.

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Foi Édipo quem criou o ditado “amor só de mãe”?

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O amor é cego, a Justiça é cega… talvez seja por isso que levam tanta desvantagem aqui.

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PARA TERMINAR ESSAS RANHETICES, NADA MELHOR QUE O SONETO IDEALISMO, DE AUGUSTO DOS ANJOS, POETA PRA LÁ DE PESSIMISTA

Falas de amor, eu ouço tudo e calo.
O amor na humanidade é uma mentira.
É. E é por isso que de amores fúteis
Na minha lira poucas vezes falo.

O amor! Quando virei por fim amá-lo?!
Quando, se amor que a humanidade inspira
É o amor de sibarita e da hetaíra,
De Messalina e de Sardanapalo?

Pois é mister que o amor sagrado
O mundo fique materializado –
Alavanca desviada do seu fulcro –

E haja só amizade verdadeira
Duma caveira para outra caveira,
Do meu sepulcro para o teu sepulcro.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura Inútil: Paz, amor e rapadura!

15.01.13_Mouzar BeneditoPor Mouzar Benedito.

“Paz e amor”, era lema do movimento hippie em 1968. Mas no Brasil, esse lema é muito anterior. Nilo Peçanha era vice-presidente da República, morreu o titular, Afonso Pena, em junho de 1909, e ele assumiu o governo dizendo que seu governo seria “de paz e amor”. Por falar nisso, os hippies se cumprimentavam mostrando os dedos indicador e médio abertos (como o V de vitória), significando paz e amor. Mas aqui havia uma gozação. Diziam que o cumprimento de hippies cearenses era levantando três dedos (o indicador o médio e o anular), significando “paz, amor e rapadura”.

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Sinclair Lewis (1885-1951) primeiro estadunidense a ganhar o Prêmio Nobel de Literatura, em 1930; Edgar Allan Poe (1809-1849), considerado pai da moderna literatura detetivesca; Eugene O’Neill (1888-1853) outro estadunidense que ganhou o Nobel de Literatura (em 1936); Paul Verlane (1844-1896), poeta francês; Jack London (1876-1916), escritor genial dos Estados Unidos; Dylan Thomas (1914-1953), poeta nascido no País de Gales; F. Scott Fitzgerald (1896-1940), mais um grande escritor estadunidense… O que esse pessoal todo tinha em comum? Eram alcoólatras, assim como as cantoras Edith Piaf e Janis Joplin, o ator Douglas Fairbanks Jr., a dançarina Isadora Duncan, o escritor Ambroise Pierce, o general Ulysses S. Grant e o rei Eduardo VIII, da Inglaterra.

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Em Portugal havia uma tradição de, quando resolviam expulsar de uma cidade algum vagabundo, bêbado ou malandro, irem tocando tambor (também chamado caixa) atrás dele, até os limites da comunidade. O sujeito era “corrido”, tocado pra fora, sob vaias e gritarias, e isso era considerado uma vergonha. Sair a toque de caixa é uma expressão que veio desse costume português.

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Pádua, na Itália, tinha o nome latino de Patavium. Lá nasceu, no ano 59 a.C. o historiador Tito Lívio, que morreu em Roma no ano 17 d.C. Frequentou a corte de Augusto e era ironizado por se opor ao imperador. Como falava usando expressões de sua terra, Patavium, era ironizado também por isso. Diziam que não entendiam patavina, quer dizer, a língua falada em Pádua.

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Assim falou Mário Quintana: “Minha vida é uma colcha de retalhos. Todos da mesma cor”.

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Muita gente acredita que vestir agasalho pelo avesso dá azar. Mas tem um jeito de evitar essa má sorte: logo que perceber que a roupa está do avesso, dar três voltas em torno de si mesmo.

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A vida sexual de certos seres não é atraente para nós. O percevejo, por exemplo, fura as costas da fêmea com um ferrão que têm à frente do pênis, ejacula nesse buraco e o esperma entra no sangue dela até encontrar os ovários. O escorpião macho agarra a fêmea pelas pinças, ejacula no chão e a arrasta para que o órgão reprodutor dela entre em contato com os espermatóforos. Os pinguins imperadores só fazem sexo uma vez por ano, e a transa dura dois a três minutos. Mas a fama de safados dos macacos se justifica no caso dos chimpanzés, que fazem masturbação mútua e têm práticas orais. As fêmeas são insaciáveis (ninfomaníacas?) no período de fertilidade e podem ter mais de vinte relações sexuais num dia.

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Maomé aconselhava: “Comam romã. Ela expurga o ódio e a inveja”.

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O Jornal Nacional, da Globo, foi ao ar pela primeira vez em 1o de setembro de 1969. Recebeu esse nome porque era patrocinado pelo Banco Nacional, de Magalhães Pinto, um dos líderes do golpe de 1964. Os apresentadores eram Hilton Gomes e Cid Moreira.

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A goma arábica, extraída de uma árvore do gênero das acácias abundante na Arábia, já era conhecida no Egito 17 séculos antes de Cristo.

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Até 1906, nos Estados Unidos, podia-se comprar em lojas ou mesmo por reembolso postal, medicamentos contendo morfina, cocaína ou heroína. Nesse ano foi promulgada a Lei dos Alimentos e Drogas Puras. Em 1914 uma lei passou a regulamentar a venda de ópio e derivados. Em 1918 a Liga Antibar afirmava que o comércio de bebidas alcoólicas era uma atividade “antiamericana, pró-alemães, geradora de crimes, desperdiçadora de alimentos, corruptora da juventude, destruidora de lares e traição inominável”. No ano seguinte, acrescentaram à Constituição dos EUA a 18a Emenda, que ficou conhecida como “Lei Seca”, proibindo a venda de bebidas alcoólicas. Ela foi revogada em 1933.

