Arquivo da categoria: Boitempo indica

Evidências do real

13.09.11_Evidênicas do realPor Slavoj Žižek.

O ensinamento de Mao está correto: em sua forma mais radical, uma revolução possui caráter cultural. É triste que hoje tenhamos de retomar esse ensinamento a partir das decisões do grupo neoconservador postado em torno de Bush.

O livro Evidências do real de Susan Willis, entretanto, resgata o papel crítico dos estudos culturais. Sua análise do 11 de Setembro como um fenômeno cultural não trata de um aspecto menos importante do que as dimensões políticas ou militares – pelo contrário, põe em foco o núcleo do conflito existente. Este livro se torna uma referência indispensável a todos os que se preocupam em saber o que está acontecendo no mundo de hoje. Ignorá-lo significa querer manter-se em ignorância abençoada – a seu próprio risco.

***

“Uma obra prima de nosso tempo”

Por Daniel Puglia.*

“A velha glória” é o primeiro ensaio de Evidências do real, de Susan Willis. Nele podemos ler: enfeitando os carros com bandeiras, “nós, os norte-americanos, [mostramos saber] que a guerra contra o terrorismo é o código para a preservação de nossas rodovias interestaduais, nossos carros, nossos bairros de classe média e toda a rede petroquímica que nos alimenta e veste” (p.24). Nessa pequena passagem estão imbricados três procedimentos que parecem nortear o livro como um todo: a busca incessante do oculto revelado pelo aparente, o estabelecimento de correlações inusitadas e, por fim, um tom de ironia comedida – da calmaria antes da catástrofe. Assim, o patriotismo representado na bandeira é escovado a contrapelo e o estandarte nacional surge como o fetiche da religião do comprar e vender, o lábaro que marca um povo no pasto dos shopping centers. E a guerra adquire novas feições não apenas contra o terrorismo, mas, sobretudo, contra a perspectiva aterrorizante de serem destruídas as possibilidades de consumo.

O desfile mundial do pavilhão estadunidense encena o caráter a um só tempo lúgubre e festivo, aparvalhado e mesquinho, de um modo de vida que encobre o sofrimento humano real sob o manto do prazer mercável. Evidentemente nossa autora não se coloca contra os avanços da ciência e da tecnologia mas, com razão, parece não ter muita paciência para os problemas da classe média norte-americana, afinal, bombas e granadas made in America garantem o horizonte apalermado de uma eterna infância cevada por cartões de crédito.

O caráter contagioso e virtualmente ubíquo da mercadoria adquire nova entonação com o ensaio “Nós somos o antraz”. Após o 11 de Setembro, o temor de um novo ataque adquiriu contornos de realidade quando correspondências com antraz pareciam ser outra ameaça ao sonho americano. No entanto, embora algumas cartas contivessem esporos, milhares continham apenas açúcar ou talco, e esses falsos alarmes são particularmente significativos. Escolas, fábricas e repartições públicas eram fechadas; a normalidade do cotidiano, interrompida.

“Talvez os perpetradores estivessem fartos da cultura do ‘Tenha um bom dia’  e quisessem expressar o lado negro, oculto e inconfesso de uma sociedade que gosta de exibir a face sorridente do consumo” (p.34). A possibilidade de atrapalhar o curso usual dos acontecimentos acrescenta um novo matiz ao patriotismo aparentemente hegemônico. Como escreve Willis, ainda enquanto as bandeiras eram agitadas de modo entusiástico, um rumor e uma dúvida davam expressão aos descontentamentos cotidianos.

Mas a crítica latente sinalizada nas ameaças de antraz tem ainda outro grau de contundência. Um mês depois das homenagens aos mortos nas Torres Gêmeas, um atirador passa a alvejar pessoas em Washington. O significado disso é o assunto do ensaio “Tudo que vai, volta”. A vida transformada num cassino, a existência submetida ao caos do livre mercado, tem na loteria de morte sua materialização extrema. Essa mesma vida, protegida na fantasia palpável do consumo, sofre um severo golpe quando a violência rotineiramente praticada externamente, em países distantes, ou internamente, nos bairros mais pobres, atinge pessoas dos subúrbios afluentes. Ocorre que, se a exploração do trabalho alheio não é um dado natural e se os paraísos da bonança têm de ser mantidos também pelo uso da força, então o atirador de Washington não é uma figura anômala, mas sim um efeito bumerangue, o feitiço contra o feiticeiro: “… a utilização da força criminosa é a verdade mais fundamental de nossa nação” (p.60). Na lógica espetacular da cultura e do comportamento psicossocial, Willis deslinda interdependências materiais precisas, em que o esforço de guerra é a corrente subterrânea da militarizada democracia estadunidense. “Se há uma verdade final transmitida pelo atirador, trata-se de nossa prontidão de abrir guerra contra os civis” (p.66).

A existência de um governo paralelo, instalado em abrigos nas montanhas ao redor de Washington, e a realização de exercícios militares que simulam uma invasão por exércitos inimigos: eis algumas das evidências recolhidas no ensaio “Somente o Sombra sabe”. O fetiche pela bandeira nacional pode ter o efeito sufocante de uma atmosfera impregnada por antraz. Por seu turno, os alvos potenciais de um atirador vivem a incerteza de saber quem governa suas vidas. Nesse sentido, os escritórios governamentais abaixo da superfície casam perfeitamente com os negócios escusos praticados na Casa Branca. Mas, talvez para que a população não tenha dúvidas, temos a simulação na Carolina do Norte: “… segundo informações militares, dez das áreas centrais do estado – todas rurais e carentes em maior ou menor grau – fazem parte de um cenário imaginário, fazendo a vez de uma nação tomada por um governo repressor” (p.81). Ou seja, a ficção bélica se encarrega de dirimir desconfianças: a nação realmente está à mercê de um governo repressor, tramando nas sombras, atacando à luz do dia.

