Marcio Pochmann

Por Emir Sader.

Quem consultasse a Wikipédia para saber quem é Marcio Pochmann, não teria a mínima ideia de quem é ele. A descrição começa com ele se formando em economia na UFRGS. Não diz que o Pochmann foi operário de chão de fábrica, que um dia foi a uma livraria e escolheu um resumo de O Capital. E que daí pra frente nunca mais parou. O curso de economia, o doutorado na Unicamp, foram momentos da sua trajetória para se tornar o intelectual que melhor articula pensamento econômico e social, diagnósticos e propostas de superação das desigualdades.

Não por acaso ele coordenou uma das obras mais notáveis do país sobre extrema pobreza – o Atlas da exclusão social no Brasil, publicado em 5 volumes pela editora Cortez – que, com sua coerência habitual, mostra-se da mais extrema riqueza. Mas ele se caracteriza, como poucos intelectuais no Brasil, por aceitar os desafios de colocar em prática as propostas que formula, de aceitar o desafio da realidade como o melhor critério para avaliar as interpretações e as propostas.

Foi nessa qualidade que o Pochmann foi Secretário da Marta em São Paulo – fez parte da melhor equipe de politicas sociais que a cidade teve até aqui – onde participou da formulação de iniciativas como os CEUs, como uma primeira forma do “bolsa-família”, entre outras.

Posteriormente o Pochmann assumiu o Ipea e fez do instituto o mais importante centro de pesquisa na área do pensamento social, com um incrível caudal de análises e de propostas, nos mais diferentes campos das políticas públicas. Ele fez o que parecia impossível – desalojar aquele ninho tucano – e construir equipes e esquemas de análise e de avaliação, como nunca o Brasil teve.

Não fosse esse desafio suficiente, Pochmann aceitou o convite de Lula para se candidatar a prefeito na sua cidade adotiva: Campinas. A sensação é de que a atitude afetiva, companheira, solidária, do Pochmann, não conseguiria encontrar espaço nessa selva – mais ainda naquela cidade – da politica tradicional, com candidatos trogloditas, e cheios da grana.

Estive lá no começo da campanha, quando o Pochmann andava na casa dos 3%, mas a excelência das suas propostas, das suas intervenções e o seu otimismo – além da ótima equipe – pressagiavam que ele pudesse dar um salto, apesar do pouco tempo de campanha e do seu nome ser pouco conhecido do conjunto da população campineira no inicio da campanha.

Mas está aí o Pochmann, com aquela coragem, na boca de enfrentar um novo e imenso desafio: governar uma cidade que até aqui mais derrubou governos do que se deixou governar. A vitória do Pochmann vai ser a vitória dos que sabem que a teoria crítica é um instrumento de deciframento e, indissoluvelmente, de transformação profunda da realidade. Será uma experiência nova cheia de ideias projetadas para o futuro, centrada nos jovens e no amanhã – que são suas preocupações fundamentais no desafio de fazer de Campinas uma cidade do conhecimento, da cultura, da democratização social.

Todos os que levamos a vida lutando pela emancipação humana, pela justiça social, por uma sociedade humanista, solidária, sabemos que jogamos muito no desafio que Marcio Pochmann – a melhor pessoa para enfrentá-lo – aceitou com coragem, humildade, espírito militante e criatividade.

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Nova classe média?: o trabalho de base na pirâmide social brasileira. O mais recente trabalho de Pochmann, publicado esse ano pela Boitempo, estuda a mobilidade na base da pirâmide social brasileira durante o início do século XXI e refuta a ideia de surgimento de uma nova classe no país, muito menos a de uma nova classe média. (ebook disponível por 16 r$)

O emprego no desenvolvimento da nação. Partindo de dados alarmantes sobre o aumento do desemprego no Brasil, Pochmann fornece uma análise criteriosa da relação entre a flata de trabalho e a adoção de políticas econômicas desfavoráveis ao país. (também disponível em ebook por 19r$)

O emprego na globalização: a novo divisão internacional do trabalho e os caminhos que o Brasil escolheu. Na sua primeira publicação pela Boitempo, em 2001, Pochmann oferece uma rigorosa genealogia, dividida em cinco partes, do desemprego e da precarização do trabalho na atualidade.

Aproveite: Essa semana, a Boitempo está realizando a promoção dia dos professores, com 40% de desconto sobre todo o catálogo!

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Conheça o plano de governo de Marcio Pochman, disponível no site oficial de sua campanha.

Confira sua página no facebook e a página de apoio Somos Pochman

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Emir Sader nasceu em São Paulo, em 1943. Formado em Filosofia pela Universidade de São Paulo, é cientista político e professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo (FFLCH-USP). É secretário-executivo do Conselho Latino-Americano de Ciências Sociais (Clacso) e coordenador-geral do Laboratório de Políticas Públicas da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj). Coordena a coleção Pauliceia, publicada pela Boitempo, e organizou ao lado de Ivana Jinkings, Carlos Eduardo Martins e Rodrigo Nobile a Latinoamericana – enciclopédia contemporânea da América Latina e do Caribe (São Paulo, Boitempo, 2006), vencedora do 49º Prêmio Jabuti, na categoria Livro de não-ficção do ano. Colabora para o Blog da Boitempo quinzenalmente, às quartas.