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Segundo um ditado brasileiro, se ferradura desse sorte burro não puxava carroça. Mas muita gente poderosa acreditava nos poderes dela. O presidente Harry Truman tinha uma em cima da porta de seu gabinete, e o almirante Lord Nelson mandou pregar uma no alto do mastro de sua nau capitânia.

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Nós, brasileiros, estranhamos certas palavras em línguas nórdicas, cheias de consoantes e quase sem vogais, mas eles também devem estranhar – pelo motivo oposto – algumas palavras do nosso vocabulário, cheias de vogais. Uma palavra da língua “brasileira” tem cinco vogais juntas: piauiense. Digo língua “brasileira” porque tem a terminação portuguesa, mas deriva do tupi. Piauí, nesta língua, significa rio do piau. Piau, nome de um peixe, por sua vez, significa pele manchada. Ele é conhecido também pelos nomes piaba, piapara e canivete.

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Assim disse Marques Rebelo: “A sociologia é inimiga da perfeição”.

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Segundo o livro Would You Belive It? (Você acreditaria nisso?), de Deidre Sanders, Dick Girling, Derek Davies e Rick Sanders, publicado em 1973, na época um décimo da renda nacional dos Estados Unidos estava nas mãos do crime organizado.

* * *

As duas cidades de maior altitude do continente africano ficam na Etiópia: Adis Abeba (2.408m) e Asmara (2.374m).

* * *

Em meados da década de 1970, a média de vida na Guiné (África) era de 27 anos (26 para os homens e 28 para as mulheres). Na Suécia era de 74,2 anos (71,8 anos para os homens e 76,5 para as mulheres). No Brasil era em torno de 58 anos.

* * *

Em 1809 foi criada uma polícia especial com a função de castigar com chibatadas os escravos dos quilombos e os praticantes de capoeira. A prática da capoeira continuou proibida, na República, era praticada clandestinamente. Em 9 de junho de 1937, depois de maravilhar Getúlio Vargas em Salvador, Mestre Bimba abre a 1a academia de capoeira legalmente registrada. Acaba uma perseguição que vinha de 1890.

* * *

O candomblé era “vigiado” pela polícia na Bahia, os terreiros tinham que ter registro policial. Só em 15 de janeiro de 1976 é que acabou a exigência de registro.

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O conceito de Produto Nacional Bruto (PNB) foi criado por Simon Kuznets, professor em Harvard, nascido na Rússia em 1901 e naturalizado estadunidense. Por causa da criação desse conceito, ganhou o Prêmio Nobel de Economia, em 1971.

* * *

A palavra velhaco, de péssimo sentido, não vem de velho, mas sim do espanhol bellaco, significando homem de vida má.

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Para o coroamento da rainha Elisabeth II, na Inglaterra, em 1953, meteorologistas foram procurados para escolherem uma data em que haveria tempo bom, sem riscos de chuvas. Foi escolhido o dia 2 de junho daquele ano. E choveu!

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Tem gente que não vale um tostão, não é? Políticos são muitos assim. No tempo em que o dinheiro brasileiro era o mil-réis, o tostão era uma moeda que valia um décimo de um mil-réis. Com a reforma da moeda em 1942, quando foi criado o cruzeiro, acabaram-se os tostões, mas a palavra continuou sendo usada. E gente que não vale um tostão continuou (e continua) existindo também. Mas qual é a origem da palavra tostão? Vem de testone, quer dizer, cabeça grande, em italiano. É que nas moedas de baixo valor, lá, um dos lados dela tinha o carão do governante da época.

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O nome de Jerusalém – cidade sagrada para judeus, cristãos e muçulmanos – significa “fundamento de paz”.

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O nome Sabrina é a designação dada pelos judeus a judia nascida em Israel.

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No Brasil, só existiam a loteria federal e algumas estaduais, que consistiam na venda de bilhetes. O jogo do bicho concorria fácil com ela. Mas tudo começou a mudar em 19 de abril de 1970, quando foi lançada a loteria esportiva. Depois dela veio esse monte de jogos que existem, como a mega-sena, a lotomania, a dupla sena e outras.

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Em 1736 foi promulgada na Inglaterra a Lei do Gim, para tornar a bebida tão cara que pobres não poderiam beber muito. Mas houve muitas infrações à lei e o consumo só aumentou.

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Quais foram as últimas palavras de Albert Einstein antes de morrer? Jamais saberemos: ele falou em alemão para uma enfermeira que não entendia essa língua.

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Os árabes escrevem ao contrário de nós, que escrevemos da esquerda para a direita. A escrita japonesa é vertical, do alto para baixo, mas também é “de trás pra frente” em relação à nossa: a primeira página dos livros ou revistas é a nossa última. Os gregos tiveram dúvidas durante muito tempo quanto à direção da escrita. Alternaram várias vezes escrevendo da direita para a esquerda e vice-versa. Só por volta do ano 500 a.C. é que adotaram pra valer a escrita e a leitura da esquerda para a direita.

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As primeiras mulheres europeias a chegarem ao Brasil foram três meninas órfãs enviadas pela coroa portuguesa em 1551.

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Os bebedores de cerveja brasileiros “invejaram” durante um bom tempo o que viam nos filmes norte-americanos: a cerveja em lata, num tempo em que aqui não havia sequer garrafas descartáveis. Para comprar cerveja era preciso levar vasilhames para troca ou pagar um depósito caro, que ficava retido até a devolução dos “cascos”, as garrafas vazias. Brahma e Antarctica reinavam no mercado, mas foi uma fábrica nova que trouxe a cerveja em lata para o Brasil, em 1971, a Skol. O lançamento da Skol em lata no mercado foi em 30 de abril daquele ano. No início eram latas de flandres, mais tarde substituídas por latas de alumínio e mais tarde ainda chegaram as garrafas descartáveis, tipo long neck. No início do consumo de cerveja em lata no Brasil, havia um costume que eu considerava meio besta: espremer limão e colocar sal em cima da lata e beber a cerveja com essa mistura.