“O maior show da Terra” é o ensaio que se detém sobre três ousadias: um rapaz que se jogou nas cataratas do Niágara apenas com a roupa do corpo e sobreviveu; outro que despachou a si mesmo, num caixote, no compartimento de cargas de um aeroporto; e, por fim, um ilusionista norte-americano que jejuou durante 44 dias suspenso em uma caixa de vidro sobre o Tâmisa. Willis escreve:

“Não temos como reconhecer nossos realizadores de proezas como evidências do real, figuras que tocam os mais profundos nervos da História para dar visibilidade àquilo que reprimimos. Por não conseguir ler a verdade na metáfora, não conseguimos viver historicamente” (p.102).

No arremate do texto, a autora lembra que o privilégio e a riqueza permitem que os Estados Unidos produzam tais proezas, enquanto os  problemas reais parecem estar relegados a outros mundos.

Em “¿Quién es más macho?”, ensaio que encerra o livro, as fotografias das torturas cometidas por soldados estadunidenses na prisão iraquiana de Abu Ghraib são o fio condutor de um inquérito: o desvelar do inconsciente da economia política  capitalista. Para efetivar o saque no país invadido são mobilizados os milhares de jovens norte-americanos que têm limitadas perspectivas de emprego e que aprendem a aniquilar enquanto são aniquilados, tanto física quanto psiquicamente.

Assim, nas fotografias perturbadoras “jovens e viçosas garotas norte-americanas que facilmente passariam por funcionárias da Disney aparecem sorrindo e fazendo o sinal de positivo com o polegar junto a uma pilha de prisioneiros nus” (p.106).

Recorrendo ao vasto arsenal da psicopatologia de sociedades lastreadas na espoliação, indo da Ku Klux Klan, passando pelos seriados policiais televisivos e chegando aos fantasmas da heterossexualidade mal resolvida, “¿Quién es más macho?” constitui uma verdadeira peça de acusação contra o empreendedorismo viril, uma das formas espectrais do mercado. Nesta aparição moderna, o domínio sobre o outro, a supremacia competitiva e o ápice do vencedor se transformam todos numa imagem ideal a ser alcançada – imagem esta que recalca, sob o encanto abjeto da pornografia da guerra cotidiana, a mesmice a que estão reduzidas quaisquer individualidades.

Na introdução a seu livro, Willis escreve que os ensaios “foram escritos com uma linguagem que procura capturar a dicção norte-americana”. De fato, o leitor poderá apreciar a era pós-11 de Setembro em seis textos formadores de um caleidoscópio que, ao ser lido e relido, emite a familiar estranheza do som do futuro.

A paradoxal naturalidade desse som, preservada na tradução brasileira, talvez seja também a crônica de uma crise anunciada. Uma crise que, agora mais nítida, realça a urgência das palavras de Slavoj Žižek para essa obra-prima de nosso tempo.

* Publicado originalmente no volume 28 da revista Crítica Marxista.

***

Evidências do real: os estados unidos pós-11 de setembro, de Susan Willis, está em promoção por R$ 13,97 na Flanarte (Saldão Boitempo), e disponível também nas livrarias CulturaTravessa, entre outras.

Sobre os atentados de 11 de setembro de 2001, recomendamos também a leitura de Bem-vindo ao deserto do real!, de Slavoj Žižek, Estado de exceção, de Giorgio Agamben, e Espectro, de Perry Anderson, todos disponíveis em versão eletrônica (ebook) nas livrarias Travessa, Cultura, SaraivaAmazon, entre outras.

***

Daniel Puglia é professor do Departamento de Letras Modernas da Universidade de São Paulo, com doutorado em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela mesma instituição. 

Slavoj Žižek nasceu na cidade de Liubliana, Eslovênia, em 1949. É filósofo, psicanalista e um dos principais teóricos contemporâneos. Transita por diversas áreas do conhecimento e, sob influência principalmente de Karl Marx e Jacques Lacan, efetua uma inovadora crítica cultural e política da pós-modernidade. Professor da European Graduate School e do Instituto de Sociologia da Universidade de Liubliana, Žižek preside a Society for Theoretical Psychoanalysis, de Liubliana, e é um dos diretores do centro de humanidades da University of London. Dele, a Boitempo publicou Bem-vindo ao deserto do Real! (2003), Às portas da revolução (escritos de Lenin de 1917) (2005), A visão em paralaxe (2008), Lacrimae rerum (2009), Em defesa das causas perdidasPrimeiro como tragédia, depois como farsa (ambos de 2011) e o mais recente, Vivendo no fim dos tempos (2012). Colabora com o Blog da Boitempo esporadicamente.

Livro analisa a literatura infantojuvenil produzida durante a Abertura Política

“Versão revista, atualizada e rebatizada da monografia de graduação em Sociologia e Política defendida na Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP) em dezembro de 2005, Transgressão e adaptação: discurso de cidadania e literatura infantojuvenil na Abertura Política (Editora Ixtlan, 2013, 96 p., R$ 24,00) é o mais recente livro do sociólogo Daniel Rodrigues Aurélio. A obra analisa a estética e o discurso transgressores contidos nas histórias infantis e juvenis produzidas durante a ditadura civil-militar no Brasil e sua posterior adaptação como literatura paradidática no período de Abertura Política no país.

Autores como Ziraldo, Pedro Bandeira, Ruth Rocha e Ana Maria Machado aproveitaram-se das brechas no sistema de censura para escrever histórias que tematizavam questões como liberdade de expressão, respeito às diferenças e democracia. Por outro lado, conforme o mercado editorial no segmento de didáticos e paradidáticos consolidava-se, esses mesmos escritores tornaram-se canônicos, constituíram um campo, contribuindo assim para estruturar todo um mercado no setor, composto por instâncias de legitimação que serviam como referência para volumosas compras governamentais e de escolas privadas.

Sobre o autor

Daniel Rodrigues Aurélio é graduado em Sociologia e Política e pós-graduado em Globalização e Cultura e Sociopsicologia pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo – FESPSP. Atualmente é mestrando em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo – PUC-SP e pesquisador do Grupo de Estudos de Práticas Culturais Contemporâneas (GEPRACC/PUC-SP). Editor da revista Conhecimento Prático Filosofia, é autor dos livros Dossiê Getúlio Vargas e da trilogia A extraordinária história do Brasil, entre outros.