10 respostas para Marcio Pochmann

  1. Muito Bom!!!!!

    • Vota no PT, vota no Lula mesmo, você já viu o programa do Márcio, ele mesmo não vai fazer nada, pois pra faze isso ele falou com a Dilma, pra você aquilo ele falou com o Lula, o que será que ele vai consegui faze sozinho, se a Dilma e o Lula morre, pra onde ele vai?

  2. Muito ruim!!!!!

  3. Muito bom!!!!!

    • Excelente, vota la mesmo no PT, sai na porta da sua casa e veja se não tem ninguém pedido comida, ou no frio ninguém dormindo na rua, porém saia na rua e passe na frente de um grandioso estadio de futebol para a LINDA COPA DO MUNDO DO BRASIL, onde milhões estão sendo gasto, legal isso é MUITO BOM, por isso que o Brasil não vai pra frente…pra faze a copa temos dinheiro, pra ajudar quem precisa não temos, pra tira o FMI do buraco emprestamos dinheiro, pra nós aqui no Brasil não temos, veja quem está apoiando o Márcio, Pedro Serafim, o mesmo que votou a favor dos 122% de aumento no salário deles, e você, ganha bem pra não se importar com isso?

  4. Pingback: Voto no Márcio Pochmann « Fernando Nogueira da Costa

  5. Esequiel Laco Gonçalves

    Tenho esperança que Márcio vença as eleições. O Jonas é fichinha carimbada, um viajante entre partidos…. hoje está no PSB, amanhã, PSD e depois PSDB, já foi de outros….. que cara ideológica tem ele? Que fidelidade partidária tem o moço. Verdade ou mentira, até de Igreja ele tem trocado, pois soube que agora seria Batista, e antes? Nazareno, Católico?…. Pessoa instável deste jeito, é massa de manobra e isto refletirá na sua ação no executivo da cidade. Um abraço e Pochmann, que aliás, me lembra o Toninho, vença.

  6. vmbcc@bol.com.br

    Caramba, se o cara é tão bom fala para a Dilma/Lula e companhia ficar com ele em Brasília.

  7. Acho válida a carreira e as propostas, mas como Campineira não posso deixar de completar que faz 11 anos que não temos um governo decente, desde a morte do Toninho.
    O PT foi muito omisso nesses 11 anos com Campinas.
    E olha que o outro candidato também não é lá grande coisa, a coligação que fez pra tentar ganhar é de arrepiar qualquer cidadão campineiro.

  8. Lamentávelmente o Brasil passa por uma democracia autocrática onde só os cabeças mandam e os militantes obedecem.Política partidaria consensual acabou. Para que servem hoje os Diretórios Municipais e Estaduais? Seus Presidentes são figuras decorativas.
    O que o Marcio fez até aqui por Campinas? Nada! e continuará a fazer.Por isso saudade não tem idade, Mais uma vez OBRIGADO GOVERNADOR BRIZOLA! Pelo aprendizado como fiel colaborador naquele timaço que tinha como grande antropólogo e educador, DARCY RIBEIRO, mestre da escola de Anísio Teixeira, OSCAR NIEMEYER, arquiteto renomado, reconhecido mundialmente por suas grandes obras e realizações arquitetônicas falam por si e você BRIZA como grande maestro e articulador político.
    Estes grandes craques brasileiros, juntos idealizaram a maior revolução na política social pública de ensino deste país com a construção dos CIEPS – Centros integrados de Educação Pública, Hoje O Marcio pomete construir 05 CEU`s, nós construimos 300 CIEP´s, Governador o Sr. aí do CEU deve estar triste com tanta ineficácia onde as crianças passavam o dia inteiro na escola e voltavam para casa de banho tomado após a sua 4ª refeição do dia. O foco era simples “Lugar de criança é na Escola”. A base do programa dos CIEPS era a educação com qualidade social como condição de atendimento ao exercício da cidadania para todos.
    Hoje como resíduos temos alguns programas incipientes, como o Bolsa Família e o PETI (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil) que são programas educativos compensatórios e assistencialistas de prazo indeterminado, e foram pré-concebidos para não resolverem as necessidades básicas de vida do cidadão e que nada acrescentam a não ser grande letargia ao assistido, mas em contrapartida presta enorme serviço aos políticos como novos currais eleitorais repaginados.
    Mais uma vez, muito obrigado de ser parceiro dos grandes projetos e dos ensinamentos passados por inúmeras vezes nas tardes-noites no QG do vosso apto 701 da Avenida Atlântica, 3210 em Copacabana no Rio de Janeiro. Não caia mais nessa! Vote Jonas 40!

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