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Assim falou Mário Quintana: “A gente deve atravessar a vida como quem está gazeteando a aula, e não como quem vai para a escola”.

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Carlito Maia falou algo que se assemelha ao que disse Mário Quintana: “Vim a este mundo a passeio, não a negócio”.

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O que alguns supersticiosos recomendam que a gente faça para ter boa saúde: pendurar uma réstia de cebola em casa, pendurar no pescoço uma moeda de prata ou uma bolinha de cânfora, carregar sempre uma batata (no bolso, na bolsa…), esfregar alho nos pés e ficar na chuva no primeiro temporal que cair no mês de maio.

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O Manifesto Antropófago e o Tropicalismo têm algo em comum: a data do lançamento, 1o de maio, mas com 40 anos de diferença: o Manifesto em 1928 e Tropicália em 1968.

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Os gringos (os legítimos, dos Estados Unidos) têm muitas superstições. Entre elas, coisas que se deve fazer para determinar um futuro para uma criança recém-nascida. Acham que se colocar perto dela uma bíblia, ela terá bom coração; se colocar uma moeda, vai ter muito sucesso com grana; um livro, vai ser intelectual; uma fralda, vai ter muitos filhos… Mas cuidado: se colocar perto dela um baralho, será uma jogadora.

* * *

Na Copa do Mundo de 1970, no México, em que a seleção brasileira foi considerada uma das melhores de todos os tempos, e tornou-se tricampeã, todos os atletas jogavam em times brasileiros. O time que mais cedeu jogadores para a seleção foi o Santos (Pelé, Edu, Clodoaldo e Joel). Duas equipes cederam três jogadores: Cruzeiro (Tostão, Piazza e Fontana) e Botafogo (Jairzinho, Paulo César Caju e Roberto). Três cederam dois: Corinthians (Ado e Rivelino), Palmeiras (Leão e Baldocchi) e Fluminense (Félix e Marco Antonio). Cederam um jogador as equipes do Flamengo (Brito), São Paulo (Gerson), Atlético Mineiro (Dario), Grêmio (Everaldo) e Portuguesa (Zé Maria).

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Alguém acha que é possível juntar cinco jogadores que em seus respectivos times jogam com a camisa 10 e dar certo? Pois em 1970, deu: Pelé, Tostão, Gerson, Jairzinho e Rivelino eram camisa 10 no Santos, Cruzeiro, São Paulo, Botafogo e Corinthians.

* * *

Nessa Copa de 1970 houve um monte de novidades. Uma delas: o televisionamento direto para países de várias partes do mundo, inclusive o Brasil. Foram 50 países que receberam o sinal. Outra: permissão para substituir até dois jogadores durante a partida. Antes disso, se um jogador se machucasse, azar: jogava-se com um jogador a menos. Pela primeira vez foi criada uma bola especialmente para a Copa, pela Adidas. E para terminar, foi quando começou a se usar os cartões, em vez de fazer advertências verbais. O primeiro a receber um cartão amarelo foi o russo Lovchev, no jogo inaugural, conta o México. Nenhum jogador foi expulso nessa Copa.

* * *

Assim falou o Marquês de Maricá: “Os homens são como os relógios: uns se atrasam, outros se adiantam, poucos regulam bem”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura inútil: Poder, política e corrupção

Mouzar Benedito_Poder política e corrupçãoPor Mouzar Benedito.

Antes de colocar as frases que selecionei sobre esses temas que mais parecem um só, umas considerações…

O Lula de outros tempos certa vez falou que tinha 300 picaretas no Congresso, e houve quem chiasse. Só 300?, perguntei na época e pergunto de novo hoje. E só no Congresso? Poder (seja executivo, legislativo ou judiciário – e também em empresas, órgãos empresariais e mesmo em organizações sindicais), política e corrupção são cartas do mesmo baralho.

Não vale o costume de achar que corruptos são os outros, que há corruptos sem corruptores. Empresários e dirigentes de empresas fingem que não têm nada com isso, mas não têm? Quem dá dinheiro para os corruptos, e por quê?

Voltando ao Congresso e à política em geral, a festa continua, agora mais exposta, mais explícita, segundo alguns porque passou a haver apuração dos fatos. Se fossem 300 picaretas no Congresso, que tem quase 600 parlamentares entre deputados e senadores, sobrariam quase 300 não picaretas. Onde estão? Duvido que alguém consiga listar 50, somando todos de todos os partidos. E entre os mais de mil deputados estaduais? E os vereadores? Isso sem contar governadores, prefeitos, ministros, secretários… Mas nem por isso, digo que “todos” os políticos são a mesma coisa. Há políticos (poucos) sinceramente comprometidos com o país e/ou com as causas populares. Vivam eles!

E não venham dizer que isso é coisa do Brasil ou dos tempos atuais. É um fenômeno mundial e pra lá de milenar.

Henry Kissinger, alemão que foi ministro das Relações Exteriores dos Estados Unidos nos anos 1970, político não melhor que os outros, mas conhecedor de seu meio, disse certa vez: “Noventa por cento dos políticos dão aos 10% restantes uma péssima reputação”.