Mais informações no blog do autor: http://www.danielraurelio.blogspot.com. Contato para entrevistas: danielraurelio@gmail.com
Transgressão e adaptação é vendido com exclusividade no site da editora Ixtlan (www.livrariaixtlan.com.br).”

Antonio Candido indica 10 livros para conhecer o Brasil

13.05.17_Antonio Candido_10 livros para conhecer o BrasilPor Antonio Candido.*

Quando nos pedem para indicar um número muito limitado de livros importantes para conhecer o Brasil, oscilamos entre dois extremos possíveis: de um lado, tentar uma lista dos melhores, os que no consenso geral se situam acima dos demais; de outro lado, indicar os que nos agradam e, por isso, dependem sobretudo do nosso arbítrio e das nossas limitações. Ficarei mais perto da segunda hipótese.

Como sabemos, o efeito de um livro sobre nós, mesmo no que se refere à simples informação, depende de muita coisa além do valor que ele possa ter. Depende do momento da vida em que o lemos, do grau do nosso conhecimento, da finalidade que temos pela frente. Para quem pouco leu e pouco sabe, um compêndio de ginásio pode ser a fonte reveladora. Para quem sabe muito, um livro importante não passa de chuva no molhado. Além disso, há as afinidades profundas, que nos fazem afinar com certo autor (e portanto aproveitá-lo ao máximo) e não com outro, independente da valia de ambos.

Por isso, é sempre complicado propor listas reduzidas de leituras fundamentais. Na elaboração da que vou sugerir (a pedido) adotei um critério simples: já que é impossível enumerar todos os livros importantes no caso, e já que as avaliações variam muito, indicarei alguns que abordam pontos a meu ver fundamentais, segundo o meu limitado ângulo de visão. Imagino que esses pontos fundamentais correspondem à curiosidade de um jovem que pretende adquirir boa informação a fim de poder fazer reflexões pertinentes, mas sabendo que se trata de amostra e que, portanto, muita coisa boa fica de fora. 

São fundamentais tópicos como os seguintes: os europeus que fundaram o Brasil; os povos que encontraram aqui; os escravos importados sobre os quais recaiu o peso maior do trabalho; o tipo de sociedade que se organizou nos séculos de formação; a natureza da independência que nos separou da metrópole; o funcionamento do regime estabelecido pela independência; o isolamento de muitas populações, geralmente mestiças; o funcionamento da oligarquia republicana; a natureza da burguesia que domina o país. É claro que estes tópicos não esgotam a matéria, e basta enunciar um deles para ver surgirem ao seu lado muitos outros. Mas penso que, tomados no conjunto, servem para dar uma ideia básica.

Entre parênteses: desobedeço o limite de dez obras que me foi proposto para incluir de contrabando mais uma, porque acho indispensável uma introdução geral, que não se concentre em nenhum dos tópicos enumerados acima, mas abranja em síntese todos eles, ou quase. E como introdução geral não vejo nenhum melhor do que O povo brasileiro (1995), de Darcy Ribeiro, livro trepidante, cheio de ideias originais, que esclarece num estilo movimentado e atraente o objetivo expresso no subtítulo: “A formação e o sentido do Brasil”.

Quanto à caracterização do português, parece-me adequado o clássico Raízes do Brasil (1936), de Sérgio Buarque de Holanda, análise inspirada e profunda do que se poderia chamar a natureza do brasileiro e da sociedade brasileira a partir da herança portuguesa, indo desde o traçado das cidades e a atitude em face do trabalho até a organização política e o modo de ser. Nele, temos um estudo de transfusão social e cultural, mostrando como o colonizador esteve presente em nosso destino e não esquecendo a transformação que fez do Brasil contemporâneo uma realidade não mais luso-brasileira, mas, como diz ele, “americana”. 

Em relação às populações autóctones, ponho de lado qualquer clássico para indicar uma obra recente que me parece exemplar como concepção e execução: História dos índios do Brasil (1992), organizada por Manuela Carneiro da Cunha e redigida por numerosos especialistas, que nos iniciam no passado remoto por meio da arqueologia, discriminam os grupos linguísticos, mostram o índio ao longo da sua história e em nossos dias, resultando uma introdução sólida e abrangente.

Seria bom se houvesse obra semelhante sobre o negro, e espero que ela apareça quanto antes. Os estudos específicos sobre ele começaram pela etnografia e o folclore, o que é importante, mas limitado. Surgiram depois estudos de valor sobre a escravidão e seus vários aspectos, e só mais recentemente se vem destacando algo essencial: o estudo do negro como agente ativo do processo histórico, inclusive do ângulo da resistência e da rebeldia, ignorado quase sempre pela historiografia tradicional. Nesse tópico resisto à tentação de indicar o clássico O abolicionismo (1883), de Joaquim Nabuco, e deixo de lado alguns estudos contemporâneos, para ficar com a síntese penetrante e clara de Kátia de Queirós Mattoso, Ser escravo no Brasil (1982), publicado originariamente em francês. Feito para público estrangeiro, é uma excelente visão geral desprovida de aparato erudito, que começa pela raiz africana, passa à escravização e ao tráfico para terminar pelas reações do escravo, desde as tentativas de alforria até a fuga e a rebelião. Naturalmente valeria a pena acrescentar estudos mais especializados, como A escravidão africana no Brasil (1949), de Maurício Goulart ou A integração do negro na sociedade de classes (1964), de Florestan Fernandes, que estuda em profundidade a exclusão social e econômica do antigo escravo depois da Abolição, o que constitui um dos maiores dramas da história brasileira e um fator permanente de desequilíbrio em nossa sociedade.