No Brasil, desde que aqui chegou a política (trazida pelos europeus, índio não fazia política, pelo menos como a conhecemos), a coisa sempre foi sinônimo de sujeira, mutretas e muito mais. Algumas exceções foram trágicas. Roberto Saturnino (então no PDT), que tentou governar o Rio de Janeiro sem fazer concessões à corrupção e sem se submeter aos corruptos, não conseguiu fazer nada no governo, foi minado por todos os lado e terminou seu mandato como um dos piores governos já havidos lá. Sobre ele, disse Millôr Fernandes algo como “o governo Saturnino Braga representa a falência da honestidade”.

Isso faz lembrar o que disse Otto Lara Resende: “Política é a arte de enfiar a mão na merda. Os delicados (vide Milton Campos) pedem desculpas, têm dor de cabeça e se retiram”.

Bom, com todo o respeito aos que se salvam (repito: no Legislativo, no Executivo e no Judiciário), listei um monte de coisas que disseram sobre poder, política e corrupção, segundo os mais variados personagens, mas optando pelos pensamentos mais cruéis em relação aos políticos, pois os demais são exceções. Para isso, eu me vali de anotações antigas, livros e consultas à internet.

Mas para não ficar no que “os outros” disseram, começo por algumas coisas que escrevi, parte delas publicadas em alguns lugares por aí. Lembro, no entanto, que esses meus escritos não são só dos tempos atuais. Alguns são “antigos”, lá dos anos 1990.

Aí vão versos (imitando haicais) da minha lavra, seguidos de frases também minhas, antes de entrar nas de gente mais sábia:

O poder do poder:
Com ele, a ética
Torna-se patética

* * *

Poderoso de comício
É secretamente
Napoleão de hospício

* * *

A poder de chumbo
Governos bregas
Revelam-se chumbregas

* * *

Em nome da boa
Governança
A ética dança

* * *

Tem político que se diz “verde”
Mas não olha no espelho
Pra não ficar vermelho

* * *

Com chave do cofre
O corrupto comanda
O conchavo

* * *

Ofensa ao corrupto:
Foi investigado
De modo abrupto

* * *

CPI radical:
Quem se deu bem
Julga quem se deu mal

* * *

“Ele de novo!”
Reclamam do político
Que fala em povo

* * *

Corrupção tucana?
Quem liga pra isso?
Acham até bacana!

* * *

Constituição…
Que gênero mais chato
De ficção!

* * *

Poder e pudor muito raramente se encontram na mesma pessoa.

* * *

O que falta aos governos brasileiros não é caráter, isso eles têm até demais. Só que péssimo.

* * *

Em flagrantes de corrupção, quem é vivo nunca aparece.

* * *

Diz o ditado patronal que manda quem pode, obedece quem tem juízo. Poder pra mandar eu não tenho, mas juízo pra obedecer tenho muito menos.

* * *

O governo faz um jogo especial nas relações com os credores. Jogo de bunda!

* * *

Partidos brasileiros são muito interessantes. O PT está partido; o PSDB, fica no muro, não toma partido; o PMDB tira partido de tudo quanto é situação e qualquer governo, e o PFL (que se alcunhou Democratas) sempre toma o partido que o PSDB mandar.

* * *

Não confunda quituteira com empresário mutreteiro: ela trabalha com massa podre, ele com massa falida.

* * *

Os governos dançam conforme a música: se é samba, eles dançam rock; se é valsa, eles dançam tango; se é tango, eles dançam bolero…

* * *

Para quem tem tesão por mandar, o poder é mais phoder.

* * *

Para Washington Luís, governar era abrir estradas. Para Mário Covas, era colocar pedágio nelas.

* * *

As CPIs são exemplares na punição da corrupção. Nelas, os parlamentares pegos com a mão na massa são interrogados e julgados pelos que não foram pegos.

* * *

Quem nasceu pra ladrão pé-de-chinelo nunca chega a corrupto.

* * *

Corrupção no Brasil é assim: quem tem costas quente, mete o peito.

* * *

Entre um corrupto manjado e um futuro corrupto, não vote em ninguém!

* * *

Se tudo que vicia é droga, o poder não deveria ser proibido?

* * *

Com o perdão das prostitutas, que não têm nada com isso, com quantos filhos da puta se faz um governo?

* * *

Que diferença tem entre um ladrão que rouba pobre e um governo que cobra imposto de renda de assalariado?

* * *

Na Itália, o governo sempre governa com as massas?

* * *

No seio do governo… só tem mamata?

* * *

Agora, frases de gente famosa ou do povo:

Charles de Gaulle: “Como nenhum político acredita no que diz, fica sempre surpreso ao ver que os outros acreditam nele”.

* * *

Nikita Krushev: “Os políticos são iguais em todas as partes. Prometem construir uma ponte inclusive onde não há rio”.

* * *

Padre Antônio Vieira: “Reis e belicosos; reis e políticos; reis e deliciosos, quantos quiserdes, mas reis e santos, muito poucos”.

* * *

Hubert Humphrey: “Errar é humano. Culpar outra pessoa é política”.

* * *

Mário Amato (ex-presidente da Fiesp): “Todos somos corruptos. Ninguém pode atirar a primeira pedra”.

* * *

Marquês de Maricá: “A vitória de uma facção política é ordinariamente o princípio da sua decadência pelos abusos que a acompanham”.

* * *

Karl Liebknecht: “A lei básica do capitalismo é tu ou eu, não tu e eu”.

* * *

Roscommon: “A multidão nunca tem razão”.

* * *

O povo (ditado popular): “Bem dissimular para bem governar”.

* * *

Medeiros de Albuquerque: “Mesmo os governos mais retrógrados e nefastos não têm impedido o progresso de certas nações”;

* * *

Maquiavel: “O primeiro método para estimar a inteligência de um governante é olhar para os homens que tem à sua volta”.