Esses três elementos formadores (português, índio, negro) aparecem inter-relacionados em obras que abordam o tópico seguinte, isto é, quais foram as características da sociedade que eles constituíram no Brasil, sob a liderança absoluta do português. A primeira que indicarei é Casa grande e senzala (1933), de Gilberto Freyre. O tempo passou (quase setenta anos), as críticas se acumularam, as pesquisas se renovaram e este livro continua vivíssimo, com os seus golpes de gênio e a sua escrita admirável – livre, sem vínculos acadêmicos, inspirada como a de um romance de alto voo. Verdadeiro acontecimento na história da cultura brasileira, ele veio revolucionar a visão predominante, completando a noção de raça (que vinha norteando até então os estudos sobre a nossa sociedade) pela de cultura; mostrando o papel do negro no tecido mais íntimo da vida familiar e do caráter do brasileiro; dissecando o relacionamento das três raças e dando ao fato da mestiçagem uma significação inédita. Cheio de pontos de vista originais, sugeriu entre outras coisas que o Brasil é uma espécie de prefiguração do mundo futuro, que será marcado pela fusão inevitável de raças e culturas.

Sobre o mesmo tópico (a sociedade colonial fundadora) é preciso ler também Formação do Brasil contemporâneo, Colônia (1942), de Caio Prado Júnior, que focaliza a realidade de um ângulo mais econômico do que cultural. É admirável, neste outro clássico, o estudo da expansão demográfica que foi configurando o perfil do território – estudo feito com percepção de geógrafo, que serve de base física para a análise das atividades econômicas (regidas pelo fornecimento de gêneros requeridos pela Europa), sobre as quais Caio Prado Júnior engasta a organização política e social, com articulação muito coerente, que privilegia a dimensão material. 

Caracterizada a sociedade colonial, o tema imediato é a independência política, que leva a pensar em dois livros de Oliveira Lima: D. João VI no Brasil (1909) e O movimento da Independência (1922), sendo que o primeiro é das maiores obras da nossa historiografia. No entanto, prefiro indicar um outro, aparentemente fora do assunto: A América Latina, Males de origem (1905), de Manuel Bonfim. Nele a independência é de fato o eixo, porque, depois de analisar a brutalidade das classes dominantes, parasitas do trabalho escravo, mostra como elas promoveram a separação política para conservar as coisas como eram e prolongar o seu domínio. Daí (é a maior contribuição do livro) decorre o conservadorismo, marca da política e do pensamento brasileiro, que se multiplica insidiosamente de várias formas e impede a marcha da justiça social. Manuel Bonfim não tinha a envergadura de Oliveira Lima, monarquista e conservador, mas tinha pendores socialistas que lhe permitiram desmascarar o panorama da desigualdade e da opressão no Brasil (e em toda a América Latina).

Instalada a monarquia pelos conservadores, desdobra-se o período imperial, que faz pensar no grande clássico de Joaquim Nabuco: Um estadista do Império (1897). No entanto, este livro gira demais em torno de um só personagem, o pai do autor, de maneira que prefiro indicar outro que tem inclusive a vantagem de traçar o caminho que levou à mudança de regime: Do Império à República (1972), de Sérgio Buarque de Holanda, volume que faz parte da História geral da civilização brasileira, dirigida por ele. Abrangendo a fase 1868-1889, expõe o funcionamento da administração e da vida política, com os dilemas do poder e a natureza peculiar do parlamentarismo brasileiro, regido pela figura-chave de Pedro II. 

A seguir, abre-se ante o leitor o período republicano, que tem sido estudado sob diversos aspectos, tornando mais difícil a escolha restrita. Mas penso que três livros são importantes no caso, inclusive como ponto de partida para alargar as leituras. 

Um tópico de grande relevo é o isolamento geográfico e cultural que segregava boa parte das populações sertanejas, separando-as da civilização urbana ao ponto de se poder falar em “dois Brasis”, quase alheios um ao outro. As consequências podiam ser dramáticas, traduzindo-se em exclusão econômico-social, com agravamento da miséria, podendo gerar a violência e o conflito. O estudo dessa situação lamentável foi feito a propósito do extermínio do arraial de Canudos por Euclides da Cunha n’Os sertões (1902), livro que se impôs desde a publicação e revelou ao homem das cidades um Brasil desconhecido, que Euclides tornou presente à consciência do leitor graças à ênfase do seu estilo e à imaginação ardente com que acentuou os traços da realidade, lendo-a, por assim dizer, na craveira da tragédia. Misturando observação e indignação social, ele deu um exemplo duradouro de estudo que não evita as avaliações morais e abre caminho para as reivindicações políticas. 

Da Proclamação da República até 1930 nas zonas adiantadas, e praticamente até hoje em algumas mais distantes, reinou a oligarquia dos proprietários rurais, assentada sobre a manipulação da política municipal de acordo com as diretrizes de um governo feito para atender aos seus interesses. A velha hipertrofia da ordem privada, de origem colonial, pesava sobre a esfera do interesse coletivo, definindo uma sociedade de privilégio e favor que tinha expressão nítida na atuação dos chefes políticos locais, os “coronéis”. Um livro que se recomenda por estudar esse estado de coisas (inclusive analisando o lado positivo da atuação dos líderes municipais, à luz do que era possível no estado do país) é Coronelismo, enxada e voto (1949), de Vitor Nunes Leal, análise e interpretação muito segura dos mecanismos políticos da chamada República Velha (1889-1930). 

O último tópico é decisivo para nós, hoje em dia, porque se refere à modernização do Brasil, mediante a transferência de liderança da oligarquia de base rural para a burguesia de base industrial, o que corresponde à industrialização e tem como eixo a Revolução de 1930. A partir desta viu-se o operariado assumir a iniciativa política em ritmo cada vez mais intenso (embora tutelado em grande parte pelo governo) e o empresário vir a primeiro plano, mas de modo especial, porque a sua ação se misturou à mentalidade e às práticas da oligarquia. A bibliografia a respeito é vasta e engloba o problema do populismo como mecanismo de ajustamento entre arcaísmo e modernidade. Mas já que é preciso fazer uma escolha, opto pelo livro fundamental de Florestan Fernandes, A revolução burguesa no Brasil (1974). É uma obra de escrita densa e raciocínio cerrado, construída sobre o cruzamento da dimensão histórica com os tipos sociais, para caracterizar uma nova modalidade de liderança econômica e política. 