* * *

Albert Einstein: “O meu ideal político é a democracia, para que todo homem seja respeitado como indivíduo e nenhum venerado”.

* * *

Nelson Rodrigues: “Muitas vezes é a falta de caráter que decide uma partida. Não se faz literatura, política e futebol com bons sentimentos”.

* * *

José Justo: “A república é no Brasil uma monarquia que se renova de quatro em quatro anos”.

* * *

Hegel: “Povo é a parte da nação que não sabe o que quer”.

* * *

Giambattista Vico: “No início, a natureza dos povos é cruel, depois torna-se severa, em seguida, benevolente; mais tarde, delicada, e finalmente, corrupta”.

* * *

Gustave Lê Bom: “Dominam-se mais facilmente os povos excitando as suas paixões do que cuidando dos seus interesses”.

* * *

O povo (ditado popular) Governo, pra ser bom, é preciso haver passado.

* * *

John Quinton: “Políticos são pessoas que, quando vêem luzes no fim do túnel, vão e compram ainda mais túnel”.

* * *

Ronald Reagan: “Eu achava que a política era a segunda profissão mais antiga. Hoje vejo que ela se parece muito com a primeira”.

* * *

Oswaldo Aranha: “O Império foi a hipocrisia organizada, e a República a falsidade oficial”.

* * *

Mao Tse-tung: “A política é uma guerra sem derramamento de sangue, e a guerra uma política com derramamento de sangue”.

* * *

Henri Montherlant: “A política é a arte de captar em proveito próprio a paixão dos outros”.

* * *

Goethe: “Todo aquele que aspira o poder já vendeu sua alma ao diabo”.

* * *

Joseph Jouber: “Em política, sempre é preciso deixar um osso para a oposição roer”.

* * *

Paul Valéry: “A política foi primeiro a arte de impedir as pessoas de se intrometerem naquilo que lhes diz respeito. Em época posterior, acrescentaram-lhe a arte de forçar as pessoas a decidir sobre o que não entendem”.

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Assis Chateaubriand: “Para manobrar seguro em política, é indispensável organizar entreveros de amigos e inimigos”.

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Philip Chesterfield: “Os políticos não conhecem nem o ódio, nem o amor. São conduzidos pelo interesse e não pelo sentimento”.

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Abraham Lincoln: “Quase todos os homens são capazes de suportar adversidades, mas se quiser por à prova o caráter de um homem, dê-lhe poder”.

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Júlio Dantas: “Nunca é prudente ajuizar da mentalidade dos homens pela impressão que eles nos dão na política – enganamo-nos sempre”.

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Sigmund Freud: “O estado proíbe ao indivíduo a prática de atos infratores, não porque deseje aboli-los, mas sim porque quer monopolizá-los”.

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Voltaire: “O melhor governo é aquele em que há o menor número de homens inúteis”.

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Max Weber: “Neutro é quem já se decidiu pelo mais forte”.

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François Mitterrand: “Os franceses fazem greve nas segundas-feiras porque o pão subiu, nas terças se manifestam porque ganham pouco; nas quartas protestam por falta de liberdades… E no domingo votam na direita”.

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Anônimo: “Ajude seu candidato a trabalhar. Não vote nele”.

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Demetrio Pianelli: “A paciência dos povos é a manjedoura dos tiranos”.

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Esopo: “Nós enforcamos os ladrõezinhos e indicamos os grandes ladrões para cargos públicos”.

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Machado de Assis: “A corrupção escondida vale tanto como a pública: a diferença é que não fede”.

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Luis de Saint-Just: “Todas as artes têm produzido obras admiráveis; a arte de governar só tem produzido monstrengos”.

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O povo (ditado popular): “Quem não sabe fingir não sabe governar”.

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Stanislaw Ponte Preta: “A prosperidade de alguns homens públicos do Brasil é uma prova evidente de que eles vêm lutando pelo progresso do nosso subdesenvolvimento”.

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Nietzsche: “Um político divide os seres humanos em duas classes: instrumentos e inimigos”.

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Anthony Éden: “A corrupção nunca foi compulsória”.

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Fray Antonio de Guevara: “Ao homem que faz tudo o que pode não podemos dizer que não faça tudo o que deve”.

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Platão: “O castigo dos bons que não fazem política é ser governados pelos maus”.

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Eça de Queiroz: “Os políticos e a as fraldas são semelhantes, possuem o mesmo conteúdo”.

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Millôr Fernandes: “A diferença entre a galinha e o político é que o político cacareja e não bota o ovo”.

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Leonel Brizola: “Estou pensando em criar um vergonhódromo para políticos sem-vergonha, que ao verem a chance de chegar ao poder esquecem os compromissos com o povo”.

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Doug Larson: “Em vez de dar a um político as chaves da cidade, seria melhor trocar as fechaduras”.

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Ambroise Bierce: “A política é a condução dos negócios públicos para proveito dos particulares”.

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George Santayanna: “Há três tipos de governo: o que faz acontecer, o que assiste o que acontece e o que nem sabe o que acontece”.

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O povo (ditado popular) “Não roube! O governo não gosta de concorrência.

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Honoré de Balzac: “Governar demasiadamente é o maior perigo dos governos”.

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Denis Diderot: “Cuidado com o homem que fala em pôr as coisas em ordem. Pôr as coisas em ordem sempre significa pôr as coisas sob seu controle”.

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Jean Paulhan: “Tudo o que peço aos políticos é que se contentem em mudar o mundo sem começar por mudar a verdade”.

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Benjamin Disraeli: “Em política, nada é desprezível”.

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Woody Allen: “O político de carreira é aquele que faz de cada solução um problema”.

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David Zac: “Num estado democrático existem duas classes de políticos: os suspeitos de corrupção e os corruptos”.

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José Saramago: “Os políticos são a mentira legitimada pela vontade do povo”.

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Antonio Gala: “O poder é como a nogueira: não deixa crescer nada debaixo de sua sombra”.

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Jonathan Swift: “O poder arbitrário constitui uma tentação natural para um príncipe, como o vinho e as mulheres para um homem jovem, ou o suborno para um juiz, ou a avareza para o velho, ou a vaidade para a mulher”,

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O povo (ditado popular): “Queres conhecer o Inácio? Coloca-o no palácio”.

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Guerra Junqueiro: “O povo, coitado, é soberano como fora Jesus para beber o fel, para morrer na cruz, para pagar impostos, para morrer na guerra”.

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George Orwell: “O poder não é um meio, mas um fim em si mesmo”.

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Ezra Pound: “Governar é a arte de criar problemas com cuja solução manter a população em suspense”.

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Alfonso Guerra: “Os personagens universais, perfeitamente conscientes de sua inutilidade, são necessários para acalmar a consciência coletiva”.

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Anônimo: “Todo homem tem seu preço. E tem um monte que está em promoção!”.

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Sérgio Motta: “Com alguns deputados, só conversando na sauna, e pelado”.

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Mahatma Gandhi: “Olho por olho, e o mundo acabará cego”.

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Alberto Moravia: “Uma ditadura é um estado em que todos temem um e um teme todos”.

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Xiquote (pseudônimo de Bastos Tigre, comentando as discussões sobre a instituição do voto feminino): “Quando as mulheres tiverem direito ao voto, transformarão todas as eleições em concurso de beleza e elegância”.

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Winston Churchill: “Só me fio nas estatísticas que manipulei”.

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Millôr Fernandes: “Brasil, país do faturo”.

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Provérbio italiano: “Dinheiro público é como água benta: todos põem a mão”.

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Bertolt Brecht: “Alguns juízes são absolutamente incorruptíveis. Ninguém consegue induzi-los a fazer justiça”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças. 

Cultura inútil: Romanos comiam rabudos

14.12.17_Mouzar Benedito_Romanos comiam rabudosPor Mouzar Benedito.

Muita gente se horroriza com hábitos alimentares de certos povos. E quase todo mundo tem nojo ou medo de rato. Mas há exceções. No Sertão nordestino, nas grandes crises de fome, há muitas histórias de gente caçando rato para comer. Lá, chamam rato de “rabudo”. Na viagem de volta ao mundo, de Fernão de Magalhães, houve uma calmaria no Oceano Pacífico, não havia ventos e as caravelas não andavam, não chegavam a lugar nenhum, e a comida acabou. Não sobrou um rato nas caravelas, comeram todos, depois passaram a comer as botinas deixadas de molho um tempão na água pra amaciar. Em Roma, ratos silvestres eram comido não por necessidade, era uma comida muito apreciada. Um acepipe. Muitos romanos criavam ratos silvestres em casa, colocando-os em gaiola e alimentando com sementes, até chegar o ponto em que eram abatidos e traçados com muito prazer.

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Comer lesma? Que nojo! Ora, a falta do que comer pode mudar esse conceito: numa crise no século XIX, na França, com a falta de comida, o povo apelou para os caracóis, e assim o escargô – nome do dito cujo em francês – passou a ser um prato requintado. Comeram tantos, e gostaram, que quase acabaram com eles. E começaram a criar para comer.

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Quando o Padre Cícero morreu, em julho de 1934, houve luto por todo o Nordeste. Mas uma mulher moradora de Palmeira dos Índios, em Alagoas, disse que ia usar luto sim, mas não pelo padre e sim pela sua cachorra que morreu na mesma época. Daí, diz a lenda, virou cachorra e passou a latir e a assombrar a região, ficando conhecida como “A cachorra de Palmeira”.

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O hábito de mastigar chiclete, quem diria, ajudou muito nas pesquisas sobre o povo maia. O chicle, matéria prima do chiclete, era obtido a partir da seiva do sapotizeiro. Trabalhadores que entravam nas selvas atrás de sapotizeiros para tirar a seiva acabavam encontrando ruínas maias cobertas pelo mato e passavam a informação aos arqueólogos.

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As primeiras escolas de farmácia no Brasil foram criadas em 1832, na Bahia e no Rio de Janeiro. Depois, vieram a de Ouro Preto, em 1837; a de Porto Alegre, em 1896; e a de São Paulo, em 1898.

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Até o fim do século XVII, as porcelanas legítimas só eram fabricadas pelos chineses. Havia imitações feitas na Itália, mas foi um saxão que conseguiu descobrir o “mistério” das porcelanas chinesas e fabricar peças verdadeiras pela primeira vez no Ocidente. É a porcelana de Dresden.

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Se você perguntar a um legítimo caipira o nome dos três reis magos, ele responderá: “Bartazá, Gaspá e Brechó”. Belchior vira Brechó na pronúncia caipira. Mas no Rio de Janeiro também havia um Belchior que ficou conhecido como Brechó, no século XIX. Ele abriu a primeira loja de objetos usados (inclusive roupas) da cidade, e por isso essas lojas passaram a ser chamadas de brechó. Dois sinônimos de brechó são hoje praticamente desconhecidos: adelo (ou adeleiro), de origem árabe, e brique-a-braque (do francês bric-à-brac).

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As tropas que depuseram Dom Pedro II e proclamaram a República levavam uma bandeira que era uma espécie de cópia da estadunidense, só que com as cores do Brasil, porque os republicanos não tinham ideia de uma bandeira republicana. Em seguida, Décio Villares desenhou uma bandeira de acordo com o que queriam os positivistas, incluindo o dístico “Ordem e Progresso”.