Chegando aqui, verifico que essas sugestões sofrem a limitação das minhas limitações. E verifico, sobretudo, a ausência grave de um tópico: o imigrante. De fato, dei atenção aos três elementos formadores (português, índio, negro), mas não mencionei esse grande elemento transformador, responsável em grande parte pela inflexão que Sérgio Buarque de Holanda denominou “americana” da nossa história contemporânea. Mas não conheço obra geral sobre o assunto, se é que existe, e não as há sobre todos os contingentes. Seria possível mencionar, quanto a dois deles, A aculturação dos alemães no Brasil (1946), de Emílio Willems; Italianos no Brasil (1959), de Franco Cenni, ou Do outro lado do Atlântico (1989), de Ângelo Trento – mas isso ultrapassaria o limite que me foi dado.

No fim de tudo, fica o remorso, não apenas por ter excluído entre os autores do passado Oliveira Viana, Alcântara Machado, Fernando de Azevedo, Nestor Duarte e outros, mas também por não ter podido mencionar gente mais nova, como Raimundo Faoro, Celso Furtado, Fernando Novais, José Murilo de Carvalho, Evaldo Cabral de Melo etc. etc. etc. etc. 

* Artigo publicado na edição 41 da revista Teoria e Debate – em 30/09/2000

***

Antonio Candido é sociólogo, crítico literário e ensaísta.

***

Para conhecer mais o Brasil, acompanhe a Boitempo Editorial nas Redes Sociais!

Curta a página da Boitempo no Facebook para eventos, notícias e promoções.

Siga o perfil da Boitempo no Twitter para notícias, promoções e citações.

Assine o canal da Boitempo no YouTube para assistir às gravações de nossos eventos e entrevistas com autores.

Celebre o ano com livros da Boitempo!

O ano em que sonhamos perigosamente_capa_site_alta_boletim

boitempo

O ano em que sonhamos perigosamente

Slavoj Žižek

Impresso (R$ 32,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 16,00): Gato Sabido

boitempo

boitempo

Para uma ontologia_capa_site_boletim

boitempo

Para uma ontologia do ser social I
György Lukács

Impresso (R$ 64,00): TravessaSaraiva e Cultura

Breve em e-book!

boitempo

boitempo

No limiar do silêncio e da letra_capa_site_alta_boletim

boitempo

No limiar do silêncio e da letra

traços de autoria em Clarice Lispector
Maria Lucia Homem
Impresso (R$ 34,00): TravessaSaraiva e Cultura

Breve em e-book!

boitempo

boitempo

Capa_lenin_site_alta_boletim

boitempo

Lenin

um estudo sobre a unidade de seu pensamento

György Lukács

Impresso (R$ 29,00): TravessaSaraiva e Cultura

Breve em e-book!

boitempo

Selva Concreta_capa_site_alta_boletim

boitempo

Selva concreta
Edyr Augusto Proença

Impresso (R$ 35,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 18,00): Gato Sabido

boitempo

boitempo

boitempo

capa_occupy_site alta_boletim

boitempo

Occupy
movimentos de protesto que tomaram as ruas
David Harvey, Slavoj Žižek, Tariq Ali et al.

Impresso (R$ 10,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 5,00): Gato Sabido e GooglePlay

boitempo

Lutas de classes na França_capa site_alta_boletim

boitempo

As lutas de classes na França de
1848 a 1850

Karl Marx

Impresso (R$ 32,00): Saraiva e Cultura

E-book (R$ 16,00): Gato Sabido

boitempo

boitempo

boitempo

politica do precariado_capa_site_alta_boletim

boitempo

A política do precariado
do populismo à hegemonia lulista
Ruy Braga

Impresso (R$ 39,00): TravessaSaraiva e Cultura

Breve em e-book!

boitempo

boitempo

capa_rima na escola_site alta_boletim

boitempo

A rima na escola, o verso na história
Liberdade e o futuro da internet
Maira Soares Ferreira

Impresso (R$ 32,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 18,00): Gato Sabido e GooglePlay

boitempo

boitempo

História teatro e política_capa_site_alta_boletim

boitempo

História, teatro e política
Kátia Paranhos (org.)

Impresso (R$ 38,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 19,00): Gato Sabido e GooglePlay

boitempo

boitempo

boitempo

Capa_Crítica Programa Gotha_site_alta_boletim

boitempo

Crítica do programa de Gotha

Karl Marx

Impresso (R$ 32,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 16,00): Gato Sabido

boitempo

boitempo

boitempo

capa_Do marxismo ao pós_site_alta_boletim

boitempo

Do marxismo ao pós-marxismo?
Goran Therborn

Impresso (R$ 39,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 20,00): Gato Sabido

boitempo

boitempo

boitempo

Padrão_capa_site_alta_boletim

boitempo

Padrão de reprodução do capital
contribuições da teoria marxista
da dependência

Carla Ferreira, Jaime Osorio
e Mathias Luce (orgs.)

Impresso (R$ 35,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 18,00): Gato Sabido e GooglePlay

boitempo

capa_cansaco_site_alta_boletim

boitempo

Cansaço, a longa estação
Luiz Bernardo Pericás

Impresso (R$ 26,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 13,00): Gato Sabido

boitempo

boitempo

boitempo

nova classe media_capa_site_alta_boletim

boitempo

Nova classe média?
o trabalho ne base da pirâmide
social brasileira

Marcio Pochmann

Impresso (R$ 32,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 16,00): Gato Sabido e GooglePlay

boitempo

boitempo

capa_socialismo juridico_site_alta_boletim

boitempo

O socialismo jurídico
Friedrich Engels e Karl Kautsky

Impresso (R$ 22,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 11,00): Gato Sabido e GooglePlay

boitempo

boitempo

boitempo

Sartre_capa_site_alta_boletim

boitempo

A obra de Sartre
busca da liberdade e o desafio da história
István Mészáros

Impresso (R$ 54,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 24,30): Gato Sabido

boitempo

boitempo

margem19_capa_site_atla_boletim

boitempo

Margem Esquerda #19
ensaios marxistas

Impresso (R$ 28,00): Cultura

E-book (R$ 10,00): Gato Sabido

boitempo

boitempo

boitempo

Margem 18_capa_site_alta_boletim

boitempo

Margem Esquerda #18
ensaios marxistas

Impresso (R$ 28,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 10,00): Gato Sabido

boitempo

boitempo

boitempo

 