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O silenciador de arma de fogo foi inventado em 1909, pelo estadunidense Hiran Percy Maxim. Outro gringo, Jaime Ritty, inventou a caixa registradora em 1879.

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As sandálias havaianas foram lançadas em São Paulo, em 14 de junho de 1962. A empresa que a produzia deu esse nome porque, segundo informou, Havaí lembra sol, praia, calor e charme.

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Muitos cangaceiros tinham como apelidos nomes de aves brasileiras. Aí vão alguns deles: Xexéu, Andorinha, Coruja, Asa Branca, Beija-flor, Azulão, Azulão Segundo, Pássaro Preto, Sabiá, Mergulhão, Paturi, Passarinho, Gavião, Bem-te-vi, Juriti, Bicudo e Marreca. Outros tinham apelidos que dão ideia de terem sido brabos pra chuchu: Cobra Preta, Jararaca, Fato de Cobra, Moita Braba, Tempestade, Trovão, Casca Grossa e Lasca-Bomba. Em compensação havia uns que deviam ser bem bonzinhos: Criança, Cuscuz, Pensamento, Pirulito, Paizinho, Pai Véio e Bom Devéra.

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Basílio II de Constantinopla usava o cognome Bulgaroktonos, que significa “matador de búlgaros”. Em 1014, querendo acabar de vez com uma guerra iniciada havia quarenta anos, ele tinha quinze mil prisioneiros búlgaros e resolveu devolvê-los à Bulgária e avisou Samuel, o líder búlgaro, que seus soldados estavam sendo devolvidos. Mandou então cegar quase todos eles, deixando só 150 cegos de um olho só. Cada um desses tinha, então, que conduzir cem búlgaros cegos de volta à sua pátria. Samuel foi receber seus soldados de volta e teve um choque tão grande ao ver aquela cena que teve um derrame e dois dias depois morreu.

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Assim falou Mark Twain: “Cada um de nós é uma lua e tem um lado escuro que não mostra a ninguém”.

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Em 1851, houve um surto de febre amarela na região de Belém, capital do Pará. Segundo alguns moradores, antes do surgimento desse surto, em várias tardes sucessivas baixou um nevoeiro escuro, com ar pesado, e mau cheiro. Esse nevoeiro ia de rua em rua, contavam. Como para os indígenas tudo na natureza tem uma mãe (Cy, em tupi), e a presença da cultura indígena era forte na região, acharam que esse nevoeiro é que trouxe o surto, diziam que ele era a “mãe da peste”. Daí, provavelmente, surgiu a expressão que foi muito utilizada. Quem não ouviu dizer que “Fulano é mais feio do que a mãe da peste”?

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Segundo o censo de 1970, dos Estados Unidos, naquele ano havia 2.983 homens viúvos aos 14 anos de idade. E 289 mulheres com essa idade já eram viúvas ou divorciadas.

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Para construir o Canal do Panamá, os Estados Unidos provocaram a divisão da Colômbia, que não concordava com os termos que os gringos queriam impor. Assim, surgiu o Panamá, uma secessão da Colômbia, que aceitou o acordo desproporcional favorecendo os Estados Unidos. Foi criada uma “Zona do Canal” dominada pelos gringos, e nela o governo panamenho não tinha nenhum poder. Mas pelo acordo, a bandeira dos Estados Unidos na Zona do Canal seria substituída pela do Panamá, no dia 1o de janeiro de 1964, cinquenta anos depois da conclusão das obras. Em janeiro daquele ano, estudantes panamenhos tentaram substituir a tal bandeira, mas os gringos não aceitaram. Reprimiram violentamente, matando um número de panamenhos que varia conforme a fonte, de 15 a 28, e ferindo centenas. Mas o comandante militar dos Estados Unidos minimizou a coisa: “Só foram usadas balas de caçar pombos”.

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Em 30 de abril de 1912, foi assentado o último dormente da ferrovia Madeira-Mamoré, no atual estado de Rondônia. Cerca de 30 mil pessoas morreram na construção. Ela foi oficialmente inaugurada no dia 1o de agosto daquele ano. Em 10 de julho de 1972, locomotivas da estrada de ferro Madeira-Mamoré, em Rondônia, apitaram durante cinco minutos, despedindo da população: a ferrovia encerrava suas atividades.

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A sirene foi inventada pelo francês Charles Caignard de la Tour, em 1822.

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Algumas invenções que usamos no nosso dia a dia sem pensar que foram feitas por brasileiros: o escorredor de arroz, criado pela dentista Therezinha Beatriz Alves de Andrade; o bina (identificador de chamadas telefônicas), pelo mineiro Nélio José Nicolai… e quando fazemos ligações telefônicas a cobrar, nem pensamos que seu inventor é Adenor Martins de Araújo. Ah, o cartão telefônico usado no Brasil (é diferente do usado em outros países) foi criado na Unicamp, por Nelson Guilherme Bardini.

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Um narcótico muito eficaz produzido na Alemanha tinha uma marca inspirada na palavra herói, por seu efeito extraordinário. A marca comercial, em alemão, era Heroin. O termo entrou na linguagem científica no final do século XIX, mas a heroína acabou sendo proibida no mundo todo.

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A primeira vez que a seleção brasileira de futebol jogou com a camisa amarela foi em 1954, na Copa realizada na Suíça.

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O maior goleador de uma Copa só foi o francês Fontaine, que em 1958, na Suécia, marcou 13 gols… Quer dizer, francês entre aspas: ele nasceu no Marrocos. Era filho de um funcionário francês.