A biblia segundo beliel_site_alta_boletim

boitempo

A Bíblia segundo Beliel
da Criação ao Fim do Mundo: como tudo de fato aconteceu e vai acontecer

Flávio Aguiar

Impresso (R$ 29,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 15,00):  Gato Sabido

boitempo

boitempo

Espectro_capa_site_alta_boletim

boitempo

Espectro
da direita à esquerda no mundo das ideias
Perry Anderson

Impresso (R$ 66,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 35,00): Gato Sabido e GooglePlay

boitempo

 

capa_site_alta_boletim2boitempo

A teoria da revolução no jovem Marx
Michael Löwy

Impresso (R$ 35,00): Travessa e Cultura

E-book (R$ 18,00): Gato Sabido

boitempo

boitempo

boitempo

O Velho Graça_capa_site_alta_boletim

boitempo

O velho Graça
uma biografia de Graciliano Ramos
Dênis de Moraes

Impresso (R$ 52,00): TravessaSaraiva e Cultura

E-book (R$ 26,00): Gato Sabido

boitempo

boitempo

 

O melhor do Blog da Boitempo: outubro de 2011

Desde abril deste ano o Blog da Boitempo tem publicado diariamente colaborações de seus autores. Entre ensaios filosóficos, crônicos, artigos e contos, contamos com cerca de 17 colunistas (com periodicidades variadas: semanais, quinzenais, mensais e esporádicos). E a família não para de crescer, em breve contaremos com novos colaboradores. Confira abaixo uma seleção dos melhores momentos do blog:

Coluna do Edson Teles: Qual verdade? (21/09)

Coluna do Emir Sader: Contra a globalização editorial (27/04)

Coluna do Flávio Aguiar: Crônicas de Berlim 6: O amargo retorno (21/07)

Coluna do Francisco de Oliveira: A crise na USP (16/05)

Coluna do Giovanni Alves: Terceira modernidade do capital, crise de civilização e barbárie social (26/09)

Coluna da Isleide Fontenelle: A marca e a (in)sustentável leveza do objeto (05/09)

Coluna do Izaías Almada: GENOCIDAS! (26/05)

Coluna do Lincoln Secco: Les Luttes de Classes dans Les Toilettes (29/04)

Coluna do Luiz Bernardo Pericás: O encontro do sapo Gonzalo com Butch Cassidy (22/07)

Coluna da Maria Rita Kehl: Fetichismo e perversões (02/05)

Coluna do Mauro Iasi: Fazendo arte: é hora de perder a paciência (05/10)

Coluna do Michael Löwy: Fukushima (15/04)

Coluna do Mouzar Benedito: De bar em bar 3: Botecos de esquina (22/06)

Coluna do Roniwalter Jatobá: Cheiro de alecrim (09/09)

Coluna do Ruy Braga: O twitter e as ruas (06/06)

Coluna do Slavoj Žižek:  Oslo: Com amigos como Breivik, a Europa não precisa de inimigos (22/08)

Coluna do Urariano Mota: O anticomunismo nas Escolas Militares (12/07)

Boitempo indica: setembro de 2011

O planeta Melancholia ameaça se chocar com a Terra em cena do filme de Lars Von Trier

Na semana da aprovação do Projeto de Lei de criação da Comissão Nacional da Verdade, discurso de Dilma Rousseff na ONU e no mês do aniversário de dez anos do atentado de 11 de setembro (e do século XXI), reunimos uma série de sugestões de leituras.

Na quarta-feira 21 de setembro, foi aprovado o Projeto de Lei que cria a Comissão Nacional da Verdade, leia as divergências de opinião entre Emir Sader, em seu Blog, Vladimir Safatle, na Folha de S.Paulo, e Edson Teles, no Carta Maior (o filósofo também publicou texto sobre o assunto aqui mesmo, no Blog da Boitempo).

Também no dia 21 de setembro, Dilma Rousseff, presidenta do Brasil, foi a primeira mulher a realizar o discurso de abertura de uma Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas. Veja o discurso na íntegra clicando aqui. Sobre a presidenta, recomendamos a leitura do artigo de Maria Rita Kehl e a entrevista exclusiva realizada pela CartaCapital.

Setembro marcou o aniversário da década dos atentados terroristas de 11 de setembro de 2001, assim como o fim da primeira década do século XXI. O Carta Maior publicou uma série de artigos sobre o período e a situação global contemporânea. Recomendamos os textos de Christian Dunker, Ênio Squeff e Emir Sader. No cenário global contemporâneo, vale atentar à cobertura de Baby Siqueira Abrão das mobilizações na Palestina.

Recomendamos também a leitura de duas crônicas de nossos autores: Flânerie bipolar, crítica de Maria Rita Kehl ao filme Melancolia (Lars Von Trier, 2011) e A outra morte de Trotsky, por Urariano Mota.

Por fim, o grupo Amigos Materialistas da Dialética Žižekiana acaba de anunciar a publicação de uma revista virtual voltada ao diálogo e estudo da obra de Slavoj Žižek. Para a primeira edição, estão convocando a todos para enviar colaborações ao coletivo. Seguem mais informações:

O foco de nossa revista virtual é o tema Žižek?” em seus diversos aspectos, estudos que debatam temas relevantes sobre o pensador esloveno ou sobre áreas de análise semelhante – mesmo sem o debate direto com o pensador -, ensaios sobre suas contribuições teóricas, sua entrada no Brasil e em outros locais, estudos biográficos, resenhas e análise de filmes, etc. Em suma, é bem vindo qualquer contribuição que se relacione com o trabalho de Zizek, seja sobre seus conteúdos diversos ou sobre sua forma baseada na crítica a cultura popular, sua validade militante. Os Amigos não têm qualquer predisposição para interpretações específicas de Zizek ou dos pensadores que ele interpreta. Desde já, os interessados em contribuir na reflexão destes temas, podem enviar-nos artigos, ensaios, entrevistas e resenhas de livros, bem como propostas de traduções a serem publicados. De qualquer forma, todos os materiais não aceitos receberam eventualmente um parecer dos Amigos.

Critérios básicos para as colaborações

Enviar para fernandomarcelinopereira@gmail.com:

1. Ensaios e artigos (5 a 20 páginas), resenhas (6 a 8 páginas) e críticas de filme (5 a 8 páginas); Espaçamento 1,5; Fonte Times New Roman, tamanho 12; Margens 2,0 x 2,0 x 2,0 x 2,0; Solicitamos o envio de informações básicas sobre os autores (área de graduação ou pós-graduação, instituição a qual está vinculado, grupo de estudos, movimento ou entidade da qual participa etc.); Devem vir acompanhados de resumo (no máximo 15 linhas) e palavras-chave (no máximo 4); Solicitamos que nos enviem os textos em formato WORD para facilitar nosso trabalho de diagramação.   

Boitempo Indica – Semana de 03 a 10/06

Enquanto esperamos pela vinda do filósofo húngaro István Mészáros ao Brasil, na semana que vem, preparamos seleção de textos e entrevistas decorrentes da passagem de Slavoj Žižek pelo país. Leia a entrevista do filósofo esloveno conferida a Miguel Conde, do jornal O Globo (“Slavoj Žižek e a novidade do comunismo”), entrevista a Nelito Fernandes, da Revista Época (“Slavoj Žižek: ‘A liberdade da internet é falsa’”) e entrevista concedida a Claudia Antunes, da Folha de S.Paulo (“Oscar premiou filmes nojentos e reacionários, diz Žižek”).

Sobre as palestras de Žižek, os sites Fazendo Media, Opera Mundi e PUC-Rio Digital fizeram excelentes coberturas da apresentação no Cine Odeon (RJ), cujo vídeo pode ser assistido na íntegra no site da PUC. Já o Blog Meia Palavra cobriu o Seminário Revoluções: Uma política do sensível.

Recomendamos o bem-humorado vídeo do RSA Animate no qual o recém-lançado Primeiro como tragédia, depois como farsa, do Žižek, é resumido em uma breve animação (em inglês). Por fim, não deixem de conferir as versões digitais (e-books no formato ePub) de Às portas da revolução e Bem-vindo ao deserto do Real!, este último exclusivamente ilustrado para o mercado digital.

Em sua coluna Opinião na Folha de S.Paulo, Vladimir Safatle criticou a institucionalização da revolta na política contemporânea e a carência de novos coletivos que dêem forma à luta pela igualdade e liberdade social em “Grito sem voz”. Em “Correndo no ar”, contestou a impunidade garantida aos militares responsáveis pela ditadura militar.

Em seu Blog, Emir Sader comentou a primeira crise enfrentada pelo governo Dilma, acerca das acusações direcionadas a Palocci. No Blog do Velho Mundo, Flávio Aguiar comentou a prisão do ex-general Ratko Mladic na Sérvia e o retorno de Manuel Zelaya à Honduras.

No Blog do IMS, Maria Rita Kehl continua trocando correspondências com seu amigo poeta, Armando Freita Filho. Em “Só vai sobrar a lua cheia”, a psicanalista trata do Novo Código Florestal (ressoando artigo que levantou de seu arquivo pessoal para publicar esta semana aqui, no Blog da Boitempo), enquanto em “A poesia é a voz frágil da gente” reflete sobre poesia e sobre seu exercício psicanalítico com o MST.

Leandro Konder conferiu entrevista à Radio UNESP, ouça o áudio.

O Palazo, do Blog Meia Palavra, resenhou México Insurgente, de John Reed (publicação integrante da Coleção Clássicos Boitempo).

Por fim, recomendamos a leitura do recém-lançado Blog do Sérgio de Carvalho (dramaturgo e encenador da Companhia do Latão, pesquisador e professor da ECA-USP), Dialética da cena.

Boitempo indica: semana de 17 a 23/05

Excepcionalmente na semana passada, não houve Boitempo Indica. Este, portanto, vem turbinado.

***

Agenda

Terminam amanhã as inscrições para (a lista de espera d)o Seminário Revoluções: Uma política do sensível, que ocorrerá na sexta e no sábado (20 e 21/05). O evento contará com grandes penadores – da filosofia, sociologia, cinema, psicanálise, música … – e discutirá as razões e desrazões das revoluções sociais na atualidade.

Leda Paulani (FEA/USP, autora de Brazil Delivery e Modernidade e discurso econômico) apresenta a palestra “A crise econômica de 2008 em seus desdobramentos atuais” na próxima quinta-feira (19/05) às 17h30 na sala 102 do prédio das Ciências Sociais (FFLCH/USP).

Boitempo estará presente em duas feiras de livros: Feira de Livros da USP Leste (com 50% de desconto em todo o seu catálogo) na próxima semana, de 25 a 28 de maio; e na Feira do livro de Florianópolis (na estande LITERATA LIVROS), que acontece de 10 a 21/05 no Largo da Alfândega (Florianópolis/SC; de seg. a sáb. 9h-20h e dom. 13h-18h).

Nosso colunista Mouzar Benedito participou hoje de debate organizado pela Revista de História da Biblioteca Nacional com o título “Crime e sedução: bandidos que viram lendas”. O jornalista publicou na edição de maio da mesma revista um relato sobre a vida de Gino Meneghetti, sobre o qual publicou pela Boitempo uma biografia.

Leituras

Slavoj Žižek vem ao Brasil no fim desta semana para participar do Seminário Revoluções, divulgar o lançamento de seus dois livros mais recentes (Primeiro como tragédia, depois como farsa e Em defesa das causas perdidas) e apresentar conferência no Rio de Janeiro na próxima terça (24/05). Para mais informações, conheça a página oficial de sua visita ao Brasil. Para celebrar sua passagem pelo país, a Boitempo anunciou através de matéria do Prosa e Verso (jornal O Globo) o lançamento em versão eletrônica de seus dois primeiros títulos publicados pela editora: Bem-vindo ao deserto do Real! e Às portas da revolução: escritos de Lenin de 1917 (2005). Ambos os livros passarão a ser vendidos em ebooks com ilustrações inéditas e coloridas, a partir desta quinta-feira, 19/05.