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O Olodum, bloco-afro do carnaval de Salvador, na Bahia, foi fundado em 25/04/1979, como opção de lazer aos moradores do Maciel-Pelourinho, garantindo-lhes o direito de brincar o carnaval em um bloco e de forma organizada. Depois da estréia, no carnaval de 1980, a banda conquistou quase dois mil associados e passou a abordar temas históricos relativos às culturas africana e brasileira. O primeiro LP da banda, chamado Egito, Madagascar, foi gravado em 1987 e estourou na Bahia, com a música Faraó.

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Quem introduziu a marcação de gado na América foi Hernán Cortez, o conquistador do México. Vaca ou cavalo marcado com três cruzes, todos sabiam: era dele. O costume se estendeu pelas pradarias de onde viria a ser o oeste dos Estados Unidos, onde o gado era criado solto.

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A América tem seu nome em homenagem ao navegador italiano Américo Vespúcio, que esteve por aqui a serviço da Espanha e de Portugal. Colombo, o “descobridor” da América, também era italiano, a serviço da Espanha. Cabot (cujo nome verdadeiro era Giovanni Caboto), comandou os primeiros navios ingleses que chegaram à América. Mas nenhuma embarcação italiana esteve na América na época.

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Em Roma, quando alguém casava, espalhava-se gotas de mel na soleira da casa dos noivos. Daí, passaram a chamar de lua-de-mel a primeira fase do casamento.

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Cada um dos cinco anéis entrelaçados que simbolizam os jogos olímpicos representa um continente. O azul representa a Europa, o preto a África, o amarelo a Ásia, o verde a Oceania e o vermelho a América.

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De 1959 a 1964, a Guerra do Vietnã era mais ou menos restrita aos Vietnãs do Norte (comunista) e do Sul (capitalista), embora houvesse apoio indireto da União Soviética ao Norte e dos Estados Unidos ao Sul. Em 4 de agosto de 1964, os Estados Unidos alegaram que torpedeiros do Vietnã do Norte haviam atacado navios estadunidenses no Golfo de Tonquim e entrou com tudo na guerra. A informação era falsa, só uma desculpa para sua intromissão direta. A guerra acabou se alastrando para os países vizinhos.

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Sempre que ia presidir reuniões oficiais em sua corte, a bela rainha Cleópatra, do Egito, usava barbas postiças.

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Você conhece um esporte chamado mintonette? Esse é o nome que Willian G. Morgan deu ao esporte que inventou em 1895, quando era diretor de educação física da Associação Cristã de Moços da cidade de Holyoke, Massachusetts, Estados Unidos. Na época, era moda um esporte criado quatro anos antes, o basquete, muito bom para jovens, mas cansativo demais para pessoas um pouco mais velhas. Por sugestão de um pastor, Morgan criou um esporte mais adequado para essas pessoas. No ano seguinte, o mintonette mudou de nome, passou a se chamar volleybol, é o vôlei de hoje. Em 1910, o Peru foi o primeiro país sul-americano a praticar o vôlei. O primeiro campeonato sul-americano de vôlei aconteceu no Brasil, na quadra do Fluminense, Rio de Janeiro, em 1951. O Brasil foi campeão masculino e feminino.

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O recorde de público do Pacaembu foi batido em 23 de maio de 1945, quando Leônidas da Silva, o “Diamante Negro”, estreou no São Paulo, contra o Corinthians, com 74.078 pagantes de ingressos. Leônidas, famoso pelos gols de bicicleta, tinha vindo de três temporadas de sucesso no Flamengo.

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A primeira mulher a tornar-se senadora no Brasil não tinha nada de progressista. Eunice Michiles, da Arena do Amazonas, era suplente e assumiu o lugar do titular, em 11 de maio de 1979.

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O nome do alfabeto cirílico, usado nos idiomas russo, bielorrusso, búlgaro, sérvio, cazaque e outros de países da antiga União Soviética, deve-se a São Cirilo, que viveu de 827 a 869. Ele e seu irmão, São Metódio, eram missionários e criaram esse alfabeto no século IX, usando caracteres de outras línguas, como o hebraico e o grego, para transcrever a Bíblia para línguas eslavas.

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Artéria significa “condutor de ar”. Esse nome foi dado pelo médico grego Praxágoras, que pensou que as artérias transportassem ar. Nos cadáveres, geralmente elas estão vazias.

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Rosário, poeta popular de Nova Resende, chamava seus poemas caboclos de “décimas”. Aí vai o trecho inicial de uma de suas décimas:

Cachaceiro entrô na venda,

Sentiu mágoa e chorô,

Quando o vendeiro disse

Que a cachaça cabô.

 

Ó, que notícia cruel,

Ó, que notícia tirana!

Num sei pra que tanto engenho,

Num sei pra que tanta cana!

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Assim disse Leon Tolstoi, horrorizado ao ver uma execução pública em Paris: “Jamais, sob qualquer circunstância, servirei a nenhuma forma de governo, seja lá qual for”.

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Mouzar Benedito, jornalista, nasceu em Nova Resende (MG) em 1946, o quinto entre dez filhos de um barbeiro. Trabalhou em vários jornais alternativos (Versus, Pasquim, Em Tempo, Movimento, Jornal dos Bairros – MG, Brasil Mulher). Estudou Geografia na USP e Jornalismo na Cásper Líbero, em São Paulo. É autor de muitos livros, dentre os quais, publicados pela Boitempo, Ousar Lutar (2000), em co-autoria com José Roberto Rezende, Pequena enciclopédia sanitária (1996) e Meneghetti – O gato dos telhados (2010, Coleção Pauliceia). Colabora com o Blog da Boitempo quinzenalmente, às terças.