Em seu Blog, Emir Sader discute as diversas características da discriminação no Brasil. Na coluna Opinião, Vladimir Safatle criticou as problemáticas diretrizes flexíveis aprovadas pelo Ministério da Educação em torno do Ensino Médio e o antissemitismo europeu contemporâneo.

Em seu Blog do Velho Mundo, Flávio Aguiar comentou a crise econômica da Grécia e o “acordo secreto” entre EUA e Paquistão que levou à ação contra Osama Bin Laden.

Leia mais um breve texto de Tariq Ali sobre as razões por trás do assassinato de Osama Bin Laden.

No Carta Maior, Enio Squeff também refletiu sobre o assassinato de Bin Laden, Boaventura de Sousa Santos discutiu a crise econômica em Portugal e Izaías Almada criticou as limitações ideológicas do primeiro beijo homossexual da televisão brasileira, na novela “Amor e Revolução” (SBT).

No Blog do Instituto Moreira Salles, Maria Rita Kehl tem trocado correspondências semanalmente com seu amigo poeta, Armando Freitas Filho. Leia entrevista da psicanalista à Revista Encontro.

Boitempo indica – Semana de 03 a 09/05

Na semana do assassinato de Osama Bin Laden, líder da rede terrorista Al Qaeda, diversos de nossos autores se manifestaram a respeito. Tariq Ali criticou a precoce comemoração do fim da guerra em sua coluna no Guardian e em seu Blog no London Review of Books, em entrevista ao Democracy Now! (todos em inglês).  Flávio Aguiar critica o “hollywoodismo” e mau gosto da operação contra Bin Laden em seu Blog do Velho Mundo. O Carta Maior tem feito um excelente apanhado de matérias, entrevistas e artigos sobre as consequências políticosociais da morte de Bin Laden, incluindo entrevista com Slavoj Žižek. Do filósofo e psicanalista esloveno, que vem ao Brasil no fim do mês para apresentar conferências em São Paulo e no Rio de Janeiro, recomendamos a leitura do artigo “Contra os direitos humanos”.

Vladimir Safatle, coorganizador de O que resta da ditadura (Boitempo, 2010), critica a legalização das atrocidades cometidas durante a Ditadura Militar através dos processos de memoração, em sua coluna Opinião da Folha de S. Paulo. Em homenagem ao Dia do Trabalho (1º de maio), Emir Sader fez seu “elogio aos trabalhadores” em seu Blog. De Izaías Almada, leia texto sobre o “paradoxal caminho da história”, no Carta Maior.

Veja vídeo de conferência apresentada por Ruy Braga na UCLA (Universidade da California), com o título “Lula’s hegemony and Brazilian Labor Relations: The case of call centers and their unions” [Hegemonia lulista e as relações de trabalho no Brasil: O caso dos call centers e seus sindicatos], em inglês.

Boitempo indica – semana do 26/04 a 02/05

Na semana do casamento real do Príncipe William com Kate Middleton, Boitempo lança "O reino e a glória", estudo de Giorgio Agamben sobre o poder no ocidente

Enquanto Emir Sader reflete sobre o futuro do Brasil resultado dos governos Lula e Dilma em seu BlogFlávio Aguiar discute as altas e baixas do Euro e suas consequências sociais na comunidade europeia (no seu Blog do Velho Mundo).

Na Coluna Opinião da Folha de S. Paulo, Vladimir Safatle critica o cinismo do estado democrático francês em aprovar lei que proíbe o uso de burcas e niqabs por mulheres.

Leandro Konder escreveu sobre o Marquês de Sade e as questões ideológicas em torno de sua obra em sua coluna no jornal Brasil de Fato.

Pedro Meira Monteiro, autor de Um moralista nos trópicos (Boitempo, 2004), publicou texto sobre a correspondência entre Mário de Andrade e Sérgio Buarque de Hollanda, que está sendo reunida para seu próximo livro, no Estadão.

Pedro Alexandre Sanches, autor de Como dois e dois são cinco – Roberto Carlos (& Erasmo & Wanderléa) (Boitempo, 2004), apresentará o Café Filosófico com o tema “Música, amor & erotismo em tempos de hiperconectividade” na próxima sexta, 29 de abril. O debate será às 19h, com transmissão online.

Também na sexta-feira 29 de abril, a professora Maria Elisa Cevasco, autora de Dez lições sobre estudos culturais (Boitempo, 2003), será comentarista no Jornal da Cultura (TV Cultura, 21h).

Na semana do casamento do príncipe da Inglaterra, a Boitempo lança O reino e a glória, novo título da Coleção Estado de Sítio, no qual o filósofo italiano Giorgio Agamben dá continuidade aos seus estudos sobre a natureza e origem do poder no ocidente. Saiba mais sobre o título no site da editora.

O organizador da Coleção Estado de Sítio, Paulo Arantes participa hoje, às 19h30 no CCBB de Brasília, no debate “Radiografia cultural: Periferia e Arte no Distrito Federal”. O filósofo discutirá a cultura hip-hop com Genival Oliveira Gonçalvez (GOG) e Rappin Hood. Saiba mais sobre a programação deste ciclo de debates.

No último dia 19, Frei Betto apresentou conferência com o título “Imaginário, futuro e utopia” no SESC Pinheiros, integrando a programação do Projeto Revoluções. O evento rendeu entrevista pela Rede Brasil Atual. As inscrições gratuitas para o seminário Revoluções: Uma política do sensível terão início no próximo domingo, 1º de maio, no site do Projeto. Veja a programação completa do seminário.

Estão abertas as inscrições para o I Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas do Rio de Janeiro, que contará com a participação de Emir Sader e muitos outros blogueiros.

Para concluir, leia carta aberta da Liga Brasileira de Editoras (LIBRE) ao Secretário Estadual de Cultura, questionando as políticas públicas do livro, face à declaração de que a Secretaria de Cultura do Estado apoiará coleção de livros da Editora Babel, empresa de origem portuguesa que acaba de se instalar no Brasil.